O módulo de elasticidade do concreto mede a rigidez do material: quanto ele encurta sob uma tensão de compressão. Pela ABNT NBR 6118:2023, para concretos de C20 a C50, o módulo tangente inicial é Eci = αE · 5600 · √fck, em MPa, e o módulo secante usado no projeto é Ecs = αi · Eci. Um concreto C30 com brita de granito tem Eci de cerca de 31 GPa e Ecs de cerca de 27 GPa.
Para as duas classes mais consultadas, com granito: o C25 tem Eci = 28,0 GPa e Ecs = 24,2 GPa, e o C30 tem Eci = 30,7 GPa e Ecs = 26,8 GPa. A revisão de 2023 da NBR 6118 manteve as fórmulas e os coeficientes da edição de 2014. O conceito geral de módulo, válido para qualquer material, está no artigo sobre o módulo de elasticidade (módulo de Young); aqui o assunto é o que é próprio do concreto. O módulo é medido num ensaio de compressão com extensômetros no corpo de prova, e o artigo segue a ordem de uma aula: o que é, por que existem dois módulos, as fórmulas, as tabelas, o que faz o valor variar, o ensaio, exercícios e o equipamento.
O que é o módulo de elasticidade do concreto
Em qualquer material, o módulo de elasticidade é a razão entre a tensão aplicada e a deformação específica que ela provoca, E = σ / ε, a lei de Hooke. No diagrama tensão-deformação, é a inclinação do trecho inicial: quanto mais íngreme, mais rígido o material e menos ele encurta sob a mesma carga. Uma viga de concreto com módulo alto tem flecha menor; um pilar com módulo alto encurta menos.
Na foto, um corpo de prova cilíndrico de concreto entre os pratos de compressão, o arranjo básico do ensaio de módulo pela NBR 8522-1, que acrescenta os medidores de deformação no próprio corpo de prova.

A diferença do concreto para o aço está na forma da curva. No aço, o trecho inicial é uma reta até perto do escoamento. No concreto, a curva começa a se curvar logo no início. A razão está na estrutura do material: o concreto é um compósito de três fases, a pasta de cimento endurecida, o agregado graúdo e a zona de transição entre os dois. A zona de transição é mais porosa e já tem microfissuras antes de qualquer carga, causadas pela retração e pela exsudação. Sob compressão, essas microfissuras crescem, e a deformação passa a aumentar mais depressa que a tensão.
Até cerca de 30 % a 40 % da resistência à compressão (fc), a curva é quase reta e o comportamento é praticamente reversível: descarregado, o corpo de prova volta ao comprimento inicial, o que caracteriza a deformação elástica. Acima dessa faixa, a microfissuração se propaga, a curva se inclina cada vez mais e parte da deformação passa a ser permanente. O pico, que é o próprio fc, fica perto de 2 ‰ de encurtamento nos concretos usuais, e a NBR 6118 adota 3,5 ‰ como deformação última para as classes de C20 a C50.
Como a curva não tem um trecho perfeitamente reto, "a inclinação" depende de onde ela é medida. Por isso o concreto tem mais de um módulo, cada um definido por dois pontos da curva, e a norma precisa dizer qual deles se usa em cada situação.
Eci e Ecs: módulo tangente inicial e módulo secante
A NBR 6118 e a NBR 8522-1 trabalham com dois módulos. O módulo tangente inicial, Eci, é a inclinação da tangente à curva na origem: representa a rigidez do concreto sob tensões baixas. O módulo secante, Ecs, é a inclinação de uma reta que liga a origem, ou um ponto de tensão baixa, a um ponto de tensão mais alta da curva. Como a curva se inclina à medida que a tensão sobe, a secante fica abaixo da tangente, e Ecs é sempre menor ou igual a Eci.
Na prática de laboratório, a tangente exata na origem não é medida. A NBR 8522-1:2021 obtém o Eci como a inclinação da reta entre dois pontos próximos do início, 0,5 MPa e 30 % de fc, uma reta que liga dois pontos da curva chamada de cordal. A tangente exata na origem não se mede com precisão, e a norma adota essa cordal como o Eci; ela fica um pouco abaixo da tangente teórica, tanto menos quanto mais linear for o concreto. A norma americana ASTM C469/C469M usa outra cordal, até 40 % da carga de ruptura. O gráfico abaixo traça as três retas sobre a curva de um concreto com fc = 30 MPa e mostra que, quanto mais alto o segundo ponto, menor o módulo: 31,4 GPa na tangente, 28,0 GPa na cordal da NBR 8522-1 e 27,0 GPa na secante até 0,4 fc.

Módulo de elasticidade ou módulo de deformação
O título da NBR 8522-1 fala em "módulos de elasticidade e de deformação", e os dois nomes têm sentidos distintos. Módulo de elasticidade é o Eci, o tangente inicial. Módulo de deformação secante é o Ecs, calculado até uma tensão especificada. Em relatórios e projetos, "módulo de deformação" quase sempre quer dizer o secante.
Qual módulo usar no projeto de concreto armado
A NBR 6118 (item 8.2.8) indica o Ecs para as análises elásticas de projeto: cálculo dos esforços solicitantes e verificação dos estados-limite de serviço, como flechas. Ele é tomado como módulo único, à tração e à compressão, para avaliar um elemento ou uma seção. O Eci entra nas análises que dependem da rigidez sob tensão baixa e duradoura, como o comportamento global da estrutura, a fluência e as perdas de protensão. Usar Eci no lugar de Ecs num cálculo de flecha subestima a deformação, porque o módulo usado é maior que o recomendado.
O mesmo item da norma completa a descrição elástica do concreto com dois valores: coeficiente de Poisson ν = 0,2 e módulo de elasticidade transversal Gc = Ecs / 2,4, válidos para tensões de compressão abaixo de 0,5 fc e de tração abaixo da resistência à tração. O coeficiente de Poisson tem artigo próprio.
Fórmula do módulo de elasticidade do concreto pela NBR 6118:2023
A NBR 6118 manda obter o Eci pelo ensaio da NBR 8522-1, aos 28 dias. Quando não há ensaio, o que é comum na fase de projeto, a norma permite estimá-lo a partir da resistência característica à compressão, fck, que é a resistência com 95 % de probabilidade de ser superada e define a classe do concreto (C30 tem fck = 30 MPa). A estimativa usa duas expressões, uma para cada grupo de resistência, e dois coeficientes.
As duas expressões do Eci
Para os concretos do grupo I, de C20 a C50, o módulo cresce com a raiz quadrada da resistência:
- C20 a C50: Eci = αE · 5600 · √fck, com Eci e fck em MPa.
- C55 a C90: Eci = 21,5 · 103 · αE · (fck/10 + 1,25)1/3, também em MPa.
No grupo II, de C55 a C90, a norma troca a raiz quadrada por uma raiz cúbica. Nos concretos de alta resistência, a pasta é mais densa e a zona de transição é menos porosa, e o módulo passa a crescer mais devagar que a resistência. Cada expressão vale só na sua faixa: aplicar a raiz quadrada a um C70 superestima o módulo.
O coeficiente do agregado, αE
O agregado graúdo ocupa a maior parte do volume do concreto e é muito mais rígido que a pasta, então o tipo de rocha pesa no módulo tanto quanto a resistência. A norma leva isso em conta com o coeficiente αE, que multiplica o Eci:
- Basalto e diabásio: αE = 1,2.
- Granito e gnaisse: αE = 1,0.
- Calcário: αE = 0,9.
- Arenito: αE = 0,7.
Entre o arenito e o basalto, o módulo do mesmo C30 varia 71 %. Um projeto calculado com granito e executado com brita de arenito terá um concreto 30 % menos rígido que o previsto.
O coeficiente αi e o módulo secante
O módulo secante sai do tangente inicial por um coeficiente que cresce com a classe:
- Módulo secante: Ecs = αi · Eci.
- Coeficiente: αi = 0,8 + 0,2 · fck/80 ≤ 1,0.
No C20, αi = 0,85; no C50, 0,925; a partir do C80, chega a 1,0. O coeficiente traduz o que o gráfico anterior mostrou: concretos de baixa resistência têm curva mais inclinada desde cedo, e a secante fica bem abaixo da tangente. Os concretos de alta resistência são quase lineares até perto da ruptura, e as duas retas coincidem.
O módulo antes dos 28 dias
O módulo cresce com a hidratação do cimento, mas mais devagar que a resistência. Entre 7 e 28 dias, a NBR 6118 estima o módulo na idade t a partir da resistência nessa idade, fc(t), e da resistência aos 28 dias, fc:
- C20 a C45: Eci(t) = [fc(t) / fc]0,5 · Eci.
- C50 a C90: Eci(t) = [fc(t) / fc]0,3 · Eci.
Essa estimativa interessa, por exemplo, na retirada de escoramentos e na protensão aplicada antes dos 28 dias.
O que mudou na NBR 6118:2023 e a regra antiga que ainda circula
Para o módulo, nada mudou: a edição de 2023 manteve as expressões e os coeficientes de 2014. A principal mudança do item 8.2 foi o coeficiente de fragilidade ηc, no item 8.2.10.1, aplicado aos concretos acima de 40 MPa, que não altera o módulo. O que ainda aparece em apostilas e sites é a regra das edições de 2003 e 2007: Eci = 5600 · √fck sem αE e Ecs = 0,85 · Eci = 4760 · √fck. Ela foi revogada em 2014. A mistura das duas, "Eci = 0,85 · 5600 · √fck", está errada por qualquer edição.
A tabela resume as expressões vigentes:
| Grandeza | Expressão (NBR 6118:2023) | Validade |
|---|---|---|
| Eci, grupo I | αE · 5600 · √fck (MPa) | C20 a C50 |
| Eci, grupo II | 21,5 · 103 · αE · (fck/10 + 1,25)1/3 (MPa) | C55 a C90 |
| Ecs | αi · Eci | todas as classes |
| αi | 0,8 + 0,2 · fck/80 ≤ 1,0 | todas as classes |
| Eci(t) | [fc(t)/fc]0,5 ou 0,3 · Eci | 7 a 28 dias |
As expressões valem para concreto de massa específica normal, de 2.000 a 2.800 kg/m³. Concreto leve e concreto de ultra-alto desempenho têm comportamento e métodos próprios.
Tabela do módulo de elasticidade do concreto por classe
A tabela 8.1 da NBR 6118 traz os valores estimados de Eci, Ecs e αi por classe, considerando granito como agregado graúdo. Os valores abaixo foram calculados pelas expressões do item 8.2.8, com uma casa decimal; a norma arredonda para GPa inteiro (C30: 31 e 27 GPa).
| Classe | Eci (GPa) | αi | Ecs (GPa) |
|---|---|---|---|
| C20 | 25,0 | 0,850 | 21,3 |
| C25 | 28,0 | 0,863 | 24,2 |
| C30 | 30,7 | 0,875 | 26,8 |
| C35 | 33,1 | 0,888 | 29,4 |
| C40 | 35,4 | 0,900 | 31,9 |
| C45 | 37,6 | 0,913 | 34,3 |
| C50 | 39,6 | 0,925 | 36,6 |
| C60 | 41,6 | 0,950 | 39,5 |
| C70 | 43,4 | 0,975 | 42,4 |
| C80 | 45,1 | 1,000 | 45,1 |
| C90 | 46,7 | 1,000 | 46,7 |
O gráfico abaixo mostra os mesmos valores em barras. Dois efeitos ficam visíveis: a distância entre Eci e Ecs diminui com a classe até sumir no C80, e o ganho de módulo fica menor depois da troca de fórmula, no grupo II. Do C30 ao C70 a resistência sobe 133 %, e o Eci, só 42 %.

Módulo de elasticidade do concreto de 25 MPa e de 30 MPa
Estas são as duas perguntas mais frequentes, e a resposta depende do agregado. Com granito, o concreto de fck 25 MPa tem Eci = 5600 × 5 = 28,0 GPa e Ecs = 0,8625 × 28,0 = 24,2 GPa. O de 30 MPa tem Eci = 5600 × √30 = 30,7 GPa e Ecs = 0,875 × 30,7 = 26,8 GPa. A tabela seguinte aplica o αE de cada rocha às duas classes:
| Agregado (αE) | C25: Eci / Ecs (GPa) | C30: Eci / Ecs (GPa) |
|---|---|---|
| Basalto, diabásio (1,2) | 33,6 / 29,0 | 36,8 / 32,2 |
| Granito, gnaisse (1,0) | 28,0 / 24,2 | 30,7 / 26,8 |
| Calcário (0,9) | 25,2 / 21,7 | 27,6 / 24,2 |
| Arenito (0,7) | 19,6 / 16,9 | 21,5 / 18,8 |
O C30 em outras normas de projeto
Cada código de projeto tem sua expressão, e comparar o mesmo concreto mostra a dispersão entre eles. Os valores abaixo foram calculados para fck = 30 MPa com agregado de referência. O Eurocode 2 e o fib Model Code partem da resistência média, fcm = fck + 8 MPa, por isso dão valores maiores.
| Norma | Expressão | C30 |
|---|---|---|
| NBR 6118:2023 (granito) | Eci = 5600 · √fck | 30,7 GPa (Ecs 26,8) |
| NBR 6118:2007 (revogada) | Ecs = 4760 · √fck | 26,1 GPa |
| ACI 318 | Ec = 4700 · √f′c | 25,7 GPa |
| Eurocode 2 | Ecm = 22 · (fcm/10)0,3 GPa | 32,8 GPa |
| fib Model Code 2010 | Eci = 21,5 · 103 · (fcm/10)1/3 | 33,5 GPa |
Para comparação com outro material de construção: o aço de armadura tem módulo de 210 GPa pela NBR 6118, de 5 a 8 vezes o de um concreto usual. Os detalhes estão no artigo sobre o módulo de elasticidade do aço.
O que faz o módulo do concreto variar
As fórmulas da norma dependem só de fck e do tipo de rocha, mas o módulo real de um concreto depende da dosagem, da cura e até da forma como o corpo de prova é ensaiado. Conhecer esses fatores explica por que dois concretos da mesma classe podem ter módulos bem diferentes:
- Tipo e teor de agregado graúdo: é o fator principal, e não só pela rocha. Numa reunião de resultados nacionais, a massa específica do concreto foi a variável que mais influenciou o Eci aos 28 dias (Leal et al., 2020). Mais agregado e menos pasta dão concreto mais rígido.
- Relação água/cimento: mais água deixa a pasta mais porosa, e poros não resistem à compressão. A relação a/c alta reduz o módulo, e a baixa o aumenta.
- Idade: a hidratação do cimento continua depois dos 28 dias e densifica a pasta; o módulo cresce, mas mais devagar que a resistência.
- Cura: cura úmida insuficiente interrompe a hidratação na superfície e deixa a pasta mais porosa e microfissurada, com módulo menor. Temperatura e umidade controladas na cura dão um módulo mais estável.
- Umidade no ensaio: um corpo de prova saturado dá módulo cerca de 15 % maior que um seco, porque a água nos poros ajuda a suportar a compressão.
- Velocidade de carregamento: carga muito lenta deixa a fluência agir durante o ensaio e reduz o módulo; carga muito rápida o superestima. Por isso a NBR 8522-1 fixa a velocidade.
- Temperatura: em temperatura elevada, como num incêndio, a microfissuração e a perda de água da pasta reduzem o módulo, e a estrutura deforma mais sob a mesma carga.
- Jazida: o mesmo "granito" varia de uma pedreira para outra, o que as fórmulas não enxergam.
Como é o ensaio do módulo de elasticidade do concreto (NBR 8522-1:2021)
O ensaio estático do módulo segue a ABNT NBR 8522-1:2021, "Concreto endurecido: Determinação dos módulos de elasticidade e de deformação. Parte 1: Módulos estáticos à compressão". Os corpos de prova são cilíndricos, com altura igual ao dobro do diâmetro, em geral 100 × 200 mm ou 150 × 300 mm, moldados e curados pela NBR 5738. A norma pede pelo menos cinco corpos de prova do mesmo concreto: dois são rompidos antes, pela NBR 5739, para dar a resistência fc que define os níveis de carga, e três são usados para o módulo.
O corpo de prova é centrado entre os pratos de uma prensa ou máquina universal, e a deformação é medida por extensômetros fixados no próprio concreto, em duas bases diametralmente opostas; o resultado é a média das duas. A medição precisa ser no corpo de prova, e não pelo deslocamento da máquina, por uma questão de escala: no trecho em que o módulo é medido, um corpo de prova de 200 mm encurta menos de 0,1 mm, e o deslocamento do travessão soma a acomodação dos pratos, o capeamento e a deformação da própria máquina. O exercício 5 mostra o tamanho do erro.
Metodologias A e B
A norma define duas formas de fixar o ponto inicial da cordal. As duas usam como ponto final a tensão σb = 0,3 · fc:
- Metodologia A, tensão fixa: o ponto inicial é a tensão σa = 0,5 MPa, e a deformação εa é lida nessa tensão.
- Metodologia B, deformação fixa: o ponto inicial é a deformação εa = 50 · 10-6, e a tensão σa é lida nessa deformação.
Carregamento e leituras, passo a passo
O carregamento é feito em ciclos, com velocidade de 0,45 ± 0,15 MPa/s, e cada nível de tensão é mantido por 60 s antes da leitura. Os ciclos iniciais acomodam o corpo de prova nos pratos e estabilizam os extensômetros. A sequência é esta:
- Centrar o corpo de prova e fixar os extensômetros nas duas bases opostas.
- Fazer os ciclos de carga e descarga entre o nível inicial (σa) e σb = 0,3 · fc, mantendo cada patamar por 60 s.
- Ler as deformações εa e εb no último ciclo, nos 30 s que seguem cada patamar.
- Retirar os extensômetros e romper o corpo de prova, obtendo a resistência efetiva fc,ef.
- Conferir a resistência: se fc,ef diferir em mais de 20 % do fc usado para definir σb, o resultado daquele corpo de prova é descartado.
Cálculo do Eci e do Ecs no ensaio
Com tensões em MPa e deformações adimensionais, o fator 10-3 converte o resultado para GPa:
- Metodologia A: Eci = (σb − 0,5) / (εb − εa) · 10-3.
- Metodologia B: Eci = (σb − σa) / (εb − 50 · 10-6) · 10-3.
- Módulo de deformação secante: Ecs = (σn − σa) / (εn − εa) · 10-3, com σn a tensão especificada.
A tensão σn do módulo secante é escolhida por quem especifica o ensaio, em geral o projetista, conforme a tensão de serviço que interessa. No ensaio entra o fc real dos corpos de prova rompidos, e não o fck do projeto: o fck só aparece nas fórmulas de estimativa.
O ensaio pela ASTM C469/C469M
A norma americana mede o módulo cordal e o coeficiente de Poisson no mesmo ensaio. A cordal vai da tensão correspondente à deformação de 50 · 10-6 até 40 % da carga de ruptura, faixa um pouco mais alta que a da NBR 8522-1, e a deformação é a média de duas linhas de medição opostas. Por causa do ponto final mais alto, o módulo da ASTM tende a ficar um pouco abaixo do Eci da norma brasileira para o mesmo concreto, como mostrou o primeiro gráfico.
Módulo estático e módulo dinâmico
O módulo também pode ser obtido sem carregar o corpo de prova até 30 % da ruptura, por métodos dinâmicos que medem vibração ou propagação de onda. A ABNT NBR 8522-2:2021 determina o módulo de elasticidade dinâmico, Ecd, pelas frequências naturais de vibração: o corpo de prova recebe um impacto leve e a frequência de ressonância dá o módulo. Outras referências são a ASTM C215, por frequência de ressonância, a ASTM E1876, por excitação por impulso, e o ultrassom da NBR 8802.
Os dois módulos não são iguais. No método dinâmico a tensão é mínima, as microfissuras quase não se abrem e o material responde praticamente sem fluência, então o Ecd sai maior: cerca de 20 % acima do estático em concretos de alta resistência, 30 % nos de resistência média e 40 % nos de baixa. Num estudo com concretos de basalto do Paraná, o dinâmico ficou 16 % acima do estático por excitação por impulso e 28 % por ultrassom. A NBR 8522-1 traz, no Anexo B, uma correlação empírica, o modelo de Popovics, para estimar o Eci a partir do Ecd e da massa específica. O método dinâmico é rápido, não destrói o corpo de prova e serve para acompanhar a evolução do módulo; o valor que entra na NBR 6118 é o estático, e usar o dinâmico sem conversão superestima a rigidez.
Por que o módulo importa: estimado ou medido
O módulo não decide se a estrutura resiste, mas decide quanto ela deforma. Flecha de vigas e lajes, fissuras em alvenarias apoiadas sobre elas, deformação lenta por fluência e estabilidade global de edifícios altos dependem do Ecs. Uma laje com módulo 15 % menor que o previsto tem flecha imediata 15 % maior, e a fluência amplia essa diferença ao longo dos anos.
O problema é que a fórmula da norma é uma estimativa. Construtoras e laboratórios relatam que os valores ensaiados costumam ficar abaixo dos estimados, e há quem recomende reduzir a estimativa em 10 % a 15 % (IBRACON, 2023). Os dados publicados mostram a dimensão da dispersão:
- Borin et al. (2010): em concretos de obra com resistência perto de 30 MPa, o módulo variou de 16,5 a 47,7 GPa, com 20 % de probabilidade de ficar abaixo da estimativa da norma da época.
- Leal et al. (2020): na reunião de resultados nacionais, o αE ajustado foi de 1,00 a 1,03 para granito e gnaisse, o que confirma a norma; de 1,08 para calcário, acima do 0,9 da norma; e de 1,07 a 1,14 para basalto, abaixo do 1,2.
- Santos et al. (2017): com 324 corpos de prova de basalto e dolomito do Triângulo Mineiro, as expressões da NBR 6118:2014 e do fib Model Code foram as mais próximas dos resultados.
- Litoral Norte de São Paulo: um laboratório local relata concretos de 30 MPa com gnaisse e Eci de até 26 GPa, cerca de 17 % abaixo da estimativa (Sotef, 2025).
A conclusão prática é a da própria NBR 6118: o módulo deve vir do ensaio da NBR 8522-1. Em obras em que flecha e fissuração são críticas, o projetista especifica o módulo mínimo, e o controle tecnológico o confere em laboratório, com os agregados da obra.
Exercícios resolvidos
Os seis exercícios seguem a ordem do artigo: estimativa pela norma, efeito do agregado, alta resistência, cálculo a partir das leituras do ensaio, o erro de medir pelo travessão e o efeito do módulo na flecha.
Exercício 1: Eci e Ecs de um C30 com granito
Dados: fck = 30 MPa, brita de granito, αE = 1,0.
- Eci = 1,0 × 5600 × √30 = 5600 × 5,477 = 30.672 MPa ≈ 30,7 GPa.
- αi = 0,8 + 0,2 × 30/80 = 0,875, abaixo de 1,0.
- Ecs = 0,875 × 30.672 = 26.838 MPa ≈ 26,8 GPa.
Exercício 2: o mesmo C30 com basalto, e o C25 com granito
Com basalto, αE = 1,2. Para o C25 com granito, √25 = 5.
- C30 basalto: Eci = 1,2 × 30.672 = 36.806 MPa; Ecs = 0,875 × 36.806 = 32.205 MPa, 20 % acima do granito com o mesmo fck.
- C25 granito: Eci = 5600 × 5 = 28.000 MPa; αi = 0,8625; Ecs = 24.150 MPa.
Exercício 3: concreto de alta resistência C70 com granito
O C70 pertence ao grupo II, então a expressão é a da raiz cúbica.
- Eci = 21.500 × 1,0 × (70/10 + 1,25)1/3 = 21.500 × 8,251/3 = 21.500 × 2,0206 = 43.443 MPa.
- αi = 0,8 + 0,2 × 70/80 = 0,975.
- Ecs = 0,975 × 43.443 = 42.357 MPa.
Com a raiz quadrada, fora da faixa, o resultado seria 5600 × √70 = 46.853 MPa, 8 % acima do correto.
Exercício 4: Eci a partir das leituras do ensaio (metodologia A)
Dados didáticos: corpo de prova de 100 × 200 mm; fc dos corpos de prova rompidos antes = 32,0 MPa; dois extensômetros opostos com base de 100 mm. Leitura média no patamar de 0,5 MPa: εa = 20 · 10-6. No patamar de σb: εb = 325 · 10-6.
- Área: A = π × 50² = 7.854 mm².
- σb = 0,30 × 32,0 = 9,6 MPa. Forças nos patamares: 0,5 × 7.854 = 3,93 kN e 9,6 × 7.854 = 75,4 kN.
- Eci = (9,6 − 0,5) / (305 · 10-6) · 10-3 = 29,8 GPa.
- Encurtamento medido na base de 100 mm: 305 · 10-6 × 100 = 0,0305 mm, ou 30,5 µm.
Depois das leituras, o corpo de prova é rompido; se o fc,ef ficar fora de 32,0 ± 20 %, o resultado é descartado.
Exercício 5: o erro de medir pelo travessão
No mesmo ensaio, o deslocamento do travessão entre as mesmas duas forças foi de 0,122 mm. O concreto, nos 200 mm de altura, encurtou 305 · 10-6 × 200 = 0,061 mm; os outros 0,061 mm vêm da acomodação dos pratos, do capeamento e da deformação da máquina.
- Deformação aparente: 0,122 / 200 = 610 · 10-6.
- Módulo aparente: 9,1 / (610 · 10-6) · 10-3 = 14,9 GPa, metade do valor real.
O módulo só se mede com extensômetro no corpo de prova, e o mesmo vale para os metais no ensaio de tração.
Exercício 6: efeito do módulo na flecha
Viga biapoiada de 5 m, carga distribuída de 10 kN/m, seção de 15 × 40 cm, concreto C25 com granito. Momento de inércia da seção bruta: I = 0,15 × 0,40³ / 12 = 8,0 · 10-4 m⁴. Flecha elástica imediata: δ = 5·q·L⁴ / (384·E·I).
- Com Ecs = 24,15 GPa: δ = 5 × 10.000 × 625 / (384 × 24,15 · 109 × 8,0 · 10-4) = 4,2 mm.
- Com Eci = 28 GPa, por engano: δ = 3,6 mm, 14 % abaixo.
- Com basalto (Ecs = 29,0 GPa): 3,5 mm. Com arenito (16,9 GPa): 6,0 mm.
A NBR 6118 calcula a flecha com a inércia equivalente da seção fissurada e soma a fluência; o exercício isola apenas o efeito do módulo. A relação entre rigidez e flecha é tratada também no ensaio de flexão.
Erros comuns com o módulo do concreto
Os erros abaixo aparecem com frequência em memórias de cálculo, relatórios e textos técnicos, e cada um já foi tratado numa seção deste artigo:
- Usar Eci onde a norma pede Ecs: nas flechas e nos esforços, subestima a deformação de 7 % a 15 % nas classes de C20 a C50.
- Esquecer o αE: projetar com granito e executar com arenito dá módulo 30 % menor.
- Usar a regra revogada: Ecs = 0,85 · Eci, ou a mistura "0,85 · 5600 · √fck", não vale desde 2014.
- Trocar a faixa da fórmula: a raiz quadrada vale até C50, e a cúbica, de C55 a C90.
- Usar fck no ensaio: σb = 0,3 · fc, com o fc medido nos corpos de prova rompidos antes.
- Medir a deformação pelo travessão: o módulo sai muito menor que o real.
- Comparar dinâmico com estático sem conversão: o dinâmico é de 20 % a 40 % maior.
- Ler o módulo como constante: umidade, jazida e procedimento mudam o resultado, e a variação entre laboratórios chega a 10 % a 15 %.
Normas do módulo de elasticidade do concreto
As normas brasileiras cobrem o projeto (NBR 6118), o ensaio estático e o dinâmico (NBR 8522-1 e -2) e a preparação dos corpos de prova. A tabela reúne as citadas neste artigo:
| Norma | O que trata | Edição |
|---|---|---|
| ABNT NBR 6118 | projeto de estruturas de concreto: Eci, Ecs, αE, αi, tabela 8.1 | 2023 |
| ABNT NBR 8522-1 | módulos estáticos de elasticidade e de deformação à compressão | 2021 |
| ABNT NBR 8522-2 | módulo dinâmico pelas frequências naturais de vibração | 2021 |
| ABNT NBR 5739 | ensaio de compressão de corpos de prova cilíndricos | 2018 |
| ABNT NBR 5738 | moldagem e cura de corpos de prova | 2015 |
| ABNT NBR 8953 | classificação do concreto por grupos de resistência (C20 a C90) | não indicada |
| ABNT NBR 8802 | velocidade de propagação de onda ultrassônica | não indicada |
| ASTM C469/C469M | módulo estático e coeficiente de Poisson do concreto à compressão | C469/C469M-22 |
| ASTM C215 | frequências de ressonância de corpos de prova de concreto | não indicada |
| ASTM E1876 | módulo dinâmico por excitação por impulso | não indicada |
| ASTM E111 | definições de módulo de Young, tangente e cordal | E111-17(2025)e1 |
| ACI 318, Eurocode 2, fib Model Code 2010 | códigos de projeto com expressões próprias do módulo | não indicada |
Duas correções em relação a listas que circulam, inclusive na versão anterior deste artigo: a NBR 8953 classifica o concreto por resistência e não trata de ultrassom, que é assunto da NBR 8802; e a ISO 6784, citada como norma internacional do módulo estático, foi substituída pela ISO 1920-10.
Máquina para o ensaio do módulo de elasticidade do concreto
O ensaio da NBR 8522-1 pede três coisas do equipamento: aplicar a compressão com velocidade controlada e manter os patamares, medir a força com célula de carga calibrada e ler a deformação com extensômetros fixados no corpo de prova. A máquina também precisa romper o corpo de prova no fim do ensaio: um cilindro de 100 × 200 mm de C30 rompe perto de 236 kN, e um de 150 × 300 mm, perto de 530 kN. A máquina universal Biopdi da linha M2 tem modelos autoportantes de 300 kN, 600 kN e 1.000 kN, células de carga classe 1 pela ABNT NBR ISO 7500-1:2023 e o software BioLab. O painel abaixo mostra a máquina, a função de cada parte no ensaio do módulo e os pratos de compressão.
A máquina universal no ensaio de compressão
A linha M2 tem modelos de coluna simples, de 200 N a 10 kN, e de coluna dupla, de 5 kN a 1.000 kN. Para o módulo do concreto, cada parte da máquina tem uma função:

- Travessa móvel comprime o corpo de prova em ciclos, com patamares
- Célula de carga mede a força, classe 1, para σa, σb e a ruptura
- Pratos de compressão planos, com assento esférico no concreto
- Extensômetros em duas bases opostas do corpo de prova: indispensáveis para o módulo
- Software BioLab ensaio por script, cálculo do Eci e relatório
- Painel e emergência posiciona e para o ensaio
Dispositivos para o ensaio de compressão
Os dispositivos abaixo são montados na mesma máquina, conforme o corpo de prova e a norma:

Para corpos de prova de 100 × 200 mm até C25, a indicada é a máquina universal de 300 kN (MBIOII-300-M2), cuja página cita concreto e a NBR 5739:2018; de C30 a C50 no mesmo corpo de prova, a de 600 kN (MBIOII-600-M2); e para cilindros de 150 × 300 mm de classes altas, a de 1.000 kN (MBIOII-1000-M2). O software BioLab permite montar o ensaio por script e criar cálculos personalizados, como a cordal (σb − 0,5) / (εb − εa). Os extensômetros adequados a corpos de prova de concreto e a configuração da rotina da NBR 8522-1 são definidos no orçamento. Para escolher entre os modelos, veja o guia da máquina universal de ensaio.
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Perguntas frequentes
O que é o módulo de elasticidade do concreto?
É a medida da rigidez do concreto: a razão entre a tensão de compressão e a deformação que ela provoca, no trecho inicial da curva tensão-deformação. Quanto maior o módulo, menos a peça encurta ou flete sob a mesma carga.
Qual é o módulo de elasticidade do concreto de 30 MPa?
Com brita de granito, pela NBR 6118:2023, Eci = 5600 × √30 ≈ 30,7 GPa e Ecs = 0,875 × 30,7 ≈ 26,8 GPa (a tabela 8.1 arredonda para 31 e 27 GPa). Com basalto, os valores sobem 20 %: 36,8 e 32,2 GPa.
Qual é o módulo de elasticidade do concreto fck 25 MPa?
Com granito, Eci = 5600 × 5 = 28,0 GPa e Ecs = 0,8625 × 28,0 ≈ 24,2 GPa. Com calcário (αE = 0,9), 25,2 e 21,7 GPa; com basalto, 33,6 e 29,0 GPa.
Como calcular o módulo de elasticidade do concreto?
Sem ensaio, use Eci = αE · 5600 · √fck para C20 a C50, ou Eci = 21,5 · 10³ · αE · (fck/10 + 1,25)^(1/3) para C55 a C90, com resultado em MPa. Depois, Ecs = αi · Eci, com αi = 0,8 + 0,2 · fck/80 ≤ 1,0. Com ensaio pela NBR 8522-1:2021, Eci = (σb − 0,5) / (εb − εa) · 10⁻³, em GPa.
Qual a diferença entre Eci e Ecs?
Eci é o módulo tangente inicial, a rigidez do concreto sob tensões baixas. Ecs é o módulo secante, menor, usado no cálculo de esforços e flechas. Nas classes de C20 a C50, o Ecs vale de 85 % a 93 % do Eci; a partir do C80, os dois são iguais.
Qual módulo usar no projeto de concreto armado?
O Ecs, para as análises elásticas, os esforços solicitantes e os estados-limite de serviço, como flechas. O Eci entra na análise global da estrutura, na fluência e nas perdas de protensão (NBR 6118, item 8.2.8).
A NBR 6118:2023 mudou a fórmula do módulo?
Não. A edição de 2023 manteve as expressões e os coeficientes de agregado de 2014. A principal mudança no item 8.2 foi o coeficiente de fragilidade ηc para concretos acima de 40 MPa, que não altera o módulo.
Por que o tipo de brita altera o módulo?
O agregado graúdo ocupa a maior parte do volume e é muito mais rígido que a pasta. Por isso a NBR 6118 multiplica o Eci por αE: 1,2 para basalto e diabásio, 1,0 para granito e gnaisse, 0,9 para calcário e 0,7 para arenito. Estudos nacionais mostram que o valor real varia por jazida.
Qual norma define o ensaio do módulo do concreto?
A ABNT NBR 8522-1:2021, para os módulos estáticos à compressão. Ela usa ciclos até 30 % de fc, velocidade de 0,45 ± 0,15 MPa/s e patamares de 60 s, com extensômetros no corpo de prova. A NBR 8522-2:2021 trata do módulo dinâmico; no exterior, a referência é a ASTM C469/C469M.
O módulo dinâmico é igual ao estático?
Não. O módulo dinâmico, medido por vibração ou ultrassom, sai de 20 % a 40 % maior que o estático, mais nos concretos de menor resistência. A NBR 8522-1 traz, no Anexo B, uma correlação para estimar o Eci a partir do dinâmico.
Por que o ensaio às vezes dá módulo menor que a norma?
A fórmula depende só do fck e do agregado, mas o módulo real também varia com a relação água/cimento, a massa específica, a jazida, a cura e a umidade. Há relatos de concretos 10 % a 17 % abaixo da estimativa, e por isso a NBR 6118 prefere o valor ensaiado.
Qual o módulo do concreto comparado ao do aço?
O concreto usual, de C20 a C50, fica entre cerca de 25 e 40 GPa de Eci com granito. O aço de armadura tem 210 GPa pela NBR 6118, de 5 a 8 vezes mais rígido.