Ensaio de compressão: o que é, como calcular, concreto (NBR 5739 e fck) e normas

O ensaio de compressão encurta um corpo de prova até romper ou escoar. Veja como calcular a resistência à compressão, a NBR 5739, o fck do concreto e as normas.

Ensaios MecânicosPor Mardoqueu M. Costa
24 min de leitura

O ensaio de compressão aplica uma força axial crescente para encurtar um corpo de prova e medir sua resistência e deformação. A resistência à compressão é a força máxima dividida pela área inicial da seção, σ = F / A0, em MPa. No concreto, pela ABNT NBR 5739:2018, fc = 4F / (πD²): um cilindro de 10 × 20 cm que rompe com 236 kN tem 30,0 MPa.

É o ensaio que aprova o concreto de uma obra, mede o escoamento de metais em compressão e qualifica plásticos, espumas, madeira, molas e embalagens. Neste guia estão o que o ensaio mede, o corpo de prova, a curva de cada tipo de material, as fórmulas, o passo a passo da NBR 5739, o que é o fck e como calculá-lo, o ensaio em outros materiais, exercícios resolvidos, as normas e como escolher a máquina.

Na foto, um cilindro de concreto rompido entre os pratos da prensa: as trincas inclinadas formam cones, a forma típica de ruptura do concreto nesse ensaio.

Corpo de prova cilíndrico de concreto rompido entre os pratos de uma prensa de compressão, com trincas inclinadas formando cones
Corpo de prova de concreto rompido no ensaio de compressão: trincas inclinadas formando cones

O que é o ensaio de compressão

No ensaio de compressão, o corpo de prova fica entre dois pratos paralelos, e a máquina os aproxima com velocidade controlada. Força e encurtamento são registrados até a ruptura ou até um limite de deformação definido pela norma. É o oposto do ensaio de tração, que traciona o corpo de prova, e faz parte dos ensaios mecânicos básicos.

Dos registros de força e encurtamento saem as propriedades mecânicas do material em compressão:

  • Resistência à compressão: a maior tensão que o material suporta antes de romper, ou seja, a força máxima dividida pela área inicial, em MPa. Por ser tensão, e não força, ela permite comparar corpos de prova de tamanhos diferentes.
  • Limite de escoamento em compressão: a tensão em que começa a deformação permanente. É o valor que se relata nos metais dúcteis.
  • Módulo de elasticidade: a inclinação do trecho inicial reto da curva. Mede a rigidez: quanto maior o módulo, menos o material encurta sob a mesma tensão.
  • Deformação elástica e plástica: a elástica desaparece quando a carga é retirada; a plástica fica. A curva mostra onde termina uma e começa a outra.
  • Modo de falha: se o corpo de prova rompe em cones, num plano inclinado, em estilhaços, ou se apenas se achata. No concreto, o tipo de ruptura faz parte do resultado e aponta defeitos de preparo.

Com esses valores se dimensionam pilares, fundações e peças comprimidas, se escolhe entre materiais, se controla a qualidade de lotes e se acompanha o desenvolvimento de novas composições. O ensaio também mede como a temperatura, a umidade ou o envelhecimento mudam a resistência, e serve para validar modelos numéricos, como os de elementos finitos, comparando a curva medida com a calculada. É um ensaio destrutivo: o corpo de prova sai rompido ou amassado, e por isso é retirado de uma amostra representativa do lote.

A resistência à compressão só faz sentido para materiais que rompem com um pico claro de força, como concreto, ferro fundido e cerâmicas, que são frágeis. Metais dúcteis não rompem em compressão: achatam e embarrilam, isto é, encurtam e se alargam no meio, em forma de barril. Neles, a ASTM E9 manda relatar o escoamento em compressão ou a tensão numa deformação especificada, porque a "resistência" dependeria só de quanto se amassou o corpo de prova. Os dois esquemas abaixo mostram essa diferença: à esquerda, o corpo de prova que encurta e se alarga, com as alturas e os diâmetros inicial e final; à direita, o material frágil que rompe num plano inclinado entre os pratos.

Esquema do ensaio de compressão com a força aplicada pelos pratos e o corpo de prova original e embarrilado, com diâmetros e alturas inicial e final

Esquema do ensaio de compressão: o corpo de prova encurta e se alarga

Esquema do ensaio de compressão de material frágil: o corpo de prova rompe num plano inclinado entre os pratos

Compressão de material frágil: fratura em plano inclinado

Corpo de prova para ensaio de compressão

O corpo de prova é uma amostra com forma e dimensões fixadas pela norma do material, para que laboratórios diferentes cheguem a resultados comparáveis. O cilindro é o formato mais comum; plásticos, madeira e espumas também usam prismas e cubos. Três cuidados valem para todos:

  • Relação altura/diâmetro (h/d). Um corpo de prova alto e esbelto tende a flambar, isto é, a se curvar para o lado antes de romper por compressão. Um corpo de prova muito curto sofre mais o atrito com os pratos, que impede as faces de se expandirem, e rompe com força maior do que o material de fato suporta. Por isso cada norma fixa o h/d: no concreto ele é 2, e corpos de prova mais curtos têm a força corrigida.
  • Faces planas, paralelas e perpendiculares ao eixo. Sem isso, a carga se concentra num lado e o corpo de prova rompe antes da hora. As faces são usinadas ou retificadas; no concreto também se usa o capeamento, uma camada fina que regulariza a face, ou um apoio não aderente de neoprene.
  • Dimensões medidas, não nominais. A área que entra no cálculo vem do diâmetro ou dos lados medidos no próprio corpo de prova.

O corpo de prova não pode ter trincas, vazios ou rebarbas, e é identificado com o material, o lote e a idade ou a condição de ensaio. As dimensões de cada norma estão nas seções sobre o concreto e sobre os outros materiais, mais adiante.

Curva tensão-deformação em compressão

Durante o ensaio, o software divide a força pela área inicial e o encurtamento pela altura inicial e traça a curva tensão-deformação. Cada classe de material dá uma curva de forma diferente, e é essa forma que decide o que se relata no ensaio. O gráfico abaixo compara três casos: o metal dúctil, cuja curva sobe sem pico porque ele se achata sem romper; o concreto, frágil, que chega a um pico e cai quando rompe; e a espuma rígida, que depois do trecho elástico forma um platô enquanto as células colapsam.

Curvas tensão-deformação em compressão de um metal dúctil que sobe sem pico, de um concreto com pico e queda e de uma espuma rígida com platô
Curva tensão-deformação em compressão: metal dúctil, material frágil e espuma

No metal, o trecho inicial é reto, como na tração, e o escoamento é lido pelo método do offset de 0,2 %, explicado em "Como calcular", logo a seguir. No concreto e nos outros materiais frágeis, o valor que interessa é o pico. Na espuma, que muitas vezes não tem pico, relata-se a tensão numa deformação fixa. A tabela resume, material por material, como ele deforma e falha, o que se relata e a norma:

MaterialComo deforma e falhaO que se relataNorma
Metais dúcteis (aço, alumínio, cobre)embarrila, não rompeescoamento a 0,2 %, módulo, curvaASTM E9
Ferro fundido cinzentofratura por cisalhamento em plano inclinadoresistência máximaASTM E9
Concretocones e cisalhamento (tipos A a G)fc e fck do loteABNT NBR 5739
Cerâmicas técnicasestilhaçamentoresistência máximaASTM C773 (cerâmica branca, whiteware)
Plásticos rígidosescoamento ou esmagamentoresistência, escoamento e móduloASTM D695, ISO 604
Espumas rígidascolapso das célulastensão a 10 % de deformaçãoISO 844, ASTM D1621
Madeiraesmagamento das fibrasfc0 paralela às fibras, a 12 % de umidadeABNT NBR 7190-3

Por que o metal embarrila. O atrito com os pratos impede as faces de se expandirem, enquanto o meio do corpo de prova se alarga livremente. O efeito aumenta a força aparente; reduz-se com lubrificante nas faces (teflon ou parafina) e com a relação altura/diâmetro da norma. A foto abaixo mostra o resultado num cilindro de alumínio: à esquerda, o corpo de prova original; à direita, o mesmo depois da compressão, mais baixo, mais largo no meio e sem nenhuma trinca.

Dois cilindros de alumínio: à esquerda o corpo de prova original, à direita o mesmo após compressão, mais baixo e embarrilado
Metal dúctil não rompe em compressão: ele encurta e embarrila

Por que o frágil rompe inclinado. Na compressão uniaxial, a tensão de cisalhamento máxima atua em planos a cerca de 45° do eixo. O atrito com os pratos altera esse ângulo, e no concreto gera os cones característicos.

Por que concreto e ferro fundido resistem mais à compressão do que à tração. Microfissuras e flocos de grafita abrem trincas quando tracionados e tendem a se fechar quando comprimidos. O ferro fundido cinzento classe 30 tem cerca de 752 MPa em compressão contra 207 MPa em tração; a alumina, cerca de 2.100 MPa em compressão contra 345 MPa em flexão; um concreto de 30 MPa de resistência à compressão tem tração média de apenas 2,9 MPa pela NBR 6118, perto de 10 % disso.

Como calcular a resistência à compressão

O cálculo segue a lógica da tração: tensão é a força dividida pela área inicial, e deformação é o encurtamento dividido pela altura inicial. O módulo de elasticidade exige medir o encurtamento no próprio corpo de prova, com um compressômetro, que é o extensômetro montado para compressão; o deslocamento dos pratos soma a deformação da máquina e daria um módulo menor que o real. A tabela reúne as fórmulas:

GrandezaFórmulaUnidade e observação
Tensão de compressãoσ = F / A0MPa (N/mm²); A0 é a área inicial
Resistência do cilindro de concretofc = 4F / (π·D²)MPa, com 3 algarismos significativos (NBR 5739)
Deformaçãoε = ΔL / L0encurtamento sobre a altura inicial
Módulo de elasticidade em compressãoE = Δσ / Δε no trecho linearGPa; exige compressômetro ou extensômetro
Escoamento em compressão (metais)offset de 0,2 %, como na traçãoMPa (ASTM E9)

O escoamento pelo offset se lê traçando uma reta paralela ao trecho reto da curva, deslocada 0,2 % no eixo da deformação: onde ela cruza a curva está o limite de escoamento. As fórmulas do fck, que tratam o conjunto de resultados de um lote de concreto, estão na seção sobre o fck, mais adiante.

Exemplo. Um corpo de prova de concreto com diâmetro médio de 100,2 mm rompeu com 248,6 kN aos 28 dias. A área é π × 100,2² / 4 = 7.885 mm², então fc = 248.600 / 7.885 = 31,5 MPa.

Ensaio de compressão do concreto: NBR 5739 passo a passo

A ABNT NBR 5739:2018 é a norma do ensaio de corpos de prova cilíndricos de concreto moldados conforme a NBR 5738, e de testemunhos, que são cilindros extraídos da estrutura pronta conforme a NBR 7680-1. Na obra, os corpos de prova são moldados com o concreto entregue, curados e rompidos numa idade definida, e cada resultado entra no controle do lote, tratado na seção sobre o fck. Esse controle trabalha com exemplares: pela NBR 12655, cada exemplar reúne dois corpos de prova da mesma amassada, rompidos na mesma idade, e vale o maior dos dois resultados.

  1. Corpo de prova. Cilindro de 10 × 20 cm ou 15 × 30 cm, moldado pela NBR 5738. A relação altura/diâmetro nunca pode passar de 2,06; abaixo de 1,94, a força é corrigida (tabela logo após os passos).
  2. Cura. Úmida ou saturada até a idade de ensaio: em câmara úmida a 23 ± 2 °C com umidade acima de 95 %, ou em solução saturada de hidróxido de cálcio, depois de pelo menos 24 h nos moldes.
  3. Preparo das bases. Retificação, capeamento ou dispositivo não aderente (neoprene). Bases mal preparadas causam as rupturas F e G.
  4. Dimensões. Paquímetro com resolução de 0,1 mm; diâmetro pela média de duas medidas ortogonais a meia altura.
  5. Idade. A referência é 28 dias, com tolerância de ± 24 h. Também se rompe com 24 h (± 0,5 h), 3 dias (± 2 h), 7 dias (± 6 h), 63 dias (± 36 h) e 91 dias (± 48 h).
  6. Máquina. Calibrada pela ABNT NBR ISO 7500-1 a cada 12 meses, no máximo, com escala tal que a ruptura caia no intervalo calibrado. O corpo de prova é centrado no prato.
  7. Carregamento. Contínuo e sem choques, a 0,45 ± 0,15 MPa/s, o que dá cerca de 3,5 kN/s no 10 × 20 e 8,0 kN/s no 15 × 30. Só se para quando a queda de força indica a ruptura.
  8. Cálculo. fc = 4F / (πD²), em MPa, com três algarismos significativos.
  9. Tipo de ruptura. Registrar o tipo, de A a G.

A correção compensa o efeito descrito na seção sobre o corpo de prova: o cilindro mais curto rompe com força maior. O fator reduz a força medida à que um cilindro com h/d = 2 teria dado:

h/d2,001,751,501,251,00
Fator de correção da força (NBR 5739, Tabela 2)1,000,980,960,930,86

Tipos de ruptura (Anexo A da NBR 5739). A: cônica, e cônica afastada 25 mm do capeamento. B: cônica e bipartida, ou cônica com mais de uma partição. C: colunar com formação de cones. D: cônica e cisalhada. E: cisalhada. F: fraturas no topo ou na base, abaixo do capeamento. G: semelhante à F, com fraturas perto do topo. Quando os corpos de prova de um mesmo exemplar dispersam muito, a ruptura costuma ser F ou G, sinal de defeito de moldagem ou de preparo das bases.

Nos Estados Unidos vale a ASTM C39, com carregamento de 0,25 ± 0,05 MPa/s, cerca de metade do brasileiro. Resultados feitos pelas duas normas não se comparam sem cuidado.

fck: o que é, fórmula e o que significa fck 30 MPa

Três siglas se confundem. fc é o resultado de um corpo de prova. fcm é a média dos resultados. fck é a resistência característica: o valor com 95 % de probabilidade de ser superado, aos 28 dias. A diferença entre a média e o fck depende de quanto os resultados variam, medido pelo desvio-padrão sd; o 1,65 das fórmulas é o quantil de 5 % da distribuição normal.

  • Na dosagem (NBR 12655): fcm = fck + 1,65·sd. Sem histórico, o desvio-padrão é adotado pela condição de preparo: 4,0 MPa (A), 5,5 MPa (B) ou 7,0 MPa (C). Para fck 30 MPa, a média-alvo é 36,6, 39,1 ou 41,6 MPa.
  • No controle do lote (20 ou mais exemplares): fck,est = fcm − 1,65·sd. O lote é aceito se fck,est ≥ fck.
  • fck 30 MPa quer dizer que o concreto foi especificado para que, no máximo, 5 % dos resultados aos 28 dias fiquem abaixo de 30 MPa.

O gráfico abaixo mostra essa distribuição num concreto de fck 30 MPa dosado na condição A: os resultados se distribuem em torno da média de 36,6 MPa, e só a cauda de 5 % fica abaixo de 30 MPa.

Distribuição normal dos resultados de resistência do concreto com fck de 30 MPa, média de 36,6 MPa e 5 % dos resultados abaixo do fck
O que significa fck 30 MPa: no máximo 5 % dos resultados abaixo de 30 MPa

O erro mais comum é comparar a média com o fck. Um lote de 24 exemplares com média de 34,0 MPa e desvio de 2,5 MPa tem fck,est = 34,0 − 1,65 × 2,5 = 29,9 MPa: não atende a um fck de 30 MPa, embora a média esteja 4 MPa acima. O fck também dá nome às classes de resistência: pela NBR 8953, o número depois do C é o fck em MPa, e as classes do grupo I vão de C10 a C50. O C20 é o mínimo para concreto armado e o C25 para protendido, pela NBR 6118. Teste os números na calculadora abaixo.

Simulação interativa

Experimente o ensaio no navegador e acompanhe os resultados sendo calculados.

Ensaio de compressão em metais, plásticos, cerâmicas e outros materiais

Fora do concreto, a norma, o corpo de prova e o que se relata mudam conforme o material.

Metais (ASTM E9). O ensaio é usado em aço estrutural, alumínio e ligas de titânio, entre outros. A norma prevê corpos de prova cilíndricos curtos, médios e longos; para medir a resistência de materiais de alta resistência, as melhores relações comprimento/diâmetro são 1,5 e 2,0. Os riscos são a flambagem, em corpo de prova esbelto ou desalinhado, e o embarrilamento. O prato superior com assento esférico, que se inclina para acompanhar a face do corpo de prova, compensa pequenas faltas de paralelismo. Aço estrutural tem escoamento em compressão praticamente igual ao de tração, de 250 a 500 MPa nos aços comuns.

Plásticos (ASTM D695 e ISO 604). A D695 usa prisma de 12,7 × 12,7 × 25,4 mm ou cilindro de 12,7 × 25,4 mm, a 1,3 mm/min; a ISO 604 usa 10 × 10 × 4 mm. As duas não dão números comparáveis, porque geometria e velocidade são diferentes. Como na tração, o resultado dos plásticos depende da temperatura e da umidade, e o corpo de prova é condicionado antes do ensaio.

Cerâmicas. Alumina, nitreto de silício e outras cerâmicas técnicas rompem de uma vez, estilhaçando, sem deformação plástica, e relata-se a resistência máxima. Como qualquer desalinhamento concentra tensão num material que não escoa para aliviá-la, o paralelismo das faces é crítico. Nas cerâmicas porosas, usadas em filtros e suportes de catalisadores, a resistência cai à medida que a porosidade aumenta.

Compósitos. Em compósitos de fibra de carbono ou de vidro, a resistência à compressão depende da direção das fibras, por isso o ensaio é feito nas direções que interessam ao projeto. Corpos de prova finos tendem a flambar, e o resultado também muda com a temperatura e a umidade.

Espumas rígidas (ISO 844, ASTM D1621 e EN ISO 29469, que substituiu a EN 826). Como muitas não têm pico, a norma manda relatar a tensão a 10 % de deformação. Isolamento de EPS fica na faixa de 100 a 500 kPa, conforme a densidade.

Madeira (ABNT NBR 7190-3). A resistência paralela às fibras é medida a 12 % de umidade; nas espécies usadas em estrutura, fica tipicamente entre 30 e 70 MPa.

Componentes. Molas, embalagens, papelão ondulado e tubos plásticos também são ensaiados em compressão, com pratos, medindo força a um deslocamento definido.

Compressão simples e ensaio triaxial de solos são outra família de ensaio, com normas próprias; veja ensaio triaxial.

Compressão axial e compressão diametral

Na compressão axial, o cilindro fica em pé e mede-se a resistência à compressão (NBR 5739). Na compressão diametral, o "ensaio brasileiro" da ABNT NBR 7222:2011, o cilindro é deitado e a carga ao longo da geratriz provoca tração no plano diametral: fct,sp = 2F / (π·d·L), a 0,05 ± 0,02 MPa/s. Um 10 × 20 de concreto C30 que rompe deitado com 100 kN tem 3,18 MPa de tração indireta; em pé, precisaria de 236 kN para chegar a 30 MPa.

Exercícios resolvidos de compressão

1. Testemunho com h/d baixo. Um testemunho de 100 mm de diâmetro e 175 mm de altura (h/d = 1,75) rompeu com 200 kN. Como h/d < 1,94, a força é multiplicada por 0,98: 196,0 kN. fc = 4 × 196.000 / (π × 100²) = 25,0 MPa. Sem a correção, daria 25,5 MPa.

2. Dosagem. Para fck = 30 MPa na condição B (sd = 5,5 MPa): fcm = 30 + 1,65 × 5,5 = 39,1 MPa.

3. Metal, ASTM E9. Corpo de prova de aço de 12,7 × 25,4 mm (A0 = 126,7 mm²). No trecho linear, a força passou de 5 kN a 25 kN enquanto o compressômetro leu de 0,000197 a 0,000986 de deformação. Tensões: 39,5 e 197,3 MPa. E = (197,3 − 39,5) / (0,000986 − 0,000197) ≈ 200 GPa. O escoamento a 0,2 % ocorreu a 40,0 kN: σe = 40.000 / 126,7 = 316 MPa. Continuando o ensaio, o corpo de prova embarrila e a força sobe sem pico.

4. Capacidade da prensa. Um laboratório rompe cilindros 15 × 30 de até C40, com média de dosagem de 46,6 MPa. A força esperada é 46,6 × 17.671 mm² = 823 kN. Uma prensa de 600 kN não serve; a de 1.000 kN serve. No 10 × 20 da mesma classe, a força é 366 kN, e 600 kN atendem com folga.

Erros comuns no ensaio de compressão

  1. Citar a NBR 5739 antiga. A vigente é a de 2018.
  2. Bases não paralelas ou mal preparadas. Concentram tensão e produzem rupturas F e G.
  3. Corpo de prova fora de centro. Gera flexão e reduz o resultado.
  4. Velocidade errada. Carregar rápido demais superestima a resistência.
  5. Esquecer a correção h/d abaixo de 1,94, ou ensaiar acima de 2,06.
  6. Idade fora da tolerância (28 dias ± 24 h).
  7. Confundir fc, fcm e fck. Comparar a média com o fck aceita lotes que não atendem.
  8. Confundir slump com resistência. "Slump 12 ± 2" é o abatimento do concreto fresco, de 100 a 140 mm: mede consistência, não resistência.
  9. Relatar "resistência à ruptura" de metal dúctil. Não existe: relata-se o escoamento.
  10. Medir o módulo pelo deslocamento dos pratos. Inclui a deformação da máquina e subestima o módulo.

Normas do ensaio de compressão

A norma depende do material e, no concreto, também da etapa: moldagem, ensaio, controle do lote e classificação têm normas próprias. A tabela reúne as mais usadas:

NormaAplicaçãoEdição
ABNT NBR 5739concreto, corpos de prova cilíndricos2018
ABNT NBR 5738moldagem e cura dos corpos de prova2015
ABNT NBR 12655preparo, controle e aceitação do concreto (fck)2022
ABNT NBR 8953classes de resistência do concreto2015
ABNT NBR 7680-1testemunhos extraídos da estrutura2015
ABNT NBR 7222tração por compressão diametral2011
ASTM C39/C39Mconcreto (EUA)
ASTM E9metaisE9-19 (reaprovada em 2025)
ASTM D695 e ISO 604plásticos rígidosISO 604:2002
ISO 844, ASTM D1621, EN ISO 29469espumas rígidas (a EN ISO 29469:2022 substituiu a EN 826, retirada)ISO 844:2026
ABNT NBR 7190-3madeira2022
ABNT NBR ISO 7500-1calibração da máquina2023

Máquina para ensaio de compressão: prensa ou máquina universal

A prensa de compressão é dedicada: alta capacidade e só compressão, ideal para rotina de concreto. A máquina universal de ensaios com pratos de compressão faz também tração, flexão e cisalhamento, com controle de velocidade e extensometria, e é a escolha de quem também ensaia aço, plásticos ou madeira.

Nos dois casos, as partes são as mesmas: uma estrutura rígida, que não pode deformar junto com o corpo de prova; o sistema que aproxima os pratos com velocidade controlada; a célula de carga, que mede a força; a medição da deformação, por compressômetro no corpo de prova ou pelo deslocamento da travessa corrigido; e o software, que controla o ensaio, traça a curva e emite o relatório. A máquina universal da Biopdi é eletromecânica: um motor aciona os fusos que movem a travessa.

A capacidade tem de cobrir a média real do lote com folga, e não só o fck, e o tamanho do corpo de prova pesa tanto quanto a classe: o 10 × 20 exige cerca de 44 % da força do 15 × 30 para a mesma resistência. O gráfico abaixo mostra a força que rompe os dois cilindros em cada classe, de C20 a C50, comparada às capacidades de 300, 600 e 1.000 kN.

Gráfico de barras da força de ruptura de corpos de prova de concreto 10 × 20 e 15 × 30 cm por classe, de C20 a C50, com as capacidades de 300, 600 e 1.000 kN
Força que rompe o corpo de prova de concreto, por classe e tamanho

O painel abaixo mostra a máquina universal, o papel de cada parte no ensaio de compressão e os pratos usados.

A máquina universal no ensaio de compressão

A linha M2 tem modelos de coluna simples, de 200 N a 10 kN, e de coluna dupla, de 5 kN a 1.000 kN. Cada parte da máquina tem uma função no ensaio:

Máquinas universais de ensaios M2 da Biopdi de coluna simples (MBIOI-10-M2, 10 kN) e coluna dupla (MBIOII-50-M2, 50 kN)
  1. Travessa móvel aproxima os pratos na taxa da norma
  2. Célula de carga mede a força, classe 1
  3. Pratos de compressão planos, com assento esférico no concreto
  4. Deformação extensômetro ou travessa corrigida
  5. Software BioLab resistência (F/A), curva e relatório
  6. Painel e emergência posiciona e para o ensaio

Dispositivos para o ensaio de compressão

Os dispositivos abaixo são montados na mesma máquina, conforme o corpo de prova e a norma:

Pratos de compressão Biopdi
Pratos de compressão1, 50 e 300 kNEntra no lugar das garras, na mesma máquina universal.

A tabela liga cada aplicação à faixa de força e ao equipamento Biopdi:

Aplicação em compressãoFaixaEquipamento Biopdi
Espumas, molas pequenas, embalagens leves200 N a 10 kNMBIOI-1P-M2 e MBIOI-10-M2
Plásticos (D695), madeira, metais pequenos5 a 50 kNMBIOII-50-M2
Concreto 10 × 20 até C25 (no C30 só a média cabe)300 kNMBIOII-300-M2
Concreto 10 × 20 até C50; 15 × 30 até cerca de C30600 kNMBIOII-600-M2
Concreto 15 × 30 de classes altas1.000 kNMBIOII-1000-M2
Rotina dedicada de compressãosob consultaPrensa elétrica e hidráulica

Detalhes de funcionamento em máquina universal de ensaio. Para solos, a Biopdi tem a prensa CBR e Marshall.

Vídeos de ensaio de compressão

Ensaios de compressão em máquina universal de ensaios Biopdi, incluindo compressão de molas na versão portátil.

Outros ensaios e referências técnicas

Referências técnicas relacionadas

Perguntas frequentes

O que é ensaio de compressão?

É o ensaio mecânico que aplica força axial crescente para encurtar um corpo de prova e medir resistência, escoamento, módulo e a curva tensão-deformação. Em concreto segue a ABNT NBR 5739:2018, em metais a ASTM E9 e em plásticos a ASTM D695 ou a ISO 604.

Como é feito o teste de compressão?

O corpo de prova, com faces planas e paralelas, é centrado entre os pratos da máquina, e a força é aplicada com velocidade controlada até a ruptura ou até o limite de deformação da norma, registrando força e deslocamento. No concreto, o carregamento é de 0,45 ± 0,15 MPa/s.

Como calcular a resistência à compressão?

Divida a força máxima pela área inicial da seção: σ = F / A0, em MPa. No cilindro de concreto, a NBR 5739 usa fc = 4F / (πD²). Um corpo de prova de 100 mm que rompe com 236 kN tem 30,0 MPa.

O que diz a NBR 5739?

Define o ensaio de corpos de prova cilíndricos de concreto: relação altura/diâmetro até 2,06, com correção abaixo de 1,94; máquina calibrada pela NBR ISO 7500-1 a cada 12 meses; carregamento de 0,45 ± 0,15 MPa/s até a queda de força; resultado em MPa com 3 algarismos significativos; e 7 tipos de ruptura, de A a G. A edição vigente é a de 2018.

Qual é a fórmula do fck?

Na dosagem, fcm = fck + 1,65·sd, com sd de 4,0, 5,5 ou 7,0 MPa conforme a condição de preparo A, B ou C (NBR 12655). No controle de lotes com 20 ou mais exemplares, fck,est = fcm − 1,65·sd. O 1,65 corresponde a 5 % de probabilidade de ficar abaixo do fck.

O que significa fck 30 MPa?

Que o concreto foi especificado para que, no máximo, 5 % dos resultados aos 28 dias fiquem abaixo de 30 MPa. Para garantir isso, a dosagem mira uma média maior: 36,6 MPa na condição A. Um cilindro 10 × 20 com 30 MPa rompe com cerca de 236 kN, e um 15 × 30 com cerca de 530 kN.

Qual é a resistência do aço à compressão?

Aço dúctil não rompe em compressão: ele se achata e embarrila. Por isso se usa o limite de escoamento em compressão, praticamente igual ao de tração, de 250 a 500 MPa nos aços estruturais comuns.

Por que o concreto resiste mais à compressão do que à tração?

Porque as microfissuras abrem trincas sob tração e tendem a se fechar sob compressão. Pela NBR 6118, a tração média de um concreto C30 é de cerca de 2,9 MPa, perto de 10 % da resistência à compressão.

Qual a diferença entre compressão axial e compressão diametral?

Na axial, o cilindro fica em pé e mede-se a resistência à compressão (NBR 5739). Na diametral, ou ensaio brasileiro, o cilindro é deitado e a carga provoca tração no plano diametral: fct,sp = 2F / (π·d·L), pela NBR 7222.

Qual corpo de prova de concreto usar, 10 × 20 ou 15 × 30?

Os dois são padrão da NBR 5738, com altura igual ao dobro do diâmetro. O 10 × 20 exige cerca de 44 % da força do 15 × 30 para a mesma resistência e permite prensas menores; o 15 × 30 é usado com agregados maiores.

Com quantos dias se rompe o corpo de prova de concreto?

A idade de referência do fck é 28 dias, com tolerância de 24 horas. A NBR 5739 também prevê 24 horas, 3, 7, 63 e 91 dias, cada idade com sua tolerância.

Que máquina é usada no ensaio de compressão?

Uma prensa de compressão ou uma máquina universal de ensaios com pratos de compressão, célula de carga calibrada pela ABNT NBR ISO 7500-1 e software. A capacidade deve ficar acima da força esperada: 300 kN correspondem a cerca de 38 MPa num cilindro 10 × 20: atendem até C25 com folga, mas num C30 parte dos cilindros passa desse valor, e a de 600 kN é a indicada; 15 × 30 de classes altas pedem 1.000 kN.