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Ensaio de fluência: o que é, curva de fluência, fluência do aço e normas

Fluência é a deformação que cresce com o tempo sob carga constante. Veja a curva com os três estágios, a taxa de fluência, Larson-Miller, a fluência do aço, dos plásticos e do concreto.

Ensaios MecânicosPor Mardoqueu M. Costa23 min de leitura

Fluência (creep) é a deformação permanente que aumenta com o tempo em um material sob carga ou tensão constante. Em metais, ela se torna relevante acima de cerca de 0,4 da temperatura de fusão absoluta, como em caldeiras e turbinas; no chumbo, nos plásticos e no concreto, já acontece à temperatura ambiente. O ensaio de fluência mantém força e temperatura constantes e registra a deformação ao longo do tempo, às vezes até a ruptura, pela ASTM E139 ou pela ISO 204 em metais e pela ISO 899 em plásticos.

É o ensaio que responde quanto uma peça vai deformar, ou quando vai romper, depois de anos sob carga: a tubulação de vapor de uma usina, o parafuso de um flange quente, o tubo plástico de água, a viga de concreto que continua a descer meses depois de pronta. Neste guia você encontra como o ensaio é feito, a curva de fluência e seus três estágios, a taxa de fluência e a lei de Norton, o parâmetro de Larson-Miller, a fluência do aço e de outros materiais, a diferença para relaxação e fadiga, exercícios resolvidos, os erros comuns e as normas. Não confundir com "fluência" em idiomas, que não é o assunto aqui.

O gráfico abaixo mostra o resultado típico de um ensaio de fluência: a deformação salta no instante em que a carga é aplicada e depois continua a crescer sem que a carga mude, primeiro cada vez mais devagar, depois num ritmo quase constante e, perto do fim, cada vez mais depressa até a ruptura. Esses três trechos são os estágios primário, secundário e terciário, explicados na seção sobre a curva de fluência.

Fluência dos materiais (fluência mecânica): curva de fluência de deformação em função do tempo com a deformação instantânea e os estágios primário, secundário com taxa mínima constante e terciário até a ruptura
Curva de fluência: primário, secundário (taxa mínima) e terciário até a ruptura

O que é o ensaio de fluência

A ASTM E139-24 define o ensaio como a determinação da deformação em função do tempo sob força de tração constante e temperatura constante, e a medição do tempo até a ruptura. A ISO 204:2023 distingue quatro modalidades: o ensaio ininterrupto, com a extensão medida o tempo todo; o interrompido, com o alongamento medido de tempos em tempos; o de ruptura por fluência, em que se mede sobretudo o tempo até a fratura; e o de verificação, que confirma um tempo mínimo sob uma força dada.

A diferença para o ensaio de tração é o tempo. Na tração, a carga sobe em minutos até romper. Na fluência, a carga fica parada, muitas vezes bem abaixo do limite de escoamento, e o material deforma devagar, por horas, meses ou anos. Por isso um componente pode falhar numa tensão que ele suportaria sem problema num ensaio rápido.

O resultado tem quatro usos principais: definir a tensão admissível de um componente para uma vida de projeto, em horas, numa dada temperatura; escolher entre materiais candidatos para serviço a quente ou sob carga mantida; aceitar lotes, pelo ensaio de verificação de um tempo mínimo sob uma força dada; e estimar a vida remanescente de equipamentos que já operam há anos. Em todos eles, o ensaio precisa reproduzir a temperatura e o nível de tensão do serviço, porque os dois mudam muito a velocidade com que o material deforma.

Como é feito o ensaio de fluência: equipamento e corpo de prova

O ensaio depende de três coisas mantidas estáveis por muito tempo: a força, a temperatura e a medição do alongamento. Em metais, o corpo de prova é montado com o extensômetro, aquecido no forno até a temperatura se estabilizar, recebe a força sem choque e fica sob ela enquanto o alongamento é registrado, por horas ou milhares de horas, até atingir a deformação limite, o tempo previsto ou a ruptura. Em plásticos, concreto e outros materiais que fluem à temperatura ambiente, o forno dá lugar a uma sala ou câmara com temperatura e umidade controladas.

Na foto, uma máquina de fluência de peso morto: o forno tubular, aberto, envolve o corpo de prova; as hastes do extensômetro descem de dentro do forno; e os pesos pendurados na ponta do braço aplicam a força, multiplicada pela alavanca.

Máquina de ensaio de fluência de peso morto com forno tubular aberto em volta do corpo de prova, hastes de extensômetro e braço de alavanca com pesos
Máquina de fluência de peso morto: forno, extensômetro de alta temperatura e carga por alavanca

Cada parte do equipamento responde por uma das grandezas do ensaio:

  • Carga: máquina de peso morto com braço de alavanca, simples e estável por milhares de horas, com várias estações; ou máquina eletromecânica com controle de força, em que a célula de carga mede a força a cada instante e realimenta o controle.
  • Temperatura: forno tubular de três zonas, com termopares encostados no corpo de prova. Poucos graus de variação mudam muito a taxa de fluência.
  • Deformação: extensômetro de alta temperatura, com hastes cerâmicas que saem do forno, ou medição sem contato. É a medida central do ensaio: o alongamento do corpo de prova ao longo do tempo.
  • Aquisição de dados: um sistema computadorizado registra força, temperatura e alongamento em intervalos regulares durante todo o ensaio, e o software traça a curva e calcula as taxas. Em ensaios de milhares de horas, o registro automático é o que garante que nenhum trecho da curva se perca.

O corpo de prova de metal costuma ser redondo e roscado nas pontas, com ou sem ressaltos para prender o extensômetro; também se usam corpos de prova chatos com furo e segmentos de tubo, e os entalhados seguem a ASTM E292. A superfície da parte útil não pode ter rebarbas nem riscos, e as dimensões são medidas antes do ensaio, porque a tensão é calculada pela área inicial. O comprimento de referência, entre as marcas ou entre os pontos de contato do extensômetro, é a base sobre a qual se calcula a deformação.

Curva de fluência: os três estágios

A curva de fluência, como a do início do artigo, mostra a deformação ao longo do tempo, com carga e temperatura constantes. Ela começa com uma deformação instantânea, quase toda elástica, no momento em que a carga é aplicada, e segue em três estágios:

  • Primário (transiente): a taxa de deformação cai com o tempo, porque domina o encruamento, o endurecimento do material pela própria deformação.
  • Secundário (estacionário): a taxa fica aproximadamente constante e mínima, porque o encruamento e a recuperação, que amacia o material pelo rearranjo das discordâncias com a temperatura, se equilibram. É o estágio mais longo e consome a maior parte da vida em serviço.
  • Terciário: a taxa acelera por dano interno (cavidades nos contornos de grão, microtrincas) e pela redução da seção, até a ruptura.

Da curva se tiram a taxa mínima de fluência (a inclinação do trecho secundário), o tempo até a ruptura, o alongamento e a estricção na ruptura, e o tempo até atingir uma deformação limite, por exemplo 1 %. Para ler a taxa mínima com menos subjetividade, traça-se também a taxa de deformação em função do tempo, que mostra um mínimo claro.

Esses resultados definem as duas propriedades usadas em projeto. A resistência à fluência é a tensão que, numa dada temperatura, produz uma taxa mínima especificada, por exemplo 10⁻⁵ %/h (1 % em 100.000 h), ou uma deformação especificada num tempo dado. A resistência à ruptura por fluência é a tensão que leva à ruptura num tempo dado, por exemplo 100.000 h, naquela temperatura. A parcela que se acumula depois do carregamento, a deformação de fluência, é permanente: não volta quando a carga é retirada.

Cada curva vale para uma tensão e uma temperatura. Aumentar qualquer uma das duas eleva a deformação instantânea e a taxa mínima e encurta o tempo até a ruptura; com tensão e temperatura muito altas, o estágio secundário quase desaparece. O gráfico abaixo compara três condições: a de referência, uma mais branda, em que o material deforma devagar e dura muito mais, e uma mais severa, em que ele rompe cedo.

Três curvas de fluência mostrando que mais tensão ou mais temperatura aumentam a taxa de fluência e antecipam a ruptura
Mais tensão ou temperatura: fluência mais rápida e ruptura mais cedo

Como calcular: taxa de fluência, Norton e Larson-Miller

A deformação de fluência é calculada como na tração: o alongamento medido pelo extensômetro dividido pelo comprimento de referência, ε = ΔL / L0, só que agora em função do tempo. A taxa mínima, a inclinação do trecho secundário, sai de dois pontos desse trecho: o acréscimo de deformação dividido pelo intervalo de tempo entre eles, em h⁻¹ ou %/h.

A lei de Norton descreve como essa taxa depende da tensão e da temperatura: ela cresce com a tensão elevada a um expoente n e cresce exponencialmente com a temperatura, pelo termo de Arrhenius, ε̇s = A·σⁿ·exp(−Q / RT). Dois ensaios na mesma temperatura e em tensões diferentes dão o expoente n; dois ensaios na mesma tensão e em temperaturas diferentes dão a energia de ativação Q. Com os dois, é possível estimar a taxa em condições que não foram ensaiadas, desde que o mecanismo de deformação seja o mesmo.

O expoente n indica o mecanismo, com cautela, porque as leis são empíricas: n perto de 1 indica fluência por difusão (Nabarro-Herring pela rede, Coble pelos contornos de grão); cerca de 2, deslizamento de contornos de grão; de 3 a 6, movimento de discordâncias controlado por difusão, o caso mais comum nos metais de engenharia; acima de 10, ligas com precipitados e tensão limiar.

O parâmetro de Larson-Miller junta tempo e temperatura num número só, LMP = T·(C + log tr). Ele permite usar ensaios curtos e mais quentes para estimar a vida em serviço, mais longa e mais fria: pela equação, encurtar o tempo de ruptura 10 vezes equivale a subir a temperatura absoluta em cerca de 4 a 5 %. É a base da avaliação de vida remanescente de componentes em fluência (API 579-1, Parte 10).

A tabela reúne as fórmulas do ensaio. As duas últimas linhas, o módulo de fluência dos plásticos e o coeficiente de fluência do concreto, são explicadas na seção sobre esses materiais.

GrandezaFórmulaObservação
Deformação de fluênciaε(t) = ΔL(t) / L0alongamento no extensômetro sobre a base de medida
Taxa mínima de fluênciaε̇mín = Δε / Δt no estágio secundárioem h⁻¹ ou %/h
Lei de Norton com Arrheniusε̇s = A·σⁿ·exp(−Q / RT)n: expoente de tensão; Q: energia de ativação; T em kelvin
Expoente de tensãon = ln(ε̇2 / ε̇1) / ln(σ2 / σ1)dois ensaios na mesma temperatura
Energia de ativaçãoQ = R·ln(ε̇2 / ε̇1) / (1/T1 − 1/T2)dois ensaios na mesma tensão; R = 8,314 J/(mol·K)
Parâmetro de Larson-MillerLMP = T·(C + log tr)T em kelvin, tr em horas, C ≈ 20 para aços de baixa liga
Módulo de fluência (plásticos)Ec(t) = σ / ε(t)ISO 899-1
Fluência do concreto (simplificado)εcc = φ·εelásticaφ: coeficiente de fluência da NBR 6118

Fluência do aço

A fluência do aço é a deformação lenta sob carga mantida em temperatura alta. Nos metais, ela ganha importância acima de cerca de 0,4 da temperatura de fusão absoluta, quando a difusão dos átomos fica rápida o bastante para as discordâncias contornarem os obstáculos e os contornos de grão deslizarem. Por isso ela governa o projeto de caldeiras, tubulações de vapor, vasos e tubos de fornos de refinaria e palhetas de turbina, que trabalham quentes e sob carga constante por décadas.

O início da fluência depende da liga: os elementos de liga, como o cromo e o molibdênio, formam carbonetos e soluções sólidas que atrasam esse movimento. A tabela do National Board (French, 1991) dá a temperatura aproximada de início para aços de caldeira:

AçoTemperatura aproximada de início de fluência
Aço carbono≈ 427 °C
Carbono com ½ Mo≈ 454 °C
1¼ Cr-½ Mo≈ 510 °C
2¼ Cr-1 Mo≈ 538 °C
Aço inoxidável≈ 566 °C

São valores aproximados; o código ASME vigente prevalece, e outros códigos usam critérios diferentes (375 °C para aços ferrítico-martensíticos e 450 °C para austeníticos em normas nucleares europeias). Para a tubulação de vapor de usinas ultrassupercríticas usa-se o P91 (9Cr-1Mo modificado), cuja resistência à ruptura por fluência a 600 °C é quase o dobro da do 9Cr-1Mo tradicional, com vida de projeto típica de 100.000 horas. Um caso real: um cotovelo de P91 com tratamento térmico errado, depois de 20.000 h a cerca de 550 °C, tinha vida remanescente estimada em 53.000 h por Larson-Miller, em vez das 100.000 h do projeto (Zhou et al., 2024).

A regra de 0,4 da temperatura de fusão explica por que o chumbo flui a 20 °C: sua fusão é a 327,5 °C, e a temperatura ambiente já equivale a quase metade dela em kelvin.

Fluência em plásticos, compósitos, cerâmicas, concreto e geossintéticos

O fenômeno é o mesmo em todos os materiais, mas a temperatura em que ele importa, o mecanismo e a forma de ensaiar mudam de um para outro.

Plásticos. Os polímeros são viscoelásticos: parte da resposta é elástica, como numa mola, e parte é viscosa, como num fluido que escoa devagar. Por isso fluem já à temperatura ambiente, e a deformação depende do tempo, da temperatura e da umidade. É o que se verifica em peças plásticas sob carga mantida, como suportes e fixações de automóveis, dispositivos médicos, tanques e tubos. Em projeto, não se usa um módulo de elasticidade único, e sim o módulo de fluência, Ec(t) = σ / ε(t), que cai com o tempo de carga. A ISO 899-1 (tração) e a ISO 899-2 (flexão em três pontos) dão o módulo de fluência, as curvas de deformação × tempo e as curvas isócronas de tensão × deformação usadas em projeto; a ASTM D2990 cobre tração, compressão, flexão e ruptura por fluência. Ensaios de 1.000 horas são comuns, com várias estações em paralelo. Em tubos plásticos de pressão, a ISO 9080 extrapola ensaios de pressão para a resistência hidrostática de 50 anos.

Compósitos. Num compósito de matriz polimérica, como a fibra de carbono ou de vidro com resina epóxi, as fibras quase não fluem e a matriz flui como um polímero. O resultado depende da direção da carga: na direção das fibras, que carregam a maior parte da força, a fluência é pequena; na direção transversal e em cisalhamento, em que a matriz é quem trabalha, ela é bem maior. Por isso a fluência de peças estruturais de compósito, em aeronaves e automóveis, é avaliada na direção em que a peça é carregada, e a temperatura e a umidade entram no ensaio porque amolecem a matriz.

Cerâmicas. À temperatura ambiente, cerâmicas praticamente não fluem. Em temperatura alta, fluem sobretudo por difusão e por deslizamento de contornos de grão, e a fluência passa a limitar o uso de refratários de fornos industriais e de componentes cerâmicos de turbinas. Como são frágeis e difíceis de prender em garras, as cerâmicas são ensaiadas em fluência com frequência por flexão ou compressão, além da tração.

Concreto. O concreto também flui: a deformação diferida sob carga mantida pode passar de duas vezes a deformação elástica. A ABNT NBR 8224:2012 é o método de ensaio. Para projeto, a NBR 6118 resume esse efeito no coeficiente de fluência φ, a razão entre a deformação de fluência e a deformação elástica (εcc = φ·εelástica, no cálculo simplificado), dado em função da umidade do ambiente, da espessura fictícia da peça e da idade no carregamento: pela NBR 6118, um concreto C20 a C45 carregado aos 30 dias, em ambiente com 75 % de umidade e espessura fictícia de 20 cm, tem φ ≈ 2,2; em ar seco (40 %), 3,4. Carregar cedo, em ar seco e com peças finas aumenta muito a fluência. Veja também módulo de elasticidade do concreto.

Geossintéticos. Geogrelhas e geotêxteis de reforço de muros e taludes são ensaiados em fluência pela ISO 13431:2024 e pela ASTM D5262, porque carregam o solo por décadas.

Fluência, ruptura por fluência, relaxação e fadiga

Quatro ensaios tratam do comportamento do material ao longo do tempo, e é comum confundi-los. O ensaio de fluência mantém a força e a temperatura e acompanha a deformação, com foco na taxa mínima e no tempo até uma deformação limite. O ensaio de ruptura por fluência usa as mesmas condições, mas o que se mede é o tempo até a fratura, e a deformação pode nem ser acompanhada de perto. Os dois se complementam: o de ruptura mede a capacidade de carga máxima em função do tempo, e o de fluência mede a capacidade de carga para uma deformação limitada.

O ensaio de relaxação é o inverso da fluência: o corpo de prova é esticado até uma deformação que fica fixa, e o que se mede é a tensão, que cai com o tempo porque parte da deformação elástica se converte em deformação permanente. É o problema de parafusos e molas a quente, que perdem a pré-carga. Na fadiga, a carga não é mantida, e sim cíclica, e a vida se conta em número de ciclos, não em horas. Fluência e fadiga podem atuar juntas em componentes que aquecem e resfriam em ciclos (creep-fatigue, ASTM E2760). A tabela resume as diferenças:

EnsaioO que fica constanteO que se medeNorma
Fluênciaforça e temperaturadeformação ao longo do tempo, taxa mínimaASTM E139-24, ISO 204:2023
Ruptura por fluênciaforça e temperaturatempo até a rupturaASTM E139-24, ISO 204:2023
Relaxação de tensãodeformação e temperaturaqueda da tensão ao longo do tempoASTM E328-26
Fadigacarga cíclicanúmero de ciclos até a falhaveja ensaio de fadiga

Exercícios resolvidos de fluência

Os exercícios usam as fórmulas da seção de cálculo, na ordem em que elas aparecem num estudo de fluência: a taxa lida no ensaio, os parâmetros de Norton, a extrapolação por Larson-Miller e, por fim, o cálculo de projeto do concreto.

1. Taxa mínima de fluência. Corpo de prova de aço de 6,00 mm de diâmetro, a 550 °C, sob 100 MPa, com extensômetro de 50,0 mm de base. No estágio secundário, o extensômetro leu 0,600 mm a 200 h e 0,850 mm a 700 h. A força é 100 × 28,27 mm² = 2,83 kN. Δε = 0,250 / 50,0 = 0,00500 em 500 h, então ε̇mín = 1,0 × 10⁻⁵ h⁻¹ (0,001 %/h).

2. Expoente de Norton. Na mesma temperatura, 100 MPa dão 2,0 × 10⁻⁶ h⁻¹ e 150 MPa dão 1,2 × 10⁻⁵ h⁻¹. n = ln 6 / ln 1,5 = 4,4: fluência por discordâncias.

3. Energia de ativação. Na mesma tensão, 1,0 × 10⁻⁶ h⁻¹ a 600 °C (873 K) e 5,0 × 10⁻⁶ h⁻¹ a 650 °C (923 K). Q = 8,314 × ln 5 / (1/873 − 1/923) ≈ 216 kJ/mol. Subir 50 °C multiplicou a taxa por 5.

4. Larson-Miller. Um aço de baixa liga (C = 20) rompeu em 1.000 h a 650 °C. LMP = 923,15 × (20 + 3) = 21.232. A 550 °C (823,15 K), sob a mesma tensão: log tr = 21.232 / 823,15 − 20 = 5,79, ou seja, tr ≈ 620.000 h, cerca de 71 anos. A temperatura máxima para 100.000 h é 21.232 / 25 = 849 K = 576 °C. Atenção: com C = 25 a previsão ficaria quatro vezes maior; use sempre o C da curva-mestra do material.

5. Pilar de concreto. Pilar C30 de 3,00 m carregado aos 30 dias com 8 MPa, módulo de 30 GPa, φ = 2,2. Deformação elástica: 8 / 30.000 = 0,267 ‰; fluência: 2,2 × 0,267 = 0,587 ‰. O encurtamento total é de cerca de 2,6 mm, dos quais 1,8 mm vêm da fluência. É o cálculo simplificado; a norma usa o módulo inicial e o Anexo A.

Erros comuns no ensaio de fluência

  1. Extrapolar demais. Norton e Larson-Miller são empíricos, e o mecanismo pode mudar entre o ensaio e o serviço.
  2. Temperatura instável. Use forno multizona e termopares no corpo de prova.
  3. Usar graus Celsius no Larson-Miller. A temperatura é em kelvin e o tempo em horas.
  4. Achar que fluência só acontece a quente. Chumbo, plásticos, concreto e madeira fluem à temperatura ambiente.
  5. Confundir fluência com fadiga ou com relaxação.
  6. Ler a taxa mínima no primário ou num trecho curto demais.
  7. Chamar a tensão nominal de constante. Com carga constante, a tensão verdadeira sobe à medida que a seção diminui.
  8. Aplicar o φ da NBR 6118 fora da validade: ele vale para tensões abaixo de 0,5 fc e entre 0 e 40 °C.

Normas do ensaio de fluência

A norma depende do material e do tipo de ensaio. Em metais, a ASTM E139 e a ISO 204 cobrem fluência e ruptura por fluência, e a ASTM E328, a relaxação. Plásticos seguem a ISO 899 ou a ASTM D2990; tubos plásticos, a ISO 9080; concreto, a ABNT NBR 8224 para o ensaio e a NBR 6118 para o projeto. A tabela reúne as normas citadas no artigo, com a edição de cada uma:

NormaAplicaçãoEdição
ASTM E139fluência e ruptura por fluência de metaisE139-24
ISO 204fluência uniaxial em tração de metais2023
ASTM E292ruptura em corpo de prova entalhadoE292-24
ASTM E328relaxação de tensãoE328-26
ASTM E1457 e E2760crescimento de trinca por fluência e fluência-fadiga
ISO 899-1 e ISO 899-2fluência de plásticos em tração e flexão2017 e 2024
ASTM D2990fluência e ruptura de plásticos
ISO 9080resistência hidrostática de longo prazo de tubos plásticos2012
ABNT NBR 8224fluência do concreto endurecido2012
ABNT NBR 6118coeficiente de fluência para projeto2023, com a emenda de 03/2026
ISO 13431 e ASTM D5262geossintéticos2024 e D5262-21 (reaprovada em 2026)
API 579-1/ASME FFS-1, Parte 10vida remanescente em fluência2021

Ensaio de fluência na máquina universal

Ensaios de fluência de longa duração em alta temperatura, típicos de aços para caldeira e turbina, usam máquinas dedicadas com forno. Já os ensaios de fluência à temperatura do laboratório, comuns em polímeros, elastômeros, têxteis e madeira, podem ser feitos numa máquina universal com controle de força. O software da linha de máquinas universais da Biopdi traz a configuração de fluência, com execução em força constante, e a máquina aceita extensômetros de 25, 50 e 250 mm de base. Nesse caso, a travessa se move só o necessário para manter a força constante enquanto o corpo de prova alonga, e a célula de carga realimenta o controle. O painel abaixo mostra a máquina, o papel de cada parte no ensaio e os dispositivos usados.

A máquina universal no ensaio de fluência à temperatura do laboratório

A linha M2 tem modelos de coluna simples, de 200 N a 10 kN, e de coluna dupla, de 5 kN a 1.000 kN. Cada parte da máquina tem uma função no ensaio:

Máquinas universais de ensaios M2 da Biopdi de coluna simples (MBIOI-10-M2, 10 kN) e coluna dupla (MBIOII-50-M2, 50 kN)
  1. Travessa móvel mantém a carga constante
  2. Célula de carga realimenta o controle de força
  3. Garras cunha ou pneumáticas, sem escorregar
  4. Extensômetro deformação ao longo do tempo
  5. Software BioLab fluência em força constante
  6. Painel e emergência posiciona e para o ensaio

Dispositivos para o ensaio de fluência à temperatura do laboratório

Os dispositivos abaixo são montados na mesma máquina, conforme o corpo de prova e a norma:

Garra cunha Biopdi para ensaio de traçãoGarra cunha5, 20 e 200 kN
Garra cunha pneumática BiopdiGarra cunha pneumática50 e 200 kN
Extensômetro Biopdi com os dois braços de contato presos ao corpo de provaExtensômetrobases de 25 a 250 mm
AplicaçãoFaixaModelo Biopdi
Filmes, fios e fitas200 N a 1 kNMBIOI-1P-M2
Polímeros, elastômeros, têxteis, madeira2 a 10 kNMBIOI-10-M2
Metais em tração à temperatura ambiente5 a 50 kNMBIOII-50-M2

Para configurações específicas, fale com a Biopdi sobre projetos especiais.

Outros ensaios e referências técnicas

Referências técnicas relacionadas

Perguntas frequentes

O que é o ensaio de fluência?

É o ensaio que aplica força constante, em temperatura constante, e registra a deformação do material ao longo do tempo, às vezes até a ruptura. Em metais segue a ASTM E139 ou a ISO 204; em plásticos, a ISO 899 ou a ASTM D2990.

Como é feito o teste de fluência?

O corpo de prova é aquecido num forno até a temperatura estabilizar, recebe uma carga constante (por peso morto ou controle de força) e um extensômetro registra o alongamento por horas ou milhares de horas. Em plásticos e concreto, o ensaio é feito à temperatura ambiente.

Qual é o conceito de fluência?

Fluência é a deformação permanente que aumenta com o tempo num material sob tensão constante. Em metais, torna-se relevante acima de cerca de 0,4 da temperatura de fusão absoluta; em chumbo, polímeros e concreto, acontece já à temperatura ambiente.

O que é a fluência do aço?

É a deformação lenta do aço sob carga mantida em temperatura alta. No aço carbono, começa por volta de 427 °C; nos aços ligados e no inox, acima de 500 °C. Por isso caldeiras e tubulações de vapor usam aços resistentes à fluência, como o P91.

Quais são os três estágios da curva de fluência?

Primário, em que a taxa de deformação cai; secundário, com taxa mínima e aproximadamente constante, o mais longo; e terciário, em que a taxa acelera por dano interno até a ruptura.

O que é taxa de fluência?

É a velocidade de deformação, dε/dt. Na prática, usa-se a taxa mínima do estágio secundário, em h⁻¹ ou %/h. Uma taxa de 10⁻⁵ %/h é um critério usual de resistência à fluência.

O que é deformação por fluência?

É a parcela da deformação que se acumula depois do carregamento, com a carga parada: a deformação total menos a deformação instantânea do momento em que a carga foi aplicada.

O que é o parâmetro de Larson-Miller?

É LMP = T·(C + log tr), com T em kelvin, tr em horas e C ≈ 20 para aços de baixa liga. Ele junta tempo e temperatura para usar ensaios curtos e quentes na previsão da vida em serviço, mais longa e mais fria.

Qual a diferença entre fluência e relaxação?

Na fluência, a carga fica constante e a deformação cresce. Na relaxação, a deformação fica constante e a tensão cai, como num parafuso que perde a pré-carga a quente.

Fluência é o mesmo que fadiga?

Não. A fadiga é causada por carga cíclica e se mede em número de ciclos; a fluência é causada por carga mantida e se mede em tempo. As duas podem atuar juntas em componentes a quente.

O plástico sofre fluência?

Sim, já à temperatura ambiente. Por isso o projeto de peças plásticas usa o módulo de fluência e as curvas isócronas da ISO 899, e tubos de pressão são dimensionados pela resistência de longo prazo da ISO 9080.

O concreto sofre fluência?

Sim. Sob carga mantida, a deformação do concreto continua a crescer por meses e anos. A NBR 6118 quantifica isso com o coeficiente de fluência φ, que pode passar de 2 em ambientes comuns.

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