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Ensaio de arrancamento (pull-out): o que é, como é feito, cálculo e normas

O ensaio de arrancamento traciona um elemento embutido, como chumbador, barra, grampo ou parafuso, até arrancá-lo. Veja como é feito, o cálculo, os modos de falha e as normas.

Ensaios MecânicosPor Mardoqueu M. Costa19 min de leitura

O ensaio de arrancamento (pull-out) traciona um elemento embutido, como um chumbador, uma barra de aço, um grampo, um parafuso ou uma fibra, até arrancá-lo do material-base ou até uma carga de prova. A máquina registra força e deslocamento; da força máxima saem a resistência da ancoragem e a tensão de aderência média, τ = F / (π·d·ℓ). Em chumbadores, as normas são a ABNT NBR 14827 e a ASTM E488; em grampos de solo grampeado, a NBR 16920-2; em tirantes, a NBR 5629.

É o ensaio que responde se uma fixação aguenta o que o projeto pede: o chumbador de uma máquina, o ponto de ancoragem de uma linha de vida, o grampo de uma contenção, o parafuso de um móvel ou de uma placa ortopédica. Neste guia você encontra de onde vem a resistência de uma fixação, como o ensaio é feito em campo e em laboratório, os modos de falha, as fórmulas com exercícios resolvidos, os erros mais comuns e as normas por aplicação.

Na foto, um chumbador de aço arrancado do concreto. Ele não saiu sozinho: trouxe preso à ponta um cone de concreto, largo na face que era a superfície do bloco e estreito na extremidade embutida. É o modo de falha mais comum em chumbadores pouco profundos, e explica boa parte das regras do ensaio.

Chumbador de aço arrancado do concreto com o cone de concreto preso à ponta, largo na face que era a superfície e estreito na extremidade embutida
Chumbador arrancado com o cone de concreto: o modo de falha mais típico

O que é o ensaio de arrancamento

O elemento ensaiado fica embutido num material-base: concreto, alvenaria, solo, madeira, osso ou a matriz de um compósito. O comprimento do elemento dentro desse material é a profundidade de embutimento (em barras e grampos, o comprimento aderente), e é a variável que mais pesa no resultado. Quando o elemento é tracionado ao longo do seu eixo, a resistência vem de quatro mecanismos, isolados ou combinados:

  • Aderência: a ligação entre a superfície do elemento e o material que o envolve, como o concreto em volta de uma barra, a resina de um chumbador químico ou a calda de cimento de um grampo.
  • Atrito: o elemento pressionado contra a parede do furo, como no chumbador mecânico de expansão.
  • Intertravamento: as nervuras de uma barra ou os filetes de rosca de um parafuso apoiados no material-base.
  • Cone de ruptura: em chumbadores, a tração se espalha pelo concreto em volta da ponta; se o concreto ceder antes do aço, sai um cone inteiro de material, como o da foto.

O resultado principal é a força de arrancamento, a maior força que a fixação suportou. Dividida pela área lateral de contato entre o elemento e o material-base, ela dá a tensão de aderência média. A curva força × deslocamento completa mostra ainda quanto a fixação se desloca sob a carga de serviço e de que modo ela rompe.

Esses resultados servem a três fins: qualificar um produto, como um chumbador ou um parafuso, com séries de ensaios até a ruptura; verificar em obra se uma fixação foi bem instalada; e pesquisar materiais e sistemas de ancoragem, como resinas, geometrias de rosca e fibras.

Arrancamento (pull-out) não é aderência de revestimento (pull-off). No pull-off, uma pastilha metálica é colada sobre uma argamassa, uma cerâmica ou uma pintura e tracionada perpendicularmente à superfície, para medir a aderência da camada (ABNT NBR 13528). No pull-out, o que sai é um elemento embutido. As buscas misturam os dois; o pull-off está explicado em ensaio de aderência.

Onde se usa o ensaio de arrancamento

O princípio é o mesmo para elementos muito diferentes, mas cada um tem a sua norma e o seu local de ensaio. Chumbadores são ensaiados tanto em laboratório quanto em obra; tirantes, grampos e estacas, no próprio terreno onde vão trabalhar; barras, fibras e fixadores pequenos, como parafusos em madeira e parafusos ósseos, em laboratório. A tabela resume o elemento, o local e a norma de cada caso:

ElementoOndeNorma
Chumbadores mecânicos e químicos em concreto e alvenarialaboratório e obraABNT NBR 14827, ASTM E488/E488M-22, EAD 330232, ACI 355.2 e 355.4
Tirantes ancorados no terrenoobra (qualificação e recebimento)ABNT NBR 5629:2018
Grampos de solo grampeadoobraABNT NBR 16920-2:2021
Estacas de usinas solares (pull out test)obraprojeto específico
Dispositivos de ancoragem para trabalho em alturalaboratório (ensaio de tipo) e projetoABNT NBR 16325-1 e -2, NR-35
Barras de aço no concreto (aderência)laboratórioRILEM RC6
Pregos, grampos e parafusos em madeiralaboratórioASTM D1761-20
Parafusos ósseos (ortopedia)laboratórioASTM F543-23, Anexo A3
Fibras em matriz (concreto com fibras, compósitos)laboratóriométodos de pesquisa
Insertos roscados em plásticolaboratóriométodo interno (não há norma específica)

Como é feito o ensaio de arrancamento

Em qualquer ambiente, o ensaio consiste em prender o material-base, tracionar o elemento ao longo do seu eixo e medir força e deslocamento. O que muda é o equipamento e o objetivo: em campo, o ensaio verifica a fixação real, instalada na obra; em laboratório, qualifica produtos e levanta a curva completa até a ruptura, com velocidade controlada.

Em campo

Em obra, o elemento é tracionado por um macaco hidráulico vazado ligado a uma bomba com manômetro calibrado, e o deslocamento da cabeça é lido com relógio comparador ou extensômetro. A carga sobe em estágios. O apoio do macaco precisa ficar afastado do elemento, a mais de 1,5 vez a profundidade de embutimento: mais perto, ele comprime o concreto justamente onde o cone de ruptura se formaria, impede que ele se solte e superestima a resistência. Em grampos, o critério de ruptura é deslocamento contínuo sem aumento de carga; o relatório traz os gráficos de carga × deslocamento e deslocamento × tempo. Em tirantes, a NBR 5629 separa ensaios de qualificação e de recebimento, este feito em todos os tirantes (tipo A em 10 % deles, tipo B nos demais).

A prova de carga de chumbadores em obra verifica a instalação, não a resistência última: aplica-se uma carga acima da de serviço (por exemplo, 1,5 vez a carga aplicada, na prática da norma britânica BS 8539) e verifica-se que não há movimento perceptível.

Em laboratório

No laboratório, o corpo de prova (bloco de concreto com a barra ou o chumbador, bloco de madeira com o parafuso, bloco de espuma com o parafuso ósseo, matriz com a fibra) é preso na base de uma máquina universal de ensaios, e o elemento é tracionado pela travessa através de um dispositivo de arrancamento. A célula de carga mede a força; o deslocamento vem da travessa ou, com mais exatidão, de um transdutor no próprio elemento. Assim se levanta a curva força × deslocamento completa, até a ruptura, com velocidade controlada. É o caminho para qualificar produtos e para pesquisa.

A foto abaixo mostra um arrancamento de parafuso em madeira. Uma placa de aço prende o bloco contra a base, com uma abertura larga em volta do parafuso para não apoiar na região que vai ser arrancada, e um garfo ligado à célula de carga engata sob a cabeça do parafuso.

Ensaio de arrancamento de parafuso em bloco de madeira numa máquina universal de ensaios, com o bloco preso por uma placa e a cabeça do parafuso tracionada por um garfo
Arrancamento de parafuso em madeira na máquina universal (ASTM D1761)

O que influencia o resultado

Além da geometria da fixação, três fatores mudam a força medida e precisam ser controlados e registrados no relatório:

  • Instalação: o corpo de prova tem de ser montado como o fabricante ou o projeto manda. Num chumbador químico, pó deixado no furo prejudica a aderência da resina, e a resina precisa completar a cura antes do ensaio; num chumbador mecânico, o torque de aperto define a expansão. Uma instalação malfeita faz o ensaio medir o erro de montagem, não o produto.
  • Velocidade de carregamento: a força de ruptura depende da taxa com que a carga é aplicada, principalmente quando há resina, polímero ou madeira no caminho da carga. Por isso a norma ou o projeto fixa a velocidade, e ela vai para o relatório.
  • Temperatura e umidade: resinas de chumbadores químicos perdem resistência em temperatura elevada, e a resistência da madeira muda com o teor de umidade. Os dois são medidos e registrados, e, quando o ensaio compara produtos, mantidos iguais entre eles.

Modos de falha de um chumbador tracionado

Um chumbador tracionado pode falhar de cinco maneiras. Qual delas acontece depende do que cede primeiro: o aço da haste, a ancoragem no furo ou o concreto em volta.

  1. Falha do aço: a haste rompe. Acontece quando o embutimento e o concreto sobram.
  2. Arrancamento ou escorregamento: o chumbador desliza no furo, sem levar concreto.
  3. Cone de concreto: sai um cone de concreto com raio de cerca de 1,5 vez a profundidade de embutimento. É o modo mais típico de chumbadores rasos.
  4. Fendilhamento: o concreto racha, perto de bordas ou em peças finas.
  5. Aderência (chumbador químico): falha combinada da resina com um cone raso.

Identificar o modo de falha faz parte do resultado, porque cada modo aponta uma causa diferente. A curva força × deslocamento dá a primeira pista: o escorregamento puro cai aos poucos até um patamar de atrito; o cone e o fendilhamento caem de repente; a falha do aço mostra escoamento e ruptura da haste. Depois do ensaio, o exame do que saiu confirma a leitura: a forma e o tamanho do cone, a trinca de fendilhamento, a resina que ficou presa à haste ou ao furo. O modo observado vai para o relatório junto com a força máxima.

Arrancamento de barras de aço no concreto

A aderência entre aço e concreto é medida pelo ensaio de arrancamento clássico da RILEM (RC6), hoje uma referência histórica: uma barra é concretada num cubo, com comprimento aderente curto, de 5 diâmetros, e tracionada enquanto se mede o deslizamento na extremidade livre. Numa barra nervurada que rompe por arrancamento, o pico coincide com o esmagamento do concreto entre as nervuras. Atenção a uma confusão comum: a ABNT NBR 7477, citada nas especificações de vergalhões, determina o coeficiente de conformação superficial por um ensaio de fissuração em tirantes de concreto, e não por arrancamento. O ensaio de tração da própria barra está em ensaio de tração.

Arrancamento de parafusos em madeira e em osso

Madeira (ASTM D1761-20). O prego, o grampo ou o parafuso é tracionado a velocidade constante até sair, e registra-se a carga máxima. Pelo Wood Handbook, do Serviço Florestal dos Estados Unidos, a resistência ao arrancamento de parafuso de madeira cresce com o quadrado da densidade da madeira e, dentro de limites, é proporcional à profundidade de rosca penetrada e ao diâmetro.

Parafusos ósseos (ASTM F543-23). No Anexo A3, o parafuso é inserido num bloco de espuma de poliuretano rígida padronizada (ASTM F1839), a 3 rpm, e arrancado a 5 mm/min. É ensaio exigido na aprovação regulatória de implantes ortopédicos, e a espuma substitui o osso para que o resultado seja reprodutível.

Como calcular: tensão de aderência e resistência

Todos os cálculos partem da força máxima medida. Barras e grampos resistem ao longo de todo o comprimento embutido, então a força é dividida pela área lateral de contato, π × diâmetro × comprimento aderente: o resultado é a tensão de aderência média, τ, em MPa. No grampo, o diâmetro usado é o do furo, preenchido pela calda, e o resultado, chamado qs, é a resistência da interface entre o solo e o grampo, dada em kPa.

No chumbador que rompe por cone, a resistência não depende da área de contato, e sim do volume de concreto que se desprende. Ela é calculada por uma fórmula empírica que cresce com a raiz quadrada da resistência do concreto e com a profundidade efetiva de embutimento, hef, elevada a 1,5. O coeficiente k1 é menor para concreto fissurado. O ACI 318-25 usa a mesma forma, com o coeficiente kc e a resistência cilíndrica f'c.

Duas correções completam o cálculo. Como os ensaios de uma série variam, o valor de projeto não é a média, e sim a resistência característica: a média menos um fator estatístico vezes o desvio-padrão. E, em campo, o deslocamento lido na cabeça de um tirante ou grampo inclui o alongamento elástico do trecho livre da barra, que se calcula pela lei de Hooke e se desconta antes de avaliar o deslizamento da ancoragem.

A tabela resume as fórmulas:

GrandezaFórmulaObservação
Tensão de aderência média (barra embutida)τ = F / (π·d·ℓb)d é o diâmetro e ℓb o comprimento aderente
Resistência da interface solo-grampoqs = Fmáx / (π·D·Lb)D é o diâmetro do furo e Lb o trecho injetado; em kPa
Cone de concreto, chumbador isoladoN⁰Rk,c = k1·√fck,cube·hef1,5k1 = 10,1 não fissurado; 7,2 fissurado (ABECE, 2022)
Cone de concreto, ACI 318-25Nb = kc·√f'c·hef1,5kc = 10 pré-concretado; 7 pós-instalado
Resistência característica de uma sérieRk = Rm − kn·smédia menos um fator estatístico vezes o desvio-padrão
Alongamento elástico da barra livre (campo)δ = F·Llivre / (E·A)descontar do deslocamento medido na cabeça

A tensão de aderência calculada é uma média: vale bem em comprimentos curtos, como os 5 diâmetros do ensaio RILEM. Em ancoragens longas, a tensão real se concentra no início do trecho aderente. Para projeto de armaduras, a NBR 6118 usa a resistência de aderência de cálculo fbd = η1·η2·η3·fctd, com η1 = 1,0 para barra lisa, 1,4 para entalhada e 2,25 para nervurada.

O gráfico abaixo mostra a fórmula do cone aplicada a um chumbador isolado em concreto de 30 MPa, em função da profundidade de embutimento. Como a resistência cresce com hef elevada a 1,5, dobrar a profundidade de 80 para 160 mm multiplica a resistência por 2,83. A curva do concreto fissurado fica cerca de 29 % abaixo da outra em toda a faixa, que é a razão entre os coeficientes 7,2 e 10,1.

Gráfico da resistência característica ao cone de concreto de um chumbador isolado em função da profundidade de embutimento, para concreto fissurado e não fissurado
Resistência ao cone de concreto: a profundidade de embutimento manda

Exercícios resolvidos de arrancamento

1. Tensão de aderência de barra. Uma barra nervurada de 10 mm, concretada com comprimento aderente de 50 mm (5 diâmetros), arrancou com 18,0 kN. A área lateral é π × 10 × 50 = 1.570,8 mm², e τ = 18.000 / 1.570,8 = 11,5 MPa.

2. Cone de concreto. Chumbador isolado, sem efeito de borda, com profundidade efetiva de 80 mm em concreto de 30 MPa (resistência cúbica). Não fissurado: 10,1 × √30 × 801,5 = 39,6 kN. Fissurado: 7,2 × √30 × 801,5 = 28,2 kN. São os dois pontos marcados em 80 mm no gráfico acima.

3. Grampo de solo grampeado. Bulbo de 0,10 m, trecho injetado de 3,0 m, força máxima de 60 kN. A área lateral é π × 0,10 × 3,0 = 0,9425 m², e qs = 60 / 0,9425 = 63,7 kPa, acima de um critério de projeto de 60 kPa.

4. Prova de carga em obra. Carga de serviço de 5,0 kN por chumbador e critério de 1,5 vez essa carga: Fprova = 7,5 kN, mantida sem movimento perceptível, com o macaco apoiado a mais de 120 mm (1,5 × 80 mm) do chumbador. A prova fica bem abaixo dos 28,2 kN de ruptura do exercício 2, como se espera de um ensaio que verifica a instalação.

5. Resistência característica de uma série. Cinco arrancamentos deram 24,1; 26,3; 25,0; 23,4 e 27,2 kN. A média é 25,2 kN e o desvio-padrão 1,56 kN. Com um fator estatístico de 2,33 para cinco ensaios (confira o fator na norma ou no documento de avaliação usado), Rk = 25,2 − 2,33 × 1,56 = 21,6 kN. Projetar pela média superestimaria a resistência em cerca de 17 %.

Erros comuns no ensaio de arrancamento

  1. Confundir pull-off com pull-out. Um mede aderência de camada, o outro extração de elemento embutido.
  2. Apoiar o macaco dentro do cone, a menos de 1,5 vez a profundidade de embutimento. O apoio confina o concreto e superestima a resistência.
  3. Tratar prova de carga como ensaio de ruptura. A resistência característica vem de ensaios até a ruptura, com tratamento estatístico.
  4. Projetar pela média em vez do valor característico.
  5. Não descontar o alongamento elástico da barra livre no deslocamento medido em campo.
  6. Aplicar a tensão média a ancoragens longas, onde a distribuição não é uniforme.
  7. Ignorar a fissuração do concreto, que reduz a resistência ao cone em cerca de 29 %.
  8. Usar célula de carga grande demais para forças pequenas, como as de fibras e parafusos ósseos: a exatidão só vale na faixa verificada da célula.
  9. Dizer que o ensaio de grampo não tem norma. A ABNT NBR 16920-2:2021 existe.

Normas do ensaio de arrancamento

A norma certa depende do elemento ensaiado e do mercado: as normas ABNT valem para obras e produtos no Brasil; ASTM e ACI são as referências nos Estados Unidos; na Europa, fixadores em concreto são avaliados pelo EAD 330232, que substituiu a ETAG 001. A tabela reúne as normas citadas neste guia, incluindo a do pull-off, que é outro ensaio:

NormaAplicaçãoEdição
ABNT NBR 14827chumbadores em concreto ou alvenaria: tração e cisalhamento2002
ASTM E488/E488Mresistência de chumbadores em concretoE488-22
EAD 330232-01-0601fixadores mecânicos em concreto (sucessora da ETAG 001)2019
ACI 355.2 e ACI 355.4qualificação de chumbadores mecânicos e químicos
ACI 318-25, capítulo 17cálculo de ancoragens em concreto2025
ABNT NBR 5629tirantes ancorados no terreno2018
ABNT NBR 16920-2solos grampeados2021
ABNT NBR 16325-1 e -2dispositivos de ancoragem para trabalho em altura2024
RILEM RC6arrancamento de barra de aço em concreto (referência histórica)1983
ASTM D1761fixadores em madeiraD1761-20 (reaprovada em 2025)
ASTM F543parafusos ósseos metálicosF543-23
ABNT NBR 13528-1, -2 e -3aderência de argamassa (pull-off)2019

Máquina para ensaio de arrancamento em laboratório

A linha de máquinas universais da Biopdi faz ensaios de arrancamento em laboratório: a base prende o bloco com o material-base, um dispositivo engata o elemento, a célula de carga classe 1 mede a força e o software gera a curva força × deslocamento e o relatório. O painel abaixo mostra a máquina, a função de cada parte no ensaio e o dispositivo usado.

A máquina universal no ensaio de arrancamento

A linha M2 tem modelos de coluna simples, de 200 N a 10 kN, e de coluna dupla, de 5 kN a 1.000 kN. Cada parte da máquina tem uma função no ensaio:

Máquinas universais de ensaios M2 da Biopdi de coluna simples (MBIOI-10-M2, 10 kN) e coluna dupla (MBIOII-50-M2, 50 kN)
  1. Travessa móvel traciona o elemento embutido
  2. Célula de carga mede a força, classe 1
  3. Garra e base prendem o elemento e o bloco
  4. Deslocamento curva força × deslocamento
  5. Software BioLab força máxima e relatório
  6. Painel e emergência posiciona e para o ensaio

Dispositivos para o ensaio de arrancamento

Os dispositivos abaixo são montados na mesma máquina, conforme o corpo de prova e a norma:

Garra Biopdi para corpos de prova roscados e parafusos
Garra para roscadosparafusos e corpos de prova roscadosEntra no lugar das garras, na mesma máquina universal.

A capacidade da máquina segue a força esperada no arrancamento, que vai de centenas de newtons numa fibra a centenas de quilonewtons num chumbador estrutural. A tabela relaciona cada aplicação à faixa de força e ao modelo:

AplicaçãoFaixaModelo Biopdi
Fibras isoladas, pequenos insertos200 N a 1 kNMBIOI-1P-M2
Parafusos em madeira, parafusos ósseos, insertos em plástico2 a 10 kNMBIOI-10-M2
Fixadores, chumbadores pequenos, barras finas5 a 50 kNMBIOII-50-M2
Barras no concreto, vergalhões100 a 200 kNMBIOII-200-M2
Chumbadores estruturais em blocos de concreto300 a 1.000 kNMBIOII-300-M2 e maiores

Ensaios de campo, com macaco hidráulico em obra, são feitos por empresas de engenharia e laboratórios de campo; a máquina universal é equipamento de laboratório. Veja também o software de ensaio.

Outros ensaios e referências técnicas

Referências técnicas relacionadas

Perguntas frequentes

O que é um teste de arrancamento?

É o ensaio que traciona um elemento embutido, como chumbador, barra, grampo ou parafuso, até arrancá-lo do material-base ou até uma carga de prova, medindo força e deslocamento. Dá a resistência da ancoragem e a tensão de aderência.

Qual é a norma para o ensaio de arrancamento?

Depende do elemento: ABNT NBR 14827 e ASTM E488 para chumbadores, NBR 5629 para tirantes, NBR 16920-2 para grampos de solo grampeado, NBR 16325 para ancoragens de trabalho em altura, ASTM D1761 para madeira e ASTM F543 para parafusos ósseos. Para argamassa, o ensaio é de pull-off, pela NBR 13528.

Como é feito o ensaio de arrancamento?

Em campo, com macaco hidráulico vazado apoiado fora do cone, bomba com manômetro e relógio comparador, aplicando a carga em estágios. Em laboratório, numa máquina universal de ensaios com dispositivo de arrancamento e célula de carga, levantando a curva força × deslocamento até a ruptura.

O que é o ensaio de arrancamento de grampos?

É o ensaio de campo que traciona o grampo com macaco hidráulico, em estágios, lendo o deslocamento da cabeça, para obter a resistência da interface solo-grampo exigida no projeto, pela ABNT NBR 16920-2:2021. A resistência é qs = F / (π·D·L).

O que é o ensaio de arrancamento de cerâmica?

É um ensaio de pull-off: uma pastilha metálica é colada sobre a placa ou o revestimento e tracionada perpendicularmente, para medir a aderência. Está explicado no artigo sobre ensaio de aderência.

O que é pull-out test?

É o nome em inglês do ensaio de arrancamento. No setor solar, a sigla POT designa o ensaio de arrancamento das estacas das estruturas fotovoltaicas, que simula o esforço do vento.

Qual a diferença entre pull-out e pull-off?

O pull-out arranca um elemento embutido, e a resistência vem de aderência, atrito, intertravamento ou do cone de ruptura. O pull-off traciona uma pastilha colada sobre uma camada, para medir a aderência dessa camada.

Como calcular a tensão de aderência?

Divida a força de arrancamento pela área lateral de contato: τ = F / (π·d·ℓ). Uma barra de 10 mm com 50 mm de comprimento aderente que arranca com 18 kN tem 11,5 MPa.

Por que o chumbador arranca um cone de concreto?

Porque a tração se distribui num tronco de cone ao redor da ponta, com raio de cerca de 1,5 vez a profundidade de embutimento. Por isso a resistência cresce com a profundidade elevada a 1,5 e com a raiz da resistência do concreto.

Qual a carga de prova de um chumbador?

É definida em projeto e fica acima da carga de serviço e bem abaixo da ruptura. Na prática internacional, usa-se 1,5 vez a carga aplicada (BS 8539). A prova verifica a instalação; não mede a resistência última.

A Biopdi faz ensaio de arrancamento em campo?

Não. A Biopdi fabrica máquinas universais de ensaios para laboratório, que fazem o arrancamento com dispositivo próprio e curva completa até a ruptura. O ensaio em obra usa macaco hidráulico e é feito por empresas de engenharia.

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