A ABNT NBR 5739:2018, confirmada pela ABNT em dezembro de 2023, é a norma brasileira do ensaio de compressão de corpos de prova cilíndricos de concreto. Ela exige que o cilindro, mantido úmido até o ensaio, seja carregado de forma contínua e sem choques a 0,45 ± 0,15 MPa/s até romper, e que a resistência seja calculada por fc = 4F / (πD²), em MPa, com três algarismos significativos. Vale para cilindros moldados pela NBR 5738 e para testemunhos extraídos da estrutura pela NBR 7680-1.
Este guia resume, com as nossas palavras, o que a NBR 5739 pede da máquina, do corpo de prova, da execução, do cálculo e do relatório, e trata das três normas buscadas junto com ela:
- NBR 7222:2011, tração por compressão diametral de cilindros, vigente e confirmada em abril de 2024;
- NBR 12142:2010, tração na flexão de prismas, vigente e confirmada em abril de 2024;
- NBR 12118:2013, métodos de ensaio de blocos vazados de concreto, cancelada em fevereiro de 2026 e substituída pela ABNT NBR 6136-2:2026.
A situação das normas foi conferida em 30/09/2026 no catálogo da Target (revendedora da ABNT), na ASTM e na ISO. O texto cita só os números essenciais e não substitui a norma comprada.
O que a NBR 5739 define e onde ela entra no controle do concreto
A NBR 5739 é a norma do rompimento. Moldar, contar e aceitar o concreto são etapas com norma própria, e o resultado só vale se a cadeia inteira for seguida:
- NBR 5738:2015 (moldagem e cura). Diz como moldar e curar os corpos de prova cilíndricos e prismáticos e como preparar as bases antes do ensaio. Vigente, confirmada em abril de 2024.
- NBR 5739:2018 (ensaio). Diz como romper o cilindro e calcular a resistência à compressão, fc.
- NBR 12655:2022 (controle e aceitação). Diz quantos corpos de prova moldar, como agrupá-los, como tratar o conjunto de resultados e quando o lote de concreto é aceito.
- NBR 7680-1:2015 (testemunhos). Entra quando o concreto não é aceito pelos critérios da NBR 12655: diz como extrair cilindros da estrutura pronta e como corrigir o resultado. O testemunho é rompido pela NBR 5739.
O ensaio de compressão em geral, a curva tensão-deformação do concreto e o significado estatístico do fck (a resistência característica, que tem 95 % de probabilidade de ser superada) já estão explicados no guia do ensaio de compressão. Aqui o foco é o que a norma exige e em que ela difere das vizinhas. Também fica de fora o módulo de elasticidade, medido no mesmo tipo de cilindro, mas por outra norma, a NBR 8522-1, com extensômetros no corpo de prova e ciclos de carga: esse ensaio está no artigo sobre o módulo de elasticidade do concreto.
O que a NBR 5739 exige da máquina de ensaio
A norma não fixa marca nem tipo de máquina, mas fixa três exigências de desempenho. A primeira é a classe. Pela ABNT NBR ISO 7500-1:2023, a máquina é verificada com instrumentos padrão, e a classe resume o erro de indicação da força: quanto menor o número, menor o erro permitido. A NBR 5739 pede:
- classe 1 ou melhor em laboratório de ensaio;
- classe 2, admitida em laboratório instalado em obra ou em central de concreto;
- calibração pela NBR ISO 7500-1 a cada 12 meses, no máximo, com uma calibração extra recomendada quando houver suspeita de erro, depois de manutenção ou quando a máquina muda de lugar.
A classe é da máquina verificada, não só da célula de carga. Uma célula classe 1 é condição necessária, mas o que vale para a norma é o certificado da máquina montada, emitido pela verificação da NBR ISO 7500-1, com a faixa de força em que a classe foi atingida. A ruptura esperada tem de cair dentro dessa faixa.
A segunda exigência são os pratos, de aço com dureza superficial de pelo menos 55 HRC. A menor dimensão de cada prato é pelo menos 4 % maior que o diâmetro do corpo de prova: 104 mm para o cilindro de 100 mm e 156 mm para o de 150 mm. A face de contato é plana, com desvio máximo de 0,05 mm a cada 150 mm. O prato inferior é removível, tem faces paralelas e espessura de pelo menos 10 mm ou 10 % do maior diâmetro ensaiado, e pode ter círculos concêntricos gravados para centralizar o corpo de prova: o círculo externo tem diâmetro 4 mm maior que o do cilindro, e os sulcos são rasos, com no máximo 0,7 mm de profundidade e 1,0 mm de largura.
A terceira é a rótula. O prato superior se apoia num assento esférico, com diâmetro no mínimo igual ao do corpo de prova e centro sobre o eixo da máquina, na face do prato. Sob uma força de acomodação de apenas 0,1 % da ruptura estimada, o prato tem de girar livremente pelo menos 4° em qualquer direção; depois de acomodado, não pode mais se mover. A lubrificação é só com óleo mineral comum: graxa e lubrificante de extrema pressão são proibidos. A razão desses números está na seção sobre como interpretar a norma, mais adiante.
Completam a lista: o prato móvel anda na vertical, no eixo do prato fixo; a abertura ajustável entre os pratos supera em pelo menos 15 mm a altura do corpo de prova; e o indicador permite ler a força máxima depois da ruptura.
Corpo de prova: o que precisa estar pronto antes do ensaio
O corpo de prova chega ao ensaio já moldado e curado pela NBR 5738, nos tamanhos usuais de 10 × 20 cm ou 15 × 30 cm, com altura igual ao dobro do diâmetro. A NBR 5739 acrescenta cinco verificações.
Umidade. O cilindro fica em cura úmida ou saturada até a hora do ensaio e é rompido logo depois de sair dela. Se as bases forem preparadas antes, ele volta à condição de cura até ser ensaiado.
Dimensões medidas. O diâmetro do cálculo é a média de dois diâmetros ortogonais, medidos na metade da altura, com exatidão de 0,1 mm. A altura é medida no eixo do corpo de prova, também com 0,1 mm, e inclui o capeamento. O instrumento é um paquímetro com resolução de 0,1 mm ou melhor, calibrado a cada 24 meses no máximo, porque as faces de medição se desgastam com o uso. A área vem do diâmetro medido no próprio corpo de prova, não do nominal: um diâmetro de 100,5 mm em vez de 100,0 mm muda a área em 1 %.
Esbeltez h/d. A relação entre altura e diâmetro fica entre 1,94 e 2,06. Acima de 2,06 o corpo de prova não é aceito. Abaixo de 1,94, o que acontece com testemunhos extraídos de lajes, o ensaio é feito e a força é corrigida por um fator, explicado na seção do cálculo. Essa mesma faixa de 1,94 a 2,06 permite dispensar a medição dos cilindros moldados quando o laboratório controla a geometria dos moldes pela NBR 5738: nesse caso valem as dimensões nominais.
Bases. As duas faces que tocam os pratos precisam ser planas e perpendiculares ao eixo. O preparo não é assunto da NBR 5739: segue a NBR 5738, ou a NBR 7680-1 no caso de testemunhos, por retificação (desgaste com rebolo diamantado) ou por capeamento (uma camada fina e aderente que regulariza a face). A NBR 5739 só exige que o tipo de preparo conste do relatório. Medeiros, Pereira, Sipp e Delfino (2017, Revista IBRACON de Estruturas e Materiais) compararam quatro preparos em cilindros 10 × 20 de 20 a 80 MPa. A retificação chegou à resistência esperada em quase todos os casos, com a menor dispersão; o neoprene em retentor metálico, um apoio não aderente, ficou atrás dela. A NBR 5739 não trata do neoprene: se o laboratório o usa, quem diz se ele é admitido e em que condições é a edição vigente da NBR 5738, junto com o procedimento do laboratório.
Idade. O corpo de prova é rompido na idade especificada, contada a partir da moldagem, e cada idade tem uma tolerância. A de 28 dias é a referência do fck; as outras acompanham a evolução da resistência ou atendem a especificações de projeto. A tabela resume as tolerâncias da NBR 5739; para uma idade que não está nela, a tolerância é interpolada:
| Idade de ensaio | Tolerância |
|---|---|
| 24 h | ± 0,5 h |
| 3 dias | ± 2 h |
| 7 dias | ± 6 h |
| 28 dias | ± 24 h |
| 63 dias | ± 36 h |
| 91 dias | ± 48 h |
Execução: centralização e taxa de carregamento
Com o cilindro pronto, o operador deixa limpos e secos os pratos e as bases e centraliza o corpo de prova no prato inferior, usando os círculos concêntricos gravados nele. Fora de centro, ele sofre flexão além da compressão e rompe antes da hora. Se as bases foram desgastadas por abrasão, a face que era o topo na moldagem é marcada antes, para não se perder a orientação.
O carregamento é contínuo e sem choques, com a tensão crescendo a 0,45 ± 0,15 MPa/s, e a taxa é mantida constante até a ruptura. A norma fala em tensão para valer em qualquer diâmetro, mas a máquina controla força: a taxa em kN/s é a taxa em MPa/s multiplicada pela área em mm² e dividida por 1.000. A tabela mostra os dois tamanhos usuais:
| Corpo de prova | 0,30 MPa/s | 0,45 MPa/s | 0,60 MPa/s |
|---|---|---|---|
| 10 × 20 cm (A = 7.854 mm²) | 2,36 kN/s | 3,53 kN/s | 4,71 kN/s |
| 15 × 30 cm (A = 17.671 mm²) | 5,30 kN/s | 7,95 kN/s | 10,6 kN/s |
A taxa também define a duração do ensaio: o tempo até a ruptura é a resistência dividida pela taxa. O gráfico abaixo mostra um cilindro 10 × 20 de 30 MPa nas três taxas da faixa: nos três casos a força máxima é a mesma, 235,6 kN, mas a ruptura chega em 100 s a 0,30 MPa/s, em 67 s a 0,45 MPa/s e em 50 s a 0,60 MPa/s. Depois do pico a força cai de uma vez, porque o concreto é frágil, e é essa queda que indica ao software o fim do ensaio.

O desenho é idealizado: na prática, a resistência medida sobe um pouco com a taxa. Um levantamento divulgado pela Supremo Cimentos registra diferenças da ordem de 5 % quando a taxa vai de 0,2 para 0,8 MPa/s, em comparação com 0,45 MPa/s. Por isso a taxa não é detalhe de procedimento: carregar rápido demais superestima o fc, e é a faixa da norma que torna comparáveis os resultados de laboratórios diferentes.
Cálculo do fc e correção h/d
A resistência à compressão é a força máxima dividida pela área da seção. No cilindro, a área é πD²/4, o que dá a fórmula da norma:
fc = 4F / (π·D²), com F, a força máxima, em newtons, e D, o diâmetro médio medido, em milímetros. Como 1 N/mm² = 1 MPa, o resultado já sai em MPa e é relatado com três algarismos significativos: 36,3 MPa, e não 36,338 MPa nem 36 MPa.
Invertendo a fórmula, F = fc · πD²/4, sai a força que cada classe de concreto exige. É o número que decide a capacidade da máquina, e a tabela o mostra para os dois cilindros usuais:
| fc | Cilindro 10 × 20 | Cilindro 15 × 30 |
|---|---|---|
| 20 MPa | 157,1 kN | 353,4 kN |
| 25 MPa | 196,3 kN | 441,8 kN |
| 30 MPa | 235,6 kN | 530,1 kN |
| 40 MPa | 314,2 kN | 706,9 kN |
| 50 MPa | 392,7 kN | 883,6 kN |
Correção por esbeltez. Um cilindro mais baixo que o padrão rompe com força maior, porque o atrito com os pratos confina uma parte maior do seu volume. Quando h/d fica abaixo de 1,94, a NBR 5739 manda multiplicar a força pelo fator da tabela abaixo antes de calcular o fc; para valores intermediários, interpola-se em linha reta entre os pontos da tabela e arredonda-se o fator ao centésimo. Em corpo de prova com h/d entre 1,94 e 2,06 não há correção.
| h/d | Fator de correção da força |
|---|---|
| 2,00 | 1,00 |
| 1,75 | 0,98 |
| 1,50 | 0,96 |
| 1,25 | 0,93 |
| 1,00 | 0,86 |
O gráfico abaixo liga os cinco pontos da tabela por retas, que é o que a interpolação linear faz, e marca as duas faixas em que a tabela não se aplica: de 1,94 a 2,06 não há correção, e acima de 2,06 o corpo de prova é recusado. No exemplo destacado, um testemunho com h/d = 1,62, entre os pontos 1,50 e 1,75, recebe o fator 0,97; a conta está no exercício 3.

Tipos de ruptura A a G
Depois da ruptura, o laboratório olha as fissuras. O Anexo A da NBR 5739, informativo, classifica o aspecto do cilindro rompido em sete tipos, de A a G. Registrar o tipo no relatório é opcional, mas é a forma mais rápida de achar a causa quando dois corpos de prova da mesma amassada, rompidos na mesma idade, dão resultados muito diferentes. O esquema abaixo, desenhado para este guia e não copiado da norma, mostra as linhas de fratura típicas de cada tipo. Em A, os dois cones podem nascer no próprio capeamento ou a até 25 mm dele; em F e G, a fratura fica rente a uma base, logo abaixo do capeamento:

A tabela traz a leitura prática de cada tipo:
| Tipo | Aspecto | O que costuma indicar |
|---|---|---|
| A | cônica, em X, com cones que nascem no capeamento ou a até 25 mm dele | ensaio bem executado |
| B | cônica, com uma ou mais partições verticais | ruptura normal |
| C | colunar, com fissuras verticais e formação de cones | fissuras verticais; atrito baixo nas bases |
| D | cônica e cisalhada | ruptura mista |
| E | cisalhada, num plano inclinado | conferir o paralelismo das bases e a rótula |
| F | fratura no topo e/ou na base, logo abaixo do capeamento | problema de capeamento ou de preparo das bases |
| G | fratura rasa junto ao topo | o mesmo que F, concentrado no topo |
A norma associa a dispersão alta entre corpos de prova aos tipos F e G, mas não manda descartar um resultado pelo tipo de ruptura. A resposta a uma sequência de F e G é rever o capeamento, o preparo das bases e a moldagem do topo, não apagar o número. Na foto, um corpo de prova cilíndrico de concreto logo depois da ruptura, ainda entre os pratos da prensa: as fissuras inclinadas e as lascas soltas junto à base são o tipo de evidência que o laboratório compara com o esquema acima antes de anotar o tipo no relatório.

O que o relatório da NBR 5739 precisa conter
O relatório é o que chega ao cliente e ao projetista, e a norma fixa o conteúdo mínimo:
- identificação do corpo de prova;
- datas de moldagem e de ensaio, e a idade;
- dimensões medidas (diâmetro e altura);
- tipo de capeamento ou de preparo das bases;
- classe da máquina de ensaio;
- resistência à compressão de cada corpo de prova, em MPa.
Dois itens são opcionais: a resistência do exemplar calculada pela NBR 12655 (o exemplar é o par de corpos de prova tratado na próxima seção) e o tipo de ruptura do Anexo A. Para testemunhos, o relatório segue o que pede a NBR 7680-1.
Do resultado ao controle do lote (NBR 12655)
Um fc isolado não aprova nem reprova concreto. Pela NBR 12655:2022, cada exemplar tem dois corpos de prova da mesma amassada, rompidos na mesma idade, e a resistência do exemplar é o maior dos dois valores, não a média: o menor é tratado como efeito de moldagem ou de ensaio, não do concreto. Com os exemplares do lote, a norma estima o fck; com 20 ou mais exemplares, fck,est = fcm − 1,65·sd, em que fcm é a média e sd o desvio-padrão. O exemplo numérico e o significado de "fck 30 MPa" estão no guia do ensaio de compressão.
Anexo B: a eficiência do ensaio medida pelo coeficiente de variação
O Anexo B da NBR 5739, também informativo, dá ao laboratório uma forma de avaliar a própria execução do ensaio pela dispersão entre corpos de prova irmãos, os do mesmo exemplar. Divulgar o resultado é facultativo. A amostra recomendada tem 10 exemplares ou mais, cada um com 2 corpos de prova ou mais, e a conta tem três passos:
- Amplitude do exemplar. Ai é o maior resultado menos o menor, dentro de cada exemplar.
- Desvio-padrão dentro do ensaio. se = ΣAi / (d2 · n), em que n é o número de exemplares e d2 é um coeficiente que depende de quantos corpos de prova formam o exemplar: 1,128 para 2, 1,693 para 3, 2,059 para 4, 2,326 para 5 e 2,534 para 6.
- Coeficiente de variação dentro do ensaio. CVe = se / fcm × 100, em %, com fcm a resistência média dos exemplares da amostra.
O CVe é comparado com cinco níveis: até 3,0 %, excelente; acima de 3,0 até 4,0 %, muito bom; acima de 4,0 até 5,0 %, bom; acima de 5,0 até 6,0 %, razoável; acima de 6,0 %, deficiente. O gráfico abaixo mostra um exemplo montado para este guia, com 10 exemplares de 2 corpos de prova: as barras são as amplitudes, a caixa traz a conta e a escala de baixo mostra que o resultado, 3,85 %, cai no nível 2. A conta completa está no exercício 8.

Normas irmãs: como a tração do concreto é medida
O concreto resiste mal à tração, cerca de um décimo da resistência à compressão, e é difícil tracioná-lo diretamente: prender um cilindro frágil numa garra concentra tensão e o rompe no lugar errado. Por isso a tração é medida de forma indireta, por dois ensaios que também usam compressão aplicada pela máquina: a compressão diametral, da NBR 7222, e a flexão, da NBR 12142. O esquema abaixo põe lado a lado o cilindro em pé da NBR 5739, o cilindro deitado entre tiras da NBR 7222, tracionado no plano diametral vertical, e o prisma carregado nos terços do vão da NBR 12142, tracionado na face de baixo.

NBR 7222: tração por compressão diametral
A ABNT NBR 7222:2011, Concreto e argamassa: Determinação da resistência à tração por compressão diametral de corpos de prova cilíndricos, está vigente e foi confirmada em abril de 2024. É o chamado ensaio brasileiro, porque o método foi proposto no Brasil por Fernando Lobo Carneiro. Usa os mesmos cilindros da NBR 5739, de concreto ou de argamassa, e os mesmos pratos, com a relação entre comprimento e diâmetro entre 1 e 2.
O cilindro é deitado entre os pratos, com uma tira de chapa dura de fibra de madeira em cima e outra embaixo, de comprimento igual ou maior que a geratriz. A norma fixa a largura da tira em (0,15 ± 0,01) d e a espessura em (3,5 ± 0,5) mm, e cada tira serve para uma única determinação. Quando o prato da máquina é mais curto que o cilindro, entra uma viga ou placa complementar de aço usinado, com espessura de pelo menos 50 mm, para a carga atuar em toda a geratriz. Com a carga aplicada em linha, a região central do plano diametral vertical fica sob tração quase uniforme, e o cilindro se parte ao meio nesse plano.
A tensão de tração cresce a 0,05 ± 0,02 MPa/s, nove vezes mais devagar que na NBR 5739, e a resistência é:
fct,sp = 2F / (π·d·L), com F em N, d (diâmetro) e L (comprimento) em mm, e o resultado em MPa, com três algarismos significativos. A norma recomenda ensaiar pelo menos 2 corpos de prova por idade.
O valor é uma tração indireta: a NBR 6118 aplica um fator para chegar à tração direta de projeto, como mostra a comparação mais adiante.
NBR 12142: tração na flexão de prismas
A ABNT NBR 12142:2010, Concreto: Determinação da resistência à tração na flexão de corpos de prova prismáticos, está vigente e foi confirmada em abril de 2024. É a resistência usada na dosagem de pavimentos de concreto, em que a placa trabalha à flexão. A base teórica do ensaio de flexão, com a diferença entre 3 e 4 pontos, está no guia do ensaio de flexão.
O corpo de prova usual é um prisma de 150 × 150 × 500 mm, moldado pela NBR 5738, apoiado num vão de 450 mm e carregado por duas forças iguais nos terços do vão. A NBR 12142 amarra a geometria: a altura do prisma é um terço do vão (150 = 450/3) e sobram pelo menos 25 mm além de cada apoio, que é exatamente o que o prisma de 500 mm deixa. Entre as duas forças o momento fletor é constante, então o terço médio inteiro fica sob a mesma tensão máxima, e o prisma rompe no ponto mais fraco dessa região, não sob um cutelo.
Apoios e cutelos são roletes de raio 12,5 mm, 3 a 5 mm mais compridos que a largura do prisma, com pelo menos 55 HRC. Um apoio e um cutelo articulam em todas as direções, com pelo menos ±4°, e os outros dois só no sentido do comprimento, com força de acomodação de no máximo 0,1 % da ruptura, o mesmo critério da rótula da NBR 5739. O prisma é girado 90° em relação à moldagem: as faces laterais do molde recebem a carga, e a face rasada fica de lado. A tensão cresce de 0,9 a 1,2 MPa/min, sem choques. Depois da ruptura, b e d são medidas na seção rompida, com 1 mm de precisão, pela média de três leituras, e o resultado sai com três algarismos significativos.
- Ruptura no terço médio: fct,f = F·ℓ / (b·d²), com ℓ o vão entre apoios.
- Ruptura fora do terço médio, a até 5 % de ℓ dele: fct,f = 3·F·a / (b·d²), em que a é a distância média entre a linha de ruptura, na face tracionada, e o apoio mais próximo.
- Ruptura mais longe que isso: a norma não prevê cálculo, e o ensaio não vale.
Comparação das três normas e a ligação com a NBR 6118
As três normas usam a mesma máquina e, em parte, o mesmo corpo de prova, mas medem coisas diferentes e em taxas muito diferentes. A tabela resume o que as seções anteriores explicaram:
| Norma | Corpo de prova e esforço | Taxa | Resultado |
|---|---|---|---|
| NBR 5739:2018 | cilindro em pé, compressão axial | 0,45 ± 0,15 MPa/s | fc = 4F / (πD²) |
| NBR 7222:2011 | cilindro deitado, tração indireta | 0,05 ± 0,02 MPa/s | fct,sp = 2F / (πdL) |
| NBR 12142:2010 | prisma, flexão nos terços | 0,9 a 1,2 MPa/min | fct,f = Fℓ / (bd²) |
Os dois ensaios de tração dão valores maiores que a tração direta do concreto: na flexão, só a fibra externa atinge a tensão máxima, e o material em volta ajuda; na compressão diametral, o estado de tensão é biaxial. A NBR 6118:2023 (com a emenda de março de 2026), norma de projeto de estruturas de concreto, converte os dois resultados em tração direta com fct = 0,9·fct,sp e fct = 0,7·fct,f. Sem ensaio, a mesma norma estima a tração média a partir do fck, para concretos até C50, por fct,m = 0,3·fck2/3. Os exercícios mais adiante mostram que os três caminhos dão valores coerentes para um concreto de 30 MPa.
Blocos de concreto: da NBR 12118 à NBR 6136-2:2026
A ABNT NBR 12118, Blocos vazados de concreto simples para alvenaria: Métodos de ensaio, teve a última edição em 2013 (com errata em 2014) e foi confirmada em 2017 e em 2022. Em fevereiro de 2026 foi cancelada com substituição, segundo o histórico da norma no catálogo da Target.
Os métodos de ensaio de blocos passaram para a ABNT NBR 6136-2:2026, Blocos vazados de concreto para alvenaria, Parte 2: Métodos de ensaio, publicada em fevereiro de 2026, vigente, com 29 páginas. Ela cobre inspeção visual, análise dimensional, resistência à compressão, índice de absorção inicial, absorção de água, volume líquido, umidade relativa e retração linear por secagem. Os requisitos que o bloco precisa atender ficaram na Parte 1, a NBR 6136-1:2026, que substituiu a NBR 6136:2016. Segundo a ABCP, a revisão criou requisitos opcionais de controle por lote e requisitos de desempenho, e fez da NBR 6136 uma das primeiras normas brasileiras de produto para construção com requisitos ambientais.
A compressão do bloco não segue a NBR 5739: o corpo de prova é o próprio bloco vazado, com preparo, área de cálculo e taxa definidos na NBR 6136-2. Esses números não foram conferidos em fonte aberta e não são reproduzidos aqui; para aplicá-los, é preciso a norma.
Como interpretar a norma
O texto da NBR 5739 é curto e dá os números sem dizer de onde eles vêm. Esta seção reúne os pontos que mais geram dúvida na leitura e a razão física ou estatística por trás de cada um.
Por que a relação h/d muda a resistência, e como se corrige?
Os pratos de aço são muito mais rígidos que o concreto e, pelo atrito, impedem que as bases do cilindro se expandam para os lados. Junto a cada prato forma-se uma região confinada, em forma de cone, que resiste mais que o concreto livre. Num cilindro com h/d = 2, os dois cones quase se encontram e sobra no meio uma faixa sem confinamento, onde a ruptura começa. Num cilindro baixo, os cones se sobrepõem, quase todo o volume fica confinado e a força de ruptura sobe. O fator da Tabela 2 da norma desconta esse ganho: 0,86 para h/d = 1,00 quer dizer que um testemunho tão alto quanto largo rompe com cerca de 16 % mais força que o cilindro padrão do mesmo concreto (1/0,86 = 1,16). A faixa de 1,94 a 2,06, 3 % em torno de 2, é tratada como padrão e dispensa correção; acima dela a norma não dá fator, e o corpo de prova é recusado.
Por que o prato superior tem rótula, e o que significa o limite de 0,1 %?
Nenhum par de bases é perfeitamente paralelo. Com dois pratos fixos, o contato começaria por uma borda, e a carga ficaria excêntrica, somando flexão à compressão. A rótula deixa o prato superior girar e assentar na base inteira no começo do carregamento; os 4° de movimento cobrem com folga as faltas de paralelismo que um capeamento ou uma retificação deixam. O limite de 0,1 % da força de ruptura estimada é o teste de que a rótula está livre: ela precisa acomodar com uma força muito pequena, cerca de 0,24 kN num cilindro 10 × 20 de 30 MPa. Uma rótula emperrada só giraria com força alta, quando a borda já estivesse carregada. Depois de acomodado, o prato tem de ficar travado pelo atrito: se continuasse girando, acompanharia o lado que cede e induziria flexão. Graxa e lubrificante de extrema pressão são proibidos justamente porque mantêm a esfera deslizando mesmo sob a carga do ensaio.
Qual é a diferença prática entre máquina classe 1 e classe 2?
A classe vem da verificação pela NBR ISO 7500-1 e resume, entre outros critérios, o erro relativo de indicação da força: até 1 % na classe 1 e até 2 % na classe 2. Como fc é proporcional à força, esse erro passa inteiro para o resultado: num concreto de 30 MPa, 1 % são 0,3 MPa e 2 % são 0,6 MPa. A NBR 5739 exige classe 1 ou melhor do laboratório de ensaio e admite classe 2 só no laboratório de obra e na central de concreto. A diferença pesa quando o resultado fica perto do fck especificado, e por isso a classe é item obrigatório do relatório.
Por que a tolerância de idade cresce com a idade?
Porque o que importa é o erro relativo. Em proporção à idade, as tolerâncias da Tabela 1 da norma ficam todas entre 2 % e 4 %: meia hora em 24 h é 2,1 %; 2 h em 3 dias, 2,8 %; 6 h em 7 dias e 24 h em 28 dias, 3,6 %; 36 h em 63 dias, 2,4 %; 48 h em 91 dias, 2,2 %. O concreto ganha resistência depressa nos primeiros dias e devagar depois, então uma hora de diferença pesa num cilindro de 24 h e é irrelevante num de 28 dias, cuja curva de ganho já está quase plana. E a idade conta a partir da moldagem, não da chegada ao laboratório.
O que o CV do Anexo B diz sobre o laboratório, e não sobre o concreto?
Os corpos de prova de um exemplar saem da mesma amassada e são rompidos na mesma idade: o concreto dentro deles é, na prática, o mesmo. A diferença entre eles vem do que aconteceu depois da mistura: moldagem, adensamento, cura, preparo das bases, centralização e máquina. Por isso o CVe mede a qualidade das operações de ensaio, e não a regularidade do concreto. A variabilidade do concreto entre amassadas é outra grandeza, o desvio-padrão sd da NBR 12655, calculado entre exemplares. O coeficiente d2 vem do controle estatístico da qualidade: dividir a amplitude média de grupos pequenos por d2 estima o desvio-padrão, e d2 cresce com o tamanho do grupo porque, quanto mais corpos de prova, maior a distância esperada entre o maior e o menor. Um CVe acima de 6 % aponta para as operações de moldagem e de ensaio, não para a dosagem do concreto.
O que as rupturas F e G indicam?
Nos tipos A a E, a fratura atravessa o corpo de prova, e a ruptura foi comandada pelo concreto. Em F e G, a fratura fica rente a uma base, logo abaixo do capeamento: a tensão se concentrou na extremidade, que cedeu antes que o resto do cilindro chegasse ao limite. As causas usuais são capeamento irregular, grosso, mole ou mal aderido, base fora de esquadro e, no topo, a camada superior mais fraca que a exsudação (a subida da água de amassamento até a face de moldagem) deixa quando o adensamento ou o acabamento não foram bem feitos. Por isso a norma liga a dispersão alta num exemplar a esses dois tipos: o valor baixo reflete a extremidade, não o concreto.
Exercícios resolvidos
1. fc de um cilindro 10 × 20. Diâmetro médio medido de 100,0 mm, força máxima de 285,4 kN. A área é π × 100,0² / 4 = 7.854 mm². fc = 285.400 / 7.854 = 36,34 MPa, que com três algarismos significativos se relata como 36,3 MPa.
2. Taxa programada e duração. Para o mesmo cilindro a 0,45 MPa/s, a máquina aplica 0,45 × 7.854 = 3.534 N/s, ou 3,53 kN/s. Um concreto de 30 MPa rompe em 30 / 0,45 = 67 s, com força de 30 × 7.854 = 235.619 N, ou 235,6 kN.
3. Testemunho curto. Um testemunho de 100 mm de diâmetro e 150 mm de altura tem h/d = 1,50, abaixo de 1,94, então o fator é 0,96. Rompeu com 250,0 kN. Força corrigida: 250.000 × 0,96 = 240.000 N. fc = 240.000 / 7.854 = 30,6 MPa. Sem a correção, daria 31,8 MPa, e o concreto pareceria 4 % mais resistente do que é. Com interpolação: outro testemunho de 100,0 mm de diâmetro tem 162 mm de altura, h/d = 1,62, entre os pontos 1,50 e 1,75. O fator é 0,96 + (1,62 − 1,50) / (1,75 − 1,50) × (0,98 − 0,96) = 0,96 + 0,48 × 0,02 = 0,9696, que ao centésimo dá 0,97. Se ele rompeu com 260,0 kN, a força corrigida é 260.000 × 0,97 = 252.200 N, e fc = 252.200 / 7.854 = 32,1 MPa, contra 33,1 MPa sem a correção.
4. Compressão diametral (NBR 7222). Cilindro 10 × 20 deitado, F = 75,0 kN. fct,sp = 2 × 75.000 / (π × 100 × 200) = 150.000 / 62.832 = 2,39 MPa. Tração direta pela NBR 6118: 0,9 × 2,39 = 2,15 MPa. A taxa de 0,05 MPa/s corresponde a 0,05 × π × 100 × 200 / 2 = 1.571 N/s, cerca de 1,57 kN/s.
5. Tração na flexão (NBR 12142). Prisma de 150 × 150 mm, vão de 450 mm, F = 30,0 kN, ruptura no terço médio. fct,f = 30.000 × 450 / (150 × 150²) = 13.500.000 / 3.375.000 = 4,00 MPa, e a tração direta é 0,7 × 4,00 = 2,80 MPa. Se o mesmo prisma rompesse a 140 mm do apoio mais próximo, 10 mm fora do terço médio (que começa a 150 mm) e dentro do limite de 5 % de 450 mm, ou 22,5 mm: fct,f = 3 × 30.000 × 140 / 3.375.000 = 3,73 MPa. A taxa de 0,9 a 1,2 MPa/min equivale, nesse prisma, a 6,75 a 9,0 kN/min.
6. Coerência com o projeto. Para fck = 30 MPa, a NBR 6118 estima fct,m = 0,3 × 302/3 = 0,3 × 9,655 = 2,90 MPa, entre os 2,15 MPa e 2,80 MPa dos exercícios 4 e 5.
7. Capacidade da máquina. Um laboratório rompe cilindros 10 × 20 de concreto C25 e C30, dosados na condição A da NBR 12655 (desvio-padrão de 4,0 MPa, média-alvo fck + 1,65 × 4,0). A máquina precisa cobrir não só a média, mas os resultados acima dela: cerca de 5 % dos cilindros passam de média + 1,65 × 4,0.
- C25: média de 31,6 MPa, ou 248 kN. Limite superior de 38,2 MPa, ou 300 kN. Pratos de 300 kN atendem, sem folga no extremo.
- C30: média de 36,6 MPa, ou 287 kN. Limite superior de 43,2 MPa, ou 339 kN. A média cabe em 300 kN, mas parte dos cilindros passaria da capacidade: a máquina adequada é a de 600 kN.
- 15 × 30 de 30 MPa: 530 kN só para o valor nominal. Pede máquina de 600 kN para classes baixas e de 1.000 kN para classes altas.
8. Eficiência do ensaio pelo Anexo B. Um laboratório reuniu 10 exemplares de 2 corpos de prova. As amplitudes, em MPa, foram 1,2; 1,9; 0,8; 2,2; 0,7; 1,6; 1,1; 2,3; 1,3 e 1,4, com soma de 14,5 MPa. Os valores dos exemplares, o maior de cada par, foram 33,0; 32,8; 34,1; 32,6; 33,2; 33,1; 34,8; 33,9; 32,0 e 34,5 MPa, com média fcm = 334,0 / 10 = 33,40 MPa. Com 2 corpos de prova por exemplar, d2 = 1,128:
- se = 14,5 / (1,128 × 10) = 14,5 / 11,28 = 1,29 MPa;
- CVe = 1,285 / 33,40 × 100 = 3,85 %, acima de 3,0 e até 4,0 %: nível 2, muito bom;
- com a média dos 20 corpos de prova, 653,5 / 20 = 32,68 MPa, o CVe seria 3,93 %, no mesmo nível.
Erros comuns na aplicação da NBR 5739 e das irmãs
Os erros mais frequentes em relatórios, procedimentos e editais:
- Citar edição antiga. A NBR 5739 vigente é a de 2018, confirmada em 2023; a de 2007 ainda aparece em trabalhos e procedimentos.
- Usar PDF de terceiros como referência. Cópias da norma circulam em sites de compartilhamento, sem garantia de edição e sem direito de uso. A referência de um laboratório é a norma comprada da ABNT.
- Programar a taxa em kN/s errada. 3,53 kN/s é a taxa do 10 × 20; usada num 15 × 30, dá 0,20 MPa/s, fora da faixa.
- Tirar a média dos dois corpos de prova do exemplar. Pela NBR 12655, vale o maior.
- Descartar resultado pelo tipo de ruptura. A norma não manda descartar; F e G pedem revisão da moldagem e das bases.
- Confundir célula classe 1 com máquina classe 1. O que vale é o certificado da máquina verificada pela NBR ISO 7500-1.
- Engraxar a rótula. A norma admite só óleo mineral comum; graxa e lubrificante de extrema pressão deixam o prato girar durante o ensaio.
- Pegar o fator h/d do ponto mais próximo da tabela. Entre os pontos, o fator é interpolado em linha reta e arredondado ao centésimo.
- Tratar fct,sp ou fct,f como tração direta. Os dois precisam dos fatores 0,9 e 0,7 da NBR 6118.
- Trocar os números 7222 e 12142. A 7222 é o cilindro deitado; a 12142, o prisma em flexão.
- Citar a NBR 12118 como vigente. Foi cancelada em fevereiro de 2026; os ensaios de blocos estão na NBR 6136-2:2026.
- Citar a ASTM C496 como vigente. Foi retirada pela ASTM em julho de 2026, sem substituta.
Equipamento para a NBR 5739, a NBR 7222 e a NBR 12142
Os três ensaios cabem em dois tipos de equipamento. A prensa elétrica e hidráulica é dedicada à compressão e atende a rotina de rompimento de cilindros. A máquina universal de ensaios de coluna dupla faz os três ensaios na mesma estrutura, trocando o acessório: pratos de compressão de 300 kN para a NBR 5739 e, com as tiras, para a NBR 7222; dispositivo de flexão de 300 kN, em 4 pontos, para a NBR 12142.
A capacidade segue o exercício 7: um 10 × 20 de 30 MPa exige cerca de 236 kN, dentro dos pratos de 300 kN, e um prisma de 150 mm rompe na casa de 30 a 45 kN. Cilindros 15 × 30 e classes altas pedem a máquina de 600 kN ou a de 1.000 kN; para 10 × 20 até C30, a referência é a máquina de 300 kN. A célula de carga da linha M2 é classe 1 pela ABNT NBR ISO 7500-1:2023; a classe da máquina montada sai da verificação no laboratório de calibração, como a NBR 5739 exige. O software BioLab converte a taxa em MPa/s para kN/s a partir do diâmetro medido, calcula fc, fct,sp e fct,f e emite o relatório. O painel abaixo mostra a máquina, o papel de cada parte nesses ensaios e os dois acessórios usados.
A máquina universal no ensaio de compressão
A linha M2 de coluna dupla vai de 5 kN a 1.000 kN. Nos ensaios da NBR 5739, da NBR 7222 e da NBR 12142, cada parte da máquina tem uma função:

- Travessa móvel aplica a carga na taxa em MPa/s da norma
- Célula de carga mede a força, classe 1
- Pratos de compressão cilindro em pé ou deitado entre tiras
- Dispositivo de flexão prisma com cargas nos terços
- Software BioLab fc, fct,sp, fct,f e relatório
- Painel e emergência posiciona e para o ensaio
Dispositivos para o ensaio de compressão
Os dispositivos abaixo são montados na mesma máquina, conforme o corpo de prova e a norma:


Para comparar os modelos, veja o guia da máquina universal de ensaio; a configuração para cada norma é definida no orçamento.
Normas citadas: edição e situação em 30/09/2026
A tabela reúne as normas deste guia, com a edição e a situação conferidas em 30/09/2026 no catálogo da Target, para as ABNT, e nas páginas oficiais da ASTM e da ISO. As equivalentes estrangeiras não dão números intercambiáveis: a ASTM C39, por exemplo, carrega a 0,25 ± 0,05 MPa/s, perto da metade da taxa brasileira.
| Norma | Assunto | Edição e situação |
|---|---|---|
| ABNT NBR 5739 | compressão de cilindros de concreto | 2018, vigente (confirmada 12/2023) |
| ABNT NBR 5738 | moldagem e cura dos corpos de prova | 2015 (errata 2016), vigente (confirmada 04/2024) |
| ABNT NBR 7680-1 | testemunhos, compressão axial | 2015, vigente (confirmada 04/2024) |
| ABNT NBR 12655 | preparo, controle, recebimento e aceitação | 2022, vigente |
| ABNT NBR 7222 | tração por compressão diametral | 2011, vigente (confirmada 04/2024) |
| ABNT NBR 12142 | tração na flexão de prismas | 2010, vigente (confirmada 04/2024) |
| ABNT NBR 12118 | métodos de ensaio de blocos vazados | 2013, cancelada em 02/2026 |
| ABNT NBR 6136-2 | blocos vazados, métodos de ensaio | 2026, vigente (substitui a NBR 12118) |
| ABNT NBR 6136-1 | blocos vazados, requisitos | 2026, vigente |
| ABNT NBR 6118 | projeto de estruturas de concreto | 2023, com emenda de 03/2026, vigente |
| ABNT NBR ISO 7500-1 | verificação e classe da máquina | 2023, vigente |
| ASTM C39/C39M | compressão de cilindros (EUA) | C39/C39M-26, ativa |
| ASTM C496/C496M | compressão diametral (EUA) | C496/C496M-17, retirada em 03/07/2026, sem substituta |
| ASTM C78/C78M | flexão com cargas nos terços (EUA) | C78/C78M-22, ativa |
| ISO 1920-4 | compressão, flexão e compressão diametral | 2020, confirmada em 2025 |
Outros ensaios e referências técnicas
Ensaios realizados na máquina universal Biopdi
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NBR 13279: resistência à tração na flexão e à compressão da argamassa (prismas 4 × 4 × 16 cm), cálculo e classificação
A ABNT NBR 13279:2005, vigente e confirmada pela ABNT em novembro de 2023, é o método brasileiro para medir a resistência à tração na flexão e à compressão de argamassas de assentamento e revestimento: prismas de 4 × 4 × 16 cm rompidos em flexão de 3 pontos com vão de 100 mm, a (50 ± 10) N/s, e as metades rompidas em compressão sobre 40 × 40 mm, a (500 ± 50) N/s. Rf = 1,5·Ff·L/40³ e Rc = Fc/1.600, em MPa. Veja o procedimento, o critério de descarte, um exemplo resolvido, a classificação pela NBR 13281 e a força que a máquina precisa ter.
Perguntas frequentes
Qual é a norma ABNT para ensaio de compressão de concreto?
É a ABNT NBR 5739:2018, confirmada em dezembro de 2023. Ela vale para corpos de prova cilíndricos moldados pela NBR 5738 e para testemunhos extraídos da estrutura pela NBR 7680-1.
Qual é a velocidade de carregamento da NBR 5739?
0,45 ± 0,15 MPa/s, aplicada de forma contínua e sem choques e mantida constante até a ruptura. No cilindro 10 × 20 isso dá 2,36 a 4,71 kN/s, com 3,53 kN/s no centro da faixa; no 15 × 30, 5,30 a 10,6 kN/s.
Como calcular o fc do corpo de prova?
Divida quatro vezes a força máxima por π vezes o diâmetro ao quadrado: fc = 4F / (πD²), com F em newtons e D em milímetros, o que dá MPa. Relate com três algarismos significativos: um 10 × 20 que rompe com 235,6 kN tem 30,0 MPa.
Quais são os tipos de ruptura da NBR 5739?
São sete, de A a G, no Anexo A informativo: cônica, cônica e bipartida, colunar com cones, cônica e cisalhada, cisalhada, e F e G, com fraturas no topo ou na base. F e G costumam indicar problema de capeamento ou de preparo das bases; a norma não manda descartar o resultado pelo tipo.
O que a NBR 5738 define?
Como moldar e curar os corpos de prova cilíndricos e prismáticos de concreto e como preparar as bases, por retificação ou capeamento. É a etapa anterior ao rompimento pela NBR 5739. A edição vigente é a de 2015, confirmada em 2024.
Qual é a norma ABNT para a cura do concreto?
A cura dos corpos de prova está na NBR 5738, que prevê cura úmida ou saturada até a idade de ensaio. A cura da estrutura na obra é assunto das normas de execução, não das normas de ensaio.
Qual é a tolerância de idade no rompimento aos 28 dias?
± 24 h. Pela NBR 5739, as outras idades têm tolerâncias próprias: ± 0,5 h com 24 h, ± 2 h com 3 dias, ± 6 h com 7 dias, ± 36 h com 63 dias e ± 48 h com 91 dias.
Quantos corpos de prova formam um exemplar?
Pela NBR 12655, dois corpos de prova da mesma amassada, rompidos na mesma idade. A resistência do exemplar é o maior dos dois valores, não a média.
O que é a NBR 7222?
É o método de tração indireta por compressão diametral, o ensaio brasileiro: o cilindro é deitado entre duas tiras e comprimido com a tensão de tração crescendo a 0,05 ± 0,02 MPa/s. A resistência é fct,sp = 2F / (π·d·L), e a tração direta de projeto é 0,9 vez esse valor.
O que é a NBR 12142?
É o ensaio de tração na flexão de prismas de concreto, apoiados nas pontas e carregados por duas forças nos terços do vão. Com ruptura no terço médio, fct,f = F·ℓ / (b·d²). É a resistência usada na dosagem de pavimentos de concreto.
A NBR 12118 foi cancelada?
Sim. Foi cancelada com substituição em fevereiro de 2026. Os métodos de ensaio de blocos vazados de concreto estão agora na ABNT NBR 6136-2:2026, e os requisitos, na NBR 6136-1:2026.
Qual é o equivalente ASTM da NBR 5739?
A ASTM C39/C39M, na versão C39/C39M-26, com taxa de 0,25 ± 0,05 MPa/s, o que torna os resultados não diretamente comparáveis. A equivalente da NBR 7222, a ASTM C496/C496M, foi retirada em julho de 2026 sem substituta; a da NBR 12142 é a ASTM C78/C78M-22.