Ensaio de tração: o que é, passo a passo, cálculos e normas (NBR ISO 6892-1)

O ensaio de tração aplica uma força de tração axial a um corpo de prova até a ruptura e mede escoamento, resistência, módulo e alongamento. Veja cálculos, passo a passo, normas e corpos de prova.

Ensaios MecânicosPor Mardoqueu M. Costa
36 min de leitura

O ensaio de tração aplica a um corpo de prova padronizado uma força de tração axial, crescente e com velocidade controlada, até a ruptura. A máquina registra força e alongamento, e deles saem o limite de escoamento, a resistência à tração (Rm = Fm / S0), o módulo de elasticidade, o alongamento e a estricção. Em metais, o ensaio segue a ABNT NBR ISO 6892-1:2024 ou a ASTM E8/E8M-25; em plásticos, a ASTM D638-22 ou a ISO 527-2.

Resumo em 30 segundos:

  • Como se calcula: tensão = força ÷ área inicial (σ = F / S0, em MPa); deformação = alongamento ÷ comprimento inicial (ε = ΔL / L0).
  • O que mede: escoamento (Rp0,2), resistência (Rm), módulo (E), alongamento (A) e estricção (Z).
  • Com o quê: numa máquina universal de ensaios, com célula de carga e extensômetro.
  • É destrutivo: o corpo de prova rompe; por isso ele é retirado de uma amostra representativa do lote.

Na foto, um corpo de prova de aço montado para o ensaio: preso entre as garras de cunha, com o extensômetro fixado no trecho útil para medir o alongamento.

Corpo de prova redondo de aço preso entre garras de cunha de uma máquina universal de ensaios, com extensômetro fixado no trecho útil
Ensaio de tração: corpo de prova nas garras de cunha, com extensômetro no trecho útil

O que é o ensaio de tração e o que ele mede

A ISO 6892-1 define o ensaio como deformar um corpo de prova por força de tração, em geral até a fratura, para determinar propriedades mecânicas. É o ensaio mecânico mais usado: é rápido, reprodutível e dá, numa única curva, a rigidez, a resistência e a ductilidade do material. Serve para aceitar lotes de aço, desenvolver ligas e polímeros, qualificar compósitos e alimentar cálculos de projeto. Ele faz parte do grupo dos ensaios mecânicos e mede boa parte das propriedades mecânicas dos materiais.

O ensaio pode ser feito num corpo de prova padronizado ou na própria peça. O corpo de prova dá as propriedades do material, comparáveis entre fornecedores e lotes; a peça inteira, como um parafuso, um cabo ou uma barra, mostra como aquele produto se comporta nas condições de uso.

O esquema abaixo mostra o princípio numa máquina universal Biopdi de coluna dupla: a travessa se desloca com velocidade controlada e afasta as garras, enquanto a célula de carga mede a força. No centro, a ampliação das garras de cunha, que apertam mais o corpo de prova à medida que a força cresce. À direita, o corpo de prova: a seção reduzida, onde a tensão é calculada, e as duas marcas do comprimento de referência, cujo afastamento dá a deformação. As duas grandezas são definidas na seção sobre corpo de prova, logo a seguir.

Esquema do ensaio de tração na máquina universal Biopdi MBIOII-50-M2: travessa com velocidade controlada, garras de cunha ampliadas com a força aplicada e corpo de prova com seção e comprimento de referência
Esquema do ensaio de tração: as garras aplicam ao corpo de prova uma força de tração axial até a ruptura
PropriedadeSímbolo (ISO)O que diz
Módulo de elasticidadeErigidez: quanto o material deforma, de forma reversível, por MPa aplicado
Limite de escoamento convencionalRp0,2tensão em que começa a deformação permanente (0,2 % residual)
Limites de escoamento superior e inferiorReH / ReLem aços com patamar de escoamento
Resistência à traçãoRmmaior tensão de engenharia suportada
Alongamento após rupturaAductilidade medida no comprimento de referência
Alongamento total na força máximaAgtexigido em vergalhões
EstricçãoZredução de área no ponto de ruptura

Corpo de prova para ensaio de tração

O corpo de prova é o que torna o ensaio reprodutível. O resultado depende do comprimento e da forma da amostra, da velocidade de aplicação da carga e da precisão das medidas; por isso as normas fixam as dimensões, e dois laboratórios que seguem a mesma norma chegam a valores comparáveis. A forma escolhida depende do material, da capacidade da máquina e do produto de onde a amostra é retirada, e tem uma exigência que vale para todas: a ruptura precisa acontecer na parte útil, senão o ensaio não vale.

As partes do corpo de prova

Todo corpo de prova de tração tem três regiões, cada uma com uma função:

  • Parte útil: o trecho central, mais estreito, com seção inicial S0 conhecida. É nela que o material é realmente ensaiado. Dentro dela se marcam os limites do comprimento de referência L0, onde o alongamento é medido.
  • Cabeças: as pontas presas nas garras. Têm seção maior que a parte útil, para que a tensão nelas seja menor e a ruptura não aconteça ali. A forma depende do tipo de fixação: lisa para garra de cunha, roscada ou com flange.
  • Raio de concordância (R): a curva que liga a cabeça à parte útil. Uma mudança brusca de seção concentraria tensão e faria o corpo de prova romper na transição; o raio distribui essa mudança.

O esquema abaixo mostra essas três regiões nos formatos mais usados: o cilíndrico de metal, a gravata de plástico e a gravata de borracha. As marcas em laranja delimitam o comprimento de referência. No cilíndrico, as cotas mínimas de parte paralela e de raio mudam com a norma: 75 mm e 10 mm no ASTM E8M; L0 + d/2 e 0,75·d na ISO 6892-1.

Esquema em escala dos corpos de prova de tração mais usados: cilíndrico de metal pela ISO 6892-1 e ASTM E8M, com raio de pelo menos 10 mm e parte paralela de pelo menos 75 mm no E8M e raio de pelo menos 0,75·d e parte paralela de pelo menos L0 + d/2 na ISO, gravata de plástico tipo 1A pela ISO 527-2 e gravata de borracha tipo 1 pela ISO 37, com as dimensões de cada norma
Os três formatos mais usados, em escala: metal (ISO 6892-1 e ASTM E8M, com as cotas mínimas de cada uma), plástico (ISO 527-2 tipo 1A) e borracha (ISO 37 tipo 1)

Por que cada material tem o seu formato

  • Metal: corpos de prova usinados, redondos ou planos. Na ISO 6892-1 o comprimento de referência é proporcional à seção, L0 = 5,65·√S0 (no redondo, 5 vezes o diâmetro). Assim o alongamento de corpos de prova de tamanhos diferentes pode ser comparado. A ASTM E8 usa 4 diâmetros, e a E8M, 5: por isso o alongamento só se compara entre ensaios com o mesmo L0.
  • Plástico: a gravata plana, moldada por injeção ou usinada de placa. Na ISO 527-2 tipo 1A, a parte estreita tem 10 × 4 mm e 80 mm de comprimento, e as cabeças mais largas garantem que a ruptura fique na parte estreita.
  • Borracha e elastômero: a gravata é cortada com uma faca de corte (matriz) de uma placa de 2 mm. Na ISO 37 tipo 1, a parte estreita é curta (33 mm) e a transição tem dois raios. Como a borracha alonga várias vezes o próprio comprimento, o comprimento de teste é de só 25 mm.

Seção redonda ou retangular e direção de retirada

Corpos de prova de fundidos e de barras torneadas costumam ter seção redonda; os retirados de chapas, seção retangular. Em chapas laminadas, a direção de retirada importa: as propriedades mudam entre a direção de laminação e a transversal (anisotropia), e a direção vai para o relatório. Vergalhões, fios e cabos não são usinados: são ensaiados inteiros, com garras próprias para cada um.

Dimensões por norma

A tabela resume as dimensões dos corpos de prova mais usados em cada norma:

Norma e tipoSeção útilComprimento de referência
ISO 6892-1, proporcionalqualquer5,65√S0 (no redondo, 5d0), mínimo 15 mm
ASTM E8, redondo padrão (cotas da E8/E8M-09)d = 12,5 mm50 mm (4D)
ASTM E8M, redondod = 12,5 mm62,5 mm (5D)
ASTM E8, redondos menoresd = 9 / 6 mm36 / 24 mm
ASTM E8, chapa (sheet-type)largura 12,5 mm50 mm
ASTM E8, placa (plate-type)largura 40 mm200 mm
ASTM D638 tipo I (plástico)largura 13 mm, espessura até 7 mm50 mm
ASTM D638 tipo V (pouco material)largura 3,18 mm7,62 mm
ISO 527-2 tipo 1A (plástico)10 × 4 mm75 mm (l₃ = 170 mm)
ISO 37 tipo 1 (borracha; matriz C da ASTM D412)6,2 × 2,0 mm25 mm (A = 115 mm)

Ensaio de tração passo a passo

  1. Retirar e usinar o corpo de prova. Registrar o local e a direção de retirada, que vão para o relatório. A superfície não pode ter entalhe nem rebarba.
  2. Medir S0. Com micrômetro, em mais de uma posição e direção.
  3. Marcar L0. Marcas finas, que não iniciem trinca. Proporcional: L0 = 5,65√S0, com pelo menos 15 mm.
  4. Conferir a temperatura. Entre 10 e 35 °C, ou 23 ± 5 °C quando o ensaio pede condição controlada.
  5. Zerar a força e fixar nas garras. A célula de carga é zerada antes de prender o corpo de prova. Garras de cunha para metais, bem alinhadas com o eixo.
  6. Aplicar uma pré-carga pequena e instalar o extensômetro. A pré-carga tira as folgas do conjunto sem escoar o material.
  7. Tracionar na velocidade da norma. No método A da ISO 6892-1, 0,00025 s⁻¹ (±20 %) até determinar o escoamento, depois 0,0067 s⁻¹ (±20 %) até a ruptura. São os valores recomendados: a norma admite também 0,00007 s⁻¹ antes e 0,00025 ou 0,002 s⁻¹ depois. Na ASTM E8, controle A, a taxa de tensão no trecho elástico fica entre 1,15 e 11,5 MPa/s (E8/E8M-09, a edição que consultamos).
  8. Retirar o extensômetro, se ele não for do tipo que suporta a ruptura, depois do escoamento e antes da fratura.
  9. Medir depois da ruptura. Juntar as partes e medir Lu; medir o diâmetro mínimo para Z. O alongamento só vale se a fratura ficar a pelo menos L0/3 da marca mais próxima, salvo se o valor já atender o mínimo especificado.
  10. Calcular, arredondar e emitir o relatório.

Para um corpo de prova de 10 mm com comprimento paralelo de 60 mm, como o do exemplo resolvido mais adiante, a velocidade de travessa no método A2 seria de cerca de 0,9 mm/min até o escoamento e 24 mm/min depois dele.

O passo 9 tem uma regra de validade, detalhada no esquema abaixo. No alto, a posição da fratura: com as metades juntas, mede-se Lu, e o resultado vale se a fratura ficou a pelo menos L0/3 da marca mais próxima; fora disso, só vale se o alongamento já atingiu o mínimo. Embaixo, o recurso do Anexo I da ISO 6892-1, usado por acordo, para não perder o corpo de prova que rompeu perto da marca: dividir L0 em intervalos de 5 mm antes do ensaio e recalcular A a partir das marcas X e Y, à mesma distância da fratura, e de uma marca Z além de Y; a fórmula aparece no próprio esquema.

Esquema da medição do alongamento após a ruptura pela ISO 6892-1: no alto, o corpo de prova com as metades juntas, Lu = 57,5 mm para L0 = 50 mm e A = 15,0 %, e as faixas de L0/3 junto a cada marca, onde a fratura só vale se o alongamento atingir o mínimo; embaixo, o método do Anexo I, com L0 dividido em 10 intervalos de 5 mm, as marcas X e Y à mesma distância da fratura e a marca Z três intervalos além de Y, e A = (lXY + 2·lYZ − L0) / L0 × 100 = 15,0 %
Esquema: medição de Lu, posição válida da fratura e método do Anexo I da ISO 6892-1 para fratura perto da marca

Gráfico tensão-deformação do ensaio de tração

Durante o ensaio, a máquina registra a força e o alongamento. O software divide a força pela área inicial S0 e o alongamento pelo comprimento de referência L0 e traça a curva tensão × deformação, de onde saem todas as propriedades do ensaio. A seguir, as regiões dessa curva, o que cada propriedade significa e como a forma da curva muda entre materiais dúcteis e frágeis. A leitura detalhada está no artigo sobre o diagrama tensão-deformação.

As regiões da curva e os pontos A, B, C e D

A curva de um metal dúctil passa sempre pelas mesmas quatro regiões: elástica, escoamento, encruamento e estricção. Quatro pontos marcam as passagens entre elas: A, o limite de proporcionalidade, onde a curva deixa de ser reta; B, o limite elástico, logo acima; C, o limite de resistência à tração; e D, a ruptura. O gráfico abaixo mostra as regiões e os pontos numa curva típica.

Curva tensão-deformação de um metal dúctil com as regiões elástica, de escoamento, de encruamento e de estricção e os pontos A (limite de proporcionalidade, fim do trecho reto), B (limite elástico), C (limite de resistência à tração) e D (ruptura)
Curva tensão-deformação de um metal: regiões elástica, de escoamento, de encruamento e de estricção, e os pontos A a D

Lendo essa curva da esquerda para a direita:

  • Região elástica, até os pontos A e B. Tensão e deformação crescem juntas, em linha reta. Se a carga for retirada nesse trecho, o corpo de prova volta ao comprimento inicial. A inclinação da reta é o módulo de elasticidade.
  • A, limite de proporcionalidade, e B, limite elástico. O limite de proporcionalidade é a última tensão em que a curva ainda é reta; o limite elástico é a maior tensão que o material suporta sem ficar com deformação permanente. Nos metais os dois estão tão próximos que, na prática, se confundem, e são difíceis de medir. Por isso as normas usam no lugar deles o limite de escoamento convencional, Rp0,2.
  • Escoamento. Começa a deformação plástica, que é permanente. Aços de baixo carbono mostram um patamar em que o corpo de prova alonga sem a força subir (ReH e ReL); na maioria dos metais a passagem é gradual.
  • Encruamento, até o ponto C. A deformação plástica endurece o metal e a força volta a subir até o máximo. O ponto C é o limite de resistência à tração, Rm.
  • Estricção, de C a D. A deformação se concentra num ponto, a seção afina formando um pescoço e a força cai até a ruptura, no ponto D. A curva de engenharia cai porque divide a força pela área inicial; na seção que afina, a tensão real continua subindo.

O que cada propriedade da curva significa

Módulo de elasticidade (E). É a razão entre tensão e deformação no trecho reto, E = σ / ε, e mede a rigidez: quanto maior, menos o material deforma sob a mesma tensão. Nos metais ele depende das ligações entre os átomos e quase nada da microestrutura, por isso um aço recozido e um temperado têm praticamente o mesmo E, entre 190 e 210 GPa. É a lei de Hooke aplicada ao material.

Deformação elástica e deformação plástica. A elástica é reversível e desaparece quando a carga é retirada. Passado o escoamento, a tensão deixa de ser proporcional à deformação e parte do alongamento fica permanente: é a deformação plástica, que permite conformar o metal e que avisa antes da ruptura.

Limite de escoamento (Rp0,2, ReH, ReL). É a tensão em que começa a deformação permanente, e é a base do projeto estrutural: a peça é dimensionada para trabalhar abaixo dela. Quando não há patamar, usa-se o método do offset de 0,2 %, mostrado em "Como calcular", logo a seguir.

Limite de resistência à tração (Rm). É a maior tensão de engenharia da curva, Rm = Fm / S0. Depois dele começa a estricção e a peça já não suporta carga maior.

Ductilidade (A e Z). É quanto o material se deforma plasticamente até romper, medida pelo alongamento após a ruptura (A) e pela estricção (Z). Um material com pouca ou nenhuma deformação plástica é frágil. A ductilidade indica quanto a peça vai se deformar, e avisar, antes de romper, e quanto ela aceita de conformação na fabricação.

Tenacidade. É a energia que o material absorve até a fratura, representada pela área sob toda a curva: combina resistência e ductilidade. É desejável em peças sujeitas a choque, como engrenagens e correntes. A tenacidade ao impacto, com entalhe e alta velocidade, é medida em outro ensaio, o de impacto Charpy.

Resiliência. É a energia que o material absorve no trecho elástico e devolve ao ser descarregado, medida pelo módulo de resiliência Ur = σe² / (2E), a área sob o trecho reto. Para um aço com escoamento de 350 MPa e E de 205 GPa, o mesmo do exemplo resolvido adiante, Ur = 350² / (2 × 205.000) = 0,30 MJ/m³. Materiais para molas precisam de escoamento alto e módulo baixo.

Encruamento. É o endurecimento do metal pela própria deformação plástica: as discordâncias se multiplicam e se travam, e é preciso mais força para continuar deformando. É o trecho que sobe entre o escoamento e o ponto C.

Estricção. É a formação do pescoço, quando o endurecimento por encruamento já não compensa a redução da seção e a deformação se concentra num ponto. A redução de área na fratura (Z) mede quanto a seção afinou.

Coeficiente de Poisson (ν). Quando o corpo de prova alonga, ele também afina. O coeficiente de Poisson é a razão, com sinal positivo, entre a deformação lateral e a axial: ν = −εlateral / εaxial. Nos metais fica entre 0,25 e 0,35, e o máximo teórico é 0,5. Para medi-lo, usa-se um extensômetro axial e outro transversal.

Materiais dúcteis e frágeis

Materiais dúcteis, como o aço de baixo carbono, o cobre e a maioria dos polímeros, se deformam bastante no regime plástico e formam pescoço antes de romper. Materiais frágeis, como o ferro fundido cinzento, o aço temperado e as cerâmicas, quase não se deformam plasticamente e rompem de uma vez. A forma da curva depende também da composição, do tratamento térmico, da deformação que o material já sofreu, da velocidade de ensaio e da temperatura.

O formato da curva também revela o tipo de fratura: a fratura dúctil, em taça e cone, vem com estricção e Z alto; a frágil é plana e perpendicular ao eixo, sem estricção. Veja a diferença em ductilidade.

Os três gráficos abaixo comparam metais de comportamento diferente: o aço de baixo carbono, dúctil e com patamar de escoamento; o cobre, dúctil e sem patamar; e o ferro fundido cinzento, que rompe quase sem deformação plástica.

Curva tensão-deformação de aço de baixo carbono com patamar de escoamento

Aço de baixo carbono

Curva tensão-deformação do cobre, sem patamar de escoamento

Cobre

Curva tensão-deformação do ferro fundido cinzento, que rompe quase sem deformação plástica

Ferro fundido cinzento

Como calcular: fórmulas do ensaio de tração

Todo o ensaio se resume a dividir força por área e alongamento por comprimento. A notação abaixo é a da ABNT NBR ISO 6892-1.

GrandezaFórmulaUnidade
Área inicial (redondo / plano)S0 = π·d0² / 4  ou  S0 = a0·b0mm²
Comprimento de referência proporcionalL0 = 5,65·√S0 (no redondo, 5·d0)mm
Tensão de engenhariaσ = F / S0MPa (N/mm²)
Deformação de engenhariaε = ΔL / L0adimensional ou %
Módulo de elasticidadeE = Δσ / Δε no trecho linearGPa
Resistência à traçãoRm = Fm / S0MPa
Alongamento após rupturaA = (Lu − L0) / L0 × 100%
EstricçãoZ = (S0 − Su) / S0 × 100%
Tensão e deformação verdadeiras (até Fm)σV = σ(1 + ε); εV = ln(1 + ε)MPa; adimensional

O limite de escoamento pelo método do offset. Quando o material não tem patamar de escoamento, traça-se uma reta paralela ao trecho elástico, deslocada 0,2 % no eixo da deformação. O ponto onde ela cruza a curva é o Rp0,2. O módulo de elasticidade é a inclinação do trecho linear, que é a lei de Hooke; detalhes em módulo de elasticidade e em limite de resistência à tração.

O gráfico abaixo mostra essas leituras numa curva de aço, com os mesmos números do exemplo resolvido a seguir: o módulo pela inclinação do trecho reto, o Rp0,2 pelo offset, o Rm no ponto mais alto e o alongamento A depois da recuperação elástica.

Curva tensão-deformação de um aço com a leitura do módulo de elasticidade de 205 GPa, do limite de escoamento Rp0,2 de 350 MPa pelo método do offset, da resistência à tração de 420 MPa e do alongamento de 15 %
Como tirar E, Rp0,2, Rm e A da curva do ensaio de tração

Exemplo resolvido: do ensaio ao resultado

Um corpo de prova redondo de aço com d0 = 10,00 mm foi ensaiado pela ISO 6892-1 com extensômetro. Leituras: força no offset de 0,2 % de 27,5 kN, força máxima de 33,0 kN, comprimento final entre marcas de 57,5 mm, diâmetro no pescoço de 6,20 mm. No trecho elástico, entre 50 e 150 MPa, o extensômetro leu 0,02439 mm.

  1. Área: S0 = π × 10² / 4 = 78,54 mm².
  2. Comprimento de referência: L0 = 5,65 × √78,54 = 50,07 mm, na prática 50 mm (5d0).
  3. Escoamento: Rp0,2 = 27.500 / 78,54 = 350 MPa.
  4. Resistência: Rm = 33.000 / 78,54 = 420 MPa.
  5. Módulo: Δσ = 100 MPa; Δε = 0,02439 / 50 = 0,000488; E = 100 / 0,000488 = 205 GPa.
  6. Alongamento: A = (57,5 − 50) / 50 × 100 = 15,0 %.
  7. Estricção: Su = π × 6,20² / 4 = 30,19 mm²; Z = (78,54 − 30,19) / 78,54 × 100 = 62 %.
CPd0 (mm)S0 (mm²)Rp0,2 (MPa)Rm (MPa)E (GPa)A (%)Z (%)
110,0078,54350420205,015,062

A linha acima já está no formato do relatório, com o arredondamento recomendado pela norma, salvo outra regra da norma de produto: resistências ao MPa inteiro, alongamento a 0,5 % e estricção a 1 %. Os valores são compatíveis com um aço 1020 trefilado. É um exemplo didático.

Plástico, ASTM D638 tipo I. Seção de 13,0 × 3,2 mm = 41,6 mm² e força máxima de 2,08 kN: σ = 2.080 / 41,6 = 50,0 MPa. Se o ensaio durou 40 s, a velocidade foi alta demais: a D638 pede a menor velocidade que rompa o corpo de prova entre 0,5 e 5 minutos.

O que vai no relatório do ensaio de tração

Pela ISO 6892-1 (cláusula 22), o relatório traz no mínimo:

  • a norma e o código da condição de velocidade (por exemplo, "ISO 6892-1:2019 A224");
  • a identificação e o tipo do corpo de prova;
  • o material, se conhecido, e o local e a direção da amostragem;
  • o modo de controle e as taxas, quando diferentes das recomendadas;
  • os resultados arredondados.

Na prática de laboratório, acrescentam-se a curva, o operador, a máquina e a data de calibração (ABNT NBR ISO 7500-1), a classe do extensômetro (ABNT NBR ISO 9513) e a média e o desvio-padrão de vários corpos de prova. O software de ensaio monta esse relatório com as curvas sobrepostas.

Ensaio de tração por material

O ensaio é o mesmo, mas a norma, o corpo de prova, as garras e o que se procura na curva mudam de um material para outro.

Aço e vergalhão

Em aço, o ensaio segue a ABNT NBR ISO 6892-1 ou a ASTM E8, com o limite de escoamento pelo offset de 0,2 % ou, em aços com patamar, pelos limites superior e inferior. Valores típicos, que dependem do estado e da bitola:

Aço e condiçãoEscoamento (MPa)Rm (MPa)A em 50 mm (%)Fonte
AISI 1020 trefilado a frio35042015AZoM
AISI 1045 laminado a quente31056516AZoM
AISI 1045 trefilado45058512AZoM
AISI 4140 recozido41565525,7AZoM

O módulo de elasticidade de todos eles fica entre 190 e 210 GPa: o tratamento muda a resistência, não a rigidez. Veja módulo de elasticidade do aço.

Vergalhão CA-50. A ABNT NBR 7480:2024 exige do CA-50 escoamento de pelo menos 500 MPa, uma relação mínima entre resistência e escoamento e alongamento de pelo menos 8 % em 10 diâmetros. Exemplo com barra de 12,5 mm (área nominal de 122,7 mm²): força de escoamento de 67,0 kN dá fy = 546 MPa; força máxima de 83,5 kN dá fst = 680 MPa, relação 1,25; com L0 = 125 mm e Lu = 141,5 mm, A = 13,2 %. A barra atende. Os mínimos das três categorias estão em ductilidade. A foto abaixo mostra um vergalhão preso nas garras de cunha: a barra é ensaiada inteira, sem usinar.

Vergalhão de aço nervurado preso entre garras de cunha de uma máquina universal de ensaios para ensaio de tração
Ensaio de tração de vergalhão: a barra é ensaiada inteira, sem usinar

Polímeros e compósitos

Plásticos rígidos e semirrígidos seguem a ASTM D638-22, com corpo de prova tipo gravata (tipos I a V) e espessura até 14 mm; filmes com menos de 1 mm vão para a ASTM D882. O resultado depende muito da velocidade, da temperatura e da umidade, e por isso o corpo de prova é condicionado antes (23 °C e 50 % de umidade relativa). A equivalente ISO é a ISO 527-2, revisada em 2025. Compósitos de fibra seguem a ASTM D3039, com corpo de prova retangular e reforços colados nas pontas. A foto abaixo mostra uma gravata de plástico montada nas garras.

Corpo de prova de plástico em formato de gravata preso entre garras de uma máquina universal de ensaios de coluna única
Corpo de prova de plástico tipo gravata, como os da ASTM D638 e da ISO 527-2

Os polímeros são muito mais sensíveis à velocidade de ensaio e à temperatura que os metais, e se deformam por mecanismos diferentes. Por isso há três formas típicas de curva: o polímero frágil (A), que rompe logo após o trecho elástico; o dúctil (B), que escoa, forma um pescoço que se propaga pelo corpo de prova e alonga muito; e o elastômero (C), que alonga várias vezes o próprio comprimento com tensão baixa. As três formas estão no gráfico abaixo.

Curvas tensão-deformação típicas de polímeros: frágil (A), dúctil com escoamento (B) e elastomérico (C)
Curvas típicas de polímeros: frágil (A), dúctil (B) e elastômero (C)

Concreto

O concreto quase não é ensaiado em tração direta. No Brasil, usa-se a tração por compressão diametral (ABNT NBR 7222:2011): um cilindro deitado é comprimido ao longo da geratriz e fct,sp = 2F / (π·d·L). Um cilindro de 100 × 200 mm que rompe a 110 kN tem 3,50 MPa. O ensaio é feito em prensa; veja ensaio de compressão.

Cerâmicas

Cerâmicas são duras, mas frágeis, e raramente se ensaiam por tração: qualquer trinca introduzida na fabricação ou na fixação do corpo de prova faz a peça romper antes da hora, e a garra tende a quebrá-las. Por isso a resistência de cerâmicas se mede, em geral, por flexão em 3 ou 4 pontos, com corpos de prova em forma de barra.

Por que usar extensômetro no ensaio de tração

A deformação pode ser medida de duas formas, e a diferença começa pelo trecho do corpo de prova que se mede. Sem extensômetro, ela é calculada pelo deslocamento da travessa, e o que se alonga nessa conta é o corpo de prova inteiro entre as garras: o trecho útil, as concordâncias e a parte das cabeças que fica fora das cunhas. Só no trecho útil a seção é constante e a tensão é a calculada (F/S0); nas concordâncias e nas cabeças a seção é maior, a tensão é menor e a deformação também, então a média sobre o corpo de prova inteiro não representa o material. Além disso, o deslocamento da travessa não é só do corpo de prova: ele soma a deformação elástica da própria máquina (colunas, célula de carga, adaptadores), a das garras, a acomodação das cunhas no início do ensaio e qualquer escorregamento. No trecho elástico, em que o corpo de prova se alonga poucos centésimos de milímetro, essas parcelas são maiores que a do próprio material.

Com o extensômetro, a deformação é medida só na região de interesse. Ele é fixado no próprio corpo de prova, com duas facas apoiadas no trecho útil e separadas pelo comprimento de referência L0, onde a seção é uniforme e a tensão é conhecida, e mede apenas o alongamento que acontece entre elas: nada da máquina, das garras ou das concordâncias entra na leitura. A foto abaixo mostra um extensômetro Biopdi preso a um corpo de prova plano.

Extensômetro Biopdi fixado em corpo de prova plano durante ensaio de tração
Extensômetro Biopdi fixado no corpo de prova: mede só a deformação do material, com bases de 25 a 250 mm

Para ver o tamanho da diferença, o gráfico abaixo mostra o mesmo ensaio medido das duas formas, com os números do exemplo resolvido (aço, Rp0,2 de 350 MPa, Rm de 420 MPa, E de 205 GPa). A força é a mesma nas duas curvas; muda só a deformação. À esquerda está a curva inteira: a da travessa, em laranja, fica deslocada para a direita do começo ao fim e termina com 20 % de alongamento, contra 15 % do corpo de prova. No gráfico abaixo, à direita, está o início da curva ampliado, que é onde saem o módulo e o limite de escoamento.

Duas curvas tensão-deformação do mesmo ensaio de tração de aço: a do extensômetro, com módulo de 205 GPa, Rp0,2 de 350 MPa e alongamento de 15 %, e a calculada pelo deslocamento da travessa, deslocada para a direita, com módulo aparente de 34 GPa e alongamento de 20 %
O mesmo ensaio medido pelo extensômetro e pela travessa: o módulo, o Rp0,2 e o alongamento só saem certos com o extensômetro

No trecho ampliado aparecem os efeitos da medição pela travessa:

  • Trecho inicial curvo. Enquanto as cunhas se acomodam no corpo de prova, a travessa anda sem que o material se deforme na mesma proporção. A curva começa torta, e o trecho reto só aparece depois.
  • Módulo de elasticidade muito baixo. Pela travessa, a inclinação do trecho reto dá um módulo aparente de cerca de 34 GPa, contra os 205 GPa do aço medidos pelo extensômetro. O valor aparente não é propriedade do material: muda com a máquina, as garras e o comprimento do corpo de prova.
  • Limite de escoamento impossível de ler. O Rp0,2 é lido onde a curva cruza a reta paralela ao trecho elástico, deslocada de 0,2 %. Na curva do extensômetro, isso dá os 350 MPa corretos. Na curva da travessa, a mesma reta cai ainda na acomodação das cunhas, e o resultado não tem significado.
  • Alongamento maior. Como a travessa mede o corpo de prova inteiro, entram na conta a folga e o escorregamento das garras, a deformação da máquina e o que as concordâncias deformam junto ao trecho útil. As cabeças, de seção maior, quase não se deformam, mas o total ainda sai maior que o alongamento real do material.

O gráfico acima é calculado, para isolar o efeito da medição. O gráfico abaixo é de um ensaio real de alumínio, com dois corpos de prova do mesmo material em condições diferentes: o da curva preta foi tratado termicamente e medido sem extensômetro, pela travessa; o da curva vermelha, sem tratamento, foi medido com extensômetro. Os dois efeitos aparecem juntos. O limite de resistência mais alto da curva preta, cerca de 180 MPa contra 130 MPa, vem do tratamento térmico, e não da medição, porque o Rm depende só da força. Já o alongamento muito maior da curva preta soma as duas causas: o material tratado e a deformação da máquina e das garras que a travessa inclui.

Curvas tensão-deformação reais de dois corpos de prova de alumínio: em preto, tratado termicamente e medido sem extensômetro; em vermelho, sem tratamento e medido com extensômetro
Ensaio real de alumínio: em preto, tratado termicamente e sem extensômetro; em vermelho, sem tratamento e com extensômetro

Por isso, se o ensaio só precisa do Rm, a travessa basta. Para o módulo, o limite de proporcionalidade e um Rp0,2 confiável, o extensômetro é indispensável. O alongamento após a ruptura é outro caso: pela ISO 6892-1, ele se mede nas marcas do comprimento de referência, juntando as duas metades do corpo de prova depois do ensaio, ou pelo extensômetro; pela travessa, não, salvo para completar a medição depois que o extensômetro foi retirado após a força máxima, como o Anexo A da norma admite, de forma comprovável. A norma pede extensômetro de classe 1 da ISO 9513 para a resistência de prova (Rp e Rt) e aceita a classe 2 para as propriedades com extensão acima de 5 %, e o tipo de extensômetro tem de constar do relatório quando o módulo é determinado. Comparar dois materiais exige, além disso, que os dois sejam medidos da mesma forma.

O extensômetro também tem um limite: ele só vê o que acontece entre as facas. Se a estricção e a ruptura acontecem fora do comprimento de referência, a leitura não registra o alongamento concentrado no pescoço. Por isso a ISO 6892-1 tem regras para a posição da fratura (o resultado vale se ela ficar a pelo menos L0/3 da marca mais próxima, ou se A já atingir o mínimo especificado), e muitos laboratórios retiram o extensômetro depois do escoamento, para protegê-lo do impacto da ruptura, e medem o alongamento final pelas marcas.

Extensômetro no ensaio de tração de polímeros

Nos polímeros o problema muda de causa, mas não desaparece. A deformação da máquina pesa menos, porque o corpo de prova é dezenas de vezes mais flexível que ela e as forças são baixas. Em compensação, outros efeitos crescem. As concordâncias e as cabeças do corpo de prova gravata têm o mesmo módulo baixo do trecho útil e seção só cerca de duas vezes maior, então se deformam bastante e entram na leitura da travessa. O polímero escorrega e afina dentro das garras, porque o material flui sob a pressão das cunhas. E, nos dúcteis, o pescoço se propaga pelo corpo de prova e pode avançar sobre as concordâncias, de modo que o alongamento pela travessa se afasta ainda mais do alongamento no trecho útil.

Por isso as normas de plásticos separam as duas grandezas. Para o módulo em tração, a ISO 527-1 exige extensômetro de classe 1 da ISO 9513, e a ASTM D638 exige extensômetro de classe B-2 da ASTM E83; o deslocamento da travessa não pode substituí-lo. Depois do escoamento a lógica se inverte. Nos plásticos que formam pescoço, ele pode nascer fora das facas, e o extensômetro deixaria de registrar o alongamento. As duas normas passam então a usar a deformação nominal: o deslocamento da travessa dividido pela distância inicial entre garras. No método preferido da ISO 527-1 para corpos de prova multipropósito, a deformação vem do extensômetro até o escoamento e da travessa depois dele, e o resultado é relatado como nominal, sem ser comparado com uma deformação medida só no trecho útil. Em elastômeros e filmes, que alongam várias vezes o próprio comprimento, usam-se extensômetros de grande curso ou medição óptica, sem contato.

Simulação interativa

O simulador reproduz um ensaio de tração completo no navegador. Você escolhe o material entre seis referências (aço SAE 1020 e SAE 4340 temperado, alumínio 6061-T6, cobre recozido, ferro fundido cinzento e polipropileno) e acompanha a curva de tensão × deformação sendo traçada ponto a ponto, com o corpo de prova alongando, estricando e rompendo ao lado do gráfico.

A variável que interessa é a forma de medir a deformação. Medindo pela travessa, a leitura embute a acomodação da máquina, das garras e da célula de carga; medindo com extensômetro, só o alongamento do material. O simulador mostra as duas curvas juntas e calcula o erro: no aço SAE 1020 do simulador, o módulo de elasticidade cai de 205 GPa para cerca de 90 GPa, um desvio de mais de 50%. Numa máquina real, com a acomodação das cunhas e a folga das garras, a queda costuma ser ainda maior, como no gráfico calculado da seção acima. No polipropileno, o erro que vem só da máquina cai para cerca de 1%, porque o corpo de prova é muito mais flexível que ela. O simulador representa apenas esse efeito: num polímero real, a deformação das concordâncias e o escorregamento nas garras continuam distorcendo a leitura, e por isso as normas de plásticos também exigem extensômetro para o módulo.

Ao fim do ensaio o relatório traz o limite de resistência, o limite de escoamento, o módulo de elasticidade, o alongamento, a estricção, a tenacidade aproximada e a razão σr/σe, além de classificar o comportamento como dúctil ou frágil. Os valores são de referência, da faixa usual de tabela técnica, e servem para entender o formato da curva de cada classe de material. Não substituem ensaio real, já que as propriedades variam com composição, tratamento térmico, direção de laminação e temperatura.

Normas do ensaio de tração

A qual norma recorrer depende do material e do cliente: produto brasileiro costuma pedir a NBR ISO 6892-1; exportação para os Estados Unidos, a ASTM E8. As duas não são idênticas: a temperatura (10 a 35 °C na ISO, 10 a 38 °C na ASTM), o comprimento de referência (5d na ISO e no E8M, 4D no E8) e o controle de velocidade mudam, e o alongamento só se compara entre ensaios feitos com o mesmo comprimento de referência.

A tabela reúne as normas de tração mais usadas, por material:

NormaAplicaçãoEdição vigente
ABNT NBR ISO 6892-1metais, temperatura ambiente2024, idêntica à ISO 6892-1:2019 (cancela a de 2013; versão corrigida de 07/2026)
ABNT NBR ISO 6892-2metais, temperatura elevada2024
ASTM E8/E8MmetaisE8/E8M-25
ASTM A370produtos de açoA370-26
ABNT NBR 7480vergalhões e fios para concreto armado2024 (equivale à 2022 corrigida com a Emenda 1)
ASTM D638plásticos rígidos e semirrígidosD638-22
ISO 527-2plásticos (moldagem e extrusão)2025
ASTM D882 e ISO 527-3filmes e folhas plásticas finas
ASTM D412borrachas e elastômeros
ASTM D3039compósitos de matriz polimérica
ASTM D5034 e D5035tecidos: método grab e método da tira
ASTM D6319luvas médicas de nitrila (especificação do produto; a tração segue a ASTM D412)
ASTM D1414anéis de vedação (O-rings) de borracha
ASTM F2458adesivos e selantes de tecido
ABNT NBR 7222concreto, tração por compressão diametral2011
ABNT NBR ISO 7500-1 e 9513calibração da máquina e do extensômetro7500-1: 2023; 9513: 2013

Erros comuns no ensaio de tração

  1. Medir o módulo ou o escoamento pela travessa. Subestima o módulo. Use extensômetro.
  2. Garra escorregando. Aparece como degrau ou serrilhado na curva antes do escoamento. Corrija com cunha adequada à dureza, mais pressão ou reforços colados.
  3. Desalinhamento. Gera flexão, fratura na garra e resistência baixa.
  4. Velocidade fora da norma. O escoamento é sensível à taxa. Registre o código da condição e nunca acelere a máquina no escoamento.
  5. Fratura fora do terço central. Invalida o alongamento, salvo se ele já atender o mínimo.
  6. Usar a dimensão nominal num corpo de prova usinado. Usinado usa a dimensão medida. Vergalhão não usa paquímetro: pela NBR 7480, a área é a de um cilindro com a mesma massa por metro que a barra, obtida na pesagem.
  7. Confundir tensão de engenharia com verdadeira. Rm não é a tensão real na fratura.

Máquina para ensaio de tração: como escolher a capacidade

A força máxima esperada é a resistência vezes a área: Fm ≈ Rm × S0. Escolha uma máquina com folga sobre esse valor. Um aço 1045 laminado (565 MPa) em corpo de prova de 12,5 mm (122,7 mm²) rompe perto de 69 kN; um vergalhão CA-50 de 12,5 mm, perto de 84 kN. Os dois pedem a faixa de 100 a 200 kN.

A máquina universal da Biopdi é eletromecânica: um motor aciona os fusos que movem a travessa, com controle fino de velocidade e posição, que é o que as normas de tração pedem. As garras fixam o corpo de prova e o mantêm alinhado ao eixo; os sistemas mais comuns são cunha, rosca e flange. A célula de carga mede a força a cada instante, o encoder mede o deslocamento da travessa e o extensômetro mede o alongamento no próprio corpo de prova. O software controla o ensaio, traça a curva e gera o relatório. A exatidão do resultado depende tanto da máquina quanto do uso certo dela: célula de carga dimensionada para a força do ensaio e extensômetro no trecho elástico. O painel abaixo mostra a máquina, o papel de cada parte no ensaio de tração e as garras usadas.

A máquina universal no ensaio de tração

A linha M2 tem modelos de coluna simples, de 200 N a 10 kN, e de coluna dupla, de 5 kN a 1.000 kN. Cada parte da máquina tem uma função no ensaio:

Máquinas universais de ensaios M2 da Biopdi de coluna simples (MBIOI-10-M2, 10 kN) e coluna dupla (MBIOII-50-M2, 50 kN)
  1. Travessa móvel afasta as garras na velocidade da norma
  2. Célula de carga mede a força, classe 1
  3. Garras de cunha, pneumáticas, para roscados ou fios
  4. Extensômetro mede o alongamento para módulo e Rp0,2
  5. Software BioLab curva, Rm, escoamento, alongamento e relatório
  6. Painel e emergência posiciona e para o ensaio

Dispositivos para o ensaio de tração

Os dispositivos abaixo são montados na mesma máquina, conforme o corpo de prova e a norma:

Garra cunha Biopdi para ensaio de traçãoGarra cunha5, 20 e 200 kN
Garra cunha pneumática BiopdiGarra cunha pneumática50 e 200 kN
Garra Biopdi para corpos de prova roscados e parafusosGarra para roscadosparafusos e corpos de prova roscados
Material e corpo de provaFaixa de forçaModelo Biopdi
Filmes, fios finos, fitas200 N a 1 kNMBIOI-1P-M2
Plásticos (D638, ISO 527), elastômeros, têxteis2 a 10 kNMBIOI-10-M2 (coluna estendida para alto alongamento)
Chapas metálicas, compósitos, fixadores5 a 50 kNMBIOII-50-M2
Vergalhões, barras, perfis, cabos100 a 200 kNMBIOII-200-M2
Barras grossas, cabos de alta carga300, 600 e 1.000 kNMBIOII-300-M2, 600-M2, 1000-M2

Para materiais que alongam muito, como borrachas e plásticos dúcteis, confira também o curso da travessa: a coluna estendida existe para isso. O funcionamento interno da máquina está em máquina universal de ensaio.

Vídeos de ensaio de tração

Ensaios de tração em aço e em polímero feitos em máquinas universais Biopdi, e a apresentação do modelo de 100 kN.

Outros ensaios e referências técnicas

Referências técnicas relacionadas

Perguntas frequentes

O que é o ensaio de tração?

É um ensaio mecânico destrutivo que aplica a um corpo de prova padronizado uma força de tração axial, crescente e com velocidade controlada, até a ruptura. A curva de força e alongamento dá o limite de escoamento, a resistência à tração, o módulo de elasticidade, o alongamento e a estricção.

Qual a norma ABNT para o ensaio de tração?

Para metais à temperatura ambiente, é a ABNT NBR ISO 6892-1:2024, idêntica à ISO 6892-1:2019, que cancela e substitui a edição de 2013 e ganhou versão corrigida em julho de 2026. A Parte 2, ABNT NBR ISO 6892-2:2024, trata de temperatura elevada. Vergalhões seguem ainda a ABNT NBR 7480:2024 para os requisitos.

O que é o ensaio de tração ASTM D638?

É o método da ASTM para medir resistência, alongamento e módulo de plásticos rígidos e semirrígidos, em corpo de prova tipo gravata (tipos I a V) com até 14 mm de espessura. A edição vigente é a D638-22. Filmes com menos de 1 mm usam a ASTM D882.

Como se calcula a tração?

Divide-se a força pela área inicial da seção: σ = F / S0, em N/mm², que é o mesmo que MPa. A resistência à tração usa a força máxima: Rm = Fm / S0. Por exemplo, 33,0 kN num corpo de prova de 10 mm (78,54 mm²) dão 420 MPa.

Como medir a tração?

Com uma máquina universal de ensaios: a célula de carga mede a força e o extensômetro mede o alongamento no comprimento de referência. A classe da máquina segue a ABNT NBR ISO 7500-1 e a do extensômetro, a ABNT NBR ISO 9513.

Como é feito o diagrama do ensaio de tração?

O software registra força e alongamento e divide pela área inicial e pelo comprimento de referência, gerando a curva tensão-deformação. Nela se leem o módulo (inclinação), o escoamento pelo offset de 0,2 %, a resistência (pico) e o alongamento (ruptura).

Como é feito o relatório de um ensaio de tração?

Pela ISO 6892-1, o relatório traz a norma com o código de velocidade, a identificação e o tipo do corpo de prova, o material, o local e a direção da amostragem e os resultados arredondados conforme a recomendação da norma, salvo outra regra da norma de produto: resistências ao MPa inteiro, alongamento a 0,5 % e estricção a 1 %.

Qual a velocidade do ensaio de tração?

No método A da ISO 6892-1, os valores recomendados são 0,00025 s⁻¹ (±20 %) até o escoamento e 0,0067 s⁻¹ (±20 %) depois dele. Na ASTM E8, controle A, a taxa de tensão no trecho elástico fica entre 1,15 e 11,5 MPa/s, pela E8/E8M-09.

Qual deve ser o corpo de prova do ensaio de tração?

Em metais, o proporcional da ISO tem L0 = 5,65√S0, por exemplo 10 mm de diâmetro com 50 mm entre marcas. Na ASTM E8, o redondo padrão tem 12,5 mm de diâmetro e 50 mm entre marcas. Em plásticos, o tipo I da D638 tem 13 mm de largura e 50 mm entre marcas.

Qual a temperatura do ensaio de tração?

Na ISO 6892-1, de 10 a 35 °C, ou 23 ± 5 °C quando o ensaio pede condição controlada. Na ASTM E8, de 50 a 100 °F, ou seja, de 10 a 38 °C.

Por que usar extensômetro em vez do deslocamento da travessa?

Porque a travessa soma a deformação da máquina e das garras à do corpo de prova, e o módulo de elasticidade sai muito abaixo do real. O extensômetro mede só o corpo de prova, dentro do comprimento de referência.

Como é o ensaio de tração do concreto?

É feito de forma indireta, por compressão diametral de um cilindro, pela ABNT NBR 7222:2011: fct,sp = 2F / (π·d·L). Um cilindro de 100 × 200 mm que rompe a 110 kN tem 3,5 MPa de resistência à tração.