NBR 13279: resistência à tração na flexão e à compressão da argamassa (prismas 4 × 4 × 16 cm), cálculo e classificação

A ABNT NBR 13279:2005, vigente e confirmada pela ABNT em novembro de 2023, é o método brasileiro para medir a resistência à tração na flexão e à compressão de argamassas de assentamento e revestimento: prismas de 4 × 4 × 16 cm rompidos em flexão de 3 pontos com vão de 100 mm, a (50 ± 10) N/s, e as metades rompidas em compressão sobre 40 × 40 mm, a (500 ± 50) N/s. Rf = 1,5·Ff·L/40³ e Rc = Fc/1.600, em MPa. Veja o procedimento, o critério de descarte, um exemplo resolvido, a classificação pela NBR 13281 e a força que a máquina precisa ter.

Ensaios MecânicosPor Mardoqueu M. Costa
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A ABNT NBR 13279:2005 é a norma brasileira que determina a resistência à tração na flexão e a resistência à compressão de argamassas de assentamento e de revestimento de paredes e tetos no estado endurecido. A edição de 2005 está vigente e foi confirmada pela ABNT pela última vez em novembro de 2023. Ela exige prismas de 4 × 4 × 16 cm, curados ao ar e ensaiados normalmente aos 28 dias. Cada prisma é rompido primeiro em flexão de 3 pontos, com vão de 100 mm e carga crescente a (50 ± 10) N/s, e as duas metades que sobram são rompidas em compressão sobre uma área de 40 × 40 mm, a (500 ± 50) N/s. Os resultados são Rf = 1,5·Ff·L / 40³ e Rc = Fc / 1.600, em MPa.

Este guia explica, com as nossas palavras, o que a NBR 13279 pede do corpo de prova, do equipamento, da execução, do cálculo e do relatório, resolve um ensaio completo com três prismas e mostra que força a máquina precisa ter. A situação das normas foi conferida em 30/09/2026 no catálogo da Target (revendedora da ABNT) e nas páginas da ASTM e da ISO. O texto cita só os números essenciais e não substitui a norma comprada.

O que a NBR 13279 mede e onde ela se aplica

A NBR 13279 é do comitê de cimento, concreto e agregados da ABNT (CB-018). A edição de 2005 substituiu a de 1995, que tratava só da compressão, e desde então foi confirmada em 2010, 2014, 2018 e 2023, sem mudança de texto. O escopo são as argamassas inorgânicas de assentamento de alvenaria e de revestimento de paredes e tetos, feitas em obra ou industrializadas. Ficam de fora a argamassa colante de placas cerâmicas, que tem norma própria, e o concreto.

A norma mede duas propriedades do material endurecido. A resistência à tração na flexão (Rf) é a tensão de tração na face inferior do prisma no instante em que ele trinca, calculada pela teoria de vigas. A resistência à compressão (Rc) é a força máxima que uma metade do prisma suporta dividida pela área carregada. As duas servem para controlar a produção, comparar traços e classificar a argamassa, e nenhuma delas é a resistência da parede pronta, que depende também do bloco, da junta e da execução.

Os princípios gerais dos dois ensaios estão nos guias do ensaio de flexão, que explica a flexão em 3 e 4 pontos e a origem da fórmula da tensão, e do ensaio de compressão, que trata da curva de compressão e do comportamento de materiais frágeis. Aqui o foco é o que a NBR 13279 exige. Argamassa e concreto têm normas e corpos de prova diferentes: o concreto é rompido em cilindros de 10 × 20 ou 15 × 30 cm pela NBR 5739, com taxa em MPa/s e forças de centenas de quilonewtons, como mostra o guia da NBR 5739. Um resultado de argamassa não se compara diretamente com um de concreto, nem o procedimento de um vale para o outro.

As normas da argamassa: quem define o quê

A NBR 13279 é uma peça de uma cadeia. O ensaio de resistência só é reprodutível se a argamassa foi preparada e dosada do mesmo jeito, e o número só ganha significado quando comparado com um requisito. Cada etapa tem a sua norma:

  • NBR 16541:2016 (preparo da mistura). Define como misturar a argamassa em laboratório, na argamassadeira, antes de qualquer ensaio. Vigente, confirmada em dezembro de 2025.
  • NBR 13276:2016 (índice de consistência). Mede o espalhamento da argamassa fresca na mesa de consistência. Vigente, confirmada em dezembro de 2025. Em pesquisa é comum fixar a água para atingir um espalhamento de referência, como 260 ± 5 mm; isso é prática de laboratório, não exigência da NBR 13279.
  • NBR 13279:2005 (resistência). O método deste guia.
  • NBR 13281-1:2023 e NBR 13281-2:2023 (requisitos). Dizem que valores cada tipo de argamassa precisa atingir. As duas partes substituíram a NBR 13281:2005 em fevereiro de 2023 e citam a NBR 13279 entre as normas de referência.

A confusão mais frequente é com a NBR 7215, que aparece até em resumos de busca como se fosse a norma de argamassa. A ABNT NBR 7215:2019 (com emenda de março de 2025, vigente) mede a resistência à compressão do cimento Portland: usa uma argamassa normal de cimento e areia normalizada, moldada em cilindros de 50 × 100 mm, com cura submersa, e só rompe à compressão. A NBR 13279 avalia a argamassa de obra como ela é produzida, em prismas, curados ao ar, e mede flexão e compressão. A tabela resume a divisão:

NormaPapelEdição e situação
ABNT NBR 16541preparo da mistura em laboratório2016, vigente
ABNT NBR 13276índice de consistência (estado fresco)2016, vigente
ABNT NBR 13279tração na flexão e compressão (endurecida)2005, vigente
ABNT NBR 13281-1 e -2requisitos e classificação2023, vigentes
ABNT NBR 7215compressão do cimento, em cilindros2019 com emenda 2025, vigente

Corpo de prova: moldagem, desforma e cura

O corpo de prova é um prisma de 40 × 40 × 160 mm, moldado num molde metálico de três compartimentos. O Anexo A, normativo, fixa as dimensões internas com tolerância de ± 0,4 mm na seção e ± 0,8 mm no comprimento, paredes de pelo menos 8 mm e conjunto estanque, com as peças identificadas para não se trocarem entre moldes. Um molde gera os três prismas de uma idade de ensaio, sempre com argamassa recém-preparada.

O molde, fixado na mesa de adensamento, recebe uma camada fina de óleo mineral. A argamassa entra em duas camadas, cada uma espalhada com o nivelador e adensada com 30 quedas da mesa, e o excesso é retirado com uma régua metálica chanfrada. Essa face de cima, a face rasada, fica mais irregular que as outras três, que moldaram contra o aço, e isso vai importar na hora do ensaio.

Os prismas ficam no molde por (48 ± 24) h e, depois de desmoldados, continuam no ambiente de laboratório até a ruptura, a (23 ± 2) °C e (60 ± 5) % de umidade relativa. É cura ao ar, e não submersa como a do cimento pela NBR 7215: a argamassa de revestimento trabalha exposta ao ar, e é nessa condição que ela é avaliada. A idade de referência é 28 dias. Outras idades podem ser pedidas para acompanhar a evolução da resistência e ficam registradas no relatório. Cada idade tem uma tolerância de horário, que a tabela resume:

Idade do ensaioTolerânciaTolerância relativa
24 h± 1 h4,2 %
3 dias± 2 h2,8 %
7 dias± 4 h2,4 %
14 dias± 6 h1,8 %
28 dias± 8 h1,2 %
91 dias± 24 h1,1 %

A sequência do ensaio: um prisma, dois resultados

O ensaio aproveita o mesmo corpo de prova duas vezes. Primeiro o prisma inteiro é rompido em flexão; a trinca abre no meio do vão e divide o prisma em duas metades de cerca de 80 mm, que continuam íntegras o bastante para ir à compressão. Por isso três prismas por idade geram três resultados de Rf e seis de Rc. Na foto, prismas de argamassa de 4 x 4 x 16 cm: um deles partido ao meio pelo ensaio de flexão e uma das metades já esmagada pela compressão, com o molde de três prismas ao fundo.

Prismas de argamassa de 4 x 4 x 16 cm sobre a bancada, um partido ao meio pela flexão e uma metade esmagada pela compressão, com o molde metálico ao fundo
Prismas de argamassa: a flexão parte o prisma ao meio, e cada metade vai para a compressão

Em nenhuma das duas etapas a face rasada pode tocar os roletes de apoio, o rolete de carga ou as placas de compressão: o prisma sai do molde com essa face para cima e é girado 90° em torno do próprio eixo, para que as faces carregadas sejam as que moldaram contra o aço. O esquema abaixo, desenhado para este guia, acompanha um prisma do molde ao último resultado e mostra, na linha de baixo, que os dois grupos de resultados de uma idade seguem para o tratamento estatístico separados, cada um com o seu limite de descarte e o seu número mínimo de valores.

Esquema em quatro etapas: prisma moldado com a face rasada no topo, girado 90° e rompido em flexão, partido em duas metades de cerca de 80 mm e cada metade comprimida entre placas de 40 × 40 mm; embaixo, 3 prismas geram 3 valores de Rf e 6 metades geram 6 valores de Rc
Esquema da sequência: cada prisma dá 1 valor de Rf e 2 de Rc, sempre com a face rasada de lado

O segundo esquema dá as cotas de cada montagem, em elevação e em corte, sem escala entre os dois painéis. À esquerda, o prisma apoiado em dois roletes a 100 mm um do outro, com 30 mm de balanço de cada lado, a carga Ff no centro e a trinca nascendo na face inferior, que é a tracionada. À direita, uma metade deitada entre duas placas de aço de 40 × 40 mm, a de cima com rótula: só o trecho entre as placas é comprimido, e é a área delas, não a da metade inteira, que entra no cálculo. Os cortes mostram, em laranja, a face rasada na lateral nos dois ensaios.

Esquema do prisma de argamassa de 40 × 40 × 160 mm em flexão de 3 pontos, com roletes de 10 mm, balanços de 30 mm, vão de 100 mm e carga Ff no centro, e de uma metade de cerca de 80 mm entre placas de 40 × 40 mm com rótula sob a carga Fc; os cortes mostram a face rasada na lateral nos dois ensaios
Esquema da NBR 13279: flexão com balanços de 30 mm e vão de 100 mm, compressão da metade sobre 40 × 40 mm e a face rasada sempre na lateral

Tração na flexão: montagem, velocidade e cálculo

A máquina precisa ser, no mínimo, classe 1 pela NBR ISO 7500-1, isto é, com erro de indicação de até 1 % na faixa verificada. O dispositivo de flexão tem dois roletes de apoio e um de carga, de aço, com (10,0 ± 0,5) mm de diâmetro e 45 a 50 mm de comprimento. Os apoios ficam a (100,0 ± 0,5) mm um do outro, e o rolete de carga desce no meio do vão, com os três eixos paralelos entre si e perpendiculares ao prisma. Um apoio e o rolete de carga podem inclinar levemente, para distribuir a carga por toda a largura sem torcer o prisma. O prisma é centrado sobre os apoios, com 30 mm de balanço de cada lado, e carregado de forma contínua e sem choque a (50 ± 10) N/s até romper. A máquina registra a força máxima, Ff, em newtons.

A fórmula vem da viga biapoiada com carga no centro. O momento fletor máximo, sob a carga, é M = Ff·L / 4. A seção quadrada de lado b = h = 40 mm tem módulo resistente W = b·h² / 6. A tensão máxima na face inferior é M / W = 3·Ff·L / (2·b·h²), que, com b = h = 40 mm, vira a expressão da norma:

Rf = 1,5·Ff·L / 40³, com Ff em N, L = 100 mm e o resultado em MPa (N/mm²).

Como L e a seção são fixos, a conta se resume a um fator: 1,5 × 100 / 64.000 = 0,00234375. Na prática, Rf (MPa) = 0,00234375 × Ff (N): um prisma que rompe com 1.000 N tem 2,34 MPa. O fator só vale se o vão for mesmo 100 mm. Um dispositivo montado com os apoios a 120 mm, com o cálculo feito para 100 mm, subestima Rf em 1 − 100/120 = 16,7 % para a mesma força medida.

A velocidade de 50 N/s é baixa de propósito: uma argamassa comum rompe entre 0,5 e 2 kN, e o ensaio dura de 10 a 40 s. Carregar mais rápido tende a elevar a força de ruptura; a faixa de 40 a 60 N/s é o que torna comparáveis os resultados de laboratórios diferentes.

Compressão das metades: placas de 40 × 40 mm

Cada metade vai para o dispositivo de compressão, que tem duas placas de aço de (40,0 ± 0,1) mm de lado, uma sobre a outra, com pelo menos 10 mm de espessura e planicidade de 0,01 mm. A placa de cima fica numa rótula, que se alinha com a metade no primeiro contato e depois trava, e o indicador guarda a força de ruptura depois que a carga cai. A metade é deitada entre as placas, com uma face lateral de moldagem apoiada na placa de baixo e a face rasada de lado, e posicionada para que a área de contato seja o quadrado completo de 40 × 40 mm. A carga cresce a (500 ± 50) N/s, dez vezes mais rápido que na flexão, porque a força de ruptura também é cerca de dez vezes maior.

Rc = Fc / 1.600, com Fc em N e 1.600 mm² = 40 × 40 mm, o que dá MPa. Na forma de fator, Rc (MPa) = 0,000625 × Fc (N): uma metade que rompe com 6.400 N tem 4,0 MPa. A fórmula pressupõe que a metade cubra as placas por inteiro. Se ela ficar deslocada, parte da placa carrega o vazio, a área real fica menor que 1.600 mm² e o valor calculado sai baixo.

Tratamento dos resultados e relatório

A NBR 13279 fixa como arredondar e quando descartar. Cada resultado individual é arredondado ao centésimo de MPa. A média e o desvio absoluto máximo são arredondados ao décimo. O desvio absoluto máximo é a maior diferença, em módulo, entre um resultado individual e a média do grupo.

  • Flexão: se o desvio absoluto máximo passar de 0,3 MPa, calcula-se uma nova média sem o valor discrepante, que continua no relatório marcado com asterisco. O resultado só vale com pelo menos 2 dos 3 prismas.
  • Compressão: o limite é 0,5 MPa, com a mesma regra, e o resultado só vale com pelo menos 4 das 6 metades.

Se o descarte deixar menos valores que o mínimo, não há resultado válido para aquela idade e o ensaio é refeito. O relatório identifica a argamassa (tipo, cor, lote ou data de fabricação, marca comercial e fabricante), a proporção entre a água e a argamassa anidra, em massa, e traz, para cada idade, os resultados individuais, a média e o desvio absoluto máximo, tanto na flexão quanto na compressão.

O que o resultado significa: classes P e R e a NBR 13281 de 2023

A NBR 13279 só mede. Quem diz se o valor é suficiente é a norma de requisitos, e ela mudou em 2023. Até fevereiro daquele ano, valia a NBR 13281:2005, que classificava toda argamassa de assentamento e revestimento por faixas de propriedade, sem olhar o uso. As faixas de resistência, as duas medidas pela NBR 13279, eram estas:

ClasseCompressão (MPa)ClasseTração na flexão (MPa)
P1≤ 2,0R1≤ 1,5
P21,5 a 3,0R21,0 a 2,0
P32,5 a 4,5R31,5 a 2,7
P44,0 a 6,5R42,0 a 3,5
P55,5 a 9,0R52,7 a 4,5
P6> 8,0R6> 3,5

As faixas se sobrepõem de propósito, porque o próprio ensaio tem dispersão. A norma de 2005 mandava considerar o desvio do ensaio e, quando o valor caía na sobreposição de duas faixas, adotar a classe maior. Essa nomenclatura ainda aparece em fichas técnicas antigas e em muitos trabalhos acadêmicos.

Em fevereiro de 2023 a NBR 13281:2005 foi cancelada e substituída por duas partes, em vigor desde agosto de 2023, que classificam a argamassa pelo uso:

  • NBR 13281-1:2023, revestimento de paredes e tetos. Classes ARV-I, ARV-II e ARV-III, todas para uso interno e que se distinguem pelo uso externo: até 10 m de altura, até 60 m e acima de 60 m, respectivamente. Há ainda a AET, argamassa de emboço técnico, primeira camada de sistemas decorativos em camadas. Os requisitos que classificam são aderência potencial, resistência superficial, módulo de elasticidade dinâmico e variação dimensional. A tração na flexão, medida pela NBR 13279, passou a ser informativa: o fabricante declara a classe na embalagem ou na ficha técnica. A compressão não aparece na Parte 1, nem como informação.
  • NBR 13281-2:2023, assentamento e fixação de alvenaria. Separa as argamassas de assentamento de vedação (AAV), de assentamento estrutural (AAE) e de fixação horizontal de alvenaria (AAF), o encunhamento. Aqui a resistência à compressão medida pela NBR 13279 é requisito de classificação nos três tipos, e a tração na flexão não é pedida. Retenção de água, ar incorporado, retração e aderência potencial completam os requisitos.

Na Parte 2, os limites de compressão são estes, sempre pela média dos corpos de prova da NBR 13279, com coeficiente de variação abaixo de 20 % no caso da argamassa estrutural:

Argamassa (NBR 13281-2:2023)Compressão faBloco indicado (fbk)
AAV, assentamento de vedaçãode 2,0 a 5,0 MPavedação
AAF, fixação (encunhamento)de 1,5 a 5,0 MPavedação
AAE5de 5,0 a 8,0 MPa3 a 6 MPa
AAE8de 8,0 a 12,0 MPa8 a 10 MPa
AAE12de 12,0 a 16,0 MPa12 a 16 MPa
AAE16de 16,0 a 20,0 MPa18 a 20 MPa
AAE20de 20,0 a 24,0 MPa22 a 24 MPa
AAEE, especial24,0 MPa ou maisespecificada caso a caso

Note que a AAV e a AAF têm teto de 5,0 MPa, e não só piso. As classes AAE valem para paredes revestidas; em alvenaria aparente, muro de arrimo ou reservatório, a norma recomenda subir uma classe de compressão.

A Parte 1 trouxe classes próprias de tração na flexão, informativas, com os mesmos nomes R1, R2, R3 e R4 da edição de 2005 e faixas diferentes:

Classe na NBR 13281-1:2023Tração na flexão Rf (NBR 13279)
R1abaixo de 0,5 MPa
R2de 0,5 a 1,5 MPa
R3de 1,5 a 3,0 MPa
R4acima de 3,0 MPa

Como interpretar a norma

O texto da NBR 13279 é curto, e alguns pontos costumam ser lidos pela metade ou aplicados sem que se saiba por que existem. Esta seção explica cada um, com a origem dos números.

De onde vem o 40³ na fórmula de Rf, e o que ela supõe?

Rf = 1,5·Ff·L / 40³ é a tensão máxima da viga biapoiada com carga no meio, deduzida na seção de flexão: o momento Ff·L / 4 dividido pelo módulo resistente b·h² / 6. O 40³ é o produto b·h² com as dimensões nominais do prisma. A norma usa a seção nominal, e não a medida: um prisma no limite da tolerância do molde, com 40,4 × 40,4 mm, teria tensão real cerca de 3 % menor que a calculada, porque (40 / 40,4)³ = 0,97. Por isso o Anexo A controla o molde em décimos de milímetro. A fórmula também supõe comportamento elástico linear até a ruptura, razoável para um material frágil como a argamassa, mas Rf continua sendo uma resistência convencional: serve para comparar argamassas no mesmo ensaio e não é a resistência à tração direta.

Por que a face rasada nunca toca roletes nem placas?

As três faces moldadas contra o aço são planas e esquadrejadas; a face rasada, acabada com a régua, tem ondulações e grãos arrastados. Na flexão, apoiar ou carregar essa face concentraria a força em poucos pontos, com tensões locais que antecipam a trinca. Na compressão o efeito é maior: as placas têm planicidade de 0,01 mm para que a tensão seja uniforme sobre os 1.600 mm², e uma face irregular só encostaria nos picos, com Rc abaixo do real e mais dispersão entre as metades. Girar o prisma 90° tira essa face de todo contato.

Em que ordem arredondar e aplicar o descarte?

A norma usa dois arredondamentos, centésimo no individual e décimo na média e no desvio, e a ordem muda a decisão. A sequência coerente com o texto é:

  1. calcular cada resultado e arredondá-lo ao centésimo;
  2. calcular a média com esses valores, sem arredondá-la;
  3. tomar o maior desvio em relação a essa média;
  4. se passar de 0,3 MPa (flexão) ou 0,5 MPa (compressão), retirar o valor discrepante, marcá-lo com asterisco e recalcular;
  5. conferir o mínimo de 2 prismas ou 4 metades e só então arredondar média e desvio ao décimo.

O texto não detalha um caso de fronteira: um desvio de 0,33 MPa na flexão vira 0,3 quando arredondado e, lido assim, não passa do limite. O laboratório deve fixar essa leitura no procedimento interno e aplicá-la sempre igual.

O que significa a tolerância de idade?

A Tabela 1 da norma dá uma janela de horário que cresce com a idade, de 1 h aos 24 h a 24 h aos 91 dias, mas que encolhe em termos relativos, de cerca de 4 % para cerca de 1 % da idade. A razão é o ritmo de ganho de resistência: nas primeiras horas o cimento hidrata depressa e uma hora a mais pesa no resultado; aos 28 dias a curva é quase plana. Um prisma rompido fora da janela não corresponde à idade declarada, por isso a moldagem se planeja para que a ruptura não caia num dia sem expediente.

Por que a edição de 2005 ainda é a vigente?

A ABNT reexamina as normas periodicamente e pode confirmá-las sem mudar o texto, como fez com a NBR 13279 em 2010, 2014, 2018 e 2023. A citação correta continua sendo ABNT NBR 13279:2005. O que envelheceu foram as referências: a NBR 13276:2005, que reunia preparo e consistência, teve o preparo transferido em 2016 para a NBR 16541, já citada pela NBR 13281-1:2023; e a NBR NM ISO 7500-1:2004, da classe da máquina, foi cancelada em 2016 e substituída pela ABNT NBR ISO 7500-1:2023. Vale informar no relatório as edições das normas de apoio usadas.

Como as NBR 13281-1 e 13281-2 usam cada resultado?

Como mostrou a seção sobre a NBR 13281, cada parte aproveita só uma das duas grandezas da NBR 13279. No revestimento, que troca a resistência pela aderência à tração, pelo módulo e pela retração, o motivo é físico: revestimento falha por fissuração e descolamento, e mais resistência costuma vir com mais rigidez e mais retração, que fazem a camada acompanhar mal a base. Por isso os limites apertam conforme cresce a altura permitida no uso externo. O gráfico abaixo mostra o módulo dinâmico e a retração máximos de cada tipo, pelas classes E1 a E4 e VD1 a VD4: a ARV-I vai até 14.000 MPa e 1,20 mm/m; a AET, só até 7.000 MPa e 0,70 mm/m.

Gráfico de barras com o módulo de elasticidade dinâmico máximo e a retração máxima permitidos pela NBR 13281-1:2023: ARV-I até 14.000 MPa e 1,20 mm/m, ARV-II até 12.000 MPa e 1,10 mm/m, ARV-III até 9.500 MPa e 0,90 mm/m, AET até 7.000 MPa e 0,70 mm/m
NBR 13281-1:2023: quanto mais alto o prédio, menor o módulo dinâmico e a retração que o revestimento pode ter

No assentamento, onde só a compressão classifica, o teto da AAV e da AAF tem a mesma lógica: a junta de vedação precisa ser mais deformável que o bloco, senão transmite à parede as deformações da estrutura e a fissura atravessa o bloco em vez de ficar na junta. Na estrutural, o coeficiente de variação abaixo de 20 % dá peso também à dispersão entre as metades.

R3 de 2005 é o mesmo que R3 de 2023?

Não. As duas edições usam os mesmos rótulos com faixas diferentes: R3 era de 1,5 a 2,7 MPa e passou a ser de 1,5 a 3,0 MPa; R2 era de 1,0 a 2,0 MPa e hoje é de 0,5 a 1,5 MPa; e as classes R5 e R6 deixaram de existir. Um laudo que diz só "R3" é ambíguo. A leitura segura é pelo valor em MPa, com a edição da norma ao lado da classe.

Exemplo resolvido com 3 prismas

Um laboratório ensaiou aos 28 dias os três prismas de uma argamassa de revestimento. As forças abaixo são didáticas, mas da ordem de grandeza de uma argamassa real de cimento, cal e areia. As contas seguem os arredondamentos da norma, na ordem explicada na seção anterior.

Etapa 1: tração na flexão

Forças de ruptura: Ff1 = 1.020 N, Ff2 = 1.080 N e Ff3 = 950 N, com L = 100 mm.

  1. Fator: 1,5 × 100 / 40³ = 150 / 64.000 = 0,00234375 MPa/N.
  2. Individuais: Rf1 = 1.020 × 0,00234375 = 2,3906, ou 2,39 MPa. Rf2 = 1.080 × 0,00234375 = 2,5313, ou 2,53 MPa. Rf3 = 950 × 0,00234375 = 2,2266, ou 2,23 MPa.
  3. Média: (2,39 + 2,53 + 2,23) / 3 = 7,15 / 3 = 2,383 MPa.
  4. Desvios: |2,39 − 2,383| = 0,01; |2,53 − 2,383| = 0,15; |2,23 − 2,383| = 0,15. O desvio absoluto máximo é 0,15, que arredondado dá 0,2 MPa, abaixo do limite de 0,3 MPa. Nenhum valor é descartado.
  5. Resultado: Rf = 2,4 MPa, com desvio absoluto máximo de 0,2 MPa.

Etapa 2: compressão das 6 metades

Forças de ruptura das metades: 6.200, 6.450, 5.900, 6.600, 6.300 e 5.000 N.

  1. Individuais, por Rc = Fc / 1.600: 3,88; 4,03; 3,69; 4,13; 3,94 e 3,13 MPa.
  2. Média das 6: 22,80 / 6 = 3,80 MPa.
  3. Desvios: 0,08; 0,23; 0,11; 0,33; 0,14 e 0,67. O máximo, 0,67 MPa, passa de 0,5 MPa. O valor mais afastado, 3,13 MPa, é descartado.
  4. Nova média, com 5 valores: 19,67 / 5 = 3,934 MPa.
  5. Novos desvios: 0,05; 0,10; 0,24; 0,20 e 0,01. O máximo é 0,24, ou 0,2 MPa arredondado, dentro do limite, e restam 5 valores, acima do mínimo de 4.
  6. Resultado: Rc = 3,9 MPa, com desvio absoluto máximo de 0,2 MPa.

O gráfico abaixo mostra as duas etapas. À esquerda, os três valores de Rf ficam todos dentro da faixa de ± 0,3 MPa em torno da média. À direita, a faixa de ± 0,5 MPa em torno da média das seis metades deixa de fora o valor de 3,13 MPa; depois do descarte, a média sobe de 3,80 para 3,93 MPa, e as cinco metades restantes ficam a menos de 0,25 MPa dela.

Gráfico do exemplo resolvido: três valores de Rf (2,39, 2,53 e 2,23 MPa) dentro da faixa de 0,3 MPa em torno da média 2,38 MPa, e seis valores de Rc com média 3,80 MPa, faixa de 0,5 MPa, o valor 3,13 MPa descartado e a nova média de 3,93 MPa
Exemplo resolvido: na flexão nenhum valor sai da faixa; na compressão, 3,13 MPa é descartado e Rc fica em 3,9 MPa

Uma metade que rompe muito abaixo das outras, como a de 5.000 N, costuma ter um defeito: bolha de ar, falha de adensamento ou trinca da flexão que avançou para dentro da metade. O critério de descarte existe para que esse defeito não rebaixe a média, e o limite mínimo de 4 valores impede que o descarte vire uma forma de escolher os resultados.

Etapa 3: duração do ensaio e verificação da velocidade

Com a velocidade constante, o tempo até a ruptura é a força dividida pela velocidade, e serve de checagem rápida de que a máquina está programada certo. No prisma 2, a flexão leva 1.080 / 50 = 21,6 s. Na metade de 6.600 N, a compressão leva 6.600 / 500 = 13,2 s. Uma flexão que termina em 3 s ou uma compressão que dura um minuto indicam velocidade errada, não argamassa diferente.

Etapa 4: como o resultado se lê nas normas de requisitos

Com Rf = 2,4 MPa, a argamassa seria R3 pela NBR 13281-1:2023, cuja faixa vai de 1,5 a 3,0 MPa. Pela tabela de 2005, o mesmo valor cai na sobreposição de R3 e R4 e, pela regra da classe maior, seria R4. Como argamassa de revestimento, esse número é só informativo, e a classe ARV depende de ensaios que a NBR 13279 não faz. Se fosse uma argamassa de assentamento, Rc = 3,9 MPa ficaria dentro da faixa da AAV, de 2,0 a 5,0 MPa, e abaixo da AAE5; na tabela de 2005, cairia só na faixa P3. O coeficiente de variação das cinco metades válidas é de 4,2 % (desvio-padrão de 0,166 MPa sobre a média de 3,934 MPa), bem abaixo dos 20 % que a Parte 2 admite para a argamassa estrutural.

Que força esperar e como escolher dispositivo e célula

Invertendo as fórmulas, sai a força de ruptura esperada para cada resistência: Ff = Rf / 0,00234375 e Fc = Rc × 1.600. São esses números, e não a resistência em MPa, que definem a capacidade do dispositivo, da célula de carga e da máquina. O gráfico abaixo compara as forças calculadas para argamassas fracas, médias e fortes com a capacidade de um dispositivo de flexão de 10 kN e de pratos de compressão de 50 kN.

Gráfico de barras em escala logarítmica com as forças de ruptura do prisma de argamassa: 0,43 a 3,41 kN na flexão e 3,2 a 64 kN na compressão, comparadas com a capacidade de 10 kN do dispositivo de flexão e de 50 kN dos pratos de compressão
Forças de ruptura calculadas para o prisma de 4 × 4 × 16 cm: a flexão fica em poucos quilonewtons e a compressão de argamassas comuns cabe em 50 kN

A tabela traz os mesmos valores e o tempo de ensaio nas velocidades nominais:

SituaçãoResistênciaForça de rupturaTempo até romper
Flexão, argamassa fracaRf = 1,0 MPa427 N8,5 s
Flexão, argamassa médiaRf = 3,0 MPa1.280 N25,6 s
Flexão, argamassa forteRf = 8,0 MPa3.413 N68 s
Compressão, argamassa fracaRc = 2,0 MPa3,2 kN6,4 s
Compressão, argamassa médiaRc = 8,0 MPa12,8 kN25,6 s
Compressão, argamassa forteRc = 20 MPa32 kN64 s
Compressão, alta resistênciaRc = 40 MPa64 kN128 s

Exercício: escolher o equipamento. Um fabricante de argamassa industrializada quer ensaiar produtos de assentamento e de revestimento com Rc de até cerca de 20 MPa e Rf de até 5 MPa.

  • Flexão: Ff máxima = 5 / 0,00234375 = 2.133 N, ou 2,1 kN. Um dispositivo de flexão de 10 kN atende com folga.
  • Compressão: Fc máxima = 20 × 1.600 = 32.000 N, ou 32 kN, 64 % de pratos de 50 kN. Atende, com margem para um lote mais resistente que o previsto.
  • Máquina: uma máquina de 50 kN cobre as duas etapas. A mesma argamassa a 40 MPa daria 64 kN, acima de 50 kN: nesse caso a máquina e os pratos precisam ser da faixa seguinte.
  • Célula de carga: é aqui que o dimensionamento costuma falhar. A flexão de uma argamassa média, 1,28 kN, é só 2,6 % de uma célula de 50 kN. A célula classe 1 pela ABNT NBR ISO 7500-1 tem essa classe numa faixa verificada, que consta do certificado de calibração, e a força do ensaio precisa estar dentro dela. O caminho seguro é usar uma célula menor na flexão, de 5 kN, e a de 50 kN na compressão, trocando a célula entre as etapas.

Pelo mesmo raciocínio se vê por que o ensaio de cimento pede outra faixa. A argamassa normal da ISO 679, de cimento e areia normalizada, rompe aos 28 dias na casa de 30 a 60 MPa, conforme a classe do cimento, nos mesmos prismas de 40 × 40 × 160 mm, ou seja, de 48 a 96 kN por metade, bem acima do que a argamassa de revestimento exige.

NBR 13279 e as normas estrangeiras

O prisma de 40 × 40 × 160 mm rompido em flexão e depois em compressão nas metades é um formato internacional, mas cada norma tem o seu material de referência e os seus parâmetros. Na Europa, a EN 1015-11:2019 (que substituiu a edição de 1999) é o método equivalente para argamassas de alvenaria. A ISO 679:2009, confirmada em 2025, usa o mesmo prisma para o cimento, com a argamassa normal de uma parte de cimento, três de areia normalizada e meia de água. Nos Estados Unidos, a ASTM C348-21 mede a flexão de argamassas de cimento hidráulico em prismas, e a ASTM C349-24 mede a compressão nas porções do prisma rompido em flexão. Velocidades, cura e critérios de aceitação diferem entre elas, e um laudo precisa citar a norma que foi de fato aplicada.

Erros comuns na aplicação da NBR 13279

Os erros que mais distorcem o resultado estão na execução, não na conta. Cada um deles já foi explicado nas seções anteriores:

  1. Confundir com a NBR 7215, que é cimento em cilindro e só compressão.
  2. Apoiar ou carregar a face rasada, irregular, em vez das faces laterais de moldagem.
  3. Vão diferente de 100 mm com o fator 0,00234375: 120 mm dão Rf 16,7 % menor.
  4. Velocidade de outra norma, ou máquina programada em mm/min sem conversão para 50 e 500 N/s.
  5. Metade fora de centro nas placas: a área deixa de ser 1.600 mm² e Rc sai baixo.
  6. Arredondar na ordem errada: o individual ao décimo em vez do centésimo, ou a média ao décimo antes de calcular os desvios.
  7. Ignorar o descarte, ou descartar abaixo do mínimo de 2 valores na flexão e 4 na compressão.
  8. Cura submersa, como a do cimento, em vez de ao ar.
  9. Romper fora da janela de idade, por exemplo aos 28 dias com 12 h de atraso, quando a tolerância é de 8 h.
  10. Célula de carga grande demais na flexão, com a força abaixo da faixa verificada.
  11. Classificar pela tabela de 2005 como se fosse a regra em vigor desde agosto de 2023, ou ler um "R3" sem saber a edição.

Equipamento para a NBR 13279

O ensaio pede uma máquina com controle de carga em N/s, um dispositivo de flexão de 3 pontos configurado com vão de 100 mm e roletes de 10 mm, e pratos de compressão com as placas de 40 × 40 mm que a norma especifica. A máquina universal de ensaios faz as duas etapas na mesma estrutura, trocando o acessório: o dispositivo de flexão de 10 kN para os prismas e os pratos de compressão de 50 kN para as metades. Pelas contas da seção sobre a força esperada, essa combinação cobre as argamassas de assentamento e de revestimento usuais.

A estrutura indicada é a máquina de coluna dupla de 50 kN, que trabalha com células de carga intercambiáveis de 0,5 a 50 kN: uma célula de 5 kN para a flexão e a de 50 kN para a compressão mantêm as duas medições dentro da faixa verificada, com célula classe 1 pela ABNT NBR ISO 7500-1:2023. Para argamassas de alta resistência, acima de cerca de 30 MPa, a força das metades passa de 50 kN e a indicada é a máquina de 100 a 200 kN. Laboratórios que só rompem à compressão também podem usar a prensa elétrica e hidráulica. O software BioLab aplica a velocidade em N/s, registra a força máxima e calcula Rf e Rc no relatório. O painel abaixo mostra a máquina, o papel de cada parte no ensaio da NBR 13279 e os dois acessórios usados.

A máquina universal no ensaio de compressão

A linha M2 vai de 200 N a 1.000 kN; para argamassa, a coluna dupla de 50 kN cobre a flexão e a compressão. No ensaio da NBR 13279, cada parte da máquina tem uma função:

Máquinas universais de ensaios M2 da Biopdi de coluna simples (MBIOI-10-M2, 10 kN) e coluna dupla (MBIOII-50-M2, 50 kN)
  1. Travessa móvel aplica 50 N/s na flexão e 500 N/s na compressão
  2. Célula de carga intercambiável, classe 1: menor na flexão, maior na compressão
  3. Dispositivo de flexão 3 pontos, vão de 100 mm
  4. Pratos de compressão metade do prisma sobre 40 × 40 mm
  5. Software BioLab Rf, Rc, média e relatório
  6. Painel e emergência posiciona e para o ensaio

Dispositivos para o ensaio de compressão

Os dispositivos abaixo são montados na mesma máquina, primeiro o de flexão e depois os pratos:

Pratos de compressão Biopdi
Pratos de compressão1, 50 e 300 kNEntra no lugar das garras, na mesma máquina universal.
Dispositivo de flexão Biopdi
Dispositivo de flexão3 e 4 pontos; 10, 50 e 300 kN

Para comparar os modelos, veja o guia da máquina universal de ensaio; a configuração para cada norma é definida no orçamento.

Normas citadas: edição e situação em 30/09/2026

A tabela reúne as normas deste guia, com a edição e a situação conferidas em 30/09/2026 no catálogo da Target, para as ABNT, e nas páginas oficiais da ISO e da ASTM. A EN 1015-11 foi conferida em catálogos de organismos europeus de normalização.

NormaAssuntoEdição e situação
ABNT NBR 13279argamassa, tração na flexão e compressão2005, vigente (confirmada 11/2023)
ABNT NBR 13281-1argamassa de revestimento, requisitos2023, vigente
ABNT NBR 13281-2argamassa de assentamento e fixação, requisitos2023, vigente
ABNT NBR 13281requisitos (classes P e R)2005, cancelada em 02/2023, substituída pelas partes 1 e 2
ABNT NBR 13276índice de consistência2016, vigente (confirmada 12/2025)
ABNT NBR 16541preparo da mistura2016, vigente (confirmada 12/2025)
ABNT NBR 7215compressão do cimento Portland2019, com emenda 03/2025, vigente
ABNT NBR ISO 7500-1verificação e classe da máquina2023, vigente
EN 1015-11argamassa de alvenaria, flexão e compressão2019, em vigor
ISO 679cimento, resistência em prismas2009, confirmada em 2025
ASTM C348flexão de argamassa de cimentoC348-21, ativa
ASTM C349compressão nas porções do prismaC349-24, ativa

Outros ensaios e referências técnicas

Referências técnicas relacionadas

Perguntas frequentes

O que é a NBR 13279?

É a norma ABNT que define como medir a resistência à tração na flexão e à compressão de argamassas de assentamento e revestimento endurecidas. Usa prismas de 4 × 4 × 16 cm rompidos em flexão de 3 pontos, com as metades rompidas depois em compressão. A edição de 2005 está vigente, confirmada em novembro de 2023.

Qual é a norma ABNT para argamassa?

Depende do que se quer. Os requisitos e a classificação estão na NBR 13281-1:2023 (revestimento) e na NBR 13281-2:2023 (assentamento e fixação). Os métodos ficam em normas próprias: NBR 13279 para resistência, NBR 13276 para consistência e NBR 16541 para o preparo da mistura.

Qual o tamanho do corpo de prova da NBR 13279?

Prisma de 40 × 40 × 160 mm, moldado em molde metálico de três compartimentos. Cada idade de ensaio usa três prismas, que geram seis metades para a compressão.

Qual a velocidade de carregamento da NBR 13279?

(50 ± 10) N/s na tração na flexão e (500 ± 50) N/s na compressão, aplicadas de forma contínua até a ruptura.

Como calcular a resistência à tração na flexão da argamassa?

Rf = 1,5·Ff·L / 40³, com Ff em newtons e L = 100 mm, o que dá Rf (MPa) = 0,00234375 × Ff (N). Um prisma que rompe com 1.000 N tem 2,34 MPa.

Como calcular a resistência à compressão da argamassa?

Rc = Fc / 1.600, porque a carga é aplicada sobre placas de 40 × 40 mm, ou 1.600 mm². Uma metade que rompe com 6.400 N tem 4,0 MPa.

Com quantos dias se ensaia e como é a cura?

A idade de referência é 28 dias. Os prismas ficam (48 ± 24) h no molde e depois curam ao ar, a (23 ± 2) °C e (60 ± 5) % de umidade relativa, até a ruptura.

Quando descartar um resultado?

Quando o desvio absoluto máximo passa de 0,3 MPa na flexão ou de 0,5 MPa na compressão: elimina-se o valor mais afastado da média e recalcula-se. O resultado só vale com pelo menos 2 valores na flexão e 4 na compressão.

O que significam P1 a P6 e R1 a R6?

São as classes de compressão e de tração na flexão da NBR 13281:2005, de P1 (até 2,0 MPa) a P6 (acima de 8,0 MPa) e de R1 (até 1,5 MPa) a R6 (acima de 3,5 MPa). Essa norma foi cancelada em 2023; as NBR 13281-1 e -2 classificam a argamassa pelo uso (ARV, AAV, AAE, AAF).

Qual a diferença entre a NBR 13279 e a NBR 7215?

A NBR 7215 mede a compressão do cimento Portland em cilindros de 50 × 100 mm, com argamassa normal e cura submersa. A NBR 13279 mede a flexão e a compressão da argamassa de assentamento e revestimento em prismas de 40 × 40 × 160 mm, com cura ao ar.

Qual o equivalente internacional da NBR 13279?

Para argamassa de alvenaria, a EN 1015-11:2019. Para cimento, a ISO 679:2009 e a dupla ASTM C348-21 (flexão) e C349-24 (compressão nas porções do prisma). Todas usam prismas e rompem as metades à compressão, mas com parâmetros próprios.

Que máquina preciso para a NBR 13279?

Uma máquina com controle de carga em N/s, dispositivo de flexão de 3 pontos com vão de 100 mm e pratos de compressão com placas de 40 × 40 mm. Para argamassas usuais, a flexão rompe abaixo de 5 kN e a compressão abaixo de cerca de 35 kN, então uma máquina de 50 kN, com célula menor para a flexão, cobre as duas etapas.