Ensaio de rasgamento: resistência ao rasgo, normas e cálculo

O ensaio de rasgamento mede a força para iniciar ou propagar um rasgo em borracha, filme, tecido e couro. Normas ASTM D624, ISO 34-1, D1938, D2261 e cálculo.

Ensaios MecânicosPor Mardoqueu M. Costa35 min de leitura

O ensaio de rasgamento mede a força, ou a energia, necessária para iniciar ou propagar um rasgo num corpo de prova padronizado de borracha, filme plástico, tecido ou couro. Em borracha, o resultado é a força dividida pela espessura, em kN/m (igual a N/mm); em filme e tecido, é a própria força, em N. Resultados de normas ou geometrias diferentes não se comparam.

As normas mudam com o material: em borracha, a ASTM D624-00(2020) e a ISO 34-1:2022; em filme, a ASTM D1938-19 (calça) e a ASTM D1004-21 (Graves); em tecido, a ASTM D2261-13(2024), a ASTM D5587-15(2024) e a série ISO 13937; em couro, a ISO 3377. Neste guia você encontra o que o ensaio mede, a fórmula e as unidades, os corpos de prova, a tabela de normas com edição conferida em 13/10/2026, o ensaio em cada material, o pêndulo Elmendorf, o passo a passo na máquina universal, exemplos resolvidos e os erros mais comuns.

O que é o ensaio de rasgamento e o que ele mede

Rasgamento é a ruptura que nasce num ponto de concentração de tensão (um corte, um entalhe ou um canto vivo) e avança por ele, e o ensaio de rasgamento mede a resistência do material a esse avanço. A diferença em relação ao ensaio de tração é o ponto de partida: na tração, a seção inteira trabalha e o resultado é uma tensão; no rasgamento, a força se concentra numa pequena região na ponta do defeito, e o material rompe ali, aos poucos, muito antes de a seção inteira chegar à sua resistência.

O ensaio existe porque muitos produtos falham assim em serviço. A ASTM D624 registra que borrachas e elastômeros termoplásticos costumam falhar pela geração e pela propagação de rasgos, e o mesmo vale para o saco plástico que rasga a partir de um furo, a luva que abre num corte pequeno, a lona que rasga a partir de um ilhós e o estofamento de couro que cede na costura. Por isso o rasgamento aparece no desenvolvimento e no controle de qualidade de vedações, mangueiras, correias, calçados, luvas e cateteres; de filmes de embalagem, sacos de lixo e filmes agrícolas; de tecidos de vestuário de trabalho, airbags, lonas e geotêxteis; e de couro para calçado e estofamento.

A mesma norma faz uma ressalva que vale para todo o assunto: o resultado é válido nas condições daquele ensaio e pode não ter relação direta com o desempenho do produto em serviço. O valor depende da forma do corpo de prova, da velocidade, da temperatura e da orientação do material. O ensaio serve para comparar materiais e lotes ensaiados do mesmo jeito, não para dar um valor de projeto.

Resistência ao rasgamento: o significado do termo

Resistência ao rasgamento (em inglês, tear strength ou tear resistance) é o valor que o ensaio entrega: a força para iniciar ou propagar o rasgo, ou essa força dividida pela espessura. As normas usam os dois termos em inglês como sinônimos: a D624 fala em "tear strength", a D1004 em "tear resistance" e a D1938 em "tear-propagation resistance". Textos que separam "tear strength" (propagação) de "tear resistance" (início) criam uma distinção que as normas não fazem. O que separa início de propagação é a geometria do corpo de prova, como mostra a seção seguinte.

Início e propagação do rasgo

Um rasgo tem duas fases. Na iniciação, o material íntegro precisa formar a trinca no ponto de maior tensão. Na propagação, a trinca já existe e avança. As normas escolhem uma fase pela forma do corpo de prova:

  • Sem corte prévio, com canto em ângulo: o canto concentra a tensão e o rasgo nasce ali. A ASTM D1004 (Graves, em filme) mede a força máxima, que ocorre perto do início do rasgo. No ângulo de 90° sem entalhe da borracha (D624 tipo C, ISO 34-1 método B), o resumo oficial da ISO 34-1 diz que a força medida combina início e propagação e não permite separar as duas parcelas.
  • Com entalhe ou corte feito antes do ensaio: a trinca já está lá, e o ensaio mede a propagação. É o caso do crescente com entalhe, da calça, da língua, do trapézio e do pêndulo Elmendorf.

A tabela resume o que cada geometria mede e onde ela aparece:

MedeGeometriaNormas
Início e propagação, sem separarângulo de 90° sem entalheASTM D624 tipo C; ISO 34-1 método B
Início (força máxima perto do começo)Graves, filmeASTM D1004
Propagação de um entalhecrescente ou ângulo com entalheASTM D624 tipos A e B; ISO 34-1 métodos B e C
Propagação de um cortecalça, língua, trapézio, asaD624 tipo T, ISO 34-1 A, D1938, ISO 6383-1, D2261, D5587, ISO 13937-2 a -4, ISO 3377
Propagação, por energiapêndulo ElmendorfASTM D1922, D1424; ISO 6383-2, ISO 13937-1

Fórmula e unidades da resistência ao rasgamento

Em borracha, a resistência ao rasgamento é a força dividida pela espessura do corpo de prova: Ts = F / d, em N/mm, que é o mesmo que kN/m. Dividir pela espessura faz sentido porque, numa lâmina de borracha, a força de rasgo cresce na proporção da espessura que precisa ser cortada. O que muda de uma geometria para outra é qual força entra na conta:

  • Ângulo e crescente (D624 tipos A, B e C; ISO 34-1 métodos B e C): F é a força máxima, o pico da curva.
  • Calça (ISO 34-1 método A; D624 tipo T): F é a força de propagação, que oscila enquanto o rasgo avança. Segundo a ZwickRoell, a ISO 34-1 usa a mediana dos picos, e a D624 usa a média ou a mediana nos tipos T e CP. Usar o maior pico superestima o resultado.
  • Filme e tecido: o resultado costuma ser a própria força, em N, sem dividir pela espessura. A D1938 relata a força média de propagação; a D1004, a força máxima; a D2261, a média dos cinco maiores picos ou o pico único, conforme a opção declarada no relatório.
  • Pêndulo Elmendorf: o aparelho converte a energia perdida pelo pêndulo numa força média de rasgo, lida em mN ou em gf (grama-força).

A divisão pela espessura não é automática em filme. A ASTM D1922 (pêndulo) diz que força de rasgo e espessura não têm relação linear e que só se comparam resultados de filmes com a mesma espessura; a ASTM D1004 aceita expressar o resultado por unidade de espessura apenas onde a correlação foi demonstrada para o material. Fichas técnicas que trazem "g/µm" ou "N/mm" para filme fazem uma normalização que vale como indicação, não como propriedade.

Na mecânica da fratura de elastômeros, o rasgo também se descreve pela energia de rasgamento (tearing energy), a energia gasta por unidade de área de trinca nova. Para a calça com pernas que quase não esticam, ela vale T = 2F / t, em J/m², com F a força de propagação e t a espessura. Rivlin e Thomas (Journal of Polymer Science, 1953) mostraram que o crescimento de um corte em borracha segue esse critério de energia, praticamente independente da forma do corpo de prova, e mediram de 1 a 20 kJ/m² em vulcanizados de borracha natural. É o mesmo conceito de tenacidade aplicado a um material muito deformável.

As unidades mais comuns e as conversões (cálculo da Biopdi, com 1 lbf = 4,44822 N e 1 in = 25,4 mm):

GrandezaFórmulaUnidadeOnde se usa
Resistência ao rasgamento (pico)Ts = Fmáx / dkN/m = N/mmD624 A, B, C; ISO 34-1 B e C
Resistência ao rasgamento (calça)Ts = Fmediana / dkN/m = N/mmISO 34-1 A; D624 T
Força de rasgoF média, máxima ou dos picosN (lbf, gf)filme e tecido
Energia de rasgamentoT = 2F / tJ/m² ou kJ/m²mecânica da fratura de elastômeros
Conversões1 lbf/in = 0,1751 N/mm; 1 gf = 9,807 mN; 1 N/mm = 1 kN/mfichas técnicas americanas e pêndulo

Corpos de prova do ensaio de rasgamento

O corpo de prova é o que define o ensaio de rasgamento: a mesma borracha dá valores diferentes na calça, no ângulo e no crescente, porque cada forma concentra a tensão de um jeito. Por isso a norma fixa a forma, as dimensões, a faca ou o gabarito de corte e a profundidade do entalhe. O esquema abaixo mostra, em planta e sem as cotas das normas, as seis formas mais usadas: a calça e a língua já abertas na posição de ensaio, as demais antes de ir para as garras, com o corte em vermelho, o ponto onde o rasgo começa ou avança em laranja e as setas no sentido em que as garras se afastam.

Esquema de seis corpos de prova do ensaio de rasgamento em planta: calça, ângulo de 90° sem entalhe, crescente com entalhe, Graves, língua de rasgo simples e trapézio, com o corte em vermelho, o ponto onde o rasgo começa em laranja e as setas de tração
Esquema dos corpos de prova: (a) calça; (b) ângulo de 90° sem entalhe, ASTM D624 tipo C; (c) crescente com entalhe, D624 tipo A; (d) Graves, ASTM D1004; (e) língua de rasgo simples, ASTM D2261; (f) trapézio, ASTM D5587. Em vermelho, o corte ou entalhe; em laranja, onde o rasgo começa ou avança

Calça (trouser tear test)

O ensaio de rasgamento tipo calça (trouser tear test) usa uma tira retangular cortada ao meio no comprimento, formando duas "pernas"; cada perna vai numa garra, e a máquina afasta as garras com velocidade constante, propagando o rasgo pela linha central. Como o rasgo avança por um caminho definido, a força fica oscilando em torno de um patamar, e o resultado é a mediana (ou a média) dos picos desse trecho. É a geometria que mais se aproxima de uma medida pura de propagação, e por isso existe em quase todos os materiais: borracha (ISO 34-1 método A, ASTM D624 tipo T), filme (ASTM D1938, ISO 6383-1), tecido (ISO 13937-2) e couro (ISO 3377-1, que a própria ISO diz ser às vezes chamada de calça). A velocidade muda de uma norma para outra: 100 mm/min na ISO 34-1 e na ISO 13937-2, 250 mm/min na D1938, 50 mm/min no tipo T da D624.

Na foto, um ensaio tipo calça em filme plástico: a tira foi cortada ao meio no comprimento, uma perna está presa na garra de cima e a outra na de baixo, e o rasgo avança pela linha central à medida que as garras se afastam. A parte ainda inteira do filme fica pendurada entre as garras, sem carga.

Ensaio de rasgamento tipo calça em filme plástico: a tira cortada ao meio tem uma perna presa na garra de cima e a outra na de baixo, e o rasgo avança pela linha central
Rasgamento tipo calça: as duas pernas puxadas em sentidos opostos propagam o rasgo pelo centro do filme

A calça tem um limite: as pernas também esticam. Se o material é muito extensível, parte da força vai para alongar as pernas, e não para rasgar. A ISO 6383-1 avisa que o método não serve a filmes em que a deformação das pernas consome uma parcela relevante da energia; nesses casos, a escolha é outra geometria, como o ângulo ou o crescente.

Ângulo, crescente e Graves

O ângulo de 90° é uma tira com um canto reentrante no meio de uma das bordas (D624 tipo C, a geometria de borracha mais citada em fichas técnicas americanas como "Die C"). Sem entalhe, o rasgo nasce no vértice do ângulo; com entalhe, parte dele. O crescente tem uma borda côncava com um pequeno entalhe no centro (D624 tipos A e B, ISO 34-1 método C), e mede a propagação desse entalhe. Nos dois, a curva sobe até um pico e cai quando o rasgo atravessa a largura: o resultado é a força máxima dividida pela espessura.

O Graves é a versão para filme do ângulo de 90°, definida pela ASTM D1004-21: um corpo de prova com abas largas e um ângulo reto no centro, tracionado a 51 mm/min. A norma mede a força para iniciar o rasgo (a força máxima ocorre perto do começo), relata em newtons e não se aplica a filmes de ruptura frágil nem a materiais que se estendem mais de 101,6 mm antes de romper. A ASTM registra que não conhece norma ISO equivalente.

Língua, trapézio e asa (tecidos)

Em tecido, a tira simples da calça ganhou variantes. Na língua de rasgo simples (ASTM D2261, em inglês tongue tear), um retângulo é cortado no meio a partir de uma das bordas curtas e cada "língua" vai numa garra, como na calça, mas com corpo de prova mais largo. Na língua de rasgo duplo (ISO 13937-4), dois cortes paralelos formam uma língua central presa numa garra, e as laterais vão na outra; o rasgo avança pelos dois cortes. No trapézio (ASTM D5587), um trapézio é marcado no retângulo, os dois lados não paralelos são presos nas garras e um corte curto no meio da base menor inicia o rasgo, que avança pela largura enquanto os fios vão sendo carregados um a um. Na asa (ISO 13937-3), as extremidades são cortadas em ângulo para que o rasgo siga a linha desejada.

Delft e Baumann: corpos de prova especiais

Dois nomes aparecem muito em buscas e em fichas técnicas. O Delft é o corpo de prova pequeno de borracha da ISO 34-2:2022, preferido quando há pouco material ou quando se ensaia uma peça pequena; a própria ISO avisa que ele não dá necessariamente o mesmo resultado da ISO 34-1. O Baumann é o rasgo de borda dupla em couro, padronizado pela ISO 3377-2:2025, que a ISO descreve como "às vezes chamado de Baumann tear". O rasgo de borda simples em couro, tipo calça, é a ISO 3377-1:2011.

Normas do ensaio de rasgamento por material

A norma do ensaio de rasgamento se escolhe pelo material e pela fase do rasgo que interessa: borracha segue a ASTM D624 ou a ISO 34-1; filme, a D1938, a D1004 ou a ISO 6383; tecido, a D2261, a D5587 ou a ISO 13937; couro, a ISO 3377. A tabela reúne as principais, com a edição e o status conferidos na loja da ASTM e no catálogo da ISO em 13/10/2026. As velocidades marcadas com asterisco vêm de fabricantes de equipamento e laboratórios (ZwickRoell, Teartester, Universal Grip, Nelson Labs, MaterialsTests), não do texto da norma; confira na norma comprada antes de configurar o ensaio.

Norma e ediçãoMaterial e corpo de provaVelocidadeResultado
ASTM D624-00(2020), tipos A, B e Cborracha e TPE; crescente com entalhe (A, B), ângulo sem entalhe (C)500 ± 50 mm/min*Fmáx / espessura, kN/m
ASTM D624-00(2020), tipos T e CPborracha e TPE; calça (T) e CP50 ± 5 mm/min*média ou mediana / espessura, kN/m
ISO 34-1:2022, método Aborracha; calça100 ± 10 mm/min*mediana / espessura, kN/m
ISO 34-1:2022, métodos B e Cborracha; ângulo com ou sem entalhe, crescente com entalhe500 ± 50 mm/min*Fmáx / espessura, kN/m
ISO 34-2:2022borracha; Delft, peças pequenasconforme a normaforça, conforme a norma
ASTM D1938-19filme e lâmina até 1 mm; calça, propagação250 mm/min*força média de propagação, N
ISO 6383-1:2015filme e lâmina abaixo de 1 mm; calçaconforme a normaforça de propagação, N
ASTM D1004-21filme e lâmina; Graves, início51 mm/minforça máxima, N
ASTM D1922-23 e ISO 6383-2:1983filme; pêndulo Elmendorfrasgo a 7,6 a 46 m/min (D1922)mN ou gf
ASTM D2261-13(2024)tecido; língua de rasgo simples300 mm/min*média dos 5 maiores picos ou pico único, N
ASTM D5587-15(2024)tecido; trapézio305 mm/min (12 in/min)*força de rasgo, N
ISO 13937-2:2000tecido; calça100 mm/min*força de rasgo, N
ISO 13937-3:2000 e ISO 13937-4:2000tecido; asa (3) e língua de rasgo duplo (4)conforme a normaforça de rasgo, N
ASTM D1424-25 e ISO 13937-1:2000tecido; pêndulo Elmendorfpênduloforça de rasgo, N ou mN
ISO 9073-4:2021nãotecido; trapézioconforme a normaforça de rasgo, N
ISO 4674-1:2016 e ISO 4674-2:2021tecido revestido de borracha ou plástico; língua e calça (1), pêndulo (2)constante (1); pêndulo (2)força de rasgo, N
ISO 3377-1:2011 e ISO 3377-2:2025couro; borda simples (1) e borda dupla, Baumann (2)conforme a normaforça de rasgo, N

Sobre o status: a ISO 34-1:2022 e a ISO 34-2:2022 substituíram as edições de 2015, já retiradas; as quatro partes da ISO 13937 foram confirmadas em 2023; a ISO 3377-1:2011 está vigente, mas em revisão; a ISO 3377-2:2025 substituiu a de 2016. Na ASTM, a D624 e a D1938 continuam nas edições de 2000 (reaprovada em 2020) e de 2019, e a D1424 ganhou edição nova em 2025.

Normas brasileiras. A ABNT NBR 11911, de resistência ao rasgamento de elastômero vulcanizado, consta como cancelada sem substituição desde dezembro de 2013 no catálogo da Target; quem precisa de método para borracha usa hoje a ASTM D624 ou a ISO 34-1. Há adoções brasileiras da série ISO 13937 (como a ABNT NBR ISO 13937-2) e da ISO 3377, e a ABNT NBR 8516 trata do rasgamento de espuma flexível de poliuretano; a edição e o status vigentes dessas normas não foram confirmados no catálogo da ABNT na data deste artigo.

Rasgamento de borracha: ASTM D624 e ISO 34-1

O rasgamento de borracha e de elastômeros termoplásticos segue a ASTM D624-00(2020) ou a ISO 34-1:2022, e o resultado sai em kN/m, a força dividida pela espessura. As duas normas cobrem as mesmas famílias de corpo de prova (calça, ângulo e crescente), mas com dimensões, velocidades e regras de cálculo próprias. A ZwickRoell registra que os resultados da D624 e da ISO 34 não são diretamente reprodutíveis entre si: um valor "Die C" de uma ficha americana não se compara com um valor de calça ISO de outra ficha.

Na D624, os tipos A e B são crescentes com entalhe, o tipo C é o ângulo de 90° sem entalhe, o tipo T é a calça e o tipo CP é outro corpo de prova de propagação. Segundo a ZwickRoell, os tipos A, B e C correm a 500 ± 50 mm/min e o resultado é a força máxima por espessura; os tipos T e CP correm a 50 ± 5 mm/min e o resultado é a média ou a mediana da força de propagação por espessura. Na ISO 34-1, o método A (calça, a 100 ± 10 mm/min) usa a mediana; os métodos B (ângulo, com ou sem entalhe) e C (crescente com entalhe), a 500 ± 50 mm/min, usam a força máxima.

A D624 lembra que o resultado é muito influenciado pela anisotropia que o processamento cria na borracha (o "grão" de calandragem ou de extrusão), pela taxa de deformação e pelo tamanho do corpo de prova. Na prática: cortar os corpos de prova sempre na mesma direção em relação ao grão, ou nas duas e relatar ambas; medir a espessura na região do rasgo; e entalhar com a ferramenta especificada, porque um entalhe cego ou fundo demais muda o valor. A temperatura pesa ainda mais em borracha que em plástico: em taxa alta ou temperatura baixa, a energia de rasgamento pode ficar de 10 a 100 vezes maior (Polymer, 2013), o que explica normas e especificações que pedem rasgamento a quente.

Quem ensaia borracha ao rasgamento quase sempre ensaia também a tração do mesmo composto, pela ASTM D412 ou pela ISO 37. São normas e corpos de prova diferentes, feitos na mesma máquina; o guia de ASTM D412 e ISO 37 (tração de borracha) trata do segundo ensaio.

Rasgamento de filmes plásticos: ASTM D1938, D1004 e ISO 6383

Em filme plástico, a ASTM D1938-19 (calça) mede a força para propagar o rasgo e a ASTM D1004-21 (Graves) mede a força para iniciá-lo; os dois relatam a força em newtons. A D1938 vale para filme e lâmina com até 1 mm de espessura (a ASTM chama de filme o material com até 0,25 mm) e registra que é semelhante à ISO 6383-1, mas não equivalente, porque a ISO usa corpo de prova maior e outras velocidades. A D1004 diz que o método serve para ordenar materiais de composição semelhante, não para prever o comportamento de produtos diferentes.

Filme tem uma particularidade que muda tudo: a anisotropia. No processo de extrusão, as cadeias do polímero se orientam na direção de máquina (MD); na direção transversal (TD), a orientação é menor. O rasgo que corre paralelo às cadeias orientadas encontra menos resistência, e por isso o filme rasga mais fácil na MD. Um saco que rasga reto quando aberto num sentido e resiste no outro está mostrando exatamente isso.

O gráfico abaixo compara a resistência ao rasgamento Elmendorf, em mN por µm de espessura, de três filmes soprados de LLDPE com comonômeros diferentes e de um filme cast, nas duas direções (Ren et al., Polymers, 2019). Nos soprados, a TD resistiu de 3,1 a 5,3 vezes mais que a MD; no cast, que quase não orienta as cadeias, as duas direções ficaram próximas.

Gráfico de barras da resistência ao rasgamento Elmendorf de filmes de LLDPE na direção de máquina e na transversal: três filmes soprados com razão TD/MD de 3,1 a 5,3 e um filme cast com razão de 1,1
Anisotropia do rasgo em filme de LLDPE (Elmendorf, mN/µm): soprado (B) × cast (C). Dados de Ren et al. (2019)

A consequência para o laboratório é direta: filme se ensaia nas duas direções e se relata cada uma separadamente. Uma média das duas esconde o ponto fraco, que é a MD. O mesmo vale para a espessura: compare filmes de mesma espessura, porque a relação entre força de rasgo e espessura não é linear. A tração do mesmo filme segue a ASTM D882, tratada no guia de ASTM D882 (tração de filmes plásticos). Existe ainda um ensaio que combina perfuração e rasgo, a ASTM D2582, usado em filmes que rasgam a partir de um objeto pontiagudo.

Rasgamento de tecidos e couro: ASTM D2261, D5587, ISO 13937 e ISO 3377

Em tecido, o rasgamento se mede pela língua de rasgo simples (ASTM D2261), pelo trapézio (ASTM D5587), pelas quatro partes da ISO 13937 ou pelo pêndulo (ASTM D1424), e o resultado é a força de rasgo em newtons, relatada separadamente no urdume e na trama. A D2261 e a D5587 dizem que a máquina de velocidade constante de extensão (CRE, constant-rate-of-extension) é o aparelho preferido; na D5587, o resultado obtido na máquina CRE prevalece sobre o da máquina de velocidade constante de tração (CRT), que só se usa por acordo entre as partes. A máquina CRE é a máquina universal eletromecânica.

Em tecido, o rasgo avança fio a fio. Cada vez que um grupo de fios na frente do rasgo rompe, a força cai; depois sobe até romper o grupo seguinte. A curva é uma sequência de picos irregulares. A D2261 registra que os picos mais altos refletem a resistência dos fios que param o rasgo e que os vales não têm significado; por isso o cálculo usa os picos. Segundo a Universal Grip, a D2261 usa corpo de prova de 75 × 200 mm, corte de 75 mm, 300 mm/min e a média dos cinco maiores picos; a outra opção da norma é o pico único. Pela ISO 13937-2 (calça), segundo a MaterialsTests, o corpo de prova tem 200 × 50 mm, corte de 100 mm, velocidade de 100 mm/min e ao menos cinco corpos de prova por direção.

A construção do tecido decide o resultado. Num estudo com tecidos planos e reps, o rasgo na trama foi bem maior que no urdume porque a densidade de fios do urdume (65 fios/cm) era muito maior que a da trama (14 a 20 fios/cm); fios de filamento deram o maior rasgo, e a densidade alta reduziu o rasgo (Eryuruk e Kalaoglu, AUTEX Research Journal, 2015). O motivo é a mobilidade: num tecido aberto, os fios na frente do rasgo deslizam e se agrupam, dividindo a carga; num tecido denso, ficam presos e rompem um a um. A norma para nãotecido é a ISO 9073-4:2021 (trapézio), e a de tecido revestido de borracha ou plástico, a ISO 4674-1:2016 (língua e calça) e a ISO 4674-2:2021 (pêndulo). Lonas, toldos e geotêxteis seguem o mesmo raciocínio, com normas próprias de produto.

Em couro, a ISO 3377-1:2011 (borda simples, tipo calça) e a ISO 3377-2:2025 (borda dupla, Baumann) medem a força para rasgar a partir de um corte. Como no tecido, a direção do corte importa, e o relatório informa de onde e em que direção cada corpo de prova foi retirado.

Pêndulo Elmendorf: um método por energia

O ensaio Elmendorf mede a resistência à propagação de um rasgo pela energia que um pêndulo perde ao rasgar o corpo de prova; o resultado é uma força média, em mN ou gf, e não se converte no resultado de calça. O corpo de prova fica preso entre uma garra fixa e uma garra presa ao pêndulo; uma faca faz o corte inicial, o pêndulo é solto, cai e rasga o restante. O aparelho converte a energia perdida em força média de rasgo. As normas são a ASTM D1922-23 e a ISO 6383-2:1983 para filme, a ASTM D1424-25 e a ISO 13937-1:2000 para tecido, a ISO 4674-2:2021 para tecido revestido e a TAPPI T414 para papel, em que várias folhas são rasgadas juntas.

Três diferenças separam o pêndulo da máquina universal. A velocidade: na D1922, o rasgo corre a 7,6 a 46 m/min, de 30 a quase 200 vezes mais rápido que a calça da D1938 a 250 mm/min. O princípio: o pêndulo mede energia gasta num percurso curto, sem curva de força. O equipamento: é um aparelho dedicado, que não se monta numa máquina universal. Por isso o resumo da ISO 4674-2 avisa que o resultado do pêndulo não se compara com os métodos de velocidade constante, e a D1424 só vale se o tecido rasgar na direção prevista, sem desviar.

O pêndulo domina as páginas comerciais de "tear tester" porque é rápido e é a referência histórica em filme e papel. A máquina universal é a escolha para os métodos por força (calça, ângulo, crescente, Graves, língua e trapézio), que são os de borracha e os preferidos pela ASTM em tecido. A escolha segue a especificação do cliente: se ela pede Elmendorf, o ensaio é no pêndulo; se pede calça, Graves, língua ou trapézio, é na máquina universal.

Como fazer o ensaio de rasgamento na máquina universal

Na máquina universal, o ensaio de rasgamento consiste em prender o corpo de prova entre duas garras, afastá-las com velocidade constante e registrar a curva força × deslocamento até o rasgo atravessar o corpo de prova. O roteiro geral, que cada norma detalha:

  1. Condicionar. Borracha, filme e tecido têm atmosferas próprias de temperatura e umidade, definidas na norma do ensaio ou na norma de condicionamento que ela cita. Tecido é sensível à umidade; borracha, à temperatura.
  2. Cortar os corpos de prova nas duas direções (MD e TD em filme; urdume e trama em tecido; com e contra o grão em borracha), com faca ou gabarito afiado. Bordas serrilhadas criam pontos de início de rasgo fora do lugar.
  3. Fazer o corte ou o entalhe na posição e na profundidade da norma, com a ferramenta especificada. É a etapa que mais espalha resultados.
  4. Medir a espessura na região por onde o rasgo vai passar. Na borracha, a D624 usa a mediana das leituras.
  5. Prender o corpo de prova sem folga e sem escorregar. Na calça e na língua, uma perna em cada garra; no trapézio, os lados não paralelos nas garras; no ângulo e no crescente, as abas.
  6. Ajustar a velocidade da norma e zerar a força com o corpo de prova montado, mas sem carga.
  7. Registrar a curva inteira, até a separação completa ou o fim do trecho de medição.
  8. Descartar o corpo de prova em que o rasgo desviou da linha prevista, saiu pela lateral ou em que houve escorregamento na garra, e ensaiar outro.
  9. Calcular e relatar: norma e edição, tipo de corpo de prova, direção, espessura, velocidade, temperatura, valores individuais, mediana ou média, dispersão e qualquer desvio do rasgo.

O ensaio não usa extensômetro: o que interessa é a força, e o deslocamento é o da travessa. Também não há curva tensão × deformação, porque a área que resiste muda a cada instante.

Como ler a curva força × deslocamento

A forma da curva diz qual força entra no cálculo. O esquema abaixo usa os números dos exemplos resolvidos deste artigo para mostrar os três padrões: em (a), o ângulo sem entalhe sobe até um pico único de 85,0 N e cai quando o rasgo atravessa; em (b), a calça sobe, entra num patamar e oscila em sete picos, cuja mediana tracejada é 18,1 N; em (c), o tecido na língua forma picos irregulares, e os cinco maiores, em azul escuro, dão a média de 41,6 N.

Esquema de três curvas força × deslocamento do ensaio de rasgamento: pico único de 85 N no ângulo, patamar oscilante da calça com a mediana de 18,1 N tracejada e picos irregulares de tecido com os cinco maiores marcados e média de 41,6 N
Esquema das curvas de rasgamento com os números dos exemplos: (a) pico único, ângulo; (b) patamar da calça e mediana dos picos; (c) picos de tecido e média dos 5 maiores

A oscilação da calça tem causa física: o rasgo avança aos saltos. A ponta da trinca acumula energia, avança de uma vez, a força cai e volta a subir (o fenômeno chamado stick-slip, descrito em elastômeros por Shrimali e Lopez-Pamies, 2023). Por isso as normas usam a mediana ou a média dos picos, e não o maior deles. O trecho inicial, em que as pernas se alinham e o rasgo ainda não começou a correr, fica fora da conta. Uma queda brusca para zero no meio do patamar costuma ser escorregamento na garra, e não rasgo.

Exemplos resolvidos de resistência ao rasgamento

Os exemplos abaixo são ilustrativos, com números coerentes com as faixas publicadas, e as contas são da Biopdi. Os exemplos 1 e 2 são compostos diferentes e geometrias diferentes: não se comparam entre si.

1. Borracha, ASTM D624 tipo C (ângulo, pico). Um corpo de prova de EPDM com espessura mediana de 2,10 mm rompeu com força máxima de 85,0 N a 500 mm/min. Ts = 85,0 / 2,10 = 40,5 N/mm = 40,5 kN/m. Em unidade americana: 40,5 / 0,1751 = 231 lbf/in. O valor vale para o tipo C; o mesmo composto daria outro número no crescente ou na calça.

2. Borracha, ISO 34-1 método A (calça, mediana). Espessura de 2,00 mm, 100 mm/min. Picos no trecho de propagação: 17,2; 18,9; 16,8; 19,5; 18,1; 17,7; 18,4 N. Em ordem: 16,8; 17,2; 17,7; 18,1; 18,4; 18,9; 19,5. A mediana é o quarto valor, 18,1 N (a média daria 18,09 N). Ts = 18,1 / 2,00 = 9,05 kN/m. A energia de rasgamento, com pernas pouco extensíveis, é T = 2 × 18,1 / 0,00200 = 18.100 J/m² = 18,1 kJ/m², dentro da faixa de 1 a 20 kJ/m² medida por Rivlin e Thomas em borracha natural. Se o laboratório tivesse usado o maior pico (19,5 N), teria relatado 9,75 kN/m, 8 % acima.

3. Filme, calça e Elmendorf. (a) Um filme de PE de 50 µm deu força média de propagação de 0,42 N na ASTM D1938, a 250 mm/min. Relata-se 0,42 N, com a espessura. Dividir por 0,050 mm (8,4 N/mm) só tem sentido com correlação demonstrada para o material. (b) Uma ficha técnica de PEBD (Tricon, 2021) informa Elmendorf de 340 g a 50,8 µm. Em SI: 340 × 9,807 = 3.334 mN = 3,33 N, ou 65,6 mN/µm. Esse valor não se compara com os 0,42 N da calça: são métodos e velocidades diferentes. (c) Nos dados de Ren et al. (2019), o LLDPE 2045G soprado tem TD/MD = 411 / 127 = 3,2: o filme resiste três vezes mais ao rasgo numa direção que na outra.

4. Tecido, ASTM D2261 (língua). Picos no urdume: 38,2; 42,1; 40,8; 36,5; 43,5; 39,9; 41,7; 37,4 N. Os cinco maiores são 43,5; 42,1; 41,7; 40,8 e 39,9, que somam 208,0 N: média de 41,6 N. Pela opção de pico único, o resultado seria 43,5 N. Se a trama deu 58,3 N, a razão trama/urdume é 58,3 / 41,6 = 1,40. O relatório traz as duas direções e diz qual opção de cálculo foi usada.

5. Conversão de ficha técnica americana. Uma ficha de silicone informa "Tear, Die B: 187 lbf/in". Em SI: 187 × 0,1751 = 32,7 kN/m. A conversão muda a unidade, não o método: o valor continua sendo do crescente tipo B da D624 e não se compara com uma calça ISO.

Resistência ao rasgamento e resistência à tração

A resistência à tração mede a tensão que uma seção íntegra suporta, em MPa; a resistência ao rasgamento mede a força para fazer avançar um defeito, em N/mm ou N, e as duas propriedades não andam juntas. Na tração, a carga se distribui pela seção inteira até o limite de resistência à tração; no rasgo, ela se concentra na ponta do corte, e o que importa é a capacidade do material de deformar e dissipar energia naquela região. Por isso as unidades são diferentes (N/mm² na tração, N/mm no rasgo) e não se convertem uma na outra.

Um material pode ser forte em tração e fraco ao rasgo. Em tecido, aumentar a densidade de fios aumenta a resistência à tração, porque há mais fios trabalhando, mas reduz o rasgo, porque os fios presos não se agrupam na frente da trinca (Eryuruk e Kalaoglu, 2015). Em filme orientado, a direção que resiste mais à tração é, muitas vezes, a que rasga mais fácil. Em borracha, cargas de reforço e o tipo de vulcanização mudam tração e rasgo em proporções diferentes.

O equipamento é o mesmo; as normas não. Alguns textos na internet afirmam que o rasgo de borracha "se mede pela ASTM D412". Não é: a ASTM D412 e a ISO 37 são as normas de tração de borracha; o rasgamento de borracha segue a ASTM D624 ou a ISO 34-1. O que as duas famílias compartilham é a máquina universal, a célula de carga e as garras.

Erros comuns no ensaio de rasgamento

Os erros que mais distorcem o resultado, ou a leitura dele:

  1. Citar a ASTM D412 como norma de rasgo. É norma de tração; rasgo de borracha é D624 ou ISO 34-1.
  2. Comparar geometrias ou normas diferentes. Calça, ângulo e crescente dão valores diferentes no mesmo material, e D624 e ISO 34 não são diretamente reprodutíveis entre si.
  3. Comparar Elmendorf com calça. São princípios e velocidades diferentes.
  4. Usar o maior pico na calça em vez da mediana ou da média do trecho de propagação.
  5. Dividir a força do filme pela espessura sem correlação demonstrada, ou comparar filmes de espessuras diferentes.
  6. Ensaiar uma direção só. MD e TD, ou urdume e trama, podem diferir mais de três vezes.
  7. Entalhe malfeito, com lâmina cega ou profundidade errada.
  8. Aceitar rasgo desviado ou que saiu pela lateral: o corpo de prova se descarta.
  9. Confundir escorregamento na garra com pico de rasgo.
  10. Ignorar velocidade e temperatura, que mudam muito o resultado em borracha.
  11. Usar edição retirada, como a ISO 34-1:2015 ou a ISO 3377-2:2016.
  12. Ler o resultado como valor de projeto. A D624 avisa que ele pode não ter relação direta com o desempenho em serviço.
  13. Confundir termos. "Tear test" sozinho, em inglês, também é o teste de Schirmer, de produção de lágrima, em oftalmologia; "wear and tear" é desgaste; o "dynamic tear test" (ASTM E604) é um ensaio de fratura de metais, da família do ensaio de impacto; estouro (bursting) e perfuração (puncture) são outros ensaios.

Ensaio de rasgamento na máquina universal Biopdi

Os métodos de rasgamento por força (calça, ângulo, crescente, Graves, língua e trapézio) são feitos numa máquina universal de ensaios de velocidade constante, com célula de carga dimensionada para poucos newtons a algumas centenas de newtons e garras de tração. A máquina universal de ensaios Biopdi lista o rasgamento entre os seus ensaios, e o software BioLab tem uma configuração de ensaio de rasgamento que calcula a força máxima e a resistência ao rasgamento em N/mm. A Biopdi não fabrica pêndulo Elmendorf. O painel abaixo mostra a máquina, o papel de cada parte no ensaio de rasgamento e as garras que prendem as pernas e as abas do corpo de prova.

A máquina universal no ensaio de rasgamento

A linha M2 tem modelos de coluna simples, de 200 N a 10 kN, e de coluna dupla, de 5 kN a 1.000 kN. Cada parte da máquina tem uma função no ensaio:

Máquinas universais de ensaios M2 da Biopdi de coluna simples (MBIOI-10-M2, 10 kN) e coluna dupla (MBIOII-50-M2, 50 kN)
  1. Travessa móvel afasta as garras na velocidade da norma
  2. Célula de carga pequena, para forças de poucos newtons
  3. Garras uma perna ou aba em cada garra, sem escorregar
  4. Deslocamento pela travessa, sem extensômetro
  5. Software BioLab força máxima e rasgamento em N/mm
  6. Painel e emergência posiciona e para o ensaio

Dispositivos para o ensaio de rasgamento

As garras abaixo são montadas na mesma máquina, conforme o material e o corpo de prova:

Garra cunha Biopdi para ensaio de tração, nas capacidades de 5 kN, 20 kN e 200 kN
Garra cunha5, 20 e 200 kN
Garra alavanca Biopdi de 5 kN para ensaio de tração
Garra alavanca5 kN
Garra pneumática Biopdi para ensaio de tração em geotêxteis
Garra pneumática para geotêxteismordente largo

A regra de escolha é dimensionar a célula de carga à força esperada. O rasgo de filme dá de frações de newton a poucos newtons; o de borracha e de tecido, de dezenas a algumas centenas de newtons. A linha tem células a partir de 0,05 kN, e as capacidades que atendem o rasgamento são as menores. Quanto à velocidade, a D624 pede 500 ± 50 mm/min nos tipos A, B e C: os modelos da tabela chegam a 500 mm/min (a portátil, a 600 mm/min), o que atende essa velocidade, e as demais normas de rasgo pedem velocidades menores. A coluna estendida serve à calça de borracha, cujas pernas esticam muito antes de o rasgo correr. Para comparar modelos e configurações, veja como escolher uma máquina universal de ensaio.

AplicaçãoFaixaModelo Biopdi
Filmes, papel, fitas200 N a 1 kN; 0,02 a 600 mm/minMBIOI-1P-M2 portátil
Borracha, filmes, tecidos2 a 10 kN; 0,02 a 500 mm/minMBIOI-10-M2
Borracha e filmes de alto alongamento, tecidos elásticos2 a 10 kN; curso de 1.290 mmMBIOI-10-M2 coluna estendida

O rasgamento é um dos ensaios mecânicos que a mesma máquina universal faz; a visão geral de como as propriedades mecânicas dos materiais se relacionam ajuda a decidir quais ensaios pedir junto com ele.

Outros ensaios e referências técnicas

Referências técnicas relacionadas

Perguntas frequentes

O que é o ensaio de rasgamento?

É o ensaio que mede a força, ou a energia, necessária para iniciar ou propagar um rasgo num corpo de prova padronizado de borracha, filme plástico, tecido ou couro. Em borracha, o resultado é a força por espessura em kN/m (ASTM D624, ISO 34-1:2022); em filme e tecido, a força em N.

Qual a fórmula da resistência ao rasgamento?

Ts = F / d: a força dividida pela espessura. No ângulo e no crescente, F é a força máxima; na calça, a mediana (ou a média) dos picos de propagação. Exemplo: 85,0 N / 2,10 mm = 40,5 kN/m.

Qual a unidade da resistência ao rasgamento?

Em borracha, N/mm, que é igual a kN/m; nos Estados Unidos, lbf/in (1 lbf/in = 0,1751 N/mm). Filme e tecido costumam relatar só a força, em N, e o pêndulo Elmendorf relata em mN ou gf (1 gf = 9,807 mN).

Qual a norma ASTM para resistência ao rasgamento?

Depende do material: ASTM D624 para borracha; D1938 (calça), D1004 (Graves) e D1922 (pêndulo) para filme; D2261 (língua), D5587 (trapézio) e D1424 (pêndulo) para tecido. As edições vigentes em 13/10/2026 são D624-00(2020), D1938-19, D1004-21, D1922-23, D2261-13(2024), D5587-15(2024) e D1424-25.

O que é o trouser tear test (ensaio de rasgamento tipo calça)?

É o ensaio em que uma tira cortada ao meio no comprimento forma duas pernas, cada uma presa numa garra; a máquina afasta as garras com velocidade constante e mede a força de propagação do rasgo, que oscila. O resultado é a mediana dos picos. Existe para borracha (ISO 34-1, D624 tipo T), filme (D1938, ISO 6383-1), tecido (ISO 13937-2) e couro (ISO 3377-1).

Qual a diferença entre resistência ao rasgamento e resistência à tração?

A tração mede a tensão que uma seção íntegra suporta, em MPa; o rasgamento mede a força para fazer avançar um corte ou entalhe, em N/mm ou N. As duas não andam juntas: em tecido, mais densidade de fios aumenta a tração e reduz o rasgo. As normas também são outras: tração de borracha é ASTM D412 ou ISO 37; rasgo é D624 ou ISO 34-1.

O que é o Graves tear e o tongue tear test?

O Graves tear é o ensaio da ASTM D1004-21: um corpo de prova de filme com ângulo de 90° no centro, tracionado a 51 mm/min, que mede a força para iniciar o rasgo. O tongue tear test (língua) é um ensaio de tecido: na ASTM D2261, de rasgo simples, o corpo de prova cortado ao meio tem cada língua numa garra; na ISO 13937-4, de rasgo duplo, a língua central vai numa garra e as laterais na outra.

O que é o Baumann tear test?

É o ensaio de rasgamento de couro com rasgo de borda dupla, padronizado pela ISO 3377-2:2025, que a ISO descreve como às vezes chamado de Baumann tear. O rasgo de borda simples, tipo calça, é a ISO 3377-1:2011.

Qual máquina mede a resistência ao rasgamento?

Os métodos por força (calça, ângulo, crescente, Graves, língua e trapézio) usam uma máquina universal de ensaios de velocidade constante de extensão (CRE), com célula de carga pequena e garras de tração; a ASTM D2261 e a D5587 apontam a CRE como o aparelho preferido. Os métodos por energia usam o pêndulo Elmendorf, outro equipamento, cujo resultado não se converte no da máquina universal.

Qual tecido resiste mais ao rasgo?

Não há um único: o rasgo é maior em tecidos com fios fortes e móveis, como os de filamento, que se agrupam na frente da trinca e dividem a carga, e em construções com reforço antirrasgo (ripstop). Tecidos muito densos tendem a rasgar com mais facilidade, porque os fios presos rompem um a um (Eryuruk e Kalaoglu, 2015).

Por que ensaiar filme e tecido nas duas direções?

Porque são anisotrópicos. Num LLDPE soprado, o rasgo Elmendorf foi de 127 mN/µm na direção de máquina e de 411 mN/µm na transversal (Ren et al., 2019); em tecido, urdume e trama também diferem. Relatar uma direção só esconde o ponto fraco.

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