Ensaio de aderência: argamassa (NBR 13528), cerâmica, pintura e adesivos

O ensaio de aderência mede a força para separar um revestimento, tinta, argamassa, cerâmica ou adesivo do substrato. Veja NBR 13528, NBR 13749, NBR 11003, pull-off e peel.

Ensaios MecânicosPor Mardoqueu M. Costa
20 min de leitura

O ensaio de aderência mede a força necessária para separar um revestimento, uma tinta, uma argamassa, uma placa cerâmica ou um adesivo do substrato, e registra onde a separação aconteceu. O resultado sai em MPa no ensaio de tração com pastilha (pull-off), em N/mm no descolamento (peel) ou numa classe visual no corte em X ou em grade. Em argamassa, a norma é a ABNT NBR 13528:2019; em pintura, a NBR 11003:2023; em cerâmica, as NBR 13753, 13754 e 13755.

Neste guia você encontra o que o ensaio mede e por que a forma de ruptura importa, os tipos de ensaio, como calcular, o procedimento e os limites de aceitação em argamassa e cerâmica, os ensaios de pintura e de adesivos, as normas e exercícios resolvidos.

Na foto, um ensaio de aderência à tração num revestimento de argamassa: pastilhas metálicas coladas na parede, com o revestimento cortado em volta de cada uma até o substrato. Uma pastilha já foi arrancada e trouxe preso o disco de argamassa, e o aderímetro portátil está acoplado à seguinte.

Ensaio de aderência à tração em revestimento de argamassa, com pastilhas metálicas coladas e cortadas na parede, uma pastilha arrancada com o disco de argamassa preso e um aderímetro acoplado
Aderência à tração de argamassa: pastilhas de 50 mm coladas e cortadas até o substrato

O que é o ensaio de aderência e por que ele importa

A ABNT NBR 13528-1 define aderência como a propriedade do revestimento de resistir às tensões na superfície ou na interface com o substrato, e acrescenta um ponto que costuma ser esquecido: a aderência não é propriedade da argamassa, e sim do sistema (base, preparo da base, revestimento e acabamento). O mesmo raciocínio vale fora da construção: a aderência de uma tinta depende do preparo da chapa, e a de uma fita, da superfície em que ela é colada.

Quando a aderência é insuficiente, o revestimento descasca, delamina ou descola antes do fim da vida útil prevista, e em geral o defeito só aparece com a obra entregue ou o produto em uso. O ensaio antecipa esse problema. Ele serve para o controle de qualidade de obras e de linhas de produção, para comparar e escolher tintas, argamassas, adesivos e preparos de superfície, e para desenvolver produtos novos antes de aplicá-los em larga escala. Por isso aparece na construção civil (argamassa, cerâmica, pintura de fachada), na indústria de tintas e revestimentos (sobre metal, concreto, madeira e plástico), na de adesivos, fitas e selantes e na automotiva, que avalia tintas, adesivos e selantes de componentes e carrocerias.

Onde a separação acontece importa tanto quanto a força. A ruptura pode ser adesiva, na interface entre duas camadas, ou coesiva, dentro de uma das camadas (o substrato, a argamassa, a tinta ou o adesivo). Só a ruptura adesiva mede a aderência daquela interface. Na coesiva, a interface resistiu mais que o valor medido, e o número obtido é, na verdade, a resistência da camada que rompeu. Por isso todo resultado de aderência vem acompanhado da forma de ruptura.

O resultado depende também de como o ensaio é feito: do preparo da superfície (limpeza, primer, chapisco), da idade e da umidade do revestimento, da temperatura e da velocidade de carregamento. E como a aderência varia de um ponto para outro na mesma parede ou peça, as normas pedem vários ensaios por situação e decidem pelo conjunto, nunca por um valor isolado.

Tipos de ensaio de aderência

Os métodos se diferenciam pela forma como solicitam a interface e pelo tipo de resultado que entregam:

  • Aderência à tração (pull-off). Uma peça metálica (a pastilha, em argamassa e cerâmica; o carretel, ou dolly, em pintura) é colada sobre o revestimento e tracionada perpendicularmente à superfície até destacar. Em revestimentos espessos, a área em volta da pastilha é cortada até o substrato, para que só o disco sob ela seja ensaiado. O resultado é a força máxima dividida pela área colada, em MPa. Em obra, o ensaio é feito com um aderímetro portátil.
  • Corte em X ou em grade. Cortes que atravessam a película de tinta até o substrato criam bordas soltas; uma fita adesiva é aplicada sobre eles e removida, e arranca os pedaços mal aderidos. O resultado é uma classe visual, conforme a área destacada, e não um número em MPa. É rápido, barato e feito na própria peça.
  • Descolamento (peel). Um aderente flexível (fita, filme, laminado) colado num substrato é dobrado a 90° ou a 180° e descolado com velocidade constante; no T-peel, os dois aderentes são flexíveis e se abrem em T. A força se concentra na linha em que a cola está se separando, e por isso o resultado é expresso por unidade de largura, em N/mm.
  • Cisalhamento por sobreposição (lap shear). Duas chapas são coladas com uma sobreposição de área conhecida e tracionadas no plano da cola, que trabalha em cisalhamento. O resultado é a força máxima dividida pela área colada, em MPa. É o ensaio dos adesivos estruturais.

A tabela resume os quatro métodos e onde cada um é usado:

EnsaioComo funcionaResultadoOnde se usa
Aderência à tração (pull-off)pastilha colada e tracionada perpendicularmente à superfícieMPa e forma de rupturaargamassa, cerâmica, tinta, revestimento térmico
Corte em X ou em gradecortes na película, fita adesiva aplicada e removidaclasse visualpintura
Descolamento (peel) a 90°, 180° ou em Taderente flexível descolado com velocidade constanteN/mmadesivos, fitas, laminados, rótulos
Cisalhamento por sobreposição (lap shear)junta colada tracionada no plano da colaMPaadesivos estruturais

Aderência não é arrancamento. Na obra, o ensaio de argamassa é chamado de "arrancamento", mas, em sentido estrito, arrancamento (pull-out) é a extração de um elemento embutido, como chumbador, barra ou parafuso. Esse outro ensaio está em ensaio de arrancamento.

Como calcular a resistência de aderência

Nos métodos que dão um número, o cálculo é sempre uma força dividida por uma área (pull-off e cisalhamento, em MPa) ou por uma largura (descolamento, em N/mm). A tabela reúne as fórmulas e as áreas usadas nos exemplos deste artigo:

GrandezaFórmulaObservação
Resistência de aderência à traçãoRa = F / Aem MPa, com duas casas decimais (NBR 13528-2)
Área da pastilha de 50 mmA = π × 25² = 1.963,5 mm²pastilha circular de (50 ± 1) mm
Pull-off de pintura (dolly de 20 mm)σ = F / 314,16 mm²ASTM D4541, ISO 4624
Resistência ao descolamentoP = Fmédia / bmédia do platô dividida pela largura, em N/mm
Cisalhamento por sobreposiçãoτ = Fmáx / (b·L)ASTM D1002

Ensaio de aderência de argamassa: NBR 13528 passo a passo

A ABNT NBR 13528 tem três partes, de 2019: a Parte 1 traz os requisitos gerais, a Parte 2 a aderência ao substrato e a Parte 3 a aderência superficial; as Partes 2 e 3 substituíram a NBR 13528:2010. O ensaio é o pull-off descrito acima, feito no revestimento já executado: a norma fixa a idade, o número de pontos, a profundidade do corte e o equipamento, para que os resultados de obras diferentes possam ser comparados. O passo a passo da Parte 2:

  1. Idade. 28 dias para argamassas de cimento e areia ou mistas; 56 dias para argamassas de cal e areia.
  2. Corpos de prova. 12 por situação ensaiada, com pelo menos 50 mm entre si e afastados dos cantos.
  3. Corte. Cortar o revestimento em volta de cada pastilha até 1 a 5 mm dentro do substrato. O corte com água dá menos variabilidade.
  4. Pastilha. Metálica, circular, de (50 ± 1) mm, colada no centro da área cortada.
  5. Tração. Com dinamômetro de erro máximo de 2 %, carga contínua, centrada e perpendicular ao plano. Encaixe tipo gancho não é recomendado, porque gera excentricidade.
  6. Cálculo e forma de ruptura. Ra = F / A, com duas casas decimais, e a forma de ruptura de cada ponto.

Como interpretar a forma de ruptura. Num sistema sem chapisco, a ruptura pode ocorrer no substrato (A), na interface substrato/argamassa (B), na argamassa (C), na interface argamassa/cola (D) ou na interface cola/pastilha (E). Com chapisco, acrescentam-se as interfaces e a camada de chapisco. É a distinção entre ruptura adesiva e coesiva aplicada ao revestimento: na ruptura em interface, o valor é a própria aderência; na ruptura dentro de uma camada (substrato, argamassa, chapisco), a aderência real é maior que o valor, que se registra como "Ra > valor". Na ruptura na cola ou na pastilha, o ensaio não chegou a solicitar o revestimento: o resultado é descartado e o ponto é repetido. O esquema abaixo mostra, em corte, as camadas do ensaio (substrato, argamassa, cola e pastilha) e onde fica cada forma de ruptura, de A a E.

Esquema em corte do ensaio de aderência à tração com substrato, argamassa, cola e pastilha, as formas de ruptura A a E da NBR 13528-2 e como ler cada uma
Formas de ruptura da NBR 13528-2 e como ler o resultado

Limites de aderência do emboço: NBR 13749

A NBR 13528 diz como ensaiar; os valores mínimos que o emboço precisa atingir estão na ABNT NBR 13749:2013. O limite muda com o local e com o acabamento que o emboço vai receber:

LocalAcabamentoRa mínimo
Parede internapintura ou base para reboco≥ 0,20 MPa
Parede internacerâmica ou laminado≥ 0,30 MPa
Parede externapintura ou base para reboco≥ 0,30 MPa
Parede externacerâmica≥ 0,30 MPa
Teto≥ 0,20 MPa

A aceitação da NBR 13749 é por contagem: de 12 ensaios com idade de 28 dias ou mais, pelo menos 8 devem atingir o limite. A edição de 1996 usava 6 ensaios com pelo menos 4 aprovados, regra que muitos textos ainda repetem.

Aderência de revestimento cerâmico e argamassa colante

O que diz a NBR 13753. A ABNT NBR 13753:1996 trata do revestimento de piso interno ou externo com placas cerâmicas assentadas com argamassa colante: execução, fiscalização e recebimento. Pelo seu anexo, de seis determinações da resistência de aderência feitas aos 28 dias, pelo menos quatro devem ser iguais ou maiores que 0,3 MPa, com carregamento de (250 ± 50) N/s. A NBR 13754 aplica o mesmo à parede interna. Para fachadas, a NBR 13755:2017 elevou o mínimo para 0,5 MPa, com 12 corpos de prova a cada 2.000 m²: aprovado com pelo menos 8 acima de 0,5 MPa; entre 0,3 e 0,5 MPa, consulta ao projetista; reprovado com menos de 8 acima de 0,3 MPa.

Argamassa colante (ABNT NBR 14081-1:2012). A norma classifica as argamassas colantes pela aderência aos 28 dias:

PropriedadeAC IAC IIAC III
Tempo em aberto≥ 15 min≥ 20 min≥ 20 min
Aderência, cura normal≥ 0,5 MPa≥ 0,5 MPa≥ 1,0 MPa
Aderência, cura submersa≥ 0,5 MPa≥ 0,5 MPa≥ 1,0 MPa
Aderência, cura em estufanão exigida≥ 0,5 MPa≥ 1,0 MPa

O sufixo E indica tempo em aberto estendido em pelo menos 10 minutos, e o D, deslizamento reduzido. Para fachadas, a NBR 13755:2017 exige no mínimo AC III.

Teste de aderência de pintura

Em pintura, o ensaio mais comum é o de corte, que avalia a aderência pela quantidade de tinta que a fita arranca das bordas dos cortes. A ABNT NBR 11003:2023 (Pintura industrial: determinação da aderência pelos métodos de corte na pintura) é a norma brasileira do ensaio, feito demão a demão. Ela tem dois métodos, escolhidos pela espessura da película seca:

  • Método A (corte em X), para película seca de 70 µm ou mais: dois cortes de 40 mm cruzando no meio, fita adesiva aplicada e removida. Classifica-se o destacamento na interseção (Y0 a Y4) e ao longo das incisões (X0 a X4), e o resultado sai como par, por exemplo X1Y2.
  • Método B (corte em grade), para película abaixo de 70 µm: cortador de 6 lâminas a 2 mm, formando 25 quadrados. Classifica-se de Gr0 (nenhuma área destacada) a Gr4.
  • Amostragem em campo: número de ensaios igual a 1 % da área pintada em m² (300 m² pedem 3 ensaios); em tubulações, 1 ensaio a cada 100 m.

Na foto, um corte em grade numa chapa de aço pintada, com o cortador de várias lâminas ao lado. Os pequenos destacamentos nas interseções dos cortes são o que a classificação avalia: quanto maior a área de tinta arrancada, pior a classe.

Teste de aderência de pintura por corte em grade numa chapa de aço pintada, com pequenos destacamentos nas interseções dos cortes e o cortador de várias lâminas ao lado
Teste de aderência de pintura por corte em grade (NBR 11003, ISO 2409)

No exterior, a ISO 2409:2020 usa escala de 0 (nenhum destacamento) a 5, com espaçamento dos cortes conforme a espessura, até 250 µm; a ASTM D3359-23 usa as escalas 5A a 0A (corte em X) e 5B a 0B (grade). Atenção: na ISO, 0 é o melhor resultado; na ASTM, 5B é o melhor.

Pull-off em pintura (ASTM D4541-22 e ISO 4624:2023). Um carretel (dolly), tipicamente de 20 mm, é colado sobre a tinta e tracionado perpendicularmente até destacar, a no máximo 1 MPa/s. O resultado sai em MPa, com a natureza da falha em percentual de área: adesiva, coesiva ou na cola do dolly. É o método que dá um número, e por isso ganhou espaço sobre os cortes. Sobre concreto, usa-se a ASTM D7234. Primers epóxi ricos em zinco dão tipicamente de 12 a 17 MPa (Fragata et al., ABRACO, 2012).

Aderência de adesivos e fitas: ensaio de descolamento (peel)

Em fitas, filmes, rótulos e laminados, a pergunta é qual força é preciso para descolar o aderente flexível do substrato. O ensaio é feito na máquina universal: uma ponta do aderente é presa na garra e a travessa o descola com velocidade constante, no ângulo da norma.

No descolamento, a curva força × deslocamento tem um pico inicial, quando o descolamento começa, seguido de um platô oscilante. O resultado é a média do platô dividida pela largura; o pico inicial é descartado. O valor depende do ângulo, da espessura e da rigidez do aderente: resultados de configurações diferentes não se comparam.

Adesivos estruturais, que unem peças rígidas, não se ensaiam por descolamento, e sim pelo cisalhamento por sobreposição descrito na seção Tipos de ensaio de aderência. A tabela reúne as normas de descolamento, a de cisalhamento de juntas coladas e a ASTM C633, que mede por tração normal a aderência de revestimentos de aspersão térmica:

NormaConfiguração
ASTM D903descolamento a 180°, aderente flexível
ASTM D3330descolamento de fita adesiva sensível à pressão, a 180° ou 90°, sobre placa de aço inox
ASTM D1876T-peel, dois aderentes flexíveis, 25 mm de largura, 254 mm/min, pelo menos 127 mm descolados
ASTM D6862descolamento a 90°, flexível sobre rígido
ISO 8510-2descolamento de aderente flexível colado em rígido, a 180° (a ISO 8510-1, de 90°, foi retirada sem substituta)
ASTM D1002cisalhamento por sobreposição de junta colada (veja ensaio de cisalhamento)
ASTM C633tração normal em revestimento de aspersão térmica

Exercícios resolvidos de aderência

1. Aderência de emboço. Uma pastilha de 50 mm rompeu com 510 N, na interface argamassa/substrato. Ra = 510 / 1.963,5 = 0,26 MPa. Como a ruptura foi na interface, esse é o valor da aderência. Numa parede interna com pintura (0,20 MPa), o ponto atende; numa parede externa (0,30 MPa), não.

2. Aceitação pela NBR 13749. Fachada com pintura (limite de 0,30 MPa), 12 forças em N: 640, 598, 702, 555, 610, 480, 689, 720, 575, 630, 590 e 660. Os Ra são 0,33; 0,30; 0,36; 0,28; 0,31; 0,24; 0,35; 0,37; 0,29; 0,32; 0,30 e 0,34 MPa. Nove valores atingem 0,30 MPa, e a média é 0,32 MPa. O lote é aceito, porque 9 é maior ou igual a 8. Quem decide é a contagem, não a média.

3. Ruptura dentro da argamassa. Uma pastilha rompeu com 700 N dentro da camada de argamassa: 700 / 1.963,5 = 0,36 MPa. Registra-se Ra > 0,36 MPa: a interface resistiu mais que isso. Se a ruptura fosse na cola, o ponto seria descartado e repetido.

4. Pull-off em pintura. Um dolly de 20 mm destacou com 4,1 kN, com 100 % de falha coesiva no primer epóxi rico em zinco: σ = 4.100 / 314,16 = 13,1 MPa, dentro da faixa típica desse primer.

5. Descolamento de fita. Corpo de prova de 25 mm de largura, pico de 26 N e platô com média de 18,0 N ao longo de 127 mm: P = 18,0 / 25 = 0,72 N/mm (ou 18 N/25 mm). O pico não entra na média.

Erros comuns no ensaio de aderência

  1. Corte insuficiente. Se o corte não entra no substrato, o anel de argamassa em volta participa e o valor sobe artificialmente.
  2. Excentricidade. Pastilha torta ou encaixe em gancho reduzem o resultado; um estudo com 530 corpos de prova mediu queda de 25 % (Costa e Carasek, 2009).
  3. Trocar a geometria da pastilha. A circular de 50 mm deu 52 % a mais que a quadrada de 100 mm no mesmo estudo; a norma fixa a circular.
  4. Tratar ruptura na cola como resultado baixo. É resultado inválido: repete-se o ponto.
  5. Decidir pela média. A NBR 13749 e a NBR 13755 aceitam por contagem, 8 de 12.
  6. Usar a regra antiga de 4 de 6 no emboço, ou o mínimo antigo de 0,3 MPa em fachada cerâmica.
  7. Revestimento úmido, que tende a dar aderência menor.
  8. Confundir as escalas de pintura: na ISO 2409, 0 é ótimo; na ASTM D3359, 5B é ótimo.
  9. Usar corte em grade em película grossa, acima do limite do método.
  10. Comparar descolamentos de ângulos diferentes, ou expressar descolamento em MPa.

Normas do ensaio de aderência

A norma certa depende do sistema ensaiado: argamassa e cerâmica seguem as normas ABNT de revestimento; tinta segue a NBR 11003 ou, para um resultado em MPa, o pull-off da ASTM D4541 e da ISO 4624; adesivos e fitas seguem as normas ASTM e ISO de descolamento. A tabela reúne as principais:

NormaAplicaçãoEdição
ABNT NBR 13528-1, -2 e -3aderência à tração de revestimentos de argamassa2019
ABNT NBR 13749especificação de revestimentos de argamassa (limites)2013
ABNT NBR 13753 e 13754cerâmica em pisos e paredes internas1996
ABNT NBR 13755cerâmica em fachadas2017
ABNT NBR 14081-1argamassa colante (AC I, AC II, AC III)2012
ABNT NBR 11003aderência de pintura industrial pelos métodos de corte (em X e em grade)2023
ISO 2409 e ASTM D3359corte em grade e em X2020 e D3359-23
ASTM D4541, ASTM D7234 e ISO 4624pull-off de pinturaD4541-22, D7234-22, 2023
ISO 16276-1avaliação e critérios de aceitação por pull-off de pintura anticorrosiva em estruturas de aço2025 (substitui a de 2007)
ASTM C1583resistência à tração superficial do concreto e aderência de materiais de reparo e recobrimento, por pull-off
ASTM D903, D3330, D1876, D6862, ISO 8510-2descolamento de adesivos e fitas
ASTM C633revestimentos de aspersão térmica

Ensaio de aderência na máquina universal

Como visto, o ensaio de argamassa em obra é feito com aderímetro portátil. Em laboratório, a máquina universal de ensaios faz os ensaios de aderência e de descolamento com velocidade controlada e curva completa: a linha da Biopdi tem dispositivo de aderência de fitas (ASTM D3330), garras de cunha, pneumáticas e de rolete, células de carga de 0,05 a 1.000 kN e o software que calcula a média do platô por largura. Dispositivos para pull-off em laboratório são avaliados sob consulta, em projetos especiais. O painel abaixo mostra a máquina, o papel de cada parte no ensaio de aderência e o dispositivo de adesão de fitas.

A máquina universal no ensaio de aderência

A linha M2 tem modelos de coluna simples, de 200 N a 10 kN, e de coluna dupla, de 5 kN a 1.000 kN. Cada parte da máquina tem uma função no ensaio:

Máquinas universais de ensaios M2 da Biopdi de coluna simples (MBIOI-10-M2, 10 kN) e coluna dupla (MBIOII-50-M2, 50 kN)
  1. Travessa móvel descasca ou traciona na velocidade da norma
  2. Célula de carga pequena, para poucos newtons
  3. Dispositivo adesão de fitas, cunha, pneumática ou rolete
  4. Deslocamento curva força × deslocamento
  5. Software BioLab média do platô por largura
  6. Painel e emergência posiciona e para o ensaio

Dispositivos para o ensaio de aderência

Os dispositivos abaixo são montados na mesma máquina, conforme o corpo de prova e a norma:

Dispositivo Biopdi para adesão de fitas conforme ASTM D3330
Adesão de fitasconforme ASTM D3330Entra no lugar das garras, na mesma máquina universal.

A regra é dimensionar a célula de carga à força esperada: o descolamento de uma fita fica entre 10 e 50 N; uma pastilha de argamassa de 50 mm a 1 MPa, cerca de 2 kN; um dolly de 20 mm a 20 MPa, cerca de 6,3 kN.

AplicaçãoFaixaModelo Biopdi
Fitas, filmes, rótulos (descolamento)200 N a 1 kNMBIOI-1P-M2
Adesivos, polímeros, elastômeros2 a 10 kNMBIOI-10-M2
Lap shear em metal, revestimentos térmicos5 a 50 kNMBIOII-50-M2

Outros ensaios e referências técnicas

Referências técnicas relacionadas

Perguntas frequentes

O que é um teste de aderência?

É o ensaio que mede a força necessária para separar um revestimento, uma tinta, uma argamassa, uma cerâmica ou um adesivo do substrato. O resultado sai em MPa (pull-off), em N/mm (descolamento) ou numa classe visual (corte em X ou em grade), junto com o local da ruptura.

O que é o ensaio de aderência de argamassa?

Cola-se uma pastilha metálica de 50 mm sobre o revestimento cortado até o substrato, traciona-se até romper e calcula-se Ra = F / A, pela ABNT NBR 13528-2:2019. São 12 pontos por situação, aos 28 dias.

O que diz a NBR 13753?

A ABNT NBR 13753:1996 trata do revestimento de piso interno ou externo com placas cerâmicas e argamassa colante. Pelo seu anexo, de seis determinações da resistência de aderência aos 28 dias, pelo menos quatro devem ser iguais ou maiores que 0,3 MPa.

Qual é o valor mínimo de aderência do reboco?

Pela ABNT NBR 13749:2013, o emboço precisa de 0,20 MPa em paredes internas com pintura e tetos, e de 0,30 MPa em paredes externas ou internas com cerâmica. De 12 ensaios, pelo menos 8 devem atingir o limite.

Quais são os tipos de ensaio de aderência?

Aderência à tração com pastilha (argamassa, cerâmica, tinta), corte em X ou em grade (tinta), descolamento a 90°, 180° ou em T (adesivos e fitas) e cisalhamento por sobreposição (adesivos estruturais).

Qual é a norma para teste de aderência de pintura?

No Brasil, a ABNT NBR 11003:2023, com corte em X para películas de 70 µm ou mais e corte em grade para películas mais finas. No exterior, a ISO 2409 e a ASTM D3359; para um resultado em MPa, o pull-off da ASTM D4541 ou da ISO 4624.

Qual a aderência mínima das argamassas colantes AC I, AC II e AC III?

Pela ABNT NBR 14081-1:2012, 0,5 MPa para AC I e AC II e 1,0 MPa para AC III, aos 28 dias. A AC I não precisa atender à cura em estufa.

Como interpretar a forma de ruptura?

Ruptura na interface dá o valor real da aderência. Ruptura dentro de uma camada indica que a aderência é maior que o valor medido. Ruptura na cola ou na pastilha manda descartar o ponto e repetir.

Ensaio de aderência é o mesmo que arrancamento?

Na linguagem de obra, o ensaio de argamassa é chamado de arrancamento, mas são coisas diferentes: aderência (pull-off) traciona uma pastilha colada sobre uma camada; arrancamento (pull-out) extrai um elemento embutido, como chumbador ou barra.

Qual a diferença entre ISO 2409 e ASTM D3359?

A ISO 2409 classifica de 0 (melhor) a 5 e remove a fita num ângulo próximo de 60°; a ASTM D3359 classifica de 5B (melhor) a 0B, ou de 5A a 0A no corte em X, e remove a fita a 180°. O espaçamento dos cortes também muda.

Como se calcula a resistência ao descolamento?

Divide-se a força média do platô da curva pela largura do corpo de prova: P = F / b, em N/mm. O pico inicial é descartado. Uma fita de 25 mm com platô de 18 N tem 0,72 N/mm.