NBR 13818: norma cancelada, o que a substituiu (NBR ISO 13006 e NBR ISO 10545) e o ensaio de flexão de placas cerâmicas

A ABNT NBR 13818:1997 foi cancelada em dezembro de 2020 e substituída pela ABNT NBR ISO 13006:2020 (especificação) e pela série ABNT NBR ISO 10545 (métodos de ensaio). Veja os grupos de absorção de água, a definição vigente de porcelanato, as 16 partes da NBR ISO 10545 e o ensaio de flexão da NBR ISO 10545-4 com exemplos resolvidos.

Ensaios MecânicosPor Mardoqueu M. Costa
38 min de leitura

A ABNT NBR 13818:1997 foi cancelada em dezembro de 2020 e substituída pela ABNT NBR ISO 13006:2020, que especifica as placas cerâmicas, e pela série ABNT NBR ISO 10545, que traz os métodos de ensaio; a flexão, por exemplo, hoje é a ABNT NBR ISO 10545-4:2020. A mesma publicação cancelou a NBR 13816 (terminologia), a NBR 13817 (classificação) e a NBR 15463 (porcelanato). Quem compra, fabrica ou ensaia placas cerâmicas deve especificar e aceitar pelo par NBR ISO 13006 e NBR ISO 10545, mesmo que o catálogo ainda cite a 13818.

Em resumo:

  • Situação: NBR 13818, publicada em 04/1997, com 78 páginas, cancelada com substituição em 12/2020 (catálogo ABNT distribuído pela Target, conferido em 30/09/2026).
  • Especificação vigente: ABNT NBR ISO 13006:2020, adoção da ISO 13006:2018. Classifica as placas por conformação e absorção de água e fixa os requisitos de cada grupo.
  • Métodos vigentes: as 16 partes da ABNT NBR ISO 10545, uma por propriedade.
  • Porcelanato: placa totalmente vitrificada com absorção de água de até 0,5 % (grupos AIa e BIa). O corte de 0,1 % do "porcelanato técnico" era da NBR 15463, também cancelada.
  • Ensaio mecânico: flexão em três pontos pela NBR ISO 10545-4, feita numa máquina universal com dispositivo de flexão.

O que era a NBR 13818 e quando foi cancelada

A NBR 13818, "Placas cerâmicas para revestimento: especificação e métodos de ensaios", reunia num documento só tudo o que se exigia de uma placa: características de fabricação, marcação, informações de catálogo, recebimento, amostragem e os métodos de ensaio, que ficavam em anexos. Por isso as fichas técnicas antigas citam "NBR 13818, anexo C" para a flexão ou "anexo B" para a absorção de água: o anexo era o método. Ela vinha acompanhada de duas normas irmãs de 1997, a NBR 13816 (terminologia) e a NBR 13817 (classificação), e, a partir de 2007, da NBR 15463, dedicada ao porcelanato.

O histórico no catálogo da ABNT, distribuído pela Target e conferido em 30/09/2026, registra a primeira edição em 04/1997, erratas e novas edições ainda em 1997, confirmações em 08/2013 e 10/2018 e, em 12/2020, o cancelamento com substituição. O campo "Situação" da ficha diz "Substituída" e lista como substitutas a NBR ISO 13006 e as partes da NBR ISO 10545. A NBR 15463 tem o mesmo destino na mesma data: publicada em 02/2007, com nova edição em 2013, cancelada em 12/2020 com a NBR ISO 13006 como substituta. Os prefácios das partes de método também registram a troca: a NBR ISO 10545-3 (absorção de água) e a NBR ISO 10545-4 (flexão), ambas de 07/2020, declaram que cancelam e substituem a NBR 13818.

Não existe "NBR 13818 atualizada". A atualização da 13818 é a troca de sistema: o Brasil deixou a norma nacional própria e adotou as normas ISO de placas cerâmicas, o que alinha os laudos brasileiros aos usados na exportação.

O que substituiu a NBR 13818: NBR ISO 13006 e NBR ISO 10545

A mudança separou o que a 13818 juntava. A ABNT NBR ISO 13006:2020, "Placas cerâmicas: definições, classificação, características e marcação", é uma adoção da ISO 13006:2018. Ela define os termos, divide as placas em grupos, diz quais características se exigem para piso e parede, internos e externos, e fixa em anexos os limites de cada grupo. Vale para placas de primeira qualidade conformadas por extrusão ou por prensagem a seco; outros processos ficam fora do escopo, assim como as peças acessórias (rodapés, cantos, arremates) e as pastilhas, que a norma define como qualquer peça que caiba num quadrado de lado menor que 7 cm.

A 13006 não descreve ensaio. Cada requisito aponta para uma parte da série ABNT NBR ISO 10545, e é nela que o laboratório encontra o procedimento: dimensões na Parte 2, absorção de água na Parte 3, flexão na Parte 4, e assim por diante. A tabela abaixo mostra a correspondência entre o sistema antigo e o atual:

Antes (canceladas em 12/2020)O que tratavaAgora
NBR 13816:1997terminologiaNBR ISO 13006:2020, definições
NBR 13817:1997classificaçãoNBR ISO 13006:2020, grupos por absorção e conformação
NBR 13818:1997, corporequisitos, marcação, recebimentoNBR ISO 13006:2020, requisitos e marcação; NBR ISO 10545-1, amostragem e aceitação
NBR 13818:1997, anexosmétodos de ensaioNBR ISO 10545, Partes 2 a 16
NBR 15463:2013porcelanatoNBR ISO 13006:2020, grupos AIa e BIa

Uma mudança técnica acompanha a troca e afeta todo laudo de absorção. A edição vigente do método, a NBR ISO 10545-3:2020 (adoção da ISO 10545-3:2018), removeu o método de fervura: a água agora entra no corpo de prova só por vácuo, com a câmara a cerca de 10 kPa por 30 minutos, seguida de 15 minutos de imersão. É esse o valor de absorção que a NBR ISO 13006 usa para classificar a placa. Um resultado antigo, obtido por fervura, não é a mesma medida que a norma vigente pede.

Por que catálogos e editais ainda citam a NBR 13818

A 13818 continua aparecendo em fichas técnicas, embalagens e cadernos de encargos por motivos práticos, e nenhum deles a torna vigente:

  • Material impresso antes de 2020. Catálogos e fichas técnicas com "atende NBR 13818:1997 / 15463:2013" seguem em circulação e nos sites dos fabricantes.
  • Laudos antigos. Um laudo emitido antes de 12/2020 pela 13818 é um registro válido daquela data, mas não demonstra conformidade com a norma atual.
  • Especificações copiadas. Editais e memoriais descritivos reaproveitam textos de obras anteriores; a busca pela norma devolve cadernos de encargos públicos que ainda a exigem.
  • Normas de assentamento anteriores à troca. A NBR 13755, de fachadas, é de 2017 e remete às normas de placa da época.
  • Números parecidos. Os limites centrais, como a absorção de até 0,5 % do porcelanato, mudaram pouco, e o nome antigo parece continuar correto.
  • Cópias em PDF. Cópias integrais da 13818, sem aviso de cancelamento, estão entre os primeiros resultados de busca. Além de desatualizadas, reproduzem sem autorização um texto protegido.

Na prática, quem especifica deve pedir a placa pelo grupo da NBR ISO 13006 (por exemplo, "BIa, conforme NBR ISO 13006:2020") e o laudo pelas partes da NBR ISO 10545. Quem recebe um laudo que cita só a 13818 deve perguntar a data do ensaio e, se for posterior a 2020, pedir a emissão pela norma vigente.

Classificação por absorção de água: grupos Ia a III

A NBR ISO 13006 classifica a placa por dois critérios. O primeiro é o método de conformação: A para placa extrudada, em que a massa plástica sai de uma extrusora e é cortada, e B para placa prensada a seco, em que um pó fino é compactado em molde sob alta pressão. O segundo é a absorção de água, Ev: a massa de água que a placa absorve, em porcentagem da massa seca, medida pelo método a vácuo da NBR ISO 10545-3.

A absorção mede, de forma indireta, quanto a peça vitrificou na queima. Durante a sinterização, a fase vítrea fecha os poros; quanto menos poros abertos, menor a absorção e, em geral, maiores a resistência mecânica e a resistência ao congelamento. Por isso a absorção é a espinha da classificação: ela ordena as placas do porcelanato, quase sem poros, à monoporosa de parede, bem porosa. O diagrama abaixo mostra as cinco faixas, as siglas por conformação e o lugar do porcelanato:

Diagrama dos grupos da NBR ISO 13006 por absorção de água: Ia até 0,5 %, Ib de 0,5 a 3 %, IIa de 3 a 6 %, IIb de 6 a 10 % e III acima de 10 %, com as siglas A para placa extrudada e B para prensada a seco, o porcelanato nos grupos AIa e BIa e a nota de que o corte de 0,1 % do porcelanato técnico era da NBR 15463, cancelada
Grupos da NBR ISO 13006 por conformação e absorção de água; o porcelanato são os grupos AIa e BIa

Três detalhes da tabela da norma costumam passar despercebidos. Os grupos AIIa e AIIb, de extrudadas, se dividem em subgrupos 1 e 2, com requisitos diferentes em anexos separados. O grupo BIII cobre só placas esmaltadas; as prensadas não esmaltadas com absorção acima de 10 % não estão em nenhum grupo. E o grupo não indica o uso: a 13006 diz quais características se exigem em cada aplicação, mas não proíbe, por exemplo, um BIIa em piso interno. Nessa tabela de características, a carga de ruptura e o módulo de flexão são exigidos nas quatro aplicações (piso e parede, internos e externos); a resistência à abrasão, só em piso; a resistência ao congelamento, só em área externa sujeita a gelo; e a garra cônica, as nervuras do tardoz que ancoram a placa na argamassa, só em parede externa assentada com argamassa cimentícia. Os nomes de mercado (grés, semigrés, semiporoso, poroso ou monoporosa) não são definidos pela norma; o único nome comercial que ela define é porcelanato. A tabela resume as faixas:

GrupoAbsorção de água EvExtrudada (A)Prensada a seco (B)
IaEv ≤ 0,5 %AIaBIa
Ib0,5 % < Ev ≤ 3 %AIbBIb
IIa3 % < Ev ≤ 6 %AIIa-1 e AIIa-2BIIa
IIb6 % < Ev ≤ 10 %AIIb-1 e AIIb-2BIIb
IIIEv > 10 %AIIIBIII (só esmaltada)

Exemplo 1: classificar uma placa pela absorção

Uma placa prensada a seco tem massa seca m1 = 2.000,0 g e, depois da impregnação a vácuo, massa saturada m2 = 2.008,0 g. A absorção é:

  • Ev = (m2 − m1) / m1 × 100 = (2.008,0 − 2.000,0) / 2.000,0 × 100 = 0,40 %.
  • Como 0,40 % ≤ 0,5 % e a placa é prensada, ela é do grupo BIa: é porcelanato pela norma vigente.
  • Pela NBR 15463:2013, cancelada, ela não seria "porcelanato técnico", porque passa de 0,1 %. Esse corte não existe mais na norma.

Porcelanato: definição na NBR ISO 13006 e o fim da NBR 15463

A NBR ISO 13006 define porcelanato como a placa totalmente vitrificada com absorção de água de até 0,5 %, dos grupos AIa ou BIa. A definição tem duas partes: a absorção baixa e a vitrificação completa. Um porcelanato pode ser esmaltado ou não; a norma trata do corpo da peça, não do acabamento. Na tabela do Anexo G, o limite de 0,5 % vale para a média do lote, e cada placa pode chegar a 0,6 %. Uma nota brasileira da norma diz ainda que termos como "porcelânico" e "grés porcelânico" não são usados no Brasil, para não confundir o consumidor.

A NBR 15463, cancelada em 12/2020, dividia o produto em dois: o porcelanato técnico, com absorção de até 0,1 %, e o porcelanato esmaltado, com até 0,5 %. A 13006 não traz esse corte de 0,1 %. O termo "técnico" continua em catálogos como nome comercial, mas quem precisa de absorção muito baixa, por exemplo em área externa sujeita a gelo ou a manchamento, deve escrever o limite numérico na especificação, porque a norma vigente não o garante pelo nome.

A resistência mecânica que a 13006 exige do porcelanato é medida pelo ensaio de flexão da NBR ISO 10545-4, explicado adiante, depois das partes da série.

As 16 partes da NBR ISO 10545 e o que cada uma mede

A série NBR ISO 10545 tem uma parte por propriedade, e a NBR ISO 13006 indica quais delas se aplicam a piso ou parede, em área interna ou externa. As partes adotadas pela ABNT e o que cada uma determina estão na tabela, com a edição conferida em 30/09/2026 no catálogo distribuído pela Target; quando o ano não foi confirmado, a célula fica sem ano:

ParteO que determinaEdição ABNT
1amostragem e critérios para aceitação do lote10/2017
2dimensões e qualidade superficial (comprimento, largura, espessura, retitude, ortogonalidade, curvatura)07/2020
3absorção de água, porosidade aparente, densidade relativa aparente e densidade aparente07/2020
4carga de ruptura e módulo de resistência à flexão (flexão em três pontos)07/2020
5resistência ao impacto, pelo coeficiente de restituição11/2017
6resistência à abrasão profunda de placas não esmaltadassem ano confirmado
7resistência à abrasão superficial de placas esmaltadas (a classe conhecida no mercado como PEI)11/2017
8expansão térmica linear11/2017
9resistência ao choque térmico11/2017
10expansão por umidade11/2017
11resistência ao gretamento de placas esmaltadas11/2017
12resistência ao congelamento11/2017
13resistência química07/2020
14resistência ao manchamento11/2017
15liberação de chumbo e cádmiosem ano confirmado
16pequenas diferenças de corsem ano confirmado

Das 16 partes, só a 4 é um ensaio mecânico de força feito em máquina de ensaio. A Parte 5 também é mecânica, mas mede o quanto uma esfera ricocheteia na placa, e as Partes 6 e 7 usam abrasímetros próprios.

O ensaio de flexão da NBR ISO 10545-4

A NBR ISO 10545-4:2020 é a adoção da ISO 10545-4:2019, a quarta edição do método. O princípio é a flexão em três pontos: a placa fica apoiada em dois roletes e recebe, no centro, a força de um terceiro rolete até romper. A teoria geral da flexão, a diferença entre três e quatro pontos e a flexão de outros materiais estão no artigo sobre o ensaio de flexão. Aqui o foco é o que a norma de placas exige de diferente.

Carga de ruptura e módulo de resistência à flexão

O ensaio dá dois resultados a partir da mesma força de ruptura F, lida no pico da curva:

  • Carga de ruptura (S), em N: S = F · l2 / b, em que l2 é o vão entre os roletes de apoio e b é a largura do corpo de prova, ambos em mm. É a força que a placa, como produto, suporta, corrigida só pela geometria do vão e da largura.
  • Módulo de resistência à flexão (R), em N/mm², que é o mesmo que MPa: R = 3 · F · l2 / (2 · b · h²), em que h é a menor espessura medida ao longo da borda da fratura, depois do ensaio. É a tensão de tração na face inferior no instante da ruptura: uma propriedade do material, independente da espessura.

A NBR ISO 13006 exige os dois resultados. Por que a especificação não se contenta com um só, e o que muda nas placas com relevo, fica para a seção "Como interpretar a norma", depois dos requisitos.

Aparelhagem: roletes, borracha e balanço

Os dois roletes de apoio são cilindros metálicos revestidos, na região de contato, de borracha com dureza de (50 ± 5) IRHD. Um deles pode inclinar levemente e o outro gira em torno do próprio eixo, para que a placa, que nunca é perfeitamente plana, se acomode sem tensões parasitas. O rolete central, que aplica a força, tem o mesmo diâmetro e a mesma borracha e também pode inclinar. O diâmetro dos roletes, a espessura da borracha e o balanço, que é quanto a placa passa além de cada apoio, dependem do lado maior da placa, L:

Lado maior da placaDiâmetro do roleteBorrachaBalanço além do apoio
18 mm ≤ L < 48 mm(5 ± 1) mm(1 ± 0,2) mm(2 ± 1) mm
48 mm ≤ L < 95 mm(10 ± 1) mm(2,5 ± 0,5) mm(5 ± 3) mm
L ≥ 95 mm(20 ± 1) mm(5 ± 1) mm(10 ± 5) mm

Os valores e as tolerâncias são os da Tabela 1 da NBR ISO 10545-4:2020, idêntica à ISO 10545-4:2019. Nas placas grandes, o balanço pode ir de 5 a 15 mm, então o vão real deve ser medido e informado, e não deduzido do balanço nominal. O sistema de medição de força precisa ter exatidão de 2 %. Uma célula de carga classe 1 pela ABNT NBR ISO 7500-1:2023, cujo erro relativo de indicação é de até 1 %, atende com folga dentro da faixa verificada. O esquema abaixo mostra a montagem para uma placa de 300 × 300 × 8 mm, com o vão que resulta do balanço de 10 mm e a faixa central onde a fratura precisa ocorrer:

Esquema da flexão em três pontos da NBR ISO 10545-4 numa placa de 300 × 300 × 8 mm: dois roletes de apoio e um rolete central de 20 mm com borracha de 5 mm, balanço de 10 mm, vão de 280 mm e o terço central do vão (93 mm) onde a fratura é válida
Montagem da NBR ISO 10545-4 para placa com lado de 95 mm ou mais: roletes de 20 mm com borracha de 5 mm, balanço de 10 mm e vão de 280 mm numa placa de 300 mm

Corpos de prova: placa inteira ou cortada

A edição de 2019 mudou a regra do corpo de prova, e a espessura de trabalho, que é a espessura especificada pelo fabricante, passou a decidir:

  • Espessura de 7,5 mm ou mais: ensaia-se a placa inteira sempre que possível. Placas com lado maior acima de 600 mm são cortadas até 600 mm, com o centro do corpo de prova no centro da placa. Se o lado maior tem até três vezes o menor, mantém-se a proporção: 1200 × 600 mm vira 600 × 300 mm. Nas mais alongadas, o lado menor não fica abaixo de 250 mm: 1200 × 300 mm vira 600 × 250 mm. O corte vai para o relatório e, em caso de dúvida, prevalece o resultado da placa inteira.
  • Espessura abaixo de 7,5 mm: placas com área de até 40.000 mm² são ensaiadas inteiras; acima disso, corta-se um quadrado de 200 × 200 mm do centro da placa (ou o lado menor por 200 mm, quando o lado menor tem menos de 200 mm). Placas acima de 360.000 mm² dão três quadrados de 200 × 200 mm cada.
  • Quantidade: na maioria dos formatos, 7 placas, com pelo menos 5 resultados aceitáveis. Em placas acima de 360.000 mm², 3 placas: nas de 7,5 mm ou mais, os 3 resultados precisam ser aceitáveis; nas finas, as 3 placas dão 9 corpos de prova, com pelo menos 8 aceitáveis.
  • Estado: sem trincas nem danos visíveis, nunca ensaiadas antes, limpas de partículas soltas no verso com escova e secas em estufa a (105 ± 5) °C por pelo menos 24 h. Depois de resfriadas até a temperatura ambiente, precisam ser ensaiadas em no máximo 3 h.

O fluxograma abaixo reúne a decisão em três passos: a espessura de trabalho escolhe o ramo, o lado maior ou a área escolhe o corpo de prova, e a área da placa define quantas placas ensaiar e quantos resultados aceitáveis são o mínimo:

Fluxograma do corpo de prova da NBR ISO 10545-4: com espessura de trabalho de 7,5 mm ou mais, placa inteira até 600 mm e corte até 600 mm acima disso, mantendo a proporção ou com lado menor de pelo menos 250 mm, 7 placas com mínimo de 5 aceitáveis ou 3 placas acima de 360.000 mm²; com espessura menor que 7,5 mm, placa inteira até 40.000 mm², um quadrado de 200 × 200 mm do centro até 360.000 mm² e três quadrados de 200 × 200 mm acima disso, com 9 corpos de prova e mínimo de 8
Corpo de prova da NBR ISO 10545-4 pela espessura de trabalho e pela área da placa, com o número de placas e o mínimo de resultados aceitáveis

O corte não é detalhe. Demarch, Waterkemper, Pasini, Zanelatto e Ruzza (Cerâmica Industrial, 2019) compararam placas inteiras e cortadas de monoporosa, monoqueima e porcelanato esmaltado e, pelo teste t de Student, encontraram diferença significativa, com 95 % de confiança, entre o procedimento antigo e o novo, tanto na carga de ruptura quanto no módulo. Um laudo antigo, com placa inteira, e um novo, com placa cortada, não são diretamente comparáveis.

Execução e validade do resultado

A placa é posicionada com a face de uso para cima, em contato com o rolete central, e com o balanço da tabela além de cada apoio. A orientação também é fixada: a placa retangular fica com o lado maior perpendicular aos roletes, de modo que o vão corre ao longo dele; a extrudada fica com as saliências do tardoz perpendiculares aos apoios; e só a placa não esmaltada reversível pode ser apoiada de qualquer lado. Quando a face de uso tem relevo, uma segunda camada de borracha no rolete central acomoda o relevo. A força cresce de modo que a tensão aumente (1 ± 0,2) N/mm² por segundo, e registra-se a força de ruptura. Como a taxa é dada em tensão, a máquina precisa convertê-la em força por segundo, conta que o Exemplo 4 mostra.

Só valem os corpos de prova que rompem no terço central do vão, uma faixa de comprimento igual a l2 / 3 centrada sob o rolete de carga. No vão de 280 mm, são 93 mm, ou 46,7 mm para cada lado do centro: uma trinca a 40 mm do centro vale, uma a 60 mm é descartada. Todos os valores individuais vão para o relatório, mas a média de S e de R é calculada só com os resultados aceitáveis. Se não houver o mínimo de resultados aceitáveis da tabela, ensaia-se uma segunda amostra com o dobro de placas, e o mínimo de resultados aceitáveis também dobra.

Além de F, S e R, individuais e médios, o relatório registra a descrição da placa (inclusive o relevo, se houver), o número de corpos de prova, as dimensões do corte, quando a placa foi cortada, e a geometria do dispositivo: o diâmetro dos roletes (d), a espessura da borracha (t), o balanço além de cada apoio (l1) e o vão (l2). Com esses quatro valores, outro laboratório consegue reproduzir a montagem.

Na foto, placas de porcelanato e uma placa já ensaiada à flexão: a fratura reta no meio do vão é onde a tensão de tração é máxima, e o paquímetro mede a espessura usada no cálculo do módulo de resistência à flexão.

Pilha de placas de porcelanato e, à frente, uma placa partida em duas metades por uma fratura reta no meio, ao lado de um paquímetro
Placa cerâmica rompida no ensaio de flexão, com a fratura reta no meio do vão

A curva força × deslocamento de uma cerâmica é praticamente reta até a ruptura, que é brusca e sem patamar: o material não escoa, e só o pico entra nas fórmulas. O comportamento frágil e a sensibilidade a defeitos estão no artigo sobre tenacidade.

O que a NBR ISO 13006 exige do porcelanato na flexão

Para o grupo BIa, o Anexo G da NBR ISO 13006:2020 exige carga de ruptura de pelo menos 1.300 N em placas com espessura de 7,5 mm ou mais e de pelo menos 700 N abaixo disso, e módulo de resistência à flexão médio de pelo menos 35 N/mm², sem valor individual abaixo de 32 N/mm². Nos grupos de absorção maior, as exigências caem. A tabela resume os mínimos de flexão dos grupos de placas prensadas a seco, conferidos nos Anexos G a L da NBR ISO 13006:2020:

Grupo (anexo)Absorção de água EvCarga de ruptura S, espessura ≥ 7,5 mmCarga de ruptura S, espessura < 7,5 mmMódulo R médio (mínimo individual)
BIa, porcelanato (G)até 0,5 %1.300 N700 N35 N/mm² (32)
BIb (H)0,5 a 3 %1.100 N700 N30 N/mm² (27)
BIIa (J)3 a 6 %1.000 N600 N22 N/mm² (20)
BIIb (K)6 a 10 %800 N500 N18 N/mm² (16)
BIII, só esmaltada (L)acima de 10 %600 N200 N12 N/mm² (≥ 7,5 mm) ou 15 N/mm² (< 7,5 mm)

Um detalhe dos anexos muda a leitura de laudos de placas grossas: em todos os grupos, o requisito de módulo não se aplica quando a carga de ruptura é de 3.000 N ou mais. Nesse caso a placa já é aprovada na flexão pela carga, mesmo que o módulo calculado fique abaixo do mínimo. Os anexos são a referência para aceitar ou recusar um lote.

O gráfico abaixo põe os mesmos mínimos lado a lado e mostra que as duas exigências caem em ritmos diferentes: do BIa ao BIII, a carga de ruptura exigida das placas grossas cai para menos da metade (de 1.300 para 600 N), e o módulo médio cai para cerca de um terço (de 35 para 12 N/mm²):

Gráfico de barras dos mínimos de flexão da NBR ISO 13006 para placas prensadas: carga de ruptura de 1.300, 1.100, 1.000, 800 e 600 N com espessura de trabalho de 7,5 mm ou mais e de 700, 700, 600, 500 e 200 N abaixo disso, do BIa ao BIII, e módulo médio de 35, 30, 22, 18 e 12 N/mm² com mínimos individuais de 32, 27, 20 e 16 N/mm² e 15 N/mm² no BIII abaixo de 7,5 mm
Mínimos de carga de ruptura e de módulo de resistência à flexão por grupo de placa prensada, pelos Anexos G a L da NBR ISO 13006:2020

As duas fórmulas se combinam numa relação útil. Substituindo S = F · l2 / b em R = 3 · F · l2 / (2 · b · h²), sai S = (2/3) · R · h²: a carga de ruptura depende só do módulo e do quadrado da espessura, e não do vão nem da largura. Com o módulo mínimo de 35 N/mm², a carga de 1.300 N é atingida com h = √(3 × 1.300 / (2 × 35)) = 7,46 mm, praticamente o limite de 7,5 mm da norma. O gráfico abaixo mostra essa curva, os mínimos do BIa e os dois exemplos resolvidos a seguir:

Gráfico da carga de ruptura S em função da espessura h para um porcelanato com módulo de 35 N/mm², curva que cresce com o quadrado da espessura e cruza o mínimo de 1.300 N em 7,46 mm, com os mínimos de 700 N abaixo de 7,5 mm e de 1.300 N acima, e os pontos dos exemplos 2 (7,8 mm, 1.680 N) e 3 (6,0 mm, 994 N)
Carga de ruptura contra espessura para o porcelanato: com o módulo mínimo de 35 N/mm², a placa atinge 1.300 N perto de 7,5 mm

A leitura prática: abaixo de 7,5 mm a norma aceita uma carga menor porque a placa fina não teria como chegar a 1.300 N sem um módulo muito acima do mínimo. Uma placa de 6 mm precisaria de R = 3 × 1.300 / (2 × 36) = 54 N/mm² para isso.

Como interpretar a norma

Boa parte das divergências entre laboratórios e das discussões de recebimento vem de pontos que a NBR ISO 10545-4 e a NBR ISO 13006 fixam sem explicar. Os mais frequentes estão abaixo, com a razão técnica de cada um.

O que significa "espessura de trabalho" e por que ela decide a regra dos 7,5 mm?

A NBR ISO 10545-4 define a espessura de trabalho como a especificada pelo fabricante, e é ela, não a medida no paquímetro, que escolhe entre placa inteira e placa cortada. A regra precisa valer igual para todo o lote: se dependesse da medida, uma placa declarada com 7,5 mm que medisse 7,4 mm mudaria de ramo, de corpo de prova e, na 13006, de mínimo de carga de ruptura (de 1.300 para 700 N no BIa). A espessura medida só entra depois, no cálculo do módulo, como a menor espessura na borda da fratura.

Por que a NBR ISO 13006 exige carga de ruptura e módulo, e dispensa o módulo acima de 3.000 N?

Os dois números respondem a perguntas diferentes. A carga de ruptura S diz quanto a peça, com a espessura que tem, suporta; é o que importa quando a placa fica sobre um vazio da argamassa e recebe uma carga concentrada. O módulo R diz quanto o material resiste, independentemente da espessura, e reflete a qualidade da queima. Como S = (2/3) · R · h², um só critério seria contornável: exigindo só S, um corpo mal sinterizado passaria por ser grosso; exigindo só R, um material excelente poderia ser vendido em espessura fina demais para o uso. Os anexos da 13006 tiram a exigência de módulo quando S chega a 3.000 N, mais que o dobro do maior mínimo de carga (1.300 N, do BIa): a leitura é que, com essa folga de capacidade da peça, o módulo deixa de ser o critério que protege o usuário.

Por que só vale a fratura no terço médio do vão, e por que a norma aceita a aproximação?

Na flexão em três pontos, o momento fletor cresce linearmente de zero, nos apoios, até F · l2 / 4, sob o rolete central; as fórmulas de S e de R usam esse máximo. Uma cerâmica, porém, rompe no defeito mais crítico que estiver sob tensão suficiente, e ele nem sempre está exatamente sob o rolete. No limite do terço médio, a l2 / 6 do centro, o momento é 2/3 do máximo. A norma aceita essa diferença porque exigir a fratura exatamente no centro descartaria quase todos os corpos de prova, e o valor calculado continua sendo a tensão que a região central suportou. Fora do terço, a diferença fica grande demais: a 60 mm do centro no vão de 280 mm, o momento é (140 − 60) / 140 = 57 % do máximo, e a fratura aponta para um defeito grosseiro ou para uma montagem com contato irregular, não para a resistência típica do material.

O que muda quando a placa tem relevo?

Na face de uso com relevo, o rolete central tocaria só os pontos altos e concentraria a força neles. Por isso a norma manda pôr uma segunda camada de borracha, da mesma espessura da tabela, entre o rolete e o relevo, para distribuir o contato. O cálculo continua supondo seção retangular com a menor espessura da borda de fratura, e a seção real não é retangular; a própria norma avisa que o resultado é aproximado e fica mais exato quanto menor o relevo.

Por que a placa é seca e ensaiada logo depois de resfriar?

A umidade adsorvida nos poros e nas pontas das microtrincas facilita o crescimento lento dessas trincas sob tensão, e a placa úmida rompe com força menor. A secagem de pelo menos 24 h a (105 ± 5) °C e o limite de 3 h entre o resfriamento e o ensaio padronizam essa condição.

A classe "PEI" indica resistência mecânica?

Não. O que o mercado chama de PEI é a classe de abrasão superficial das placas esmaltadas de piso, medida pela NBR ISO 10545-7 e orientada pelo Anexo N da NBR ISO 13006, que é informativo e usa o nome "classe de abrasão". As classes vão de 0, não recomendada para piso, a 5, para tráfego intenso como shoppings e aeroportos. A classe descreve o desgaste do esmalte e não diz nada sobre a força que quebra a placa: um BIIa de classe 5 continua com os mínimos de flexão do BIIa.

Como ler a designação na embalagem?

A 13006 manda marcar na embalagem, entre outros itens, a marca e o país de origem, "primeira qualidade", o grupo e o anexo, as dimensões nominal e de trabalho, GL ou UGL, o lote e a tonalidade; a esmaltada de piso informa também a classe de abrasão ou o local de uso. Uma designação como "placa prensada a seco, NBR ISO 13006:2020, Anexo G, BIa, GL, retificada, 90 × 90 cm, dimensão de trabalho 898 × 898 × 9 mm" se lê assim:

  • Anexo G e BIa: porcelanato prensado; os requisitos de aceitação são os do Anexo G.
  • GL: esmaltada. Placa engobada conta como não esmaltada (UGL).
  • Retificada: bordas usinadas depois da queima. No BIa, a tolerância de comprimento e largura cai de ±0,6 % (limitada a ±2,0 mm) para ±0,3 % (limitada a ±1,0 mm).
  • 9 mm de espessura de trabalho: 7,5 mm ou mais, então S ≥ 1.300 N e R médio ≥ 35 N/mm². Com lado de 898 mm, o corpo de prova é cortado para 600 × 600 mm.

Exemplos resolvidos do ensaio de flexão

Os exemplos usam os dados de um porcelanato BIa. Os valores de força são ilustrativos; os critérios são os da NBR ISO 13006 e da NBR ISO 10545-4.

Exemplo 2: carga de ruptura e módulo de uma placa de 300 × 300 × 8 mm

A placa tem espessura nominal de 8 mm (7,5 mm ou mais) e lado de 300 mm (até 600 mm), então é ensaiada inteira. Com lado acima de 95 mm, os roletes são de 20 mm e o balanço é de 10 mm de cada lado. A ruptura ocorre na faixa central com F = 1.800 N, e o paquímetro mede 7,8 mm como menor espessura na borda da fratura.

  1. Vão: l2 = 300 − 2 × 10 = 280 mm; largura b = 300 mm.
  2. Carga de ruptura: S = 1.800 × 280 / 300 = 1.680 N ≥ 1.300 N: atende.
  3. Módulo: R = 3 × 1.800 × 280 / (2 × 300 × 7,8²) = 1.512.000 / 36.504 = 41,4 N/mm² ≥ 35 N/mm²: atende.
  4. Conferência: S = (2/3) × 41,4 × 7,8² = 1.680 N, o mesmo valor.

Se o laboratório usasse a espessura nominal de 8 mm, o módulo sairia 1.512.000 / 38.400 = 39,4 N/mm², 5 % abaixo. Aqui o erro favorece a segurança, mas numa placa mais grossa que a nominal ele iria para o outro lado. O resultado do lote é a média dos resultados aceitáveis das 7 placas, não um corpo de prova.

Exemplo 3: o mesmo material com 6 mm de espessura

O mesmo porcelanato (R = 41,4 N/mm²) é fabricado em 300 × 300 × 6 mm. A espessura é menor que 7,5 mm e a área é de 90.000 mm², entre 40.000 e 360.000 mm², então a norma manda cortar um corpo de prova de 200 × 200 mm do centro da placa.

  1. Vão: o lado de 200 mm continua acima de 95 mm, então roletes de 20 mm e balanço de 10 mm: l2 = 200 − 2 × 10 = 180 mm; b = 200 mm.
  2. Força de ruptura esperada: F = 2 · b · h² · R / (3 · l2) = 2 × 200 × 36 × 41,4 / (3 × 180) = 596.160 / 540 = 1.104 N.
  3. Carga de ruptura: S = 1.104 × 180 / 200 = 994 N ≥ 700 N: atende, porque o mínimo para menos de 7,5 mm é 700 N.

A lição: o módulo é do material e não muda com a espessura; a carga de ruptura cai com o quadrado dela. Passar de 7,8 para 6,0 mm reduziu S de 1.680 para 994 N, 41 % a menos, com o mesmo material.

Exemplo 4: programar a taxa de força na máquina

A norma pede que a tensão cresça (1 ± 0,2) N/mm² por segundo, e a máquina controla força por segundo. Derivando a fórmula do módulo em relação ao tempo, a taxa de força é dF/dt = (2 · b · h² / (3 · l2)) × dR/dt. Antes do ensaio a espessura real na fratura é desconhecida, então usa-se a nominal:

  • Placa do Exemplo 2 (b = 300 mm, h = 8 mm, l2 = 280 mm): dF/dt = 2 × 300 × 64 / (3 × 280) × 1 = 38.400 / 840 = 45,7 N/s, com faixa aceitável de 36,6 a 54,9 N/s. A ruptura de 1.800 N chega em cerca de 39 s.
  • Corpo de prova do Exemplo 3 (b = 200 mm, h = 6 mm, l2 = 180 mm): dF/dt = 2 × 200 × 36 / 540 = 26,7 N/s. A ruptura de 1.104 N chega em cerca de 41 s.

Cada formato tem a sua taxa. Programar a mesma taxa de força para placas diferentes é um dos erros mais comuns do ensaio.

Exemplo 5: escolher a capacidade da máquina

As forças do ensaio vão de centenas de newtons a alguns quilonewtons, mas placas grossas mudam a conta. Suponha um porcelanato com R = 45 N/mm², em dois formatos de 600 × 600 mm, ambos ensaiados inteiros (lado de até 600 mm e espessura acima de 7,5 mm), com l2 = 600 − 20 = 580 mm e b = 600 mm:

  • 10 mm: F = 2 × 600 × 100 × 45 / (3 × 580) = 5.400.000 / 1.740 = 3.103 N, cerca de 31 % de uma máquina de 10 kN.
  • 20 mm (espessura usada em áreas externas): F = 2 × 600 × 400 × 45 / 1.740 = 21.600.000 / 1.740 = 12.414 N. Passa de 10 kN.

Com a regra de trabalhar até cerca de 80 % da capacidade, uma máquina de 10 kN atende esse porcelanato até h = √(8.000 × 1.740 / (2 × 600 × 45)) ≈ 16 mm. Para placas de 20 mm, a escolha passa a uma máquina de coluna dupla de 50 kN. Além da força, o dispositivo precisa receber a placa: roletes com comprimento para 600 mm de largura e a regulagem do vão para cada formato.

Assentamento e telhas: as normas vizinhas

O assentamento de placas cerâmicas com argamassa colante segue três normas próprias, todas vigentes pelo catálogo da ABNT conferido em 30/09/2026. A NBR 13753 trata de pisos internos e externos e a NBR 13754, de paredes internas: ambas são de 1996 e foram confirmadas pela última vez em 01/2025, o que significa que o texto de 1996 continua válido. A NBR 13755:2017, de fachadas e paredes externas, cobre projeto, execução, inspeção e aceitação, foi confirmada em 01/2022 e é anterior ao cancelamento da 13818, por isso ainda remete às normas de placa da época; na especificação, a placa deve ser pedida pela NBR ISO 13006. Nenhuma delas é ensaio de placa: elas regem a obra.

Telhas cerâmicas não seguem a 13006. A norma delas era a NBR 15310:2009, "Componentes cerâmicos: telhas, terminologia, requisitos e métodos de ensaio", cancelada com substituição em 09/2025 e desdobrada em duas partes: a NBR 15310-1:2025 (terminologia e requisitos) e a NBR 15310-2 (métodos de ensaio). A edição de 2009 já incluía a carga de ruptura à flexão da telha, também feita em máquina de ensaio; os requisitos e o método vigentes devem ser conferidos nas partes novas, que substituem os números da edição de 2009.

Erros comuns na aplicação da NBR 13818 e das normas que a substituíram

  • Tratar a 13818 como vigente. Ela está cancelada desde 12/2020, junto com a 13816, a 13817 e a 15463.
  • Procurar o ensaio na 13006. A 13006 é especificação; os métodos estão nas partes da NBR ISO 10545.
  • Exigir "porcelanato técnico ≤ 0,1 %" como se fosse norma. O limite vigente é 0,5 %; um valor menor precisa estar escrito na especificação.
  • Medir absorção por fervura. A classificação da 13006 usa o método a vácuo da NBR ISO 10545-3.
  • Confundir carga de ruptura com módulo. S, em N, é da peça; R, em N/mm², é do material.
  • Usar a espessura nominal no módulo. A norma pede a menor espessura medida na borda da fratura, depois do ensaio.
  • Ensaiar placa fina inteira. Abaixo de 7,5 mm e acima de 40.000 mm², a edição de 2019 manda cortar 200 × 200 mm.
  • Aceitar fratura fora do terço central do vão. A tensão calculada não é a do ponto onde a trinca nasceu, e o corpo de prova deve ser descartado.
  • Decidir a regra dos 7,5 mm pela espessura medida. Quem decide é a espessura de trabalho declarada pelo fabricante; a medida só entra no módulo.
  • Comparar laudo novo com laudo antigo. Placa inteira e placa cortada dão resultados diferentes.
  • Ler a classe PEI como resistência à quebra. Ela mede abrasão do esmalte (Parte 7), não flexão.
  • Aplicar a 13006 a telhas ou a blocos. Telhas seguem a NBR 15310-1 e a NBR 15310-2; blocos e tijolos, a série NBR 15270.

Máquina para o ensaio da NBR ISO 10545-4

O ensaio de flexão da NBR ISO 10545-4 é feito na máquina universal de ensaios, com um dispositivo de flexão de dois apoios e um cutelo central no lugar das garras. A célula de carga mede a força de ruptura, a travessa desce o rolete central e o software controla a taxa de força e calcula S e R a partir do vão, da largura e da espessura informados. O painel abaixo mostra a máquina, o papel de cada parte no ensaio de placas cerâmicas e os dispositivos usados.

A máquina universal no ensaio de flexão

A linha M2 tem modelos de coluna simples, de 200 N a 10 kN, e de coluna dupla, de 5 kN a 1.000 kN. No ensaio de placas cerâmicas, cada parte da máquina tem uma função:

Máquinas universais de ensaios M2 da Biopdi de coluna simples (MBIOI-10-M2, 10 kN) e coluna dupla (MBIOII-50-M2, 50 kN)
  1. Travessa móvel desce o rolete central sobre a placa
  2. Célula de carga mede a força de ruptura F, classe 1
  3. Dispositivo de flexão em 3 pontos, com vão ajustável ao formato
  4. Controle de força mantém a taxa calculada em N/s
  5. Software BioLab calcula a carga de ruptura S e o módulo R
  6. Painel e emergência posiciona e para o ensaio

Dispositivos para o ensaio de flexão

O dispositivo de flexão é o que a NBR ISO 10545-4 usa; o deflectômetro só entra quando se quer também a deflexão da placa:

Dispositivo de flexão Biopdi
Dispositivo de flexão3 e 4 pontos; 10, 50 e 300 kN
Deflectômetro eletrônico Biopdi
Deflectômetromedição eletrônica da deflexão

Para a maioria das placas de piso e parede, com forças de algumas centenas de newtons a poucos quilonewtons, a faixa adequada é a da máquina de coluna simples de 2 a 10 kN (MBIOI-10-M2). Placas grossas de área externa, como no Exemplo 5, pedem a máquina de coluna dupla de 5 a 50 kN (MBIOII-50-M2). Na configuração, confirme que os roletes do dispositivo têm o diâmetro, o revestimento de borracha, a articulação e o comprimento que a NBR ISO 10545-4 e os seus formatos exigem. Para montar a configuração do seu laboratório, peça um orçamento.

Normas citadas

A tabela reúne as normas citadas neste guia, com a edição e a situação conferidas em 30/09/2026 no catálogo da ABNT distribuído pela Target e em iso.org:

NormaAssuntoEdição e situação
ABNT NBR 13818placas cerâmicas: especificação e métodos de ensaio1997; cancelada em 12/2020
ABNT NBR 13816 e NBR 13817terminologia e classificação de placas1997; canceladas em 12/2020
ABNT NBR 15463porcelanato2013; cancelada em 12/2020
ABNT NBR ISO 13006definições, classificação, características e marcação12/2020, vigente
ISO 13006base internacional da especificação2018, vigente; revisão em curso na ISO
ABNT NBR ISO 10545 (Partes 1 a 16)métodos de ensaio de placas cerâmicas2017 e 2020, conforme a parte
ABNT NBR ISO 10545-4carga de ruptura e módulo de resistência à flexão07/2020, vigente
ISO 10545-4base internacional do método de flexão2019, confirmada em 2024
ABNT NBR 13753 e NBR 13754assentamento em pisos e em paredes internas1996, confirmadas em 01/2025
ABNT NBR 13755revestimento cerâmico de fachadas2017, confirmada em 01/2022
ABNT NBR 15310telhas cerâmicas2009; cancelada em 09/2025
ABNT NBR 15310-1 e NBR 15310-2telhas: requisitos e métodos de ensaioParte 1 de 09/2025, vigente
ABNT NBR ISO 7500-1verificação da célula de carga da máquina2023

Outros ensaios e referências técnicas

Referências técnicas relacionadas

Perguntas frequentes

A NBR 13818 ainda está em vigor?

Não. A ABNT NBR 13818:1997 foi cancelada com substituição em dezembro de 2020. Um laudo ou uma especificação que a cite como referência atual segue um documento sem validade normativa.

Qual norma substituiu a NBR 13818?

A ABNT NBR ISO 13006:2020, para definições, classificação, requisitos e marcação, e a série ABNT NBR ISO 10545, para os métodos de ensaio. A 13006 cancelou ao mesmo tempo as NBR 13816, 13817 e 13818, de 1997, e a NBR 15463:2013.

Qual é a norma de revestimento cerâmico hoje?

Para o produto, a NBR ISO 13006:2020; para os ensaios, as partes da NBR ISO 10545; para o assentamento com argamassa colante, a NBR 13753 (pisos), a NBR 13754 (paredes internas) e a NBR 13755:2017 (fachadas).

A NBR 15463 de porcelanato foi cancelada?

Sim, em dezembro de 2020, pela NBR ISO 13006. Hoje o porcelanato é a placa totalmente vitrificada com absorção de água de até 0,5 %, dos grupos AIa e BIa, sem a divisão antiga entre técnico e esmaltado.

O que significam BIa, BIb, BIIa, BIIb e BIII?

B indica placa prensada a seco (A seria extrudada). O restante indica a faixa de absorção de água: Ia até 0,5 %, Ib de 0,5 a 3 %, IIa de 3 a 6 %, IIb de 6 a 10 % e III acima de 10 %.

Qual a absorção de água do porcelanato?

No máximo 0,5 % pela NBR ISO 13006:2020, medida pelo método a vácuo da NBR ISO 10545-3. O limite de 0,1 % do "porcelanato técnico" era da NBR 15463, cancelada.

Como se calcula o módulo de resistência à flexão da placa?

Pela NBR ISO 10545-4: R = 3·F·l2/(2·b·h²), em N/mm², em que F é a força de ruptura, l2 o vão entre apoios, b a largura do corpo de prova e h a menor espessura medida na borda da fratura. A carga de ruptura é S = F·l2/b, em N.

Qual a resistência à flexão mínima do porcelanato?

Para o grupo BIa, a NBR ISO 13006:2020 exige módulo médio de pelo menos 35 N/mm², sem individual abaixo de 32 N/mm², e carga de ruptura de pelo menos 1.300 N em placas de 7,5 mm ou mais, ou 700 N nas mais finas.

Por que o fabricante ainda cita a NBR 13818 no catálogo?

Porque catálogos, fichas e laudos anteriores a 2020 continuam circulando e especificações de obra copiam textos antigos. Peça o produto pelo grupo da NBR ISO 13006 e o laudo pelas partes da NBR ISO 10545.

Qual a norma ABNT para telhas cerâmicas?

A NBR 15310:2009 foi cancelada em setembro de 2025 e substituída pela NBR 15310-1:2025, de terminologia e requisitos, e pela NBR 15310-2, de métodos de ensaio.

Onde encontro o PDF da NBR 13818?

As cópias em PDF que circulam reproduzem sem autorização uma norma cancelada. A norma vigente, NBR ISO 13006:2020, e as partes da NBR ISO 10545 são vendidas pela ABNT e por distribuidores autorizados.

Que máquina faz o ensaio de flexão de placas cerâmicas?

Uma máquina universal de ensaios com dispositivo de flexão em três pontos, célula de carga com exatidão melhor que 2 % e controle da taxa de força. Para a maioria das placas, uma máquina de 10 kN basta; placas grossas de área externa podem passar de 10 kN.