A ASTM D790 é a norma americana que mede as propriedades de flexão de plásticos, com e sem reforço, e de isolantes elétricos numa barra biapoiada carregada no meio do vão (flexão em três pontos). A edição vigente é a ASTM D790-25. Ela exige vão de 16 vezes a espessura, velocidade da travessa calculada por R = ZL²/6d, com taxa de deformação de 1 %/min no procedimento A ou 10 %/min no procedimento B, e encerra o ensaio na ruptura ou quando a fibra externa chega a 5 % de deformação. A resistência sai de σf = 3PL/(2bd²) e o módulo, da inclinação inicial da curva carga × deflexão.
Em resumo:
- Barra preferencial: 127 × 12,7 × 3,2 mm, com vão de 51,2 mm.
- Velocidade nessa barra: 1,37 mm/min no procedimento A e 13,7 mm/min no B.
- Fim do ensaio: ruptura, ou 5 % de deformação, que nessa barra corresponde a 6,83 mm de deflexão.
- Edições antigas: os PDFs D790-00, D790-10 e D790-17 que circulam na internet estão superados.
- Outras normas: a ISO 178:2019 cobre o mesmo assunto com outro corpo de prova e outro módulo; a flexão em quatro pontos de plásticos é a ASTM D6272-25.
O que a ASTM D790 cobre
O princípio do ensaio de flexão, com a linha neutra, o diagrama de momento fletor e a diferença entre três e quatro pontos, está explicado no artigo ensaio de flexão. Este guia trata do que a D790 acrescenta a esse princípio: a geometria obrigatória, a velocidade calculada, o limite de deformação, as correções e a forma de medir a deflexão. É a norma que gera o módulo de flexão e a resistência à flexão que aparecem nas fichas técnicas de resinas e compostos.
O título completo é Standard Test Methods for Flexural Properties of Unreinforced and Reinforced Plastics and Electrical Insulating Materials. O escopo abrange plásticos não reforçados e reforçados, inclusive compósitos de alto módulo, e materiais isolantes elétricos, desde que sejam rígidos ou semirrígidos. O corpo de prova tem seção retangular e pode ser injetado ou cortado de chapas, placas e perfis. A norma avisa, já no escopo, que a resistência à flexão não pode ser determinada em material que não rompe nem escoa na face externa até 5,0 % de deformação.
Três resultados saem do ensaio: a resistência à flexão, maior tensão na fibra externa; a deformação na flexão, alongamento relativo dessa fibra no meio do vão; e o módulo de flexão, a rigidez do material no trecho elástico.
Não confunda com a ASTM D638. A D638 é o ensaio de tração de plásticos, com o corpo de prova em forma de gravata preso em garras; a D790 é o de flexão, com a barra apenas apoiada. Uma não substitui a outra, e o guia da ASTM D638 explica a tração. A própria D790 sugere a D638 para caracterizar o material que não rompe nem escoa em flexão até o limite de 5 %.
Sobre a edição: a loja da ASTM lista a D790-25 como ativa, e o resumo publicado mantém o escopo, os procedimentos A e B, o limite de 5 % e as duas formas de medir a deflexão. Os requisitos numéricos abaixo foram conferidos no texto integral da D790-03; os pontos que podem ter mudado até a D790-25 estão indicados, e quem audita um laboratório deve confirmá-los na cópia da D790-25.
Montagem: dispositivo de três pontos, corpo de prova e vão
A barra fica deitada sobre dois apoios cilíndricos, e o cutelo de carga, também cilíndrico, desce no meio do vão, preso à travessa da máquina. A face de cima fica comprimida e a de baixo, tracionada. Na foto, uma barra de plástico no dispositivo de flexão em três pontos: dois roletes de apoio e o cutelo de carga no meio do vão, que desce e curva a barra.

O raio do cutelo e dos apoios é de 5,0 ± 0,1 mm, salvo outra exigência da especificação do material ou acordo entre as partes. Raios diferentes são permitidos para evitar indentação excessiva: no mínimo 3,2 mm no cutelo e nos apoios, até 1,6 vez a espessura nos apoios (barras de 3,2 mm ou mais) e até 4 vezes a espessura no cutelo. Os raios usados vão para o relatório.
O corpo de prova preferencial para materiais de moldagem, termoplásticos e termofixos, mede 127 × 12,7 × 3,2 mm. A espessura d é a dimensão na direção da carga, e a norma a chama de profundidade da viga. Em chapas com 1,6 mm ou mais de espessura, a largura é de 12,7 mm quando d ≤ 3,2 mm e não pode passar de um quarto do vão quando d > 3,2 mm. A barra precisa sobrar além de cada apoio pelo menos 10 % do vão, nunca menos de 6,4 mm, para não escorregar para dentro do vão.
O vão L é de (16 ± 1) vezes a espessura e deve ser ajustado com erro de até 1 % do valor calculado. Na barra de 3,2 mm, L = 16 × 3,2 = 51,2 mm. Em dispositivo de vão ajustável, o vão é medido (com resolução de 0,1 mm abaixo de 63 mm e de 0,3 mm acima) e é o valor medido que entra nas contas. O esquema abaixo mostra essa montagem em escala, com o balanço de 37,9 mm de cada lado da barra de 127 mm, bem acima do mínimo (10 % do vão ou 6,4 mm, o que for maior), e o deflectômetro, instrumento que mede a deflexão por baixo do meio do vão. O quadro à direita traz os limites dos raios quando não se usa o de 5,0 mm: no mínimo 3,2 mm, até 1,6 vez a espessura nos apoios e até 4 vezes no cutelo.

A relação 16:1 serve quando a resistência à tração do material é menos de oito vezes a sua resistência ao cisalhamento. Laminados compósitos com cisalhamento baixo no plano e tração alta na direção do vão pedem relações maiores, de 32:1 ou 40:1, para que a barra rompa por flexão na fibra externa e não por cisalhamento entre camadas. Para medir o módulo de compósitos muito anisotrópicos, a norma recomenda 60:1, porque até em 40:1 a deformação por cisalhamento derruba o módulo aparente. Nesse caso, a resistência é medida num segundo lote de barras, com vão menor.
Quatro exigências completam a preparação:
- Número de barras: pelo menos cinco por amostra em material isotrópico ou moldado; em chapa anisotrópica, cinco em cada direção ensaiada, que vai para o relatório.
- Chapas muito finas: abaixo de 1,6 mm, a norma usa barra de 50,8 × 12,7 mm com vão de 25,4 mm e admite barras mais largas ou vão menor, desde que a relação vão/espessura fique em pelo menos 14:1.
- Medição: largura e espessura medidas no meio do vão com resolução de 0,03 mm, ou 0,003 mm na espessura de barras com menos de 2,54 mm, e os valores medidos entram nas contas, não os nominais.
- Condicionamento: pelo procedimento A da ASTM D618-21, salvo outra exigência do contrato ou da especificação do material. Na edição de 2003 da D790, isso significava pelo menos 40 h a 23 ± 2 °C e 50 ± 5 % de umidade relativa, com o ensaio feito nessa mesma atmosfera; confira as tolerâncias na edição vigente. Plásticos que absorvem água, como a poliamida, mudam bastante de rigidez com a umidade.
Procedimentos A e B e a velocidade da travessa
A D790 não fixa uma velocidade em mm/min. Ela fixa a taxa de deformação da fibra externa, Z, e a velocidade da travessa é calculada para cada geometria:
R = Z·L² / (6·d), com R em mm/min, L e d em mm e Z em mm/mm/min.
A fórmula vem da relação entre deflexão e deformação na viga biapoiada, ε = 6Dd/L²: para a deformação crescer Z por minuto, a deflexão tem de crescer ZL²/(6d) por minuto. A velocidade real não pode se afastar mais de 10 % da calculada. Como L acompanha a espessura, uma barra mais grossa ensaiada a 16:1 também pede velocidade maior.
Os dois procedimentos diferem na taxa:
- Procedimento A: Z = 0,01 mm/mm/min, ou 1 %/min. É o preferencial e é o que a norma manda usar para medir as propriedades de flexão, em especial o módulo, salvo outra exigência da especificação do material. Foi pensado para materiais que rompem com deflexões pequenas.
- Procedimento B: Z = 0,10 mm/mm/min, ou 10 %/min. É para o material que, ensaiado no A, não rompe nem escoa até 5 %: a taxa dez vezes maior pode levá-lo a escoar ou romper dentro do limite. O procedimento B serve só para a resistência à flexão; o módulo continua vindo do procedimento A.
A tabela resume os dois procedimentos na barra de 3,2 mm com vão de 51,2 mm:
| Item | Procedimento A | Procedimento B |
|---|---|---|
| Taxa de deformação Z | 0,01 mm/mm/min (1 %/min) | 0,10 mm/mm/min (10 %/min) |
| Velocidade na barra padrão | 1,37 mm/min | 13,7 mm/min |
| Tempo até 5 % sem ruptura | 5 min | 30 s |
| Uso | propriedades de flexão, em especial o módulo | só a resistência, em material que não rompe nem escoa até 5 % no A |
As propriedades de flexão de plásticos variam com a taxa de deformação, e por isso o procedimento sempre vai para o relatório. O módulo tangente medido no A também costuma ter desvio padrão menor que o medido no B.
Cálculos: tensão, deformação e módulo de flexão
As fórmulas da D790 vêm da teoria de vigas para material elástico com deformações pequenas. Variáveis: P é a carga (N), L o vão (mm), b a largura, d a espessura, D a deflexão no meio do vão (mm) e m a inclinação do trecho reto inicial da curva carga × deflexão (N/mm). As tensões saem em MPa.
- Tensão na fibra externa: σf = 3PL / (2bd²). Com P igual à carga máxima, dá a resistência à flexão; com P na ruptura, a tensão na ruptura.
- Deformação na fibra externa: εf = 6Dd / L², em mm/mm.
- Módulo tangente: EB = L³m / (4bd³), com m tirado da tangente ao trecho reto mais inclinado do início da curva.
- Módulo secante e módulo de corda: o secante liga a origem a um ponto escolhido; o de corda liga dois pontos, Ef = (σf2 − σf1) / (εf2 − εf1). Os pontos vêm da especificação do material ou do contrato e vão para o relatório.
Na barra padrão, com b = 12,7 mm, d = 3,2 mm e L = 51,2 mm, as fórmulas viram fatores fixos: σf = 0,5906 × P e EB = 80,63 × m. Esses fatores só valem com as dimensões nominais; com as medidas reais, refaça a conta.
Compensação do pé da curva. O início da curva costuma ser curvo porque a barra se acomoda nos apoios, o cutelo indenta a superfície e as folgas se fecham. Esse trecho, chamado de pé da curva, não é propriedade do material. A norma manda estender o trecho reto até a carga zero e usar esse ponto como novo zero da deflexão, salvo se ficar demonstrado que a curvatura é resposta real do material. Todas as deformações passam a ser contadas a partir do novo zero.
Quando a curva não tem trecho reto, a construção muda, e o esquema abaixo mostra a do anexo A1 da norma: a tangente no ponto de inflexão H′, onde a inclinação é máxima, corta o eixo da deformação em B′, que passa a ser o zero, e o módulo é o secante da reta que vai de B′ ao ponto escolhido G′. Observe que a tangente cruza a curva em H′, porque ali há inflexão e não o início de um trecho reto.

O limite de 5 %. A fórmula da tensão supõe material linear e deformação pequena; a norma a aceita para comparação e especificação até 5 % na fibra externa. O ensaio termina quando a fibra chega a 0,05 mm/mm, na deflexão D = 0,05·L²/(6d), ou antes, se a barra romper. Três comportamentos são possíveis:
- Ruptura antes de 5 %: a carga máxima coincide com a ruptura, e resistência e tensão na ruptura são iguais. É o caso de plásticos rígidos e de muitos compostos com fibra de vidro.
- Escoamento antes de 5 %: a carga passa por um máximo, o ponto de escoamento, e a resistência é calculada com a carga desse ponto.
- Nem ruptura nem escoamento até 5 %: não existe resistência à flexão pela D790. Relata-se a tensão a uma deformação dada, por exemplo a 5 %, ou repete-se o ensaio no procedimento B. A leitura dessas curvas segue a lógica do diagrama tensão-deformação.
O gráfico abaixo põe as três curvas típicas lado a lado, como a figura 2 da norma: observe em que ponto fica a carga usada no cálculo da resistência, na ruptura (a), no máximo de carga (b) ou em nenhum, quando a curva cruza a linha de 5 % sem romper nem escoar (c).

Barras que rompem num defeito evidente, como bolha ou rebarba, não entram no cálculo e são repostas por novas barras. O resultado de cada propriedade é a média aritmética das barras, com três algarismos significativos, acompanhada do desvio padrão, com dois.
Correção para grandes deflexões
Com vãos maiores que 16:1, a barra pode defletir muito antes de romper. Nos apoios surgem forças de extremidade que alteram o momento fletor, e a fórmula simples subestima a tensão. Quando a relação vão/espessura passa de 16:1 e a deflexão supera 10 % do vão, a D790 manda usar a equação corrigida:
σf = [3PL / (2bd²)] × [1 + 6(D/L)² − 4(d/L)(D/L)]
O primeiro colchete é a fórmula simples. O segundo é um fator de correção aproximado para o efeito das forças de extremidade e é sempre um pouco maior que 1 nas deflexões típicas. Na barra padrão a 16:1, a deflexão de 5 % é 6,83 mm, cerca de 13 % do vão; mesmo assim, a norma reserva a correção para vãos maiores que 16:1. O exercício 4 mostra a diferença num laminado ensaiado a 32:1.
Medição da deflexão: travessa ou deflectômetro
A D790 aceita duas formas de medir a deflexão: pelo movimento do cutelo em relação aos apoios, lido na travessa, ou por um deflectômetro que encosta na face de baixo da barra, no meio do vão, fixo em relação aos apoios. Fabricantes e laboratórios costumam chamá-las de tipo 1 e tipo 2. Como os resultados das duas diferem, convém registrar no relatório a forma usada.
O deslocamento da travessa inclui a deformação elástica do próprio sistema: estrutura, célula de carga, acoplamentos e o dispositivo. A norma exige que essa deformação não passe de 1 % da deflexão total da barra, ou que seja corrigida. A correção de flexibilidade (compliance) subtrai da leitura da travessa a deformação medida do sistema; sem ela, o módulo sai menor que o real. A indentação do cutelo em plásticos macios tem o mesmo efeito.
O esquema abaixo mostra a correção como o apêndice X1 da edição de 2003, não obrigatório, a descreve: com uma barra de aço no lugar do corpo de prova, a curva carga × deslocamento da travessa dá a deformação do sistema, c1 e c2, nas cargas L1 e L2. Esses valores são subtraídos das leituras D1 e D2 do corpo de prova nas mesmas cargas, e o módulo sai da reta corrigida, mais inclinada que a lida.

As exigências de verificação dependem da edição, e este é o ponto a conferir com mais cuidado na D790-25:
- Força: na edição de 2003, a máquina é verificada pela ASTM E4, com erro máximo de ±1 % da carga máxima esperada no ensaio. Confira a redação na edição vigente. No Brasil, a verificação da força segue a ABNT NBR ISO 7500-1:2023, cuja classe 1 corresponde a um erro de ±1 %; essa correspondência é uma leitura deste guia, não um texto da D790.
- Travessa e deflectômetro: a edição de 2003 não fixa classe para a medição da deflexão. Edições posteriores passaram a exigir a verificação da travessa pela ASTM E2309 e do deflectômetro pela ASTM E83; fontes secundárias citam classe B da E2309, classes B-2 e C da E83 e um comprimento efetivo de 50 mm para o deflectômetro. Esses valores não foram conferidos no texto integral da D790-25.
Em controle de qualidade de produção, a travessa costuma bastar. Quando o módulo é o número que importa, como em ficha técnica ou disputa com fornecedor, o deflectômetro mede direto na barra e elimina a flexibilidade do sistema.
ASTM D790, ISO 178 e ASTM D6272
A D790 declara que ela e a ISO 178 tratam do mesmo assunto, mas diferem em conteúdo técnico. As duas usam três pontos e vão de 16 vezes a espessura; mudam o corpo de prova, a forma de fixar a velocidade, os raios dos apoios e, principalmente, o módulo. A ISO 178 relata ainda a tensão na deflexão convencional de 1,5 vez a espessura, que corresponde a 3,5 % de deformação. A ISO 178:2019 é a sexta edição e substituiu a de 2010 incorporando a emenda de 2013. A correção de flexibilidade da máquina já existia na edição de 2001, em anexo normativo.
A tabela compara os pontos que mais pesam na prática:
| Item | ASTM D790-25 | ISO 178:2019 |
|---|---|---|
| Barra preferencial | 127 × 12,7 × 3,2 mm | 80 × 10 × 4 mm |
| Vão | 16 d = 51,2 mm | 16 h = 64 mm |
| Raios | cutelo e apoios de 5,0 mm | cutelo de 5,0 mm; apoios de 2,0 mm (h ≤ 3 mm) ou 5,0 mm |
| Velocidade | R = ZL²/6d, com 1 %/min (A) ou 10 %/min (B) | 1 %/min no módulo, arredondada para a tabela da norma (2 mm/min na barra preferencial) |
| Módulo | tangente ao trecho reto (secante ou corda, se especificado) | corda entre 0,05 % e 0,25 % de deformação |
| Fim do ensaio | ruptura ou 5 % | ruptura ou valor predeterminado na edição de 2001; tensão também relatada na deflexão convencional de 1,5 h (3,5 %) |
Os valores da coluna da ISO 178 foram conferidos no texto da edição de 2001, com a emenda de 2004; confira-os na edição de 2019. A ISO 178 também descarta a barra que rompe fora do terço central do vão e a que tem espessura fora de ± 2 % da média, e exige erro de até 1 % na força e na deflexão.
Edições da ISO 178 posteriores a 2001 passaram a ter métodos de ensaio próprios, descritos por fontes secundárias como método A, a 1 %/min do início ao fim, e método B, a 1 %/min até o módulo e mais rápido depois; isso não foi conferido no texto integral da edição de 2019. Não confunda com os procedimentos A e B da D790, que têm outro significado. O desenho abaixo compara as duas barras e os dois vãos na mesma escala: a barra da ISO é mais curta, mas mais grossa, e o vão fica maior.

Por causa dessas diferenças, um módulo pela D790 e um pela ISO 178 do mesmo material não se convertem um no outro. Fichas técnicas de resinas costumam trazer os dois, cada um com a sua norma. Ao comparar fornecedores, compare D790 com D790, no mesmo procedimento, ou ISO com ISO.
A ASTM D6272-25 é a norma de flexão em quatro pontos para os mesmos materiais. Os cutelos de carga ficam a um terço ou à metade do vão de apoio, e o momento fletor é constante entre eles, em vez de concentrado sob um único cutelo. A D790 remete a ela para materiais que não rompem dentro do seu limite de deformação; já na edição de 2003 a D790 trata só de três pontos.
Exercícios resolvidos
Os exercícios usam as fórmulas das seções anteriores. Os números foram refeitos à mão e arredondados só no resultado final.
Exercício 1: chapa de 6 mm, vão, largura e velocidade
Uma chapa extrudada de 6,0 mm vai ser ensaiada sem usinar as faces. Qual o vão, a largura máxima, o comprimento mínimo da barra e a velocidade nos dois procedimentos?
- Vão: L = 16 × 6,0 = 96 mm.
- Largura: como d > 3,2 mm, a largura não pode passar de L/4 = 24 mm. Uma barra de 12,7 mm atende.
- Comprimento: o balanço mínimo é o maior entre 10 % do vão (9,6 mm) e 6,4 mm, então a barra tem pelo menos 96 + 2 × 9,6 = 115,2 mm.
- Procedimento A: R = 0,01 × 96² / (6 × 6,0) = 92,16 / 36 = 2,56 mm/min, com tolerância de ±10 % (2,30 a 2,82 mm/min).
- Procedimento B: R = 0,10 × 9.216 / 36 = 25,6 mm/min.
- Deflexão a 5 %: D = 0,05 × 9.216 / 36 = 12,8 mm.
A velocidade quase dobrou em relação à barra de 3,2 mm, porque L² cresce mais rápido que d. Quem mantém 1,37 mm/min para qualquer espessura está ensaiando a outra taxa de deformação.
Exercício 2: resistência, deformação e módulo com compensação do pé
Barra de 127 × 12,7 × 3,2 mm (medidas reais iguais às nominais), vão de 51,2 mm, procedimento A a 1,37 mm/min, deflexão pela travessa com correção de flexibilidade. No trecho reto, a carga foi de 14,8 N em 0,60 mm a 51,8 N em 1,60 mm. A barra rompeu com 130 N e 4,30 mm lidos. O gráfico abaixo mostra essa curva: o pé até 0,6 mm, a reta de inclinação m que corta a carga zero em 0,20 mm, o ponto de ruptura e a linha do limite de 5 %.

- Inclinação: m = (51,8 − 14,8) / (1,60 − 0,60) = 37 N/mm.
- Módulo: EB = 51,2³ × 37 / (4 × 12,7 × 3,2³) = 134.217,7 × 37 / 1.664,6 = 2.983 MPa ≈ 2,98 GPa.
- Novo zero: a reta corta a carga zero em 0,60 − 14,8/37 = 0,20 mm.
- Deformação na ruptura: D corrigida = 4,30 − 0,20 = 4,10 mm; εf = 6 × 4,10 × 3,2 / 51,2² = 78,72 / 2.621,4 = 3,00 %. Sem a compensação, daria 3,15 %.
- Resistência: σf = 3 × 130 × 51,2 / (2 × 12,7 × 3,2²) = 19.968 / 260,10 = 76,8 MPa. Como rompeu antes de 5 %, o valor é válido, e a tensão na ruptura é a mesma.
- Limite de 5 %: D = 0,05 × 2.621,4 / 19,2 = 6,83 mm a partir do novo zero, ou 7,03 mm na leitura da travessa.
Com 130 N no pico, a célula de carga adequada é a menor da máquina, por exemplo 2 kN, para a força ficar dentro da faixa verificada da célula. O dispositivo de flexão de 10 kN trabalha folgado.
Exercício 3: material que não rompe no procedimento A
Uma barra padrão de polipropileno, no procedimento A, chegou a 6,83 mm (5 %) com 62 N, sem romper nem mostrar máximo de carga. Outra barra do mesmo lote, no procedimento B a 13,7 mm/min, passou por um máximo de 68 N em 5,9 mm de deflexão corrigida.
- Procedimento A: não há resistência à flexão. Relata-se a tensão a 5 %: σ = 0,5906 × 62 = 36,6 MPa.
- Procedimento B: ε = 6 × 5,9 × 3,2 / 2.621,4 = 4,32 %, abaixo de 5 %, então o máximo é um escoamento válido. Resistência: σ = 0,5906 × 68 = 40,2 MPa.
Os dois números não se comparam: a taxa de deformação é dez vezes maior no B, e o relatório tem de dizer qual procedimento gerou cada valor. O módulo desse material continua sendo medido no procedimento A.
Exercício 4: laminado a 32:1 com grande deflexão
Um laminado de fibra de vidro com b = 12,7 mm e d = 3,2 mm é ensaiado a 32:1 (L = 102,4 mm) e rompe com P = 365 N e D = 13,6 mm.
- Critério: D/L = 13,6 / 102,4 = 0,1328, acima de 0,10, com vão maior que 16:1. A correção se aplica.
- Fórmula simples: σ = 3 × 365 × 102,4 / (2 × 12,7 × 3,2²) = 112.128 / 260,10 = 431,1 MPa.
- Fator: 1 + 6 × 0,1328² − 4 × (3,2/102,4) × 0,1328 = 1 + 0,1058 − 0,0166 = 1,0892.
- Resistência corrigida: 431,1 × 1,0892 = 469,6 MPa, 8,9 % acima da fórmula simples.
- Deformação: ε = 6 × 13,6 × 3,2 / 102,4² = 261,12 / 10.485,8 = 2,49 %, abaixo de 5 %.
Erros comuns na aplicação da D790
Os erros abaixo aparecem com frequência em relatórios e em especificações de compra:
- Citar edição velha como vigente. A vigente é a D790-25; D790-00, -10 e -17 estão superadas.
- Usar vão e velocidade fixos. Os dois acompanham a espessura medida; mudou a espessura, mudam o vão e a velocidade.
- Relatar resistência de material que não rompeu nem escoou até 5 %. Nesse caso se relata a tensão a uma deformação dada, ou se passa ao procedimento B.
- Comparar resultado do A com o do B, ou da D790 com a ISO 178, sem ressalva.
- Módulo pela travessa sem correção de flexibilidade. O módulo sai baixo.
- Pular a compensação do pé. A deformação na ruptura sai alta, como no exercício 2.
- Usar a fórmula simples com grandes deflexões em vãos acima de 16:1.
- Medir mal a espessura. Ela entra ao quadrado na tensão e ao cubo no módulo: 1 % de erro em d vira cerca de 2 % na tensão e 3 % no módulo.
- Ensaiar sem condicionar. A umidade e a temperatura mudam a rigidez de muitos plásticos.
- Esquecer o relatório completo: procedimento, velocidade da travessa, vão e relação vão/espessura, raios, direção de corte, tipo de módulo e deformações usadas, comportamento da barra (ruptura ou escoamento), média e desvio padrão de cada propriedade e a forma de medir a deflexão.
Equipamento para o ensaio ASTM D790
Na máquina universal de ensaios, a D790 usa um dispositivo de flexão com dois apoios de vão ajustável e um cutelo preso à travessa. As forças são baixas: a barra padrão rompe com dezenas a poucas centenas de newtons. Por isso, os modelos de coluna simples de 2 a 10 kN, com velocidade de 0,01 a 500 mm/min, cobrem as velocidades dos procedimentos A e B. A célula de carga da linha M2 tem precisão classe 1 pela ABNT NBR ISO 7500-1:2023. O software BioLab converte carga × deflexão em tensão × deformação e calcula resistência, deformação e módulo. O painel abaixo mostra a máquina, o papel de cada parte no ensaio e os dispositivos usados.
A máquina universal no ensaio ASTM D790
Para plásticos, o modelo de coluna simples, de 2 a 10 kN, é o ponto de partida. Cada parte da máquina tem uma função no ensaio:

- Travessa móvel desce o cutelo na velocidade R = ZL²/6d
- Célula de carga pequena, classe 1, para forças de dezenas de N
- Dispositivo de flexão três pontos, vão ajustável para 16:1
- Deflectômetro mede a deflexão sob o meio do vão
- Software BioLab resistência, deformação e módulo de flexão
- Painel e emergência posiciona e para o ensaio
Dispositivos para o ensaio de flexão
Os dispositivos abaixo são montados na mesma máquina, conforme o corpo de prova e a norma:


Para a D790, o dispositivo de flexão de 10 kN atende às barras de plástico e de compósito, e o deflectômetro mede a deflexão direto na barra quando o módulo precisa ser exato. Para configurar a máquina, solicite um orçamento; outros ensaios da mesma máquina estão em ensaios mecânicos.
Normas citadas
A tabela reúne as normas citadas no guia, com a edição e o status conferidos em 30/09/2026 nas páginas oficiais (store.astm.org e iso.org, esta via distribuidores):
| Norma | Assunto | Edição e status |
|---|---|---|
| ASTM D790 | flexão em três pontos de plásticos e isolantes elétricos | D790-25, ativa |
| ISO 178 | flexão de plásticos, três pontos | 2019 (6ª edição), vigente; nova edição em elaboração |
| ASTM D6272 | flexão em quatro pontos de plásticos | D6272-25, ativa |
| ASTM D638 | tração de plásticos | D638-22, ativa |
| ASTM D618 | condicionamento de plásticos | D618-21, ativa |
| ASTM E4 | verificação da força da máquina | E4-24, ativa |
| ASTM E2309 | verificação da medição de deslocamento | E2309/E2309M-20, ativa |
| ASTM E83 | verificação e classe de extensômetros | E83-25, ativa |
| ABNT NBR ISO 7500-1 | verificação do sistema de força da máquina | 2023 |
Outros ensaios e referências técnicas
Ensaios realizados na máquina universal Biopdi
Referências técnicas relacionadas
ASTM D695: ensaio de compressão de plásticos rígidos (corpo de prova, 1,3 mm/min e cálculo)
A ASTM D695-26 mede resistência, escoamento e módulo de plásticos rígidos em compressão: prisma de 12,7 × 12,7 × 25,4 mm a 1,3 mm/min. Cálculo e ISO 604.
ASTM D412 e ISO 37: ensaio de tração de borracha, corpos de prova, velocidade e cálculos
ASTM D412 e ISO 37, o ensaio de tração de borracha: gravata ou anel a 500 mm/min, resistência à tração, alongamento na ruptura e tensão a 100 % e 300 %.
Diagrama tensão-deformação: como ler o gráfico, pontos, fórmulas e curva verdadeira
O diagrama tensão-deformação é o gráfico da tensão (σ = F/S0) contra a deformação (ε = ΔL/L0) medido no ensaio de tração. Veja como ler cada ponto, as fórmulas, a curva verdadeira, o aço CA-50, o concreto da NBR 6118 e exercícios resolvidos.
Perguntas frequentes
O que é a ASTM D790?
É a norma ASTM de flexão em três pontos para plásticos reforçados e não reforçados e isolantes elétricos. Uma barra biapoiada recebe carga no meio do vão, e o ensaio mede a resistência, a deformação e o módulo de flexão. A edição vigente é a D790-25.
Qual a diferença entre ASTM D790 e ASTM D638?
A D638 é o ensaio de tração de plásticos, com corpo de prova em forma de gravata preso em garras. A D790 é o de flexão, com uma barra apenas apoiada. As propriedades de uma não substituem as da outra.
Qual a diferença entre os procedimentos A e B da D790?
O A usa taxa de deformação de 0,01 mm/mm/min (1 %/min), é o preferencial e é o indicado para o módulo. O B usa 0,10 mm/mm/min (10 %/min), serve para o material que não rompe nem escoa até 5 % no A e só dá a resistência; o módulo vem do A. Os resultados dos dois não são comparáveis.
Qual a velocidade do ensaio ASTM D790?
Calcula-se por R = ZL²/(6d). Na barra de 3,2 mm com vão de 51,2 mm, dá 1,37 mm/min no procedimento A e 13,7 mm/min no B, com tolerância de ±10 %. Numa chapa de 6 mm a 16:1, sobe para 2,56 mm/min no A.
Qual o tamanho do corpo de prova da D790?
O preferencial para materiais de moldagem é 127 × 12,7 × 3,2 mm, ensaiado com vão de 16 vezes a espessura, 51,2 mm. Chapas mais grossas usam largura de até um quarto do vão, e chapas com menos de 1,6 mm usam barra de 50,8 × 12,7 mm com vão de 25,4 mm.
Por que o ensaio D790 para em 5 % de deformação?
Porque a fórmula de viga usada no cálculo supõe deformação pequena e só é aceita até 5 % na fibra externa. Se o material não romper nem escoar até esse ponto, a norma não permite relatar resistência à flexão; relata-se a tensão a uma deformação dada.
Como se calcula o módulo de flexão na D790?
Pelo módulo tangente, E = L³m/(4bd³), em que m é a inclinação do trecho reto inicial da curva carga × deflexão. Na barra padrão, E ≈ 80,6 × m, com m em N/mm e E em MPa. A norma também prevê módulo secante e de corda.
Quando usar a correção de grandes deflexões?
Quando a relação vão/espessura passa de 16:1 e a deflexão supera 10 % do vão. Nesse caso, a tensão simples é multiplicada por [1 + 6(D/L)² − 4(d/L)(D/L)], o que num laminado a 32:1 pode somar perto de 9 %.
A ASTM D790 tem ensaio em quatro pontos?
Não. A D790 trata só de flexão em três pontos. A flexão em quatro pontos de plásticos está na ASTM D6272-25, recomendada para materiais que não rompem dentro do limite da D790.
ASTM D790 e ISO 178 dão o mesmo resultado?
Não necessariamente. A ISO 178:2019 usa barra de 80 × 10 × 4 mm, vão de 64 mm, 2 mm/min e módulo de corda entre 0,05 % e 0,25 % de deformação (valores conferidos na edição de 2001); a D790 usa a barra de 127 mm e o módulo tangente. Os valores não se convertem um no outro.
O ensaio D790 precisa de deflectômetro?
Não é obrigatório. A deflexão pode vir da travessa, desde que a deformação do sistema não passe de 1 % da deflexão da barra ou seja corrigida. O deflectômetro mede direto sob a barra e dá um módulo mais exato; convém registrar no relatório a forma usada.