O ensaio de tração e torção, ou ensaio axial-torcional, aplica força axial (tração ou compressão) e torque ao mesmo corpo de prova, juntos ou um de cada vez, em fase ou fora de fase. A força gera a tensão normal σ = F/A, o torque gera o cisalhamento τ = T·r/J, e as duas se combinam na tensão equivalente de von Mises, √(σ² + 3τ²), e não pela soma direta.
Em inglês, o ensaio é chamado de axial-torsion test ou combined tension and torsion test. A referência de fadiga é a ASTM E2207-15(2021), que usa tubo de parede fina com controle de deformação. Neste guia você encontra o que o ensaio mede, as tensões no corpo de prova e a dedução da fórmula da torção, os critérios de von Mises e Tresca, cinco exemplos resolvidos, a diferença entre carregamento em fase e fora de fase, a tabela de normas com edição conferida em 13/10/2026, o passo a passo, a máquina e os erros mais comuns.
O que é o ensaio de tração e torção
O ensaio axial-torcional é o ensaio mecânico que carrega o corpo de prova em dois eixos ao mesmo tempo: o eixo linear, com força de tração ou compressão, e o eixo rotativo, com torque em torno da mesma linha de centro. O resultado é um estado de tensões que nenhum dos dois ensaios produz sozinho: a superfície do corpo de prova recebe tensão normal e tensão de cisalhamento simultâneas. A ASTM E2207 descreve esse carregamento como essencialmente biaxial e registra que, com tubos de parede fina, ele explora dois dos quatro quadrantes do espaço de tensões ou deformações principais.
O ensaio de torção puro aplica só o torque e mede torque, ângulo de torção e o módulo de cisalhamento G; o ensaio de tração aplica só a força axial e mede escoamento, resistência e alongamento. O axial-torcional não substitui nenhum dos dois: ele existe para responder o que acontece quando os dois esforços atuam juntos, como num parafuso apertado, num eixo de transmissão com carga axial ou num implante ósseo. Torção, nesse contexto, é o giro de uma seção em relação a outra causado por um momento em torno do eixo da peça; a força que torce é o torque, medido em N·m.
Na foto, um corpo de prova metálico preso entre duas pinças alinhadas no mesmo eixo vertical, com a de baixo montada num cabeçote de torção. Antes do ensaio, uma linha reta foi riscada no corpo de prova, paralela ao eixo. Com o torque somado à carga axial, a linha virou uma hélice: é a deformação de cisalhamento que o torque produz, visível a olho nu.

Ensaio axial: tração, compressão e arrancamento
Ensaio axial é qualquer ensaio em que a força atua ao longo do eixo do corpo de prova, e a tensão axial é a força dividida pela área da seção: σ = F/A. Com F em newtons e A em mm², σ sai em MPa (N/mm²); em unidade americana, em psi (1 MPa = 145,04 psi). Os ensaios axiais mais comuns são a tração, a compressão e o arrancamento, que mede a força para extrair um fixador, um chumbador ou um parafuso do material em que está preso. As buscas por "axial load test" e "axial force resistance testing" se referem a essa família. O ensaio axial-torcional acrescenta ao ensaio axial um segundo canal, o do torque.
Tipos de ensaio axial-torcional
Os ensaios axial-torcionais se classificam por quatro critérios. Pelo regime de carga, há o estático (carga crescente até o escoamento ou a ruptura, ou mantida num valor de prova) e o cíclico, de fadiga. Pela ordem, há o simultâneo, em que os dois canais trabalham ao mesmo tempo, e o sequencial, em que se aplica primeiro uma carga e depois a outra. Pela relação entre os canais, o simultâneo pode ser em fase (proporcional) ou fora de fase (não proporcional). Pelo objetivo, há o ensaio de material, num corpo de prova padronizado, e o funcional, numa peça pronta, como um parafuso, uma coluna de direção ou um conector médico. A temperatura também entra: a E2207 cobre ensaios à temperatura ambiente e elevada, com forno ou câmara em volta do corpo de prova.
O ensaio tem vantagens claras: reproduz o estado de tensões de serviço, permite traçar a superfície de escoamento do material com um único tipo de corpo de prova e, em fadiga, mede o efeito da rotação das direções principais, que nenhum ensaio uniaxial mostra. As desvantagens também são claras: a máquina é mais cara, porque precisa de dois atuadores e de uma célula de carga de dois canais; o corpo de prova tubular é caro de usinar e pode flambar em compressão; e o resultado depende muito do alinhamento e da medição de deformação, como mostra a seção de erros.
Por que combinar tração e torção
Combinar tração e torção é necessário porque muitas peças trabalham com os dois esforços ao mesmo tempo, e o material escoa ou trinca sob esse estado combinado antes do que indicariam os ensaios separados. O laboratório Smithers resume o motivo: um ensaio axial sozinho não basta para avaliar uma peça que também recebe esforço rotacional. O exemplo mais comum está em qualquer bancada: o parafuso. Ao apertá-lo, a chave aplica torque, e o próprio aperto gera tração no corpo do parafuso; durante a montagem, os dois esforços coexistem.
A tabela reúne exemplos de peças em que a combinação aparece, e qual esforço vem de cada lado:
| Peça | Esforço axial | Esforço torcional |
|---|---|---|
| Parafuso em aperto | tração no corpo pela pré-carga | torque de aperto e atrito na rosca |
| Eixo de transmissão e semieixo | carga axial de engrenagens helicoidais e juntas | torque transmitido pelo motor |
| Coluna de direção | compressão ou tração no impacto e no ajuste | torque do volante |
| Cabo e arame em serviço | tração do peso ou da tensão de montagem | giro imposto no enrolamento |
| Parafuso ósseo e implante ortopédico | arrancamento e carga do osso | torque de inserção e de remoção |
| Palheta de turbina e tubo de perfuração | força centrífuga ou peso da coluna | torção pela pressão do fluido ou pela rotação |
A Instron cita implantes de quadril e palhetas de turbina entre as aplicações dos seus sistemas axial-torcionais; a Smithers cita tampas de radiador, colunas de direção, rótulas e parafusos ósseos. Em todas, o que se quer saber é a resposta da peça ou do material ao estado combinado, que o Exemplo 3 deste artigo mostra ser mais severo que cada esforço isolado.
Tensões no corpo de prova sob tração e torção
Num corpo de prova circular sob tração e torção, cada ponto da superfície tem uma tensão normal σ na direção do eixo e uma tensão de cisalhamento τ no plano da seção, e as duas se calculam separadamente antes de se combinarem. As fórmulas desta seção são as de mecânica dos materiais (Hibbeler, Beer e Johnston, e o curso de mecânica de estruturas esbeltas da Boston University) e valem enquanto o material está no regime elástico.
Tensão axial
A tensão axial é σ = F/A. No tubo, a área é a coroa circular: A = (π/4)·(de² − di²), com de o diâmetro externo e di o interno. A tensão é uniforme na seção, positiva na tração e negativa na compressão. Ela é a mesma do ensaio de tração, e a deformação correspondente é ε = ΔL/L0, medida na base de medida L0.
Tensão de cisalhamento por torção: de onde vem τ = T·r/J
A fórmula da torção sai de quatro passos, na dedução clássica para barra circular:
- Seções planas continuam planas. Numa barra circular, cada seção transversal gira como um disco rígido, sem empenar. Essa hipótese só vale para seção circular, maciça ou vazada.
- Geometria. Se a seção na posição L girou um ângulo φ em relação à seção fixa, uma linha reta na superfície vira uma hélice, e a deformação de cisalhamento a uma distância r do centro é γ = r·φ/L. Ela é zero no centro e máxima na superfície.
- Material. No regime elástico, τ = G·γ (lei de Hooke em cisalhamento), com G o módulo de cisalhamento. Logo τ = G·r·φ/L, também linear com r.
- Equilíbrio. A soma dos momentos das tensões na seção é o torque: T = ∫τ·r·dA = (G·φ/L)·∫r²·dA = (G·φ/L)·J, em que J é o momento polar de inércia.
Juntando os passos 3 e 4, saem as duas equações da torção: τ = T·r/J e φ = T·L/(G·J). Para tubo, J = (π/32)·(de⁴ − di⁴); para barra maciça, J = π·d⁴/32, o que dá τmáx = 16·T/(π·d³) na superfície. A tensão de cisalhamento é o único tipo de tensão que a torção pura produz na seção; o que muda com a tração é como ela se compõe com σ. A resistência à torção (torsional strength) é o torque máximo que a peça suporta, ou a tensão de cisalhamento correspondente; na ASTM F543, de parafusos ósseos, os parâmetros são o torque máximo, o escoamento torcional e o ângulo de ruptura.
Tubo de parede fina: por que o ensaio usa tubo
Na barra maciça, τ vai de zero no centro ao máximo na superfície. Quando a superfície escoa, o núcleo ainda está elástico, e a fórmula τ = T·r/J deixa de valer sem que o ensaio mostre o momento exato. No tubo de parede fina, quase todo o material está à mesma distância do centro, e τ é praticamente uniforme na espessura. A tensão média se calcula por:
τ ≈ T / (2π·rm²·t), com rm o raio médio e t a espessura.
É por isso que a ASTM E2207 exige corpo de prova tubular: a norma registra que, no tubo, o estado de tensões é constante na seção útil e bem conhecido, o que torna o carregamento axial-torcional mais conveniente que o biaxial no plano. No Exemplo 1, a aproximação de parede fina dá 90,3 MPa, contra 89,6 MPa da fórmula exata no raio médio (diferença de 0,8 %) e 97,4 MPa no raio externo. O preço do tubo é a flambagem: em compressão ou em torção alta, a parede fina pode enrugar antes de o material escoar.
Deformação axial, lateral e de cisalhamento
Três deformações aparecem no ensaio. A axial, ε = ΔL/L0, é a variação de comprimento na direção da força. A lateral (ou transversal) é a variação do diâmetro: na tração, o diâmetro diminui. A razão entre as duas, com sinal trocado, é o coeficiente de Poisson: ν = −εlateral/εaxial, perto de 0,3 em metais no regime elástico. A de cisalhamento, γ = r·φ/L, é a mudança de ângulo entre duas linhas que eram perpendiculares, e é ela que transforma a linha reta da foto numa hélice.
As constantes elásticas se ligam por G = E / [2·(1 + ν)]. Para o aço, com E = 200 GPa e ν = 0,3, G ≈ 77 GPa (cálculo da Biopdi); é por isso que o mesmo ensaio que mede o módulo de elasticidade no canal axial pode medir G no canal torcional. A ASTM E143-20 é a norma de medição de G em torção à temperatura ambiente.
Tensões principais e círculo de Mohr
Com σ e τ no mesmo ponto, existem duas direções em que só há tensão normal: as direções principais. As tensões nessas direções são:
σ1,2 = σ/2 ± √[(σ/2)² + τ²]
A direção de σ1 fica inclinada em relação ao eixo de um ângulo θ dado por tan 2θ = 2τ/σ. Na tração pura, θ = 0; na torção pura, θ = 45°, e é por isso que o giz torcido rompe em hélice a 45°. Na combinação, o ângulo fica entre os dois: um material frágil sob tração e torção rompe numa hélice mais fechada que a da torção pura. O esquema abaixo mostra o tubo do Exemplo 1 com o elemento da superfície ampliado, à esquerda, e o círculo de Mohr correspondente, à direita. O ponto X representa a face perpendicular ao eixo (σ e τ), o ponto Y a face paralela ao eixo (zero e −τ), e o diâmetro XY corta o eixo horizontal nas tensões principais.

O círculo mostra duas coisas que as fórmulas escondem. Primeiro, a tração com torção gera uma tensão principal de compressão (σ2 negativa), embora nenhuma carga de compressão tenha sido aplicada. Segundo, o cisalhamento máximo, o raio do círculo, é maior que o τ aplicado: 137,6 MPa contra 90,3 MPa no exemplo. A tabela resume as fórmulas desta seção (para converter, 1 N·m = 8,851 lbf·in e 1 kN = 224,8 lbf):
| Grandeza | Fórmula | Unidades |
|---|---|---|
| Tensão axial | σ = F / A | N, mm², MPa |
| Área do tubo | A = (π/4)·(de² − di²) | mm² |
| Momento polar do tubo | J = (π/32)·(de⁴ − di⁴) | mm⁴ |
| Cisalhamento por torção | τ = T·r / J | N·mm, mm, MPa |
| Cisalhamento, parede fina | τ ≈ T / (2π·rm²·t) | MPa |
| Ângulo de torção | φ = T·L / (G·J) | rad |
| Deformação de cisalhamento | γ = r·φ / L | adimensional |
| Módulo de cisalhamento | G = E / [2·(1 + ν)] | GPa |
| Tensões principais | σ1,2 = σ/2 ± √[(σ/2)² + τ²] | MPa |
| Von Mises | σvM = √(σ² + 3τ²) | MPa |
| Tresca | σTr = √(σ² + 4τ²) = σ1 − σ2 | MPa |
Von Mises, Tresca e a superfície de escoamento
Sob tração e torção, o material escoa quando a tensão equivalente atinge o limite de escoamento da tração: pelo critério de von Mises, σvM = √(σ² + 3τ²) = σy; pelo de Tresca, √(σ² + 4τ²) = σy. Os dois critérios convertem o estado combinado num número comparável ao limite de escoamento medido no ensaio de tração. O de von Mises vem da energia de distorção; o de Tresca, do cisalhamento máximo, que é o raio do círculo de Mohr.
Somar σ e τ diretamente é errado: elas atuam em direções diferentes e se combinam ao quadrado. Em torção pura (σ = 0), os critérios dão o escoamento em cisalhamento: τy = σy/√3 ≈ 0,577·σy por von Mises e τy = 0,5·σy por Tresca, uma diferença de cerca de 15 %. Qual dos dois descreve melhor o material é uma pergunta experimental, e o ensaio axial-torcional é o que a responde. Taylor e Quinney ensaiaram tubos de cobre, alumínio e aço doce sob tração e torção combinadas (Philosophical Transactions of the Royal Society A, 1932) e encontraram os pontos de escoamento mais próximos de von Mises que de Tresca.
O gráfico abaixo mostra as duas superfícies de escoamento no plano σ × τ para um material com σy = 350 MPa, valor hipotético usado nos exemplos. Todo estado de tensões dentro da curva é elástico; na curva, o material escoa. A elipse de Tresca fica por dentro da de von Mises: as duas coincidem em tração pura (σ = ±350 MPa) e se afastam ao máximo em torção pura (pontos A e B). O ponto P é o estado do Exemplo 1; a reta pontilhada que sai da origem e passa por P é o carregamento proporcional, em que força e torque crescem juntos, e corta a elipse onde o tubo escoaria. Os pontos C e D mostram o cisalhamento admissível quando a tração de 30 kN está aplicada (Exemplo 3).

Para o projeto, a escolha costuma ser: von Mises para metais dúcteis em geral, porque representa melhor a média dos dados; Tresca quando se quer uma margem a favor da segurança, porque dá sempre a tensão equivalente maior. Os dois critérios tratam de escoamento. A ruptura frágil e a fadiga pedem outros critérios, discutidos adiante.
Exemplos resolvidos de tração e torção
Os exemplos usam um tubo de aço de diâmetro externo 25 mm e interno 21 mm (espessura t = 2 mm, raio médio rm = 11,5 mm). O limite de escoamento σy = 350 MPa é hipotético, escolhido só para os exercícios. As contas são da Biopdi, refeitas em 13/10/2026.
1. Tensões, von Mises e Tresca. F = 30 kN (6.744 lbf) e T = 150 N·m (1.328 lbf·in).
- Área: A = (π/4)·(25² − 21²) = (π/4)·184 = 144,5 mm². Tensão axial: σ = 30.000 / 144,5 = 207,6 MPa (cerca de 30.100 psi).
- Cisalhamento pela parede fina: 2π·11,5²·2 = 1.661,9 mm³, e τ = 150.000 / 1.661,9 = 90,3 MPa. Conferência pela fórmula exata: J = (π/32)·(25⁴ − 21⁴) = 19.256 mm⁴; τ no raio externo = 150.000 × 12,5 / 19.256 = 97,4 MPa; no raio médio, 89,6 MPa.
- Tensões principais: centro 207,6/2 = 103,8 MPa; raio √(103,8² + 90,3²) = 137,6 MPa; σ1 = 241,3 MPa e σ2 = −33,8 MPa. A direção de σ1 fica a 20,5° do eixo (tan 2θ = 180,5 / 207,6).
- Von Mises: σvM = √(207,6² + 3 × 90,3²) = 259,9 MPa (cerca de 37.700 psi). Tresca: σTr = √(207,6² + 4 × 90,3²) = 275,1 MPa, igual a σ1 − σ2.
- Fator de segurança ao escoamento: 350 / 259,9 = 1,35 (von Mises) e 350 / 275,1 = 1,27 (Tresca).
2. Torque de escoamento em torção pura. Mesmo tubo, sem força axial. Por von Mises, τy = 350 / √3 = 202,1 MPa, e Ty = 202,1 × 1.661,9 = 335,8 N·m. Por Tresca, τy = 175,0 MPa e Ty = 290,8 N·m. São os pontos A e B do gráfico.
3. Quanto torque cabe com 30 kN aplicados. Com σ = 207,6 MPa fixa, o cisalhamento que leva ao escoamento é, por von Mises, τ = √[(350² − 207,6²)/3] = 162,7 MPa, e o torque, T = 162,7 × 1.661,9 = 270,4 N·m. Por Tresca, τ = √[(350² − 207,6²)/4] = 140,9 MPa e T = 234,2 N·m. Nos dois critérios, o torque admissível caiu 19,5 % em relação à torção pura. Esta é a mensagem de engenharia do ensaio: a tração consome parte da capacidade torcional, e uma peça qualificada só em torção tem o torque admissível superestimado se trabalhar tracionada. A força que faria o tubo escoar sem torque é σy·A = 350 × 144,5 = 50,6 kN.
4. Definir um ensaio com controle de deformação. Base de medida Lg = 25 mm. Alvo: amplitude axial εa = 0,40 % e amplitude de cisalhamento γa = √3 × 0,40 % = 0,693 %, de modo que as duas parcelas contribuam igualmente para a deformação equivalente de von Mises.
- Deformação equivalente: εeq = √(εa² + γa²/3) = √(0,16 + 0,16) = 0,566 %.
- Deslocamento axial na base de medida: 0,0040 × 25 = 0,10 mm.
- Rotação na base de medida, no raio médio: θ = γ·Lg/rm = 0,00693 × 25 / 11,5 = 0,0151 rad = 0,86°.
Um décimo de milímetro e menos de um grau: são valores da mesma ordem da folga e da deformação elástica das garras e do quadro. Por isso a deformação, num ensaio desses, se mede com extensômetro na seção útil, e não pelo deslocamento do atuador.
5. Ordem de grandeza num parafuso pequeno. Barra maciça de 4 mm de diâmetro com T = 2 N·m e F = 500 N. Cisalhamento na superfície: τ = 16 × 2.000 / (π × 4³) = 159,2 MPa. Tensão axial: σ = 500 / 12,57 = 39,8 MPa. Von Mises: √(39,8² + 3 × 159,2²) = 278,5 MPa. Aqui é a torção que domina: retirar a força axial mudaria σvM em cerca de 1 % (de 278,5 para 275,7 MPa). Os valores são ilustrativos e não são requisitos de nenhuma norma de parafuso.
A tabela resume os resultados dos exemplos:
| Exemplo | Carga | Resultado |
|---|---|---|
| 1. Tubo 25 × 21 mm | 30 kN e 150 N·m | σ = 207,6; τ = 90,3; σvM = 259,9; σTr = 275,1 MPa |
| 2. Torção pura | só torque | Ty = 335,8 N·m (vM) e 290,8 N·m (Tresca) |
| 3. Torção com 30 kN | torque com tração fixa | Ty = 270,4 N·m (vM) e 234,2 N·m (Tresca), 19,5 % menor |
| 4. Controle de deformação | εa = 0,40 %; γa = 0,693 % | εeq = 0,566 %; 0,10 mm e 0,86° em 25 mm |
| 5. Barra de 4 mm | 500 N e 2 N·m | τ = 159,2; σ = 39,8; σvM = 278,5 MPa |
Carregamento em fase e fora de fase
No carregamento em fase, a deformação axial e a de cisalhamento atingem o pico no mesmo instante e as direções principais ficam fixas; no fora de fase, os picos se alternam, e as direções principais giram durante o ciclo. Em fase também se chama carregamento proporcional, porque a razão entre os dois canais é constante; fora de fase, não proporcional. A defasagem mais estudada é a de 90°, em que o cisalhamento está no máximo quando a deformação axial passa por zero, e vice-versa.
O gráfico abaixo mostra as duas trajetórias com as deformações divididas pelas amplitudes do Exemplo 4. Em (a), as ondas axial e de cisalhamento coincidem; em (b), a de cisalhamento está atrasada de 90°. No plano das duas deformações, a trajetória de 90° é um círculo: a deformação equivalente fica constante durante todo o ciclo, enquanto a direção em que ela atua dá uma volta completa, como mostra o painel (c).

A rotação das direções principais tem consequência medida. Num estudo da NASA com tubos de aço inoxidável 316 à temperatura ambiente, os ensaios fora de fase tiveram vidas em fadiga menores e mais encruamento cíclico que os em fase (Bonacuse e Kalluri, NASA, 1990). O motivo físico é que, no fora de fase, o cisalhamento máximo varre todos os planos do material, ativando mais sistemas de deslizamento. Os critérios de tensão ou deformação equivalente, que funcionam razoavelmente bem em fase, não capturam esse efeito; por isso a fadiga multiaxial usa modelos de plano crítico, como os de Brown e Miller (1973) e de Fatemi e Socie (1988), que avaliam a deformação no plano mais solicitado.
Ensaio sequencial não é ensaio em fase. Aplicar a tração, mantê-la e depois aplicar o torque gera uma trajetória em degrau, com outra história de encruamento. Em material que encrua, a ordem das cargas muda o resultado, e o relatório precisa dizer qual trajetória foi usada.
Fadiga axial-torcional e a ASTM E2207
A ASTM E2207-15(2021) é a prática normalizada para ensaios de fadiga axial-torcional com controle de deformação em corpos de prova tubulares de parede fina, com carregamento axial, torcional ou combinado, em fase ou fora de fase. A norma está ativa (conferido na loja da ASTM em 13/10/2026), sob o subcomitê E08.05, e cobre ensaios à temperatura ambiente ou elevada. Ela não é um método de ensaio estático nem de componente: serve para gerar dados de material para prever a vida em fadiga de peças sob carga multiaxial.
O escopo tem limites que precisam ser respeitados na especificação do ensaio:
- Controle de deformação, e não de força ou torque, nos dois canais.
- Deformação média zero (carregamento totalmente reverso) nos dois canais.
- Mesma frequência nas ondas axial e torcional; a defasagem pode variar, a frequência não.
- Corpo de prova tubular de parede fina, de seção circular, para que σ e τ sejam uniformes na seção útil.
- Materiais homogêneos; a norma não se aplica a componentes nem a elementos estruturais.
O último ponto é confundido com frequência. Parafusos ósseos, implantes, eixos e conectores são componentes: o ensaio deles segue a norma do produto, e não a E2207, mesmo quando a máquina é a mesma. A E2207 caracteriza o material de que a peça é feita.
Em fadiga, a deformação equivalente de von Mises usada na literatura para tubos sob tração e torção é εeq = √(ε² + γ²/3), a mesma do Exemplo 4. O resultado típico do ensaio é a curva de amplitude de εeq contra o número de ciclos até a falha, comparada entre trajetórias em fase e fora de fase. A fadiga uniaxial, com o mesmo raciocínio de curva deformação × vida, é tratada no artigo de ensaio de fadiga.
Para fadiga só em torção, a norma é outra: a ISO 1352:2021 trata de fadiga com torque controlado, amplitude constante e regime nominalmente elástico, em corpos de prova circulares ou tubulares, e exclui o baixo ciclo com controle angular. Ela substituiu a edição de 2011, já retirada.
Normas do ensaio axial-torcional
Não existe uma norma geral de ensaio axial-torcional: a ASTM E2207 trata da fadiga de material em tubo, e os ensaios de produto que envolvem tração e torção estão espalhados em normas de dispositivos médicos, arames e fixadores. A tabela reúne as principais, com a edição e o status conferidos na loja da ASTM e no catálogo da ISO em 13/10/2026, e indica se a norma combina os dois esforços ou os trata em ensaios separados:
| Norma e edição | O que trata | Tração e torção |
|---|---|---|
| ASTM E2207-15(2021) | fadiga axial-torcional com controle de deformação, tubo de parede fina | combinadas, em fase e fora de fase |
| ISO 1352:2021 | fadiga de metais com torque controlado | só torção |
| ASTM E143-20 | módulo de cisalhamento à temperatura ambiente | só torção |
| ASTM F543-23 | parafusos ósseos metálicos: torção, torque de inserção, arrancamento | separadas, em anexos diferentes |
| ASTM F1717-21 | construtos de implante de coluna em modelo de vertebrectomia, estático e fadiga | ensaios separados, inclui torção |
| ASTM F2077-24 | dispositivos de fusão intersomática, estático e dinâmico | ensaios separados, inclui torção |
| ASTM A938-18(2024) e ISO 7800:2012 | torção de arame metálico (a ISO, de 0,1 a 14 mm) | só torção |
| ISO 80369-7:2021 | conectores Luer de uso intravascular e hipodérmico | requisitos de conector, com ensaios próprios |
A ASTM F543 não é um ensaio axial-torcional. A norma de parafusos ósseos metálicos tem anexos separados: o A1 determina as propriedades torcionais (escoamento torcional, torque máximo e ângulo de ruptura), o A2 o torque de inserção e remoção, o A3 a força de arrancamento axial e o A4 os parafusos autoatarraxantes. A torção e o arrancamento são ensaios diferentes, feitos em corpos de prova diferentes. A própria norma avisa que os resultados do A1 não preveem o torque que o parafuso suporta no osso; servem para verificar uniformidade e comparar produtos. Páginas de fabricantes e laboratórios que listam a F543 como "axial-torsion testing" juntam os dois anexos num ensaio que a norma não descreve.
Sobre os conectores Luer: a ISO 594-1 e a ISO 594-2 foram retiradas e substituídas pela série ISO 80369, e a ISO 594-2 saiu de vigência em 2016. A ISO 80369-1, de requisitos gerais, teve a edição de 2018 retirada e está vigente na edição de 2025. Nenhuma delas é norma de ensaio axial-torcional, embora apareçam em listas de "normas do ensaio" na internet. As normas de torção pura, como a E143 e a A938, são detalhadas no artigo de ensaio de torção.
Normas brasileiras. Não foi localizada norma ABNT de ensaio axial-torcional nem adoção brasileira da ASTM E2207 ou da ISO 1352; o catálogo da ABNT não foi consultado diretamente na data deste artigo. Para a parcela de tração em metais, a referência brasileira é a ABNT NBR ISO 6892-1.
Como fazer o ensaio axial-torcional passo a passo
O ensaio axial-torcional consiste em fixar o corpo de prova alinhado entre duas garras, aplicar força e torque segundo uma trajetória definida e registrar os dois canais até o critério de fim. O roteiro geral, que a norma do material ou do produto detalha:
- Definir a trajetória. Estático ou cíclico; simultâneo ou sequencial; razão entre os canais (por exemplo, γa/εa = √3) e defasagem (0° ou 90°); controle de força e torque ou de deformação.
- Preparar e medir o corpo de prova. Diâmetros externo e interno e espessura em vários pontos da seção útil; acabamento da superfície, que pesa muito em fadiga.
- Alinhar. As duas garras no mesmo eixo, sem excentricidade nem inclinação. Desalinhamento cria flexão, uma tensão que não entra nas contas.
- Zerar os dois canais com o corpo de prova preso de um lado só, e conferir que fixar o segundo lado não introduz força nem torque.
- Montar o extensômetro na seção útil, quando o ensaio é com controle ou medição de deformação.
- Aplicar a carga pela trajetória definida, com a velocidade ou a frequência especificada.
- Registrar força, deslocamento, torque e ângulo ao mesmo tempo, com a mesma base de tempo.
- Aplicar o critério de fim: ruptura, queda da força ou do torque além de um percentual, número de ciclos, ângulo ou torque de prova.
- Relatar norma e edição, geometria, trajetória, defasagem, controle, temperatura, resultados individuais e o modo de falha.
Dados que o ensaio entrega
O ensaio entrega duas curvas simultâneas, força × deslocamento e torque × ângulo, que se convertem em tensão × deformação nos dois canais. Delas saem σ, τ e σvM em cada instante; o módulo de elasticidade e o de cisalhamento; o escoamento sob a trajetória aplicada; e, no ensaio estático até a ruptura, os valores máximos e o ângulo final. Em fadiga, saem os laços de histerese σ × ε e τ × γ, a evolução da amplitude de tensão com os ciclos (que mostra o encruamento ou o amolecimento cíclico) e o número de ciclos até a falha. A curva de tração uniaxial e a leitura dos seus pontos estão no artigo sobre o diagrama tensão-deformação.
Tenacidade à fratura e fluência não são resultados do ensaio axial-torcional: cada uma tem ensaio e norma próprios. O modo de falha, por outro lado, é uma informação valiosa: a orientação da trinca indica se o material falhou pelo cisalhamento máximo ou pela tensão principal máxima.
Máquina de ensaio axial-torcional
A máquina de ensaio axial-torcional é um quadro de ensaio com dois eixos de atuação, um linear e um rotativo, uma célula de carga que mede força e torque ao mesmo tempo e um controlador capaz de comandar os dois canais de forma independente. Os sistemas de fadiga do mercado são servo-hidráulicos ou eletrodinâmicos, com atuador linear e rotativo integrado; há também máquinas universais com um módulo de torção acoplado.
Partes da máquina
Toda máquina axial-torcional tem as mesmas partes, com funções que se complementam. O esquema abaixo mostra um sistema genérico de fadiga com o atuador na base: o quadro (A) resiste à força e ao torque sem deformar; o atuador (B) aplica deslocamento linear e rotação; a célula de carga (C) mede os dois esforços; as garras (D) prendem o corpo de prova tubular (E) sem escorregar no sentido axial nem no de giro; o extensômetro (F) mede ε e γ na seção útil; e o controlador (G) comanda os dois canais e registra os dados, como mostra o esquema.

Três partes merecem atenção na compra e no uso. A célula de carga de dois canais tem acoplamento cruzado (crosstalk): um pouco da força aparece no canal de torque e vice-versa, e a MTS trata esse acoplamento como especificação do sistema; a calibração tem de cobrir os dois canais. As garras precisam transmitir torque sem folga angular, por isso usam pinças, mordentes hidráulicos ou cabeças roscadas, e não as cunhas comuns de tração. O extensômetro axial-torcional mede o deslocamento e a rotação relativa entre duas facas na seção útil; um extensômetro só axial não mede γ. A célula de carga e o extensômetro têm artigos próprios.
Faixas de capacidade do mercado
As capacidades dos sistemas axial-torcionais comerciais vão de poucos quilonewtons e dezenas de N·m, para implantes e biomateriais, a centenas de quilonewtons e milhares de N·m, para componentes automotivos e aeroespaciais. A tabela mostra exemplos publicados pelos fabricantes (páginas consultadas em 13/10/2026), só como faixa de referência:
| Sistema | Axial | Torque | Rotação |
|---|---|---|---|
| Instron ElectroPuls E3000 | ±3 kN (±0,67 kip) | ±25 N·m (±220 lbf·in) | até 16 voltas |
| Instron ElectroPuls E10000 | ±10 kN | ±100 N·m | até 16 voltas |
| Instron 8874 | ±25 kN | ±100 N·m | ±130° |
| Instron 8852 e 8854 | ±100 e ±250 kN | ±1.000 e ±2.000 N·m | curso rotativo de 90° |
| MTS Series 809 | 25 a 1.000 kN | 220 a 11.000 N·m | ±50° estático, ±45° dinâmico |
A conta do Exemplo 1 mostra como escolher: o tubo de 25 × 21 mm pede 30 kN e 150 N·m só para chegar a 74 % do escoamento por von Mises, e cerca de 51 kN e 336 N·m para escoar em cada eixo isolado. A capacidade do sistema se escolhe pela peça mais resistente que se pretende ensaiar, com margem, e a rotação, pelo ângulo máximo esperado; ensaios de cabos, por exemplo, pedem giros de ±180° a ±270° sob tração, segundo a TPC Wire.
Aplicações do ensaio axial-torcional por setor
O ensaio axial-torcional se aplica onde a peça trabalha com tração e torção ao mesmo tempo ou onde o projeto precisa do comportamento do material sob estado multiaxial. A tabela resume os setores e o que se ensaia em cada um:
| Setor | O que se ensaia | Referências |
|---|---|---|
| Biomédico | parafusos ósseos, implantes de coluna e de quadril, conectores Luer, tecido ósseo | ASTM F543, F1717, F2077; ISO 80369-7 |
| Automotivo | semieixos, eixos de transmissão, colunas de direção, rótulas, fixadores | normas e especificações de montadora |
| Aeroespacial e energia | palhetas, eixos de turbina, materiais para alta temperatura | ASTM E2207 para dados de material |
| Petróleo e gás | tubos e conexões sob peso e torque de perfuração | especificações de produto |
| Cabos e arames | torção sob tração, enrolamento | ASTM A938; ISO 7800 |
| Materiais e pesquisa | superfície de escoamento, fadiga multiaxial, compósitos tubulares | ASTM E2207; literatura |
Na área médica está boa parte da demanda atual: os fabricantes de implantes precisam mostrar o comportamento sob esforços que se combinam no corpo, e os laboratórios de dispositivos ensaiam tecido animal e ósseo sob tração e torção para comparar com o implante. Em compósitos, o tubo enrolado em filamento sob tração e torção permite variar a razão entre os esforços e estudar a falha das camadas. Nos metais, o ensaio é a principal fonte de dados para validar critérios de escoamento e modelos de fadiga multiaxial.
Erros comuns no ensaio de tração e torção
Os erros que mais distorcem o resultado, ou a leitura dele:
- Somar σ e τ. As tensões se combinam por √(σ² + 3τ²) ou √(σ² + 4τ²), nunca por soma direta.
- Usar τ = T·r/J depois do escoamento. Com o material escoando, a distribuição deixa de ser linear e a fórmula superestima a tensão na superfície. É um dos motivos do tubo de parede fina.
- Medir a deformação pelo atuador. No Exemplo 4, o alvo era 0,10 mm e 0,86°, valores da ordem da folga e da deformação das garras. Use extensômetro na seção útil.
- Desalinhamento. Excentricidade ou inclinação entre as garras introduz flexão, que não aparece em nenhum dos dois canais.
- Ignorar o acoplamento cruzado da célula de carga de dois canais, ou calibrar só o canal de força.
- Tratar o sequencial como simultâneo. Tração e depois torque não é o mesmo que os dois em fase.
- Comparar ensaios em fase e fora de fase pela mesma deformação equivalente como se tivessem a mesma severidade: o fora de fase costuma dar vida menor.
- Aplicar a ASTM E2207 a componentes, ou fora do escopo: com deformação média diferente de zero ou frequências diferentes nos dois canais.
- Citar a ASTM F543 como ensaio combinado. Torção e arrancamento estão em anexos separados.
- Citar normas retiradas, como a ISO 594-2 ou a ISO 1352:2011.
- Ignorar a flambagem do tubo em compressão ou em torção alta, que pode ser confundida com escoamento.
- Escolher a máquina pela capacidade de um eixo só. A peça precisa caber nos dois limites, de força e de torque, e no curso angular.
Ensaio de tração e torção com equipamentos Biopdi
A Biopdi fornece a máquina universal de tração-torção, que aplica tração e torque na mesma peça, além da máquina de ensaio de torção e da máquina universal de ensaios. A máquina de ensaio de torção tem duas versões: a Básica, utilizada em conjunto com a máquina universal de ensaios, e a Completa, de funcionamento independente. A máquina universal faz a parcela axial: tração, compressão e arrancamento. Capacidades de força e de torque, modo de controle e tipo de ensaio da configuração de tração-torção se definem com a equipe técnica da Biopdi, a partir do corpo de prova e das cargas. O painel abaixo mostra a máquina de torção e o papel de cada parte, e os equipamentos relacionados.
A máquina de ensaio de torção Biopdi
Capacidades de 1, 5 e 10 N·m (outras sob consulta), velocidade de 0,01 a 200 rpm, precisão angular de 0,018° e de torque de 0,005 N·m, amostras de até 200 mm de comprimento. Cada parte tem uma função:

- Motor e mandril rotativo giram uma ponta da amostra na velocidade ajustada
- Mandril fixo e transdutor medem o torque transmitido pela amostra
- Medição angular registra o ângulo de torção
- Suportes de amostra opcionais, conforme a peça
- Console ou software configura o ensaio e traça torque × ângulo
- Proteção de acrílico opcional na versão Completa
Versões e equipamentos relacionados
A versão Básica trabalha com a máquina universal; na máquina universal de tração-torção, tração e torque atuam na mesma peça, e a deformação axial se mede na linha M2:



Pela faixa de até 10 N·m, a máquina de torção atende fios e arames finos, parafusos pequenos, instrumentos odontológicos e corpos de prova pequenos de metal e polímero, como a barra de 4 mm do Exemplo 5. O tubo dos Exemplos 1 a 3, com centenas de N·m, está na faixa dos sistemas industriais da tabela de mercado. A linha M2 tem modelos de coluna simples, de 200 N a 10 kN, e de coluna dupla, de 5 kN a 1.000 kN, e os extensômetros da linha medem a deformação axial. Para as especificações da máquina universal de tração-torção, fale com a equipe técnica; para capacidades fora dessas faixas ou montagens especiais, consulte os projetos especiais ou peça um orçamento. A torção pura, com as fórmulas do módulo G e a curva torque × ângulo, está no artigo de ensaio de torção.
Outros ensaios e referências técnicas
Ensaios realizados na máquina universal Biopdi
Referências técnicas relacionadas
ASTM E8 x ISO 6892-1: ensaio de tração em metais, diferenças e requisitos (NBR ISO 6892-1 e A370)
A ASTM E8/E8M-25 e a ISO 6892-1:2019, adotada no Brasil como ABNT NBR ISO 6892-1:2024, regem o mesmo ensaio de tração de metais em temperatura ambiente. Elas diferem no comprimento de referência do corpo de prova (4D no E8, 5D no E8M e 5,65√S0 na ISO), no controle e na tolerância de velocidade, nos símbolos, no arredondamento e nas normas de máquina e extensômetro. Por isso o alongamento de uma não se compara direto com o da outra.
NBR 5739: ensaio de compressão de concreto, cálculo do fc e as normas NBR 7222, NBR 12142 e NBR 6136-2
A ABNT NBR 5739:2018, confirmada em 2023, é a norma do ensaio de compressão de corpos de prova cilíndricos de concreto: carga contínua a 0,45 ± 0,15 MPa/s até a ruptura e fc = 4F/(πD²), em MPa, com três algarismos significativos. Veja o que ela exige da máquina e do corpo de prova, a correção h/d, os tipos de ruptura A a G e as normas irmãs: NBR 7222 (compressão diametral), NBR 12142 (tração na flexão) e NBR 12118, cancelada em 02/2026 e substituída pela NBR 6136-2:2026.
Corpo de prova de solda: tração e dobramento por ASME IX, AWS e ISO
Corpo de prova de solda: como retirar, usinar e ensaiar à tração e ao dobramento pela ASME IX e ISO 15614-1, com os critérios de 3 mm e de 95 % e exemplos.
Perguntas frequentes
O que é o ensaio de tração e torção (axial torsion test)?
É o ensaio que aplica força axial (tração ou compressão) e torque ao mesmo corpo de prova, juntos ou separadamente, em fase ou fora de fase. A superfície recebe tensão normal σ = F/A e de cisalhamento τ = T·r/J, que se combinam na tensão equivalente de von Mises, √(σ² + 3τ²).
Qual a diferença entre ensaio de torção e ensaio axial-torcional?
O ensaio de torção aplica só torque e mede torque, ângulo e o módulo de cisalhamento G; o axial-torcional aplica torque e força axial no mesmo corpo de prova e mede a resposta ao estado combinado de tensões, como a superfície de escoamento e a vida em fadiga multiaxial.
Que tipo de tensão a torção provoca?
Tensão de cisalhamento, nula no centro e máxima na superfície da barra circular: τ = T·r/J. Na superfície, esse cisalhamento equivale a uma tração e uma compressão de mesma intensidade a 45° do eixo, por isso materiais frágeis rompem em hélice.
Como calcular a tensão num tubo sob tração e torção?
Calcule σ = F/A e τ ≈ T/(2π·rm²·t) e combine por von Mises: σvM = √(σ² + 3τ²). Para um tubo de 25 × 21 mm com 30 kN e 150 N·m, σ = 207,6 MPa, τ = 90,3 MPa e σvM = 259,9 MPa.
Para que serve o ensaio axial-torcional?
Para reproduzir o estado de tensões de peças que trabalham com tração e torção ao mesmo tempo, como parafusos, eixos, implantes e cabos, e para obter dados de material sob carga multiaxial: superfície de escoamento, critério de falha e vida em fadiga em fase e fora de fase.
Que máquina faz o ensaio axial-torcional?
Um sistema com atuador linear e rotativo, célula de carga de força e torque, extensômetro axial-torcional e controlador de dois eixos, ou uma máquina universal de tração-torção. As capacidades comerciais vão de ±3 kN e ±25 N·m a 1.000 kN e 11.000 N·m. A Biopdi fornece máquina universal de tração-torção, com especificação definida com a equipe técnica.
O que diz a ASTM E2207?
A ASTM E2207-15(2021) é a prática para fadiga axial-torcional com controle de deformação em tubos de parede fina, em fase ou fora de fase, à temperatura ambiente ou elevada. Ela se limita a deformação média zero, mesma frequência nos dois canais e materiais homogêneos, e não se aplica a componentes.
A ASTM F543 é um ensaio axial-torcional?
Não. A ASTM F543-23, de parafusos ósseos metálicos, tem a torção (anexo A1), o torque de inserção (A2) e o arrancamento axial (A3) em anexos e ensaios separados; ela não aplica tração e torção ao mesmo tempo.
Quais são os tipos de ensaio de torção?
Torção pura até a ruptura ou até um ângulo, torção de prova (torque mantido), torção cíclica (fadiga, como na ISO 1352), torção funcional de produto e torção combinada com carga axial, o ensaio axial-torcional, que pode ser estático ou cíclico, em fase ou fora de fase.
Qual é um exemplo de torção combinada com tração?
O parafuso em aperto: a chave aplica torque, e a pré-carga traciona o corpo do parafuso ao mesmo tempo. Outros exemplos são o eixo de transmissão com carga axial, a coluna de direção, o cabo torcido sob tração e o parafuso ósseo sendo inserido.