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Máquina universal de ensaio: o que é, como funciona e tipos

Máquina universal de ensaio (MUE/UTM): o que é, como funciona, tipos eletromecânica e hidráulica, ensaios que faz, normas, calibração e como escolher.

EquipamentosPor Mardoqueu M. Costa35 min de leitura

A máquina universal de ensaio (MUE ou UTM) é um equipamento de laboratório, eletromecânico ou servo-hidráulico, que aplica força controlada de tração, compressão ou flexão a um corpo de prova e mede força e deformação para obter resistência, limite de escoamento, alongamento e módulo de elasticidade. A mesma estrutura, trocando garras e dispositivos, faz vários ensaios diferentes, e por isso ela se chama "universal".

No mercado ela também é chamada de máquina universal de ensaios, máquina de ensaio de tração ou máquina de tração e compressão; em inglês, universal testing machine. É o equipamento que o controle de qualidade da siderurgia e da construção civil usa para aprovar aço, o que o desenvolvimento de polímeros, têxteis, embalagens e dispositivos médicos usa para caracterizar material, e o que os laboratórios de ensino e pesquisa usam nas aulas de ensaios mecânicos. Quem procura o equipamento só para tração encontra a comparação de tipos, a ficha técnica e o checklist de compra no artigo sobre a máquina de ensaio de tração. Este guia explica o que ela é, como funciona, de que é feita, quais são os tipos, o que ela faz e o que não faz, onde é usada, quais normas se aplicam, como é calibrada e como escolher o modelo certo, com exemplos resolvidos.

Não confundir com a máquina universal de Turing, modelo teórico da ciência da computação proposto por Alan Turing em 1936, que não tem relação com ensaios de materiais.

O que é uma máquina universal de ensaio?

Uma máquina universal de ensaio é um quadro de carga rígido com uma travessa móvel, uma célula de carga que mede a força e um controlador que comanda a velocidade e registra os dados, ao qual se acoplam garras ou dispositivos conforme o ensaio. Ela determina como um material ou produto responde a uma força crescente: quanto resiste, quanto se deforma e em que ponto deixa de voltar à forma original ou rompe.

A diferença para um equipamento dedicado está no acessório. Uma prensa de concreto só comprime e um dinamômetro de mola só indica força; a máquina universal faz tração, compressão, flexão, cisalhamento, dobramento e outros ensaios estáticos no mesmo quadro, medindo força e deformação ao mesmo tempo e entregando a curva completa do ensaio.

Por que se chama "universal"?

O nome vem da origem da máquina. Em 1º de junho de 1880, Tinius Olsen, da Filadélfia, recebeu a patente norte-americana US 228.214 de uma máquina de ensaio, batizada de Little Giant, que fazia ensaios de tração, flexão e compressão num único quadro. Segundo o histórico da própria empresa fundada por ele, até então cada um desses ensaios costumava exigir uma máquina separada. Desde então "universal" designa a máquina que troca de ensaio trocando o acessório, e não a que faz todos os ensaios mecânicos: dureza, impacto e torção continuam com equipamentos próprios.

Resumo: os principais ensaios na máquina universal

A tabela abaixo resume os ensaios mais comuns, o que cada um mede, o acessório usado e uma norma típica de referência. A lista completa, com os demais ensaios, está mais adiante.

Ensaio O que mede Dispositivo Norma típica
TraçãoLimite de resistência, escoamento, alongamento, móduloGarras de cunha ou pneumáticasABNT NBR ISO 6892-1 (metais)
CompressãoResistência e módulo de compressãoPratos de compressãoASTM D695 (plásticos)
FlexãoResistência e módulo de flexãoDispositivo de 3 ou 4 pontosASTM D790 (plásticos)
DobramentoDuctilidade sem trincaCutelo e apoios de dobramentoABNT NBR ISO 7438 (metais)
CisalhamentoResistência ao cisalhamentoDispositivo de cisalhamentoNorma do material ou da junta

A família de máquinas da figura a seguir mostra a faixa que uma mesma linha pode cobrir, da portátil de 200 N, para filmes e fios, à autoportante de 1.000 kN, para vergalhões de grande bitola.

Família de máquinas universais de ensaios Biopdi linha M2, do portátil ao autoportante de 1.000 kN
Máquinas universais de ensaios da linha M2, de 200 N a 1.000 kN

Como funciona a máquina universal de ensaio?

A máquina universal funciona deslocando uma travessa a velocidade controlada enquanto mede, ao mesmo tempo, a força aplicada e a deformação do corpo de prova. O corpo de prova é preso entre duas garras: uma fica na travessa fixa, a outra na travessa móvel. Um motor desloca a travessa móvel a uma velocidade programada, afastando as garras no ensaio de tração ou aproximando os pratos no de compressão. Enquanto isso, três medidas são registradas continuamente:

  • Força, medida pela célula de carga, em newtons (N) ou quilonewtons (kN).
  • Deslocamento da travessa, medido por encoder ou sensor de posição, em milímetros.
  • Deformação do corpo de prova, medida diretamente sobre a amostra por um extensômetro, quando o ensaio exige precisão na deformação.

O software converte força em tensão (força dividida pela área da seção transversal) e alongamento em deformação (variação de comprimento dividida pelo comprimento inicial), traça a curva tensão × deformação e extrai dela os resultados que a norma pede. O ensaio termina quando o corpo de prova rompe, quando a força cai abaixo de um limite programado ou quando se atinge o deslocamento definido.

Resumindo o princípio: a máquina universal impõe uma deformação controlada e mede quanto o material resiste a ela.

Quais são os componentes da máquina universal de ensaio?

Uma máquina universal de ensaio é formada por estrutura, acionamento, sistema de medição (célula de carga e extensômetro), garras e dispositivos, controlador com software e dispositivos de segurança, e várias dessas partes são intercambiáveis conforme o ensaio. Estes são os componentes e o papel de cada um:

Componente Função
Estrutura (uma ou duas colunas)Suporta os esforços do ensaio sem deformar. A rigidez da estrutura é o que permite medir o material, e não a máquina.
Travessa fixa e travessa móvelSeguram as garras. A travessa móvel se desloca para aplicar a força.
AcionamentoNas eletromecânicas, servomotor e fusos de esferas recirculantes. Nas hidráulicas, bomba, válvula e cilindro.
Célula de cargaTransdutor que converte força em sinal elétrico. É ela que mede o ensaio; costuma ser intercambiável, para adequar a faixa de medição à carga esperada.
Garras e dispositivosPrendem o corpo de prova (garras cunha, pneumáticas, de alavanca, de rolos) ou aplicam o esforço (pratos de compressão, dispositivos de flexão, cisalhamento, dobramento).
ExtensômetroMede a deformação diretamente no corpo de prova. Obrigatório quando se determina módulo de elasticidade ou limite de escoamento convencional.
Controlador e softwareControlam velocidade, posição e força; adquirem os dados, calculam os resultados e geram o relatório. Nas máquinas Biopdi, é o software BioLab.
Dispositivos de segurançaFim de curso, botão de emergência e proteções, conforme a NR-12.
Condicionamento (opcional)Câmara térmica ou sala climatizada, quando a norma exige ensaio em temperatura ou umidade controladas.

A Figura 1 mostra onde cada componente fica numa máquina de coluna dupla: as travessas e as colunas formam o quadro de carga, a célula de carga fica logo abaixo da travessa móvel, antes da fixação da garra superior, e o painel de comando, com o botão de emergência, fica na base.

Componentes da máquina universal de ensaios Biopdi MBIOII-50-M2: travessas, colunas, célula de carga, fixação das garras, base, painel e botão de emergência
Figura 1: Componentes da máquina universal de ensaios, no modelo de coluna dupla MBIOII-50-M2

Por que o extensômetro importa

O deslocamento da travessa não é a deformação do corpo de prova. Ele inclui a deformação da própria estrutura, das garras e as folgas de fixação, e por isso subestima a rigidez do material. Para um valor aproximado de alongamento na ruptura, o deslocamento da travessa pode bastar. Para módulo de elasticidade e limite de escoamento convencional (Rp0,2), a norma exige extensômetro. Em metais, a ABNT NBR ISO 6892-1 pede extensômetro de classe 1 ou melhor, segundo a ABNT NBR ISO 9513, para o escoamento convencional, e classe 0,5 quando o ensaio determina o módulo de elasticidade. Para propriedades de grande deformação, como o alongamento após a ruptura, aceita classe 2.

Exemplo resolvido: por que o módulo pela travessa sai baixo

A máquina, as garras e o corpo de prova se comportam como molas em série, e a travessa mede a soma das deformações de todas elas. Considere um corpo de prova de aço com E = 200 GPa, seção S0 = 20 mm² e 50 mm de comprimento livre entre as garras, numa montagem cuja rigidez (estrutura, garras e célula) seja de 50 kN/mm. Esse valor de rigidez é hipotético, escolhido só para ilustrar o efeito:

  • Rigidez do corpo de prova: kcp = E · S0 / L = 200.000 N/mm² × 20 mm² / 50 mm = 80.000 N/mm (80 kN/mm).
  • Rigidez do conjunto em série: 1 / ktotal = 1/80 + 1/50, logo ktotal ≈ 30,8 kN/mm.
  • Módulo aparente calculado pela travessa: 200 GPa × 30,8 / 80 ≈ 77 GPa.

O resultado fica cerca de 60% abaixo do módulo real do aço, sem nenhum defeito na máquina: é a física da medição. Por isso o módulo de elasticidade se mede com extensômetro fixado no corpo de prova, que enxerga só a deformação do material.

Quais são os tipos de máquina universal de ensaio?

Os tipos de máquina universal de ensaio se definem por quatro critérios independentes: o acionamento (eletromecânico, hidráulico ou servo-hidráulico), o regime de ensaio (estático ou dinâmico), a estrutura (coluna simples ou dupla) e a forma de instalação (portátil, de bancada ou autoportante).

Eletromecânica, hidráulica ou servo-hidráulica

O acionamento é a forma como a máquina gera a força, e ele define a precisão de controle, a capacidade econômica e o tipo de ensaio que a máquina atende. A comparação entre as três tecnologias:

Eletromecânica Hidráulica Servo-hidráulica
Como gera a forçaServomotor e fusos de esferasBomba e cilindro hidráulicoCilindro com servoválvula em malha fechada
Ponto forteControle fino de velocidade e posição; limpa e silenciosaCapacidades muito altas com estrutura compactaEnsaios dinâmicos e cíclicos em alta frequência
LimitaçãoCusto cresce muito acima de cerca de 1.000 kN (100 tf)Controle de velocidade e posição menos preciso; óleo e manutençãoInvestimento e manutenção mais altos
Uso típicoTração, compressão, flexão e cisalhamento estáticos, do laboratório de pesquisa ao controle de qualidadeCompressão e tração de grande porte: concreto, vergalhões de bitola grande, cabosFadiga e ensaios dinâmicos

Para a grande maioria dos ensaios estáticos até 1.000 kN, a eletromecânica é a escolha natural: é mais precisa no controle, dispensa óleo e exige menos manutenção. Acima disso, ou quando o ensaio é de fadiga em alta frequência, entram as hidráulicas e as servo-hidráulicas.

Ensaio estático ou dinâmico

O ensaio estático aplica carregamento a velocidade constante até o resultado desejado. É o caso da tração, da compressão e da flexão convencionais, e é o que as máquinas universais eletromecânicas fazem. O ensaio dinâmico, ou de fadiga, aplica tensão ou deformação oscilatória, geralmente senoidal, ao longo de milhares ou milhões de ciclos, para descobrir em quantas repetições o material falha. Ensaios cíclicos de baixa frequência podem ser feitos em máquina eletromecânica; fadiga de alto número de ciclos pede máquina dinâmica.

Coluna simples ou coluna dupla

A estrutura é o quadro que reage à força do ensaio, e o número de colunas define até onde a máquina mantém o alinhamento sob carga. As diferenças práticas:

Coluna simples Coluna dupla
Capacidade típicaAté cerca de 10 kN (1.000 kgf)A partir de cerca de 5 kN até 1.000 kN ou mais
Corpo de provaPequena seção: filmes, fios, borrachas, espumas, papel, fitas, componentes pequenosMetais normalizados, perfis, juntas soldadas, compósitos, peças de porte industrial
VantagemCompacta, leve, acesso fácil à área de ensaioCarga distribuída simetricamente; mantém o alinhamento sob esforço alto

Na faixa em que as duas se sobrepõem, o que decide é o tamanho do corpo de prova e o alinhamento: carga alta em estrutura de coluna simples tende a fletir a coluna e desalinhar o ensaio.

A Figura 2 coloca as duas estruturas lado a lado, na mesma escala, para comparar o porte da coluna simples de 10 kN com a coluna dupla de 50 kN.

Máquina universal de ensaios de coluna simples MBIOI-10-M2 e de coluna dupla MBIOII-50-M2, em escala
Figura 2: Coluna simples (MBIOI-10-M2) e coluna dupla (MBIOII-50-M2), na mesma escala

Portátil, de bancada ou autoportante

  • Portátil: leve o bastante para ser levada até onde o ensaio precisa acontecer, como a linha de produção, o campo ou a sala de aula.
  • De bancada: apoiada sobre uma bancada de laboratório; cobre a maior parte das capacidades até algumas centenas de kN.
  • Autoportante (de piso): estrutura própria apoiada no chão, necessária nas capacidades maiores, que pesam de uma a algumas toneladas e exigem piso dimensionado e, em geral, alimentação trifásica.

A Figura 3 mostra as três formas de instalação na mesma escala, da portátil de 1 kN à autoportante de 300 kN.

Máquinas universais de ensaios portátil MBIOI-1P-M2, de bancada MBIOI-10-M2 e autoportante MBIOII-300-M2, em escala
Figura 3: Portátil, de bancada e autoportante, na mesma escala. Só o autoportante fica apoiado direto no piso

Máquina universal ou prensa de compressão?

A prensa de compressão faz um único tipo de ensaio, a compressão, e é o equipamento padrão para corpos de prova de concreto, argamassa e blocos, onde a força é alta e não há tração a medir. A máquina universal faz tração, compressão, flexão e os demais ensaios com a mesma estrutura. Se o laboratório só rompe corpos de prova de concreto, a prensa é a escolha; se ensaia aço, polímeros ou precisa de mais de um tipo de ensaio, a máquina universal.

Quais ensaios a máquina universal faz?

A máquina universal faz os ensaios mecânicos estáticos em que a força cresce a velocidade controlada: tração, compressão, flexão, cisalhamento, dobramento, embutimento, arrancamento e aderência, trocando apenas o dispositivo de fixação ou de aplicação da carga:

Ensaio O que mede Dispositivo
TraçãoLimite de resistência, escoamento, alongamento, estricção, móduloGarras cunha, pneumáticas, de alavanca ou de rolos
CompressãoResistência à compressão, módulo, deformaçãoPratos de compressão
Flexão (3 e 4 pontos)Resistência à flexão, módulo de flexão, flechaDispositivo de flexão com apoios e cutelo
CisalhamentoResistência ao cisalhamento de materiais, adesivos, parafusosDispositivo de cisalhamento
DobramentoDuctilidade: se o material dobra sem trincarDispositivo de dobramento com cutelo
EmbutimentoEstampabilidade de chapasDispositivo de embutimento com punção
ArrancamentoForça para remover um elemento fixado (inserto, parafuso, grampo)Dispositivo de arrancamento
Aderência e descascamentoForça de adesão de revestimentos, fitas e adesivosDispositivos de peel e de ângulo variável

O que vai para a máquina não é só o corpo de prova usinado da norma: produtos inteiros, como garrafas, cordas e cabos, também são ensaiados, como mostra a figura a seguir.

Corpos de prova de seção retangular e circular, garrafa PET, corda e cabo de aço: exemplos de amostras ensaiadas na máquina universal
Figura 4: Exemplos de materiais e produtos ensaiados na máquina universal

O que a máquina universal não faz

"Universal" não quer dizer todos os ensaios mecânicos. Alguns pedem equipamento próprio:

  • Dureza: durômetro (Rockwell, Brinell, Vickers, Shore).
  • Impacto: pêndulo Charpy ou Izod.
  • Torção: máquina de ensaio de torção.
  • Fluência de longa duração: máquinas de fluência, que mantêm carga constante por centenas ou milhares de horas sem ocupar a máquina universal.
  • Fadiga de alto número de ciclos: máquinas dinâmicas (servo-hidráulicas ou eletrodinâmicas).

Para ver a classificação completa dos ensaios, estáticos, dinâmicos, de dureza e não destrutivos, consulte o guia de tipos de ensaios mecânicos.

Onde a máquina universal de ensaio é usada?

A máquina universal de ensaio é usada em toda atividade que precisa comprovar, por número e por norma, que um material ou produto resiste ao esforço previsto: no controle de qualidade industrial, na aprovação de lotes, no desenvolvimento de produtos e no ensino de engenharia. Os setores e materiais mais comuns, com a faixa de máquina que cada um costuma pedir:

Setor Materiais e produtos ensaiados Faixa de força usual
Siderurgia e metalurgiaChapas, barras, tubos, juntas soldadas, parafusos e fixadoresDe 5 a 50 kN para chapas e fixadores pequenos; centenas de kN para barras e perfis
Construção civilVergalhões CA-50 e CA-60, telas soldadas, madeira, geotêxteisDe 50 a 600 kN, conforme a bitola
Plásticos e borrachasCorpos de prova de plásticos, borrachas, espumas, filmesDe 200 N a 10 kN, muitas vezes com curso longo
Compósitos e aeronáuticaLaminados de fibra, juntas coladas, insertosDe 5 a 100 kN
Têxtil e embalagensTecidos, fios, cordas, fitas adesivas, garrafas e tampasDe 200 N a 10 kN
Médico e odontológicoFios de sutura, biomateriais, resinas, implantes e componentesDe 200 N a 50 kN, conforme o componente
Ensino e pesquisaCorpos de prova das aulas de ensaios mecânicos e de pesquisa em materiaisConforme as linhas de pesquisa do laboratório

As faixas da tabela são ordens de grandeza para orientar a primeira conversa: a capacidade certa sai do cálculo com o corpo de prova real, como mostra a seção sobre escolha da máquina. Em compressão de concreto e blocos, onde não há tração a medir, o equipamento usual é a prensa de compressão.

Passo a passo de um ensaio de tração

O procedimento abaixo segue a lógica da ABNT NBR ISO 6892-1 para metais; a norma do material define os detalhes.

  1. Preparar e medir o corpo de prova. Conferir as dimensões exigidas pela norma e medir a seção transversal no comprimento útil.
  2. Marcar o comprimento de medida inicial (L0), usado depois para calcular o alongamento após a ruptura.
  3. Escolher célula de carga e garras. A força máxima esperada deve cair dentro da faixa calibrada da célula; as garras, adequadas à forma e ao material do corpo de prova.
  4. Fixar e alinhar. Corpo de prova centrado e alinhado ao eixo de carga, porque o desalinhamento introduz flexão e distorce o resultado.
  5. Zerar a força com o corpo de prova preso só na garra superior, ou aplicar a pré-carga prevista na norma.
  6. Instalar o extensômetro, quando o ensaio determina módulo ou escoamento convencional.
  7. Programar a velocidade. A norma define a taxa de deformação ou de tensão em cada fase do ensaio.
  8. Executar o ensaio até a ruptura, retirando o extensômetro antes dela quando o modelo não for próprio para acompanhar a fratura.
  9. Medir após a ruptura: juntar as partes e medir o comprimento final e a seção na região da fratura.
  10. Emitir o relatório com resultados, curva, condições de ensaio e identificação da amostra.

Exemplo resolvido: velocidade da travessa pela ISO 6892-1

A ABNT NBR ISO 6892-1 especifica a velocidade do ensaio de tração de metais como taxa de deformação, em s-1, e não em mm/min. Quando a máquina controla pela travessa (método A2), a velocidade é estimada multiplicando a taxa pelo comprimento paralelo do corpo de prova (Lc). Para Lc = 75 mm:

  • Até o escoamento, na faixa de 0,00025 s-1: 0,00025 × 75 = 0,01875 mm/s, ou cerca de 1,1 mm/min.
  • Depois do escoamento, até a ruptura, na faixa de 0,0067 s-1: 0,0067 × 75 = 0,5025 mm/s, ou cerca de 30 mm/min.

A norma admite tolerância de ±20% sobre essas taxas. Os dois valores precisam caber na faixa de velocidade da máquina, que na MBIOII-50-M2 vai de 0,02 a 500 mm/min. Como a travessa também mede a deformação da máquina, a taxa real no corpo de prova fica um pouco abaixo da estimada; por isso o método A1, com controle pelo extensômetro, é o de menor incerteza. O guia da ASTM E8 e ISO 6892-1 detalha os métodos.

Resultados que a máquina entrega

Quais normas se aplicam à máquina universal?

Na máquina universal valem dois grupos de normas: as de ensaio, que definem corpo de prova, velocidade e cálculo para cada material, e as de verificação, que comprovam a exatidão da própria máquina (ABNT NBR ISO 7500-1 e ASTM E4 para a força; ABNT NBR ISO 9513 e ASTM E83 para o extensômetro). As mais usadas:

Material / ensaio Normas
Metais: tração em temperatura ambienteABNT NBR ISO 6892-1; ASTM E8/E8M
Metais: dobramentoABNT NBR ISO 7438
Barras de aço para concreto armado (CA-25, CA-50, CA-60)ABNT NBR 7480 (especificação), com tração pela ABNT NBR ISO 6892-1
Plásticos: traçãoISO 527; ASTM D638
Plásticos: flexãoISO 178; ASTM D790
Compósitos de matriz polimérica: traçãoASTM D3039
Borrachas e elastômeros: traçãoISO 37; ASTM D412
Geotêxteis: tração em faixa largaABNT NBR ISO 10319
Tecidos: traçãoISO 13934-1
Fitas adesivas: descascamentoASTM D3330
MadeiraABNT NBR 7190
Calibração da força da máquinaABNT NBR ISO 7500-1; ASTM E4
Calibração de extensômetrosABNT NBR ISO 9513; ASTM E83

Calibração: o que significa "classe 1" pela NBR ISO 7500-1

A ABNT NBR ISO 7500-1 define como verificar o sistema de medição de força de uma máquina de ensaio e em que classe ela se enquadra. A verificação compara a força indicada pela máquina com a de um instrumento de referência (um dinamômetro de referência calibrado) em vários pontos de cada faixa, subindo a carga.

Classe Erro relativo de indicação máximo Repetibilidade máxima
0,5±0,5%0,5%
1±1,0%1,0%
2±2,0%2,0%
3±3,0%3,0%

A norma também limita a resolução do indicador e o erro de zero. Três pontos práticos:

  • A classe vale para a faixa verificada. Uma máquina "classe 1" é classe 1 entre os pontos em que foi verificada. A norma pede no mínimo cinco pontos entre 20% e 100% de cada faixa, e a faixa pode descer abaixo de 20% quando a verificação inclui pontos adicionais nas cargas menores. Ensaiar abaixo da faixa verificada é ensaiar sem garantia de exatidão.
  • A maioria das normas de ensaio exige classe 1 ou melhor. É o requisito da ABNT NBR ISO 6892-1 para metais, por exemplo.
  • A periodicidade é recomendada, não fixa. A própria NBR ISO 7500-1 recomenda verificar em intervalos de no máximo 12 meses, salvo especificação diferente, e sempre que a máquina for desmontada para mudar de lugar ou passar por reparo ou ajuste importante. A ASTM E4 recomenda verificação anual e não admite intervalo acima de 18 meses.

O extensômetro tem classificação própria, pela ABNT NBR ISO 9513 (classes 0,2, 0,5, 1 e 2), e é calibrado separadamente. Como contratar e ler a calibração da máquina está no guia de calibração de máquina universal de ensaios pela NBR ISO 7500-1.

Exemplo resolvido: o que a classe 1 garante na prática

A classe é um limite para o erro encontrado na calibração. Numa máquina classe 1, em cada ponto verificado, a diferença entre a força indicada e a força do instrumento de referência não passou de 1%: num ponto de 50,0 kN, a máquina indicou entre 49,5 e 50,5 kN. Na classe 0,5 o limite seria de 0,25 kN nesse mesmo ponto.

A classe não é a incerteza da medição. A própria ISO 7500-1:2018 adverte que uma máquina certificada numa classe não tem, por isso, garantia de exatidão abaixo daquele valor quando se soma a incerteza da calibração, que é estimada à parte e aparece no certificado. Quem precisa declarar incerteza no relatório de ensaio parte do certificado de calibração, e não só do número da classe.

A classe também tem piso. A ISO 7500-1:2018 limita a menor força da faixa verificada em função da resolução do indicador (r): pelo menos 200 r na classe 1 e 400 r na classe 0,5. Com resolução de 0,01 kN, a classe 1 só pode ser declarada a partir de 200 × 0,01 = 2 kN. Abaixo disso, a leitura existe, mas sem a garantia da classe. Esse piso é o motivo prático para trocar de célula de carga quando o corpo de prova é muito menor que a capacidade da máquina.

Como escolher uma máquina universal de ensaio?

Escolher uma máquina universal de ensaio é partir do ensaio e do corpo de prova, nunca do catálogo: a norma define dispositivos e extensômetro, a força de ruptura define a capacidade, o corpo de prova define curso e vão, e a menor força a medir define as células de carga. Seis perguntas, nesta ordem:

  1. Que ensaios e que normas? Definem os dispositivos, a necessidade de extensômetro e a velocidade.
  2. Qual a força máxima esperada? Estime pela área da seção do corpo de prova vezes a resistência do material (tabela abaixo). A máquina deve ter capacidade com margem sobre esse valor.
  3. Qual a menor força que precisa medir com exatidão? Se o laboratório ensaia do fio fino à barra de aço, uma célula só não cobre as duas pontas dentro da faixa verificada: a solução são células de carga intercambiáveis.
  4. Qual o tamanho do corpo de prova? O vão útil (distância entre colunas) limita a largura; o curso vertical limita o comprimento e o alongamento até a ruptura. Filmes e elastômeros podem alongar várias vezes o comprimento inicial e esgotar o curso antes de romper.
  5. Precisa de extensômetro? Sim, se a norma pede módulo ou escoamento convencional.
  6. Onde a máquina vai ficar? Peso, piso, espaço e alimentação elétrica, já que os modelos de maior capacidade pesam toneladas e exigem rede trifásica.

Qual capacidade para cada material

A força de ruptura em tração é, em ordem de grandeza, a área da seção vezes o limite de resistência do material. Exemplos calculados com valores típicos:

Corpo de prova Área da seção Resistência típica Força de ruptura estimada
Fio ou filamento, fita adesiva, filme fino< 1 mm² a poucos mm²variávelde alguns N a centenas de N
Plástico, corpo de prova tipo 1A da ISO 527 (10 × 4 mm)40 mm²30 a 70 MPa1,2 a 2,8 kN
Chapa de aço de 12,5 × 1 mm12,5 mm²400 MPa5 kN
Barra de aço CA-50 de 10 mm78,5 mm²~600 MPa~47 kN
Barra de aço CA-50 de 16 mm201 mm²~600 MPa~121 kN
Barra de aço CA-50 de 25 mm491 mm²~600 MPa~295 kN
Barra de aço CA-50 de 32 mm804 mm²~600 MPa~483 kN

No CA-50, a ABNT NBR 7480:2024 fixa o limite de escoamento característico em 500 MPa e exige limite de resistência de pelo menos 1,10 vez o escoamento medido, o que dá no mínimo 550 MPa numa barra que escoe a 500 MPa. Os 600 MPa da tabela são um valor ilustrativo, um pouco acima desse mínimo, porque a barra real costuma escoar acima do valor característico; para dimensionar a máquina, use o maior limite de resistência que o seu material pode apresentar. As áreas da tabela são as nominais, suficientes para estimar a força; no ensaio de aceitação, a NBR 7480 manda calcular a área pela massa linear da barra. O exemplo do vergalhão mostra por que a bitola define a máquina: quem ensaia CA-50 até 16 mm fica bem servido com 200 kN; até 25 mm, precisa de 300 kN; até 32 mm, de 600 kN.

Exemplo resolvido: capacidade para vergalhão de 16 mm

Um laboratório de construtora vai ensaiar CA-50 até a bitola de 16 mm e quer saber que máquina comprar. O cálculo:

  1. Área nominal da barra: π × 16² / 4 = 201,1 mm².
  2. Limite de resistência adotado, com folga sobre o mínimo normativo de 550 MPa: 650 MPa (hipótese de projeto).
  3. Força máxima esperada: 650 × 201,1 = 130,7 kN.
  4. Margem de 20% para lotes acima do esperado: 130,7 × 1,2 ≈ 157 kN.

Uma máquina de 50 kN é insuficiente e uma de 1.000 kN seria desperdício, porque a força das bitolas menores ficaria na parte baixa da faixa, onde a resolução relativa piora. A resposta é a faixa de 200 kN, como a MBIOII-200-M2. Se o mesmo laboratório também ensaiar fios e telas finas, a outra ponta do problema aparece: a força mínima precisa ficar acima do piso da classe de alguma célula de carga, como mostrado na seção de calibração.

A linha M2 da Biopdi

A máquina universal de ensaios Biopdi é fabricada pela Biopdi, empresa brasileira fundada em 2010 e sediada em São Carlos (SP), cidade reconhecida por lei federal (Lei 12.504/2011) como a Capital Nacional da Tecnologia. A linha M2 é eletromecânica, com 15 capacidades de 200 N a 1.000 kN em oito estruturas, software próprio e assistência técnica no Brasil. Curso, vão e peso são da estrutura e valem para todas as capacidades dela:

Modelo Capacidades Tipo Curso vertical Vão útil Peso
MBIOI-1P-M2200 N, 500 N ou 1 kNPortátil425 mm48 mm15 kg
MBIOI-10-M22, 5 ou 10 kNColuna simples890 mm150 mm105 kg
MBIOI-10-M2 estendida2, 5 ou 10 kNColuna simples, curso estendido1.290 mm150 mm120 kg
MBIOII-50-M25, 10, 20, 30 ou 50 kNColuna dupla1.300 mm425 mm190 kg
MBIOII-200-M2100, 150 ou 200 kNColuna dupla1.500 mm605 mm760 kg
MBIOII-300-M2300 kN (30.000 kgf)Autoportante1.500 mm650 mm1.220 kg
MBIOII-600-M2600 kN (60.000 kgf)Autoportante1.500 mm605 mm1.500 kg
MBIOII-1000-M21.000 kN (100.000 kgf)Autoportante1.500 mm560 mm3.500 kg

Velocidade de ensaio, dimensões e alimentação de cada modelo estão na página própria dele.

Manutenção e rotina de uso da máquina universal

A manutenção da máquina universal de ensaio combina cuidados de rotina feitos pelo operador, manutenção preventiva conforme o manual do fabricante e verificação periódica da força por laboratório de calibração. Os três protegem coisas diferentes: a rotina protege o ensaio do dia, a preventiva protege a máquina e a calibração protege o número do relatório. Quando a máquina para, ou a eletrônica e o software ficam obsoletos, entram o conserto e o retrofit; a Biopdi faz os dois em máquinas de qualquer marca, como explica a página de retrofit, manutenção e conserto de máquina universal de ensaios.

  • Antes de cada sessão de ensaios: conferir se a célula de carga instalada é a da faixa do ensaio, zerar a força sem corpo de prova, testar o botão de emergência e os fins de curso, e inspecionar as faces das cunhas, porque dente gasto ou sujo faz o corpo de prova escorregar e gera curva com degraus.
  • Depois do ensaio: remover cavacos, pó e fragmentos da área de ensaio, principalmente após rupturas frágeis, e guardar garras e dispositivos limpos e protegidos contra corrosão.
  • Preventiva: lubrificação de fusos e guias, inspeção de cabos e conectores dos transdutores e atualização do software, nos intervalos que o manual do fabricante indicar para o regime de uso.
  • Verificação da força: pela ABNT NBR ISO 7500-1, em intervalo de no máximo 12 meses, salvo especificação diferente, e sempre que a máquina mudar de lugar ou passar por reparo importante. O extensômetro tem verificação própria pela ABNT NBR ISO 9513.

Um sinal simples de que algo mudou é ensaiar periodicamente um corpo de prova de referência do próprio laboratório e acompanhar o resultado: um desvio crescente aparece antes da próxima calibração. A segurança do operador durante o ensaio, inclusive a proteção contra fragmentos na ruptura, é tratada no artigo sobre a NR-12 em máquinas de ensaio.

O que define o investimento em uma máquina universal

O preço de uma máquina universal varia muito porque "a máquina" é, na prática, uma configuração. O que pesa, em ordem aproximada:

  • Capacidade e estrutura: de uma portátil de 1 kN a uma autoportante de 1.000 kN, a estrutura, o acionamento e a instalação mudam de escala.
  • Número de células de carga: uma por faixa de força que o laboratório precisa medir com exatidão.
  • Extensômetro: clip-on, de longo curso para elastômeros ou óptico sem contato.
  • Garras e dispositivos: cada ensaio e cada norma pede o seu, e as pneumáticas custam mais que manuais.
  • Software e controle: painel mecânico, CLP ou tela touchscreen integrada.
  • Serviços: instalação, treinamento, calibração inicial e assistência técnica.

Duas perguntas evitam os erros de compra mais caros: a máquina mede com exatidão a menor força que eu preciso? E o curso e o vão aceitam o maior corpo de prova que eu vou ensaiar? Para uma proposta com a configuração do seu ensaio, solicite um orçamento.

Máquina nacional ou importada

Tecnicamente, uma máquina nacional e uma importada da mesma classe entregam o mesmo resultado, porque a norma é a mesma. A diferença está no ciclo de vida: prazo e custo de assistência técnica, disponibilidade de peças e de garras sob medida, calibração, treinamento em português e exposição do preço ao câmbio. Como a máquina universal costuma operar por muitos anos, esses custos pesam tanto quanto o preço de compra.

Vídeos da máquina universal de ensaios

Demonstrações de ensaios em máquinas universais Biopdi: tração de metais e polímeros, modelos de bancada e o modelo portátil.

Conclusão

A máquina universal de ensaios mede como um material responde a uma força controlada, e com dispositivos diferentes cobre tração, compressão, flexão, cisalhamento, dobramento, embutimento, arrancamento e aderência. Escolher bem é partir do ensaio: a norma define dispositivos e extensômetro, a força de ruptura define a capacidade, o corpo de prova define curso e vão, e a menor força a medir define as células de carga. A calibração pela NBR ISO 7500-1 é o que garante que o número no relatório corresponde à força real.

Outros ensaios e referências técnicas

Perguntas frequentes

O que é a máquina universal de ensaio?

É um equipamento de laboratório, eletromecânico ou servo-hidráulico, que aplica força controlada de tração, compressão ou flexão a um corpo de prova e mede força e deformação para determinar limite de resistência, limite de escoamento, alongamento e módulo de elasticidade. Também é chamada de MUE, UTM, máquina universal de ensaios ou máquina de ensaio de tração.

Por que ela se chama "universal"?

Porque a mesma estrutura, trocando garras e dispositivos, executa vários ensaios diferentes: tração, compressão, flexão, cisalhamento, dobramento, embutimento, arrancamento e aderência. O conceito vem da máquina patenteada por Tinius Olsen em 1880 (patente US 228.214), que reuniu tração, flexão e compressão num único quadro. Não significa que faça todos os ensaios mecânicos, já que dureza, impacto e torção usam equipamentos próprios.

O que é a máquina universal de Turing?

É um modelo teórico da ciência da computação, proposto por Alan Turing em 1936, capaz de simular qualquer outra máquina de Turing. Não tem relação com a máquina universal de ensaio, que é um equipamento físico de ensaios mecânicos de materiais.

O que é uma máquina de ensaio de compressão?

É o equipamento que aplica só força de compressão a um corpo de prova, em geral uma prensa de alta capacidade usada para concreto, argamassa e blocos. A máquina universal também faz compressão, com pratos de compressão, e acrescenta tração e flexão; a prensa dedicada é a escolha quando o laboratório só rompe corpos de prova de concreto ou alvenaria.

Quais são os tipos de ensaios mecânicos?

Os ensaios mecânicos se dividem em estáticos (tração, compressão, flexão, cisalhamento, dobramento), dinâmicos (fadiga e impacto), de dureza e de fluência, além dos ensaios não destrutivos. A máquina universal cobre os estáticos; os demais usam máquinas próprias. O guia de ensaios mecânicos detalha cada grupo.

O ensaio de torção é feito na máquina universal?

Em geral, não. A máquina universal aplica força axial, ao longo do eixo do corpo de prova, e o ensaio de torção exige momento de giro em torno desse eixo, medido por transdutor de torque. Por isso ele é feito em máquina de ensaio de torção, ou em máquina com módulo específico que combine os dois esforços.

Máquina de ensaio de tração e máquina universal são a mesma coisa?

Na maioria dos casos, sim. Como o ensaio de tração é o mais comum, o nome "máquina de tração" se popularizou para a máquina universal. Existem máquinas dedicadas só à tração, mas a máquina universal faz tração e também os demais ensaios.

O que significa UTM e MUE?

UTM é a sigla em inglês de universal testing machine; MUE é a sigla em português de máquina universal de ensaios. As duas designam o mesmo equipamento.

Qual a diferença entre a máquina eletromecânica e a hidráulica?

A eletromecânica gera força com servomotor e fusos de esferas e tem controle fino de velocidade e posição; é a escolha natural para ensaios estáticos até cerca de 1.000 kN. A hidráulica usa bomba e cilindro, chega a capacidades muito altas com estrutura compacta, mas controla velocidade e posição com menos precisão e exige manutenção do sistema de óleo.

Quando escolher coluna simples e quando escolher coluna dupla?

A coluna simples atende capacidades baixas, até cerca de 10 kN, com corpos de prova pequenos como filmes, fios, borrachas e fitas. A coluna dupla é indicada para cargas maiores e corpos de prova grandes, porque distribui a carga simetricamente e mantém o alinhamento sob esforço.

Como escolher a capacidade de carga?

Estime a força máxima do ensaio multiplicando a área da seção do corpo de prova pela resistência do material, e escolha uma máquina com margem sobre esse valor. Depois confira a outra ponta: a menor força que você precisa medir deve cair dentro da faixa calibrada de alguma célula de carga da máquina.

Qual máquina universal é preciso para ensaiar vergalhão CA-50?

Depende da maior bitola. Com um limite de resistência ilustrativo de 600 MPa, acima do mínimo de 550 MPa que a NBR 7480:2024 implica para o CA-50, a força de ruptura fica em cerca de 47 kN na bitola de 10 mm, 121 kN na de 16 mm, 295 kN na de 25 mm e 483 kN na de 32 mm. Até 16 mm, uma máquina de 200 kN atende; até 25 mm, 300 kN; até 32 mm, 600 kN.

O que é a célula de carga e por que ela exige calibração?

É o transdutor que converte a força aplicada em sinal elétrico, e é ela que efetivamente mede o ensaio. Como qualquer instrumento de medição, sofre deriva com o uso e o tempo; a calibração periódica garante que o valor registrado corresponde à força real e que o resultado é aceito perante a norma.

O que significa uma máquina ser classe 1 pela NBR ISO 7500-1?

Significa que, na faixa verificada, o erro relativo de indicação da força não passa de ±1% e a repetibilidade não passa de 1%. A classe 0,5 é mais exigente (±0,5%). A maioria das normas de ensaio, como a ABNT NBR ISO 6892-1 para metais, exige classe 1 ou melhor.

De quanto em quanto tempo calibrar a máquina universal?

A NBR ISO 7500-1 recomenda não passar de 12 meses entre verificações, salvo especificação diferente, e verificar sempre que a máquina for desmontada para mudar de lugar ou passar por reparo ou ajuste importante. A ASTM E4 recomenda verificação anual, com intervalo máximo de 18 meses. O intervalo pode ser menor conforme o uso e as exigências do sistema de qualidade do laboratório.

Para que serve o extensômetro?

Para medir a deformação diretamente no corpo de prova, e não pelo deslocamento da travessa, que inclui a deformação da máquina, das garras e as folgas. Em ensaios que determinam módulo de elasticidade ou limite de escoamento convencional, o extensômetro é requisito da norma.

A máquina universal faz ensaio de fadiga?

Ensaios cíclicos de baixa frequência podem ser feitos em máquina universal eletromecânica. Fadiga de alto número de ciclos, de milhares a milhões de ciclos, exige máquina dinâmica, servo-hidráulica ou eletrodinâmica.

A máquina universal faz ensaio de dureza ou de impacto?

Não. Dureza é medida em durômetro (Rockwell, Brinell, Vickers, Shore) e impacto em pêndulo Charpy ou Izod. Torção também usa máquina própria.

Qual a diferença entre máquina universal e prensa de concreto?

A prensa faz apenas compressão e é o equipamento padrão para corpos de prova de concreto, argamassa e blocos. A máquina universal faz tração, compressão, flexão e outros ensaios com a mesma estrutura, e é a escolha quando o laboratório ensaia aço, polímeros ou precisa de mais de um tipo de ensaio.

O que define o preço de uma máquina universal de ensaios?

Principalmente a capacidade e a estrutura, o número de células de carga, o extensômetro, as garras e dispositivos exigidos pelas normas do laboratório, o tipo de controle e software, e os serviços de instalação, treinamento e calibração. Por isso o preço é dado por proposta, para a configuração do ensaio.

Quem fabrica máquina universal de ensaios no Brasil?

Há fabricantes nacionais e estrangeiros com operação no país. A Biopdi é fabricante brasileira, fundada em 2010 e sediada em São Carlos (SP), a Capital Nacional da Tecnologia, com a linha M2 de máquinas universais eletromecânicas em 15 capacidades, de 200 N a 1.000 kN (20 a 100.000 kgf), software próprio e assistência técnica no Brasil.

Qual a diferença entre os modelos portátil, de bancada e autoportante?

O portátil pode ser levado até onde o ensaio precisa acontecer. O de bancada é apoiado sobre uma bancada de laboratório. O autoportante tem estrutura própria apoiada no piso e é necessário nas capacidades maiores, que pesam de uma a algumas toneladas e costumam exigir alimentação trifásica.

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