NBR 15270-2: ensaio de compressão de blocos e tijolos cerâmicos, área bruta, fbk, absorção e AAI

A NBR 15270-2:2023 define os ensaios de blocos e tijolos cerâmicos: compressão na área bruta (fb = F/Ab), fbk do lote, absorção de água, AAI e mudanças de 2023.

Ensaios MecânicosPor Mardoqueu M. Costa
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A ABNT NBR 15270-2:2023, vigente, é a norma brasileira dos métodos de ensaio de blocos e tijolos cerâmicos para alvenaria: nela, a resistência à compressão é a força máxima dividida pela área bruta da face de assentamento, fb = F / Ab, e um bloco de 14 × 29 cm que rompe com 243,6 kN tem 6,0 MPa. Ela também cobre a medição da geometria, a massa seca, a absorção de água e o índice de absorção inicial (AAI). Quanto o bloco precisa atingir não está nela: os requisitos e as classes ficam na Parte 1, a ABNT NBR 15270-1:2023.

Este guia explica, com as nossas palavras, o que a Parte 2 mede, como o ensaio de compressão é preparado e executado, como sai a resistência característica de um lote e quanta força a prensa precisa ter. A edição vigente das duas partes foi conferida em 01/10/2026 no catálogo da Target, revendedora da ABNT. O texto integral da edição de 2023 é vendido pela ABNT e não foi reproduzido aqui: o que mudou em 2023 vem do resumo publicado pela Revista da Anicer, a associação nacional da indústria cerâmica, e os parâmetros de procedimento que não foram confirmados na edição de 2023 aparecem com a edição de onde vieram. Para aplicar a norma num laboratório, é preciso a norma comprada.

Qual é a edição vigente da NBR 15270-2

A edição vigente da ABNT NBR 15270-2, Componentes cerâmicos: Blocos e tijolos para alvenaria, Parte 2: Métodos de ensaios, é a de dezembro de 2023, com 31 páginas: no catálogo da Target, conferido em 01/10/2026, ela aparece com data de 12/2023 e situação vigente. A Parte 1, de requisitos, saiu na mesma data, com 28 páginas, também vigente. Segundo a Revista da Anicer, as duas foram publicadas pela ABNT em 14 de dezembro de 2023, estavam em revisão desde 2021 e cancelaram automaticamente as edições de 2017.

A numeração das partes tem uma armadilha. Na primeira edição da série, de agosto de 2005, a Parte 1 tratava do bloco de vedação, a Parte 2 do bloco estrutural (terminologia e requisitos) e a Parte 3 reunia os métodos de ensaio. Na edição de novembro de 2017, a Parte 1 passou a reunir todos os requisitos, a Parte 2 passou a ser a de métodos de ensaio e a Parte 3 foi cancelada. Quem lê "NBR 15270-2" num trabalho anterior a 2017 está lendo requisitos de bloco estrutural, não o método de ensaio.

Antes da série 15270, o bloco cerâmico tinha duas normas que ainda aparecem nas buscas: a NBR 7171, de requisitos, e a NBR 6461, de verificação da resistência à compressão. As duas foram canceladas em agosto de 2005, substituídas pela série 15270. A linha do tempo abaixo resume a sequência e lista as mudanças de 2023 que a Anicer destacou; elas são explicadas nas seções seguintes, cada uma no ponto do ensaio em que entra:

Linha do tempo das normas de bloco cerâmico: NBR 7171 e NBR 6461 canceladas em 08/2005; série NBR 15270 de 08/2005 com Parte 1 de vedação, Parte 2 estrutural e Parte 3 de métodos; edição de 11/2017 com Parte 1 de requisitos, Parte 2 de métodos e Parte 3 cancelada; edição de 12/2023 vigente, e a lista das mudanças de 2023
Da NBR 6461 à NBR 15270:2023: a numeração das partes mudou em 2017, e a edição de 2023 é a vigente

Parte 1 e Parte 2: o que cada uma diz

Na série NBR 15270, a Parte 2 diz como medir, e a Parte 1 diz quanto o bloco precisa atingir e como o lote é aceito ou rejeitado. A confusão mais comum com essa norma é procurar na Parte 2 a resistência mínima do bloco. Um laudo de bloco cerâmico, portanto, cita as duas: a Parte 2 para o método, a Parte 1 para o critério.

As duas partes tratam de dois componentes, o bloco e o tijolo. O bloco cerâmico tem furos ou vazados que ocupam boa parte da seção; o tijolo é maciço ou tem poucos furos. Pelo critério usado no material didático de alvenaria estrutural da UFRGS, a peça com área líquida de 75 % ou mais da área bruta é tratada como maciça; nos blocos estruturais comuns, essa relação fica perto de 50 %. Os ensaios da Parte 2 são os mesmos para os dois, e a diferença aparece na classe e no critério de aceitação.

Na Parte 1, os componentes são vendidos por classe, conforme o uso. A edição de 2023 trabalha com três grupos:

  • VED, componentes sem função estrutural, usados em alvenaria de vedação, que fecha os vãos de uma estrutura de concreto e carrega só o próprio peso e as ações de uso;
  • EST, componentes estruturais e de alvenaria racionalizada (a construída a partir de um projeto específico de produção, com coordenação modular e compatibilização com as instalações);
  • BFS, o bloco de fixação superior, novo em 2023: assentado com os vazados na horizontal, na última fiada da parede, logo abaixo da viga ou da laje.

O número depois da sigla é a resistência mínima em kgf/cm², com a aproximação de 1 kgf/cm² ≈ 0,1 MPa: EST100 é a classe de 10 MPa. Pelo resumo da Anicer, a edição de 2023 elevou para 4 MPa a resistência mínima dos blocos para alvenaria racionalizada e passou a exigir ranhuras nas paredes internas dos blocos EST de paredes maciças com fbk de 10 MPa ou mais, conforme a ABNT NBR 16868-1, a norma de projeto de alvenaria estrutural.

Os outros valores da tabela de classes da Parte 1:2023, e as faixas de absorção de água de cada classe, não foram confirmados em fonte confiável e não são reproduzidos aqui. Como referência histórica, a edição de 2005 exigia fb ≥ 1,5 MPa do bloco de vedação usado com furos na horizontal, 3,0 MPa com furos na vertical, fbk ≥ 3,0 MPa do bloco estrutural e absorção de água entre 8 % e 22 %. Esses números não são os requisitos vigentes: o mínimo estrutural, por exemplo, já não é 3 MPa. Na edição de 2017, segundo artigo da Revista da Anicer, os mínimos eram de 1,5 MPa para o bloco de vedação e de 3,0 MPa para o de vedação racionalizada, e o fbk estrutural partia de 4,0 MPa; é dessa edição o "3,0 MPa para vedação racionalizada" que ainda aparece em respostas automáticas de buscadores. No mercado, a mesma revista registra blocos estruturais qualificados de 4 MPa até acima de 20 MPa, o que permite edifícios de até 20 pavimentos.

Há ainda uma diferença de critério entre as classes que a Parte 1 mantém: no bloco de vedação, a característica mecânica é a resistência individual fb de cada bloco, julgada pelo número de blocos fora do mínimo; no bloco estrutural, é a resistência característica fbk do lote, calculada estatisticamente. As duas aparecem nas seções de cálculo, mais adiante. O lugar desses ensaios no conjunto dos ensaios de materiais está no guia de ensaio de materiais.

O que a NBR 15270-2 ensaia

A NBR 15270-2 ensaia três grupos de características do bloco ou tijolo cerâmico: as geométricas, as físicas e a mecânica, que é a resistência à compressão. Todas são medidas sobre o próprio bloco, inteiro, e não sobre um corpo de prova moldado ou usinado. É uma diferença em relação ao concreto: lá se ensaia um cilindro que representa o material; aqui se ensaia a peça que vai para a parede, com seus furos, paredes e septos.

  • Características geométricas. Dimensões efetivas de largura (L), altura (H) e comprimento (C), espessura das paredes externas e dos septos (as paredes internas que separam os vazados), desvio em relação ao esquadro, planeza das faces (a flecha) e áreas bruta e líquida. Em 2023, a soma mínima de paredes e septos passou a ser medida ao longo de uma linha reta horizontal, perpendicular às faces da seção, buscando-se a linha de menor soma. Como referência histórica, o texto de 2005 admitia, segundo o material da UFRGS, ± 5 mm de tolerância individual e ± 3 mm na média para L, H e C, e 3 mm para o desvio de esquadro e a flecha; em 2023, segundo a Anicer, as tolerâncias passaram a ser expressas com uma casa decimal.
  • Características físicas. Massa seca, índice de absorção de água (AA) e índice de absorção inicial (AAI), que mede a sucção da face de assentamento no primeiro minuto de contato com a água. Em 2023 o AAI passou a ser normativo.
  • Característica mecânica. Resistência à compressão dos componentes com e sem função estrutural.

Na edição de 2023, cada grupo ocupa um anexo da norma, e é assim que os laboratórios acreditados pelo Inmetro na ABNT NBR ISO/IEC 17025 os listam no escopo de acreditação: o escopo do laboratório CRL 1739, emitido em 06/02/2026, cita a NBR 15270-2:2023 Anexo A para as características geométricas, Anexo B para as físicas e Anexo C para a resistência à compressão. A tabela resume o que cada anexo entrega:

Anexo (2023)EnsaioResultadoUnidade
Acaracterísticas geométricasL, H, C, paredes, septos, esquadro, flecha, áreas bruta e líquidamm e mm²
Bcaracterísticas físicasmassa seca, índice de absorção de água (AA) e AAIg, % e (g/193,55 cm²)/min
Cresistência à compressãofb = Fmáx / AbMPa

A eflorescência, a mancha esbranquiçada de sais solúveis que migram para a superfície, também tem método, informativo. Em 2023 ele mudou: em vez de avaliar o bloco depois de 7 dias parcialmente imerso, passou a submetê-lo a dez ciclos consecutivos de 24 h de imersão parcial e 24 h de secagem em estufa.

A ordem dos ensaios importa porque a compressão destrói o bloco. A geometria e as massas vêm antes, e a compressão fecha a sequência. O ensaio de compressão em geral, com a curva tensão-deformação e a diferença entre materiais dúcteis e frágeis, está no guia do ensaio de compressão; aqui o foco é o que a norma do bloco cerâmico exige. Por destruir a peça, ele é um ensaio destrutivo, e por isso feito por amostragem.

Amostra: quantos blocos são ensaiados

A amostra de bloco cerâmico é o conjunto de blocos retirados de um lote para representá-lo nos ensaios, e o seu tamanho é definido na Parte 1; o número da edição de 2023 não foi confirmado em fonte aberta. Nas edições de 2005 e de 2017, a amostra para geometria e compressão tinha 13 blocos, e a de absorção de água, 6 blocos, retirados do lote antes de qualquer ensaio. Para o bloco de vedação, o texto de 2005 aceitava o lote com até 2 blocos abaixo do mínimo de resistência entre os 13 e o rejeitava com 3 ou mais; na absorção, aceitava até 1 bloco fora da faixa entre os 6.

Uma mudança de 2023 toca o lote. Segundo a Anicer, para blocos e tijolos EST100 ou acima e para o BFS, o lote de fabricação passou a ter no máximo 40.000 peças. Um lote menor quer dizer mais ensaios por milheiro produzido, e mais controle sobre as classes de resistência alta, em que um bloco fraco pesa mais na parede.

O mesmo ensaio serve a dois controles distintos. O controle de produção é feito pela olaria, que ensaia o que fabrica; o controle de recepção é feito por um laboratório contratado pela construtora, sobre a amostra do lote entregue. Em artigo na Revista da Anicer, Emil Sanchez, professor aposentado da UFF, classifica como inadmissível uma obra de alvenaria estrutural sem o controle de recepção da resistência à compressão dos blocos.

Preparo das faces: capeamento e regularização

O capeamento do bloco cerâmico é a camada fina de pasta ou argamassa que deixa planas e paralelas as duas faces que recebem a carga, chamadas faces de trabalho. Elas saem da queima com ondulações, rebarbas e falta de paralelismo. Se o bloco fosse posto direto entre pratos de aço, a força entraria pelos pontos altos, e as paredes do bloco romperiam por concentração de tensão antes de o material inteiro ser solicitado. Por isso as faces são regularizadas antes do ensaio.

Esse foi um dos pontos alterados em 2023. Segundo a Anicer, o capeamento passou a ser feito com pasta de cimento CP V ARI com relação água/cimento de no máximo 0,5, ou com pasta ou argamassa que atinja pelo menos 80 % da resistência nominal do bloco calculada na área líquida, com essa resistência comprovada. O CP V ARI é o cimento de alta resistência inicial: endurece depressa, e a pasta fica pronta para o ensaio em pouco tempo. A relação água/cimento baixa dá uma pasta resistente e pouco deformável.

O texto de 2005 pedia uma camada que deixasse a face plana e uniforme, sem remendos, com espessura máxima de 3 mm, feita com pasta ou argamassa mais resistente que o bloco na área bruta. Também admitia a retífica das faces como alternativa, dispensando o capeamento. Se a edição de 2023 mantém a espessura máxima e a retífica, só a norma comprada confirma. O enxofre, citado em respostas automáticas de buscadores como material de capeamento de bloco, não aparece nas opções que a Anicer descreve para 2023.

Na foto, um bloco cerâmico com as duas faces de trabalho capeadas, entre os pratos da prensa: o capeamento regulariza as faces para que a força se distribua por todo o bloco, e não só pelos pontos altos.

Bloco cerâmico vazado com as faces de topo e de base capeadas com argamassa, posicionado entre os pratos de uma prensa, com outros blocos empilhados num palete ao lado
Bloco cerâmico capeado entre os pratos da prensa

Execução do ensaio de compressão

O ensaio de compressão do bloco cerâmico rompe o bloco capeado e saturado numa prensa, aplicando força crescente na face de assentamento até a ruptura. Com as faces regularizadas, a sequência do texto de 2005, que é a referência histórica do método, tem quatro passos. Os números de tempo e de taxa abaixo são dessa edição; a de 2023 precisa ser conferida para cada um.

  1. Saturação. Depois de o capeamento endurecer, o bloco fica imerso em água por no mínimo 6 h e é rompido saturado. Roteiros de laboratório que circulam na internet falam em 24 h de imersão, o que fica acima desse mínimo.
  2. Posição. A carga é aplicada na direção do esforço que o bloco suporta na parede: perpendicular ao comprimento e sobre a face de assentamento. Num bloco de vedação de furos horizontais, isso quer dizer o bloco deitado como fica na parede, com os furos paralelos aos pratos.
  3. Centralização. O centro de gravidade do bloco fica no eixo de carga dos pratos. Fora do eixo, a parede de um lado recebe mais força que a do outro, e o bloco rompe antes.
  4. Carregamento. A tensão, calculada sobre a área bruta, cresce de forma progressiva e sem choques. Em 2005 a taxa era de (0,05 ± 0,01) MPa/s.

A taxa é dada em tensão para valer em qualquer tamanho de bloco, mas a máquina controla força. A conversão é a mesma de qualquer ensaio de compressão: a taxa em N/s é a taxa em MPa/s multiplicada pela área bruta em mm². Num bloco de 140 × 290 mm, 0,05 MPa/s viram 2,03 kN/s, e um bloco de 6 MPa rompe em cerca de 120 s. A taxa é nove vezes menor que a do concreto pela NBR 5739, de 0,45 MPa/s: o bloco cerâmico rompe com tensões bem mais baixas, e a taxa lenta dá ao operador e ao software tempo de registrar o pico.

A máquina, em 2005, tinha de atender à norma de verificação de máquinas de ensaio, hoje a ABNT NBR ISO 7500-1:2023, e ler a carga com erro de até ± 2 % da carga de ruptura. Quando os pratos não cobrem o bloco inteiro, entra uma placa de aço rígida entre prato e bloco; o texto de 2005 pedia pelo menos 50 mm de espessura. Um bloco de 29 cm de comprimento não cabe num prato pequeno, e uma placa fina fletiria e carregaria as extremidades do bloco menos que o centro. A força é medida pela célula de carga da máquina.

Cálculo da resistência: fb na área bruta

A resistência individual à compressão é a força máxima dividida pela área bruta. A área bruta Ab é a da seção de assentamento delimitada pelas arestas do bloco, sem descontar os vazados: L × C. A área líquida Aliq é só a do material cerâmico, a área bruta menos a dos vazados. O texto de 2005 calculava o fb com a média das áreas brutas das duas faces de trabalho, em MPa, com aproximação de uma casa decimal:

fb = Fmáx / Ab, com Fmáx em newtons e Ab em mm², o que dá MPa.

A escolha da área muda o número mais do que qualquer outro detalhe do ensaio. O esquema abaixo usa um bloco de 140 × 290 mm com seis vazados, de geometria ilustrativa: a área bruta é de 40.600 mm², e a líquida, de 18.100 mm², 44,6 % da bruta. A mesma força de ruptura, 243,6 kN, dá 6,00 MPa na área bruta e 13,46 MPa na líquida. O primeiro é o número que se compara com a classe; o segundo é a tensão que de fato atuou na cerâmica.

Esquema da face de assentamento de um bloco cerâmico de 140 × 290 mm com seis vazados de 50 × 75 mm: área bruta de 40.600 mm² e área líquida de 18.100 mm², com a mesma força de 243,6 kN dando 6,00 MPa na área bruta e 13,46 MPa na área líquida
Mesma força, duas tensões: a classe do bloco é comparada com o fb calculado na área bruta

Invertendo a fórmula, F = fb × Ab, sai a força que cada nível de resistência exige, que é o número que decide a capacidade da prensa. A tabela mostra o bloco de 14 × 19 × 29 cm, carregado na face de 140 × 290 mm:

fb ou fbkForça no bloco 14 × 29 cm
3,0 MPa121,8 kN
4,0 MPa162,4 kN
6,0 MPa243,6 kN
8,0 MPa324,8 kN
10,0 MPa406,0 kN
14,0 MPa568,4 kN

Resistência característica fbk: como se avalia um lote estrutural

Para o bloco estrutural, um resultado isolado não basta: o projetista dimensiona a parede com a resistência característica, fbk, o valor que a grande maioria dos blocos do lote supera. Como 13 blocos são poucos para estimar uma distribuição, a série 15270 usa um estimador próprio, que olha para a metade mais fraca da amostra. O texto de 2005, cujo procedimento a Revista da Anicer descreveu em 2022, faz assim:

  1. ordenar os n resultados de fb em ordem crescente, fb(1) o menor;
  2. tomar i = n/2 se n é par, ou i = (n − 1)/2 se n é ímpar;
  3. calcular fbk,est = 2 × [fb(1) + fb(2) + … + fb(i−1)] / (i − 1) − fb(i);
  4. se fbk,est for maior ou igual à média fbm, adotar fbk = fbm;
  5. se fbk,est for menor que ψ × fb(1), adotar fbk = ψ × fb(1), com ψ dependente do número de blocos: 0,89 para 6, 0,96 para 10, 0,99 para 13, 1,00 para 14 e 1,04 para 18 ou mais;
  6. nos demais casos, adotar fbk = fbk,est.

O texto recomendava n ≥ 13, e o lote estrutural é aceito quando o fbk atinge o valor da classe. Se a edição de 2023 da Parte 1 manteve essa formulação, a norma comprada confirma; ela é a mesma família de estimador usada em outras normas brasileiras de produto, como a do vergalhão. O gráfico abaixo mostra um lote ilustrativo de 13 blocos, com os seis menores valores em laranja, que são os que entram na conta: a média é 6,64 MPa, mas o fbk é 5,58 MPa, abaixo de 6 MPa. A conta completa está no exercício 2.

Gráfico de barras com 13 resistências individuais de blocos cerâmicos em ordem crescente, de 5,6 a 7,7 MPa, com as linhas da média de 6,64 MPa, de 6,0 MPa, do fbk de 5,58 MPa e de 4,0 MPa, e o quadro com a conta do fbk estimado
Treze blocos com média de 6,64 MPa e fbk de 5,58 MPa: a média sozinha não classifica o lote

Absorção de água e índice de absorção inicial (AAI)

Os dois ensaios físicos medem coisas diferentes. O índice de absorção de água (AA) mede quanta água o bloco retém quando saturado, em porcentagem da massa seca: um indicador da porosidade e, indiretamente, da queima. O índice de absorção inicial (AAI) mede a velocidade com que a face de assentamento suga água no primeiro minuto: um indicador do que o bloco vai fazer com a argamassa.

Absorção de água. No texto de 2005, o bloco era seco em estufa a (105 ± 5) °C até massa constante, pesado, saturado por imersão em água fervente durante 2 h ou em água à temperatura ambiente durante 24 h, e pesado de novo. O índice é:

AA = (mu − ms) / ms × 100, em %, com ms a massa seca e mu a massa úmida, saturada.

A faixa tem limite inferior e superior. Absorção alta indica bloco poroso, mal queimado, mais sujeito à umidade e à degradação. Absorção baixa demais também é ruim: a argamassa não ancora na superfície fechada. Em 2005 a faixa era de 8 % a 22 %; as faixas da edição de 2023 por classe não foram confirmadas em fonte confiável.

Índice de absorção inicial. O bloco seco é apoiado com a face de assentamento numa lâmina de água rasa, a cerca de 3 mm acima dos apoios no texto de 2005, durante 60 s; depois é enxugado e pesado. O AAI é a massa de água absorvida, normalizada para uma área de 193,55 cm²:

AAI = Δm × 193,55 / A, em (g/193,55 cm²)/min, com Δm em gramas e A a área da face em contato com a água, em cm².

No bloco de vazados verticais, a área A é a área líquida da face, porque só o material cerâmico toca a água: os vazados não absorvem nada. Usar a área bruta nesse caso divide a água por uma área maior que a real e subestima a sucção, como mostra o exercício 3.

O AAI decide se o bloco precisa ser molhado antes do assentamento. Um bloco muito sedento retira a água da argamassa logo depois do contato, a argamassa perde a água de que precisa para endurecer junto à face, e a aderência cai. O anexo informativo de 2005 recomendava umedecer os blocos quando o AAI passasse de 30 (g/193,55 cm²)/min. Em 2023 o ensaio passou a ser normativo: segundo a Anicer, o fabricante tem de informar o AAI do seu produto ao consumidor, em manual técnico, material comercial ou documento de entrega, repetir o ensaio ao menos a cada seis meses e refazê-lo quando mudar o processo, como a jazida, a formulação ou a queima. O critério numérico de 2023 não foi confirmado. Os ensaios da argamassa que vai receber esse bloco estão no guia da NBR 13279.

Como interpretar a norma

A norma diz o que fazer, sem dizer por quê. Os pontos abaixo são os que mais geram leitura errada no laboratório, na olaria e na obra, com a razão de cada um.

Por que a resistência é calculada na área bruta, e não na líquida?

Porque o número existe para o projeto da parede, e a parede é dimensionada pela seção inteira. A resistência da alvenaria e as tensões de cálculo são referidas à área bruta, como registra a Anicer: na avaliação do fbk, considera-se a área bruta da seção do bloco. Calcular na área bruta também dispensa medir a área de cada vazado em cada bloco, o que reduz a dispersão entre laboratórios. A consequência prática aparece no esquema da área: dois blocos da mesma argila, um com mais vazados, dão fb diferentes, porque o mais vazado tem menos material sob a mesma área bruta. A classe mede o componente, não a cerâmica. Comparar com a classe um fb calculado na área líquida faz um bloco de 6 MPa parecer um de 13 MPa.

Por que o bloco é rompido saturado?

Porque a cerâmica úmida resiste menos que a seca, e o bloco na parede passa a vida exposto à umidade. Romper seco daria um número otimista, que a parede não teria num dia de chuva. Saturar também padroniza a condição: um bloco que acabou de sair do forno e outro que ficou semanas no pátio chegam ao ensaio no mesmo estado. O texto de 2005 pedia imersão de pelo menos 6 h depois do endurecimento do capeamento; a duração na edição de 2023 deve ser conferida na norma.

Por que a média dos 13 blocos não basta para classificar um lote estrutural?

Porque a parede rompe pelo bloco fraco, não pelo médio. A média diz onde está o centro da distribuição, e o fbk diz onde está a cauda inferior. O estimador da série 15270 só usa a metade mais fraca da amostra, e dois lotes com a mesma média podem ter fbk muito diferentes: o mais disperso tem a cauda mais baixa. É por isso que o lote do exercício 2, com média de 6,64 MPa, não atinge 6 MPa de fbk. O coeficiente ψ é o piso: com poucos blocos, o estimador pode cair abaixo do que o menor resultado justifica, e a norma limita a queda a ψ vezes esse menor valor.

O que muda com a exigência de capeamento de 2023?

Antes, bastava uma pasta ou argamassa mais resistente que o bloco na área bruta. Como o bloco tem muitos vazados, a tensão real nas paredes, que é a da área líquida, é bem maior que a da área bruta: no esquema deste guia, 2,2 vezes. Uma pasta que só supera a resistência na área bruta pode esmagar sob as paredes do bloco antes de o bloco romper, e o ensaio mede o capeamento. A edição de 2023 fecha essa brecha de dois modos: ou uma receita fixa, CP V ARI com a/c ≤ 0,5, que dá uma pasta de resistência alta e conhecida, ou um material com pelo menos 80 % da resistência nominal do bloco na área líquida, com a resistência comprovada.

De onde vem o número 193,55 cm²?

São 30 polegadas quadradas: 30 × 6,4516 cm² = 193,55 cm². O índice nasceu na prática norte-americana de medir a sucção de tijolos, em que a unidade é a massa de água absorvida por 30 pol² de face em um minuto. Normalizar pela área permite comparar blocos de tamanhos diferentes: o que importa para a argamassa é quanta água cada centímetro quadrado de face retira, não o total do bloco.

A resistência do bloco é a resistência da parede?

Não. O fbk da NBR 15270 é a resistência do componente isolado; a parede é bloco mais argamassa, e a junta de argamassa, mais deformável que a cerâmica, faz a alvenaria resistir menos que o bloco. Por isso o projeto de alvenaria estrutural, pela ABNT NBR 16868-1, trabalha com a resistência de prismas, pequenas paredes ou paredes, ensaiados pela ABNT NBR 16868-3:2020, a norma de métodos de ensaio de elementos de alvenaria de blocos cerâmicos e de concreto à compressão axial, cisalhamento, flexão e flexocompressão. O ensaio do bloco pela NBR 15270-2 vem antes: ele qualifica o componente que vai formar o prisma.

Bloco cerâmico e bloco de concreto seguem a mesma norma?

Não. O bloco vazado de concreto tem norma própria, a ABNT NBR 6136, publicada em 2026 em duas partes: a 6136-1, de requisitos, e a 6136-2, de métodos de ensaio, que substituiu a NBR 12118. A história e a situação dessas normas estão no guia da NBR 5739. Os dois ensaios se parecem, com bloco inteiro, faces regularizadas e resistência na área bruta, mas os números de preparo, taxa e aceitação são de cada norma e não se trocam.

Exercícios resolvidos

Os exercícios usam dados ilustrativos. Onde entra um parâmetro de procedimento não confirmado na edição de 2023, a edição de origem está indicada.

1. Força, taxa e capacidade da prensa. Um laboratório vai romper blocos estruturais de 14 × 19 × 29 cm, carregados na face de 140 × 290 mm.

  • Área bruta: Ab = 140 × 290 = 40.600 mm².
  • Para 3 MPa: F = 3 × 40.600 = 121.800 N = 121,8 kN. Para 6 MPa: F = 6 × 40.600 = 243,6 kN.
  • Com pratos de 300 kN, o maior fb mensurável é 300.000 / 40.600 = 7,39 MPa. Um bloco de 8 MPa já exige 324,8 kN, e um de 10 MPa, 406,0 kN.
  • Taxa de 0,05 MPa/s (texto de 2005): 0,05 × 40.600 = 2.030 N/s = 2,03 kN/s, com a faixa de 0,04 a 0,06 MPa/s indo de 1,62 a 2,44 kN/s. Um bloco de 6 MPa rompe em 6 / 0,05 = 120 s.

Conclusão: pratos de 300 kN atendem esse bloco até cerca de 7 MPa, com folga para classes de 4 e 6 MPa. Blocos das classes de 8 MPa em diante pedem uma máquina de capacidade maior. A boa prática é que a ruptura esperada fique dentro da faixa em que a máquina foi verificada, e não colada no fundo de escala.

2. fbk de um lote de 13 blocos. Resultados em ordem crescente, em MPa: 5,6; 5,9; 6,1; 6,2; 6,4; 6,5; 6,6; 6,8; 6,9; 7,0; 7,2; 7,4; 7,7. Estimador do texto de 2005:

  • n = 13, ímpar, então i = (13 − 1) / 2 = 6.
  • Soma dos i − 1 = 5 menores: 5,6 + 5,9 + 6,1 + 6,2 + 6,4 = 30,2 MPa; média 30,2 / 5 = 6,04 MPa.
  • fbk,est = 2 × 6,04 − fb(6) = 12,08 − 6,5 = 5,58 MPa.
  • Média: fbm = 86,3 / 13 = 6,64 MPa. Como 5,58 < 6,64, a média não é adotada.
  • Piso: ψ × fb(1) = 0,99 × 5,6 = 5,54 MPa. Como 5,58 ≥ 5,54, adota-se fbk = 5,58 MPa.

O lote não atinge 6 MPa de resistência característica, apesar da média de 6,64 MPa e de 11 dos 13 blocos passarem de 6 MPa. Atinge o mínimo de 4 MPa que a edição de 2023 fixou para a alvenaria racionalizada.

3. AAI de um bloco de vazados verticais. O bloco do esquema da área tem face de 140 × 290 mm, área bruta de 406 cm² e área líquida de 181 cm². No ensaio, ganhou 52 g de água em 1 min.

  • Com a área líquida, que é a correta para vazados verticais: AAI = 52 × 193,55 / 181 = 10.064,6 / 181 = 55,6 (g/193,55 cm²)/min.
  • Com a área bruta, por engano: AAI = 10.064,6 / 406 = 24,8 (g/193,55 cm²)/min.

Pela referência informativa de 2005, de 30 (g/193,55 cm²)/min, o valor correto manda umedecer os blocos antes do assentamento, e o valor errado diria que não é preciso. O erro de área inverte a decisão de obra.

4. Absorção de água. Massa seca em estufa: ms = 6.250 g. Massa saturada: mu = 7.125 g. AA = (7.125 − 6.250) / 6.250 × 100 = 875 / 6.250 × 100 = 14,0 %. O resultado se compara com a faixa da classe na Parte 1 vigente.

5. Bloco de vedação de furos horizontais. Bloco de 9 × 19 × 29 cm, assentado com os furos na horizontal. A face de assentamento é a de largura × comprimento: Ab = 90 × 290 = 26.100 mm². Para o mínimo de 1,5 MPa que a edição de 2005 fixava a esse bloco, F = 1,5 × 26.100 = 39.150 N = 39,2 kN por bloco. Como o critério de vedação é individual, cada um dos 13 blocos é comparado com o mínimo, e o lote depende de quantos ficam abaixo dele.

Erros comuns na aplicação da NBR 15270-2

Os erros na aplicação da NBR 15270-2 vêm, quase todos, de três fontes: norma cancelada ou edição errada, área de cálculo errada e critério de aceitação errado. A lista reúne os que aparecem em laudos, procedimentos internos e conversas de compra:

  1. Usar a NBR 6461 ou a NBR 7171. As duas foram canceladas em agosto de 2005 e ainda aparecem no topo das buscas por "ensaio de compressão de bloco cerâmico".
  2. Ler a NBR 15270-2:2005 como norma de ensaio. Em 2005, a Parte 2 era a de requisitos do bloco estrutural; os métodos estavam na Parte 3, cancelada em 2017.
  3. Procurar a resistência mínima na Parte 2. Os requisitos e as classes estão na Parte 1.
  4. Citar a edição de 2017 como vigente. As duas partes de 2023 substituíram as de 2017.
  5. Calcular o fb na área líquida. A classe é comparada com a área bruta; na líquida, o bloco parece duas vezes mais forte.
  6. Romper o bloco seco. A cerâmica seca resiste mais, e o resultado fica acima do que a parede terá.
  7. Capear com pasta qualquer. Em 2023 a pasta é de CP V ARI com a/c ≤ 0,5, ou um material com resistência comprovada de pelo menos 80 % da nominal do bloco na área líquida. Capeamento espesso, mole ou fora de esquadro concentra tensão e rompe o bloco antes da hora.
  8. Carregar o bloco na direção errada. A carga vai na face de assentamento, na direção em que o bloco trabalha na parede.
  9. Classificar o lote estrutural pela média. O critério é o fbk; o de vedação é o número de blocos individuais abaixo do mínimo.
  10. Calcular o AAI de bloco de vazados verticais com a área bruta. Os vazados não absorvem água, e o índice sai subestimado.
  11. Usar faixas de absorção e mínimos de 2005 como se valessem hoje. O mínimo estrutural, por exemplo, subiu para 4 MPa.
  12. Tomar o fbk do bloco como resistência da parede. A alvenaria resiste menos que o bloco; a resistência de projeto vem do prisma, ensaiado pela NBR 16868-3.
  13. Escolher a prensa pela média do bloco. A capacidade tem de cobrir os blocos mais fortes do lote, com folga.
  14. Usar cópia da norma baixada de site de compartilhamento. Muitas são de edições antigas, e nenhuma dá direito de uso. A referência de um laboratório é a norma comprada no catálogo da ABNT.

Equipamento para o ensaio de blocos cerâmicos

O ensaio de compressão de blocos pede uma máquina que aplique compressão com taxa controlada, registre a força máxima e tenha pratos, ou placas de aço, que cubram a face inteira do bloco. A prensa elétrica e hidráulica da Biopdi é dedicada à compressão e atende a rotina de rompimento. A máquina universal de ensaios de coluna dupla faz o mesmo ensaio com os pratos de compressão de 300 kN, como a máquina de 300 kN, e serve a outros ensaios na mesma estrutura.

A capacidade segue o exercício 1: no bloco de 14 × 29 cm, os pratos de 300 kN cobrem até cerca de 7,4 MPa na área bruta, o que inclui as classes de 4 e 6 MPa. Blocos das classes mais altas pedem as capacidades maiores da linha M2, a máquina de 600 kN ou a de 1.000 kN, com o dispositivo de compressão definido no orçamento. A célula de carga da linha M2 é classe 1 pela ABNT NBR ISO 7500-1:2023, e o software BioLab converte a taxa em MPa/s para kN/s a partir da área bruta, registra a força máxima, calcula o fb e emite o relatório. O painel abaixo mostra a máquina, o papel de cada parte nesse ensaio e o acessório usado.

A máquina universal no ensaio de compressão

A linha M2 de coluna dupla vai de 5 kN a 1.000 kN. No ensaio de blocos e tijolos cerâmicos pela NBR 15270-2, cada parte da máquina tem uma função:

Máquinas universais de ensaios M2 da Biopdi de coluna simples (MBIOI-10-M2, 10 kN) e coluna dupla (MBIOII-50-M2, 50 kN)
  1. Travessa móvel aplica a carga na taxa da norma, sem choques
  2. Célula de carga mede a força, classe 1
  3. Pratos de compressão bloco capeado na face de assentamento
  4. Software BioLab taxa em kN/s, fb na área bruta e relatório
  5. Painel e emergência posiciona e para o ensaio

Dispositivos para o ensaio de compressão

O dispositivo abaixo é montado na mesma máquina, no lugar das garras:

Pratos de compressão Biopdi
Pratos de compressão1, 50 e 300 kNEntra no lugar das garras, na mesma máquina universal.

Para comparar os modelos, veja o guia da máquina universal de ensaio; a configuração para cada norma é definida no orçamento.

Normas citadas: edição e situação

As normas deste guia são as da série NBR 15270, as que ela substituiu e as que a cercam no projeto e no ensaio da alvenaria. A tabela traz a edição e a situação de cada uma: as NBR 15270-1, 15270-2, 16868-1 e 16868-3 foram conferidas em 01/10/2026 no catálogo da Target; as demais ABNT, em 30/09/2026 no mesmo catálogo, e a ASTM, em 30/09/2026 na página oficial da ASTM. A norma norte-americana de tijolos e blocos de argila, a ASTM C67/C67M, é citada só como referência: os métodos e os critérios não são intercambiáveis com os da NBR 15270.

NormaAssuntoEdição e situação
ABNT NBR 15270-2blocos e tijolos cerâmicos, métodos de ensaio12/2023, vigente (31 p.); substitui 2017
ABNT NBR 15270-1blocos e tijolos cerâmicos, requisitos12/2023, vigente (28 p.); substitui 2017
ABNT NBR 15270-3métodos de ensaio (série de 2005)2005, cancelada em 11/2017
ABNT NBR 6461compressão de bloco cerâmicocancelada em 08/2005
ABNT NBR 7171bloco cerâmico para alvenariacancelada em 08/2005
ABNT NBR 16868-1alvenaria estrutural, projeto08/2020, confirmada em 01/2025, vigente
ABNT NBR 16868-3alvenaria estrutural, métodos de ensaio (prisma, pequena parede, parede)08/2020, confirmada em 01/2025, vigente
ABNT NBR 6136-1 e 6136-2blocos vazados de concreto2026, vigentes
ABNT NBR ISO 7500-1verificação e classe da máquina2023, vigente
ASTM C67/C67Mamostragem e ensaio de tijolos e blocos de argila (EUA)C67/C67M-26, ativa

Outros ensaios e referências técnicas

Referências técnicas relacionadas

Perguntas frequentes

Qual é a norma ABNT para tijolos e blocos cerâmicos?

É a ABNT NBR 15270, em duas partes publicadas em dezembro de 2023 e vigentes: a 15270-1, de requisitos, e a 15270-2, de métodos de ensaio. Elas valem para blocos e tijolos cerâmicos com e sem função estrutural e substituíram as edições de 2017.

Qual é a norma para alvenaria de vedação com bloco cerâmico?

Para o componente, a NBR 15270-1:2023 define a classe VED, sem função estrutural, e a NBR 15270-2:2023 define os ensaios. Para bloco de concreto, a norma é a NBR 6136, de 2026.

Qual a resistência mínima de um bloco ou tijolo cerâmico?

Depende da classe, definida na Parte 1:2023. Segundo a Anicer, a edição de 2023 fixou 4 MPa como mínimo para blocos de alvenaria racionalizada. Como referência histórica, a edição de 2005 pedia 1,5 MPa ao bloco de vedação de furos horizontais. Em todos os casos, a resistência é calculada na área bruta.

Qual a resistência de um tijolo cerâmico?

Depende da classe em que o tijolo é vendido, definida na NBR 15270-1:2023, e de ele ter ou não função estrutural. Para uso estrutural, a resistência característica mínima é de 4 MPa desde 2023, segundo a Anicer, e o mercado oferece produtos de 4 MPa até acima de 20 MPa; o valor é sempre calculado na área bruta, medido pela NBR 15270-2.

Qual a diferença entre bloco e tijolo cerâmico?

O bloco tem furos ou vazados que ocupam boa parte da seção, e o tijolo é maciço ou tem poucos furos. Pelo critério do material didático da UFRGS, a peça com área líquida de 75 % ou mais da área bruta é tratada como maciça. Os dois são ensaiados pela NBR 15270-2.

Como é feito o ensaio de compressão do bloco cerâmico?

O bloco é medido, tem as duas faces de trabalho regularizadas por capeamento, é saturado em água e comprimido na face de assentamento, na direção em que trabalha na parede, com a tensão crescendo de forma lenta e sem choques até a ruptura. A resistência é a força máxima dividida pela área bruta.

Por que a resistência do bloco é calculada na área bruta?

Porque o projeto da alvenaria usa a resistência referida à seção inteira, e assim não é preciso medir os vazados de cada bloco. Um bloco com mais vazados tem fb menor na área bruta, mesmo com a mesma cerâmica.

Quantos blocos são ensaiados à compressão?

Nas edições de 2005 e de 2017, 13 blocos na amostra de geometria e compressão e 6 na de absorção de água. A amostragem fica na Parte 1, e o número da edição de 2023 deve ser conferido nela.

Como se preparam as faces do bloco para o ensaio?

Por capeamento, que regulariza as faces de trabalho. Desde 2023, a pasta é de cimento CP V ARI com relação água/cimento de no máximo 0,5, ou de pasta ou argamassa com pelo menos 80 % da resistência nominal do bloco na área líquida, com a resistência comprovada.

O bloco cerâmico é rompido seco ou saturado?

Saturado. No texto de 2005, depois de o capeamento endurecer, o bloco ficava imerso em água por no mínimo 6 h e era rompido em seguida, porque a cerâmica úmida resiste menos e a parede passa a vida exposta à umidade. A duração na edição de 2023 deve ser conferida na norma.

Pode capear o bloco cerâmico com enxofre?

Não há base para isso na edição de 2023. Segundo a Anicer, ela prevê pasta de cimento CP V ARI com a/c ≤ 0,5 ou pasta ou argamassa com resistência comprovada de pelo menos 80 % da nominal do bloco na área líquida; o enxofre não aparece entre as opções.

O que mudou na NBR 15270 em 2023?

Segundo a Anicer: mínimo de 4 MPa para alvenaria racionalizada, inclusão do bloco de fixação superior (BFS) e do bloco ranhurado, capeamento com CP V ARI, AAI normativo e semestral, eflorescência em dez ciclos, nova forma de medir paredes e septos, tolerâncias com uma casa decimal e lote de até 40.000 peças para EST100 ou acima e para o BFS.

O que é o índice de absorção inicial (AAI)?

É a massa de água que a face de assentamento do bloco absorve em 1 min, normalizada para 193,55 cm² (30 pol²). Indica se o bloco deve ser molhado antes do assentamento. Desde 2023 é ensaio normativo, repetido ao menos a cada seis meses, e o fabricante tem de informar o valor.

A NBR 6461 ainda é válida?

Não. Foi cancelada em agosto de 2005 e substituída pela NBR 15270-3, que por sua vez foi cancelada em 2017, quando os métodos passaram para a NBR 15270-2.

Qual prensa é preciso para romper blocos cerâmicos?

Calcule F = fb × L × C. Um bloco de 14 × 29 cm a 6 MPa exige 243,6 kN, e a 8 MPa, 324,8 kN. Pratos de 300 kN cobrem esse bloco até cerca de 7,4 MPa; classes mais altas pedem máquina de 600 kN ou mais.

O que a norma ABNT NBR 16868-3 estabelece?

A NBR 16868-3:2020 estabelece os métodos de ensaio de elementos de alvenaria estrutural de blocos e tijolos cerâmicos e de concreto: prisma, pequena parede e parede, sob compressão axial, cisalhamento, flexão e flexocompressão. Ela mede a alvenaria; o bloco isolado é ensaiado pela NBR 15270-2.

Qual o MPa do bloco de concreto?

Depende da classe definida na ABNT NBR 6136-1:2026, a norma dos blocos vazados de concreto, e não da NBR 15270. A norma divide os blocos em classes de resistência característica (fbk) conforme o uso, estrutural ou de vedação, e os mínimos de cada classe devem ser lidos na edição vigente; os métodos de ensaio estão na NBR 6136-2:2026, tratada no guia da NBR 5739.

O bloco cerâmico vendido no Brasil costuma atender à norma?

Nem sempre. Em Itabira (MG), Santos e colaboradores (2023, Research, Society and Development) avaliaram blocos de seis marcas pela edição de 2017, e nenhuma atendeu a todos os requisitos. Por isso o controle de recebimento, com ensaio de uma amostra do lote, faz parte da boa prática de obra.