Corpo de prova: o que é, tipos por ensaio e material, normas e dimensões

Corpo de prova é a amostra com forma e dimensões definidas pela norma do ensaio. Veja tipos, normas e medidas em metal, plástico, concreto, madeira e solda.

Ensaios MecânicosPor Mardoqueu M. Costa
39 min de leitura

Corpo de prova (CP) é a amostra de material com forma, dimensões e acabamento definidos pela norma do ensaio, preparada para medir uma propriedade sem ensaiar a peça inteira: um cilindro de concreto de 10 × 20 cm, um redondo de aço de 12,5 mm e uma barra Charpy de 55 × 10 × 10 mm são corpos de prova. A padronização garante que o estado de tensão no trecho medido seja conhecido e que o resultado possa ser comparado entre lotes e laboratórios. Cada ensaio tem o seu: na tração de metais, por exemplo, a ABNT NBR ISO 6892-1:2024 liga o comprimento onde se mede o alongamento à área da seção, e um redondo de 10 mm de diâmetro tem esse comprimento em cerca de 50 mm.

Em resumo:

  • Não existe uma norma de corpo de prova: a forma e as dimensões vêm da norma de cada ensaio e de cada material.
  • Metais (tração): ABNT NBR ISO 6892-1:2024 e ASTM E8/E8M-25; o redondo padrão da ASTM tem 12,5 mm de diâmetro.
  • Plásticos: ASTM D638-22 (gravata tipo I, 165 mm) e ISO 527-2:2025 (A1, 170 mm) na tração; ASTM D790-25 (barra de 127 × 12,7 × 3,2 mm) na flexão.
  • Impacto Charpy: barra de 55 × 10 × 10 mm com entalhe em V de 2 mm (ISO 148-1:2016 e ASTM E23-25).
  • Madeira, concreto e solda: prisma de 5 × 5 × 15 cm (NBR 7190-3:2022), cilindros de 10 × 20 e 15 × 30 cm (NBR 5738:2015) e corpos de prova transversais à junta (ISO 4136:2022 e ISO 5173:2023).

O que é corpo de prova e por que a forma é padronizada

A forma do corpo de prova é padronizada porque é ela que torna conhecida a tensão no trecho medido e comparável o resultado entre laboratórios. Uma peça real tem furos, cantos, variações de espessura e regiões que trabalham de formas diferentes. Se ela fosse levada à máquina inteira, a força medida diria quanto aquela peça aguenta, mas não quanto o material aguenta, porque a tensão em cada ponto seria desconhecida. O corpo de prova resolve isso: é um pedaço do material com uma geometria tão simples que a tensão no trecho que interessa pode ser calculada pela força dividida pela área. Nas normas ISO o termo em inglês é test piece; nas ASTM, specimen. A sigla CP é comum nos laboratórios brasileiros, e normas antigas grafam corpo-de-prova, com hífen. O termo vale também fora dos ensaios mecânicos: em corrosão, o corpo de prova é um cupom de metal exposto ao meio para medir a perda de massa ao longo do tempo.

Na foto, corpos de prova de quatro ensaios: o redondo, com cabeças roscadas e um trecho reduzido no meio, e o plano, cortado de chapa, são de tração; a barra com entalhe em V é de impacto; o cilindro é de concreto, para compressão. Em todos, a forma concentra a tensão na região que a norma quer medir.

Corpos de prova sobre a bancada: um redondo de aço com cabeças roscadas e seção reduzida, um plano de chapa em forma de gravata, uma barra de aço com entalhe em V e um cilindro de concreto, ao lado de um paquímetro
Corpos de prova de ensaios diferentes: tração em barra redonda e em chapa, barra entalhada para impacto e cilindro de concreto

Três razões físicas explicam por que a norma fixa a forma em vez de deixar cada laboratório escolher:

  • O estado de tensão precisa ser conhecido. No corpo de prova de tração, o trecho do meio é mais estreito que as extremidades. A deformação se concentra nele, longe das garras, onde a tensão é uniaxial (só na direção do eixo) e uniforme na seção. Perto da garra, o aperto e o atrito criam tensões em outras direções. É o princípio de Saint-Venant: a perturbação causada pelo modo de aplicar a força se dissipa a uma distância da ordem da largura da peça. Por isso a medição se faz no meio, e não junto das extremidades. No cilindro de concreto vale o mesmo raciocínio: o atrito com os pratos confina as pontas, e a altura de duas vezes o diâmetro deixa o meio livre desse efeito.
  • O tamanho muda o resultado em materiais frágeis. Concreto, cerâmica e madeira rompem a partir do pior defeito que o volume carregado contém. Quanto maior o corpo de prova, maior a chance de ele conter um defeito crítico, e menor tende a ser a resistência medida. O modelo estatístico clássico desse efeito de escala é o de Weibull (1951). É uma das razões para a norma fixar a dimensão e para não se misturar resultado de corpos de prova de tamanhos diferentes sem justificativa.
  • Sem padrão não há comparação. O alongamento depende do comprimento em que é medido; a energia de impacto depende da forma do entalhe; a resistência de um plástico depende da espessura e da orientação do molde. Dois laboratórios só podem comparar números se tiverem usado o mesmo corpo de prova, e um certificado só prova que o material atende uma especificação se o ensaio seguiu a norma que ela cita.

O corpo de prova é o ponto de partida de qualquer um dos ensaios mecânicos e, mais amplamente, do ensaio de materiais: a mesma máquina dá resultados diferentes para o mesmo material se o corpo de prova mudar.

Amostra, corpo de prova, exemplar e testemunho: o vocabulário

Amostra, corpo de prova, exemplar e testemunho não são sinônimos: a amostra representa o lote, o corpo de prova é a peça com a geometria da norma, o exemplar reúne corpos de prova de concreto da mesma amassada e o testemunho é o cilindro extraído de uma estrutura pronta. A distinção importa na hora de ler um plano de amostragem ou um laudo.

  • Amostra é a porção retirada de um lote ou de um produto para representá-lo: um pedaço de barra, um retalho de chapa, uma placa injetada, um volume de concreto fresco. Da amostra se tiram um ou mais corpos de prova.
  • Corpo de prova é a peça já com a geometria da norma, pronta para o ensaio. Nem sempre é usinado: vergalhão, fio e cabo são ensaiados na seção inteira do produto, como mostra o artigo sobre aço para armaduras.
  • Exemplar, no controle de concreto, é o conjunto de corpos de prova moldados da mesma amassada e rompidos na mesma idade; o resultado do exemplar é o maior valor entre eles, conforme a NBR 12655.
  • Testemunho, no concreto, é o cilindro extraído por sonda rotativa de uma estrutura pronta, pela ABNT NBR 7680-1:2015, quando se quer saber a resistência do concreto que está na obra. Nos ensaios de madeira, a palavra aparece em outro sentido: o primeiro corpo de prova rompido para estimar a resistência da amostra e definir as cargas dos demais, conforme a descrição da NBR 7190-3:2022 feita por Wang Wei (2025).

Dentro do próprio corpo de prova há outro vocabulário, que vem da tração e se repete em vários ensaios:

  • Cabeças: as extremidades presas nas garras. Podem ser lisas, roscadas ou com ombro.
  • Raio de concordância: a transição curva entre a cabeça e o trecho reduzido. Um canto vivo concentraria tensão e faria a ruptura nascer ali.
  • Parte paralela (Lc): o trecho de seção constante, também chamado de região útil, onde a deformação deve acontecer e a ruptura deve ocorrer.
  • Comprimento de referência (L0): a distância entre duas marcas, ou entre as facas do extensômetro, dentro da parte paralela. É a base sobre a qual se calcula o alongamento. A ASTM chama de gauge length e usa a letra G.
  • Seção original (S0): a área da seção da parte paralela antes do ensaio. Num redondo, S0 = π·d0²/4; num plano, S0 = a0·b0 (espessura vezes largura). A tensão é a força dividida por S0.

O esquema abaixo mostra essas partes nos dois formatos mais comuns. Em cima, o redondo usinado, com cabeças roscadas; embaixo, o plano cortado de chapa, cujas cabeças largas são presas por garras de cunha. As marcas laranja delimitam L0, sempre menor que a parte paralela, para que as marcas fiquem longe da concordância. À direita, as duas seções.

Esquema de dois corpos de prova de tração, um redondo usinado com cabeças roscadas e um plano cortado de chapa, com as cabeças, o raio de concordância, a parte paralela Lc, o comprimento de referência L0 marcado em laranja e as seções S0 circular e retangular
Anatomia do corpo de prova de tração: cabeças, raio de concordância, parte paralela Lc, comprimento de referência L0 e seção S0

Uma última distinção: o corpo de prova é proporcional quando L0 cresce com a seção, pela fórmula L0 = k·√S0, e não proporcional quando L0 é fixo, como 50 mm ou 80 mm. A ISO 6892-1 prefere o proporcional, com k = 5,65. Num redondo, 5,65·√(π·d0²/4) dá 5,01·d0, ou seja, cerca de cinco diâmetros. A proporcionalidade faz o alongamento de um redondo de 10 mm e o de um de 20 mm do mesmo aço darem o mesmo número; o motivo físico está na seção sobre a fratura.

Corpo de prova de tração de metais: ISO 6892-1 e ASTM E8

O corpo de prova de tração de metais é uma barra redonda usinada ou uma tira cortada de chapa, com cabeças mais largas e uma parte paralela reduzida onde a ruptura deve ocorrer. As duas famílias de norma são a ISO 6892-1:2019, adotada no Brasil como ABNT NBR ISO 6892-1:2024, e a ASTM E8/E8M-25. As duas aceitam corpos de prova redondos, usinados de barras, e planos, cortados de chapas, e as duas pedem que a ruptura ocorra na parte paralela. O que muda é o comprimento de referência:

  • Redondo: a ISO usa o proporcional, L0 = 5,65·√S0. O redondo padrão da ASTM tem 12,5 mm de diâmetro, com L0 de 50 mm (4D) no E8, em unidades polegada-libra, e de 62,5 mm (5D) no E8M, em unidades SI.
  • Chapa: o E8 tem o sheet-type, de 12,5 mm de largura e base de 50 mm, e o plate-type, de 40 mm de largura e base de 200 mm, para chapas grossas. A ISO trata chapas finas, de 0,1 a 3 mm, num anexo próprio; o tipo 2 desse anexo tem 20 mm de largura e base de 80 mm.

Como o mesmo diâmetro dá bases diferentes, o alongamento de um certificado E8 não se compara direto com o de uma especificação ISO. O detalhamento das duas normas (velocidades, extensômetro, arredondamento e conversão de alongamento) está no guia ASTM E8 x ISO 6892-1, e o ensaio em si, com a curva e o passo a passo, no artigo sobre o ensaio de tração.

Corpos de prova de plásticos e compósitos

Em plásticos, o corpo de prova é em geral moldado por injeção ou usinado de chapa, e sua história de fabricação pesa no resultado: a orientação das cadeias no fluxo do molde, as tensões residuais e a umidade absorvida mudam a resistência. Por isso as normas de plásticos fixam a forma e também o condicionamento antes do ensaio, tipicamente a 23 °C e 50 % de umidade relativa. Corpos de prova impressos em 3D, comuns em pesquisa, herdam a orientação das camadas: o resultado vale para aquela direção de impressão e não se compara direto com o de um corpo de prova injetado.

Tração: ASTM D638 e ISO 527-2

A ASTM D638-22 usa corpos de prova em forma de gravata, do tipo I ao V. O tipo I, preferido para plásticos rígidos e semirrígidos, tem 165 mm de comprimento total, trecho estreito de 13 mm de largura e 3,2 mm de espessura, e comprimento de medida de 50 mm. A ISO 527-2:2025 usa o A1, corpo de prova multipropósito injetado, chamado de 1A até a edição de 2012: 170 mm de comprimento, parte paralela de 80 mm, seção de 10 × 4 mm e L0 de 75 mm. Os dois não são intercambiáveis: seção, comprimento e base diferentes dão números diferentes. Tipos, velocidades e cálculo estão no guia da ASTM D638.

Flexão: ASTM D790

Na flexão em três pontos, o corpo de prova é uma barra reta, apoiada em dois roletes e carregada no meio. A ASTM D790-25 prefere a barra de 127 × 12,7 × 3,2 mm, com vão de 16 vezes a espessura: 16 × 3,2 = 51,2 mm. A relação entre vão e espessura não é detalhe: com vão curto demais, a força cortante passa a pesar e a barra deixa de romper por flexão na fibra externa. A montagem e os cálculos estão no guia da ASTM D790, e o ensaio em geral, no artigo sobre o ensaio de flexão.

Compósitos de matriz polimérica

Em compósitos com fibra longa, a tração segue em geral a ASTM D3039/D3039M-17(2025), com corpo de prova em tira retangular de seção constante, sem a gravata dos plásticos. Usinar um rebaixo cortaria fibras contínuas na concordância, e a ruptura começaria justamente ali; as extremidades costumam receber talões colados para proteger a tira do aperto da garra. A flexão de compósitos segue a ASTM D7264/D7264M-26. As dimensões de cada uma dependem do tipo de laminado e devem ser lidas na norma.

Corpo de prova de impacto Charpy

O corpo de prova Charpy é uma barra de 55 × 10 × 10 mm com entalhe em V no meio, apoiada nas duas pontas e rompida com um golpe de pêndulo para medir a energia absorvida. O padrão da ISO 148-1:2016 (no Brasil, ABNT NBR ISO 148-1:2021) e da ASTM E23-25 tem entalhe de 2 mm de profundidade, ângulo de 45° e raio de fundo de 0,25 mm. Sob o entalhe sobram 8 mm de ligamento, a seção que de fato rompe.

O entalhe é a razão de ser desse corpo de prova. Ele concentra a tensão num ponto conhecido e cria no fundo um estado triaxial de tensões, que dificulta a deformação plástica e torna o ensaio severo o bastante para revelar se o material se comporta como dúctil ou frágil naquela temperatura. Como a energia depende muito dessa geometria, o entalhe é usinado com ferramenta própria e conferido em projetor de perfil, e corpos de prova reduzidos (7,5, 5 ou 2,5 mm de espessura) só se comparam entre si. O ensaio completo está no artigo sobre o ensaio de impacto.

Dureza: espessura mínima em vez de forma

O ensaio de dureza não pede uma geometria fixa: serve qualquer peça com uma face plana, lisa e apoiada com firmeza. A exigência é de espessura. Toda impressão deforma plasticamente uma região maior que a marca; se a peça for fina, essa região chega ao verso, a mesa passa a sustentar a impressão e a leitura sai alta. As normas fixam a espessura mínima em função do tamanho da impressão:

  • Brinell (ISO 6506-1:2014): pelo menos 8 vezes a profundidade da impressão.
  • Vickers (ISO 6507-1:2023): pelo menos 1,5 vez a diagonal média.
  • Rockwell (ISO 6508-1:2023): pelo menos 10 vezes a profundidade residual com penetrador de diamante e 15 vezes com esfera.

Marca visível no verso denuncia que o limite foi violado. Distâncias entre impressões e até a borda, e a escolha do método para chapa fina, estão no artigo sobre o ensaio de dureza.

Corpo de prova de madeira

O corpo de prova de madeira é um prisma isento de defeitos, cortado com as fibras numa direção definida em relação à força. A madeira é anisotrópica: resiste muito mais na direção das fibras que na direção perpendicular a elas, e suas propriedades mudam com a umidade. Por isso o corpo de prova de madeira é definido pela orientação das fibras e o resultado é referido a uma umidade padrão. Para espécies de florestas nativas, a ABNT NBR 7190-3:2022 descreve os métodos de ensaio em corpos de prova isentos de defeitos, isto é, sem nós, rachaduras ou desvios de fibra, que medem o material e não a peça.

Na compressão paralela às fibras, o corpo de prova é um prisma de seção quadrada de 5 × 5 cm e 15 cm de comprimento, com as fibras na direção da força. Os resultados são corrigidos para a umidade de referência de 12 %, e a NBR 7190-1:2022 agrupa as madeiras nativas em classes de resistência que vão de D20 a D60, em que o número é a resistência característica à compressão paralela, em MPa. A altura de três vezes o lado tem o mesmo motivo do cilindro de concreto: deixar o meio do prisma longe do confinamento dos pratos. Pela mesma razão, a deformação para o módulo de elasticidade é medida no trecho central: Wang Wei (2025, dissertação da USP) mostrou que instrumentos fixados perto das extremidades desse prisma tendem a superestimar o módulo.

Corpo de prova de concreto e argamassa

No concreto, o corpo de prova mais usado é o cilindro moldado pela ABNT NBR 5738:2015, de 10 × 20 cm ou de 15 × 30 cm (diâmetro × altura), e rompido à compressão pela ABNT NBR 5739:2018, para comparar a resistência obtida com o fck do projeto. A área do 10 × 20 é π·100²/4 = 7.854 mm²; a do 15 × 30, 17.671 mm². A relação altura/diâmetro fica entre 1,94 e 2,06 para dispensar correção, e as bases são retificadas ou capeadas para ficarem planas. O cilindro fica pelo menos 24 h na forma e segue em cura úmida a (23 ± 2) °C até a idade de ensaio, em geral 7 e 28 dias. A quantidade não se conta por metro cúbico: a ABNT NBR 12655:2022 trabalha com exemplares de dois corpos de prova da mesma betonada para cada idade. Quando o concreto já endureceu na estrutura, o corpo de prova é um testemunho extraído por sonda rotativa, pela ABNT NBR 7680-1:2015. Moldagem, adensamento, cura, idades e controle têm artigo próprio: corpo de prova de concreto. O ensaio e os tipos de ruptura estão no guia da NBR 5739.

Na argamassa, o corpo de prova é um prisma de 4 × 4 × 16 cm: ele é rompido primeiro à tração na flexão, e as duas metades resultantes vão depois à compressão, como explica o guia da NBR 13279.

Corpo de prova de solda

O corpo de prova de solda é uma tira cortada de uma junta de teste soldada, em geral transversal ao cordão, para comprovar em ensaio destrutivo que o procedimento ou o soldador atende ao código. Na qualificação de um procedimento de soldagem ou de um soldador, solda-se uma junta de teste, em chapa ou tubo, e dela se cortam corpos de prova para ensaios destrutivos. A posição e o número de cada corpo de prova vêm da norma de qualificação: ASME BPVC Seção IX, AWS D1.1/D1.1M:2025 ou, na família ISO, a ISO 15614-1 para procedimentos e a ISO 9606-1 para soldadores. As pontas da junta são descartadas, porque o início e o fim do cordão têm condições térmicas diferentes do resto.

Os dois ensaios mecânicos mais pedidos usam corpos de prova cortados transversais ao cordão, de modo que o metal de solda, a zona afetada pelo calor e o metal de base fiquem todos no trecho ensaiado:

  • Tração transversal (ISO 4136:2022): mede a resistência da junta e registra onde ela rompeu. O local da fratura (metal de solda, zona afetada pelo calor ou metal de base) é parte do resultado. A ASME IX pede dois corpos de prova de tração na qualificação de procedimento.
  • Dobramento (ISO 5173:2023): dobra o corpo de prova a 180° sobre um pino e examina a face tracionada em busca de trincas, poros e falta de fusão. No dobramento de face, fica tracionada a face da solda; no de raiz, a raiz, que revela falta de penetração; no lateral, a seção transversal da junta inteira, usado em chapas grossas. Pela ASME IX, abaixo de 10 mm de espessura usam-se 2 de face e 2 de raiz; de 10 a 19 mm, os 4 laterais podem substituí-los; a partir de 19 mm, são 4 laterais.

O esquema abaixo mostra uma chapa de teste vista de cima, com os corpos de prova cortados transversais ao cordão e as pontas descartadas, e, à direita, a seção da junta com o lado que fica tracionado em cada tipo de dobramento.

Esquema de uma chapa de teste soldada vista de cima, com os corpos de prova de tração transversal e de dobramento de face e de raiz cortados transversais ao cordão e as pontas descartadas, e à direita a seção da junta com o lado tracionado em laranja na dobra de face, de raiz e lateral
Junta de teste: os corpos de prova saem transversais ao cordão; na dobra, fica tracionada a face, a raiz ou a seção lateral

Antes do dobramento, o reforço da solda é removido rente à chapa, para não criar concentração de tensão na transição. Pinos, critérios de aceitação de cada código e a conta da severidade da dobra estão no artigo sobre o ensaio de dobramento.

Há também corpos de prova longitudinais, com o eixo ao longo do cordão. Na ISO 5178:2019, um redondo usinado só do metal de solda mede as propriedades do metal depositado, sem a influência do metal de base. Dois outros ensaios da qualificação não usam máquina de tração: a macrografia (ISO 17639:2022), feita numa seção transversal lixada e atacada que mostra penetração, fusão e perfil do cordão, e o ensaio de fratura (ISO 9017:2017), em que o corpo de prova entalhado é quebrado para expor poros, inclusões e falta de fusão na superfície rompida.

Quadro: corpos de prova por ensaio e norma

O quadro abaixo reúne, na mesma página, os corpos de prova vistos nas seções anteriores, exceto os de tração de metais, já mostrados no esquema de anatomia. Cada painel tem a sua escala; os números são as cotas principais da norma indicada.

Quadro com seis esquemas de corpos de prova e suas cotas principais: ASTM D638 tipo I de 165 mm com seção útil de 13 × 3,2 mm e G de 50 mm; ISO 527-2 A1 de 170 mm com seção de 10 × 4 mm e L0 de 75 mm; barra da ASTM D790 de 127 × 12,7 × 3,2 mm com vão de 51,2 mm; Charpy de 55 × 10 × 10 mm com entalhe em V de 2 mm, 45° e raio de 0,25 mm; prisma de madeira de 5 × 5 × 15 cm; cilindros de concreto de 10 × 20 e 15 × 30 cm e prisma de argamassa de 4 × 4 × 16 cm
Corpos de prova por ensaio, com as cotas principais de cada norma (cada painel em escala própria)

A tabela resume o mesmo conteúdo, incluindo metais e solda, para consulta rápida:

Ensaio e materialNormaCorpo de prova principal
Tração, metaisNBR ISO 6892-1:2024proporcional, L0 = 5,65√S0 (≈ 5d0); chapa fina tipo 2: 20 × 80 mm
Tração, metaisASTM E8/E8M-25redondo de 12,5 mm, L0 de 50 mm (E8) ou 62,5 mm (E8M); chapa 12,5 × 50 mm
Tração, plásticosASTM D638-22tipo I: 165 mm, 13 × 3,2 mm, G = 50 mm
Tração, plásticosISO 527-2:2025A1: 170 mm, 10 × 4 mm, L0 = 75 mm
Flexão, plásticosASTM D790-25barra 127 × 12,7 × 3,2 mm, vão de 51,2 mm
Tração, compósitosASTM D3039/D3039Mtira retangular de seção constante, com talões
Impacto CharpyISO 148-1:2016, ASTM E23-2555 × 10 × 10 mm, entalhe V de 2 mm, 45°, r = 0,25 mm
DurezaISO 6506-1, 6507-1, 6508-1peça plana; espessura mínima de 8h, 1,5d ou 10h a 15h
Compressão, madeiraNBR 7190-3:2022prisma de 5 × 5 × 15 cm, fibras paralelas à força
Compressão, concretoNBR 5738:2015, NBR 5739:2018cilindro de 10 × 20 ou 15 × 30 cm
ArgamassaNBR 13279prisma de 4 × 4 × 16 cm
SoldaISO 4136:2022, ISO 5173:2023corpos de prova transversais ao cordão: tração e dobramento

Como preparar o corpo de prova

Um corpo de prova mal preparado mede a preparação, não o material. A sequência abaixo vale, com adaptações, para todos os materiais:

  1. Retirar na posição e na direção certas. Chapa laminada tem propriedades diferentes no sentido da laminação e no transversal; madeira, no sentido das fibras e fora dele; plástico injetado, no sentido do fluxo. A especificação do produto diz de onde e em que direção cortar, e o relatório registra.
  2. Cortar e usinar sem aquecer. Calor muda a microestrutura de metais e polímeros perto do corte. Corte a quente ou oxicorte exige deixar sobremetal, removido depois por usinagem com refrigeração, como numa cortadeira metalográfica. Passes pesados também encruam a superfície.
  3. Dar acabamento à parte paralela. Riscos de usinagem transversais ao eixo funcionam como pequenos entalhes. No Charpy, o entalhe é feito com ferramenta própria e conferido em projetor.
  4. Medir antes do ensaio. Diâmetro, ou largura e espessura, em mais de um ponto da parte paralela, com micrômetro ou paquímetro adequado, usando a menor seção ou a média, conforme a norma. Num redondo, 1 % de erro no diâmetro vira cerca de 2 % de erro na tensão, porque a área depende do quadrado do diâmetro.
  5. Marcar L0 com riscos finos ou tinta, sem criar entalhe, quando o alongamento for medido depois da ruptura.
  6. Condicionar. Plásticos ficam na atmosfera da norma (tipicamente 23 °C e 50 % de umidade) pelo tempo previsto; madeira tem a umidade medida e o resultado corrigido para 12 %; concreto segue em cura úmida até a idade de ensaio.

Corpo de prova rompido: o que a fratura conta

O corpo de prova rompido é parte do resultado. Antes de aceitar o número, o laboratório olha onde e como ele quebrou, porque a fratura confirma (ou não) que o ensaio mediu o que devia.

Metais na tração. Um metal dúctil forma um pescoço antes de romper, a estricção, e a fratura tem o aspecto de taça e cone: um centro fibroso e uma borda inclinada a cerca de 45°. Um metal frágil, como o ferro fundido cinzento, rompe sem pescoço, numa superfície plana e perpendicular ao eixo. A diferença aparece também na curva: a fratura dúctil vem depois de uma longa deformação plástica, a frágil quase no fim do trecho elástico. O conceito está no artigo sobre ductilidade.

Onde rompeu. A ruptura tem de ocorrer na parte paralela. Fratura dentro da garra ou na concordância indica aperto excessivo, desalinhamento ou defeito de usinagem, e o ensaio é refeito com novo corpo de prova. Mesmo dentro da parte paralela há uma regra para o alongamento: pela ISO 6892-1, ele só vale se a fratura ficar a pelo menos L0/3 da marca mais próxima, salvo se o valor obtido já atender o mínimo especificado. A razão é a mesma que torna os alongamentos de bases diferentes incomparáveis: o alongamento após a ruptura soma uma parcela uniforme, igual ao longo de todo o trecho útil, e uma parcela concentrada no pescoço. Se o pescoço ficar perto de uma marca, parte dessa deformação concentrada cai fora de L0 e o valor sai baixo.

Concreto. A NBR 5739 classifica o aspecto do cilindro rompido em sete tipos, de A a G. O tipo A, cônico, é o de um ensaio bem executado; os tipos F e G, com fratura junto a uma das bases, apontam para problema de capeamento ou de preparo das bases e não representam o concreto.

Solda. Na tração transversal, a fratura no metal de base costuma indicar que a junta é pelo menos tão resistente quanto a chapa; na solda ou na zona afetada pelo calor, a superfície é examinada em busca de poros, inclusões e falta de fusão. No dobramento, o que se mede são as descontinuidades abertas na face tracionada.

Charpy. Além da energia, a fratura dá a porcentagem de área de cisalhamento (fibrosa, opaca) e a expansão lateral, o quanto o lado comprimido engordou. Uma fratura toda brilhante e cristalina é frágil; toda fibrosa, dúctil.

Dúvidas de interpretação

Algumas confusões aparecem com frequência em laudos, especificações e auditorias. As principais:

O corpo de prova menor dá o mesmo resultado que o padrão?

Em resistência de metais dúcteis, em geral dá valores próximos, desde que a geometria siga a norma. Em alongamento, só se o corpo de prova for proporcional; um L0 fixo em seção menor muda o número. Em materiais frágeis, não se presume igualdade: o efeito de escala faz o corpo de prova menor tender a resistências maiores. No Charpy, corpos de prova reduzidos só se comparam com corpos do mesmo tamanho.

Posso usar a seção nominal no cálculo?

Só quando a norma autoriza, como na NBR 5739 para cilindros moldados com geometria controlada, ou no vergalhão, em que a NBR 7480 calcula a área pela massa por metro da barra, e não pelo paquímetro. Nos demais casos, a seção é medida em cada corpo de prova, porque a tensão herda todo o erro da área.

Um alongamento de 17 % é melhor que um de 15 %?

Depende da base. No guia de ASTM E8 x ISO 6892-1, o mesmo corpo de prova de aço deu 17,2 % em 50 mm e 15,0 % em 62,5 mm. O número só tem sentido com a base declarada.

O corpo de prova representa a peça?

Representa o material na condição em que foi retirado. A peça pode ter regiões com propriedades diferentes (superfície temperada, núcleo mole; borda de chapa; raiz de um cordão), concentradores de tensão e tensões residuais que o corpo de prova não tem. Por isso a especificação define de onde ele sai, e ensaio de componente é outro tipo de ensaio.

Um corpo de prova já ensaiado pode ser reaproveitado?

Num ensaio destrutivo, não: depois de passar do limite elástico, o material da parte útil foi deformado plasticamente, encruado ou trincado, e já não representa o lote. A exceção é a medição só no regime elástico, como a do módulo de elasticidade, que não muda o corpo de prova. Na dureza, a mesma peça recebe várias impressões, desde que respeitadas as distâncias entre elas.

Corpo de prova que rompeu na garra pode ser aproveitado?

A resistência registrada é, no máximo, um limite inferior, porque a seção que rompeu estava sob tensões que não são as do ensaio. Para o laudo, ensaia-se outro corpo de prova e investiga-se a causa (aperto, alinhamento, concordância), para que ela não se repita.

Exercícios resolvidos

Os exercícios usam as fórmulas apresentadas no vocabulário: S0 = π·d0²/4 ou a0·b0, L0 = 5,65·√S0 e F = R·S0, em que R é a resistência do material em MPa (N/mm²). A força estimada é o dado que escolhe a máquina e a garra.

Exercício 1: redondo de 12,5 mm pela ASTM e pela ISO

Um aço com resistência à tração de 450 MPa será ensaiado num redondo de 12,5 mm de diâmetro. Quais os comprimentos de referência pela ASTM E8, pela E8M e pela ISO 6892-1, e qual a força máxima esperada? E se o redondo for de 10 mm, pela ISO?

  • Área: S0 = π × 12,5² / 4 = 122,72 mm².
  • Bases: E8, 4D = 50 mm; E8M, 5D = 62,5 mm; ISO, 5,65 × √122,72 = 5,65 × 11,078 = 62,6 mm, marcado como 62,5 mm. O proporcional da ISO coincide com o E8M; o E8 usa uma base 20 % menor.
  • Força máxima: Fm = 450 × 122,72 = 55.223 N ≈ 55,2 kN.
  • Redondo de 10 mm pela ISO: S0 = 78,54 mm²; L0 = 5,65 × 8,862 = 50,1 mm; Fm = 450 × 78,54 = 35.343 N ≈ 35,3 kN.
  • Máquina: 55,2 kN passa da capacidade de uma máquina de 50 kN, e o redondo de 12,5 mm pede a faixa de 100 a 200 kN, com garra cunha de 200 kN ou, se as cabeças forem roscadas, garra para corpo de prova roscado. O de 10 mm, com 35,3 kN, cabe na máquina de 5 a 50 kN (71 % da capacidade), com garra cunha pneumática de 50 kN ou garra cunha de 200 kN.

Exercício 2: chapa fina e plástico

Qual a força de ruptura esperada de uma chapa do mesmo aço, no corpo de prova sheet-type do E8 com 2,0 mm de espessura, e de um plástico no tipo I da D638, admitindo para ele uma resistência ilustrativa de 40 MPa?

  • Chapa: S0 = 12,5 × 2,0 = 25,0 mm²; Fm = 450 × 25,0 = 11,25 kN. Cabe na máquina de 5 a 50 kN, com garra cunha de 20 kN.
  • Plástico: S0 = 13 × 3,2 = 41,6 mm²; F = 40 × 41,6 = 1.664 N ≈ 1,66 kN. A faixa indicada é a da máquina de coluna simples de 10 kN, com garra cunha ou garra alavanca de 5 kN e extensômetro de 50 mm, que coincide com a base do tipo I.

A diferença de 30 vezes entre o redondo de aço e a gravata de plástico mostra por que a capacidade da máquina e da célula de carga se escolhe pelo corpo de prova, e não pelo material em abstrato.

Exercício 3: compressão de concreto e de madeira

Que força rompe um cilindro de concreto de 30 MPa nos dois tamanhos da NBR 5738, e um prisma de madeira de classe D40 na compressão paralela?

  • Concreto 10 × 20: F = 30 × 7.854 = 235.620 N ≈ 236 kN.
  • Concreto 15 × 30: F = 30 × 17.671 = 530.130 N ≈ 530 kN, 2,25 vezes mais, porque a área cresce com o quadrado do diâmetro (1,5² = 2,25). Os dois tamanhos rompem na prensa de compressão, e o 15 × 30 exige uma capacidade bem maior.
  • Madeira D40: a classe indica resistência característica de 40 MPa; no prisma de 5 × 5 cm, F = 40 × 2.500 = 100 kN. Como a característica é um valor baixo da distribuição, a média dos corpos de prova fica acima disso, e a máquina precisa de folga: pratos de compressão de 300 kN na máquina de 100 a 200 kN ou na de 300 kN.

Exercício 4: espessura mínima no Vickers

Uma chapa de 0,50 mm recebe uma impressão Vickers com diagonal média de 0,40 mm. A leitura é válida?

  • Espessura mínima = 1,5 × 0,40 = 0,60 mm.
  • Como 0,50 mm é menor que 0,60 mm, a deformação chega ao verso e a leitura sai influenciada pelo apoio. É preciso uma força menor, que produza diagonal de no máximo 0,50 / 1,5 = 0,33 mm.

Erros comuns com corpo de prova

A maioria dos resultados rejeitados em auditoria tem origem no corpo de prova, não na máquina:

  • Tratar amostra e corpo de prova como sinônimos no plano de amostragem, sem dizer quantos corpos de prova saem de cada amostra.
  • Achar que corpo de prova é só de concreto. Todo ensaio de material tem o seu, com norma própria.
  • Comparar alongamentos de bases diferentes (4D e 5D, 50 mm e 80 mm).
  • Usar a dimensão nominal em vez da medida.
  • Aquecer ou encruar na usinagem, ou deixar riscos na parte paralela.
  • Prender o corpo de prova desalinhado ou com a garra escorregando, o que aparece como degraus e serrilhado na curva.
  • Aceitar ruptura fora da parte paralela, ou alongamento com fratura a menos de L0/3 da marca, sem análise.
  • Trocar o tamanho do corpo de prova de material frágil e comparar com o histórico do tamanho antigo.
  • Citar norma cancelada ou superada: NBR 5738:1994, ISO 527-2:2012 (com os nomes 1A e 1B) ou edições antigas da D638 e da D790.
  • Medir dureza em peça fina demais, sem conferir a espessura mínima.
  • No concreto, preparar mal as bases, o que produz rupturas dos tipos F e G.

Equipamento para ensaiar cada corpo de prova

Na máquina universal de ensaios, o corpo de prova define o resto da montagem: a garra ou o dispositivo que o segura, a capacidade da máquina e da célula de carga e o extensômetro, que é posicionado dentro de L0. O software recebe a seção medida e o comprimento de referência e converte força e deslocamento em tensão e deformação. Na linha M2 da Biopdi, a célula de carga é classe 1 pela ABNT NBR ISO 7500-1:2023. O painel abaixo mostra a máquina, o papel de cada parte e os dispositivos que correspondem aos corpos de prova deste artigo.

A máquina universal e o corpo de prova

A linha M2 tem modelos de coluna simples, de 200 N a 10 kN, e de coluna dupla, de 5 kN a 1.000 kN. Com o corpo de prova montado, cada parte tem uma função:

Máquinas universais de ensaios M2 da Biopdi de coluna simples (MBIOI-10-M2, 10 kN) e coluna dupla (MBIOII-50-M2, 50 kN)
  1. Travessa móvel aplica a força na velocidade da norma
  2. Célula de carga classe 1, escolhida pela força do corpo de prova
  3. Garras e dispositivos seguram as cabeças ou apoiam o corpo de prova
  4. Extensômetro mede a deformação dentro de L0
  5. Software BioLab usa S0 e L0 medidos para calcular tensões
  6. Painel e emergência posiciona e para o ensaio

Dispositivos por tipo de corpo de prova

Os dispositivos abaixo são montados na mesma máquina, conforme o corpo de prova:

Garra cunha Biopdi para ensaio de tração
Garra cunha5, 20 e 200 kN
Garra Biopdi para corpos de prova roscados e parafusos
Garra para roscadoscorpos de prova de cabeça roscada
Dispositivo de microtração Biopdi
Microtraçãocorpos de prova muito pequenos
Dispositivo de flexão Biopdi
Dispositivo de flexão3 e 4 pontos; 10, 50 e 300 kN
Dispositivo de dobramento Biopdi conforme ISO 5173
Dispositivo de dobramentoconforme ISO 5173
Pratos de compressão Biopdi
Pratos de compressão1, 50 e 300 kN
Extensômetro Biopdi com os dois braços de contato presos ao corpo de prova
Extensômetrobases de 25, 50, 150 e 250 mm

A escolha do modelo segue a força estimada do corpo de prova, como nos exercícios. Filmes, fios e componentes pequenos ficam na MBIOI-1P-M2, de 200 N a 1 kN; gravatas de plástico e prismas de madeira leve, na MBIOI-10-M2; chapas, compósitos e redondos pequenos de metal, na MBIOII-50-M2; o redondo de 12,5 mm de aço, vergalhões e cabos, na MBIOII-200-M2. O método de cada norma é configurado no software BioLab. Os cilindros de concreto rompem na prensa elétrica ou hidráulica. Para configurar a máquina para os seus corpos de prova, peça um orçamento.

Normas citadas

A tabela lista as normas deste artigo com a edição vigente, conferida em 01/10/2026 na loja da ASTM, no catálogo da ISO e em catálogos da ABNT:

NormaAssuntoEdição
ABNT NBR ISO 6892-1tração de metais em temperatura ambiente2024
ISO 6892-1tração de metais em temperatura ambiente2019
ASTM E8/E8Mtração de materiais metálicosE8/E8M-25
ASTM D638tração de plásticosD638-22
ISO 527-2tração de plásticos de moldagem e extrusão2025
ASTM D790flexão de plásticos em três pontosD790-25
ASTM D3039/D3039Mtração de compósitos de matriz polimérica17(2025)
ASTM D7264/D7264Mflexão de compósitos de matriz polimérica-26
ISO 148-1 e ABNT NBR ISO 148-1impacto Charpy em metais2016 e 2021
ASTM E23impacto em barra entalhada de metaisE23-25
ISO 6506-1, ISO 6507-1 e ISO 6508-1dureza Brinell, Vickers e Rockwell2014, 2023 e 2023
ABNT NBR 7190-1 e NBR 7190-3estruturas de madeira: critérios e ensaios de corpos de prova isentos de defeitos2022
ABNT NBR 5738moldagem e cura de corpos de prova de concreto2015
ABNT NBR 5739compressão de cilindros de concreto2018
ABNT NBR 12655concreto: preparo, controle e recebimento2022
ABNT NBR 7680-1testemunhos extraídos de estruturas de concreto2015
ABNT NBR 13279argamassa: tração na flexão e compressão2005
ISO 4136tração transversal de juntas soldadas2022
ISO 5173dobramento de juntas soldadas2023
ISO 5178tração longitudinal do metal de solda2019
ISO 17639exame macrográfico e micrográfico de soldas2022
ISO 9017ensaio de fratura de soldas2017
AWS D1.1/D1.1Mcódigo de soldagem estrutural em aço2025
ABNT NBR ISO 7500-1verificação da força de máquinas de ensaio2023

Outros ensaios e referências técnicas

Referências técnicas relacionadas

Perguntas frequentes

O que significa corpo de prova?

É a porção de material com forma, dimensões e acabamento definidos por norma, preparada para um ensaio. A geometria padronizada torna o estado de tensão conhecido e o resultado comparável, e permite medir resistência, alongamento ou energia sem ensaiar a peça inteira.

Qual é a norma para o corpo de prova?

Não existe uma norma única: cada ensaio tem a sua. Tração de metais segue a ABNT NBR ISO 6892-1:2024 ou a ASTM E8/E8M-25; plásticos, a ASTM D638-22, a ISO 527-2:2025 e a ASTM D790-25; Charpy, a ISO 148-1 e a ASTM E23; madeira, a NBR 7190-3:2022; concreto, as NBR 5738:2015 e 5739:2018; solda, as ISO 4136:2022 e 5173:2023 e os códigos de qualificação.

Qual o tamanho de um corpo de prova?

Não há tamanho único: cada norma de ensaio fixa o seu. Alguns de referência são o cilindro de concreto de 10 × 20 ou 15 × 30 cm (NBR 5738:2015), o redondo de aço de 12,5 mm (ASTM E8/E8M-25), a gravata de plástico de 165 mm (ASTM D638-22), a barra Charpy de 55 × 10 × 10 mm (ISO 148-1:2016) e o prisma de madeira de 5 × 5 × 15 cm (NBR 7190-3:2022).

Como fazer um corpo de prova?

Retire a amostra na posição e na direção que a especificação do produto manda, corte ou usine sem aquecer até a geometria da norma do ensaio, dê acabamento à parte útil, meça a seção e condicione o corpo de prova antes do ensaio. Concreto e plástico injetado são moldados, e não usinados: o concreto, pela NBR 5738, em camadas adensadas dentro da forma.

Qual a diferença entre amostra e corpo de prova?

A amostra é a porção retirada do lote ou do produto para representá-lo; o corpo de prova é a peça com a geometria da norma, preparada a partir da amostra. De uma amostra podem sair vários corpos de prova.

Qual a área do corpo de prova 10x20?

7.854 mm² (78,54 cm²), pela fórmula π·D²/4 com D = 100 mm. Com 30 MPa, a força de ruptura fica em torno de 236 kN. O 15 × 30 tem 17.671 mm².

Quantos golpes no corpo de prova de concreto?

No cilindro de 10 × 20 cm com adensamento manual, a NBR 5738:2015 prevê 2 camadas de 12 golpes cada. As demais dimensões e o adensamento por vibração estão no artigo sobre corpo de prova de concreto.

Qual é o tempo de cura de um corpo de prova?

No concreto, o corpo de prova fica pelo menos 24 h na forma (48 h o prismático) e depois em cura úmida a (23 ± 2) °C até a idade de ensaio, em geral 7 e 28 dias, pela NBR 5738:2015. Metais não têm cura, e plásticos passam por condicionamento em temperatura e umidade controladas. O detalhe do concreto está no artigo sobre corpo de prova de concreto.

Quantos corpos de prova por m³ de concreto?

Não existe regra por metro cúbico. A NBR 12655:2022 pede exemplares de dois corpos de prova da mesma betonada para cada idade; na amostragem parcial, cada lote, de até 50 m³ em elementos comprimidos ou 100 m³ em flexão simples, precisa de pelo menos 6 exemplares. A conta completa está no artigo sobre corpo de prova de concreto.

Qual o valor do corpo de prova de concreto?

Se a pergunta é a resistência, o valor é a força de ruptura dividida pela área, em MPa, comparado com o fck do projeto: um cilindro de 10 × 20 que rompe com 236 kN tem 30 MPa. Se é o preço, depende de quem vende a forma ou o ensaio, e este artigo não cita preços.

O que é extração de corpo de prova?

É a retirada de um testemunho, cilindro de concreto cortado da estrutura pronta por sonda rotativa com coroa diamantada, pela ABNT NBR 7680-1:2015. Serve para avaliar o concreto que está na obra, em geral quando os corpos de prova moldados não aceitaram o lote.

Qual é a máquina utilizada para rompimento de corpo de prova?

Cilindros de concreto rompem em prensa de compressão, elétrica ou hidráulica, pela NBR 5739:2018. Corpos de prova de metal, plástico, madeira e compósito, em tração, compressão, flexão e dobramento, rompem na máquina universal de ensaios, e o Charpy, num pêndulo de impacto. A capacidade se escolhe pela força esperada do corpo de prova.

Qual o tamanho do corpo de prova de tração de aço?

No padrão da ASTM E8, redondo de 12,5 mm de diâmetro com base de medida de 50 mm (4D), ou de 62,5 mm no E8M. Pela ISO 6892-1, o comprimento de referência é 5,65√S0, cerca de 5 vezes o diâmetro: 50 mm num redondo de 10 mm.

Por que o corpo de prova de tração tem as pontas mais largas?

Para a deformação e a ruptura acontecerem no trecho estreito do meio, longe das garras, onde a tensão é uniaxial e uniforme. O raio de concordância faz a transição sem canto vivo, para que a ruptura não nasça na mudança de seção.

O que fazer se o corpo de prova romper fora da região útil?

Se romper na garra ou na concordância, o ensaio é refeito com novo corpo de prova e a causa é investigada. Na tração de metais, o alongamento só vale se a fratura ficar a pelo menos L0/3 da marca mais próxima, salvo se o valor já atender o mínimo especificado.

O que a fratura do corpo de prova rompido indica?

Em metais, taça e cone com pescoço indica comportamento dúctil; fratura plana e sem estricção, comportamento frágil. No concreto, os tipos A a G da NBR 5739 separam a ruptura normal da causada por defeito nas bases. Na solda, o local da fratura é parte do resultado.

Como é o corpo de prova de solda?

É cortado de uma junta de teste soldada, transversal ao cordão, nas posições definidas pelo código de qualificação. Os ensaios mais pedidos são a tração transversal (ISO 4136:2022) e o dobramento de face, de raiz ou lateral (ISO 5173:2023). Pela ASME IX, juntas de 19 mm ou mais pedem 4 dobramentos laterais.

Como se chama o teste de solda feito em corpo de prova?

É a qualificação, do procedimento de soldagem ou do soldador, pela ASME IX, pela AWS D1.1 ou pelas ISO 15614-1 e 9606-1. Nela, corpos de prova cortados da junta de teste passam por dobramento, tração transversal e, conforme o código, macrografia (ISO 17639:2022) ou ensaio de fratura (ISO 9017:2017).

Qual o tamanho do corpo de prova Charpy?

55 × 10 × 10 mm, com entalhe em V de 2 mm de profundidade, ângulo de 45° e raio de fundo de 0,25 mm, pela ISO 148-1:2016 e pela ASTM E23-25. Corpos reduzidos de 7,5, 5 e 2,5 mm de espessura só se comparam entre si.

Como montar o corpo de prova na máquina?

Escolha a garra ou o dispositivo pela forma e pela força do corpo de prova, prenda uma cabeça, zere a força, prenda a outra cabeça alinhada ao eixo sem apertar a parte paralela e posicione o extensômetro dentro de L0. Informe ao software a seção medida e o comprimento de referência antes de iniciar.