A ABNT NBR 15270-2:2023, vigente, é a norma brasileira dos métodos de ensaio de blocos e tijolos cerâmicos para alvenaria: nela, a resistência à compressão é a força máxima dividida pela área bruta da face de assentamento, fb = F / Ab, e um bloco de 14 × 29 cm que rompe com 243,6 kN tem 6,0 MPa. Ela também cobre a medição da geometria, a massa seca, a absorção de água e o índice de absorção inicial (AAI). Quanto o bloco precisa atingir não está nela: os requisitos e as classes ficam na Parte 1, a ABNT NBR 15270-1:2023.
Este guia explica, com as nossas palavras, o que a Parte 2 mede, como o ensaio de compressão é preparado e executado, como sai a resistência característica de um lote e quanta força a prensa precisa ter. A edição vigente das duas partes foi conferida em 01/10/2026 no catálogo da Target, revendedora da ABNT. O texto integral da edição de 2023 é vendido pela ABNT e não foi reproduzido aqui: o que mudou em 2023 vem do resumo publicado pela Revista da Anicer, a associação nacional da indústria cerâmica, e os parâmetros de procedimento que não foram confirmados na edição de 2023 aparecem com a edição de onde vieram. Para aplicar a norma num laboratório, é preciso a norma comprada.
Qual é a edição vigente da NBR 15270-2
A edição vigente da ABNT NBR 15270-2, Componentes cerâmicos: Blocos e tijolos para alvenaria, Parte 2: Métodos de ensaios, é a de dezembro de 2023, com 31 páginas: no catálogo da Target, conferido em 01/10/2026, ela aparece com data de 12/2023 e situação vigente. A Parte 1, de requisitos, saiu na mesma data, com 28 páginas, também vigente. Segundo a Revista da Anicer, as duas foram publicadas pela ABNT em 14 de dezembro de 2023, estavam em revisão desde 2021 e cancelaram automaticamente as edições de 2017.
A numeração das partes tem uma armadilha. Na primeira edição da série, de agosto de 2005, a Parte 1 tratava do bloco de vedação, a Parte 2 do bloco estrutural (terminologia e requisitos) e a Parte 3 reunia os métodos de ensaio. Na edição de novembro de 2017, a Parte 1 passou a reunir todos os requisitos, a Parte 2 passou a ser a de métodos de ensaio e a Parte 3 foi cancelada. Quem lê "NBR 15270-2" num trabalho anterior a 2017 está lendo requisitos de bloco estrutural, não o método de ensaio.
Antes da série 15270, o bloco cerâmico tinha duas normas que ainda aparecem nas buscas: a NBR 7171, de requisitos, e a NBR 6461, de verificação da resistência à compressão. As duas foram canceladas em agosto de 2005, substituídas pela série 15270. A linha do tempo abaixo resume a sequência e lista as mudanças de 2023 que a Anicer destacou; elas são explicadas nas seções seguintes, cada uma no ponto do ensaio em que entra:

Parte 1 e Parte 2: o que cada uma diz
Na série NBR 15270, a Parte 2 diz como medir, e a Parte 1 diz quanto o bloco precisa atingir e como o lote é aceito ou rejeitado. A confusão mais comum com essa norma é procurar na Parte 2 a resistência mínima do bloco. Um laudo de bloco cerâmico, portanto, cita as duas: a Parte 2 para o método, a Parte 1 para o critério.
As duas partes tratam de dois componentes, o bloco e o tijolo. O bloco cerâmico tem furos ou vazados que ocupam boa parte da seção; o tijolo é maciço ou tem poucos furos. Pelo critério usado no material didático de alvenaria estrutural da UFRGS, a peça com área líquida de 75 % ou mais da área bruta é tratada como maciça; nos blocos estruturais comuns, essa relação fica perto de 50 %. Os ensaios da Parte 2 são os mesmos para os dois, e a diferença aparece na classe e no critério de aceitação.
Na Parte 1, os componentes são vendidos por classe, conforme o uso. A edição de 2023 trabalha com três grupos:
- VED, componentes sem função estrutural, usados em alvenaria de vedação, que fecha os vãos de uma estrutura de concreto e carrega só o próprio peso e as ações de uso;
- EST, componentes estruturais e de alvenaria racionalizada (a construída a partir de um projeto específico de produção, com coordenação modular e compatibilização com as instalações);
- BFS, o bloco de fixação superior, novo em 2023: assentado com os vazados na horizontal, na última fiada da parede, logo abaixo da viga ou da laje.
O número depois da sigla é a resistência mínima em kgf/cm², com a aproximação de 1 kgf/cm² ≈ 0,1 MPa: EST100 é a classe de 10 MPa. Pelo resumo da Anicer, a edição de 2023 elevou para 4 MPa a resistência mínima dos blocos para alvenaria racionalizada e passou a exigir ranhuras nas paredes internas dos blocos EST de paredes maciças com fbk de 10 MPa ou mais, conforme a ABNT NBR 16868-1, a norma de projeto de alvenaria estrutural.
Os outros valores da tabela de classes da Parte 1:2023, e as faixas de absorção de água de cada classe, não foram confirmados em fonte confiável e não são reproduzidos aqui. Como referência histórica, a edição de 2005 exigia fb ≥ 1,5 MPa do bloco de vedação usado com furos na horizontal, 3,0 MPa com furos na vertical, fbk ≥ 3,0 MPa do bloco estrutural e absorção de água entre 8 % e 22 %. Esses números não são os requisitos vigentes: o mínimo estrutural, por exemplo, já não é 3 MPa. Na edição de 2017, segundo artigo da Revista da Anicer, os mínimos eram de 1,5 MPa para o bloco de vedação e de 3,0 MPa para o de vedação racionalizada, e o fbk estrutural partia de 4,0 MPa; é dessa edição o "3,0 MPa para vedação racionalizada" que ainda aparece em respostas automáticas de buscadores. No mercado, a mesma revista registra blocos estruturais qualificados de 4 MPa até acima de 20 MPa, o que permite edifícios de até 20 pavimentos.
Há ainda uma diferença de critério entre as classes que a Parte 1 mantém: no bloco de vedação, a característica mecânica é a resistência individual fb de cada bloco, julgada pelo número de blocos fora do mínimo; no bloco estrutural, é a resistência característica fbk do lote, calculada estatisticamente. As duas aparecem nas seções de cálculo, mais adiante. O lugar desses ensaios no conjunto dos ensaios de materiais está no guia de ensaio de materiais.
O que a NBR 15270-2 ensaia
A NBR 15270-2 ensaia três grupos de características do bloco ou tijolo cerâmico: as geométricas, as físicas e a mecânica, que é a resistência à compressão. Todas são medidas sobre o próprio bloco, inteiro, e não sobre um corpo de prova moldado ou usinado. É uma diferença em relação ao concreto: lá se ensaia um cilindro que representa o material; aqui se ensaia a peça que vai para a parede, com seus furos, paredes e septos.
- Características geométricas. Dimensões efetivas de largura (L), altura (H) e comprimento (C), espessura das paredes externas e dos septos (as paredes internas que separam os vazados), desvio em relação ao esquadro, planeza das faces (a flecha) e áreas bruta e líquida. Em 2023, a soma mínima de paredes e septos passou a ser medida ao longo de uma linha reta horizontal, perpendicular às faces da seção, buscando-se a linha de menor soma. Como referência histórica, o texto de 2005 admitia, segundo o material da UFRGS, ± 5 mm de tolerância individual e ± 3 mm na média para L, H e C, e 3 mm para o desvio de esquadro e a flecha; em 2023, segundo a Anicer, as tolerâncias passaram a ser expressas com uma casa decimal.
- Características físicas. Massa seca, índice de absorção de água (AA) e índice de absorção inicial (AAI), que mede a sucção da face de assentamento no primeiro minuto de contato com a água. Em 2023 o AAI passou a ser normativo.
- Característica mecânica. Resistência à compressão dos componentes com e sem função estrutural.
Na edição de 2023, cada grupo ocupa um anexo da norma, e é assim que os laboratórios acreditados pelo Inmetro na ABNT NBR ISO/IEC 17025 os listam no escopo de acreditação: o escopo do laboratório CRL 1739, emitido em 06/02/2026, cita a NBR 15270-2:2023 Anexo A para as características geométricas, Anexo B para as físicas e Anexo C para a resistência à compressão. A tabela resume o que cada anexo entrega:
| Anexo (2023) | Ensaio | Resultado | Unidade |
|---|---|---|---|
| A | características geométricas | L, H, C, paredes, septos, esquadro, flecha, áreas bruta e líquida | mm e mm² |
| B | características físicas | massa seca, índice de absorção de água (AA) e AAI | g, % e (g/193,55 cm²)/min |
| C | resistência à compressão | fb = Fmáx / Ab | MPa |
A eflorescência, a mancha esbranquiçada de sais solúveis que migram para a superfície, também tem método, informativo. Em 2023 ele mudou: em vez de avaliar o bloco depois de 7 dias parcialmente imerso, passou a submetê-lo a dez ciclos consecutivos de 24 h de imersão parcial e 24 h de secagem em estufa.
A ordem dos ensaios importa porque a compressão destrói o bloco. A geometria e as massas vêm antes, e a compressão fecha a sequência. O ensaio de compressão em geral, com a curva tensão-deformação e a diferença entre materiais dúcteis e frágeis, está no guia do ensaio de compressão; aqui o foco é o que a norma do bloco cerâmico exige. Por destruir a peça, ele é um ensaio destrutivo, e por isso feito por amostragem.
Amostra: quantos blocos são ensaiados
A amostra de bloco cerâmico é o conjunto de blocos retirados de um lote para representá-lo nos ensaios, e o seu tamanho é definido na Parte 1; o número da edição de 2023 não foi confirmado em fonte aberta. Nas edições de 2005 e de 2017, a amostra para geometria e compressão tinha 13 blocos, e a de absorção de água, 6 blocos, retirados do lote antes de qualquer ensaio. Para o bloco de vedação, o texto de 2005 aceitava o lote com até 2 blocos abaixo do mínimo de resistência entre os 13 e o rejeitava com 3 ou mais; na absorção, aceitava até 1 bloco fora da faixa entre os 6.
Uma mudança de 2023 toca o lote. Segundo a Anicer, para blocos e tijolos EST100 ou acima e para o BFS, o lote de fabricação passou a ter no máximo 40.000 peças. Um lote menor quer dizer mais ensaios por milheiro produzido, e mais controle sobre as classes de resistência alta, em que um bloco fraco pesa mais na parede.
O mesmo ensaio serve a dois controles distintos. O controle de produção é feito pela olaria, que ensaia o que fabrica; o controle de recepção é feito por um laboratório contratado pela construtora, sobre a amostra do lote entregue. Em artigo na Revista da Anicer, Emil Sanchez, professor aposentado da UFF, classifica como inadmissível uma obra de alvenaria estrutural sem o controle de recepção da resistência à compressão dos blocos.
Preparo das faces: capeamento e regularização
O capeamento do bloco cerâmico é a camada fina de pasta ou argamassa que deixa planas e paralelas as duas faces que recebem a carga, chamadas faces de trabalho. Elas saem da queima com ondulações, rebarbas e falta de paralelismo. Se o bloco fosse posto direto entre pratos de aço, a força entraria pelos pontos altos, e as paredes do bloco romperiam por concentração de tensão antes de o material inteiro ser solicitado. Por isso as faces são regularizadas antes do ensaio.
Esse foi um dos pontos alterados em 2023. Segundo a Anicer, o capeamento passou a ser feito com pasta de cimento CP V ARI com relação água/cimento de no máximo 0,5, ou com pasta ou argamassa que atinja pelo menos 80 % da resistência nominal do bloco calculada na área líquida, com essa resistência comprovada. O CP V ARI é o cimento de alta resistência inicial: endurece depressa, e a pasta fica pronta para o ensaio em pouco tempo. A relação água/cimento baixa dá uma pasta resistente e pouco deformável.
O texto de 2005 pedia uma camada que deixasse a face plana e uniforme, sem remendos, com espessura máxima de 3 mm, feita com pasta ou argamassa mais resistente que o bloco na área bruta. Também admitia a retífica das faces como alternativa, dispensando o capeamento. Se a edição de 2023 mantém a espessura máxima e a retífica, só a norma comprada confirma. O enxofre, citado em respostas automáticas de buscadores como material de capeamento de bloco, não aparece nas opções que a Anicer descreve para 2023.
Na foto, um bloco cerâmico com as duas faces de trabalho capeadas, entre os pratos da prensa: o capeamento regulariza as faces para que a força se distribua por todo o bloco, e não só pelos pontos altos.

Execução do ensaio de compressão
O ensaio de compressão do bloco cerâmico rompe o bloco capeado e saturado numa prensa, aplicando força crescente na face de assentamento até a ruptura. Com as faces regularizadas, a sequência do texto de 2005, que é a referência histórica do método, tem quatro passos. Os números de tempo e de taxa abaixo são dessa edição; a de 2023 precisa ser conferida para cada um.
- Saturação. Depois de o capeamento endurecer, o bloco fica imerso em água por no mínimo 6 h e é rompido saturado. Roteiros de laboratório que circulam na internet falam em 24 h de imersão, o que fica acima desse mínimo.
- Posição. A carga é aplicada na direção do esforço que o bloco suporta na parede: perpendicular ao comprimento e sobre a face de assentamento. Num bloco de vedação de furos horizontais, isso quer dizer o bloco deitado como fica na parede, com os furos paralelos aos pratos.
- Centralização. O centro de gravidade do bloco fica no eixo de carga dos pratos. Fora do eixo, a parede de um lado recebe mais força que a do outro, e o bloco rompe antes.
- Carregamento. A tensão, calculada sobre a área bruta, cresce de forma progressiva e sem choques. Em 2005 a taxa era de (0,05 ± 0,01) MPa/s.
A taxa é dada em tensão para valer em qualquer tamanho de bloco, mas a máquina controla força. A conversão é a mesma de qualquer ensaio de compressão: a taxa em N/s é a taxa em MPa/s multiplicada pela área bruta em mm². Num bloco de 140 × 290 mm, 0,05 MPa/s viram 2,03 kN/s, e um bloco de 6 MPa rompe em cerca de 120 s. A taxa é nove vezes menor que a do concreto pela NBR 5739, de 0,45 MPa/s: o bloco cerâmico rompe com tensões bem mais baixas, e a taxa lenta dá ao operador e ao software tempo de registrar o pico.
A máquina, em 2005, tinha de atender à norma de verificação de máquinas de ensaio, hoje a ABNT NBR ISO 7500-1:2023, e ler a carga com erro de até ± 2 % da carga de ruptura. Quando os pratos não cobrem o bloco inteiro, entra uma placa de aço rígida entre prato e bloco; o texto de 2005 pedia pelo menos 50 mm de espessura. Um bloco de 29 cm de comprimento não cabe num prato pequeno, e uma placa fina fletiria e carregaria as extremidades do bloco menos que o centro. A força é medida pela célula de carga da máquina.
Cálculo da resistência: fb na área bruta
A resistência individual à compressão é a força máxima dividida pela área bruta. A área bruta Ab é a da seção de assentamento delimitada pelas arestas do bloco, sem descontar os vazados: L × C. A área líquida Aliq é só a do material cerâmico, a área bruta menos a dos vazados. O texto de 2005 calculava o fb com a média das áreas brutas das duas faces de trabalho, em MPa, com aproximação de uma casa decimal:
fb = Fmáx / Ab, com Fmáx em newtons e Ab em mm², o que dá MPa.
A escolha da área muda o número mais do que qualquer outro detalhe do ensaio. O esquema abaixo usa um bloco de 140 × 290 mm com seis vazados, de geometria ilustrativa: a área bruta é de 40.600 mm², e a líquida, de 18.100 mm², 44,6 % da bruta. A mesma força de ruptura, 243,6 kN, dá 6,00 MPa na área bruta e 13,46 MPa na líquida. O primeiro é o número que se compara com a classe; o segundo é a tensão que de fato atuou na cerâmica.

Invertendo a fórmula, F = fb × Ab, sai a força que cada nível de resistência exige, que é o número que decide a capacidade da prensa. A tabela mostra o bloco de 14 × 19 × 29 cm, carregado na face de 140 × 290 mm:
| fb ou fbk | Força no bloco 14 × 29 cm |
|---|---|
| 3,0 MPa | 121,8 kN |
| 4,0 MPa | 162,4 kN |
| 6,0 MPa | 243,6 kN |
| 8,0 MPa | 324,8 kN |
| 10,0 MPa | 406,0 kN |
| 14,0 MPa | 568,4 kN |
Resistência característica fbk: como se avalia um lote estrutural
Para o bloco estrutural, um resultado isolado não basta: o projetista dimensiona a parede com a resistência característica, fbk, o valor que a grande maioria dos blocos do lote supera. Como 13 blocos são poucos para estimar uma distribuição, a série 15270 usa um estimador próprio, que olha para a metade mais fraca da amostra. O texto de 2005, cujo procedimento a Revista da Anicer descreveu em 2022, faz assim:
- ordenar os n resultados de fb em ordem crescente, fb(1) o menor;
- tomar i = n/2 se n é par, ou i = (n − 1)/2 se n é ímpar;
- calcular fbk,est = 2 × [fb(1) + fb(2) + … + fb(i−1)] / (i − 1) − fb(i);
- se fbk,est for maior ou igual à média fbm, adotar fbk = fbm;
- se fbk,est for menor que ψ × fb(1), adotar fbk = ψ × fb(1), com ψ dependente do número de blocos: 0,89 para 6, 0,96 para 10, 0,99 para 13, 1,00 para 14 e 1,04 para 18 ou mais;
- nos demais casos, adotar fbk = fbk,est.
O texto recomendava n ≥ 13, e o lote estrutural é aceito quando o fbk atinge o valor da classe. Se a edição de 2023 da Parte 1 manteve essa formulação, a norma comprada confirma; ela é a mesma família de estimador usada em outras normas brasileiras de produto, como a do vergalhão. O gráfico abaixo mostra um lote ilustrativo de 13 blocos, com os seis menores valores em laranja, que são os que entram na conta: a média é 6,64 MPa, mas o fbk é 5,58 MPa, abaixo de 6 MPa. A conta completa está no exercício 2.

Absorção de água e índice de absorção inicial (AAI)
Os dois ensaios físicos medem coisas diferentes. O índice de absorção de água (AA) mede quanta água o bloco retém quando saturado, em porcentagem da massa seca: um indicador da porosidade e, indiretamente, da queima. O índice de absorção inicial (AAI) mede a velocidade com que a face de assentamento suga água no primeiro minuto: um indicador do que o bloco vai fazer com a argamassa.
Absorção de água. No texto de 2005, o bloco era seco em estufa a (105 ± 5) °C até massa constante, pesado, saturado por imersão em água fervente durante 2 h ou em água à temperatura ambiente durante 24 h, e pesado de novo. O índice é:
AA = (mu − ms) / ms × 100, em %, com ms a massa seca e mu a massa úmida, saturada.
A faixa tem limite inferior e superior. Absorção alta indica bloco poroso, mal queimado, mais sujeito à umidade e à degradação. Absorção baixa demais também é ruim: a argamassa não ancora na superfície fechada. Em 2005 a faixa era de 8 % a 22 %; as faixas da edição de 2023 por classe não foram confirmadas em fonte confiável.
Índice de absorção inicial. O bloco seco é apoiado com a face de assentamento numa lâmina de água rasa, a cerca de 3 mm acima dos apoios no texto de 2005, durante 60 s; depois é enxugado e pesado. O AAI é a massa de água absorvida, normalizada para uma área de 193,55 cm²:
AAI = Δm × 193,55 / A, em (g/193,55 cm²)/min, com Δm em gramas e A a área da face em contato com a água, em cm².
No bloco de vazados verticais, a área A é a área líquida da face, porque só o material cerâmico toca a água: os vazados não absorvem nada. Usar a área bruta nesse caso divide a água por uma área maior que a real e subestima a sucção, como mostra o exercício 3.
O AAI decide se o bloco precisa ser molhado antes do assentamento. Um bloco muito sedento retira a água da argamassa logo depois do contato, a argamassa perde a água de que precisa para endurecer junto à face, e a aderência cai. O anexo informativo de 2005 recomendava umedecer os blocos quando o AAI passasse de 30 (g/193,55 cm²)/min. Em 2023 o ensaio passou a ser normativo: segundo a Anicer, o fabricante tem de informar o AAI do seu produto ao consumidor, em manual técnico, material comercial ou documento de entrega, repetir o ensaio ao menos a cada seis meses e refazê-lo quando mudar o processo, como a jazida, a formulação ou a queima. O critério numérico de 2023 não foi confirmado. Os ensaios da argamassa que vai receber esse bloco estão no guia da NBR 13279.
Como interpretar a norma
A norma diz o que fazer, sem dizer por quê. Os pontos abaixo são os que mais geram leitura errada no laboratório, na olaria e na obra, com a razão de cada um.
Por que a resistência é calculada na área bruta, e não na líquida?
Porque o número existe para o projeto da parede, e a parede é dimensionada pela seção inteira. A resistência da alvenaria e as tensões de cálculo são referidas à área bruta, como registra a Anicer: na avaliação do fbk, considera-se a área bruta da seção do bloco. Calcular na área bruta também dispensa medir a área de cada vazado em cada bloco, o que reduz a dispersão entre laboratórios. A consequência prática aparece no esquema da área: dois blocos da mesma argila, um com mais vazados, dão fb diferentes, porque o mais vazado tem menos material sob a mesma área bruta. A classe mede o componente, não a cerâmica. Comparar com a classe um fb calculado na área líquida faz um bloco de 6 MPa parecer um de 13 MPa.
Por que o bloco é rompido saturado?
Porque a cerâmica úmida resiste menos que a seca, e o bloco na parede passa a vida exposto à umidade. Romper seco daria um número otimista, que a parede não teria num dia de chuva. Saturar também padroniza a condição: um bloco que acabou de sair do forno e outro que ficou semanas no pátio chegam ao ensaio no mesmo estado. O texto de 2005 pedia imersão de pelo menos 6 h depois do endurecimento do capeamento; a duração na edição de 2023 deve ser conferida na norma.
Por que a média dos 13 blocos não basta para classificar um lote estrutural?
Porque a parede rompe pelo bloco fraco, não pelo médio. A média diz onde está o centro da distribuição, e o fbk diz onde está a cauda inferior. O estimador da série 15270 só usa a metade mais fraca da amostra, e dois lotes com a mesma média podem ter fbk muito diferentes: o mais disperso tem a cauda mais baixa. É por isso que o lote do exercício 2, com média de 6,64 MPa, não atinge 6 MPa de fbk. O coeficiente ψ é o piso: com poucos blocos, o estimador pode cair abaixo do que o menor resultado justifica, e a norma limita a queda a ψ vezes esse menor valor.
O que muda com a exigência de capeamento de 2023?
Antes, bastava uma pasta ou argamassa mais resistente que o bloco na área bruta. Como o bloco tem muitos vazados, a tensão real nas paredes, que é a da área líquida, é bem maior que a da área bruta: no esquema deste guia, 2,2 vezes. Uma pasta que só supera a resistência na área bruta pode esmagar sob as paredes do bloco antes de o bloco romper, e o ensaio mede o capeamento. A edição de 2023 fecha essa brecha de dois modos: ou uma receita fixa, CP V ARI com a/c ≤ 0,5, que dá uma pasta de resistência alta e conhecida, ou um material com pelo menos 80 % da resistência nominal do bloco na área líquida, com a resistência comprovada.
De onde vem o número 193,55 cm²?
São 30 polegadas quadradas: 30 × 6,4516 cm² = 193,55 cm². O índice nasceu na prática norte-americana de medir a sucção de tijolos, em que a unidade é a massa de água absorvida por 30 pol² de face em um minuto. Normalizar pela área permite comparar blocos de tamanhos diferentes: o que importa para a argamassa é quanta água cada centímetro quadrado de face retira, não o total do bloco.
A resistência do bloco é a resistência da parede?
Não. O fbk da NBR 15270 é a resistência do componente isolado; a parede é bloco mais argamassa, e a junta de argamassa, mais deformável que a cerâmica, faz a alvenaria resistir menos que o bloco. Por isso o projeto de alvenaria estrutural, pela ABNT NBR 16868-1, trabalha com a resistência de prismas, pequenas paredes ou paredes, ensaiados pela ABNT NBR 16868-3:2020, a norma de métodos de ensaio de elementos de alvenaria de blocos cerâmicos e de concreto à compressão axial, cisalhamento, flexão e flexocompressão. O ensaio do bloco pela NBR 15270-2 vem antes: ele qualifica o componente que vai formar o prisma.
Bloco cerâmico e bloco de concreto seguem a mesma norma?
Não. O bloco vazado de concreto tem norma própria, a ABNT NBR 6136, publicada em 2026 em duas partes: a 6136-1, de requisitos, e a 6136-2, de métodos de ensaio, que substituiu a NBR 12118. A história e a situação dessas normas estão no guia da NBR 5739. Os dois ensaios se parecem, com bloco inteiro, faces regularizadas e resistência na área bruta, mas os números de preparo, taxa e aceitação são de cada norma e não se trocam.
Exercícios resolvidos
Os exercícios usam dados ilustrativos. Onde entra um parâmetro de procedimento não confirmado na edição de 2023, a edição de origem está indicada.
1. Força, taxa e capacidade da prensa. Um laboratório vai romper blocos estruturais de 14 × 19 × 29 cm, carregados na face de 140 × 290 mm.
- Área bruta: Ab = 140 × 290 = 40.600 mm².
- Para 3 MPa: F = 3 × 40.600 = 121.800 N = 121,8 kN. Para 6 MPa: F = 6 × 40.600 = 243,6 kN.
- Com pratos de 300 kN, o maior fb mensurável é 300.000 / 40.600 = 7,39 MPa. Um bloco de 8 MPa já exige 324,8 kN, e um de 10 MPa, 406,0 kN.
- Taxa de 0,05 MPa/s (texto de 2005): 0,05 × 40.600 = 2.030 N/s = 2,03 kN/s, com a faixa de 0,04 a 0,06 MPa/s indo de 1,62 a 2,44 kN/s. Um bloco de 6 MPa rompe em 6 / 0,05 = 120 s.
Conclusão: pratos de 300 kN atendem esse bloco até cerca de 7 MPa, com folga para classes de 4 e 6 MPa. Blocos das classes de 8 MPa em diante pedem uma máquina de capacidade maior. A boa prática é que a ruptura esperada fique dentro da faixa em que a máquina foi verificada, e não colada no fundo de escala.
2. fbk de um lote de 13 blocos. Resultados em ordem crescente, em MPa: 5,6; 5,9; 6,1; 6,2; 6,4; 6,5; 6,6; 6,8; 6,9; 7,0; 7,2; 7,4; 7,7. Estimador do texto de 2005:
- n = 13, ímpar, então i = (13 − 1) / 2 = 6.
- Soma dos i − 1 = 5 menores: 5,6 + 5,9 + 6,1 + 6,2 + 6,4 = 30,2 MPa; média 30,2 / 5 = 6,04 MPa.
- fbk,est = 2 × 6,04 − fb(6) = 12,08 − 6,5 = 5,58 MPa.
- Média: fbm = 86,3 / 13 = 6,64 MPa. Como 5,58 < 6,64, a média não é adotada.
- Piso: ψ × fb(1) = 0,99 × 5,6 = 5,54 MPa. Como 5,58 ≥ 5,54, adota-se fbk = 5,58 MPa.
O lote não atinge 6 MPa de resistência característica, apesar da média de 6,64 MPa e de 11 dos 13 blocos passarem de 6 MPa. Atinge o mínimo de 4 MPa que a edição de 2023 fixou para a alvenaria racionalizada.
3. AAI de um bloco de vazados verticais. O bloco do esquema da área tem face de 140 × 290 mm, área bruta de 406 cm² e área líquida de 181 cm². No ensaio, ganhou 52 g de água em 1 min.
- Com a área líquida, que é a correta para vazados verticais: AAI = 52 × 193,55 / 181 = 10.064,6 / 181 = 55,6 (g/193,55 cm²)/min.
- Com a área bruta, por engano: AAI = 10.064,6 / 406 = 24,8 (g/193,55 cm²)/min.
Pela referência informativa de 2005, de 30 (g/193,55 cm²)/min, o valor correto manda umedecer os blocos antes do assentamento, e o valor errado diria que não é preciso. O erro de área inverte a decisão de obra.
4. Absorção de água. Massa seca em estufa: ms = 6.250 g. Massa saturada: mu = 7.125 g. AA = (7.125 − 6.250) / 6.250 × 100 = 875 / 6.250 × 100 = 14,0 %. O resultado se compara com a faixa da classe na Parte 1 vigente.
5. Bloco de vedação de furos horizontais. Bloco de 9 × 19 × 29 cm, assentado com os furos na horizontal. A face de assentamento é a de largura × comprimento: Ab = 90 × 290 = 26.100 mm². Para o mínimo de 1,5 MPa que a edição de 2005 fixava a esse bloco, F = 1,5 × 26.100 = 39.150 N = 39,2 kN por bloco. Como o critério de vedação é individual, cada um dos 13 blocos é comparado com o mínimo, e o lote depende de quantos ficam abaixo dele.
Erros comuns na aplicação da NBR 15270-2
Os erros na aplicação da NBR 15270-2 vêm, quase todos, de três fontes: norma cancelada ou edição errada, área de cálculo errada e critério de aceitação errado. A lista reúne os que aparecem em laudos, procedimentos internos e conversas de compra:
- Usar a NBR 6461 ou a NBR 7171. As duas foram canceladas em agosto de 2005 e ainda aparecem no topo das buscas por "ensaio de compressão de bloco cerâmico".
- Ler a NBR 15270-2:2005 como norma de ensaio. Em 2005, a Parte 2 era a de requisitos do bloco estrutural; os métodos estavam na Parte 3, cancelada em 2017.
- Procurar a resistência mínima na Parte 2. Os requisitos e as classes estão na Parte 1.
- Citar a edição de 2017 como vigente. As duas partes de 2023 substituíram as de 2017.
- Calcular o fb na área líquida. A classe é comparada com a área bruta; na líquida, o bloco parece duas vezes mais forte.
- Romper o bloco seco. A cerâmica seca resiste mais, e o resultado fica acima do que a parede terá.
- Capear com pasta qualquer. Em 2023 a pasta é de CP V ARI com a/c ≤ 0,5, ou um material com resistência comprovada de pelo menos 80 % da nominal do bloco na área líquida. Capeamento espesso, mole ou fora de esquadro concentra tensão e rompe o bloco antes da hora.
- Carregar o bloco na direção errada. A carga vai na face de assentamento, na direção em que o bloco trabalha na parede.
- Classificar o lote estrutural pela média. O critério é o fbk; o de vedação é o número de blocos individuais abaixo do mínimo.
- Calcular o AAI de bloco de vazados verticais com a área bruta. Os vazados não absorvem água, e o índice sai subestimado.
- Usar faixas de absorção e mínimos de 2005 como se valessem hoje. O mínimo estrutural, por exemplo, subiu para 4 MPa.
- Tomar o fbk do bloco como resistência da parede. A alvenaria resiste menos que o bloco; a resistência de projeto vem do prisma, ensaiado pela NBR 16868-3.
- Escolher a prensa pela média do bloco. A capacidade tem de cobrir os blocos mais fortes do lote, com folga.
- Usar cópia da norma baixada de site de compartilhamento. Muitas são de edições antigas, e nenhuma dá direito de uso. A referência de um laboratório é a norma comprada no catálogo da ABNT.
Equipamento para o ensaio de blocos cerâmicos
O ensaio de compressão de blocos pede uma máquina que aplique compressão com taxa controlada, registre a força máxima e tenha pratos, ou placas de aço, que cubram a face inteira do bloco. A prensa elétrica e hidráulica da Biopdi é dedicada à compressão e atende a rotina de rompimento. A máquina universal de ensaios de coluna dupla faz o mesmo ensaio com os pratos de compressão de 300 kN, como a máquina de 300 kN, e serve a outros ensaios na mesma estrutura.
A capacidade segue o exercício 1: no bloco de 14 × 29 cm, os pratos de 300 kN cobrem até cerca de 7,4 MPa na área bruta, o que inclui as classes de 4 e 6 MPa. Blocos das classes mais altas pedem as capacidades maiores da linha M2, a máquina de 600 kN ou a de 1.000 kN, com o dispositivo de compressão definido no orçamento. A célula de carga da linha M2 é classe 1 pela ABNT NBR ISO 7500-1:2023, e o software BioLab converte a taxa em MPa/s para kN/s a partir da área bruta, registra a força máxima, calcula o fb e emite o relatório. O painel abaixo mostra a máquina, o papel de cada parte nesse ensaio e o acessório usado.
A máquina universal no ensaio de compressão
A linha M2 de coluna dupla vai de 5 kN a 1.000 kN. No ensaio de blocos e tijolos cerâmicos pela NBR 15270-2, cada parte da máquina tem uma função:

- Travessa móvel aplica a carga na taxa da norma, sem choques
- Célula de carga mede a força, classe 1
- Pratos de compressão bloco capeado na face de assentamento
- Software BioLab taxa em kN/s, fb na área bruta e relatório
- Painel e emergência posiciona e para o ensaio
Dispositivos para o ensaio de compressão
O dispositivo abaixo é montado na mesma máquina, no lugar das garras:

Para comparar os modelos, veja o guia da máquina universal de ensaio; a configuração para cada norma é definida no orçamento.
Normas citadas: edição e situação
As normas deste guia são as da série NBR 15270, as que ela substituiu e as que a cercam no projeto e no ensaio da alvenaria. A tabela traz a edição e a situação de cada uma: as NBR 15270-1, 15270-2, 16868-1 e 16868-3 foram conferidas em 01/10/2026 no catálogo da Target; as demais ABNT, em 30/09/2026 no mesmo catálogo, e a ASTM, em 30/09/2026 na página oficial da ASTM. A norma norte-americana de tijolos e blocos de argila, a ASTM C67/C67M, é citada só como referência: os métodos e os critérios não são intercambiáveis com os da NBR 15270.
| Norma | Assunto | Edição e situação |
|---|---|---|
| ABNT NBR 15270-2 | blocos e tijolos cerâmicos, métodos de ensaio | 12/2023, vigente (31 p.); substitui 2017 |
| ABNT NBR 15270-1 | blocos e tijolos cerâmicos, requisitos | 12/2023, vigente (28 p.); substitui 2017 |
| ABNT NBR 15270-3 | métodos de ensaio (série de 2005) | 2005, cancelada em 11/2017 |
| ABNT NBR 6461 | compressão de bloco cerâmico | cancelada em 08/2005 |
| ABNT NBR 7171 | bloco cerâmico para alvenaria | cancelada em 08/2005 |
| ABNT NBR 16868-1 | alvenaria estrutural, projeto | 08/2020, confirmada em 01/2025, vigente |
| ABNT NBR 16868-3 | alvenaria estrutural, métodos de ensaio (prisma, pequena parede, parede) | 08/2020, confirmada em 01/2025, vigente |
| ABNT NBR 6136-1 e 6136-2 | blocos vazados de concreto | 2026, vigentes |
| ABNT NBR ISO 7500-1 | verificação e classe da máquina | 2023, vigente |
| ASTM C67/C67M | amostragem e ensaio de tijolos e blocos de argila (EUA) | C67/C67M-26, ativa |
Outros ensaios e referências técnicas
Ensaios realizados na máquina universal Biopdi
Referências técnicas relacionadas
ISO 898-1: classes de resistência de parafusos (8.8, 10.9, 12.9), carga de prova e ensaios
A ISO 898-1:2013 define as classes de resistência de parafusos de aço carbono e aço liga, de 4.6 a 12.9, e os ensaios que as comprovam. Veja o que significa cada número, a tabela resumida, a área resistente do M12 (84,3 mm²), as forças de ruptura e de prova em kN, os ensaios e a escolha da máquina.
NBR 13818: norma cancelada, o que a substituiu (NBR ISO 13006 e NBR ISO 10545) e o ensaio de flexão de placas cerâmicas
A ABNT NBR 13818:1997 foi cancelada em dezembro de 2020 e substituída pela ABNT NBR ISO 13006:2020 (especificação) e pela série ABNT NBR ISO 10545 (métodos de ensaio). Veja os grupos de absorção de água, a definição vigente de porcelanato, as 16 partes da NBR ISO 10545 e o ensaio de flexão da NBR ISO 10545-4 com exemplos resolvidos.
NBR 5739: ensaio de compressão de concreto, cálculo do fc e as normas NBR 7222, NBR 12142 e NBR 6136-2
A ABNT NBR 5739:2018, confirmada em 2023, é a norma do ensaio de compressão de corpos de prova cilíndricos de concreto: carga contínua a 0,45 ± 0,15 MPa/s até a ruptura e fc = 4F/(πD²), em MPa, com três algarismos significativos. Veja o que ela exige da máquina e do corpo de prova, a correção h/d, os tipos de ruptura A a G e as normas irmãs: NBR 7222 (compressão diametral), NBR 12142 (tração na flexão) e NBR 12118, cancelada em 02/2026 e substituída pela NBR 6136-2:2026.
Perguntas frequentes
Qual é a norma ABNT para tijolos e blocos cerâmicos?
É a ABNT NBR 15270, em duas partes publicadas em dezembro de 2023 e vigentes: a 15270-1, de requisitos, e a 15270-2, de métodos de ensaio. Elas valem para blocos e tijolos cerâmicos com e sem função estrutural e substituíram as edições de 2017.
Qual é a norma para alvenaria de vedação com bloco cerâmico?
Para o componente, a NBR 15270-1:2023 define a classe VED, sem função estrutural, e a NBR 15270-2:2023 define os ensaios. Para bloco de concreto, a norma é a NBR 6136, de 2026.
Qual a resistência mínima de um bloco ou tijolo cerâmico?
Depende da classe, definida na Parte 1:2023. Segundo a Anicer, a edição de 2023 fixou 4 MPa como mínimo para blocos de alvenaria racionalizada. Como referência histórica, a edição de 2005 pedia 1,5 MPa ao bloco de vedação de furos horizontais. Em todos os casos, a resistência é calculada na área bruta.
Qual a resistência de um tijolo cerâmico?
Depende da classe em que o tijolo é vendido, definida na NBR 15270-1:2023, e de ele ter ou não função estrutural. Para uso estrutural, a resistência característica mínima é de 4 MPa desde 2023, segundo a Anicer, e o mercado oferece produtos de 4 MPa até acima de 20 MPa; o valor é sempre calculado na área bruta, medido pela NBR 15270-2.
Qual a diferença entre bloco e tijolo cerâmico?
O bloco tem furos ou vazados que ocupam boa parte da seção, e o tijolo é maciço ou tem poucos furos. Pelo critério do material didático da UFRGS, a peça com área líquida de 75 % ou mais da área bruta é tratada como maciça. Os dois são ensaiados pela NBR 15270-2.
Como é feito o ensaio de compressão do bloco cerâmico?
O bloco é medido, tem as duas faces de trabalho regularizadas por capeamento, é saturado em água e comprimido na face de assentamento, na direção em que trabalha na parede, com a tensão crescendo de forma lenta e sem choques até a ruptura. A resistência é a força máxima dividida pela área bruta.
Por que a resistência do bloco é calculada na área bruta?
Porque o projeto da alvenaria usa a resistência referida à seção inteira, e assim não é preciso medir os vazados de cada bloco. Um bloco com mais vazados tem fb menor na área bruta, mesmo com a mesma cerâmica.
Quantos blocos são ensaiados à compressão?
Nas edições de 2005 e de 2017, 13 blocos na amostra de geometria e compressão e 6 na de absorção de água. A amostragem fica na Parte 1, e o número da edição de 2023 deve ser conferido nela.
Como se preparam as faces do bloco para o ensaio?
Por capeamento, que regulariza as faces de trabalho. Desde 2023, a pasta é de cimento CP V ARI com relação água/cimento de no máximo 0,5, ou de pasta ou argamassa com pelo menos 80 % da resistência nominal do bloco na área líquida, com a resistência comprovada.
O bloco cerâmico é rompido seco ou saturado?
Saturado. No texto de 2005, depois de o capeamento endurecer, o bloco ficava imerso em água por no mínimo 6 h e era rompido em seguida, porque a cerâmica úmida resiste menos e a parede passa a vida exposta à umidade. A duração na edição de 2023 deve ser conferida na norma.
Pode capear o bloco cerâmico com enxofre?
Não há base para isso na edição de 2023. Segundo a Anicer, ela prevê pasta de cimento CP V ARI com a/c ≤ 0,5 ou pasta ou argamassa com resistência comprovada de pelo menos 80 % da nominal do bloco na área líquida; o enxofre não aparece entre as opções.
O que mudou na NBR 15270 em 2023?
Segundo a Anicer: mínimo de 4 MPa para alvenaria racionalizada, inclusão do bloco de fixação superior (BFS) e do bloco ranhurado, capeamento com CP V ARI, AAI normativo e semestral, eflorescência em dez ciclos, nova forma de medir paredes e septos, tolerâncias com uma casa decimal e lote de até 40.000 peças para EST100 ou acima e para o BFS.
O que é o índice de absorção inicial (AAI)?
É a massa de água que a face de assentamento do bloco absorve em 1 min, normalizada para 193,55 cm² (30 pol²). Indica se o bloco deve ser molhado antes do assentamento. Desde 2023 é ensaio normativo, repetido ao menos a cada seis meses, e o fabricante tem de informar o valor.
A NBR 6461 ainda é válida?
Não. Foi cancelada em agosto de 2005 e substituída pela NBR 15270-3, que por sua vez foi cancelada em 2017, quando os métodos passaram para a NBR 15270-2.
Qual prensa é preciso para romper blocos cerâmicos?
Calcule F = fb × L × C. Um bloco de 14 × 29 cm a 6 MPa exige 243,6 kN, e a 8 MPa, 324,8 kN. Pratos de 300 kN cobrem esse bloco até cerca de 7,4 MPa; classes mais altas pedem máquina de 600 kN ou mais.
O que a norma ABNT NBR 16868-3 estabelece?
A NBR 16868-3:2020 estabelece os métodos de ensaio de elementos de alvenaria estrutural de blocos e tijolos cerâmicos e de concreto: prisma, pequena parede e parede, sob compressão axial, cisalhamento, flexão e flexocompressão. Ela mede a alvenaria; o bloco isolado é ensaiado pela NBR 15270-2.
Qual o MPa do bloco de concreto?
Depende da classe definida na ABNT NBR 6136-1:2026, a norma dos blocos vazados de concreto, e não da NBR 15270. A norma divide os blocos em classes de resistência característica (fbk) conforme o uso, estrutural ou de vedação, e os mínimos de cada classe devem ser lidos na edição vigente; os métodos de ensaio estão na NBR 6136-2:2026, tratada no guia da NBR 5739.
O bloco cerâmico vendido no Brasil costuma atender à norma?
Nem sempre. Em Itabira (MG), Santos e colaboradores (2023, Research, Society and Development) avaliaram blocos de seis marcas pela edição de 2017, e nenhuma atendeu a todos os requisitos. Por isso o controle de recebimento, com ensaio de uma amostra do lote, faz parte da boa prática de obra.