A ASTM D638, Standard Test Method for Tensile Properties of Plastics, é o método da ASTM International para medir as propriedades de tração de plásticos reforçados e não reforçados com até 14 mm de espessura. A edição vigente é a D638-22. Ela exige corpos de prova em forma de gravata (tipos I a V), condicionamento a 23 °C e 50 % de umidade, a menor velocidade que rompa o corpo de prova entre 0,5 e 5 minutos, extensômetro de classe B-2 para o módulo e no mínimo cinco corpos de prova. O resultado principal é a resistência à tração, σ = Fmáx / A0, ao lado do alongamento e do módulo de elasticidade.
Em resumo:
- Escopo: plásticos rígidos e semirrígidos de 1 a 14 mm; filmes com menos de 1,0 mm vão para a ASTM D882.
- Corpo de prova preferido: tipo I, com 165 mm de comprimento e trecho estreito de 13 × 3,2 mm.
- Velocidade: 5, 50 ou 500 mm/min nos tipos I a IV; 1, 10 ou 100 mm/min no tipo V.
- Não é a ISO 527: a própria ASTM declara que as duas tratam do mesmo assunto com conteúdo técnico diferente. O laudo cita a norma executada.
A norma é paga e vendida pela ASTM; este guia a explica com palavras próprias, para quem vai aplicá-la ou comprar o equipamento, com os requisitos numéricos essenciais e a fonte de cada um.
O que é a ASTM D638 e qual a edição vigente
O ensaio de tração aplica ao corpo de prova uma força axial crescente, a velocidade controlada, até a ruptura, e registra força e alongamento. A ASTM D638 fixa o corpo de prova, a velocidade, o ambiente e o modo de medir a deformação para plásticos, que são muito mais sensíveis que os metais à temperatura, à umidade e à velocidade.
Segundo a página oficial da norma, conferida em 30/09/2026, o método vale para espessuras de até 14 mm, e material mais espesso é usinado até esse limite. Para chapas e filmes com menos de 1,0 mm, o método preferido é a ASTM D882-26. A determinação do coeficiente de Poisson em temperatura ambiente é opcional. Três materiais ficam de fora por terem norma própria:
- Filmes e chapas finas (menos de 1,0 mm): ASTM D882-26, com corpo de prova em tira.
- Compósitos de matriz polimérica com fibra contínua: ASTM D3039/D3039M, com corpo de prova retangular.
- Borracha vulcanizada e elastômeros termoplásticos: ASTM D412.
A edição em vigor é a D638-22, marcada como ativa na loja da ASTM; o histórico da página vai de D638-99 a D638-22 e não há D638-26. A D638-14, cujo PDF circula sem autorização, não é mais a vigente.
Os corpos de prova tipo I a V
O corpo de prova da D638 é uma gravata: duas cabeças largas, presas nas garras, ligadas por concordâncias de raio grande a um trecho estreito e reto, onde a tensão é maior e onde a ruptura tem de acontecer. Ele pode ser moldado por injeção, usinado ou estampado com faca a partir de chapa ou placa. A moldagem por injeção orienta as cadeias e pode dar propriedades diferentes das de um corpo de prova usinado do mesmo material. Na foto, corpos de prova de plástico moldados por injeção no formato de gravata: as cabeças largas ficam nas garras, e a deformação acontece no trecho estreito do meio.

Quando usar cada tipo
A escolha depende da classe de rigidez do material (rígido, semirrígido ou não rígido), da espessura e da quantidade de amostra:
- Tipo I: o preferido para plásticos rígidos e semirrígidos, sempre que houver material com até 7 mm de espessura. Também é o tipo indicado para compósitos reforçados, inclusive laminados.
- Tipo II: recomendado quando o material não rompe no trecho estreito do tipo I. O trecho útil mais fino (6 mm) concentra a tensão onde ela deve estar.
- Tipo III: obrigatório para qualquer material com mais de 7 mm e até 14 mm de espessura. Chapa mais grossa é usinada até 14 mm.
- Tipo IV: o tipo para plásticos não rígidos com até 4 mm, e o usado quando se quer comparar diretamente materiais de rigidez diferente, como um não rígido e um semirrígido, no mesmo corpo de prova.
- Tipo V: o miniatura, para quando há pouco material com até 4 mm ou quando muitos corpos de prova precisam caber num espaço pequeno, como numa câmara de envelhecimento.
Dimensões dos cinco tipos
Duas cotas definem o uso do corpo de prova: o comprimento de medida (G), a distância entre as duas facas do extensômetro, sobre a qual se calcula o alongamento; e a distância entre garras (D), sobre a qual se calcula a deformação nominal quando o alongamento é lido pelo movimento da travessa. A espessura dos corpos de prova moldados é 3,2 ± 0,4 mm em todos os tipos; nos usinados, é a própria espessura da chapa, dentro da faixa do tipo. O esquema abaixo mostra os cinco tipos na mesma escala, com o comprimento de medida marcado em laranja: o tipo III é o maior, porque recebe chapas de até 14 mm, e o tipo V cabe dentro do trecho estreito do tipo I.

A tabela resume as cotas principais, em milímetros. O desenho completo, com tolerâncias, raios e larguras das cabeças, está na norma:
| Tipo | Largura útil × espessura | G e D (entre garras) | Comprimento total mín. |
|---|---|---|---|
| I | 13 × 3,2 (até 7) | 50 e 115 | 165 |
| II | 6 × 3,2 (até 7) | 50 e 135 | 183 |
| III | 19 × 7 a 14 | 50 e 115 | 246 |
| IV | 6 × 3,2 (até 4) | 25 e 65 | 115 |
| V | 3,18 × 3,2 (até 4) | 7,62 e 25,4 | 63,5 |
Fontes: tabela de dimensões da ASTM D638 (texto da edição de 2014, conferido na tabela publicada pela ZwickRoell para a -22).
Preparação, medição e número de corpos de prova
A D638 pede a largura e a espessura de cada corpo de prova medidas com resolução de 0,025 mm, no centro e perto das duas extremidades do comprimento de medida, com micrômetro conforme a ASTM D5947. Em corpos de prova injetados, basta medir um por amostra quando já se demonstrou que a variação entre eles é menor que 1 %. A área usada nos cálculos é a média da seção inicial dentro do comprimento de medida.
O mínimo é de cinco corpos de prova por amostra de material isotrópico. Em material anisotrópico, como chapa extrudada ou laminado, são dez: cinco com o eixo paralelo à direção de orientação e cinco perpendiculares a ela. Corpo de prova que rompe num defeito ou fora do trecho estreito é descartado e substituído, a menos que o defeito seja justamente a variável estudada.
Condicionamento e atmosfera de ensaio
Plástico absorve umidade e muda de propriedade com ela; a poliamida é o caso extremo, com rigidez muito menor quando úmida. Por isso a D638 manda condicionar os corpos de prova pela ASTM D618-21, procedimento A, salvo outra exigência do contrato ou da especificação do material: 23 °C e 50 % de umidade relativa por no mínimo 40 horas, para corpos de prova com até 7 mm de espessura. Os mais espessos pedem tempo maior, definido na D618. O ensaio é feito na mesma atmosfera do condicionamento, com as tolerâncias da D618.
As 40 horas não levam o material ao equilíbrio de umidade, que segundo a D618 pode exigir de 20 a 100 dias ou mais; elas padronizam o estado do material para que laboratórios diferentes cheguem ao mesmo resultado.
Velocidade de ensaio
Na D638, velocidade de ensaio é a velocidade de afastamento das garras. A norma dá uma tabela com velocidades fixas por tipo de corpo de prova e por classe de rigidez. A velocidade vem da especificação do material ou de acordo entre as partes; quando nenhuma das duas define, a regra é usar a menor velocidade da tabela que produza ruptura entre 0,5 e 5 minutos de ensaio. A tabela abaixo resume as opções, com as tolerâncias:
| Classe | Tipo | Velocidades (mm/min) |
|---|---|---|
| Rígido e semirrígido | I, II, III, barras e tubos | 5 (± 25 %), 50 (± 10 %), 500 (± 10 %) |
| Rígido e semirrígido | IV | 5 (± 25 %), 50 (± 10 %), 500 (± 10 %) |
| Rígido e semirrígido | V | 1, 10 e 100 (± 25 %) |
| Não rígido | III e IV | 50 (± 10 %), 500 (± 10 %) |
A regra obriga um ensaio preliminar ou a experiência com o material: um frágil rompe em segundos a 50 mm/min e fica em 5; um polipropileno que se estende muito passaria de 20 minutos a 5 mm/min e vai para 50. O módulo pode ser medido na mesma velocidade das demais propriedades, desde que a aquisição de dados seja rápida e fina o bastante para registrar o trecho inicial.
Medição de força e de deformação
A força é medida pela célula de carga da máquina, verificada pela ASTM E4, com erro de até ±1 % da força indicada. No Brasil, a verificação equivalente é a da ABNT NBR ISO 7500-1:2023, cuja classe 1 corresponde a esse mesmo ±1 %. A célula deve ser escolhida para a força do ensaio: um corpo de prova tipo I de policarbonato rompe perto de 2,6 kN, e medir isso numa célula de 100 kN desperdiça resolução.
A deformação tem exigências em três faixas, conferidas no texto da norma:
- Módulo de elasticidade: extensômetro com erro máximo de 0,0002 mm/mm e registro automático e contínuo. Um extensômetro de classe B-2 pela ASTM E83-25 atende. A norma proíbe usar o deslocamento das garras para calcular módulo ou alongamento.
- Alongamento no escoamento e pequenas deformações (até cerca de 20 %): o mesmo extensômetro, ou outro de no mínimo classe C da E83, com erro fixo de 0,001 de deformação ou 1 % da indicação, o que for maior.
- Grandes deformações (acima de 20 %): técnicas de medição com erro de até 10 % do valor medido, como os extensômetros de grande curso.
Por que a travessa não serve para o módulo em polímeros está explicado na seção sobre extensômetro em polímeros do artigo ensaio de tração. Para a D638 basta a consequência: quando o corpo de prova forma pescoço dentro do comprimento de medida, a deformação deixa de ser uniforme e a norma manda relatar a deformação nominal, o afastamento das garras sobre a distância inicial entre elas, de valor apenas qualitativo. Em materiais que alongam muito, podem-se fazer dois ensaios, um com o extensômetro de alta resolução para o módulo e outro até a ruptura.
O que se calcula e como
A D638 trabalha com tensões de engenharia: toda força é dividida pela área inicial média do trecho útil, A0 = w × t, com w a largura e t a espessura. O ponto de escoamento é o primeiro ponto da curva em que a deformação aumenta sem aumento de força; nos plásticos dúcteis, ele aparece como um pico seguido de queda. A resistência à tração é a maior força do ensaio dividida por A0, e a norma a chama de resistência à tração no escoamento ou na ruptura, conforme o ponto em que a força máxima ocorreu. O conceito geral está em limite de resistência à tração, e a leitura da curva em diagrama tensão-deformação.
O módulo de elasticidade é a inclinação do trecho linear inicial da curva tensão × deformação: prolonga-se a reta desse trecho e divide-se a diferença de tensão entre dois pontos dela pela diferença de deformação. Muitas curvas começam côncavas, por folga nas garras e assentamento do corpo de prova, e esse trecho inicial, o pé, não é propriedade do material. A correção de pé (toe compensation) prolonga a reta do trecho linear até o eixo da deformação e usa esse ponto como novo zero. Quando não há trecho linear, calcula-se o módulo secante: a tensão numa deformação especificada dividida por essa deformação. O conceito de módulo está em módulo de elasticidade, e o do alongamento como medida de ductilidade. A tabela reúne as fórmulas:
| Resultado | Fórmula | Observação |
|---|---|---|
| Área inicial | A0 = w × t | média das medições no trecho útil, em mm² |
| Resistência à tração | σ = Fmáx / A0 | no escoamento ou na ruptura, em MPa |
| Tensão no escoamento e na ruptura | σy = Fy / A0; σb = Fb / A0 | relatadas quando menores que a máxima |
| Alongamento | ε = ΔL / G × 100 | pelo extensômetro, deformação uniforme |
| Deformação nominal | εn = ΔD / D × 100 | pelas garras, quando há pescoço |
| Módulo de elasticidade | E = Δσ / Δε | trecho linear, com correção de pé |
| Módulo secante | Es = σ / ε | numa deformação especificada |
| Coeficiente de Poisson | ν = −εtransversal / εaxial | opcional; exige extensômetro transversal |
Os resultados de tensão e módulo são relatados com três algarismos significativos. De cada série calculam-se a média e o desvio-padrão estimado, este com dois algarismos significativos. O coeficiente de Poisson, quando pedido, segue um anexo próprio da norma.
O que vai no relatório
O relatório da D638 identifica o material (tipo, fabricante, código, forma e histórico) e o modo de preparo dos corpos de prova, e registra o tipo e as dimensões do corpo de prova, o condicionamento, a atmosfera da sala, o número de corpos de prova (e a direção, se anisotrópico), a velocidade, a classe dos extensômetros, a média e o desvio de cada resultado, a data do ensaio e a edição da norma. A edição importa: um laudo pela D638-22 e outro pela D638-14 não são, formalmente, o mesmo método.
Exemplo resolvido: policarbonato, tipo I
Um laboratório ensaia policarbonato em corpos de prova tipo I injetados, com largura medida de 13,0 mm e espessura de 3,20 mm. Num ensaio preliminar, o corpo de prova rompeu com 92 mm de afastamento das garras. No trecho inicial, o extensômetro de 50 mm registrou 0,25 kN com ΔL = 0,150 mm e 0,65 kN com ΔL = 0,350 mm. A força no escoamento, que é a máxima do ensaio, foi de 2,60 kN, com ΔL = 3,025 mm no extensômetro; a força na ruptura foi de 2,30 kN, com afastamento das garras de 92 mm.
- Velocidade. A 5 mm/min, o ensaio duraria 92 / 5 = 18,4 min, fora da janela de 0,5 a 5 min. A 50 mm/min, dura 92 / 50 = 1,84 min, dentro dela. Velocidade: 50 mm/min. A essa velocidade o trecho do módulo passa em menos de 1 segundo, e a aquisição de dados tem de acompanhar.
- Área: A0 = 13,0 × 3,20 = 41,6 mm².
- Tensões e deformações do trecho linear: σ1 = 250 / 41,6 = 6,01 MPa e σ2 = 650 / 41,6 = 15,63 MPa; ε1 = 0,150 / 50 = 0,0030 e ε2 = 0,350 / 50 = 0,0070.
- Módulo: E = (15,63 − 6,01) / (0,0070 − 0,0030) = 9,62 / 0,0040 = 2.404 MPa, relatado como 2,40 GPa.
- Correção de pé: a reta chega a tensão zero em ε = 0,0030 − 6,01 / 2.404 = 0,0030 − 0,0025 = 0,0005, ou seja, 0,05 %. Esse é o novo zero de deformação.
- Escoamento: σy = 2.600 / 41,6 = 62,5 MPa. Como é a maior força do ensaio, é também a resistência à tração, relatada como resistência à tração no escoamento. O alongamento no escoamento é 3,025 / 50 × 100 = 6,05 %, menos o pé de 0,05 %: 6,0 %.
- Ruptura: σb = 2.300 / 41,6 = 55,3 MPa. O policarbonato formou pescoço no trecho útil, então o alongamento na ruptura é relatado como deformação nominal: 92 / 115 × 100 = 80 %.
- Máquina: a força máxima de 2,6 kN usa pouco mais da metade de uma célula de 5 kN, e o afastamento de 92 mm é pequeno perto do curso de uma máquina de coluna simples.
Os gráficos abaixo mostram o exemplo: à esquerda, o trecho inicial, com o pé, os dois pontos medidos e a tangente prolongada até o novo zero; à direita, a curva completa em deformação nominal, com o pico de escoamento, o estiramento a frio enquanto o pescoço percorre o trecho útil, e a ruptura.

Módulo e tensão de escoamento ficam na faixa típica do policarbonato, perto de 2,4 GPa e 60 a 70 MPa, o que serve de conferência. O fenômeno do pescoço que se propaga está em estricção e estiramento.
Tipo IV, não rígido. Um corpo de prova tipo IV de 6,0 × 3,0 mm rompe com 0,33 kN depois de 390 mm de afastamento das garras. A0 = 6,0 × 3,0 = 18,0 mm² e σ = 330 / 18,0 = 18,3 MPa. Para não rígidos, as opções são 50 e 500 mm/min: a 50 mm/min o ensaio duraria 390 / 50 = 7,8 min, fora da janela; a 500 mm/min, 0,78 min, dentro. Velocidade: 500 mm/min, com célula de 2 kN e extensômetro de grandes deformações.
ASTM D638 × ISO 527-1 e ISO 527-2:2025
Fora dos Estados Unidos, a norma mais pedida para o mesmo ensaio é a ISO 527: a parte 1 (2019) traz os princípios gerais e o cálculo, e a parte 2 traz as condições para plásticos de moldagem e extrusão. A ISO 527-2 ganhou edição nova em 2025, que substituiu a de 2012 e renomeou os corpos de prova 1A e 1B para A1 e A2, alinhando-os à ISO 20753; na espessura de 4 mm, as dimensões são as mesmas de antes. O A1 é o corpo de prova multipropósito injetado, e o A2, o usinado. A ISO 527-1:2019 foi confirmada em 2025 e está marcada para revisão. Não há adoção ABNT vigente da ISO 527: no Brasil, usa-se a própria ISO ou a ASTM.
O esquema abaixo compara o tipo I e o A1 na mesma escala: o A1 é mais largo nas cabeças, tem trecho paralelo mais longo, seção de 10 × 4 mm em vez de 13 × 3,2 mm e comprimento de medida de 75 mm em vez de 50 mm.

As diferenças vão além da geometria. A mais importante está no módulo: a ISO mede a 1 mm/min nos corpos de prova A1 e A2 e o calcula pela corda ou pela regressão linear entre 0,05 % e 0,25 % de deformação, enquanto a D638 usa a inclinação do trecho linear, em geral na mesma velocidade das demais propriedades. A tabela resume:
| Item | ASTM D638-22 | ISO 527-1:2019 e 527-2:2025 |
|---|---|---|
| Corpo de prova principal | tipo I: 165 mm, 13 × 3,2 mm | A1 (antigo 1A): 170 mm, 10 × 4 mm |
| Comprimento de medida | 50 mm | 75 mm (50 mm em controle de qualidade) |
| Outros corpos de prova | tipos II a V | A2 (usinado) e corpos reduzidos da ISO 20753 |
| Velocidade do módulo | a das demais propriedades (5 mm/min ou mais no tipo I) | 1 mm/min |
| Cálculo do módulo | inclinação do trecho linear, com correção de pé | corda ou regressão entre 0,05 % e 0,25 % |
| Extensômetro para o módulo | classe B-2 da ASTM E83 | classe 1 da ISO 9513 |
| Atmosfera | ASTM D618 (23 °C, 50 %, 40 h) | ISO 291 (23 °C, 50 %) |
Uma resina ensaiada pelas duas normas dá números próximos, mas não iguais, e a diferença não se corrige por conta: espessura de moldagem, orientação e velocidade mudam juntas. Ficha técnica feita pela ISO não se compara com especificação escrita pela ASTM sem ensaiar pela norma pedida.
Erros comuns na aplicação da ASTM D638
Os erros abaixo aparecem tanto em laboratório quanto em páginas que explicam a norma, e cada um tem uma correção direta:
- Módulo pelo deslocamento da travessa. Inclui folga, assentamento e deformação das cabeças e das garras, e dá módulo baixo. A norma exige extensômetro de classe B-2.
- Velocidade fixa para tudo. Usar 50 mm/min para qualquer rígido ignora a regra dos 0,5 a 5 minutos. Um frágil a essa velocidade rompe em segundos.
- Escorregamento na garra. Aparece como degrau ou patamar falso na curva. A correção é garra adequada ao material, alinhada, com pressão suficiente; aperto demais esmaga a cabeça e causa ruptura no mordente.
- Aceitar ruptura fora do trecho estreito. O resultado é descartado e o ensaio refeito. Se a ruptura na cabeça se repete no tipo I, o caminho previsto pela norma é o tipo II.
- Tipo errado para a espessura. Acima de 7 mm, o tipo III é obrigatório. O tipo IV não é para filme: abaixo de 1,0 mm a norma é a D882.
- Pular o condicionamento ou ensaiar numa sala sem controle de temperatura e umidade.
- Medir mal a espessura. No exemplo, uma espessura real de 3,10 mm digitada como 3,20 mm daria 62,5 MPa em vez de 2.600 / (13,0 × 3,10) = 64,5 MPa: 3,1 % abaixo do real.
- Relatar alongamento do extensômetro depois do pescoço. Com deformação não uniforme, o resultado é a deformação nominal.
- Citar a D638-14 como vigente ou a ISO 527-2:2012, retirada em 2025.
Equipamento para o ensaio pela ASTM D638
O ensaio pede uma máquina universal de ensaios com velocidade constante de travessa, de 1 a 500 mm/min para cobrir todas as linhas da tabela, célula de carga dimensionada à força do corpo de prova, garras que prendam o plástico sem esmagar nem deixar escorregar, e extensômetros para as duas faixas de deformação. Na linha M2 da Biopdi, a máquina de coluna simples MBIOI-10-M2 é oferecida em 2, 5 ou 10 kN, com velocidade de 0,02 a 500 mm/min e 890 mm de curso, e a versão de coluna estendida chega a 1.290 mm de curso para materiais que alongam centenas de por cento. A célula de carga tem classe 1 pela ABNT NBR ISO 7500-1:2023, e o software BioLab traça a curva e calcula resistência, alongamento e módulo. O painel abaixo mostra a máquina, o papel de cada parte no ensaio pela D638 e os dispositivos usados.
A máquina universal no ensaio de tração de plásticos
A linha M2 tem modelos de coluna simples, de 200 N a 10 kN, que cobrem a maioria dos corpos de prova da D638, e de coluna dupla, de 5 kN a 1.000 kN, para chapas grossas e compósitos. Cada parte da máquina tem uma função no ensaio:

- Travessa móvel afasta as garras a 5, 50 ou 500 mm/min
- Célula de carga de 2 a 10 kN, classe 1
- Garras cunha ou alavanca, prendem as cabeças da gravata
- Extensômetro de 50 ou 25 mm para o módulo; de grande curso até a ruptura
- Software BioLab módulo, escoamento, ruptura, média e desvio
- Painel e emergência posiciona e para o ensaio
Dispositivos para o ensaio de tração de plásticos
As garras e os extensômetros abaixo são montados na mesma máquina, conforme o tipo de corpo de prova e a faixa de deformação:




A escolha do modelo parte da força máxima esperada, F ≈ σ × A0, e do alongamento até a ruptura. A tabela abaixo indica o modelo por aplicação:
| Corpo de prova | Força típica | Modelo Biopdi |
|---|---|---|
| Tipos I, II, IV e V em rígidos e semirrígidos | até cerca de 5 kN | MBIOI-10-M2 (2, 5 ou 10 kN) |
| Tipo IV não rígido, alongamento de centenas de por cento | centenas de N | MBIOI-10-M2 de coluna estendida |
| Tipo III de chapa grossa, compósitos | acima de 10 kN | MBIOII-50-M2 (5 a 50 kN) |
Um tipo III de 19 × 14 mm num plástico de 60 MPa exige 60 × 266 = 15.960 N, perto de 16 kN, acima da coluna simples. A mesma máquina faz a flexão de plásticos pela ASTM D790, assunto do guia ASTM D790, e ensaios de polímeros como os descritos em polímeros biodegradáveis. O funcionamento interno está em máquina universal de ensaio, e para uma proposta com a configuração do seu laboratório, solicite um orçamento.
Normas citadas
A tabela reúne as normas citadas neste guia com a edição vigente, conferida em 30/09/2026 na página oficial de cada organização:
| Norma | Assunto | Edição |
|---|---|---|
| ASTM D638 | tração de plásticos, 1 a 14 mm | D638-22 |
| ASTM D882 | tração de filmes e chapas finas, menos de 1,0 mm | D882-26 |
| ASTM D618 | condicionamento de plásticos | D618-21 |
| ASTM E83 | classes de extensômetro | E83-25 |
| ASTM E4 | verificação da força da máquina | E4-24 |
| ASTM D3039/D3039M | tração de compósitos de matriz polimérica | D3039/D3039M-17 (reaprovada em 2025) |
| ASTM D412 | tração de borracha e elastômeros termoplásticos | D412-16 (reaprovada em 2021) |
| ISO 527-1 | tração de plásticos: princípios gerais | 2019 (em revisão) |
| ISO 527-2 | tração de plásticos de moldagem e extrusão | 2025 |
| ISO 527-3 | tração de filmes e folhas | 2018 |
| ISO 291 | atmosferas de condicionamento e ensaio de plásticos | 2008 (confirmada em 2021) |
| ISO 9513 | calibração de extensômetros | 2012 |
| ABNT NBR ISO 7500-1 | verificação da força de máquinas de ensaio | 2023 |
A ASTM D790, que aparece nas buscas junto com a D638, é de flexão de plásticos, não de tração: a barra fica apoiada em dois pontos e recebe carga no meio, como explicado em ensaio de flexão.
Outros ensaios e referências técnicas
Ensaios realizados na máquina universal Biopdi
Referências técnicas relacionadas
ASTM D790: ensaio de flexão de plásticos em três pontos (procedimentos A e B, vão e cálculos)
A ASTM D790-25 mede a resistência e o módulo de flexão de plásticos numa barra biapoiada carregada no meio, com vão de 16 vezes a espessura e taxa de deformação de 1 %/min (procedimento A) ou 10 %/min (procedimento B), até a ruptura ou até 5 % de deformação. Veja a velocidade R = ZL²/6d, as fórmulas, a correção de grandes deflexões, a comparação com a ISO 178 e a D6272 e exercícios resolvidos.
ASTM E8 x ISO 6892-1: ensaio de tração em metais, diferenças e requisitos (NBR ISO 6892-1 e A370)
A ASTM E8/E8M-25 e a ISO 6892-1:2019, adotada no Brasil como ABNT NBR ISO 6892-1:2024, regem o mesmo ensaio de tração de metais em temperatura ambiente. Elas diferem no comprimento de referência do corpo de prova (4D no E8, 5D no E8M e 5,65√S0 na ISO), no controle e na tolerância de velocidade, nos símbolos, no arredondamento e nas normas de máquina e extensômetro. Por isso o alongamento de uma não se compara direto com o da outra.
NBR 13279: resistência à tração na flexão e à compressão da argamassa (prismas 4 × 4 × 16 cm), cálculo e classificação
A ABNT NBR 13279:2005, vigente e confirmada pela ABNT em novembro de 2023, é o método brasileiro para medir a resistência à tração na flexão e à compressão de argamassas de assentamento e revestimento: prismas de 4 × 4 × 16 cm rompidos em flexão de 3 pontos com vão de 100 mm, a (50 ± 10) N/s, e as metades rompidas em compressão sobre 40 × 40 mm, a (500 ± 50) N/s. Rf = 1,5·Ff·L/40³ e Rc = Fc/1.600, em MPa. Veja o procedimento, o critério de descarte, um exemplo resolvido, a classificação pela NBR 13281 e a força que a máquina precisa ter.
Perguntas frequentes
O que é a ASTM D638?
É o método de ensaio da ASTM International para as propriedades de tração de plásticos reforçados e não reforçados, com espessura de até 14 mm. Usa corpos de prova em forma de gravata, tipos I a V, e fornece resistência à tração, tensões no escoamento e na ruptura, alongamento e módulo de elasticidade. A edição vigente é a D638-22.
Qual é a norma ASTM para ensaio de tração?
Depende do material. Metais seguem a ASTM E8/E8M; plásticos rígidos e semirrígidos, a D638; filmes com menos de 1,0 mm, a D882; compósitos de matriz polimérica com fibra, a D3039/D3039M; borrachas e elastômeros termoplásticos, a D412.
Qual é a norma para ensaio de tração em polímeros?
As duas mais usadas são a ASTM D638-22 e a ISO 527, com a parte 1 de 2019 e a parte 2 de 2025. Filmes e folhas finas têm normas próprias: ASTM D882-26 ou ISO 527-3. Não há adoção ABNT vigente da ISO 527.
Quais as dimensões do corpo de prova tipo I da ASTM D638?
Comprimento total mínimo de 165 mm, trecho estreito de 57 mm com 13 mm de largura, comprimento de medida de 50 mm, 115 mm entre garras e espessura de 3,2 ± 0,4 mm quando moldado. É o preferido para plásticos rígidos e semirrígidos com até 7 mm de espessura.
Qual a velocidade do ensaio pela ASTM D638?
A da especificação do material; sem ela, a menor velocidade da tabela da norma que leve à ruptura entre 0,5 e 5 minutos. Nos tipos I a IV, as opções são 5, 50 e 500 mm/min (só 50 e 500 para não rígidos); no tipo V, 1, 10 e 100 mm/min.
Quantos corpos de prova a ASTM D638 exige?
No mínimo cinco por amostra de material isotrópico. Em material anisotrópico são dez: cinco paralelos e cinco perpendiculares à direção de orientação. Corpo de prova que rompe fora do trecho estreito ou num defeito é substituído.
Preciso de extensômetro no ensaio pela ASTM D638?
Para o módulo de elasticidade, sim: o sistema deve ter erro máximo de 0,0002 mm/mm, o que um extensômetro de classe B-2 da ASTM E83 atende, e o deslocamento das garras não pode ser usado. Acima de 20 % de deformação, a norma aceita medição de faixa ampla com erro de até 10 % do valor medido.
A ASTM D638 e a ISO 527 dão o mesmo resultado?
Não necessariamente. A própria ASTM declara que as duas tratam do mesmo assunto com conteúdo técnico diferente: o corpo de prova (tipo I de 13 × 3,2 mm contra A1 de 10 × 4 mm), a velocidade do módulo (1 mm/min na ISO) e o cálculo do módulo mudam. Laudos das duas normas não são intercambiáveis.
Qual a diferença entre a ASTM D638 e a ASTM D882?
A D882-26 cobre chapas e filmes com menos de 1,0 mm de espessura, com corpo de prova em tira. A D638 cobre de 1,0 a 14 mm, com corpo de prova em gravata. A fronteira entre as duas é a espessura de 1,0 mm.
Onde encontrar a ASTM D638 em PDF?
A norma é vendida pela ASTM em store.astm.org. Os PDFs gratuitos que circulam na internet costumam ser cópias não autorizadas e da edição antiga D638-14, e não servem como referência de laudo, que deve citar a edição vigente, D638-22.