Ductilidade é a propriedade mecânica que mede quanto um material se deforma plasticamente sob tração antes de romper. Ela é medida no ensaio de tração pelo alongamento após ruptura, A = (Lu − L0) / L0 × 100, e pela redução de área, Z = (S0 − Su) / S0 × 100. Materiais com menos de cerca de 5 % de alongamento são considerados frágeis.
Um material dúctil estica, forma um "pescoço" e avisa antes de romper: o cobre recozido alonga cerca de 45 %. Um material frágil quebra de repente: o ferro fundido cinzento alonga menos de 1 %. Neste guia você encontra as fórmulas e como medir pela norma ABNT NBR ISO 6892-1, por que o mesmo aço dá alongamentos diferentes em corpos de prova diferentes, a diferença entre material dúctil e frágil, uma tabela de ductilidade de metais e polímeros, os mínimos dos vergalhões CA-25, CA-50 e CA-60, a diferença para maleabilidade e tenacidade, e exercícios resolvidos. O ensaio em si está explicado em ensaio de tração.
A foto mostra a diferença em dois corpos de prova que saíram do mesmo tipo de ensaio: o de aço dúctil afinou e formou um pescoço antes de romper; o de ferro fundido frágil quebrou reto, sem mudar de seção.

O que é ductilidade
Callister e Rethwisch, em Ciência e Engenharia de Materiais, definem ductilidade como a medida do grau de deformação plástica que o material suporta até a fratura. Plástica quer dizer permanente: o material não volta ao tamanho original quando a carga sai. Isso separa a ductilidade da elasticidade. A borracha é muito elástica e volta ao formato; um fio de cobre esticado além do limite fica esticado. A parcela que volta é a deformação elástica.
Ductilidade é uma das propriedades mecânicas dos materiais, e não uma propriedade física fixa como a densidade. Ela é medida num ensaio mecânico e muda com a temperatura, a velocidade de deformação e o estado do material: o mesmo aço pode ser dúctil recozido e frágil temperado. É uma propriedade observada principalmente sob tração. A capacidade de deformar sob compressão, sem trincar, chama-se maleabilidade.
Na prática, ductilidade é o que permite trefilar o cobre em fios, dobrar um vergalhão sem que ele trinque, estampar uma chapa de aço em forma de porta de carro e, principalmente, fazer uma estrutura avisar antes de cair: uma viga de aço sobrecarregada entorta visivelmente muito antes de romper.
Ductilidade ou ductibilidade? O dicionário Priberam registra as duas com o mesmo sentido, com "ductibilidade" como alteração de "ductilidade". Nas normas e na engenharia, a forma usada é ductilidade, de "dúctil". Em pavimentação existe um homônimo: o ensaio de ductilidade de materiais betuminosos (DNER-ME 163/98), que mede em milímetros até onde um fio de asfalto estica antes de romper. É outra grandeza.
Como calcular a ductilidade
A ductilidade se mede no ensaio de tração: um corpo de prova padronizado é tracionado ao longo do eixo, com velocidade controlada, até romper, enquanto a máquina registra a força e o alongamento. É um ensaio rápido e reprodutível, e a mesma curva que dá a resistência e o escoamento dá também a ductilidade. Ela é expressa por dois números, ambos tirados do corpo de prova antes e depois da ruptura. A notação é a da ABNT NBR ISO 6892-1.
Alongamento após ruptura (A). Antes do ensaio, marcam-se no trecho útil do corpo de prova duas referências separadas pelo comprimento de referência L0. Depois da ruptura, os dois pedaços são reencaixados e mede-se a nova distância entre as marcas, Lu. O alongamento é quanto essa distância cresceu, em porcentagem do valor inicial: A = (Lu − L0) / L0 × 100. Como a medida é feita com as peças já soltas, a parte elástica da deformação, que o material recupera ao romper, fica de fora: A mede só a deformação permanente.
Redução de área ou estricção (Z). Mede-se a área inicial da seção, S0, e, depois da ruptura, a menor área no pescoço, Su. A redução de área é quanto a seção encolheu: Z = (S0 − Su) / S0 × 100. Em corpo de prova redondo, Z sai direto dos diâmetros: Z = [1 − (du / d0)²] × 100. O Z é a medida mais "local" da ductilidade, porque depende só do pescoço e não do comprimento de referência. Mais detalhes sobre o pescoço em estricção.
Das mesmas áreas sai a deformação verdadeira na fratura, εf = ln(S0 / Su). Ela usa a seção real no ponto de ruptura, e não o comprimento inicial, e por isso mostra quanto o material de fato se deformou onde rompeu. Já o L0 não é livre: a norma prefere o comprimento proporcional, L0 = 5,65 √S0, que no corpo de prova redondo equivale a 5 vezes o diâmetro.
O esquema abaixo mostra as medidas no corpo de prova: antes do ensaio, o diâmetro d0 e as marcas de L0; depois, os pedaços reencaixados para medir Lu e o diâmetro du no pescoço.

A tabela resume as fórmulas e as variáveis de cada uma:
| Grandeza | Fórmula | Variáveis |
|---|---|---|
| Alongamento após ruptura (A) | A = (Lu − L0) / L0 × 100 | L0: comprimento inicial entre marcas; Lu: comprimento final, com os pedaços reencaixados |
| Redução de área ou estricção (Z) | Z = (S0 − Su) / S0 × 100 | S0: área inicial; Su: área mínima no pescoço após a ruptura |
| Deformação verdadeira na fratura | εf = ln(S0 / Su) | Mesmas áreas; resultado adimensional |
| Comprimento de referência proporcional | L0 = 5,65 √S0 | Em corpo de prova redondo, igual a 5 vezes o diâmetro |
Como medir, passo a passo (ABNT NBR ISO 6892-1)
Na prática, o laboratório segue esta sequência:
- Medir a área inicial S0 em pelo menos três seções do trecho útil e usar a média.
- Marcar o comprimento de referência L0 com riscos finos, ou usar um extensômetro.
- Tracionar o corpo de prova até a ruptura na máquina universal de ensaios, entre 10 e 35 °C.
- Reencaixar os dois pedaços, bem alinhados, e medir Lu entre as marcas.
- Medir o diâmetro no ponto mais fino do pescoço em dois planos a 90° e calcular Su pela média.
- Relatar o alongamento com o comprimento de referência usado, indicado no símbolo: A para 5,65√S0, A11,3 para 11,3√S0 e A80mm para um comprimento fixo de 80 mm.
Dois cuidados. O resultado só vale, em regra, se a fratura cair dentro do comprimento de referência. E, se o alongamento for lido no extensômetro durante o ensaio, e não entre as marcas depois da ruptura, é preciso descontar a parte elástica, que o corpo de prova recupera ao romper.
Por que o alongamento depende do corpo de prova
Até a força máxima, a deformação se distribui por todo o corpo de prova. Depois dela, concentra-se no pescoço. Por isso, num L0 curto o pescoço pesa mais no total, e o alongamento sai maior. O mesmo aço dá números diferentes conforme a norma:
| Comprimento de referência | Onde se usa | Fator para converter a 5,65√S0 (ISO 2566-1) |
|---|---|---|
| 4D (50 mm no corpo de prova de 12,5 mm) | ASTM E8/E8M | × 0,91 |
| 5,65√S0 = 5d | ABNT NBR ISO 6892-1 (preferido) | × 1 |
| 11,3√S0 = 10d (10φ) | ISO, e vergalhões pela NBR 7480 | × 1,32 |
Os fatores vêm da fórmula da ISO 2566-1, A = 2·Ar·(√S0 / L0)0,4, e valem só para aço carbono e baixa liga. A regra da ISO 6892-1 é direta: só se comparam alongamentos medidos com o mesmo comprimento de referência. Na calculadora abaixo, mude o comprimento de referência e veja o efeito.
Simulação interativa
Experimente o ensaio no navegador e acompanhe os resultados sendo calculados.
Curva tensão-deformação de material dúctil e frágil
O diagrama tensão-deformação mostra a ductilidade de um jeito visual. No material dúctil a curva sobe reta no trecho elástico até o limite de escoamento, continua subindo com o encruamento, o endurecimento do metal pela própria deformação plástica, até o limite de resistência à tração, e a partir daí começa a estricção: a seção afina num ponto, a força cai e o corpo de prova rompe.
O gráfico abaixo marca esses pontos na curva de um material dúctil e a compara com a de um frágil. Ele mostra também onde está a ductilidade: o alongamento uniforme vai até a força máxima, a deformação depois dela se concentra no pescoço, e o alongamento A é a soma das duas, descontada a volta elástica (a linha tracejada).

No material frágil a curva é quase reta até a ruptura: não há escoamento visível, nem estricção, e o alongamento fica abaixo de 5 %. A área sob a curva, que é a energia absorvida, é pequena. É por isso que ductilidade e tenacidade costumam andar juntas, embora não sejam a mesma coisa.
O esquema abaixo repete a comparação de forma simplificada. Nele o material frágil aparece com tensão de ruptura maior que a do dúctil, o que acontece em muitos pares de materiais, mas não é regra: o que separa os dois é a deformação até romper, não a resistência.

Material dúctil e material frágil: diferenças e exemplos
Ductilidade e fragilidade são os dois extremos da mesma escala. O que decide de que lado o material fica é a facilidade com que ele se deforma por dentro. Num metal, a deformação plástica acontece por escorregamento de planos de átomos, levado pelo movimento de defeitos da rede cristalina chamados discordâncias; a ligação metálica não tem direção fixa, e os átomos mudam de vizinhos sem que o material se separe. Em cerâmicas e vidros, as ligações iônicas e covalentes são direcionais e quase não deixam planos escorregarem: antes de deformar, o material trinca. Os tipos de materiais ajudam a prever o comportamento: metais tendem a ser dúcteis, cerâmicas e vidros tendem a ser frágeis, e os polímeros variam muito.
O que é material dúctil
Material dúctil é o que se alonga e forma pescoço antes de romper. A fratura tem um aspecto típico, chamado taça e cone: no centro do pescoço abrem-se pequenos vazios que crescem e se juntam numa trinca, e a borda rompe por último, inclinada a cerca de 45°. Uma das metades fica com a forma de uma taça e a outra, de um cone, com superfície fosca e fibrosa. A maioria dos metais é dúctil à temperatura ambiente. O ouro é o metal mais dúctil e também o mais maleável. Entre os metais de engenharia, o cobre e o latão recozidos estão entre os mais dúcteis; o aço de baixo carbono também é, como mostra a seção sobre a ductilidade do aço mais adiante.
É essa capacidade de deformar sem trincar que a indústria aproveita na fabricação. Nas fotos, dois usos típicos: o cobre, trefilado em fios finos, e as chapas de aço, que são dobradas e estampadas a frio.

Chapas de aço: material dúctil, conformado a frio sem trincar

O cobre é tão dúctil que é trefilado em fios finos
O que é material frágil
Material frágil é o que rompe de forma súbita, com pouca ou nenhuma deformação plástica, em geral com menos de 5 % de alongamento e sem estricção. A trinca atravessa a peça muito depressa, perpendicular à carga, e deixa uma fratura plana, brilhante e granular. O material não avisa e absorve pouca energia antes de quebrar. Um pedaço de vidro quebra ao ser dobrado; um fio de cobre dobra e fica dobrado. Exemplos clássicos de materiais frágeis são o vidro, as cerâmicas, o ferro fundido cinzento (menos de 1 %), o concreto quando tracionado, o poliestireno (cerca de 1,6 %) e o acrílico. Não existe um "material mais frágil" absoluto: a fragilidade depende também da temperatura e da presença de trincas e entalhes.
Um cuidado: frágil não quer dizer fraco. O ferro fundido cinzento e as cerâmicas são frágeis e mesmo assim resistem bem à compressão, várias vezes mais do que à tração. O limite de 5 % é uma convenção didática do Callister, não um requisito de norma.
Resumo das diferenças
A tabela reúne os critérios que separam os dois comportamentos, do número medido no ensaio ao aspecto da fratura:
| Critério | Material dúctil | Material frágil |
|---|---|---|
| Alongamento após ruptura | tipicamente acima de 5 % | abaixo de cerca de 5 % |
| Estricção (Z) | alta (40 a 66 % em aços carbono) | praticamente zero |
| Curva tensão-deformação | escoamento, encruamento e pescoço | quase linear até romper |
| Aspecto da fratura | taça e cone, fosca e fibrosa | plana, perpendicular à carga, brilhante e granular |
| Aviso antes da falha | deforma visivelmente | ruptura súbita |
| Exemplos | aço 1020, cobre, latão, alumínio, ouro, ferro nodular, policarbonato, polietileno | ferro fundido cinzento, vidro, cerâmicas, concreto em tração, poliestireno, acrílico, aço temperado sem revenir |
Tabela de ductilidade dos materiais
Os valores abaixo são típicos ou mínimos de norma, sempre com o estado do material. Metais medidos em L0 = 50 mm, salvo indicação.
| Material | Estado | Alongamento A (%) | Redução de área Z (%) | Fonte |
|---|---|---|---|---|
| Aço 1020 | recozido | 25 | n/d | Callister |
| Aço AISI 1020 | ficha técnica típica | 36,5 | 66 | AZoM |
| Aço AISI 1045 | laminado a quente | 16 | 40 | AZoM |
| Aço AISI 4140 | recozido | 25,7 | n/d | AZoM |
| Inox 304 | mínimo (norma EN) | ≥ 45 | n/d | AZoM |
| Alumínio 6061-T6 | chapa de 1,6 mm / barra de 12,7 mm | 12 / 17 | n/d | Aluminum Association |
| Cobre | recozido | 45 | n/d | Callister |
| Latão 70/30 | recozido | 68 | n/d | Callister |
| Ferro fundido nodular 60-40-18 | mínimo ASTM A536 | 18 | n/d | ASTM A536 |
| Ferro fundido nodular 80-55-06 | mínimo ASTM A536 | 6 | n/d | ASTM A536 |
| Ferro fundido cinzento | bruto de fusão | menos de 1 | ≈ 0 | Metal Casting Institute |
| Poliestireno (PS) | típico | ≈ 1,6 | Professional Plastics | |
| Policarbonato (PC) | típico | 100 a 150 | Professional Plastics | |
| Polietileno de baixa densidade | típico | ≈ 400 | Professional Plastics |
O ferro fundido é o exemplo mais didático de como a microestrutura manda na ductilidade: a grafita em lâminas deixa o cinzento frágil, e a grafita em esferas deixa o nodular dúctil, com até 18 %. Polímeros seguem outras normas (ASTM D638 e ISO 527) e o resultado muda muito com a velocidade e a temperatura do ensaio.
O gráfico abaixo põe esses alongamentos lado a lado, com a linha de 5 % que separa, por convenção, frágil de dúctil. A escala vai de menos de 1 % no ferro fundido cinzento a cerca de 400 % no polietileno de baixa densidade.

Ductilidade do aço
No aço, a ductilidade depende do carbono e do tratamento. Mais carbono sobe a resistência e baixa o alongamento: o 1045 laminado alonga 16 %, contra 25 a 36,5 % do 1020. Essa faixa do 1020, na tabela acima, mostra também por que o estado e a origem importam: 25 % é o valor do recozido no livro-texto, 36,5 % o de uma ficha comercial. Por isso um valor de alongamento só tem sentido acompanhado do estado do material.
O tratamento térmico mexe na ductilidade tanto quanto a composição. A têmpera forma martensita dura e frágil; o revenimento devolve parte da ductilidade; o recozimento e a normalização deixam o aço no estado mais dúctil (o 4140 recozido alonga 25,7 %). A rigidez não muda com nada disso: o módulo de elasticidade do aço fica em torno de 200 GPa.
Ductilidade do vergalhão: CA-25, CA-50 e CA-60
Na construção civil, a ductilidade do aço é exigência de norma. A ABNT NBR 7480:2024 fixa o alongamento mínimo das barras e fios para concreto armado, medido em 10 diâmetros (10φ):
| Categoria | Escoamento mínimo (fyk) | Alongamento após ruptura mínimo (10φ) | Alongamento total na força máxima (Agt) |
|---|---|---|---|
| CA-25 | 250 MPa | 18 % | n/d |
| CA-50 | 500 MPa | 8 % | 5 % |
| CA-60 | 600 MPa | 5 % | n/d |
Para o CA-50, o alongamento pode ser verificado pelo critério após ruptura (8 %) ou pelo alongamento total na força máxima (5 %). A norma também exige uma relação mínima entre resistência e escoamento, que é outro requisito de ductilidade: o aço precisa encruar antes de romper. A ductilidade de dobra é conferida no ensaio de dobramento, com pino de diâmetro definido pela categoria.
Ductilidade, maleabilidade, tenacidade e elasticidade
As buscas por ductilidade quase sempre vêm junto com essas palavras, e parte dos textos da internet confunde as propriedades. Cada uma responde a uma pergunta diferente sobre o material.
Ductilidade e maleabilidade: a primeira é esticar em fio, sob tração; a segunda é achatar em chapa, por laminação ou martelamento, sob compressão. As duas dependem da mesma capacidade de os átomos mudarem de posição sem que o material se separe, e por isso costumam andar juntas, como no ouro. Mas não são a mesma coisa: um material pode ser muito maleável e pouco resistente em tração, como o chumbo. Não há um índice padronizado de maleabilidade; ela se avalia em ensaios de conformação.
Ductilidade e tenacidade: a ductilidade diz quanto o material deforma; a tenacidade diz quanta energia ele absorve até romper, que é a área sob a curva tensão-deformação. Um material muito dúctil e pouco resistente tem tenacidade baixa, e um muito resistente e frágil também. Tenacidade alta pede as duas coisas. Tenacidade não tem nada a ver com "voltar às dimensões originais" nem com módulo de elasticidade alto, como alguns textos afirmam.
Ductilidade, elasticidade e resiliência: como visto na definição, a elasticidade é a deformação que volta quando a carga sai, e a rigidez desse trecho é o módulo de elasticidade. A resiliência é a energia que o material armazena nesse mesmo trecho elástico e devolve ao ser descarregado. As duas terminam onde a ductilidade começa: no escoamento.
Ductilidade e dureza: dureza é a resistência à penetração e ao risco, medida em escalas como Brinell, Vickers e Rockwell. Em geral, quando um tratamento sobe a dureza de um aço, a ductilidade cai, como na têmpera.
A tabela resume o que cada propriedade mede e como ela é quantificada:
| Propriedade | O que mede | Como se quantifica |
|---|---|---|
| Ductilidade | deformação plástica até romper, sob tração | A e Z no ensaio de tração |
| Maleabilidade | capacidade de ser laminado ou martelado em chapa sem trincar, sob compressão | sem índice padronizado; ensaios de conformação |
| Tenacidade | energia absorvida até a fratura (exige resistência e ductilidade) | área sob a curva (J/m³), energia Charpy (J), KIC |
| Elasticidade | deformação que volta quando a carga sai | módulo de elasticidade (GPa) |
| Resiliência | energia elástica armazenada | área até o escoamento |
| Dureza | resistência à penetração e ao risco | HB, HV, HRC |
O que aumenta ou reduz a ductilidade
- Temperatura. Em geral, a ductilidade aumenta com a temperatura. Os aços ferríticos têm uma temperatura de transição dúctil-frágil: abaixo dela, rompem de forma frágil. Um aço 1020 absorve 16,9 J no Charpy a −30 °C e 68 J a 150 °C (AZoM). Metais de estrutura cúbica de face centrada, um arranjo de átomos com muitos planos de escorregamento, como cobre, alumínio e inox 304, não têm essa transição marcada. A curva se levanta com o ensaio de impacto.
- Velocidade de deformação. Carregar mais rápido tende a reduzir a ductilidade e sobe a temperatura de transição.
- Encruamento. A deformação a frio sobe o escoamento e a resistência e reduz a ductilidade; o recozimento a restaura. Ver encruamento.
- Tratamento térmico e composição. São os fatores já vistos na ductilidade do aço e na tabela de materiais: têmpera sem revenimento, carbono alto e, no ferro fundido, grafita em lâminas reduzem a ductilidade.
- Tamanho de grão. Grão refinado sobe a resistência e baixa a temperatura de transição.
- Hidrogênio. A fragilização por hidrogênio reduz muito a ductilidade de aços de alta resistência, um problema conhecido em parafusos decapados e galvanizados.
Ductilidade estrutural e do concreto
Em estruturas, ductilidade é a capacidade de uma peça deformar além do escoamento sem perder resistência de forma brusca, medida pela razão μ = Δu / Δy entre o deslocamento último e o de escoamento. Não é uma propriedade do material, e sim da peça inteira. É o que dissipa energia num sismo e dá tempo de evacuar um prédio sobrecarregado. O concreto sozinho é frágil em tração; a ductilidade de vigas e pilares de concreto armado vem da armadura de aço, daí os mínimos de alongamento do CA-50, e do detalhamento. O comportamento do concreto é tratado em módulo de elasticidade do concreto.
Exercícios resolvidos de ductilidade
1. Corpo de prova ASTM. Um corpo de prova redondo com d0 = 12,5 mm e L0 = 50 mm terminou com Lu = 62,5 mm e 7,5 mm de diâmetro no pescoço. Então A = (62,5 − 50) / 50 × 100 = 25,0 %. Pelos diâmetros, Z = 1 − (7,5 / 12,5)² = 1 − 0,36 = 64 %. A deformação verdadeira na fratura é ln(1 / 0,36) = 1,02. São valores típicos de aço baixo carbono recozido.
2. Corpo de prova proporcional ISO. Para d0 = 10 mm, S0 = 78,54 mm² e √S0 = 8,862 mm, logo L0 = 5,65 × 8,862 = 50,07 mm, na prática 50 mm = 5d. Se Lu = 61,2 mm, A = (61,2 − 50) / 50 × 100 = 22,4 %.
3. Vergalhão CA-50 na máquina universal. Barra de 12,5 mm, L0 = 10φ = 125 mm, área nominal de 122,7 mm². O ensaio deu força de escoamento de 66,3 kN, força máxima de 79,5 kN e Lu = 138,5 mm. Escoamento: 66.300 / 122,7 = 540 MPa (mínimo 500). Resistência: 79.500 / 122,7 = 648 MPa, relação 1,20. Alongamento: (138,5 − 125) / 125 × 100 = 10,8 % (mínimo 8 %). A barra atende à NBR 7480 na tração. Uma barra dessas rompe perto de 80 kN, então pede uma máquina de 100 a 200 kN.
4. Converter o alongamento entre normas. Um aço carbono deu A = 30 % num corpo de prova ASTM (4D). O 4D equivale a 4,51√S0, e o fator da ISO 2566-1 é (4,51 / 5,65)0,4 = 0,91. No corpo de prova ISO de 5d, o esperado é 30 × 0,91 ≈ 27,4 %. O mesmo material, cerca de 2,6 pontos a menos, só por causa do comprimento de referência.
5. Ductilidade estrutural. Um pilar ensaiado sob carga lateral escoa com 12 mm de deslocamento e chega a 54 mm antes de perder resistência. A ductilidade de deslocamento é μ = 54 / 12 = 4,5: a peça deformou 4,5 vezes o deslocamento em que escoou antes de perder resistência.
Como medir a ductilidade na máquina universal
A máquina universal de ensaios traciona o corpo de prova até a ruptura enquanto a célula de carga mede a força e o extensômetro mede a extensão no comprimento de referência. O software de ensaio traça a curva e calcula o escoamento, a resistência e o alongamento. Usar o deslocamento da travessa no lugar do extensômetro superestima a deformação, porque inclui folgas e a deformação da própria máquina. A redução de área sempre exige medir o pescoço do corpo de prova rompido. O painel abaixo mostra a máquina, a função de cada parte nesse ensaio e os dispositivos usados para medir a ductilidade.
A máquina universal no ensaio de tração que mede a ductilidade
A linha M2 tem modelos de coluna simples, de 200 N a 10 kN, e de coluna dupla, de 5 kN a 1.000 kN. Cada parte da máquina tem uma função no ensaio:

- Travessa móvel traciona até a ruptura
- Célula de carga mede a força, classe 1
- Garras de cunha prendem sem escorregar
- Extensômetro mede o alongamento real
- Software BioLab calcula o alongamento na ruptura
- Painel e emergência posiciona e para o ensaio
Dispositivos para o ensaio de tração que mede a ductilidade
Os dispositivos abaixo são montados na mesma máquina, conforme o corpo de prova e a norma:


A capacidade da máquina acompanha o material: filmes e fios finos, de 200 N a 1 kN; polímeros, elastômeros e têxteis, de 2 a 10 kN, com coluna estendida para materiais que alongam centenas de por cento; metais, chapas e fixadores, de 5 a 50 kN; vergalhões, perfis e cabos, de 100 kN para cima. Conheça a linha de máquinas universais da Biopdi. Para ductilidade de chapas em conformação, veja também o ensaio de embutimento.
Normas de ductilidade
- ABNT NBR ISO 6892-1 / ISO 6892-1:2019: ensaio de tração de materiais metálicos à temperatura ambiente; define A, Z, Agt e o comprimento de referência 5,65√S0.
- ASTM E8/E8M: ensaio de tração de materiais metálicos, com comprimento de referência de 4D.
- ASTM A370: ensaios mecânicos de produtos de aço.
- ISO 2566-1: conversão de alongamentos entre comprimentos de referência em aços carbono e baixa liga.
- ABNT NBR 7480:2024: aço para armaduras de concreto; alongamentos mínimos de CA-25, CA-50 e CA-60.
- ISO 15630-1: métodos de ensaio de barras e fios para concreto armado.
- ASTM D638 e ISO 527: tração de plásticos.
Outros ensaios e referências técnicas
Deformação elástica e plástica: o que é a deformação elástica, fórmula, diferença e exemplos
Deformação elástica é a deformação reversível de um sólido: as ligações entre os átomos se esticam sem romper e a peça volta ao tamanho original quando a carga sai. Veja a fórmula ε = σ/E, onde ela termina, a diferença para a deformação plástica, quanto cada material deforma, a resiliência, a recuperação elástica, a borracha e exercícios resolvidos.
Tenacidade dos materiais: o que é, como calcular e unidade
Tenacidade é a energia que um material absorve antes de fraturar. Veja como calcular, unidades, ensaio Charpy, tenacidade à fratura e valores de referência.
Propriedades mecânicas dos materiais: o que são, quais são, ensaios, normas e valores do aço
Propriedades mecânicas dos materiais definem como um material responde a forças: quanto deforma, se volta à forma, quanta carga suporta, quanta energia absorve e como rompe. Veja cada propriedade com unidade, ensaio e norma, os valores do aço (NBR 8800, ASTM A36, CA-50), os pares que se confundem e exercícios resolvidos.
Estricção no ensaio de tração: o que é, quando começa, coeficiente Z e fratura taça-cone
Estricção é a redução localizada da seção do corpo de prova que começa na força máxima do ensaio de tração. Veja o critério de Considère, o coeficiente de estricção Z = (S0 − Su)/S0 × 100 pela ISO 6892-1, valores por material, a fratura taça-cone, a correção de Bridgman, o estiramento a frio dos polímeros e exercícios resolvidos.
Perguntas frequentes
O que é ductilidade?
Ductilidade é a propriedade mecânica que indica quanto um material se deforma plasticamente sob tração antes de romper. É medida no ensaio de tração pelo alongamento após ruptura (A) e pela redução de área (Z), conforme a ABNT NBR ISO 6892-1.
Como calcular a ductilidade?
Use A = (Lu − L0) / L0 × 100 e Z = (S0 − Su) / S0 × 100. Por exemplo, um corpo de prova com 50 mm entre marcas que termina com 62,5 mm tem A = 25 %. Informe sempre o comprimento de referência usado, porque o alongamento depende dele.
O que é um material dúctil?
É o material que se alonga e forma pescoço antes de romper, com fratura em taça e cone, em geral com mais de 5 % de alongamento. Exemplos: cobre recozido (cerca de 45 %), latão 70/30 (cerca de 68 %) e aço 1020 (25 a 36,5 %, conforme o estado).
O que é um material frágil?
É o material que rompe de forma súbita, com pouca ou nenhuma deformação plástica, em geral com menos de 5 % de alongamento e fratura plana. Exemplos: vidro, cerâmicas, ferro fundido cinzento (menos de 1 %) e poliestireno (cerca de 1,6 %).
Qual a diferença entre material dúctil e frágil?
O material dúctil deforma plasticamente e avisa antes de romper, com estricção e fratura em taça e cone. O frágil rompe de repente, quase sem deformação, com fratura plana e brilhante, e absorve pouca energia.
Qual a diferença entre ductilidade e maleabilidade?
Ductilidade é a capacidade de deformar sob tração, como ao virar fio. Maleabilidade é a capacidade de deformar sob compressão, como ao virar chapa por laminação ou martelamento. O ouro é o metal mais dúctil e também o mais maleável.
Qual a diferença entre ductilidade e tenacidade?
Ductilidade mede quanto o material deforma até romper. Tenacidade mede quanta energia ele absorve até romper, o que exige resistência e ductilidade ao mesmo tempo. A tenacidade é medida pela área sob a curva tensão-deformação ou pelo ensaio Charpy.
O certo é ductilidade ou ductibilidade?
O dicionário Priberam registra as duas formas com o mesmo sentido, com ductibilidade como variante de ductilidade. Nas normas técnicas e na engenharia, use ductilidade.
Qual é o sinônimo de ductilidade?
Na engenharia, o equivalente mais próximo é capacidade de deformação plástica sob tração. Flexibilidade não é sinônimo, porque um material flexível pode ser apenas elástico e voltar ao formato.
Qual a ductilidade do aço CA-50?
A ABNT NBR 7480:2024 exige do CA-50 alongamento após ruptura mínimo de 8 % em 10 diâmetros, ou alongamento total na força máxima de 5 %. Para o CA-60 o mínimo é 5 % e para o CA-25, 18 %.
A temperatura afeta a ductilidade?
Sim. Em geral a ductilidade aumenta com a temperatura. Os aços ferríticos, porém, têm uma temperatura de transição dúctil-frágil abaixo da qual rompem de forma frágil, o que se avalia com o ensaio de impacto Charpy.
O metal é sempre dúctil?
Não. A maioria dos metais é dúctil à temperatura ambiente, mas o ferro fundido cinzento, o aço temperado sem revenimento e os aços abaixo da temperatura de transição são frágeis.