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Ensaio de flexão: 3 e 4 pontos, como calcular a resistência à flexão e normas

O ensaio de flexão carrega uma barra apoiada em dois pontos até romper. Veja 3 e 4 pontos, as fórmulas da resistência e do módulo de flexão, a NBR 12142 e a ASTM D790.

Ensaios MecânicosPor Mardoqueu M. Costa22 min de leitura

O ensaio de flexão apoia uma barra em dois pontos e a carrega no meio (3 pontos) ou em dois pontos (4 pontos) até romper ou atingir uma deformação limite. A face de baixo é tracionada, a de cima comprimida, e a resistência à flexão é a tensão na fibra externa no instante da ruptura: σf = 3FL / (2bd²) em 3 pontos e σf = FL / (bd²) em 4 pontos com cargas nos terços. Em plásticos, a norma é a ASTM D790 ou a ISO 178; em concreto, a ABNT NBR 12142.

É o ensaio preferido para materiais frágeis, como cerâmicas, concreto, argamassa e vidro, que são difíceis de prender numa garra de tração, e é o que define o módulo de flexão que aparece em toda ficha técnica de plástico. Neste guia você encontra a diferença entre 3 e 4 pontos, as fórmulas, o corpo de prova, o passo a passo, o ensaio em cada material, valores típicos, exercícios resolvidos, as normas e como escolher a máquina.

Na foto, uma barra de plástico no ensaio de 3 pontos: apoiada em dois roletes, ela curva sob o cutelo central, e a face voltada para os apoios é a que fica tracionada.

Ensaio de flexão de plásticos pela ISO 178: barra de plástico em ensaio de flexão de 3 pontos, curvada sob o cutelo central entre dois apoios de rolete numa máquina universal de ensaios
Ensaio de flexão em 3 pontos: a barra curva sob o cutelo central

O que é o ensaio de flexão

No ensaio de flexão, um corpo de prova em forma de barra fica apoiado em dois roletes e recebe uma carga transversal de um ou dois cutelos presos à travessa da máquina universal de ensaios. A barra curva: a face do lado da carga fica comprimida, a face do lado dos apoios fica tracionada, e entre elas passa a linha neutra, onde a tensão normal é zero. Pela teoria de vigas, a tensão cresce linearmente a partir da linha neutra, σ = M·y / I, e é máxima nas faces.

A resistência à flexão é essa tensão máxima no instante da ruptura. Em materiais frágeis também se chama módulo de ruptura. As fórmulas supõem material homogêneo, isotrópico, linear-elástico e com o mesmo módulo em tração e compressão, e só valem para pequenas deflexões. É um dos ensaios mecânicos básicos, ao lado do ensaio de tração e do ensaio de compressão.

O que a máquina registra é a curva de força × deflexão no meio do vão. Pelas fórmulas da teoria de vigas, a força vira tensão na fibra externa e a deflexão vira deformação, e dessa curva saem três resultados: a resistência à flexão, no ponto de ruptura; a deformação na ruptura; e o módulo de flexão, a rigidez do material, tirado da inclinação do trecho inicial. Materiais frágeis rompem ainda no trecho reto. Muitos plásticos e os metais dúcteis não rompem: a barra só continua curvando, e o ensaio termina num limite de deformação, porque além dele as fórmulas deixam de valer.

A montagem é simples: a barra não tem cabeças nem vai para uma garra, só fica apoiada, e as forças costumam ser baixas. Por isso o ensaio serve tanto ao controle de qualidade de lotes quanto ao desenvolvimento de formulações e compósitos, à comparação e seleção de materiais e à análise de falhas de peças que trabalham fletidas, como vigas, placas e pavimentos.

Flexão em 3 pontos e em 4 pontos

Na flexão em 3 pontos, a barra fica sobre dois apoios separados pelo vão L, e um único cutelo desce no meio do vão. Cada apoio reage com metade da força, e o momento fletor cresce dos apoios até o centro, onde chega a F·L/4, exatamente sob o cutelo. É a montagem mais simples e a das normas de plásticos, ASTM D790 e ISO 178.

Na flexão em 4 pontos, dois cutelos simétricos aplicam a carga, cada um com F/2, nos terços do vão ou nos limites da metade central. Entre os dois cutelos a força cortante é zero e o momento é constante: todo esse trecho fica em flexão pura, sob a mesma tensão máxima. Os esquemas abaixo mostram as duas montagens, com a força aplicada e as reações F/2 nos apoios.

Esquema do ensaio de flexão em 3 pontos: força F no meio do vão Ls e reações F/2 nos apoios

Flexão em 3 pontos: carga no meio do vão

Esquema do ensaio de flexão em 4 pontos: duas cargas F/2 e reações F/2 nos apoios, com a seção h × w

Flexão em 4 pontos: duas cargas iguais e momento constante entre elas

A diferença que importa está no diagrama de momento fletor. O esquema abaixo compara as duas configurações: em 3 pontos o diagrama é triangular, com o pico só sob o cutelo; em 4 pontos ele é plano entre os cutelos. O esquema traz também a fórmula da tensão de flexão de cada uma, deduzida na seção de cálculo.

Esquema da flexão em 3 e em 4 pontos com o diagrama de momento fletor, triangular em 3 pontos e constante no terço central em 4 pontos, e as fórmulas da tensão de flexão
Flexão em 3 e 4 pontos: onde o momento fletor é máximo e as fórmulas

A tabela resume as diferenças que pesam na escolha entre as duas:

Aspecto3 pontos4 pontos
Cargaum cutelo no meio do vãodois cutelos simétricos (nos terços ou na metade central)
Momento fletortriangular, máximo só sob o cutelo (F·L/4)constante entre os cutelos, sem força cortante (flexão pura)
Volume sob tensão máximauma faixa estreitatodo o trecho central
Resistência medida em frágeistende a ser maiormenor e mais representativa
Onde se usaplásticos (D790, ISO 178), compósitos, controle de qualidadecerâmicas (C1161), concreto (NBR 12142), plásticos (D6272), compósitos

Por que cerâmica e concreto pedem 4 pontos. Num material frágil, a ruptura começa no maior defeito presente na região tracionada. Em 3 pontos, só uma faixa estreita sob o cutelo recebe a tensão máxima, a chance de haver ali um defeito crítico é menor, e a resistência sai superestimada. Em 4 pontos, todo o trecho entre os cutelos está sob a tensão máxima e o resultado reflete melhor os defeitos reais. A ASTM C1161, de cerâmicas, recomenda 4 pontos e avisa que a resistência em 3 pontos tende a ser muito maior.

Como calcular a resistência à flexão

Variáveis: F é a força (N), L o vão entre apoios (mm), Li o vão entre os cutelos de carga, b a largura, d a altura, D a deflexão no meio do vão e m a inclinação inicial da curva força × deflexão (N/mm). Resultado em MPa.

As fórmulas vêm da teoria de vigas. A tensão na fibra externa é o momento fletor dividido pelo módulo de resistência da seção, σ = M / W; num retângulo, W = bd² / 6. Em 3 pontos, o momento máximo é F·L/4, e σf = (FL/4) / (bd²/6) = 3FL / (2bd²). Em 4 pontos com cargas nos terços, cada cutelo aplica F/2 a L/3 do apoio mais próximo, o momento entre os cutelos é F·L/6 e σf = FL / (bd²). Pela mesma teoria, a deflexão D no meio do vão dá a deformação da fibra externa, e a inclinação m do trecho inicial da curva dá o módulo de flexão.

Não confunda módulo de flexão, que é a rigidez do material em GPa, com o módulo de resistência W, que é pura geometria da seção (mm³).

A tabela reúne as fórmulas por configuração e por norma:

GrandezaFórmulaObservação
Tensão de flexão, 3 pontosσf = 3FL / (2bd²)ASTM D790, ISO 178
Tensão de flexão, 4 pontos com cargas nos terçosσf = FL / (bd²)NBR 12142, ASTM D6272
Tensão de flexão, 4 pontos, forma geralσf = 3F(L − Li) / (2bd²)com Li = L/2: 3FL / (4bd²)
Seção circular, 3 pontosσf = 8FL / (πd³)d é o diâmetro
Deformação na fibra externaεf = 6Dd / L²ASTM D790, ISO 178
Módulo de flexão (tangente)Eb = L³m / (4bd³)ASTM D790
Módulo de flexão (corda)Ef entre 0,05 % e 0,25 % de deformaçãoISO 178
Concreto (NBR 12142)fct,f = F·ℓ / (b·d²)ruptura no terço médio
Argamassa (NBR 13279)Rf = 1,5·Ff·L / 40³prisma de 4 × 4 × 16 cm

Simulação interativa

Experimente o ensaio no navegador e acompanhe os resultados sendo calculados.

Corpo de prova do ensaio de flexão

O corpo de prova de flexão é uma barra reta, em geral de seção retangular; a seção circular também tem fórmula própria. Sem cabeças nem garras, ele é simples de fabricar, mas as dimensões não são livres: a norma de cada material fixa a seção, o comprimento e, principalmente, a relação entre o vão e a altura. Os formatos mais comuns:

  • Plásticos: barra de 127 × 12,7 × 3,2 mm na ASTM D790 e de 80 × 10 × 4 mm na ISO 178.
  • Cerâmicas: barras pequenas, de poucos milímetros de seção, como a de 4 × 3 mm da ASTM C1161 usada no exercício 4, mais adiante.
  • Concreto: prisma de 150 × 150 × 500 mm, moldado pela ABNT NBR 5738.
  • Argamassa: prisma de 4 × 4 × 16 cm, pela ABNT NBR 13279.

A relação entre vão e altura decide como a barra rompe. Com o vão longo em relação à altura, o momento fletor domina e a barra rompe por flexão, como as fórmulas supõem. Com o vão curto, a força cortante ganha peso e a barra pode romper por cisalhamento. Por isso a D790 e a ISO 178 usam vão de 16 vezes a espessura, e compósitos de alta resistência, cuja resistência ao cisalhamento entre camadas é baixa perto da resistência à flexão, pedem 32:1 ou 40:1.

A barra também precisa representar o material. Em compósitos, a orientação das fibras muda a resistência e a rigidez; em chapas e placas, a direção de retirada em relação à laminação ou ao fluxo de moldagem também, e ela vai para o relatório. Em materiais frágeis a ruptura começa num defeito da face tracionada, então riscos e rebarbas nessa face baixam o resultado: nas cerâmicas, a norma controla até o acabamento da superfície.

Ensaio de flexão passo a passo (ASTM D790 e ISO 178)

  1. Preparar o corpo de prova nas dimensões da norma, vistas na seção anterior, e condicionar os plásticos antes do ensaio.
  2. Medir b e d no meio do vão e usar os valores medidos, não os nominais.
  3. Ajustar o vão: 16 vezes a espessura (51,2 mm na barra da D790; 64 mm na da ISO), ou a relação maior que a norma de compósitos pedir.
  4. Posicionar a barra centrada nos apoios, com o cutelo no meio do vão.
  5. Carregar na velocidade da norma. Na D790, R = Z·L² / (6d), com Z = 0,01 min⁻¹ no procedimento A (1,4 mm/min na barra padrão) ou 0,10 min⁻¹ no procedimento B (13,7 mm/min), para materiais que não rompem até 5 %. Na ISO 178, 2 mm/min.
  6. Encerrar na ruptura ou, na D790, quando a fibra externa chega a 5 % de deformação, porque além disso as fórmulas deixam de valer.
  7. Calcular a resistência, a deformação e o módulo, informando a norma, o procedimento e qual módulo foi usado (tangente, secante ou corda).

ASTM D790 e ISO 178 usam o mesmo princípio, mas corpo de prova, velocidade e cálculo do módulo diferentes: os números não se comparam diretamente.

Ensaio de flexão por material

O princípio é o mesmo em todos os materiais. Mudam a norma, a configuração, o tamanho do corpo de prova e o que se procura na curva.

Plásticos

Em plásticos, a flexão em 3 pontos pela ASTM D790 ou pela ISO 178 é o ensaio que fornece o módulo de flexão das fichas técnicas, usado para comparar a rigidez de graus e formulações. Plásticos rígidos e frágeis, como o poliestireno e o acrílico, rompem ainda no trecho quase reto da curva; os dúcteis, como o polipropileno, costumam não romper, e o ensaio termina no limite de deformação da norma. O resultado depende da temperatura, da umidade e da velocidade, e por isso o corpo de prova é condicionado antes. Para 4 pontos, a norma de plásticos é a ASTM D6272.

Compósitos

Em compósitos de matriz polimérica (ASTM D7264, ISO 14125), a resistência e a rigidez na flexão dependem da orientação e da distribuição das fibras, e a ruptura pode começar na face tracionada, na comprimida ou entre as camadas, por delaminação. Por isso o vão é maior e se registra o modo de falha da barra, não só a força máxima. O ensaio serve para comparar laminados com fibras em direções diferentes e para qualificar o processo de fabricação.

Cerâmicas e vidro

Cerâmicas e vidro quase não se deformam plasticamente e rompem de uma vez, ainda no trecho reto da curva. A garra de um ensaio de tração tende a quebrá-los, e a flexão, com a barra só apoiada, contorna o problema. A ASTM C1161 usa barras pequenas e recomenda 4 pontos, pelo motivo visto em "Flexão em 3 pontos e em 4 pontos". Como cada barra tem defeitos diferentes, o resultado varia bastante de uma para outra, e o laboratório ensaia vários corpos de prova do mesmo lote.

Metais

Metais dúcteis, como o aço e o alumínio, escoam e dobram sem romper. Passado o escoamento, a tensão deixa de ser proporcional à distância da linha neutra e a fórmula elástica deixa de valer; por isso a resistência à flexão não é uma propriedade usual de aço. Em metais dúcteis, a flexão aparece como ensaio de dobramento, que verifica se a peça dobra até um ângulo sem trincar. Nos metais frágeis, como o ferro fundido cinzento, a flexão mede a resistência de ruptura como nos demais materiais frágeis.

Concreto

ABNT NBR 12142:2010. Um prisma de 150 × 150 × 500 mm, moldado pela NBR 5738, é apoiado num vão de 450 mm e carregado por duas forças nos terços, com tensão crescendo de 0,9 a 1,2 MPa/min, sem choques. A largura e a altura são medidas na seção de ruptura. Com a ruptura no terço médio, fct,f = F·ℓ / (b·d²). Se a ruptura cair fora do terço médio, a até 5 % de ℓ dele, usa-se fct,f = 3·F·a / (b·d²), em que a é a distância da ruptura ao apoio mais próximo; mais longe que isso, o ensaio é descartado. É a resistência que se usa na dosagem de pavimentos de concreto.

Na foto, um prisma de concreto depois da ruptura no ensaio de 4 pontos: a trinca abriu entre os dois cutelos, no terço médio, onde o momento é máximo e constante e onde a norma espera a ruptura.

Prisma de concreto em ensaio de flexão de 4 pontos com trinca vertical no terço central entre os dois cutelos de carga
Tração na flexão de concreto (NBR 12142): a trinca abre no terço central

A resistência à tração na flexão é maior que a tração direta do mesmo concreto. A NBR 6118 relaciona as duas por fct = 0,7·fct,f e, na falta de ensaio, estima a tração direta média por fct,m = 0,3·fck2/3. Combinando as duas relações, a tração na flexão estimada fica em cerca de 3,7 MPa para um C25, 4,1 MPa para um C30, 5,0 MPa para um C40 e 5,8 MPa para um C50.

Argamassa

ABNT NBR 13279:2005. O prisma de 4 × 4 × 16 cm é carregado no centro, em 3 pontos, a (50 ± 10) N/s: Rf = 1,5·Ff·L / 40³. As duas metades que sobram vão depois para o ensaio de compressão.

Resistência à flexão dos materiais: valores típicos

A tabela reúne valores típicos de resistência e de módulo de flexão. Eles servem para prever a força do ensaio e conferir se um resultado está na ordem de grandeza esperada, não para substituir a ficha técnica do material ensaiado.

MaterialResistência à flexão (MPa)Módulo de flexão (GPa)
Polipropileno (PP)401,5
Poliestireno (PS)702,5
PET801
Náilon 6 (PA6)852,3
Policarbonato (PC)902,3
Acrílico (PMMA)1003
Acetal com 30 % de fibra de vidro1507,5
Vidro sodocálcico69
Alumina (Al₂O₃)275 a 700
Carbeto de silício (SiC)100 a 820
Nitreto de silício (Si₃N₄)250 a 1.000
Concreto C30 (estimado pela NBR 6118)≈ 4,1

Fontes: MatWeb (plásticos, valores médios típicos) e Callister e Rethwisch, Tabela 12.5 (cerâmicas). Em plásticos, o valor varia com o grau, a umidade (a poliamida absorve água e perde rigidez) e a norma; nas cerâmicas, as faixas largas refletem o processamento e a porosidade.

Exercícios resolvidos de flexão

1. Policarbonato, ASTM D790. Barra de 127 × 12,7 × 3,2 mm, vão de 16 × 3,2 = 51,2 mm, força máxima de 150 N, inclinação inicial de 28,5 N/mm. Tensão: σf = 3 × 150 × 51,2 / (2 × 12,7 × 3,2²) = 88,6 MPa. Módulo: Eb = 51,2³ × 28,5 / (4 × 12,7 × 3,2³) ≈ 2,3 GPa. A deformação de 5 % corresponde a uma deflexão de 6,83 mm, e a velocidade do procedimento A é de 1,37 mm/min.

2. Concreto, NBR 12142. Prisma de 150 × 150 mm, vão de 450 mm, força máxima de 33,75 kN com ruptura no terço médio: fct,f = 33.750 × 450 / (150 × 150²) = 4,5 MPa. A tração direta estimada é 0,7 × 4,5 = 3,15 MPa.

3. Argamassa, NBR 13279. Prisma de 40 × 40 × 160 mm, força de 1.200 N, vão de 100 mm: Rf = 1,5 × 1.200 × 100 / 40³ = 2,81 MPa.

4. Alumina, ASTM C1161, 3 × 4 pontos. Barra de 4 × 3 mm, vão de 40 mm, vão entre cutelos de 20 mm, força de 400 N. Em 4 pontos: σ = 3 × 400 × (40 − 20) / (2 × 4 × 3²) = 333 MPa. Com a mesma força em 3 pontos: σ = 3 × 400 × 40 / 72 = 667 MPa. Com a mesma força, o momento em 3 pontos é o dobro.

5. Barra redonda, 3 pontos. Barra de polímero com 10 mm de diâmetro, vão de 100 mm, força de 150 N: σ = 8 × 150 × 100 / (π × 10³) = 38,2 MPa.

Normas do ensaio de flexão

A norma depende do material e, em plásticos e compósitos, também da configuração escolhida. A tabela reúne as mais usadas, com a configuração e a edição vigente:

NormaAplicaçãoConfiguraçãoEdição
ASTM D790plásticos com e sem reforço3 pontos, vão 16:1D790-25
ASTM D6272plásticos4 pontosD6272-25
ISO 178plásticos3 pontos, vão 16:12019
ASTM C1161cerâmicas avançadas3 e 4 pontos (recomenda 4)C1161-18 (reaprovada em 2023)
ASTM D7264compósitos de matriz polimérica3 e 4 pontos, vão 32:1D7264-26
ISO 14125compósitos de fibra3 e 4 pontos1998 (emenda de 2011)
ABNT NBR 12142concreto, tração na flexão4 pontos, cargas nos terços2010 (confirmada em 2024)
ABNT NBR 13279argamassa3 pontos2005
ABNT NBR 7190-3madeiraflexão estática2022

A ASTM D3039, que aparece nas buscas junto com flexão, é de tração de compósitos, não de flexão. As normas de dobramento (ASTM E290, ISO 7438, NBR 6153) também ficam fora da tabela: o dobramento, visto em "Metais", dá um resultado de aprovado ou reprovado, não uma resistência. A fadiga por flexão rotativa, que mede a vida sob carga cíclica, está em ensaio de fadiga.

Erros comuns no ensaio de flexão

  1. Vão errado. Usar um vão fixo em vez de 16 vezes a espessura medida muda o resultado.
  2. Vão curto demais. O cisalhamento domina e a barra rompe por cisalhamento, não por flexão. A ruptura intencional por cisalhamento é outro ensaio, o de viga curta, explicado em ensaio de cisalhamento.
  3. Grandes deflexões. As fórmulas supõem pequenos ângulos; por isso a D790 para a 5 % de deformação.
  4. Indentação sob o cutelo em plásticos macios e espumas: o deslocamento da travessa superestima a deflexão e subestima o módulo. Use um deflectômetro sob a barra.
  5. Módulo pela travessa sem compensar a flexibilidade do sistema.
  6. Comparar 3 e 4 pontos, ou D790 com ISO 178. Informe sempre a norma e o procedimento.
  7. No concreto, ignorar onde a ruptura ocorreu. Fora do terço médio muda a fórmula; longe demais, o ensaio é descartado.
  8. Achar que em 3 pontos o momento é constante. Ele é triangular; o trecho constante só existe em 4 pontos.

Máquina para ensaio de flexão

Na máquina universal, o ensaio usa um dispositivo de flexão com dois apoios de rolete de vão ajustável e um ou dois cutelos presos à travessa. A célula de carga mede a força, um deflectômetro ou o deslocamento corrigido mede a deflexão, e o software converte força × deflexão em tensão × deformação e calcula o módulo. A linha de máquinas universais da Biopdi faz flexão em 3 e 4 pontos, com dispositivos de flexão de 10 kN, 50 kN e 300 kN. O painel abaixo mostra a máquina, o papel de cada parte no ensaio de flexão e os dispositivos usados.

A máquina universal no ensaio de flexão

A linha M2 tem modelos de coluna simples, de 200 N a 10 kN, e de coluna dupla, de 5 kN a 1.000 kN. Cada parte da máquina tem uma função no ensaio:

Máquinas universais de ensaios M2 da Biopdi de coluna simples (MBIOI-10-M2, 10 kN) e coluna dupla (MBIOII-50-M2, 50 kN)
  1. Travessa móvel desce o cutelo na velocidade da norma
  2. Célula de carga pequena, para forças baixas
  3. Dispositivo de flexão 3 ou 4 pontos, vão ajustável
  4. Deflectômetro mede a deflexão no meio do vão
  5. Software BioLab resistência e módulo de flexão
  6. Painel e emergência posiciona e para o ensaio

Dispositivos para o ensaio de flexão

Os dispositivos abaixo são montados na mesma máquina, conforme o corpo de prova e a norma:

Dispositivo de flexão Biopdi
Dispositivo de flexão3 e 4 pontos; 10, 50 e 300 kN
Deflectômetro eletrônico Biopdi
Deflectômetromedição eletrônica da deflexão

A regra é dimensionar a célula de carga à força esperada, porque muitas amostras de flexão rompem com pouca força: uma barra de PP pela ISO 178 rompe perto de 67 N, uma de policarbonato pela D790 perto de 150 N, uma barra de alumina perto de 360 N, um prisma de argamassa perto de 1,3 kN e um prisma de concreto de 150 mm perto de 45 kN. A tabela abaixo indica o modelo por faixa de força:

AplicaçãoForça típicaModelo Biopdi
Plásticos (D790, ISO 178), cerâmicas pequenas, argamassadezenas de N a 2 kNMBIOI-10-M2 (2 a 10 kN)
Compósitos, madeira, prismas de concretoaté cerca de 50 kNMBIOII-50-M2 (5 a 50 kN)
Vigas e peças maiorescentenas de kNMBIOII-300-M2 ou prensa

Vídeo de ensaio de flexão

Ensaio de flexão numa máquina universal de ensaios Biopdi.

Outros ensaios e referências técnicas

Referências técnicas relacionadas

Perguntas frequentes

O que é um ensaio de flexão?

É o ensaio em que uma barra apoiada em dois pontos recebe uma carga transversal até romper ou atingir uma deformação limite. Mede a resistência à flexão e o módulo de flexão. É o preferido para materiais frágeis, como cerâmica, concreto e vidro.

O que é um ensaio de flexão a 3 pontos?

A barra fica sobre dois apoios e a carga vem de um cutelo no meio do vão. O momento fletor é máximo sob o cutelo, e a resistência à flexão vale σf = 3FL / (2bd²), pela ASTM D790 ou pela ISO 178.

Qual a diferença entre flexão em 3 e em 4 pontos?

Em 4 pontos, o momento é constante entre os dois cutelos, sem força cortante, e uma região maior fica sob a tensão máxima. Por isso, em materiais frágeis, a resistência medida em 4 pontos é menor e mais realista, e as normas de cerâmica e de concreto usam 4 pontos.

Qual é a teoria da flexão?

É a teoria de vigas de Euler-Bernoulli: as seções planas continuam planas, a tensão varia linearmente a partir da linha neutra e vale σ = M·y / I, máxima nas faces. Ela supõe material homogêneo, isotrópico e linear-elástico, e pequenas deflexões.

Qual é a norma para o ensaio de tração na flexão?

No concreto, a ABNT NBR 12142:2010, com prismas carregados nos terços do vão: fct,f = F·ℓ / (b·d²). Na argamassa, a ABNT NBR 13279:2005, com prismas de 4 × 4 × 16 cm.

O que é resistência à flexão?

É a tensão máxima na fibra externa da barra no instante da ruptura, calculada pela fórmula de flexão. Em materiais frágeis também se chama módulo de ruptura. No policarbonato fica em torno de 90 MPa; no concreto C30, em torno de 4 MPa.

O que é o módulo de resistência à flexão?

É uma grandeza geométrica da seção, W = I / c, que vale bd² / 6 num retângulo, com σ = M / W. Não confunda com o módulo de flexão, que é a rigidez do material em GPa.

O que é a tensão normal de flexão?

É a tensão de tração ou compressão causada pelo momento fletor, σ = M·y / I. É zero na linha neutra e máxima nas faces: tração na face convexa e compressão na côncava.

Como calcular o módulo de flexão?

Na ASTM D790, pela inclinação inicial m da curva força × deflexão: Eb = L³m / (4bd³). Na ISO 178, pela corda entre 0,05 % e 0,25 % de deformação. Uma barra de policarbonato dá cerca de 2,3 GPa.

Qual o vão do ensaio ASTM D790?

Dezesseis vezes a espessura da barra: 51,2 mm na barra padrão de 3,2 mm. Em compósitos de alta resistência, usa-se 32:1 ou 40:1 para evitar ruptura por cisalhamento.

Flexão é o mesmo que dobramento?

Não. O ensaio de flexão é quantitativo e dá a resistência em MPa. O dobramento é qualitativo: dobra-se a peça até um ângulo e verifica-se se aparecem trincas, para avaliar a ductilidade.

Qual a resistência à flexão do concreto?

Tipicamente de 4 a 6 MPa para concretos de fck 30 a 50 MPa. Pela NBR 6118, a tração direta é 0,7 vez a tração na flexão, e a tração média pode ser estimada por 0,3·fck^(2/3).

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