NBR 6136-2: ensaio de compressão de blocos de concreto, fbk, classes e o que mudou da NBR 12118

A NBR 6136-2:2026 substituiu a NBR 12118: ensaios de blocos vazados de concreto, fb = F/Ab na área bruta, cálculo do fbk, classes A, B e C e o que mudou.

Ensaios MecânicosPor Mardoqueu M. Costa
39 min de leitura

A ABNT NBR 6136-2:2026 é a norma brasileira de métodos de ensaio de blocos vazados de concreto para alvenaria: publicada em 27/02/2026, ela cancelou a NBR 12118 e define a resistência à compressão como a força máxima dividida pela área bruta, fb = F / Ab, com o bloco inteiro rompido a 0,05 ou 0,15 MPa/s. Um bloco de 14 × 19 × 39 cm que rompe com 425 kN tem 7,8 MPa na área nominal de 54.600 mm². A mesma norma traz a inspeção visual, a análise dimensional, a absorção de água, o índice de absorção inicial, o volume líquido, a umidade relativa e a retração por secagem.

Quanto o bloco precisa atingir não está na Parte 2: as classes, os limites e a aceitação do lote estão na Parte 1, a ABNT NBR 6136-1:2026, que substituiu a NBR 6136:2016 na mesma data. Este guia explica, com palavras próprias, o que mudou em relação às normas canceladas, cada ensaio da Parte 2, o que a prensa e os pratos precisam ter, como sai a resistência característica de um lote e como ele é classificado. As duas partes foram lidas no texto integral e a edição vigente foi conferida em 02/10/2026; o texto da norma não é reproduzido aqui, e para aplicá-la num laboratório é preciso a norma comprada.

O que mudou: da NBR 12118 e da NBR 6136:2016 para a NBR 6136-1 e 6136-2

A troca de normas de 2026 juntou numa só série o que antes estava em duas normas de números diferentes. Até fevereiro de 2026, o bloco vazado de concreto tinha a NBR 6136:2016, de requisitos, e a NBR 12118, de métodos de ensaio, cuja última edição era de 2013, com versão corrigida em 2014. Em 27/02/2026 a ABNT publicou a primeira edição das duas partes da NBR 6136, com o título geral Blocos vazados de concreto para alvenaria: a Parte 1, de requisitos, cancela e substitui a NBR 6136:2016, e a Parte 2, de métodos de ensaio, cancela e substitui a NBR 12118:2014. As duas saíram do Comitê Brasileiro de Cimento, Concreto e Agregados (ABNT/CB-018) e passaram pela mesma Consulta Nacional, de 18/09 a 20/10/2025.

Quem procura "NBR 12118" hoje encontra blogs de fabricantes e respostas automáticas de buscadores que ainda a tratam como vigente; não está. Um laudo emitido depois de fevereiro de 2026 cita a NBR 6136-2 para o método e a NBR 6136-1 para o critério. A Parte 2 também mudou de escopo em relação à antiga 12118, e a comparação abaixo resume o que ficou igual e o que entrou. Os valores da NBR 12118 vêm do texto de 2014 citado no dossiê de pesquisa; os de 2026, do texto integral:

ItemNBR 12118:2014 (cancelada)NBR 6136-2:2026
Ensaiosdimensional, absorção, área líquida, compressão, retraçãoos mesmos, mais inspeção visual, índice de absorção inicial, volume líquido e umidade relativa
Taxa de carregamento0,15 ou 0,05 MPa/s na área brutamantida: (0,15 ± 0,03) MPa/s se fbk especificado ≥ 8 MPa; (0,05 ± 0,01) MPa/s abaixo disso
Regularização das facescapeamento de até 3 mm de espessura média, ou retíficamantida; a retífica passa a ser por via úmida, com opção de condicionar em estufa a 40 °C
Classe da máquina0,5 ou 1 em laboratório; 2 em obra e fábricamantida
Validade do ensaionão conferido no texto de 2014validação pela umidade relativa de blocos-testemunho

A Parte 1 mudou mais que a Parte 2. As classes A, B e C continuam, mas a classe B passou a ter duas faixas nominais, a absorção de água deixou de ter limite por classe e virou ensaio opcional, a amostragem passou a ser fixa por lote, com prova e contraprova, e entraram as mísulas obrigatórias, a qualificação do fabricante e os indicadores ambientais. A tabela compara os pontos que afetam o laboratório e o comprador; os valores de 2016 vêm do texto daquela edição reproduzido em fontes secundárias, e os de 2026, do texto integral:

ItemNBR 6136:2016 (cancelada)NBR 6136-1:2026
Classe B4,0 ≤ fbk < 8,0 MPaduas faixas: 4 MPa (fbk de 4 a 5,9) e 6 MPa (de 6 a 7,9)
Absorção de águalimite por classe (A ≤ 9 %, B ≤ 10 %, C ≤ 11 %, individual, agregado normal)um só limite: ≤ 11 % individual e ≤ 10 % na média (agregado normal); ensaio opcional
Amostra para compressão6, 8 ou 10 blocos conforme o tamanho do lote, ou menos com desvio-padrão conhecido6 blocos de prova e 6 de contraprova por lote
Loteaté um dia de produçãoaté um dia de produção e 40.000 blocos
fbk com desvio-padrão da fábricafbm − 1,65 Sdnão existe mais
Mísulasrecomendaçãoraio mínimo de 40 mm (A e B) e 20 mm (C)

A notícia da revisão publicada pela Cimento Itambé em 12/08/2026, com entrevista a Cláudio Oliveira Silva, da Associação Brasileira de Cimento Portland (ABCP), resume a classe B como "entre 4,0 MPa e 6,0 MPa", o que levou alguns leitores a ver uma lacuna entre 6 e 8 MPa. Ela não existe: a classe B tem faixas em múltiplos de 2 MPa, e um lote com fbk de 7,5 MPa é classe B de 6 MPa. O detalhe está na seção sobre as classes, logo adiante.

Classes A, B e C: o que a NBR 6136-1 exige do bloco

A classe do bloco de concreto é a combinação entre o uso permitido e a resistência característica à compressão, o fbk: o valor que a grande maioria dos blocos do lote supera, estimado a partir de uma amostra pela fórmula do Anexo C da Parte 2, explicada mais adiante. A Parte 1 define três classes, com a resistência verificada aos 28 dias de idade:

Classefbk (MPa)UsoAbaixo do nível do solo
A≥ 8,0, em faixas de 2 MPa (8, 10, 12…)alvenaria estruturalpermitida
B4 (de 4 a 5,9) ou 6 (de 6 a 7,9)alvenaria estruturalnão permitida
C≥ 3,0, em faixas de 1 MPaestrutural ou de vedaçãonão permitida

A classe C tem um limite a mais, pela largura do bloco. Com largura nominal de 190 ou 140 mm, pode ser usada em alvenaria estrutural de até cinco pavimentos, com a resistência especificada pelo projetista; com 115 mm, até dois pavimentos; com 90 mm, até um; com 65 mm, só sem função estrutural. Nas classes A e B, o uso segue o projeto. A lógica provável é a da estabilidade da parede: uma parede fina e pouco resistente carrega pouca força antes de flambar, e a norma limita a altura do prédio em vez de deixar a decisão só para o cálculo.

A geometria também é requisito. As medidas nominais seguem a coordenação modular da ABNT NBR 15873, com o módulo M de 100 mm: o bloco inteiro mais usado, da família 15 × 40, tem 140 × 190 × 390 mm (largura × altura × comprimento), e o da família 20 × 40, 190 × 190 × 390 mm. Os 10 mm que faltam para o módulo são a junta de argamassa. As tolerâncias individuais valem para todas as classes: ± 2,0 mm na largura, ± 3,0 mm na altura e no comprimento, e − 1,0 mm na espessura das paredes, que só pode ficar menor que a nominal até esse limite. A espessura mínima das paredes depende da classe: no bloco de 140 × 390 mm, 25 mm nas classes A e B e 18 mm na classe C. A altura dos blocos usados no encontro da parede com a laje pode ser combinada entre fornecedor e comprador, em função do projeto.

A Parte 1 ainda pede mísulas, o arredondamento no encontro das paredes longitudinais com a parede transversal central, com raio mínimo de 40 mm nas classes A e B e de 20 mm na classe C. A mísula reforça o ponto em que a parede muda de direção e onde a tensão se concentra na compressão. A absorção de água tem limite único: até 11,0 % no bloco individual e 10,0 % na média, com agregado normal, e até 16,0 % e 13,0 % com agregado leve. A retração por secagem tem limite de 0,065 % aos 28 dias para todas as classes. O índice de absorção inicial não tem critério de aceitação.

Área bruta, área líquida e volume líquido

A área bruta do bloco vazado é a área da seção perpendicular ao eixo dos furos sem descontar os vazados: comprimento × largura, Ab = l × b. A área líquida é a mesma seção com os vazados descontados, ou seja, só o concreto. O volume líquido é o volume de concreto do bloco, também sem os vazados. As três aparecem na Parte 2 e têm papéis diferentes: a área bruta é a base do cálculo da resistência e da taxa de carregamento; a área líquida entra no índice de absorção inicial; o volume líquido dá a espessura equivalente, usada na avaliação de resistência ao fogo da parede.

A área bruta sai da avaliação dimensional, com as médias medidas de largura e comprimento. A área líquida, num bloco de paredes afuniladas e mísulas arredondadas, seria difícil de medir com paquímetro, e por isso a norma a calcula pela balança hidrostática: a diferença entre a massa do bloco saturado e a massa aparente dele imerso em água é o volume de concreto, e esse volume dividido pela altura do bloco dá a área líquida média. O esquema abaixo mostra as duas áreas num bloco de 14 × 19 × 39 cm de geometria ilustrativa, com paredes de 25 mm e mísulas de 40 mm: a área bruta é de 54.600 mm², e a líquida, de cerca de 29.000 mm², 53 % da bruta. Com a mesma força de 425 kN e a área nominal, a tensão é de 7,78 MPa na área bruta e de 14,66 MPa na líquida.

Esquema da face de assentamento de um bloco de concreto 14 × 19 × 39 cm com dois furos e mísulas de raio 40 mm: área bruta de 54.600 mm² e área líquida de cerca de 29.000 mm², 53 % da bruta, com a mesma força de 425 kN dando 7,78 MPa na área bruta e 14,66 MPa na área líquida
Mesma força, duas tensões: a classe do bloco de concreto é comparada com o fb calculado na área bruta

A definição de bloco vazado da Parte 1 de 2026 é a de um componente de alvenaria vazado nas faces superior e inferior. O critério numérico de que a área líquida não passe de 75 % da área bruta, que fazia parte da definição de 2016 e ainda aparece em respostas automáticas de buscadores, não está na definição de 2026; o que separa os blocos agora são as espessuras de parede e a espessura equivalente mínima de cada classe e largura.

Os ensaios da NBR 6136-2, um a um

A NBR 6136-2 organiza os ensaios em anexos: três normativos, que todo lote cumpre, e três informativos, que descrevem métodos de ensaios opcionais. Todos são feitos sobre o próprio bloco, inteiro, e não sobre um corpo de prova moldado: o bloco é o corpo de prova. É a diferença em relação ao concreto estrutural, em que se rompe um cilindro moldado que representa o material, como no guia da NBR 5739.

Inspeção visual (Anexo A, normativo)

Seis blocos tomados ao acaso da amostra do lote são examinados sob iluminação normal. Procura-se aspecto não homogêneo, arestas irregulares, trincas, fraturas e qualquer defeito que prejudique o assentamento, a resistência ou a durabilidade. O resultado é aprovação ou reprovação da amostra. Pela Parte 1, o lote passa se no máximo 2 % dos blocos tiverem alguma não conformidade, e no bloco aparente a eflorescência, a mancha esbranquiçada de sais que migram para a superfície, é tratada como questão estética e não de durabilidade.

Avaliação dimensional (Anexo B, normativo)

Seis blocos são medidos com paquímetro metálico de resolução 0,05 mm, ou com instrumento digital de exatidão comprovada. Largura, altura e comprimento recebem três medidas cada, em pontos distintos, com resultado individual e médio arredondado ao milímetro. As paredes são medidas na face de menor espessura, que é a de baixo no assentamento, no ponto mais estreito: duas medidas por parede longitudinal e uma por transversal. Os furos são medidos no centro, na face de maior espessura das paredes, a de cima. A razão está na fabricação: o bloco é vibroprensado numa fôrma com machos afunilados para poder desformar, e as paredes saem mais grossas de um lado. Medir a parede no lado fino e o furo no lado estreito pega o pior caso de cada um. Da avaliação saem a área bruta de cada bloco e a espessura equivalente, o volume líquido dividido pela área da face lateral.

Índice de absorção inicial (Anexo D, informativo)

O índice de absorção inicial (AAI) mede quanta água a face do bloco suga no primeiro minuto. O bloco seco em estufa é apoiado com a face de ensaio numa lâmina de água de (3,0 ± 0,2) mm acima dos apoios por (60 ± 1) s, enxugado e pesado de novo. O índice é AAI = 194 × (M2 − M1) / A, com as massas em gramas e a área em cm². A constante 194 é a área de 30 polegadas quadradas arredondada, herança da norma norte-americana de tijolos de argila, a ASTM C67/C67M, citada na bibliografia. Na face de assentamento, A é a área líquida; na face lateral, que recebe revestimento, é o comprimento × a altura. O resultado serve ao projetista para avaliar a aderência de um revestimento e não tem critério de aceitação. O mesmo índice existe para o bloco cerâmico, com outra constante, no guia da NBR 15270-2.

Absorção, volume líquido, área líquida e umidade relativa (Anexo E, informativo)

Três blocos são secos em estufa a (110 ± 5) °C até que duas pesagens com 2 h de intervalo difiram no máximo 0,5 %, o que dá a massa seca m1. Depois de 24 h imersos em água a (23 ± 5) °C e drenados por 60 s sobre uma tela, com a superfície enxugada, dão a massa saturada m2. Na balança hidrostática, a massa aparente imersa é m3. As expressões são:

  • absorção: a = (m2 − m1) / m1 × 100, em %;
  • volume líquido: Vn = (m2 − m3) / γ × 1.000, em mm³, com as massas em gramas e γ, a massa específica da água, em g/cm³;
  • área líquida: Aliq = (m2 − m3) / (h × γ) × 1.000, em mm², com a altura h em mm;
  • umidade relativa: Ur = (m − m1) / (m2 − m1) × 100, em %, com m a massa do bloco na condição em que seria ensaiado à compressão.

A umidade relativa diz que fração da água que o bloco consegue absorver ele já contém. Ela é medida em três blocos-testemunho preparados junto com os blocos de compressão e é o dado que valida, ou invalida, o ensaio de compressão, como mostra a seção do cálculo.

Retração linear por secagem (Anexo F, informativo)

A retração por secagem é o encurtamento do bloco quando ele perde água. Três blocos, ou prismas cortados a seco das paredes externas, recebem bases de medida a cerca de 300 mm uma da outra, ficam 48 h na água e têm o comprimento lido saturados. Depois vão para uma estufa a (50 ± 5) °C com umidade de cerca de 17 %, mantida por cloreto de cálcio, e são medidos em ciclos de 48 h até o equilíbrio: variação de comprimento de no máximo 0,002 % e perda de massa de no máximo 0,2 % num período de seis dias. A retração é S = L / G × 100, em %, com L a variação média de comprimento e G o comprimento entre as bases; a referência de comprimento é a mesma da norma de argamassa NBR 15261. O limite da Parte 1 é 0,065 %: numa parede de 6 m, isso são 3,9 mm de encurtamento, o que explica as juntas de controle em alvenaria de bloco de concreto.

Ensaio de compressão do bloco de concreto, passo a passo

O ensaio de compressão do bloco de concreto rompe o bloco inteiro, com as duas faces de assentamento regularizadas, numa prensa que aplica força crescente na direção em que o bloco trabalha na parede, até a ruptura. É um ensaio destrutivo, feito por amostragem, e mede só a força máxima: não há extensômetro, curva tensão-deformação nem módulo, ao contrário do ensaio de compressão de materiais explicado no guia do ensaio de compressão. O Anexo C da Parte 2 define a sequência.

  1. Amostra. Seis blocos ao acaso da amostra do lote. Podem ser os mesmos da inspeção visual e da avaliação dimensional, que não destroem o bloco. Separam-se também três blocos-testemunho para a umidade relativa.
  2. Área bruta. Calculada bloco a bloco, com as médias medidas na avaliação dimensional.
  3. Regularização das faces. As duas faces que tocam os pratos são capeadas ou retificadas, como detalhado logo abaixo.
  4. Condicionamento. Blocos e testemunhos ficam pelo menos 72 h em laboratório a (40 ± 20) % de umidade relativa do ar e (24 ± 4) °C. Nos blocos retificados, a alternativa é a estufa de circulação forçada a (40 ± 2) °C por (24 ± 0,5) h, com ensaio em até 1 h depois da retirada.
  5. Posição. O bloco vai com a parede de maior espessura para cima e com o centro de gravidade no eixo de carga dos pratos.
  6. Carregamento. A tensão na área bruta sobe de forma progressiva e sem choques, a (0,15 ± 0,03) MPa/s quando o fbk especificado é de 8 MPa ou mais e a (0,05 ± 0,01) MPa/s abaixo disso. Anota-se a força máxima.

Capeamento com pasta ou argamassa. A camada é feita com pasta de cimento ou argamassa de resistência igual ou maior que a do bloco, sobre um molde ou uma superfície plana e rígida que não se afaste do plano mais de 0,08 mm a cada 400 mm, com desmoldante ou papel umedecido. As faces laterais do bloco têm de ficar perpendiculares ao capeamento, com tolerância de ± 5°, e o capeamento tem de sair plano, sem remendos, com espessura média de até 3 mm. Os blocos-testemunho não são capeados, porque a pasta fresca molharia o bloco e falsearia a umidade.

Retífica. É a alternativa ao capeamento: as duas faces são desbastadas por via úmida até uma superfície plana e uniforme, sem quebrar as bordas. Nesse caso, os testemunhos também são retificados, para passarem pelo mesmo tratamento de água.

Na foto, um bloco vazado de concreto entre os pratos da prensa, na mesma posição em que trabalha na parede: furos na vertical e faces de assentamento regularizadas, para que a força se distribua pela área do bloco.

Bloco vazado de concreto na posição de assentamento, com os furos na vertical e as faces de trabalho capeadas, entre os pratos de aço de uma prensa de ensaio
Bloco vazado de concreto entre os pratos da prensa, com os furos na vertical

A taxa é dada em tensão para valer em qualquer tamanho de bloco, mas a prensa controla força. A conversão multiplica a taxa em MPa/s pela área bruta em mm², o que dá N/s. No bloco de 140 × 390 mm, 0,05 MPa/s viram 2,73 kN/s e 0,15 MPa/s, 8,19 kN/s; no de 190 × 390 mm, 3,71 e 11,12 kN/s. Um bloco de 7,5 MPa carregado a 0,05 MPa/s rompe em cerca de 150 s. A taxa é bem menor que a de 0,45 MPa/s do cilindro de concreto pela NBR 5739 porque o bloco rompe com tensões muito mais baixas na área bruta, e porque as paredes finas são sensíveis a choques de carga.

Prensa e pratos: o que a NBR 6136-2 exige da máquina

A prensa para ensaio de blocos de concreto, pela NBR 6136-2, é uma máquina de compressão verificada pela norma de calibração de máquinas de ensaio estático, a ABNT NBR ISO 7500-1, equivalente à ISO 7500-1. Laboratórios de ensaio usam máquina classe 0,5 ou 1; laboratórios de obra e de fábrica podem usar classe 2. A força máxima tem de ser medida e lida com aproximação de ± 2 %. A medição de força é feita pela célula de carga da máquina, e a classe vale para o conjunto verificado, não para a célula isolada.

Os pratos de apoio são de aço com dureza superficial de pelo menos 55 HRC, para não marcar nem deformar sob a carga concentrada das paredes do bloco. Um dos pratos é articulado, e é ele que fica na face superior do bloco: a rótula deixa o prato acompanhar uma pequena falta de paralelismo do bloco, para que a força entre por toda a face, e não por uma aresta. A máquina também tem de aplicar a força de modo progressivo e sem choques.

O bloco de 39 cm é maior que muitos pratos. Quando os pratos não cobrem a área de ensaio, a norma manda pôr uma placa monolítica de aço entre prato e bloco, com espessura mínima de 50 mm para forças até 1.000 kN, 75 mm até 2.000 kN e 100 mm até 3.000 kN. A espessura cresce com a força porque uma placa fina fletiria: as pontas do bloco, fora do prato, receberiam menos força que o centro, e o bloco romperia antes, pelo meio. O esquema abaixo resume a montagem e os números que a Parte 2 pede da prensa:

Corte esquemático de um bloco de concreto entre os pratos da prensa, com prato superior articulado de aço com dureza mínima de 55 HRC, placas auxiliares, capeamento de até 3 mm e a parede mais espessa voltada para cima, e quadros com as taxas de 0,05 e 0,15 MPa/s, as espessuras de placa de 50, 75 e 100 mm e as classes de máquina 0,5, 1 e 2
O que a NBR 6136-2:2026 pede da montagem: prato articulado em cima, parede mais espessa para cima, capeamento fino e taxa na área bruta

A capacidade sai da conta inversa da resistência, F = fb × Ab. O bloco de concreto, por ser grande, exige muito mais força que um cilindro: um 14 × 19 × 39 a 8 MPa já pede 437 kN, mais que um cilindro de concreto 10 × 20 cm de 50 MPa. A tabela mostra a força de ruptura pela área nominal; como os blocos de um lote passam do fbk, a prensa tem de cobrir os mais fortes, com folga.

fb do bloco14 × 39 cm (54.600 mm²)19 × 39 cm (74.100 mm²)
4 MPa218 kN296 kN
6 MPa328 kN445 kN
8 MPa437 kN593 kN
12 MPa655 kN889 kN
16 MPa874 kN1.186 kN
20 MPa1.092 kN1.482 kN

Cálculo da resistência: fb, fbk estimado e validação do ensaio

A resistência individual à compressão do bloco de concreto é a força máxima dividida pela área bruta daquele bloco, fb = F / Ab, com F em newtons e Ab em mm², o que dá MPa, arredondado a 0,1 MPa. O lote, porém, é julgado pela resistência característica, e a Parte 2 traz o estimador para calculá-la a partir dos seis resultados:

  1. ordenar os fb em ordem crescente, fb1 o menor;
  2. tomar i = n/2 se n é par, ou i = (n − 1)/2 se n é ímpar; com 6 blocos, i = 3;
  3. calcular fbk,est = 2 × [(fb1 + … + fb(i−1)) / (i − 1)] − fbi;
  4. conferir o piso: fbk,est não pode ser menor que ψ × fb1, com ψ = 0,89 para 6 blocos (o coeficiente cresce com o número de blocos, até 1,04 para 18).

O estimador usa só a metade mais fraca da amostra. Com seis blocos, entram os dois menores na média e o terceiro como subtraendo: a distância entre eles mede a dispersão da cauda inferior, e o fbk,est fica abaixo dela na mesma proporção. O gráfico abaixo mostra um lote ilustrativo de seis blocos, com os três menores valores em laranja: a média é de 7,62 MPa, mas o fbk,est é de 6,7 MPa, e o lote é classe B de 6 MPa, não classe A. A conta completa está no exemplo resolvido.

Gráfico de barras com as resistências de seis blocos de concreto em ordem crescente, de 6,9 a 8,3 MPa, com as linhas de 8,0 MPa da classe A, da média de 7,62 MPa, do fbk estimado de 6,7 MPa, do piso ψ × fb1 de 6,14 MPa e de 6,0 MPa da classe B, e o quadro com a conta
Seis blocos com média de 7,62 MPa e fbk,est de 6,7 MPa: o lote é classe B, faixa de 6 MPa, e não classe A

Validação pela umidade relativa. O resultado só vale se os blocos estavam na umidade certa. A umidade relativa média dos três blocos-testemunho, no momento do ensaio, tem de ficar em (40 ± 20) % quando o fbk é de 8 MPa ou mais, e em (25 ± 15) % quando é menor. Se a umidade ficou acima da faixa e o fbk,est atende, o ensaio vale: o bloco mais úmido resiste menos, e o resultado está do lado da segurança. Se ficou abaixo, o ensaio é inválido e se executa a contraprova, porque o bloco seco demais rompe com um valor otimista. Quando o laboratório condiciona os blocos na estufa a 40 °C por 24 h, a comprovação da umidade relativa é facultativa.

O relatório traz data, lote, idade, classe e faixa de resistência, dimensões nominais, tipo de regularização, área bruta e força máxima de cada bloco, fb individual, fbk,est com 0,1 MPa, a umidade relativa dos testemunhos e a validação. Uma nota editorial: o item de cálculo do texto de 2026 fala em arredondar "ao décimo de milímetro", mas o resultado é uma tensão, e o próprio relatório pede 0,1 MPa.

Aceitação do lote: amostragem, contraprova e idade de controle

O lote de fabricação, pela NBR 6136-1, é o conjunto de blocos do mesmo produto, feitos nas mesmas condições, com os mesmos materiais e equipamentos, limitado a um dia de produção e a 40.000 blocos. Cada palete leva a identificação do produto, da classe, das dimensões nominais em centímetros, do lote ou da data e do fabricante. O comprador coleta ao acaso, do mesmo lote, os blocos de prova e de contraprova, todos identificados de forma indelével. A tabela resume a amostragem da Parte 1:

EnsaioTipoProva + contraprovaPeriodicidade
Inspeção visual, dimensional e compressãonormativo6 + 6 (os mesmos blocos servem aos três)a cada lote
Absorção, índice de absorção inicial e retraçãoopcional3 + 3 cadaa cada 12 meses de fabricação
Desempenho ambientalopcionaldeclaração ambiental de produtoa cada 24 meses

O lote é aceito quando, ao mesmo tempo, no máximo 2 % dos blocos falham na inspeção visual, as dimensões atendem à Parte 1 e o fbk atende à classe. Se um desses requisitos falha, ensaiam-se os blocos de contraprova; contraprova satisfatória aceita o lote, e contraprova reprovada o recusa, com o fornecedor obrigado a entregar outro lote para novos ensaios. A idade de controle é combinada antes: a data de entrega na obra (condição 1) ou 28 dias contados da produção, ou mais (condição 2). Na condição 1, o fabricante assume que o bloco já chega à obra com a resistência contratada.

A Parte 1 também cria a qualificação do fabricante. Quem tem certificação de produto por terceira parte está pré-qualificado, sujeito à aceitação do comprador; quem não tem precisa apresentar aprovação em três lotes consecutivos diferentes, ensaiados por laboratório de terceira parte. Em qualquer caso, o fabricante entrega ao comprador os relatórios de autocontrole dos requisitos. O bloco é classificado como incombustível, sem ensaio, e a segurança ao fogo, quando o projeto pedir, é avaliada na parede pela ABNT NBR 15575-4. Para o desempenho ambiental, a norma recomenda que o fabricante declare, por família e faixa de resistência, pelo menos a emissão de CO2 e a energia primária por bloco, pela metodologia da ABNT NBR ISO 14025.

Como interpretar a norma

A NBR 6136-2 diz o que fazer, mas raramente diz por quê. Os pontos abaixo são os que mais geram leitura errada no laboratório, na fábrica de blocos e na obra.

Por que a resistência é calculada na área bruta, e não na líquida?

Porque o número existe para o projeto da parede, e a alvenaria estrutural é dimensionada pela seção bruta. A área bruta também é medida com menos erro: basta largura e comprimento, sem depender das paredes afuniladas e das mísulas de cada bloco. A consequência é que dois blocos do mesmo concreto, um com paredes mais finas, dão fb diferentes, porque o mais vazado tem menos material sob a mesma área bruta. A classe mede o componente, não o concreto. Calcular na área líquida faz o bloco do esquema parecer 1,9 vez mais resistente.

Por que a parede mais espessa vai para cima?

Porque é assim que o bloco é assentado: a face com as paredes mais largas fica para cima, para receber a argamassa da fiada seguinte. Ensaiar na mesma posição faz a força entrar pelo lado em que entra na obra, e o prato articulado, que fica em cima, se apoia na face mais larga, que é a mais estável. Invertido, o bloco apoiaria a rótula na face de paredes mais finas, e a ruptura começaria pela borda estreita.

Por que a umidade relativa decide se o ensaio vale?

Porque o concreto seco resiste mais que o úmido, e um bloco que passou dias numa estufa ou ao sol daria um fbk que a parede não tem. A faixa de umidade padroniza a condição do bloco no ensaio, e a regra é assimétrica de propósito: umidade acima da faixa só pode baixar o resultado, então um lote aprovado nessas condições está aprovado; umidade abaixo da faixa pode inflar o resultado, então o ensaio é refeito.

A classe vem do ensaio ou do pedido?

Das duas coisas, em momentos diferentes. O pedido define a classe e a faixa especificadas, e é delas que sai a taxa de carregamento, de 0,15 MPa/s para fbk especificado de 8 MPa ou mais. O ensaio dá o fbk,est do lote, que é comparado com a faixa: um lote pedido como classe A que dá 6,7 MPa não vira automaticamente classe B, ele é reprovado na classe pedida e vai para a contraprova.

Por que o fbk fica abaixo da média?

Porque a parede rompe pelo bloco fraco, não pelo médio. A média diz onde está o centro da distribuição, e o fbk diz onde está a cauda inferior. Dois lotes com a mesma média podem ter fbk diferentes: o mais disperso tem a cauda mais baixa e é penalizado. Santiago e Beck (2018, Revista IBRACON de Estruturas e Materiais) analisaram mais de 6.000 blocos de três regiões brasileiras e encontraram lotes de classe A com resistência estimada abaixo da especificada, o que mostra por que o critério olha para a cauda.

A resistência do bloco é a resistência da parede?

Não. A parede é bloco mais argamassa, e a junta, mais deformável que o concreto do bloco, faz a alvenaria resistir menos que o bloco isolado. Pelos parâmetros de projeto da ABCP (2021), um prisma de blocos 14 × 19 × 39 resiste de 60 % a 80 % do fbk do bloco, com a relação caindo nas resistências mais altas. Por isso o projeto de alvenaria estrutural usa a resistência de prismas, ensaiados pela ABNT NBR 16868-3; o ensaio pela NBR 6136-2 vem antes e qualifica o componente.

Exemplo resolvido: do lote ao relatório

O exemplo segue um lote de blocos 14 × 19 × 39 cm, encomendado como classe B de 6 MPa, com dados ilustrativos. Todos os parâmetros de procedimento vêm do texto integral das Partes 1 e 2 de 2026.

1. Absorção, volume líquido, área líquida e espessura equivalente. Um bloco tem massa seca m1 = 11.200 g, massa saturada m2 = 12.050 g, massa imersa m3 = 6.540 g e altura medida h = 190 mm; γ = 1,00 g/cm³.

  • Absorção: a = (12.050 − 11.200) / 11.200 × 100 = 850 / 11.200 × 100 = 7,6 %, abaixo dos 11,0 % individuais da Parte 1.
  • Volume líquido: Vn = (12.050 − 6.540) / 1,00 × 1.000 = 5.510 × 1.000 = 5.510.000 mm³ (5,51 litros de concreto).
  • Área líquida: Aliq = 5.510.000 / 190 = 29.000 mm², 53 % da área bruta nominal de 54.600 mm².
  • Espessura equivalente: Te = 5.510.000 / (390 × 190) = 5.510.000 / 74.100 = 74,4 mm, acima dos 65 mm que a Parte 1 fixa para o bloco de 140 × 390 mm das classes A e B.

2. Resistência individual na área bruta. Seis blocos, com as médias medidas de largura e comprimento:

  • 140,2 × 391,0 = 54.818 mm²; 380 kN → 380.000 / 54.818 = 6,93 → 6,9 MPa;
  • 140,4 × 390,2 = 54.784 mm²; 400 kN → 7,3 MPa;
  • 140,5 × 390,5 = 54.865 mm²; 410 kN → 7,47 → 7,5 MPa;
  • 140,6 × 390,4 = 54.890 mm²; 425 kN → 7,74 → 7,7 MPa;
  • 140,8 × 390,8 = 55.025 mm²; 440 kN → 8,00 → 8,0 MPa;
  • 141,0 × 390,6 = 55.075 mm²; 455 kN → 8,26 → 8,3 MPa.

Se o quarto bloco fosse calculado na área líquida do item 1, daria 425.000 / 29.000 = 14,7 MPa, quase o dobro: é o erro que a norma evita ao fixar a área bruta.

3. Resistência característica e classe. Com n = 6, i = 3.

  • Média dos dois menores: (6,9 + 7,3) / 2 = 7,10 MPa.
  • fbk,est = 2 × 7,10 − 7,5 = 14,2 − 7,5 = 6,7 MPa.
  • Piso: ψ × fb1 = 0,89 × 6,9 = 6,14 MPa. Como 6,7 ≥ 6,14, vale fbk = 6,7 MPa.
  • Média: 45,7 / 6 = 7,62 MPa. O fbk fica 12 % abaixo dela.
  • Classe pela Parte 1: 6,7 MPa está entre 6 e 7,9 MPa, então o lote é classe B de 6 MPa e atende ao pedido. Não seria classe A, apesar de dois blocos terem 8 MPa ou mais.

4. Validação. Os três blocos-testemunho, pesados no momento do ensaio, deram umidade relativa média de 24 %. Como o fbk é menor que 8 MPa, a faixa é (25 ± 15) %, de 10 % a 40 %, e o ensaio é válido. Se a média tivesse dado 8 %, o ensaio seria inválido e a contraprova seria ensaiada.

5. Taxa e tempo. O fbk especificado, 6 MPa, é menor que 8 MPa, então a taxa é (0,05 ± 0,01) MPa/s. Com a área bruta média de 54.910 mm²: 0,05 × 54.910 = 2.746 N/s = 2,75 kN/s, numa faixa de 2,20 a 3,29 kN/s. Um bloco de 7,6 MPa rompe em 7,6 / 0,05 = 152 s.

6. Capacidade da prensa para outro produto. A mesma fábrica quer ensaiar blocos 19 × 19 × 39 cm de classe A de 12 MPa.

  • Taxa: fbk especificado ≥ 8 MPa, então 0,15 × 74.100 = 11,1 kN/s, de 8,9 a 13,3 kN/s.
  • Força a 12 MPa: 12 × 74.100 = 889 kN. Os blocos mais fortes de um lote de fbk 12 passam de 14 MPa: 14 × 74.100 = 1.037 kN.
  • Placa auxiliar, se o prato não cobrir 190 × 390 mm: com força acima de 1.000 kN, a espessura mínima passa de 50 para 75 mm.
  • Uma máquina de 1.000 kN mede esse bloco até 1.000.000 / 74.100 = 13,5 MPa na área bruta.

Conclusão: para o bloco de 19 cm, a máquina de 1.000 kN cobre as classes até cerca de 10 MPa com folga e fica no limite a partir de 12 MPa. O bloco de 14 cm, com 54.600 mm², vai até 18,3 MPa na mesma máquina.

Erros comuns na aplicação da NBR 6136-2

Os erros na aplicação da NBR 6136-2 vêm, quase todos, de três fontes: norma cancelada, área de cálculo errada e preparo do bloco fora da condição da norma. A lista reúne os que aparecem em laudos, procedimentos e pedidos de compra:

  1. Citar a NBR 12118 ou a NBR 6136:2016 como vigentes. Foram canceladas em 27/02/2026.
  2. Usar a amostragem de 2016. A amostra deixou de depender do tamanho do lote: são 6 blocos de prova e 6 de contraprova, e o lote vai até 40.000 blocos.
  3. Aplicar os limites de absorção por classe. Em 2026 o limite é um só, 11 % individual e 10 % na média com agregado normal, e o ensaio é opcional.
  4. Calcular o fb na área líquida. A classe é comparada com a área bruta; na líquida, o bloco parece quase duas vezes mais forte.
  5. Classificar o lote pela média. O critério é o fbk,est, que fica abaixo da média.
  6. Usar fbm − 1,65 Sd. Esse caminho com desvio-padrão da fábrica não existe nas partes de 2026.
  7. Ensaiar sem blocos-testemunho. Sem a umidade relativa, não há como validar o ensaio, salvo no condicionamento em estufa a 40 °C.
  8. Capear os testemunhos. A pasta fresca molha o bloco e falseia a umidade.
  9. Capear com enxofre. As opções da NBR 6136-2:2026 são pasta de cimento, argamassa ou retífica; o enxofre, citado em respostas automáticas de buscadores, não está entre elas.
  10. Capeamento grosso ou fora de esquadro. Acima de 3 mm em média ou com as faces fora de ± 5°, o capeamento concentra tensão e derruba o resultado.
  11. Usar a taxa do cilindro de concreto. A taxa de 0,45 MPa/s da NBR 5739 é de três a nove vezes a do bloco.
  12. Inverter o bloco. A parede de maior espessura vai para cima, e o prato articulado fica sobre ela.
  13. Prato menor que o bloco, sem placa. As pontas recebem menos força, e o bloco rompe antes; a placa auxiliar tem de ter 50, 75 ou 100 mm, conforme a força.
  14. Escolher a prensa pela classe, e não pelos blocos mais fortes. Um lote de fbk 12 em bloco de 19 cm passa de 1.000 kN.
  15. Falar em classe D. A NBR 6136-1:2026 tem só as classes A, B e C; o bloco de vedação é a classe C, que também pode ter uso estrutural limitado pela largura.
  16. Confundir bloco de alvenaria com peça de pavimento. O paver segue a série ABNT NBR 9781, também revisada em 2026, com outros ensaios e outras resistências.

Equipamento para o ensaio de blocos de concreto

O ensaio de blocos de concreto pede uma máquina de compressão com capacidade acima da força de ruptura dos blocos mais fortes, controle da taxa de carregamento, registro da força máxima e pratos, ou placa auxiliar, que cubram a face inteira do bloco. A Biopdi fabrica a prensa elétrica e hidráulica, dedicada a ensaios de compressão, e a máquina universal de ensaios linha M2, cujas versões autoportantes de 300 kN, 600 kN e 1.000 kN fazem a compressão de blocos e outros ensaios na mesma estrutura.

A capacidade segue o exemplo resolvido: a máquina de 600 kN cobre o bloco de 14 cm até 11,0 MPa na área bruta, o que inclui as classes C e B; a de 1.000 kN vai a 18,3 MPa no bloco de 14 cm e a 13,5 MPa no de 19 cm. A célula de carga da linha M2 é classe 1 pela ABNT NBR ISO 7500-1:2023, a classe que a NBR 6136-2 pede para laboratório de ensaio; a classe da máquina montada sai da verificação no laboratório de calibração. Os pratos de compressão da linha vão até 300 kN; para o bloco de 39 cm em capacidades maiores, a área dos pratos ou da placa auxiliar é definida no orçamento ou como projeto especial. O software BioLab converte a taxa em MPa/s para kN/s a partir da área bruta, registra a força máxima e emite o relatório. O painel abaixo mostra a máquina, o papel de cada parte nesse ensaio e o acessório usado.

A máquina universal no ensaio de compressão

A linha M2 de coluna dupla vai de 5 kN a 1.000 kN. No ensaio de blocos vazados de concreto pela NBR 6136-2, cada parte da máquina tem uma função:

Máquinas universais de ensaios M2 da Biopdi de coluna simples (MBIOI-10-M2, 10 kN) e coluna dupla (MBIOII-50-M2, 50 kN)
  1. Travessa móvel aplica a carga a 0,05 ou 0,15 MPa/s, sem choques
  2. Célula de carga mede a força máxima, classe 1
  3. Pratos de compressão bloco capeado, parede mais espessa para cima
  4. Software BioLab taxa em kN/s, fb na área bruta e relatório
  5. Painel e emergência posiciona e para o ensaio

Dispositivos para o ensaio de compressão

O dispositivo abaixo é montado na mesma máquina, no lugar das garras:

Pratos de compressão Biopdi
Pratos de compressão1, 50 e 300 kNEntra no lugar das garras, na mesma máquina universal.

Para comparar os modelos, veja o guia da máquina universal de ensaio; a configuração para cada norma é definida no orçamento.

Normas citadas: edição e situação

As normas deste guia são as duas partes da NBR 6136, as que elas substituíram e as que as cercam no ensaio e no projeto da alvenaria. As NBR 6136-1 e 6136-2 foram lidas no texto integral e conferidas em 02/10/2026; as demais ABNT seguem o catálogo da Target conferido em 30/09 e 01/10/2026, e a ASTM, a página oficial da ASTM em 02/10/2026. A norma norte-americana de blocos de concreto, a ASTM C140/C140M, é citada só como referência: seus métodos e critérios não se trocam pelos da NBR 6136.

NormaAssuntoEdição e situação
ABNT NBR 6136-2blocos vazados de concreto, métodos de ensaio1ª edição, 27/02/2026, vigente; substitui a NBR 12118:2014
ABNT NBR 6136-1blocos vazados de concreto, requisitos1ª edição, 27/02/2026, vigente; substitui a NBR 6136:2016
ABNT NBR 12118métodos de ensaio (antiga)2013, versão corrigida 2014, cancelada em 02/2026
ABNT NBR 6136requisitos (antiga)2016, cancelada em 02/2026
ABNT NBR ISO 7500-1verificação e classe da máquina2023, vigente (ISO 7500-1:2018)
ABNT NBR 15261variação dimensional de argamassa, referência da retraçãocitada sem data na NBR 6136-2
ABNT NBR 16868-3alvenaria estrutural, ensaio de prismas e paredes08/2020, confirmada em 01/2025, vigente
ABNT NBR 15270-2blocos e tijolos cerâmicos, métodos de ensaio12/2023, vigente
ASTM C140/C140Mamostragem e ensaio de blocos de concreto (EUA)C140/C140M-26a, ativa

Outros ensaios e referências técnicas

Referências técnicas relacionadas

Perguntas frequentes

A NBR 12118 foi cancelada?

Sim. A ABNT NBR 12118, de métodos de ensaio de blocos vazados de concreto, foi cancelada em 27/02/2026 e substituída pela ABNT NBR 6136-2:2026. A última edição era de 2013, com versão corrigida em 2014. Os requisitos, que estavam na NBR 6136:2016, passaram para a NBR 6136-1:2026.

Qual é a norma ABNT para blocos de concreto?

Para blocos vazados de concreto para alvenaria, a ABNT NBR 6136, em duas partes de 2026: a 6136-1, de requisitos e classes, e a 6136-2, de métodos de ensaio. Peças de concreto para pavimento intertravado seguem outra série, a NBR 9781.

Quais ensaios a NBR 6136-2 prevê?

Inspeção visual, avaliação dimensional e resistência à compressão, que são normativos e feitos em todo lote, e índice de absorção inicial, absorção de água, volume líquido, área líquida, umidade relativa e retração linear por secagem, descritos em anexos informativos.

Como se calcula a resistência à compressão do bloco de concreto?

Divide-se a força máxima pela área bruta do bloco, comprimento × largura sem descontar os furos: fb = F / Ab, em MPa. Um bloco de 140 × 390 mm que rompe com 425 kN tem 7,8 MPa na área nominal. O lote é julgado pelo fbk estimado com os seis resultados.

Qual o MPa do bloco de concreto?

Depende da classe da NBR 6136-1:2026: classe C a partir de 3 MPa, em faixas de 1 MPa; classe B de 4 ou 6 MPa; classe A a partir de 8 MPa, em faixas de 2 MPa. O valor é a resistência característica aos 28 dias, calculada na área bruta.

Qual a velocidade de carregamento no ensaio de bloco de concreto?

Pela NBR 6136-2, a tensão na área bruta sobe a (0,15 ± 0,03) MPa/s quando o fbk especificado é de 8 MPa ou mais, e a (0,05 ± 0,01) MPa/s abaixo disso. No bloco de 140 × 390 mm, isso equivale a 8,19 e 2,73 kN/s.

Precisa capear o bloco para o ensaio de compressão?

Sim, as duas faces que tocam os pratos são regularizadas: por capeamento com pasta de cimento ou argamassa tão resistente quanto o bloco, com espessura média de até 3 mm, ou por retífica a úmido. Depois, os blocos ficam pelo menos 72 h em ambiente controlado.

Quantos blocos são ensaiados por lote?

Seis blocos de prova e seis de contraprova por lote, pela NBR 6136-1:2026; os mesmos seis servem à inspeção visual, à avaliação dimensional e à compressão. O lote tem no máximo um dia de produção e 40.000 blocos.

Qual a diferença entre bloco vazado e bloco com fundo?

O bloco vazado, pela NBR 6136-1:2026, tem os furos abertos nas faces superior e inferior. "Bloco com fundo" não é termo da norma: um bloco fechado numa das faces não se enquadra na definição de bloco vazado, e a família da norma prevê, para vergas e cintas, o bloco tipo canaleta.

Qual a medida do bloco 15 vazado?

Na família 15 × 40 da NBR 6136-1:2026, o bloco inteiro tem 140 mm de largura, 190 mm de altura e 390 mm de comprimento, e o meio bloco, 140 × 190 × 190 mm. A diferença para 15 × 20 × 40 cm é a junta de argamassa.

Quantos blocos de concreto 14 × 19 × 39 são necessários por m²?

Cerca de 12,5 blocos por m² de parede, sem perdas: com junta de 1 cm, cada bloco ocupa 40 × 20 cm, ou 0,08 m², e 1 / 0,08 = 12,5.

Qual a norma para corpos de prova de concreto?

Os cilindros de concreto são moldados e curados pela ABNT NBR 5738 e rompidos pela ABNT NBR 5739, tratada no guia da NBR 5739; o preparo está no guia do corpo de prova de concreto. No bloco não há corpo de prova moldado: o próprio bloco é ensaiado.