Engenharia mecânica: o que é, o que faz o engenheiro, grade, atribuições e salário

Engenharia mecânica é o ramo da engenharia que projeta, fabrica, ensaia e mantém máquinas, equipamentos, veículos e sistemas térmicos. As atribuições do engenheiro mecânico estão no art. 12 da Resolução CONFEA 218/1973, o curso tem no mínimo 3.600 h em 5 anos e o piso legal para 6 h por dia é de R$ 7.272,00. Veja áreas, grade, ensaios mecânicos na formação e na indústria e salário com fonte datada.

EngenhariasPor Mardoqueu M. Costa
23 min de leitura

Engenharia mecânica é o ramo da engenharia que projeta, fabrica, ensaia e mantém máquinas, equipamentos, veículos e sistemas térmicos, aplicando mecânica dos sólidos, termodinâmica, mecânica dos fluidos e ciência dos materiais. No Brasil, as atribuições do engenheiro mecânico estão no art. 12 da Resolução CONFEA nº 218/1973.

O curso tem no mínimo 3.600 horas, integralizadas em pelo menos 5 anos. A média salarial registrada no CAGED entre agosto de 2025 e julho de 2026 foi de R$ 11.793,37 por mês, e a Lei 4.950-A/1966 garante um piso que, com a base fixada pelo STF, é de R$ 7.272,00 para 6 horas por dia. Este artigo explica as áreas de atuação, as atribuições legais, a grade do curso, o papel dos ensaios mecânicos na formação e na indústria e o mercado de trabalho, cada dado com a sua fonte.

Na foto, um engenheiro mecânico inspeciona uma máquina com a proteção aberta: o motor elétrico, a transmissão por correia e o redutor estão montados na estrutura de aço, e o botão de emergência fica no painel. Mecanismo, acionamento, estrutura e segurança formam um conjunto que o engenheiro mecânico dimensiona, especifica e mantém funcionando.

Engenheiro mecânico de capacete e óculos de segurança aponta o redutor de uma máquina com a proteção amarela aberta, mostrando motor, correia e estrutura, com botão de emergência no painel
O engenheiro mecânico responde pela máquina inteira: mecanismo, acionamento, estrutura e segurança

O que é engenharia mecânica

A engenharia mecânica trata de tudo o que transmite força, movimento ou calor. Um redutor de engrenagens, um vaso de pressão, um motor, uma câmara frigorífica e uma máquina de ensaios são problemas da mesma família: escolher o material, calcular tensões e deformações, prever desgaste e fadiga, definir a fabricação e garantir que o conjunto opere com segurança durante a vida útil.

A lei brasileira descreve esse campo pelo objeto. O art. 12 da Resolução CONFEA 218/1973 fala em "processos mecânicos, máquinas em geral; instalações industriais e mecânicas; equipamentos mecânicos e eletro-mecânicos; veículos automotores; sistemas de produção de transmissão e de utilização do calor; sistemas de refrigeração e de ar condicionado; seus serviços afins e correlatos". Ou seja, a engenharia mecânica não se limita a peças que se movem: inclui caldeiras, trocadores de calor, tubulações industriais e climatização.

De onde veio a profissão

Como profissão organizada, a engenharia mecânica nasceu na Revolução Industrial. A Institution of Mechanical Engineers (IMechE) foi fundada em 1847, em Birmingham, por engenheiros ferroviários liderados por George Stephenson. A American Society of Mechanical Engineers (ASME) veio em 1880, num momento em que as explosões de caldeiras a vapor matavam trabalhadores e passageiros; o código de caldeiras e vasos de pressão da ASME, que existe até hoje, nasceu dessa preocupação.

No Brasil, o ensino de engenharia começou em 1810, com a Academia Real Militar do Rio de Janeiro, mas ali se formavam engenheiros militares e civis, sem as especialidades de hoje. A engenharia mecânica como curso próprio só apareceu no século XX, com a industrialização. A diferença para a vizinha mais próxima é de foco: a engenharia de materiais estuda e desenvolve o próprio material, enquanto a mecânica usa as propriedades desse material para projetar a máquina.

Áreas de atuação

A formação é uma só, mas o trabalho se divide em áreas bem distintas, e a maior parte dos engenheiros passa a carreira em uma ou duas delas.

Projeto mecânico. O engenheiro de projeto transforma uma necessidade em desenho de fabricação: escolhe o princípio de funcionamento, dimensiona eixos, mancais, engrenagens, molas e uniões, especifica o material e o tratamento térmico e define tolerâncias e acabamento. Hoje o trabalho passa por CAD 3D e por simulação por elementos finitos, mas as contas de resistência dos materiais continuam sendo a verificação de base. Na foto, o desenho técnico de uma peça sendo revisado num tablet: cotas, tolerância geométrica, rugosidade e chanfros são as informações que o fabricante vai seguir.

Desenho técnico de uma peça mecânica, com cotas e hachuras, sendo revisado em um tablet com caneta
Desenho técnico de peça mecânica: cotas, tolerâncias e acabamento definem como ela será fabricada

Manufatura e processos. Aqui o engenheiro decide como a peça será feita (usinagem, conformação, fundição, soldagem ou manufatura aditiva), define a sequência de operações, o ferramental e os pontos de inspeção, e responde pelo custo e pela produtividade da linha.

Manutenção e confiabilidade. Uma planta industrial depende de centenas de máquinas que não podem parar sem aviso. O engenheiro de manutenção monta planos preventivos e preditivos (análise de vibração, termografia, análise de óleo), investiga as falhas e decide quando reparar e quando substituir. A foto abaixo mostra um profissional ajustando uma máquina de eixos e engrenagens, o tipo de equipamento cuja falha para uma linha inteira.

Profissional de capacete e macacão azul fazendo manutenção em uma máquina industrial de eixos e engrenagens
Manutenção de máquina industrial: uma das áreas que mais empregam engenheiros mecânicos

Térmica e fluidos. Motores, turbinas, bombas, compressores, caldeiras, refrigeração e ar condicionado, com base em termodinâmica, mecânica dos fluidos e transferência de calor.

Materiais e qualidade. O engenheiro especifica o material, homologa fornecedores, define os ensaios de recebimento e interpreta os laudos. Quando uma peça quebra em serviço, é ele quem reúne análise de fratura, metalografia e ensaios mecânicos para chegar à causa.

Automação, veículos e gestão. Máquinas automáticas e robótica unem mecânica, eletrônica e controle; a indústria automotiva e a aeronáutica empregam engenheiros em estruturas, propulsão e homologação. Com a experiência, muitos seguem para a gestão industrial, a docência ou a pesquisa.

A tabela resume as áreas e o que cada uma exige no dia a dia:

ÁreaO que fazFerramentas e exemplos
Projeto mecânicodimensiona peças e mecanismos, especifica materialCAD, elementos finitos, elementos de máquinas
Manufatura e processosdefine como a peça é fabricadausinagem, conformação, soldagem, fundição, aditiva
Manutençãomantém a planta disponível e investiga falhasplano preventivo e preditivo, análise de falha
Térmica e fluidosprojeta e opera sistemas de calor e escoamentobombas, caldeiras, refrigeração, ar condicionado
Materiais e qualidadeseleciona e qualifica materiais e fornecedoresensaios mecânicos, metalografia, inspeção
Automação e veículosintegra mecânica, eletrônica e controleCLP, sensores, atuadores, estruturas veiculares

O que faz o engenheiro mecânico: atribuições no CONFEA

O exercício da engenharia no Brasil é regulado pela Lei 5.194/1966, e só pode assinar como engenheiro quem tem registro no CREA do estado onde trabalha. O que cada modalidade pode fazer vem das resoluções do CONFEA. Para o engenheiro mecânico, a referência é o art. 12 da Resolução 218/1973, que continua vigente para essa modalidade (a resolução foi parcialmente revogada em outros artigos, como os arts. 8º e 9º, da engenharia elétrica, substituídos pela Resolução 1.156/2025).

O art. 12 dá ao engenheiro mecânico as atividades 01 a 18 do art. 1º da mesma resolução, no campo descrito na seção anterior. As 18 atividades cobrem o ciclo inteiro de um trabalho técnico:

  • Planejar e decidir: supervisão, coordenação e orientação técnica (01); estudo, planejamento, projeto e especificação (02); estudo de viabilidade técnico-econômica (03); assistência, assessoria e consultoria (04); elaboração de orçamento (09).
  • Executar e fiscalizar: direção de obra e serviço técnico (05); execução (11) e fiscalização (12) de obra e serviço técnico; produção técnica e especializada (13); condução de trabalho técnico (14) e de equipe de instalação, montagem, operação, reparo ou manutenção (15); execução de instalação, montagem e reparo (16); operação e manutenção de equipamento e instalação (17); execução de desenho técnico (18).
  • Avaliar e medir: vistoria, perícia, avaliação, arbitramento, laudo e parecer técnico (06); ensino, pesquisa, análise, experimentação, ensaio e divulgação técnica (08); padronização, mensuração e controle de qualidade (10).
  • Exercer cargo técnico: desempenho de cargo e função técnica (07).

Duas dessas atividades ligam a profissão ao laboratório: a 08 cita o ensaio de forma explícita, e a 10 cobre a mensuração e o controle de qualidade. Laudo técnico de material, inspeção de recebimento e investigação de falha são, portanto, atribuições do engenheiro mecânico, e não apenas do engenheiro de materiais.

Para quem se forma hoje, a concessão das atribuições segue a Resolução CONFEA 1.073/2016: o CREA analisa o projeto pedagógico e o histórico do curso e pode conceder as atividades total ou parcialmente. Na prática, o registro do engenheiro mecânico com curso regular costuma sair com as atribuições do art. 12. Cada serviço assinado exige a Anotação de Responsabilidade Técnica (ART), instituída pela Lei 6.496/1977.

Como é o curso: duração e grade

A duração mínima vem da Resolução CNE/CES 2/2007, que fixa 3.600 horas para os bacharelados em engenharia, com integralização mínima de 5 anos. O conteúdo segue as Diretrizes Curriculares Nacionais de Engenharia (Resolução CNE/CES 2/2019). O art. 9º, § 1º, lista os conteúdos básicos obrigatórios para qualquer habilitação: Administração e Economia; Algoritmos e Programação; Ciência dos Materiais; Ciências do Ambiente; Eletricidade; Estatística; Expressão Gráfica; Fenômenos de Transporte; Física; Informática; Matemática; Mecânica dos Sólidos; Metodologia Científica e Tecnológica; e Química.

As DCN também obrigam o curso a prever atividades práticas e de laboratório nos conteúdos básicos, específicos e profissionais (art. 9º, § 3º), um estágio curricular supervisionado de no mínimo 160 horas (art. 11) e um projeto final de curso (art. 12). Os dois primeiros anos concentram cálculo, álgebra, física e química. A imagem abaixo, de um formando diante de um quadro coberto de equações, resume bem essa primeira metade: é ela que dá a base matemática para as disciplinas profissionais.

Formando de beca e capelo, de costas, diante de um quadro-negro cheio de cálculos
A base de matemática e física ocupa a primeira metade do curso de engenharia mecânica

A partir do terceiro ano entram as disciplinas profissionais, que variam de uma instituição para outra, mas quase sempre incluem três eixos ligados aos materiais.

Resistência dos materiais

É a disciplina que transforma forças em tensões. O aluno aprende a calcular a tensão normal σ = F / A em barras tracionadas e comprimidas, a tensão de cisalhamento em pinos e rebites, a flexão em vigas, a torção em eixos e a flambagem em colunas, e a comparar o resultado com o limite de escoamento do material dividido por um coeficiente de segurança. As propriedades usadas nessas contas estão reunidas no artigo sobre propriedades mecânicas dos materiais.

Ciência dos materiais

Explica por que o material tem aquelas propriedades: ligação atômica, estrutura cristalina, discordâncias, diagramas de fases, o diagrama ferro-carbono e as transformações que o tratamento térmico provoca no aço. É o que permite entender por que um aço temperado e revenido é mais resistente e menos dúctil que o mesmo aço recozido. O panorama de metais, cerâmicas, polímeros e compósitos está em tipos de materiais, e os ciclos de recozimento, normalização, têmpera e revenimento estão no artigo sobre tratamento térmico dos metais.

Elementos de máquinas

Aplica a resistência dos materiais aos componentes padronizados: eixos, chavetas, mancais de rolamento e de deslizamento, engrenagens, correias, molas, parafusos e uniões soldadas. O foco passa da carga estática para a vida útil, porque quase todo elemento de máquina trabalha sob carga variável e falha por fadiga ou desgaste, e não por uma sobrecarga única.

As demais disciplinas profissionais

Completam a grade termodinâmica, mecânica dos fluidos, transferência de calor, processos de fabricação, vibrações, controle, máquinas térmicas e, em muitos cursos, uma disciplina de ensaios dos materiais e metalografia. É nesta última que o aluno entra no laboratório de materiais, assunto da próxima seção.

Ensaios mecânicos na formação e na indústria

Todo dimensionamento parte de propriedades do material: limite de escoamento, limite de resistência, módulo de elasticidade, dureza, tenacidade, resistência à fadiga. Nenhuma delas é calculada: todas são medidas em ensaios normalizados, e o valor só tem sentido junto com a norma, a condição do material e o corpo de prova. Por isso o engenheiro mecânico precisa saber o que cada ensaio mede e como ler o laudo, mesmo que não opere o equipamento.

Na formação, o laboratório exigido pelas DCN aparece sobretudo em Ciência dos Materiais e Mecânica dos Sólidos: o aluno rompe corpos de prova, mede dureza, faz ensaio de impacto e prepara amostras metalográficas. Na indústria, os mesmos ensaios aparecem na especificação de compra, na inspeção de recebimento, no controle de tratamento térmico, na qualificação de soldagem e na análise de falha. O panorama completo, com todos os tipos, está no artigo sobre os principais ensaios mecânicos; aqui ficam os quatro que o engenheiro mecânico mais encontra.

Tração

O corpo de prova é tracionado até romper enquanto a máquina registra a força e o alongamento. Dividindo a força pela área inicial e o alongamento pelo comprimento inicial, obtém-se a curva tensão × deformação, de onde saem o módulo de elasticidade E, o limite de escoamento, o limite de resistência, o alongamento após a ruptura e a estricção. É o ensaio que fornece os números da resistência dos materiais: um aço 1020 laminado a quente, por exemplo, tem escoamento de cerca de 205 MPa e limite de resistência de cerca de 380 MPa, e o aço estrutural ASTM A36 tem escoamento mínimo de 250 MPa e limite de resistência de 400 a 550 MPa. Para metais, as normas são a ASTM E8/E8M e a ABNT NBR ISO 6892-1. O procedimento completo está no artigo sobre o ensaio de tração, e a leitura de cada trecho da curva, no diagrama tensão-deformação. Na mesma máquina se fazem os ensaios de compressão e de flexão, trocando as garras pelos dispositivos.

Dureza

Um penetrador de geometria definida é pressionado contra a peça, e a dureza sai do tamanho da impressão (Brinell, Vickers) ou da profundidade (Rockwell). O ensaio é rápido, deixa só uma pequena marca e pode ser feito na própria peça, por isso é o controle mais usado na indústria, principalmente para conferir se um tratamento térmico atingiu o resultado especificado. Em peças cementadas ou nitretadas, a profundidade da camada endurecida é medida por um perfil de microdureza, cujo procedimento está no artigo sobre o ensaio de dureza. O resultado só vale com a escala completa, como 60 HRC ou 200 HBW.

Impacto

O ensaio Charpy rompe um corpo de prova entalhado com um pêndulo e mede a energia absorvida na fratura, em joules. Essa energia indica a tenacidade do material na presença de um entalhe e muda muito com a temperatura: muitos aços passam de uma fratura dúctil, de alta energia, para uma fratura frágil, de baixa energia, quando a temperatura cai. Por isso o ensaio aparece na especificação de estruturas soldadas, vasos de pressão e equipamentos que trabalham no frio. As normas são a ASTM E23 e a ISO 148-1, e o método está no artigo sobre o ensaio de impacto.

Fadiga

Peças sob carga variável, como eixos, molas, bielas e parafusos, podem romper com tensões bem abaixo do limite de resistência, depois de milhões de ciclos. O ensaio de fadiga aplica ciclos de carga em vários níveis de tensão e registra quantos ciclos o corpo de prova suporta, o que gera a curva S-N usada no projeto de elementos de máquinas. A ASTM E466 cobre o ensaio axial com força controlada em metais, e a ISO 1099 é a equivalente internacional. Os métodos, a curva e os fatores que reduzem a vida estão no artigo sobre o ensaio de fadiga.

Resumo: o que cada ensaio entrega ao engenheiro

A tabela reúne os quatro ensaios com a norma de metais, o que cada um mede e onde o engenheiro mecânico o encontra na prática:

EnsaioNorma (metais)O que medeOnde aparece
TraçãoASTM E8/E8M, ABNT NBR ISO 6892-1E, escoamento, limite de resistência, alongamento, estricçãoespecificação de compra, recebimento, certificado de material
DurezaASTM E18, ISO 6508-1 (Rockwell)resistência à penetração localizadacontrole de tratamento térmico, inspeção de peça pronta
Impacto CharpyASTM E23, ISO 148-1energia absorvida na fratura, em Jestruturas soldadas, vasos de pressão, serviço em baixa temperatura
Fadiga axialASTM E466, ISO 1099número de ciclos até a falha, curva S-Neixos, molas, fixadores, análise de falha

Contas de laboratório resolvidas

Estas quatro contas são as que o aluno faz no relatório de laboratório e que o engenheiro refaz ao conferir um laudo. Todas usam a tensão σ = F / A0, a deformação ε = ΔL / L0 e a lei de Hooke σ = E · ε.

  1. Tensão no corpo de prova. Um corpo de prova cilíndrico de aço A36, com diâmetro de 10 mm, está sob 30 kN. A área é A0 = π × 10² / 4 = 78,54 mm², e a tensão é σ = 30.000 / 78,54 = 382 MPa. O valor passa do escoamento mínimo garantido pela norma (250 MPa) e fica abaixo do limite de resistência mínimo (400 MPa). Se o escoamento real desse lote for menor que 382 MPa, o corpo de prova já está em regime plástico; quem confirma é a curva do ensaio ou o certificado do material.
  2. Módulo de elasticidade. No trecho elástico, o extensômetro mede ε = 0,00075 quando σ = 150 MPa. Então E = 150 / 0,00075 = 200.000 MPa = 200 GPa, o valor que a ABNT NBR 8800 adota para o aço estrutural.
  3. Alongamento após a ruptura. Com comprimento de referência L0 = 50 mm e comprimento final Lf = 61,5 mm, o alongamento é A = (61,5 − 50) / 50 × 100 = 23 %.
  4. Capacidade da máquina. Um corpo de prova de chapa de A36 com seção útil de 12,5 × 6 mm tem área de 75 mm². No pior caso, com o limite de resistência no máximo da faixa (550 MPa), a força máxima será 550 × 75 = 41.250 N, ou 41,3 kN. Uma máquina de 50 kN atende com folga.

O laboratório: máquina universal e metalografia

O laboratório de materiais de um curso de engenharia mecânica, ou o de uma indústria, gira em torno de dois conjuntos de equipamentos. O primeiro é a máquina universal de ensaios, que faz tração, compressão, flexão, cisalhamento e dobramento com o mesmo quadro de carga, trocando garras e dispositivos. A célula de carga mede a força, o extensômetro mede a deformação no trecho útil do corpo de prova, e o software monta a curva e calcula as propriedades. O funcionamento de cada parte está explicado no artigo o que é uma máquina universal de ensaio. Para o corpo de prova de chapa do exercício 4, a coluna dupla MBIOII-50-M2, de 5 a 50 kN, é a faixa adequada.

O segundo conjunto é a metalografia, que mostra a microestrutura por trás do número do ensaio. A amostra é cortada na cortadeira metalográfica sem aquecer a região de interesse, lixada e polida na politriz metalográfica até ficar espelhada, atacada quimicamente e observada no microscópio metalográfico. É assim que o engenheiro confirma se um aço foi temperado e revenido como especificado, mede o tamanho de grão, avalia uma zona afetada pelo calor de solda ou encontra a inclusão onde uma trinca de fadiga começou. Dureza, metalografia e tração juntas fecham o controle do resultado de um tratamento térmico.

Segurança da máquina: NR-12

Quem projeta, instala ou mantém máquinas responde também pela segurança delas. A NR-12, cuja redação atual veio da Portaria SEPRT nº 916/2019 e cuja última alteração é a Portaria MTE nº 344/2024, exige proteções, dispositivos de parada de emergência, sistemas de segurança e capacitação dos operadores. Máquinas de ensaio entram na regra: a linha M2 da Biopdi atende às NR-10 e NR-12, com botão de emergência no painel, fim de curso mecânico, parada automática por perda de comunicação e software com níveis de usuário e histórico de uso. Os requisitos aplicados ao laboratório estão no artigo sobre a NR-12 em máquinas de ensaio.

Mercado de trabalho e salário

O engenheiro mecânico trabalha na indústria de transformação (metalmecânica, automotiva, máquinas e equipamentos, alimentos), em energia, óleo e gás, mineração, refrigeração e climatização, em manutenção e montagem, em laboratórios de ensaio e qualidade, em consultoria e perícia e no ensino. Como a atribuição legal é ampla, é comum mudar de setor sem mudar de formação.

O dado salarial mais recente com fonte pública é do Salário.com.br, que compila o CAGED do Ministério do Trabalho e Emprego para a ocupação CBO 2144-05 (engenheiro mecânico). Na atualização de 03/09/2026, com 6.655 registros de contratos CLT entre agosto de 2025 e julho de 2026, a média foi de R$ 11.793,37 por mês para jornada média de 42 horas semanais, com faixa de R$ 5.038,23 a R$ 17.286,20. Duas ressalvas: o CAGED registra o salário no momento da admissão ou do desligamento, e não o salário de carreira, e não inclui quem trabalha como pessoa jurídica, servidor público ou autônomo. Faixas de júnior, pleno e sênior variam muito de empresa para empresa e não têm fonte pública confiável.

Piso salarial: Lei 4.950-A/1966

O piso do engenheiro é definido por lei e costuma ser calculado errado. A Lei 4.950-A/1966 fixa, para quem se formou em curso de engenharia de 4 anos ou mais, um salário mínimo profissional de 6 salários mínimos para a jornada de 6 horas por dia (art. 5º). Para jornadas maiores, as horas que passam de 6 são pagas com acréscimo de 25 % (art. 6º). Numa jornada de 8 horas, as 2 horas extras valem 2 × 1,25 = 2,5 salários mínimos, e o piso chega a 8,5 salários mínimos.

Em 2022, ao julgar as ADPFs 53, 149 e 171, o STF manteve a lei, mas proibiu que o piso acompanhe os reajustes do salário mínimo. A base foi fixada no valor do salário mínimo na data de publicação da ata do julgamento, 03/03/2022, que era de R$ 1.212,00; a correção passou a depender de lei ou de negociação coletiva. O TST reafirmou esse marco em 2024. As contas corretas são:

  • 6 horas por dia: 6 × R$ 1.212,00 = R$ 7.272,00;
  • 8 horas por dia: 8,5 × R$ 1.212,00 = R$ 10.302,00.

O erro mais comum é multiplicar pelo salário mínimo do ano. Com os R$ 1.621,00 de 2026 (Decreto 12.797/2025), a conta daria R$ 9.726,00 para 6 horas, valor que não tem respaldo desde a decisão do STF. A tabela resume os números desta seção:

IndicadorValorCondição e fonte
Média salarial CLTR$ 11.793,3742 h semanais, 08/2025 a 07/2026; Salário.com.br/CAGED, atualizado em 03/09/2026
Faixa registradaR$ 5.038,23 a R$ 17.286,20mesma base
Piso legal, 6 h por diaR$ 7.272,006 × R$ 1.212,00; Lei 4.950-A/1966 e STF, ADPFs 53, 149 e 171
Piso legal, 8 h por diaR$ 10.302,008,5 × R$ 1.212,00; art. 6º da mesma lei

Engenharia mecânica e as outras engenharias

As fronteiras com as engenharias vizinhas são de foco, não de conteúdo. A diferença para a de materiais já foi vista na primeira seção. A engenharia de produção organiza o sistema produtivo (custos, logística, processos, pessoas), enquanto a mecânica cuida do equipamento e do produto. A engenharia civil projeta estruturas e obras, onde o aço, o concreto e o solo também são ensaiados. A engenharia da qualidade trata dos métodos de controle, e o engenheiro mecânico é quem costuma defini-los para as peças mecânicas. A mecatrônica, por fim, é uma habilitação à parte, que junta mecânica, eletrônica e computação desde o início do curso.

Normas e legislação citadas

A tabela reúne as leis, resoluções e normas técnicas usadas neste artigo, com a edição ou o ano vigente conferido em 30/09/2026:

Norma ou leiO que trataEdição
Lei 5.194exercício da profissão de engenheiro1966
Lei 4.950-Aremuneração mínima de engenheiros1966
Resolução CONFEA 218atividades das modalidades; art. 12, engenheiro mecânico1973
Resolução CONFEA 1.073atribuição de títulos e atividades2016
Resolução CNE/CES 2carga horária mínima dos bacharelados2007
Resolução CNE/CES 2Diretrizes Curriculares Nacionais de Engenharia2019
NR-12segurança em máquinas e equipamentosPortaria SEPRT 916/2019, alterada pela Portaria MTE 344/2024
ASTM E8/E8Mtração de metaisE8/E8M-25
ISO 6892-1tração de metais em temperatura ambiente2019
ABNT NBR ISO 6892-1tração de metais em temperatura ambiente2024
ASTM E18dureza RockwellE18-25
ISO 6508-1dureza Rockwell, método de ensaio2023
ASTM E23impacto em barra entalhada (Charpy e Izod)E23-25
ISO 148-1impacto Charpy, método de ensaio2016
ASTM E466fadiga axial com força controlada em metaisE466-21
ISO 1099fadiga axial com força controlada em metais2017
ABNT NBR ISO 7500-1verificação da força de máquinas de ensaio2023

Outros ensaios e referências técnicas

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Perguntas frequentes

O que é engenharia mecânica?

É o ramo da engenharia que projeta, fabrica, ensaia e mantém máquinas, equipamentos, veículos e sistemas térmicos, como caldeiras, refrigeração e ar condicionado. No Brasil, o campo de atuação está descrito no art. 12 da Resolução CONFEA 218/1973.

O que um engenheiro mecânico faz?

Projeta e especifica peças e máquinas, define processos de fabricação, planeja a manutenção, opera sistemas térmicos, faz laudos e perícias e controla a qualidade de materiais e produtos. A lei lhe dá as 18 atividades do art. 1º da Resolução 218/1973, do projeto à execução de desenho técnico, incluindo ensaio e controle de qualidade.

Qual é o salário de um engenheiro mecânico?

A média dos contratos CLT registrados no CAGED entre agosto de 2025 e julho de 2026 foi de R$ 11.793,37 por mês, para 42 horas semanais (Salário.com.br, atualização de 03/09/2026). O piso legal é de R$ 7.272,00 para 6 horas por dia e de R$ 10.302,00 para 8 horas.

Como se calcula o piso salarial do engenheiro?

A Lei 4.950-A/1966 fixa 6 salários mínimos para 6 horas por dia e acrescenta 25 % às horas que passam de 6, o que dá 8,5 salários mínimos para 8 horas. Desde a decisão do STF nas ADPFs 53, 149 e 171, a base é o salário mínimo de 03/03/2022, R$ 1.212,00, e não o do ano corrente.

É difícil estudar engenharia mecânica?

É um curso exigente em matemática e física: são no mínimo 3.600 horas, com cálculo, mecânica dos sólidos, fenômenos de transporte e termodinâmica. A dificuldade depende da base em matemática que o aluno traz do ensino médio.

Quais são as 3 engenharias mais difíceis?

Não existe ranking oficial de dificuldade entre as engenharias. Na mecânica, as disciplinas que mais reprovam costumam ser cálculo, resistência dos materiais e fenômenos de transporte, mas o peso de cada uma varia com a afinidade do aluno.

Quanto tempo dura o curso de engenharia mecânica?

No mínimo 5 anos e 3.600 horas, conforme a Resolução CNE/CES 2/2007. O curso inclui estágio supervisionado de pelo menos 160 horas e um projeto final, exigidos pelas DCN de 2019.

Quem faz engenharia mecânica trabalha onde?

Na indústria de transformação, automotiva, de máquinas e equipamentos, energia, óleo e gás, mineração, refrigeração e climatização, em manutenção e montagem, em laboratórios de ensaio e qualidade, em consultoria e perícia e no ensino.

O engenheiro mecânico precisa de registro no CREA?

Sim. O exercício da profissão é regulado pela Lei 5.194/1966, e as atribuições são concedidas pelo sistema CONFEA/CREA conforme a Resolução 1.073/2016. Cada serviço técnico assinado exige ART.

Qual a diferença entre engenharia mecânica e engenharia de materiais?

A engenharia de materiais estuda e desenvolve o material; a mecânica usa as propriedades desse material para projetar e manter máquinas e sistemas. As duas se encontram nos ensaios mecânicos e na metalografia.

Quais ensaios mecânicos o engenheiro mecânico precisa conhecer?

Principalmente tração, compressão, flexão, dureza, impacto Charpy e fadiga, além da metalografia. As normas de referência para metais são a ASTM E8/E8M e a ABNT NBR ISO 6892-1 (tração), a ASTM E18 (dureza Rockwell), a ASTM E23 (impacto) e a ASTM E466 (fadiga axial).

É bom ser engenheiro mecânico?

A atribuição legal é ampla, o piso é definido em lei e a média CLT registrada no CAGED passa de R$ 11 mil. A escolha depende da afinidade com física, projeto e máquinas, e a carreira permite mudar de setor sem mudar de formação.