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Ensaio de compressão: o que é, como calcular, concreto (NBR 5739 e fck) e normas

O ensaio de compressão encurta um corpo de prova até romper ou escoar. Veja como calcular a resistência à compressão, a NBR 5739, o fck do concreto e as normas.

Ensaios MecânicosPor Mardoqueu M. Costa25 min de leitura

O ensaio de compressão aplica uma força axial crescente para encurtar um corpo de prova e medir sua resistência e deformação. A resistência à compressão é a força máxima dividida pela área inicial da seção, σ = F / A0, em MPa. No concreto, pela ABNT NBR 5739:2018, fc = 4F / (πD²): um cilindro de 10 × 20 cm que rompe com 236 kN tem 30,0 MPa.

É o ensaio que aprova o concreto de uma obra, mede o escoamento de metais em compressão e qualifica plásticos, espumas, madeira, molas e embalagens. Neste guia estão o que o ensaio mede, o corpo de prova, a curva de cada tipo de material, as fórmulas, o passo a passo da NBR 5739, o que é o fck e como calculá-lo, o ensaio em outros materiais, exercícios resolvidos, as normas e como escolher a máquina.

Na foto, um cilindro de concreto rompido entre os pratos da prensa: as trincas inclinadas formam cones, a forma típica de ruptura do concreto nesse ensaio.

Ensaio de compressão axial e resistência à compressão do concreto: corpo de prova cilíndrico de concreto rompido entre os pratos de uma prensa de compressão, com trincas inclinadas formando cones
Corpo de prova de concreto rompido no ensaio de compressão: trincas inclinadas formando cones

O que é o ensaio de compressão

No ensaio de compressão, o corpo de prova fica entre dois pratos paralelos, e a máquina os aproxima com velocidade controlada. Força e encurtamento são registrados até a ruptura ou até um limite de deformação definido pela norma. É o oposto do ensaio de tração, que traciona o corpo de prova, e faz parte dos ensaios mecânicos básicos.

Dos registros de força e encurtamento saem as propriedades mecânicas do material em compressão:

  • Resistência à compressão: a maior tensão que o material suporta antes de romper, ou seja, a força máxima dividida pela área inicial, em MPa. Por ser tensão, e não força, ela permite comparar corpos de prova de tamanhos diferentes.
  • Limite de escoamento em compressão: a tensão em que começa a deformação permanente. É o valor que se relata nos metais dúcteis.
  • Módulo de elasticidade: a inclinação do trecho inicial reto da curva. Mede a rigidez: quanto maior o módulo, menos o material encurta sob a mesma tensão.
  • Deformação elástica e plástica: a elástica desaparece quando a carga é retirada; a plástica fica. A curva mostra onde termina uma e começa a outra.
  • Modo de falha: se o corpo de prova rompe em cones, num plano inclinado, em estilhaços, ou se apenas se achata. No concreto, o tipo de ruptura faz parte do resultado e aponta defeitos de preparo.

Com esses valores se dimensionam pilares, fundações e peças comprimidas, se escolhe entre materiais, se controla a qualidade de lotes e se acompanha o desenvolvimento de novas composições. O ensaio também mede como a temperatura, a umidade ou o envelhecimento mudam a resistência, e serve para validar modelos numéricos, como os de elementos finitos, comparando a curva medida com a calculada. É um ensaio destrutivo: o corpo de prova sai rompido ou amassado, e por isso é retirado de uma amostra representativa do lote.

A resistência à compressão só faz sentido para materiais que rompem com um pico claro de força, como concreto, ferro fundido e cerâmicas, que são frágeis. Metais dúcteis não rompem em compressão: achatam e embarrilam, isto é, encurtam e se alargam no meio, em forma de barril. Neles, a ASTM E9 manda relatar o escoamento em compressão ou a tensão numa deformação especificada, porque a "resistência" dependeria só de quanto se amassou o corpo de prova. Os dois esquemas abaixo mostram essa diferença: à esquerda, o corpo de prova que encurta e se alarga, com as alturas e os diâmetros inicial e final; à direita, o material frágil que rompe num plano inclinado entre os pratos.

Esquema do ensaio de compressão com a força aplicada pelos pratos e o corpo de prova original e embarrilado, com diâmetros e alturas inicial e final

Esquema do ensaio de compressão: o corpo de prova encurta e se alarga

Esquema do ensaio de compressão de material frágil: o corpo de prova rompe num plano inclinado entre os pratos

Compressão de material frágil: fratura em plano inclinado

Corpo de prova para ensaio de compressão

O corpo de prova é uma amostra com forma e dimensões fixadas pela norma do material, para que laboratórios diferentes cheguem a resultados comparáveis. O cilindro é o formato mais comum; plásticos, madeira e espumas também usam prismas e cubos. Três cuidados valem para todos:

  • Relação altura/diâmetro (h/d). Um corpo de prova alto e esbelto tende a flambar, isto é, a se curvar para o lado antes de romper por compressão. Um corpo de prova muito curto sofre mais o atrito com os pratos, que impede as faces de se expandirem, e rompe com força maior do que o material de fato suporta. Por isso cada norma fixa o h/d: no concreto ele é 2, e corpos de prova mais curtos têm a força corrigida.
  • Faces planas, paralelas e perpendiculares ao eixo. Sem isso, a carga se concentra num lado e o corpo de prova rompe antes da hora. As faces são usinadas ou retificadas; no concreto também se usa o capeamento, uma camada fina que regulariza a face, ou um apoio não aderente de neoprene.
  • Dimensões medidas, não nominais. A área que entra no cálculo vem do diâmetro ou dos lados medidos no próprio corpo de prova.

O corpo de prova não pode ter trincas, vazios ou rebarbas, e é identificado com o material, o lote e a idade ou a condição de ensaio. As dimensões de cada norma estão nas seções sobre o concreto e sobre os outros materiais, mais adiante.

Curva tensão-deformação em compressão

Durante o ensaio, o software divide a força pela área inicial e o encurtamento pela altura inicial e traça a curva tensão-deformação. Cada classe de material dá uma curva de forma diferente, e é essa forma que decide o que se relata no ensaio. O gráfico abaixo compara três casos: o metal dúctil, cuja curva sobe sem pico porque ele se achata sem romper; o concreto, frágil, que chega a um pico e cai quando rompe; e a espuma rígida, que depois do trecho elástico forma um platô enquanto as células colapsam.

Curvas tensão-deformação em compressão de um metal dúctil que sobe sem pico, de um concreto com pico e queda e de uma espuma rígida com platô
Curva tensão-deformação em compressão: metal dúctil, material frágil e espuma

No metal, o trecho inicial é reto, como na tração, e o escoamento é lido pelo método do offset de 0,2 %, explicado em "Como calcular", logo a seguir. No concreto e nos outros materiais frágeis, o valor que interessa é o pico. Na espuma, que muitas vezes não tem pico, relata-se a tensão numa deformação fixa. A tabela resume, material por material, como ele deforma e falha, o que se relata e a norma:

MaterialComo deforma e falhaO que se relataNorma
Metais dúcteis (aço, alumínio, cobre)embarrila, não rompeescoamento a 0,2 %, módulo, curvaASTM E9
Ferro fundido cinzentofratura por cisalhamento em plano inclinadoresistência máximaASTM E9
Concretocones e cisalhamento (tipos A a G)fc e fck do loteABNT NBR 5739
Cerâmicas técnicasestilhaçamentoresistência máximaASTM C773 (cerâmica branca, whiteware)
Plásticos rígidosescoamento ou esmagamentoresistência, escoamento e móduloASTM D695, ISO 604
Espumas rígidascolapso das célulastensão a 10 % de deformaçãoISO 844, ASTM D1621
Madeiraesmagamento das fibrasfc0 paralela às fibras, a 12 % de umidadeABNT NBR 7190-3

Por que o metal embarrila. O atrito com os pratos impede as faces de se expandirem, enquanto o meio do corpo de prova se alarga livremente. O efeito aumenta a força aparente; reduz-se com lubrificante nas faces (teflon ou parafina) e com a relação altura/diâmetro da norma. A foto abaixo mostra o resultado num cilindro de alumínio: à esquerda, o corpo de prova original; à direita, o mesmo depois da compressão, mais baixo, mais largo no meio e sem nenhuma trinca.

Ensaio de compressão simples: dois cilindros de alumínio: à esquerda o corpo de prova original, à direita o mesmo após compressão, mais baixo e embarrilado
Metal dúctil não rompe em compressão: ele encurta e embarrila

Por que o frágil rompe inclinado. Na compressão uniaxial, a tensão de cisalhamento máxima atua em planos a cerca de 45° do eixo. O atrito com os pratos altera esse ângulo, e no concreto gera os cones característicos.

Por que concreto e ferro fundido resistem mais à compressão do que à tração. Microfissuras e flocos de grafita abrem trincas quando tracionados e tendem a se fechar quando comprimidos. O ferro fundido cinzento classe 30 tem cerca de 752 MPa em compressão contra 207 MPa em tração; a alumina, cerca de 2.100 MPa em compressão contra 345 MPa em flexão; um concreto de 30 MPa de resistência à compressão tem tração média de apenas 2,9 MPa pela NBR 6118, perto de 10 % disso.

Como calcular a resistência à compressão

O cálculo segue a lógica da tração: tensão é a força dividida pela área inicial, e deformação é o encurtamento dividido pela altura inicial. O módulo de elasticidade exige medir o encurtamento no próprio corpo de prova, com um compressômetro, que é o extensômetro montado para compressão; o deslocamento dos pratos soma a deformação da máquina e daria um módulo menor que o real. A tabela reúne as fórmulas:

GrandezaFórmulaUnidade e observação
Tensão de compressãoσ = F / A0MPa (N/mm²); A0 é a área inicial
Resistência do cilindro de concretofc = 4F / (π·D²)MPa, com 3 algarismos significativos (NBR 5739)
Deformaçãoε = ΔL / L0encurtamento sobre a altura inicial
Módulo de elasticidade em compressãoE = Δσ / Δε no trecho linearGPa; exige compressômetro ou extensômetro
Escoamento em compressão (metais)offset de 0,2 %, como na traçãoMPa (ASTM E9)

O escoamento pelo offset se lê traçando uma reta paralela ao trecho reto da curva, deslocada 0,2 % no eixo da deformação: onde ela cruza a curva está o limite de escoamento. As fórmulas do fck, que tratam o conjunto de resultados de um lote de concreto, estão na seção sobre o fck, mais adiante.

Exemplo. Um corpo de prova de concreto com diâmetro médio de 100,2 mm rompeu com 248,6 kN aos 28 dias. A área é π × 100,2² / 4 = 7.885 mm², então fc = 248.600 / 7.885 = 31,5 MPa.

Ensaio de compressão do concreto: NBR 5739 passo a passo

A ABNT NBR 5739:2018 é a norma do ensaio de corpos de prova cilíndricos de concreto moldados conforme a NBR 5738, e de testemunhos, que são cilindros extraídos da estrutura pronta conforme a NBR 7680-1. Na obra, os corpos de prova são moldados com o concreto entregue, curados e rompidos numa idade definida, e cada resultado entra no controle do lote, tratado na seção sobre o fck. Esse controle trabalha com exemplares: pela NBR 12655, cada exemplar reúne dois corpos de prova da mesma amassada, rompidos na mesma idade, e vale o maior dos dois resultados.

  1. Corpo de prova. Cilindro de 10 × 20 cm ou 15 × 30 cm, moldado pela NBR 5738. A relação altura/diâmetro nunca pode passar de 2,06; abaixo de 1,94, a força é corrigida (tabela logo após os passos).
  2. Cura. Úmida ou saturada até a idade de ensaio: em câmara úmida a 23 ± 2 °C com umidade acima de 95 %, ou em solução saturada de hidróxido de cálcio, depois de pelo menos 24 h nos moldes.
  3. Preparo das bases. Retificação, capeamento ou dispositivo não aderente (neoprene). Bases mal preparadas causam as rupturas F e G.
  4. Dimensões. Paquímetro com resolução de 0,1 mm; diâmetro pela média de duas medidas ortogonais a meia altura.
  5. Idade. A referência é 28 dias, com tolerância de ± 24 h. Também se rompe com 24 h (± 0,5 h), 3 dias (± 2 h), 7 dias (± 6 h), 63 dias (± 36 h) e 91 dias (± 48 h).
  6. Máquina. Calibrada pela ABNT NBR ISO 7500-1 a cada 12 meses, no máximo, com escala tal que a ruptura caia no intervalo calibrado. O corpo de prova é centrado no prato.
  7. Carregamento. Contínuo e sem choques, a 0,45 ± 0,15 MPa/s, o que dá cerca de 3,5 kN/s no 10 × 20 e 8,0 kN/s no 15 × 30. Só se para quando a queda de força indica a ruptura.
  8. Cálculo. fc = 4F / (πD²), em MPa, com três algarismos significativos.
  9. Tipo de ruptura. Registrar o tipo, de A a G.

A correção compensa o efeito descrito na seção sobre o corpo de prova: o cilindro mais curto rompe com força maior. O fator reduz a força medida à que um cilindro com h/d = 2 teria dado:

h/d2,001,751,501,251,00
Fator de correção da força (NBR 5739, Tabela 2)1,000,980,960,930,86

Tipos de ruptura (Anexo A da NBR 5739). A: cônica, e cônica afastada 25 mm do capeamento. B: cônica e bipartida, ou cônica com mais de uma partição. C: colunar com formação de cones. D: cônica e cisalhada. E: cisalhada. F: fraturas no topo ou na base, abaixo do capeamento. G: semelhante à F, com fraturas perto do topo. Quando os corpos de prova de um mesmo exemplar dispersam muito, a ruptura costuma ser F ou G, sinal de defeito de moldagem ou de preparo das bases.

Nos Estados Unidos vale a ASTM C39, com carregamento de 0,25 ± 0,05 MPa/s, cerca de metade do brasileiro. Resultados feitos pelas duas normas não se comparam sem cuidado.

fck: o que é, fórmula e o que significa fck 30 MPa

Três siglas se confundem. fc é o resultado de um corpo de prova. fcm é a média dos resultados. fck é a resistência característica: o valor com 95 % de probabilidade de ser superado, aos 28 dias. A diferença entre a média e o fck depende de quanto os resultados variam, medido pelo desvio-padrão sd; o 1,65 das fórmulas é o quantil de 5 % da distribuição normal.

  • Na dosagem (NBR 12655): fcm = fck + 1,65·sd. Sem histórico, o desvio-padrão é adotado pela condição de preparo: 4,0 MPa (A), 5,5 MPa (B) ou 7,0 MPa (C). Para fck 30 MPa, a média-alvo é 36,6, 39,1 ou 41,6 MPa.
  • No controle do lote (20 ou mais exemplares): fck,est = fcm − 1,65·sd. O lote é aceito se fck,est ≥ fck.
  • fck 30 MPa quer dizer que o concreto foi especificado para que, no máximo, 5 % dos resultados aos 28 dias fiquem abaixo de 30 MPa.

O gráfico abaixo mostra essa distribuição num concreto de fck 30 MPa dosado na condição A: os resultados se distribuem em torno da média de 36,6 MPa, e só a cauda de 5 % fica abaixo de 30 MPa.

Distribuição normal dos resultados de resistência do concreto com fck de 30 MPa, média de 36,6 MPa e 5 % dos resultados abaixo do fck
O que significa fck 30 MPa: no máximo 5 % dos resultados abaixo de 30 MPa

O erro mais comum é comparar a média com o fck. Um lote de 24 exemplares com média de 34,0 MPa e desvio de 2,5 MPa tem fck,est = 34,0 − 1,65 × 2,5 = 29,9 MPa: não atende a um fck de 30 MPa, embora a média esteja 4 MPa acima. O fck também dá nome às classes de resistência: pela NBR 8953, o número depois do C é o fck em MPa, e as classes do grupo I vão de C10 a C50. O C20 é o mínimo para concreto armado e o C25 para protendido, pela NBR 6118. Teste os números na calculadora abaixo.

Simulação interativa

Experimente o ensaio no navegador e acompanhe os resultados sendo calculados.

Ensaio de compressão em metais, plásticos, cerâmicas e outros materiais

Fora do concreto, a norma, o corpo de prova e o que se relata mudam conforme o material.

Metais (ASTM E9). O ensaio é usado em aço estrutural, alumínio e ligas de titânio, entre outros. A norma prevê corpos de prova cilíndricos curtos, médios e longos; para medir a resistência de materiais de alta resistência, as melhores relações comprimento/diâmetro são 1,5 e 2,0. Os riscos são a flambagem, em corpo de prova esbelto ou desalinhado, e o embarrilamento. O prato superior com assento esférico, que se inclina para acompanhar a face do corpo de prova, compensa pequenas faltas de paralelismo. Aço estrutural tem escoamento em compressão praticamente igual ao de tração, de 250 a 500 MPa nos aços comuns.

Plásticos (ASTM D695 e ISO 604). A D695 usa prisma de 12,7 × 12,7 × 25,4 mm ou cilindro de 12,7 × 25,4 mm, a 1,3 mm/min; a ISO 604 usa 10 × 10 × 4 mm. As duas não dão números comparáveis, porque geometria e velocidade são diferentes. Como na tração, o resultado dos plásticos depende da temperatura e da umidade, e o corpo de prova é condicionado antes do ensaio.

Cerâmicas. Alumina, nitreto de silício e outras cerâmicas técnicas rompem de uma vez, estilhaçando, sem deformação plástica, e relata-se a resistência máxima. Como qualquer desalinhamento concentra tensão num material que não escoa para aliviá-la, o paralelismo das faces é crítico. Nas cerâmicas porosas, usadas em filtros e suportes de catalisadores, a resistência cai à medida que a porosidade aumenta.

Compósitos. Em compósitos de fibra de carbono ou de vidro, a resistência à compressão depende da direção das fibras, por isso o ensaio é feito nas direções que interessam ao projeto. Corpos de prova finos tendem a flambar, e o resultado também muda com a temperatura e a umidade.

Espumas rígidas (ISO 844, ASTM D1621 e EN ISO 29469, que substituiu a EN 826). Como muitas não têm pico, a norma manda relatar a tensão a 10 % de deformação. Isolamento de EPS fica na faixa de 100 a 500 kPa, conforme a densidade.

Madeira (ABNT NBR 7190-3). A resistência paralela às fibras é medida a 12 % de umidade; nas espécies usadas em estrutura, fica tipicamente entre 30 e 70 MPa.

Componentes. Molas, embalagens, papelão ondulado e tubos plásticos também são ensaiados em compressão, com pratos, medindo força a um deslocamento definido. O papelão e a caixa têm ensaios próprios (ECT, FCT, RCT e BCT), reunidos no artigo sobre o ensaio de esmagamento; espumas flexíveis de colchão e assento se avaliam pela força de indentação, no ensaio de indentação de espuma.

Compressão simples e ensaio triaxial de solos são outra família de ensaio, com normas próprias; veja ensaio triaxial.

Compressão axial e compressão diametral

Na compressão axial, o cilindro fica em pé e mede-se a resistência à compressão (NBR 5739). Na compressão diametral, o "ensaio brasileiro" da ABNT NBR 7222:2011, o cilindro é deitado e a carga ao longo da geratriz provoca tração no plano diametral: fct,sp = 2F / (π·d·L), a 0,05 ± 0,02 MPa/s. Um 10 × 20 de concreto C30 que rompe deitado com 100 kN tem 3,18 MPa de tração indireta; em pé, precisaria de 236 kN para chegar a 30 MPa.

Exercícios resolvidos de compressão

1. Testemunho com h/d baixo. Um testemunho de 100 mm de diâmetro e 175 mm de altura (h/d = 1,75) rompeu com 200 kN. Como h/d < 1,94, a força é multiplicada por 0,98: 196,0 kN. fc = 4 × 196.000 / (π × 100²) = 25,0 MPa. Sem a correção, daria 25,5 MPa.

2. Dosagem. Para fck = 30 MPa na condição B (sd = 5,5 MPa): fcm = 30 + 1,65 × 5,5 = 39,1 MPa.

3. Metal, ASTM E9. Corpo de prova de aço de 12,7 × 25,4 mm (A0 = 126,7 mm²). No trecho linear, a força passou de 5 kN a 25 kN enquanto o compressômetro leu de 0,000197 a 0,000986 de deformação. Tensões: 39,5 e 197,3 MPa. E = (197,3 − 39,5) / (0,000986 − 0,000197) ≈ 200 GPa. O escoamento a 0,2 % ocorreu a 40,0 kN: σe = 40.000 / 126,7 = 316 MPa. Continuando o ensaio, o corpo de prova embarrila e a força sobe sem pico.

4. Capacidade da prensa. Um laboratório rompe cilindros 15 × 30 de até C40, com média de dosagem de 46,6 MPa. A força esperada é 46,6 × 17.671 mm² = 823 kN. Uma prensa de 600 kN não serve; a de 1.000 kN serve. No 10 × 20 da mesma classe, a força é 366 kN, e 600 kN atendem com folga.

Erros comuns no ensaio de compressão

  1. Citar a NBR 5739 antiga. A vigente é a de 2018.
  2. Bases não paralelas ou mal preparadas. Concentram tensão e produzem rupturas F e G.
  3. Corpo de prova fora de centro. Gera flexão e reduz o resultado.
  4. Velocidade errada. Carregar rápido demais superestima a resistência.
  5. Esquecer a correção h/d abaixo de 1,94, ou ensaiar acima de 2,06.
  6. Idade fora da tolerância (28 dias ± 24 h).
  7. Confundir fc, fcm e fck. Comparar a média com o fck aceita lotes que não atendem.
  8. Confundir slump com resistência. "Slump 12 ± 2" é o abatimento do concreto fresco, de 100 a 140 mm: mede consistência, não resistência.
  9. Relatar "resistência à ruptura" de metal dúctil. Não existe: relata-se o escoamento.
  10. Medir o módulo pelo deslocamento dos pratos. Inclui a deformação da máquina e subestima o módulo.

Normas do ensaio de compressão

A norma depende do material e, no concreto, também da etapa: moldagem, ensaio, controle do lote e classificação têm normas próprias. A tabela reúne as mais usadas:

NormaAplicaçãoEdição
ABNT NBR 5739concreto, corpos de prova cilíndricos2018
ABNT NBR 5738moldagem e cura dos corpos de prova2015
ABNT NBR 12655preparo, controle e aceitação do concreto (fck)2022
ABNT NBR 8953classes de resistência do concreto2015
ABNT NBR 7680-1testemunhos extraídos da estrutura2015
ABNT NBR 7222tração por compressão diametral2011
ASTM C39/C39Mconcreto (EUA)
ASTM E9metaisE9-19 (reaprovada em 2025)
ASTM D695 e ISO 604plásticos rígidosISO 604:2002
ISO 844, ASTM D1621, EN ISO 29469espumas rígidas (a EN ISO 29469:2022 substituiu a EN 826, retirada)ISO 844:2026
ABNT NBR 7190-3madeira2022
ABNT NBR ISO 7500-1calibração da máquina2023

Máquina para ensaio de compressão: prensa ou máquina universal

A prensa de compressão é dedicada: alta capacidade e só compressão, ideal para rotina de concreto. A máquina universal de ensaios com pratos de compressão faz também tração, flexão e cisalhamento, com controle de velocidade e extensometria, e é a escolha de quem também ensaia aço, plásticos ou madeira.

Nos dois casos, as partes são as mesmas: uma estrutura rígida, que não pode deformar junto com o corpo de prova; o sistema que aproxima os pratos com velocidade controlada; a célula de carga, que mede a força; a medição da deformação, por compressômetro no corpo de prova ou pelo deslocamento da travessa corrigido; e o software, que controla o ensaio, traça a curva e emite o relatório. A máquina universal da Biopdi é eletromecânica: um motor aciona os fusos que movem a travessa.

A capacidade tem de cobrir a média real do lote com folga, e não só o fck, e o tamanho do corpo de prova pesa tanto quanto a classe: o 10 × 20 exige cerca de 44 % da força do 15 × 30 para a mesma resistência. O gráfico abaixo mostra a força que rompe os dois cilindros em cada classe, de C20 a C50, comparada às capacidades de 300, 600 e 1.000 kN.

Gráfico de barras da força de ruptura de corpos de prova de concreto 10 × 20 e 15 × 30 cm por classe, de C20 a C50, com as capacidades de 300, 600 e 1.000 kN
Força que rompe o corpo de prova de concreto, por classe e tamanho

O painel abaixo mostra a máquina universal, o papel de cada parte no ensaio de compressão e os pratos usados.

A máquina universal no ensaio de compressão

A linha M2 tem modelos de coluna simples, de 200 N a 10 kN, e de coluna dupla, de 5 kN a 1.000 kN. Cada parte da máquina tem uma função no ensaio:

Máquinas universais de ensaios M2 da Biopdi de coluna simples (MBIOI-10-M2, 10 kN) e coluna dupla (MBIOII-50-M2, 50 kN)
  1. Travessa móvel aproxima os pratos na taxa da norma
  2. Célula de carga mede a força, classe 1
  3. Pratos de compressão planos, com assento esférico no concreto
  4. Deformação extensômetro ou travessa corrigida
  5. Software BioLab resistência (F/A), curva e relatório
  6. Painel e emergência posiciona e para o ensaio

Dispositivos para o ensaio de compressão

Os dispositivos abaixo são montados na mesma máquina, conforme o corpo de prova e a norma:

Pratos de compressão Biopdi
Pratos de compressão1, 50 e 300 kNEntra no lugar das garras, na mesma máquina universal.

A tabela liga cada aplicação à faixa de força e ao equipamento Biopdi:

Aplicação em compressãoFaixaEquipamento Biopdi
Espumas, molas pequenas, embalagens leves200 N a 10 kNMBIOI-1P-M2 e MBIOI-10-M2
Plásticos (D695), madeira, metais pequenos5 a 50 kNMBIOII-50-M2
Concreto 10 × 20 até C25 (no C30 só a média cabe)300 kNMBIOII-300-M2
Concreto 10 × 20 até C50; 15 × 30 até cerca de C30600 kNMBIOII-600-M2
Concreto 15 × 30 de classes altas1.000 kNMBIOII-1000-M2
Rotina dedicada de compressãosob consultaPrensa elétrica e hidráulica

Detalhes de funcionamento em máquina universal de ensaio. Para solos, a Biopdi tem a prensa CBR e Marshall.

Vídeos de ensaio de compressão

Ensaios de compressão em máquina universal de ensaios Biopdi, incluindo compressão de molas na versão portátil.

Outros ensaios e referências técnicas

Referências técnicas relacionadas

Perguntas frequentes

O que é ensaio de compressão?

É o ensaio mecânico que aplica força axial crescente para encurtar um corpo de prova e medir resistência, escoamento, módulo e a curva tensão-deformação. Em concreto segue a ABNT NBR 5739:2018, em metais a ASTM E9 e em plásticos a ASTM D695 ou a ISO 604.

Como é feito o teste de compressão?

O corpo de prova, com faces planas e paralelas, é centrado entre os pratos da máquina, e a força é aplicada com velocidade controlada até a ruptura ou até o limite de deformação da norma, registrando força e deslocamento. No concreto, o carregamento é de 0,45 ± 0,15 MPa/s.

Como calcular a resistência à compressão?

Divida a força máxima pela área inicial da seção: σ = F / A0, em MPa. No cilindro de concreto, a NBR 5739 usa fc = 4F / (πD²). Um corpo de prova de 100 mm que rompe com 236 kN tem 30,0 MPa.

O que diz a NBR 5739?

Define o ensaio de corpos de prova cilíndricos de concreto: relação altura/diâmetro até 2,06, com correção abaixo de 1,94; máquina calibrada pela NBR ISO 7500-1 a cada 12 meses; carregamento de 0,45 ± 0,15 MPa/s até a queda de força; resultado em MPa com 3 algarismos significativos; e 7 tipos de ruptura, de A a G. A edição vigente é a de 2018.

Qual é a fórmula do fck?

Na dosagem, fcm = fck + 1,65·sd, com sd de 4,0, 5,5 ou 7,0 MPa conforme a condição de preparo A, B ou C (NBR 12655). No controle de lotes com 20 ou mais exemplares, fck,est = fcm − 1,65·sd. O 1,65 corresponde a 5 % de probabilidade de ficar abaixo do fck.

O que significa fck 30 MPa?

Que o concreto foi especificado para que, no máximo, 5 % dos resultados aos 28 dias fiquem abaixo de 30 MPa. Para garantir isso, a dosagem mira uma média maior: 36,6 MPa na condição A. Um cilindro 10 × 20 com 30 MPa rompe com cerca de 236 kN, e um 15 × 30 com cerca de 530 kN.

Qual é a resistência do aço à compressão?

Aço dúctil não rompe em compressão: ele se achata e embarrila. Por isso se usa o limite de escoamento em compressão, praticamente igual ao de tração, de 250 a 500 MPa nos aços estruturais comuns.

Por que o concreto resiste mais à compressão do que à tração?

Porque as microfissuras abrem trincas sob tração e tendem a se fechar sob compressão. Pela NBR 6118, a tração média de um concreto C30 é de cerca de 2,9 MPa, perto de 10 % da resistência à compressão.

Qual a diferença entre compressão axial e compressão diametral?

Na axial, o cilindro fica em pé e mede-se a resistência à compressão (NBR 5739). Na diametral, ou ensaio brasileiro, o cilindro é deitado e a carga provoca tração no plano diametral: fct,sp = 2F / (π·d·L), pela NBR 7222.

Qual corpo de prova de concreto usar, 10 × 20 ou 15 × 30?

Os dois são padrão da NBR 5738, com altura igual ao dobro do diâmetro. O 10 × 20 exige cerca de 44 % da força do 15 × 30 para a mesma resistência e permite prensas menores; o 15 × 30 é usado com agregados maiores.

Com quantos dias se rompe o corpo de prova de concreto?

A idade de referência do fck é 28 dias, com tolerância de 24 horas. A NBR 5739 também prevê 24 horas, 3, 7, 63 e 91 dias, cada idade com sua tolerância.

Que máquina é usada no ensaio de compressão?

Uma prensa de compressão ou uma máquina universal de ensaios com pratos de compressão, célula de carga calibrada pela ABNT NBR ISO 7500-1 e software. A capacidade deve ficar acima da força esperada: 300 kN correspondem a cerca de 38 MPa num cilindro 10 × 20: atendem até C25 com folga, mas num C30 parte dos cilindros passa desse valor, e a de 600 kN é a indicada; 15 × 30 de classes altas pedem 1.000 kN.

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