Polímeros biodegradáveis são plásticos que microrganismos conseguem converter em CO₂, água e biomassa, e não apenas fragmentar. A biodegradação depende do ambiente: materiais como o PLA só atingem 90 % em seis meses em compostagem industrial, conforme a EN 13432 e a ASTM D6400.
Para uma embalagem ser vendida como compostável na Europa, a EN 13432 exige que pelo menos 90 % do carbono orgânico vire CO₂ em até seis meses e que, em 12 semanas de compostagem, pelo menos 90 % do material passe numa peneira de 2 mm, sem efeito tóxico no composto. A origem da matéria-prima não decide nada disso: o PBAT e o PCL vêm do petróleo e biodegradam, e o polietileno verde vem da cana e não biodegrada. O artigo trata dos tipos, das condições e das normas de biodegradação, das propriedades mecânicas e de como ensaiá-las.
Na foto, objetos vendidos como alternativas sustentáveis. As escovas de bambu, os prendedores de madeira e a sacola de algodão são feitos de polímeros naturais, como a celulose, que biodegradam; as garrafas são de vidro, que não é polímero. A imagem mostra bem a confusão que este artigo desfaz: parecer natural não diz se, onde e em quanto tempo um material biodegrada.

O que são polímeros biodegradáveis
Pela terminologia da IUPAC para polímeros de interesse biológico (Vert et al., Pure and Applied Chemistry, 2012), polímero biodegradável é aquele suscetível à degradação por atividade biológica, com redução da massa molar. A mesma recomendação desaconselha usar "biopolímero" como sinônimo, porque o termo mistura origem e fim de vida. Os polímeros são uma das grandes famílias de materiais, ao lado de metais, cerâmicas e compósitos, como mostra o artigo sobre tipos de materiais.
A biodegradação acontece em etapas. Primeiro as cadeias longas são quebradas, em geral por hidrólise das ligações éster (a água reage com a cadeia e a corta) ou por enzimas que os microrganismos liberam no meio. A massa molar cai e sobram fragmentos pequenos, oligômeros e monômeros, que atravessam a parede celular. Dentro da célula, eles são usados como fonte de carbono e energia: com oxigênio, o resultado é CO₂, água e biomassa; sem oxigênio, como num aterro ou num biodigestor, sai também metano. Sem essa última etapa, o plástico não biodegradou: só fragmentou.
A velocidade depende do polímero e do meio. No material pesam a química da cadeia (os poliésteres alifáticos, com ligações éster acessíveis, são os mais vulneráveis), a cristalinidade, a massa molar e a espessura; no ambiente, a temperatura, a umidade, o oxigênio e a quantidade de microrganismos capazes de atacar aquele polímero.
A imagem conceitual abaixo resume a ideia de um material técnico que, no fim da vida, volta ao ciclo biológico como CO₂, água e biomassa. É uma ilustração, não o registro de um processo real.

Biodegradável, compostável, de base biológica e oxidegradável
Os quatro termos aparecem juntos nas embalagens e significam coisas diferentes. Biodegradável descreve um fim de vida: microrganismos convertem o material. Sem dizer em que ambiente e em quanto tempo, a alegação é vaga, porque quase tudo biodegrada em alguma escala de tempo. Compostável é um biodegradável com prazo, condição e resultado verificados num processo de compostagem: tem de biodegradar, desintegrar e não deixar composto tóxico. Todo compostável é biodegradável, mas nem todo biodegradável é compostável.
De base biológica (em inglês, bio-based) descreve a origem: o carbono vem de fonte renovável, como cana, milho ou óleo vegetal. Bioplástico é um termo de mercado, usado pela associação European Bioplastics para plásticos de base biológica, biodegradáveis ou as duas coisas. A tabela resume os termos:
| Termo | O que significa | Exemplos |
|---|---|---|
| Biodegradável | microrganismos convertem o material em CO₂ (ou metano), água e biomassa | PHA, PBAT, PBS, PCL, PLA em condição adequada |
| Compostável | biodegrada e desintegra no prazo da norma, sem ecotoxicidade no composto | produtos certificados pela EN 13432 ou pela ASTM D6400 |
| De base biológica | carbono de origem renovável; não diz nada sobre o fim de vida | PE verde (não biodegrada), PLA (biodegrada) |
| Oxidegradável | plástico convencional com aditivo que acelera a fragmentação por oxidação | PE com aditivo pró-oxidante |
Origem não define fim de vida
O erro mais comum é supor que um plástico de origem vegetal biodegrada. Cruzando as duas perguntas, de onde vem o carbono e se o material biodegrada, os plásticos se dividem em quatro grupos, e há exemplos comerciais em todos eles:
| Origem | Biodegradável | Não biodegradável |
|---|---|---|
| Renovável | PLA, PHA, amido termoplástico (TPS) | PE verde, PET parcialmente de base biológica |
| Fóssil | PBAT, PCL, PBS de origem fóssil | PE, PP, PET e PVC comuns |
O PE verde tem a mesma molécula do polietileno de petróleo e, por isso, o mesmo fim de vida: é reciclável, mas persiste no ambiente. Já o PBAT e o PCL são sintetizados a partir de derivados do petróleo e biodegradam, porque o que decide é a química da cadeia, não a origem do carbono.
Plástico oxidegradável: por que a União Europeia proibiu
O plástico oxidegradável, vendido também como "oxibiodegradável", é um polietileno ou polipropileno comum com um aditivo que acelera a oxidação. A Diretiva (UE) 2019/904, sobre plásticos de uso único, o define como plástico com aditivos que, por oxidação, levam à fragmentação em microfragmentos ou à decomposição química, e o Art. 5 manda os Estados-Membros proibirem a colocação no mercado de produtos feitos com ele. O considerando 15 dá o motivo: esse plástico não biodegrada adequadamente e contribui para a poluição por microplásticos. A diretiva registra ainda que ele não é compostável e prejudica a reciclagem. Em 2024, o Tribunal Geral da UE rejeitou a ação de um fabricante de aditivos oxibiodegradáveis contra a proibição (processo T-745/20).
O dado experimental mais citado é o de Napper e Thompson (Environmental Science & Technology, 2019), que expuseram sacolas biodegradáveis, oxibiodegradáveis, compostáveis e de PEAD convencional por três anos ao ar livre, enterradas no solo e submersas no mar. Ao ar livre, todas se fragmentaram em nove meses. A compostável sumiu em três meses no mar, mas continuava presente no solo após 27 meses, já sem aguentar peso sem rasgar. A conclusão dos autores: nenhuma das sacolas mostrou deterioração substancial em todos os ambientes, e não ficou claro que as formulações oxibiodegradáveis ou biodegradáveis tragam vantagem sobre a sacola convencional para reduzir o lixo marinho.
Tipos de polímeros biodegradáveis
Os biodegradáveis comerciais são quase todos poliésteres alifáticos ou materiais à base de amido e celulose. Diferem na origem, no ambiente em que biodegradam e no comportamento mecânico: há os rígidos e frágeis e os flexíveis e muito dúcteis. As faixas de propriedade citadas abaixo são de Wang e Guo (Frontiers in Chemistry, 2026, Tabela 1).
PLA, poli(ácido lático)
O PLA é o biodegradável mais produzido e o mais conhecido. O açúcar de milho, de cana ou de beterraba, ou a glicose obtida da hidrólise do amido, é fermentado por bactérias e vira ácido lático; o ácido é purificado e polimerizado, em geral pela abertura do anel do lactídeo, o dímero cíclico do ácido lático. O resultado é um plástico rígido e transparente, com módulo de 2.000 a 3.500 MPa e resistência de 21 a 70 MPa, mas frágil: alonga menos de 10 % antes de romper. A transição vítrea fica entre 50 e 80 °C. É usado em copos e embalagens rígidas, fibras, filamento de impressão 3D e, em graus médicos, em implantes e suturas absorvíveis.
PHA, PHB e PHBV
Os poli-hidroxialcanoatos (PHA) são poliésteres que bactérias acumulam dentro da célula como reserva de carbono e energia, quando crescem com excesso de fonte de carbono (açúcares ou óleos vegetais) e falta de outro nutriente. O mais simples é o PHB, poli(3-hidroxibutirato); o copolímero com hidroxivalerato, o PHBV, é menos cristalino e um pouco menos frágil. São rígidos (módulo de 2.000 a 3.500 MPa no PHBV) e alongam de 1 a 8 %. Estão entre os poucos biodegradáveis que se degradam também no solo e no mar, e têm um defeito prático: envelhecem à temperatura ambiente, como mostra a seção sobre degradação.
PBAT
O PBAT, poli(butileno adipato-co-tereftalato), é um copoliéster alifático-aromático de origem fóssil. A parte aromática dá resistência térmica e a parte alifática, a biodegradabilidade. É o "polietileno" dos biodegradáveis: módulo de só 40 a 100 MPa, resistência de 18 a 35 MPa e alongamento acima de 500 %. É a base das sacolas compostáveis e dos filmes agrícolas de cobertura do solo (mulching), quase sempre misturado com PLA ou amido, que aumentam a rigidez e baixam o custo.
PBS
O PBS, poli(butileno succinato), é feito de ácido succínico e butanodiol, que podem vir do petróleo ou de fermentação. Fica no meio do caminho: módulo de 300 a 700 MPa, resistência de 30 a 40 MPa e alongamento que depende muito do processamento, de 100 a 400 % na revisão de Wang e Guo e de só 7,1 % num filme moldado por compressão medido por Costa et al. (Polymers, 2020). Aparece em filmes, descartáveis e blendas com PBAT.
PCL, policaprolactona
A PCL é biodegradável e de origem fóssil. É obtida pela abertura do anel da ε-caprolactona, um éster cíclico, com catalisador. É muito flexível (módulo de 200 a 500 MPa, alongamento de 300 a 1.000 %) e funde a apenas 55 a 65 °C, o que limita o uso em temperatura e facilita a moldagem. Por ser biocompatível e degradar devagar no corpo, é usada em dispositivos biomédicos, liberação controlada de fármacos e como componente de blendas.
Amido termoplástico (TPS)
O amido granular não funde. Com plastificante, em geral glicerol e água, e com calor e cisalhamento na extrusora, os grânulos se desestruturam e o material passa a ser processado como plástico: é o amido termoplástico. É barato, renovável e biodegrada rápido, mas é o mais fraco do grupo (resistência de 2 a 15 MPa) e muda de propriedade com a umidade do ar. Por isso quase não é usado sozinho: entra em blendas com PBAT ou PLA e em espumas de proteção.
Celulose e derivados
A celulose, que forma o algodão, a madeira e o bambu da foto de abertura, biodegrada no solo e no composto. Para virar filme ou fibra, é transformada em celofane (celulose regenerada) ou em acetato de celulose; no acetato, a biodegradação fica mais lenta quanto mais grupos da celulose foram substituídos. As propriedades variam tanto entre esses produtos que não há uma faixa típica única para comparar.
A tabela resume os sete grupos, com a condição em que cada um biodegrada em prazo útil, explicada na seção seguinte:
| Polímero | Origem | Onde biodegrada bem | Comportamento mecânico |
|---|---|---|---|
| PLA | renovável (fermentação de açúcar) | compostagem industrial; lento no solo, no mar e em casa | rígido e frágil |
| PHA (PHB, PHBV) | renovável (bactérias) | composto, solo e mar | rígido e frágil; envelhece |
| PBAT | fóssil | compostagem industrial; solo, em filmes | muito dúctil, baixo módulo |
| PBS | fóssil ou parcialmente renovável | composto e solo | intermediário |
| PCL | fóssil | composto e solo | muito flexível, funde a 60 °C |
| TPS (amido) | renovável | composto e solo | fraco, sensível à umidade |
| Celulose e derivados | renovável | depende do grau de substituição | varia com o produto |
Condições de biodegradação: onde cada um biodegrada
Como a biodegradação depende do meio, as normas separam quatro ambientes. A compostagem industrial é a mais agressiva: a pilha de resíduos orgânicos, com umidade e aeração controladas, aquece sozinha pela atividade microbiana e passa semanas em regime termofílico, acima de 50 °C. Os ensaios de laboratório de biodegradação em composto, como o da ISO 14855-1, são feitos a 58 °C. A compostagem doméstica fica na temperatura ambiente, que varia com o clima e o manejo; o solo e o mar são mesofílicos, mais frios e, no caso do mar, com muito menos microrganismos por volume.
O resultado de um ambiente não vale para outro, e o PLA mostra por que a temperatura pesa tanto. Os 58 °C da compostagem industrial ficam na faixa da transição vítrea do PLA, e acima dela as cadeias ganham mobilidade, a água penetra e a hidrólise acelera. Abaixo dessa temperatura, no solo, no mar ou numa composteira caseira, o PLA degrada muito devagar. A tabela resume os quatro ambientes:
| Ambiente | Condição | Normas de referência | Quem tende a passar |
|---|---|---|---|
| Compostagem industrial | termofílica; ensaios a 58 °C | EN 13432, ASTM D6400, ISO 17088 | PLA, PBAT, PBS, PHA, TPS |
| Compostagem doméstica | temperatura ambiente, variável | esquemas de certificação privados | PHA, TPS, PCL; o PLA é lento |
| Solo | mesofílica | EN 17033, ISO 23517 (filmes de mulching) | PBAT e blendas, PHA, PCL |
| Mar | mesofílica, pouca carga microbiana | ISO 22403 (laboratório) | PHA; o PLA degrada mal |
Normas de compostabilidade e biodegradação
As normas transformam a palavra "compostável" em critérios medidos. A EN 13432, europeia, a ASTM D6400, americana (edição D6400-26), e a ISO 17088:2021, internacional, especificam quando um plástico pode ser rotulado como compostável em instalações industriais, em condições termofílicas. As três pedem quatro verificações, que na EN 13432 são estas:
- Biodegradação: pelo menos 90 % do carbono orgânico convertido em CO₂ em até seis meses, em valor absoluto ou em relação a um material de referência, como a celulose. O método é a respirometria em composto controlado, da ISO 14855-1.
- Desintegração: depois de 12 semanas de compostagem, pelo menos 90 % da massa passa numa peneira de 2 mm. O ensaio em escala piloto é o da ISO 16929:2021.
- Qualidade do composto: o composto obtido não pode prejudicar a germinação e o crescimento de plantas.
- Constituintes: limites de metais pesados e de outras substâncias.
Um cuidado de leitura: os seis meses são o prazo máximo do ensaio em compostagem controlada, não o tempo que o material leva para sumir em qualquer lugar. As normas de solo, EN 17033 e ISO 23517, tratam de filmes agrícolas de cobertura, que são enterrados depois da colheita. A de mar, ISO 22403, avalia a biodegradabilidade em laboratório, com inóculo marinho; ela não simula o mar real e não autoriza dizer que o produto "desaparece no oceano".
As normas brasileiras NBR 15448
No Brasil, a ABNT publicou em 2008 duas normas para embalagens plásticas degradáveis ou de fontes renováveis: a NBR 15448-1, de terminologia, e a NBR 15448-2, de biodegradação e compostagem, com requisitos e métodos de ensaio. A Parte 2 adota o mesmo patamar da EN 13432, com pelo menos 90 % do carbono orgânico convertido em CO₂ em no máximo seis meses. A Parte 1 deixou de fora o termo "oxibiodegradável", que, segundo a revista Plástico Moderno (fevereiro de 2008), não constava de nenhuma norma técnica internacional. O histórico das duas registra confirmações pela ABNT em 2014, 2018 e 2023; antes de citá-las num contrato, confirme o status atual no catálogo da ABNT.
Como se calcula o grau de biodegradação
Na respirometria, o material é misturado ao composto num reator aerado, e o CO₂ que sai é medido ao longo do ensaio. Um reator só com composto, o branco, desconta o CO₂ do próprio composto. O resultado se compara com o CO₂ teórico, ThCO₂, que o carbono da amostra geraria se fosse todo convertido:
- CO₂ teórico: ThCO₂ = m × wC × 44/12, com m a massa da amostra, wC a fração mássica de carbono e 44/12 a razão entre as massas molares do CO₂ e do carbono.
- Grau de biodegradação: D = (CO₂ da amostra − CO₂ do branco) / ThCO₂ × 100.
Exemplo. Uma amostra de 10 g de PLA, cuja unidade repetitiva C3H4O2 tem 72 g/mol, dos quais 36 g são de carbono (wC = 0,50). ThCO₂ = 10 × 0,50 × 44/12 = 18,33 g. Se, após 150 dias, o CO₂ líquido (amostra menos branco) somou 16,9 g, D = 16,9 / 18,33 = 92 %, e o critério de 90 % em seis meses foi atendido. Os valores são didáticos, não de um ensaio real.
Selos de certificação de compostabilidade
O selo na embalagem indica que um laboratório independente fez esses ensaios e um certificador aprovou aquele produto. A norma define os critérios, mas quem emite o selo é o certificador, e por isso cada região tem os seus. A imagem abaixo reúne quatro marcas reais:
- BPI (Biodegradable Products Institute): certificadora norte-americana; o produto certificado atende à ASTM D6400 (plásticos) ou à ASTM D6868 (papel e fibras revestidos). Na imagem aparece o logotipo da instituição.
- Seedling, "compostable": marca registrada da European Bioplastics que atesta compostabilidade industrial pela EN 13432; a certificação é feita pela DIN CERTCO e pela TÜV AUSTRIA, e o selo deve vir acompanhado do número de registro.
- GreenPla: marca do sistema de identificação de plásticos biodegradáveis da Japan BioPlastics Association (JBPA), criado em 2000. Os caracteres abaixo do logotipo dizem "plástico biodegradável".
- DIN-Geprüft Industrial Compostable: marca da DIN CERTCO, na Alemanha, concedida a produtos que cumprem a EN 13432, com certificações paralelas pela ISO 17088 e outras normas.

Propriedades mecânicas dos polímeros biodegradáveis
Dizer que os biodegradáveis são "mais fracos" que os plásticos convencionais é impreciso. O grupo é tão variado quanto o dos convencionais: o PLA e o PHBV têm rigidez e resistência na faixa do poliestireno, e o PBAT e a PCL se comportam como o polietileno de baixa densidade. O problema típico do PLA e dos PHA não é a resistência, é a fragilidade. As três propriedades envolvidas saem do ensaio de tração: o módulo de elasticidade, que mede a rigidez; o limite de resistência à tração; e o alongamento na ruptura, que mede a ductilidade. A visão geral está em propriedades mecânicas dos materiais.
A tabela traz as faixas típicas do polímero puro à temperatura ambiente e, nas linhas com a fonte em destaque, valores medidos num ensaio específico, com a condição declarada:
| Polímero (fonte) | Resistência à tração (MPa) | Módulo (MPa) | Alongamento na ruptura (%) |
|---|---|---|---|
| PLA (Wang e Guo) | 21 a 70 | 2.000 a 3.500 | menos de 10 |
| PHBV (Wang e Guo) | 25 a 45 | 2.000 a 3.500 | 1 a 8 |
| PHB após 1 dia (Righetti et al., 2019) | 31,6 | 3.200 | 1,1 |
| PBS (Wang e Guo) | 30 a 40 | 300 a 700 | 100 a 400 |
| PBS, filme de 0,25 mm (Costa et al., 2020) | 29,6 ± 1,5 | 725,6 ± 15,6 | 7,1 ± 0,3 |
| PCL (Wang e Guo) | 10 a 25 | 200 a 500 | 300 a 1.000 |
| PBAT (Wang e Guo) | 18 a 35 | 40 a 100 | mais de 500 |
| PBAT, filme de 0,25 mm (Costa et al., 2020) | 20,1 ± 2,4 | 81,0 ± 2,5 | 689,5 ± 110,3 |
| TPS, amido termoplástico (Wang e Guo) | 2 a 15 | 50 a 500 | 10 a 150 |
Os filmes de Costa et al. foram ensaiados a 23 °C e 45 % de umidade relativa, a 5 mm/min, depois de 48 horas de condicionamento, e a resistência relatada é a tensão na ruptura. A diferença entre o alongamento de 7,1 % desse filme de PBS e a faixa de 100 a 400 % da revisão não é erro: grau comercial, cristalinidade, massa molar, processo de moldagem e espessura mudam muito a ductilidade dos poliésteres. Por isso um valor de propriedade de polímero só é comparável com a norma, o corpo de prova e o condicionamento declarados.
O gráfico abaixo compara as faixas de rigidez e resistência dos biodegradáveis com as de três plásticos convencionais pelos valores de Callister (Tabela 15.1): PEBD, PP e PS. O PLA e o PHBV ocupam a região do PS; o PBS fica entre o PEBD e o PP; o PBAT e a PCL ficam na região do PEBD; o amido termoplástico é o mais fraco de todos.

O alongamento separa os grupos com ainda mais clareza. O gráfico abaixo mostra que PLA e PHBV rompem com poucos por cento, como o PS, enquanto PCL e PBAT passam de 300 %, como o PEBD e o PP. Os losangos são os valores medidos da tabela, e o do PBS mostra quanto um filme real pode fugir da faixa típica.

Essa complementaridade explica as blendas do mercado: o PLA dá rigidez e o PBAT dá tenacidade. O PLA tem a curva de um polímero frágil, que rompe logo depois do trecho elástico e absorve pouca energia (baixa tenacidade); o PBAT, a de um polímero dúctil, que escoa e alonga várias vezes o comprimento inicial. As formas típicas estão no artigo sobre o diagrama tensão-deformação.
Como ensaiar polímeros biodegradáveis
Os biodegradáveis se ensaiam pelas mesmas normas dos plásticos convencionais, numa máquina universal de ensaios, com mais cuidado com a umidade e a idade do corpo de prova.
Tração: ISO 527 e ASTM D638, e ASTM D882 para filmes
O ensaio de tração é o principal. Plásticos moldados ou extrudados seguem a ISO 527-1 (princípios gerais) com a ISO 527-2, cujo corpo de prova tipo 1A, injetado, tem a parte estreita de 10 × 4 mm e comprimento de medida de 75 mm, ou a ASTM D638-22, com o corpo de prova tipo I (13 mm de largura). Filmes e folhas com menos de 1 mm, como os de sacola e de mulching, vão para a ASTM D882-26 ou para a ISO 527-3, com tiras ou gravatas pequenas. Os pontos que mais pesam no resultado são estes:
- Condicionamento: o corpo de prova fica em temperatura e umidade controladas antes do ensaio (23 °C e 50 % de umidade relativa é o padrão de plásticos). No amido termoplástico, a umidade do ar muda a transição vítrea e as propriedades; nos PHA, a idade do corpo de prova muda o resultado. Relate as duas coisas.
- Extensômetro para o módulo: a ISO 527-1 calcula o módulo pela corda entre 0,05 % e 0,25 % de deformação e exige extensômetro. Pelo deslocamento da travessa, o módulo sai subestimado, porque entram as concordâncias do corpo de prova, o assentamento nas garras e a deformação do próprio sistema. O artigo do ensaio de tração detalha o uso do extensômetro em polímeros.
- Grande alongamento e forças baixas: PBAT e PCL alongam centenas de por cento, o que exige curso de travessa e extensômetro de grande curso; e, com forças baixas, a célula de carga precisa ser pequena, porque medir numa fração mínima da capacidade aumenta o erro relativo.
Flexão e impacto
O módulo de flexão das fichas técnicas vem do ensaio de flexão em 3 pontos, pela ISO 178 (barra de 80 × 10 × 4 mm, vão de 16 vezes a espessura, 64 mm) ou pela ASTM D790, na mesma máquina universal, com dispositivo de flexão. É o ensaio usual para comparar a rigidez de formulações de PLA e de blendas. A fragilidade ao golpe se mede no ensaio de impacto Charpy ou Izod, em pêndulo, pelas normas de plásticos ISO 179-1, ISO 180 e ASTM D256.
Exemplos de cálculo
Os três exemplos usam as fórmulas do ensaio de tração: tensão σ = F / A0, deformação ε = ΔL / L0 e módulo por corda E = (σ2 − σ1) / (ε2 − ε1).
1. Resistência de um PLA, ISO 527-2 tipo 1A. Seção de 10 × 4 mm, A0 = 40 mm², força máxima de 2,40 kN: σ = 2.400 / 40 = 60 MPa, dentro da faixa de 21 a 70 MPa do PLA. Um PLA de 70 MPa romperia com 2,8 kN, e um PBAT de 20 MPa no mesmo corpo de prova, com 0,8 kN.
2. Módulo por corda com extensômetro. No mesmo ensaio, o extensômetro com L0 = 75 mm registra 1,6 MPa em 0,05 % e 8,6 MPa em 0,25 %: E = (8,6 − 1,6) / (0,0025 − 0,0005) = 7,0 / 0,0020 = 3.500 MPa. Os 0,25 % de 75 mm são só 0,19 mm de alongamento: é essa ordem de grandeza que a folga das garras distorce quando se usa a travessa.
3. Filme de PBAT. Uma tira de 4 mm de largura e 0,25 mm de espessura tem 1 mm² de seção; a 20 MPa, rompe com cerca de 20 N. Numa célula de 1 kN, isso é 2 % da capacidade, e uma célula de 50 N ou 100 N mede com mais resolução. Com alongamento de 690 %, uma distância inicial de 50 mm entre garras exige 345 mm de curso da travessa, e de 100 mm, 690 mm.
Como a degradação afeta as propriedades mecânicas
A degradação muda as propriedades muito antes de o material desaparecer, e a ordem em que elas caem é previsível. A hidrólise corta as cadeias e reduz a massa molar; com cadeias mais curtas, há menos emaranhamento entre elas, e o material perde primeiro a capacidade de se deformar: caem o alongamento e a tenacidade. A resistência cai depois.
Os PHA mostram outro mecanismo, o envelhecimento físico à temperatura ambiente. Righetti et al. (Frontiers in Chemistry, 2019) acompanharam PHB e PHBV armazenados a temperatura ambiente: cresceram a cristalinidade e a fração amorfa rígida (presa entre os cristais), o módulo e a resistência subiram e o alongamento caiu. O PHB puro, de tão rígido, só pôde ser ensaiado após um dia de envelhecimento: 3,2 GPa de módulo, 31,6 MPa de resistência e 1,1 % de alongamento. No amido termoplástico, o efeito é da umidade: a água plastifica o material e baixa a transição vítrea. Nos três casos, a regra prática é a mesma: condicionar os corpos de prova e relatar a umidade, a temperatura e a idade.
Num estudo de degradação, a métrica é a retenção de propriedade: R = P(t) / P(0) × 100, com P a resistência, o módulo ou o alongamento depois do tempo t de exposição. O protocolo típico expõe séries de corpos de prova ao composto, ao solo, à água ou a uma câmara de envelhecimento, retira uma série a cada intervalo e ensaia na tração. A sacola do estudo de Napper e Thompson que já não aguentava peso sem rasgar é essa perda, vista sem ensaio. Em dispositivos biomédicos de PLA ou PCL, a pergunta é a mesma sob carga repetida, e entra o ensaio de fadiga.
Exemplo de retenção. O PLA do exemplo 1 (60 MPa e 4 % de alongamento) é envelhecido e passa a romper com 1,68 kN e 1,2 %. Nova resistência: 1.680 / 40 = 42 MPa, retenção de 42 / 60 = 70 %. Alongamento: 1,2 / 4 = 30 % de retenção. O alongamento caiu muito mais que a resistência, o mesmo padrão dos PHA: é o indicador mais sensível da degradação.
Mercado e regulação dos bioplásticos
Pelo relatório de mercado da European Bioplastics com o nova-Institut (dezembro de 2025), a capacidade global de produção de plásticos de base biológica foi de 2,31 milhões de toneladas em 2025, cerca de 0,5 % dos 431 milhões de toneladas de plástico produzidos por ano, e a produção efetiva foi de 1,67 milhão de toneladas, 72 % da capacidade. A projeção é chegar a cerca de 4,69 milhões de toneladas em 2030, com o crescimento impulsionado por PHA, PLA e pelas versões de base biológica do PP e do PE. As embalagens são o maior mercado, com 41,3 % (0,95 milhão de toneladas).
Na regulação, o marco mais citado é a Diretiva (UE) 2019/904, que proibiu os produtos de plástico oxidegradável e uma lista de itens de uso único na União Europeia. No Brasil, o principal projeto federal sobre o tema é o PL 2524/2022, que estabelece regras para a economia circular do plástico. Pela consulta aos dados abertos do Senado em 30/09/2026, ele segue em tramitação, na situação "matéria com a relatoria" desde 05/03/2024, na Comissão de Assuntos Econômicos.
Normas citadas neste artigo
A tabela reúne as normas de compostabilidade, biodegradação e ensaio mecânico citadas, com a edição conferida em 30/09/2026:
| Norma | O que trata | Edição |
|---|---|---|
| EN 13432 | embalagens valorizáveis por compostagem e biodegradação | 2000 |
| ASTM D6400 | rotulagem de plásticos compostáveis em instalações industriais ou municipais | D6400-26 |
| ISO 17088 | especificações para plásticos compostáveis | 2021 |
| ISO 14855-1 | biodegradabilidade aeróbia em compostagem controlada, pelo CO₂ liberado | 2012 |
| ISO 16929 | grau de desintegração em compostagem, escala piloto | 2021 |
| EN 17033 | filmes de mulching biodegradáveis para agricultura | 2018 |
| ISO 23517 | materiais biodegradáveis no solo para filmes de mulching | 2021 |
| ISO 22403 | biodegradabilidade intrínseca com inóculo marinho, em laboratório | 2020 |
| ABNT NBR 15448-1 | embalagens plásticas degradáveis e/ou de fontes renováveis: terminologia | 2008 |
| ABNT NBR 15448-2 | idem: biodegradação e compostagem, requisitos e métodos de ensaio | 2008 |
| ISO 527-1 | propriedades de tração de plásticos: princípios gerais | 2019 |
| ISO 527-2 | tração de plásticos de moldagem e extrusão | 2025 |
| ASTM D638 | tração de plásticos rígidos e semirrígidos | D638-22 |
| ASTM D882 | tração de filmes e folhas plásticas com menos de 1 mm | D882-26 |
| ISO 178 | propriedades de flexão de plásticos | 2019 |
| ASTM D790 | flexão de plásticos com e sem reforço | D790-25 |
Máquina universal para ensaios de polímeros biodegradáveis
Tração e flexão de polímeros pedem forças baixas medidas com exatidão, curso para alongamentos de centenas de por cento e extensômetro. A máquina universal de ensaios Biopdi da linha M2 é eletromecânica e tem células de carga a partir de 0,05 kN (5 kgf). Para os polímeros biodegradáveis, três modelos cobrem os casos deste artigo:
- Filmes, fios e fitas: a máquina portátil MBIOI-1P-M2, de 200 N a 1 kN, com curso de 425 mm, para sacolas compostáveis e filmes de mulching como o do exemplo 3.
- Corpos de prova ISO 527 e ASTM D638: a MBIOI-10-M2 de coluna simples, de 2 a 10 kN, com curso de 890 mm, indicada para polímeros e elastômeros, como o PLA, o PHB e o PBS dos exemplos 1 e 2, e também para a flexão pela ISO 178 e pela ASTM D790, com o dispositivo de flexão.
- Alto alongamento: a MBIOI-10-M2 de coluna estendida, também de 2 a 10 kN, com curso de 1.290 mm, para filmes de PBAT e PCL que passam de 500 %.
Para o módulo, a linha tem extensômetros clip-on, presos ao corpo de prova; para os materiais que alongam muito antes de romper, extensômetros de longas deformações, com comprimento de medida de 10 a 100 mm e curso de até 250 mm. O software BioLab traça a curva tensão × deformação, calcula o módulo, a resistência e o alongamento e monta o relatório.
Outros ensaios e referências técnicas
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Perguntas frequentes
O que são polímeros biodegradáveis?
São polímeros que microrganismos conseguem converter em CO₂, água e biomassa, depois de a cadeia ser quebrada por hidrólise ou por enzimas. A velocidade depende do ambiente: para ser rotulado como compostável pela EN 13432, o material precisa converter pelo menos 90 % do carbono em CO₂ em até seis meses em compostagem controlada.
Quais são os plásticos biodegradáveis?
Os principais são o PLA, os PHA (PHB e PHBV), o PBAT, o PBS, a PCL e o amido termoplástico, muitas vezes usados em blendas. PBAT e PCL vêm do petróleo e mesmo assim biodegradam. PE, PP, PET e PVC comuns não são biodegradáveis, nem o PE verde, feito de cana.
Quais são 5 exemplos de produtos biodegradáveis?
Copos e embalagens rígidas de PLA, sacolas compostáveis de PBAT com amido ou com PLA, filmes agrícolas de cobertura do solo (mulching), filamento de PLA para impressão 3D e fios de sutura absorvíveis e implantes de PLA ou PCL.
O PVC é biodegradável?
Não. O PVC é um plástico convencional persistente e não é biodegradável em nenhum dos ambientes das normas de compostagem, solo ou mar. O mesmo vale para PE, PP e PET comuns.
Qual a diferença entre biodegradável e compostável?
Compostável é um biodegradável com prazo e condição comprovados: pela EN 13432, pelo menos 90 % do carbono vira CO₂ em até seis meses e pelo menos 90 % da massa passa em peneira de 2 mm após 12 semanas, sem efeito tóxico no composto. Um material pode biodegradar devagar e não ser compostável.
Bioplástico é a mesma coisa que plástico biodegradável?
Não. Bioplástico cobre tanto o plástico de base biológica, como o PE verde, que não biodegrada, quanto o biodegradável de origem fóssil, como o PBAT. A origem do carbono não define o fim de vida.
O que é plástico oxibiodegradável e por que foi proibido?
É um plástico convencional com aditivo que acelera a oxidação e o fragmenta em pedaços cada vez menores. A União Europeia proibiu os produtos desse material pela Diretiva 2019/904 (Art. 5), porque ele não biodegrada adequadamente, contribui para os microplásticos, não é compostável e prejudica a reciclagem.
Quanto tempo o plástico biodegradável leva para se decompor?
Depende do ambiente. Em compostagem industrial, um produto certificado biodegrada pelo menos 90 % em até seis meses. Fora dela pode levar anos: num estudo de três anos, uma sacola compostável sumiu no mar em três meses, mas continuava no solo após 27 meses (Napper e Thompson, 2019).
Quais as desvantagens do plástico biodegradável?
Vários, como o PLA, só biodegradam em prazo curto em compostagem industrial; o PLA e os PHA são frágeis; o amido termoplástico perde propriedade com a umidade; o custo é maior; e, descartados junto com PE ou PET, contaminam a reciclagem desses plásticos.
O PLA é resistente?
É rígido e resistente, com módulo de 2.000 a 3.500 MPa e resistência de 21 a 70 MPa, na faixa do poliestireno. O ponto fraco é a fragilidade: alonga menos de 10 % antes de romper, e por isso é misturado ao PBAT, que passa de 500 %.
Como se mede a resistência de um polímero biodegradável?
Por ensaio de tração numa máquina universal de ensaios, pela ISO 527-2 (corpo de prova tipo 1A, de 10 × 4 mm) ou pela ASTM D638; filmes seguem a ASTM D882. O módulo exige extensômetro, os corpos de prova são condicionados antes, e a retenção de resistência e de alongamento após exposição quantifica a degradação.
As normas NBR 15448 ainda valem?
A NBR 15448-1 (terminologia) e a NBR 15448-2 (biodegradação e compostagem) são de 2008 e têm confirmações registradas pela ABNT em 2014, 2018 e 2023. A Parte 2 usa o mesmo critério da EN 13432. Antes de citá-las em contrato, confirme o status no catálogo da ABNT.