O módulo de cisalhamento (G), também chamado de módulo de elasticidade transversal ou módulo de rigidez, mede a rigidez de um material contra a distorção: é a razão entre a tensão de cisalhamento e a deformação angular, em radianos, no regime elástico, G = τ/γ. Para o aço estrutural, a ABNT NBR 8800 adota G = 77.000 MPa (77 GPa). Num material isotrópico, G se calcula a partir do módulo de Young e do coeficiente de Poisson por G = E/[2(1 + ν)], e por isso fica sempre entre E/3 e E/2.
Em resumo:
- Fórmula: G = τ/γ, com τ em MPa e γ em radianos; G sai na unidade da tensão, em GPa nos metais.
- Valores de referência: aço 77 GPa (NBR 8800) e 75 a 83 GPa nas tabelas; alumínio 25 GPa; cobre 46 GPa; concreto C30 cerca de 11 GPa (NBR 6118); borracha da ordem de megapascals.
- Relação com E e ν: G = E/[2(1 + ν)], válida só para material isotrópico. Com ν = 0,3, G ≈ 0,385·E.
- Medição: pela inclinação da curva torque × ângulo no ensaio de torção (ASTM E143-20), por vibração (ASTM E1876-22) ou, em compósitos, por corpos de prova com entalhe em V (ASTM D5379 e D7078).
Este artigo trata o módulo como propriedade do material: o que ele é, de onde vem a relação com E e ν, quais valores usar em projeto, como se mede e onde ele decide um cálculo. O ensaio de corte de pinos, adesivos e compósitos está em ensaio de cisalhamento, e o passo a passo do ensaio de torção, em ensaio de torção.
O que é o módulo de cisalhamento
Uma força pode agir sobre uma face de duas maneiras. Perpendicular à face, ela traciona ou comprime, e a resposta do material é alongar ou encurtar; a rigidez contra isso é o módulo de elasticidade E. Paralela à face, ela tenta fazer as camadas do material deslizarem umas sobre as outras. Essa é a solicitação de cisalhamento, e a tensão correspondente é a tensão de cisalhamento, τ = F/A, a força paralela dividida pela área da face em que ela age.
Sob cisalhamento, o material não muda de comprimento: muda de forma. Um cubo vira um paralelepípedo inclinado, e o ângulo reto entre duas arestas diminui. Essa variação de ângulo é a deformação de cisalhamento, ou distorção, γ. Se a face de cima de um bloco de altura h se desloca Δx em relação à de baixo, γ ≈ Δx/h, em radianos. O módulo de cisalhamento é a constante que liga as duas grandezas enquanto o material se comporta como uma mola: τ = G·γ. É a lei de Hooke escrita para o cisalhamento.
O esquema abaixo mostra as duas coisas lado a lado. À esquerda, o bloco com a base fixa e a força F aplicada na face de cima: o deslocamento Δx, a altura h e o ângulo γ que mede a distorção. À direita, a curva τ × γ de um aço, com o trecho reto inicial cuja inclinação é G, o ponto em que a reta termina e o escoamento em cisalhamento, perto de 144 MPa para um aço com escoamento de 250 MPa em tração.

A leitura da curva é a mesma do diagrama tensão-deformação da tração. G vale só no trecho reto, até o limite de proporcionalidade; dali em diante a curva se inclina e a deformação passa a ter parcela permanente. O valor de G de um aço é cerca de 2,6 vezes menor que o seu E: com a mesma tensão, o aço distorce mais do que alonga.
Os nomes da mesma propriedade
"Módulo de cisalhamento", "módulo de elasticidade transversal" e "módulo de rigidez" designam a mesma grandeza G. As normas brasileiras de projeto, como a NBR 8800 e a NBR 6118, usam "módulo de elasticidade transversal"; a literatura de materiais e as normas ASTM usam "shear modulus", traduzido como módulo de cisalhamento; "módulo de rigidez" vem de "modulus of rigidity", comum em tabelas de engenharia mecânica. Textos mais antigos também falam em "módulo de Coulomb" ou "módulo de torção", e em Portugal se diz "módulo de corte". O símbolo é sempre G; a letra E fica para o módulo de Young e K para o módulo volumétrico.
Rigidez não é resistência
O módulo de cisalhamento diz quanto o material distorce sob uma tensão, não quanto ele aguenta. A tensão máxima que o material suporta em cisalhamento é a resistência ao cisalhamento, em MPa, medida no ensaio de cisalhamento. As duas grandezas são independentes: um aço doce e um aço temperado têm praticamente o mesmo G, perto de 77 a 80 GPa, e resistências ao cisalhamento que diferem várias vezes. Tratamento térmico, encruamento e teor de carbono mudam muito a resistência e quase nada a rigidez, como acontece com o módulo de Young.
O módulo do material e a rigidez da peça
G é propriedade do material e não depende da forma da peça. Quando um eixo é torcido, o que o projetista sente é a rigidez torcional, k = G·J/L, em N·m/rad: o torque necessário para girar a peça um radiano. Ela junta o material (G), a seção (o momento polar de inércia J) e o comprimento (L). Dois eixos do mesmo aço, um maciço e outro tubular, têm o mesmo G e rigidezes torcionais muito diferentes. Confundir as duas coisas é um dos erros mais comuns em relatórios de ensaio de torção, porque a inclinação da curva torque × ângulo é G·J/L, e não G.
Fórmula do módulo de cisalhamento e unidades
A definição se escreve em três passos. A tensão é τ = F/A, em N/mm², que é o mesmo que MPa. A distorção é γ ≈ Δx/h, uma razão entre dois comprimentos e, portanto, adimensional; a aproximação vale porque, nos ângulos pequenos do regime elástico, o ângulo em radianos e a sua tangente são praticamente iguais. O módulo é G = τ/γ e tem a unidade da tensão.
O radiano não é detalhe de notação. Ele é o ângulo cuja medida é a razão entre o arco e o raio, e é por isso que a distorção sai como Δx/h. Escrever a distorção em graus multiplica o denominador por 180/π = 57,3, e o G calculado sai 57,3 vezes menor que o real: um aço de 79 GPa passa a parecer um polímero de 1,4 GPa (exercício 3). Toda fórmula com ângulo neste assunto, seja γ, seja o ângulo de torção θ, usa radianos.
Nos metais, G se escreve em GPa (77 GPa) ou em MPa (77.000 MPa), como faz a NBR 8800. Em memoriais antigos aparece o kgf/cm²: 77.000 MPa equivalem a cerca de 7,85 × 10⁵ kgf/cm², com 1 kgf/cm² = 0,0980665 MPa. Em kN/cm², unidade de alguns programas de cálculo estrutural, são 7.700 kN/cm². Nos elastômeros o valor é tão baixo que se usa MPa diretamente. A tabela resume as fórmulas da definição e as que levam G para a peça:
| Grandeza | Fórmula | Unidade e validade |
|---|---|---|
| Tensão de cisalhamento média | τ = F / A | MPa; F paralela à face de área A |
| Distorção | γ ≈ Δx / h | rad; pequenas deformações |
| Módulo de cisalhamento | G = τ / γ | GPa; só no trecho linear |
| Relação com E e ν | G = E / [2(1 + ν)] | só material isotrópico |
| Ângulo de torção de um eixo circular | θ = T·L / (G·J) | rad; regime elástico |
| G medido por torção | G = (ΔT / Δθ)·L / J | inclinação do trecho linear |
Relação entre E, G e ν: G = E/[2(1 + ν)]
Num material isotrópico, com as mesmas propriedades em todas as direções, o módulo de cisalhamento não é uma constante independente: ele é determinado pelo módulo de Young E e pelo coeficiente de Poisson ν. A relação é G = E/[2(1 + ν)], e é por ela que as normas de projeto dão G sem exigir ensaio de torção. Entender de onde ela vem mostra também quando ela deixa de valer.
A dedução em quatro passos
O esquema abaixo segue o raciocínio da esquerda para a direita. Primeiro, um quadrado em cisalhamento puro: as tensões τ nas quatro faces o transformam num losango, e uma das diagonais alonga enquanto a outra encurta. Depois, o mesmo estado de tensão visto num quadrado girado a 45°: nas faces desse quadrado não há cisalhamento, só uma tração σ1 = +τ numa direção e uma compressão σ2 = −τ na outra. Por fim, a conta que liga as duas leituras, que a lista abaixo do esquema detalha passo a passo.
![Esquema em três partes: um quadrado em cisalhamento puro que vira losango com a diagonal alongada; o mesmo estado visto a 45 graus, com tração σ1 = +τ numa diagonal e compressão σ2 = −τ na outra; e a conta que iguala a deformação da diagonal γ/2 à da lei de Hooke generalizada, τ(1 + ν)/E, chegando a G = E/[2(1 + ν)]](/artigos/modulo-de-cisalhamento/modulo-de-cisalhamento-deducao-g-e-nu-cisalhamento-puro.webp)
- Hooke generalizada na diagonal tracionada. A deformação na direção 1 tem duas parcelas: o alongamento causado por σ1 e o alongamento extra causado pela compressão σ2 na direção perpendicular, pelo efeito de Poisson. ε1 = (σ1 − ν·σ2)/E = (τ + ν·τ)/E = τ(1 + ν)/E.
- Geometria do losango. Quando o ângulo reto de um quadrado muda de um γ pequeno, a diagonal alonga uma fração γ/2 do seu comprimento: ε45° = γ/2.
- As duas são a mesma deformação. A diagonal do quadrado original é a direção 1 do quadrado girado, então γ/2 = τ(1 + ν)/E.
- Isolando τ/γ: τ/γ = E/[2(1 + ν)], e τ/γ é, por definição, G.
A dedução usou um único E e um único ν para as direções 1 e 2. É isso que restringe a fórmula aos materiais isotrópicos. Em compósitos de fibra, madeira e chapas laminadas com textura forte, a rigidez muda com a direção, e o módulo de cisalhamento no plano, chamado G12, é uma constante independente que precisa ser medida. Aplicar a fórmula a um laminado de carbono e epóxi, por exemplo, pode errar G por um fator de várias vezes.
G fica sempre entre E/3 e E/2
Nos materiais comuns, ν vai de perto de zero, como na cortiça, a perto de 0,5, como na borracha, que quase não muda de volume. Substituindo os extremos na fórmula, G vai de E/2 (ν = 0) a E/3 (ν = 0,5). Com ν = 0,3, valor de projeto do aço, G = E/2,6 = 0,385·E; com ν = 0,25, G = 0,4·E; com ν = 0,2, valor de projeto do concreto, G = E/2,4. É uma conferência rápida de qualquer tabela: um G maior que a metade do E, num material isotrópico, indica erro de digitação ou de unidade. A faixa teórica completa de ν, que vai de −1 a 0,5 e inclui os materiais auxéticos, está no artigo sobre o coeficiente de Poisson.
O mesmo raciocínio liga G ao módulo volumétrico K, a rigidez contra a mudança de volume: num material isotrópico, E = 2G(1 + ν) = 3K(1 − 2ν), e dois quaisquer desses módulos determinam os outros. Para o aço da NBR 8800, com E = 200 GPa e ν = 0,3, K = 200/[3 × (1 − 0,6)] = 166,7 GPa, mais que o dobro de G. Na borracha acontece o oposto: com ν perto de 0,5, K fica milhares de vezes maior que G, e o material quase não muda de volume, só de forma.
A mesma relação, invertida, dá o coeficiente de Poisson a partir de dois módulos medidos: ν = E/(2G) − 1. É assim que os métodos de vibração obtêm ν sem extensômetro transversal, e é também uma forma de conferir se E e G de uma ficha técnica são coerentes entre si (exercício 1).
Por que a fórmula não bate exatamente com as tabelas
Calculado pela fórmula, o aço da tabela de Callister e Rethwisch (E = 207 GPa, ν = 0,30) daria 207/2,6 = 79,6 GPa, mas a mesma tabela lista 83 GPa medidos. No cobre e no titânio, o valor calculado fica cerca de 11 % abaixo do tabelado. As causas são duas. Primeiro, E, G e ν das tabelas vêm de medições independentes, feitas em amostras e ligas que não são as mesmas. Segundo, um metal policristalino só é isotrópico na média: os grãos são cristais anisotrópicos, e laminação e trefilação os orientam, criando textura. A fórmula é uma boa estimativa, com erro de alguns por cento nos metais comuns; quando o projeto depende de G com mais precisão, como em molas e barras de torção, mede-se.
Valores do módulo de cisalhamento por material
Os valores de G cobrem cinco ordens de grandeza, dos metais mais rígidos aos elastômeros. O gráfico abaixo usa escala logarítmica, em que cada divisão multiplica o valor por dez: os metais ficam entre 17 e 160 GPa, o concreto perto de 11 GPa, os polímeros rígidos perto de 1 GPa e a borracha na casa dos megapascals. Nos metais, as barras são valores medidos; no concreto, o valor da NBR 6118 para um C30; nos polímeros, estimativas calculadas a partir de E e ν, com a faixa clara mostrando a variação entre graus.

A tabela traz os metais com os três módulos juntos, nos mesmos valores usados nos artigos sobre módulo de elasticidade e coeficiente de Poisson. As linhas de aço mostram as três origens de valor que circulam: a norma de projeto, o livro-texto e a ficha de um aço específico.
| Material | E (GPa) | ν | G (GPa) |
|---|---|---|---|
| Aço estrutural, projeto (NBR 8800) | 200 | 0,3 | 77 |
| Aço, valor didático (Callister) | 207 | 0,30 | 83 |
| Aço A36 (ficha MatWeb/ASM) | 200 | 0,26 | 79,3 |
| Tungstênio | 407 | 0,28 | 160 |
| Níquel | 207 | 0,31 | 76 |
| Cobre | 110 | 0,34 | 46 |
| Titânio | 107 | 0,34 | 45 |
| Latão | 97 | 0,34 | 37 |
| Alumínio | 69 | 0,33 | 25 |
| Magnésio | 45 | 0,29 | 17 |
Fontes: ABNT NBR 8800 (item 4.5.2.9, conferido no texto de 2008); Callister e Rethwisch, Ciência e Engenharia de Materiais, Tabela 6.1, para os demais metais; ficha MatWeb/ASM para o A36. Algumas tabelas na internet trazem o cobre com cerca de 63 GPa, valor incompatível com o E de 110 GPa: pela fórmula, nenhum ν entre 0 e 0,5 levaria a mais que 55 GPa. O valor medido fica entre 44 e 46 GPa.
Fora dos metais, a mesma conta com os E e ν dos artigos do site dá a ordem de grandeza: o vidro sodo-cálcico, com E = 69 GPa e ν = 0,22, tem G ≈ 69/2,44 = 28 GPa, quase o mesmo do alumínio, mas rompe sem deformação plástica. Madeira e compósitos de fibra ficam fora desta tabela, porque têm um G para cada plano e precisam de ensaio (veja a seção de medição).
Módulo de cisalhamento do aço: 77, 80 ou 83 GPa?
O módulo de cisalhamento do aço fica entre 77 e 83 GPa, e os três números que mais circulam estão certos, cada um no seu contexto. A NBR 8800, norma de estruturas de aço e mistas, fixa E = 200.000 MPa, ν = 0,3 e G = 77.000 MPa; a conta 200/2,6 = 76,9 GPa mostra que os três valores são coerentes entre si. Quem projeta pela NBR 6118, que adota E = 210 GPa para a armadura, e aplica ν = 0,3, chega a 210/2,6 = 80,8 GPa. As fichas de aços específicos dão de 79 a 80 GPa, como o A36 com 79,3 GPa, e o Callister lista 83 GPa como valor didático. As tabelas que trazem "80 a 85 GPa" partem de E entre 207 e 210 GPa. A regra prática é usar o G da mesma fonte que deu o E do cálculo. Misturar E = 210 GPa com G = 77 GPa, por exemplo, implica um ν de 0,36, que nenhum aço tem. Os valores de E por tipo de aço estão no artigo sobre o módulo de elasticidade do aço.
Módulo de cisalhamento do concreto: Gc = Ecs/2,4 pela NBR 6118
A ABNT NBR 6118:2023, no item 8.2.9, permite adotar para o concreto ν = 0,2 e módulo de elasticidade transversal Gc = Ecs/2,4, desde que as tensões de compressão fiquem abaixo de 0,5 fc e as de tração abaixo da resistência à tração fct. O 2,4 não é empírico: é 2 × (1 + 0,2), ou seja, a mesma fórmula isotrópica com o ν do concreto. Ecs é o módulo secante, calculado a partir do fck e do agregado, como mostra o artigo sobre o módulo de elasticidade do concreto. Com granito, os valores são:
| Classe | Ecs (GPa) | Gc = Ecs/2,4 (GPa) |
|---|---|---|
| C25 | 24,2 | 10,1 |
| C30 | 26,8 | 11,2 |
| C40 | 31,9 | 13,3 |
A condição de tensão importa. Acima dela, o concreto microfissura, as fissuras abrem na direção perpendicular à tração, e a rigidez ao cisalhamento cai bem abaixo do Gc elástico. Por isso o valor da norma vale para cálculo de deformações em serviço, não para o comportamento próximo da ruptura. Valores genéricos de "concreto = 21 GPa", que aparecem em tabelas estrangeiras sem classe nem agregado, não seguem a NBR 6118 e não devem entrar em projeto brasileiro.
Polímeros e borracha
Nos polímeros, G não é uma constante do material da mesma forma que nos metais. Eles são viscoelásticos: parte da deformação demora a aparecer e a desaparecer, e a rigidez medida depende da temperatura, do tempo de carga e da frequência. Perto da temperatura de transição vítrea, G pode cair cem vezes em poucas dezenas de graus. Sob carga oscilante, o módulo se divide em duas partes, o módulo complexo G* = G' + iG'': G' é a parcela elástica, a energia armazenada e devolvida a cada ciclo, e G'' é a parcela viscosa, a energia dissipada como calor. Esse é o resultado da análise dinâmico-mecânica (DMA).
Para estimativa de projeto à temperatura ambiente, a fórmula isotrópica dá a ordem de grandeza com os E e ν dos artigos do site: policarbonato, com E = 2,38 GPa e ν = 0,36, tem G ≈ 0,88 GPa; PVC rígido, com E de 2,41 a 4,14 GPa e ν = 0,38, fica entre 0,87 e 1,5 GPa; náilon 6,6, com E de 1,59 a 3,79 GPa e ν = 0,39, entre 0,57 e 1,4 GPa. Na borracha, com ν perto de 0,5, G ≈ E/3; para a faixa de E de 0,01 a 0,1 GPa, isso dá de cerca de 3 a 33 MPa. Os compostos macios ficam abaixo dessa faixa: a especificação AASHTO LRFD de pontes indica, para os elastômeros comuns de aparelhos de apoio, com dureza de 50 a 60 Shore A, G entre 0,55 e 1,2 MPa (0,080 a 0,175 ksi), e a tabela clássica de Crandall, Dahl e Lardner (An Introduction to the Mechanics of Solids) dá 0,3 MPa para a borracha mole. Nos elastômeros, o valor depende muito da dureza e da formulação do composto, e o fabricante do componente deve fornecer o G medido na temperatura de uso.
Como se mede o módulo de cisalhamento
Medir G é medir uma tensão de cisalhamento e uma distorção ao mesmo tempo, no próprio corpo de prova, dentro do trecho linear. Os métodos diferem na forma de criar o cisalhamento: torção de uma barra, vibração torcional, um corpo de prova entalhado que concentra o cisalhamento num plano, ou uma onda que atravessa a amostra. O ensaio de tração simples não dá G: ele dá E, e só com ν medido no mesmo ensaio, e para material isotrópico, se estima G pela fórmula.
Ensaio de torção (ASTM E143)
A torção de uma barra circular é a forma mais limpa de obter cisalhamento puro, porque cada ponto da superfície fica sob τ sem tensão normal. A ASTM E143-20 padroniza a determinação de G por torção, à temperatura ambiente, para materiais estruturais em que a fluência seja desprezível durante o ensaio. O método aplica torque crescente e registra o ângulo de torção entre duas seções do comprimento útil; G sai da inclinação do trecho reto da curva torque × ângulo, G = (ΔT/Δθ)·L/J, em que J = π·d⁴/32 é o momento polar de inércia da seção maciça.
Na foto, uma barra de aço depois do ensaio de torção: a linha que foi pintada reta ao longo do comprimento virou uma hélice. O ângulo que essa linha faz com o eixo é a deformação de cisalhamento, e é com ela que se calcula o módulo G.

Na superfície, essa distorção vale γ = r·θ/L, com r o raio, θ o ângulo de torção e L o comprimento entre as seções medidas. Ela é nula no centro e máxima na superfície, assim como a tensão, e a razão entre as duas é G em qualquer raio enquanto o material for elástico. O corpo de prova, a fixação, a velocidade e a leitura da curva até a ruptura estão no artigo sobre ensaio de torção; para o módulo, quatro cuidados decidem o resultado:
- Inclinação, não ponto isolado. A ASTM E143 tira G da inclinação do trecho linear, ajustada a vários pontos. Um ponto isolado carrega o ângulo de acomodação das garras no início do ensaio e pode errar alguns por cento (exercício 2).
- Ângulo no comprimento útil. O giro do mandril soma a folga das garras e a deformação do conjunto. Para G, o ângulo é medido entre duas seções do corpo de prova ou corrigido pela rigidez do sistema.
- Diâmetro medido. O diâmetro entra na quarta potência em J: 1 % de erro no diâmetro vira cerca de 4 % de erro em G.
- Alinhamento e estado do material. A norma aponta tensões residuais, concentricidade, espessura de parede dos tubos, temperatura e alinhamento axial como fatores que afetam o resultado. Em tubos, J = π·(D⁴ − d⁴)/32, e a espessura de parede precisa ser medida.
Vibração por impulso (ASTM E1876)
A ASTM E1876-22 obtém E, G e ν dinâmicos sem carregar a peça até tensões de ensaio: uma barra retangular ou cilíndrica recebe uma pancada leve, e um sensor capta as frequências naturais de vibração. A frequência de flexão dá E; a frequência de torção dá G; ν sai de ν = E/(2G) − 1. O método é rápido, repetível e não destrutivo, e por isso é usado em controle de qualidade de cerâmicas, refratários e metais; a distinção entre ensaios que consomem e que preservam a amostra está em ensaios destrutivos e não destrutivos. O valor dinâmico não precisa coincidir com o estático, sobretudo em polímeros e concreto, e uma especificação que pede valor estático deve ser seguida.
Compósitos: entalhe em V (ASTM D5379 e D7078)
Num laminado de fibra, G12 tem de ser medido, porque a fórmula isotrópica não se aplica. Os dois métodos mais usados concentram o cisalhamento numa região entre dois entalhes em V. Na ASTM D5379, o corpo de prova é uma viga carregada pelas bordas (método Iosipescu); na ASTM D7078, ele é preso pelas faces em dois trilhos, o que permite forças maiores e uma área útil maior. Nos dois casos, dois extensômetros elétricos colados a +45° e −45° no centro do corpo de prova dão a distorção, γ = ε+45 − ε−45, e o resultado é um módulo de corda entre dois níveis de deformação, válido só para o plano ensaiado. O dispositivo é montado numa máquina universal; os detalhes do ensaio estão no artigo sobre ensaio de cisalhamento.
Outros ensaios na máquina universal: ±45°, quádruplo cisalhamento e núcleo de sanduíche
Três outros métodos tiram G de um ensaio comum de tração ou de compressão, com o dispositivo certo e medição de deformação no corpo de prova. Na ASTM D3518/D3518M, um laminado com fibras a +45° e −45° é tracionado; a tensão de cisalhamento no plano é metade da tensão axial, τ12 = P/(2A), a distorção é a soma das deformações longitudinal e transversal em módulo, γ12 = εx − εy, e G12 sai da inclinação de τ12 × γ12. É o caminho mais simples para compósitos, porque usa o corpo de prova reto de tração. Na ISO 1827, quatro blocos de borracha colados entre placas rígidas são cisalhados ao mesmo tempo; o módulo sai da força e do deslocamento das placas, e o mesmo arranjo mede a aderência da borracha ao metal. Na ASTM C273/C273M, o núcleo de um painel sanduíche, como espuma ou colmeia, é colado entre duas placas que deslizam uma sobre a outra, e o ensaio dá o módulo e a resistência ao cisalhamento do núcleo.
Polímeros: DMA
Em polímeros e elastômeros, o G que interessa ao projeto é o da temperatura e da frequência de uso. A análise dinâmico-mecânica aplica uma deformação oscilante pequena, em torção ou cisalhamento, e mede G' e G'' numa varredura de temperatura ou de frequência; os métodos estão reunidos na série ISO 6721. O resultado mostra onde o material amolece, e é mais útil que um valor único de tabela.
Solos: G0 por bender elements e coluna ressonante
Em solos, G não é constante: ele cai à medida que a distorção aumenta. O valor de referência é o G0, ou Gmáx, de pequenas deformações, usado em projeto sísmico e em fundações de máquinas. Em laboratório, ele se obtém com bender elements, pequenos transdutores piezoelétricos instalados no topo e na base de um corpo de prova triaxial (ASTM D8295-19): mede-se o tempo que a onda de cisalhamento leva para atravessar a amostra, e G0 = ρ·Vs², com ρ a massa específica e Vs a velocidade da onda. A coluna ressonante (ASTM D4015-21) excita o corpo de prova em torção e dá a curva de G e do amortecimento em função da distorção. O ensaio triaxial em si está em ensaio triaxial, e a linha de equipamentos de solos da Biopdi, em prensa triaxial.
A tabela resume os métodos, o material em que cada um é usado e o que ele entrega:
| Método | Norma | Material típico | O que entrega |
|---|---|---|---|
| Torção de barra ou tubo | ASTM E143-20 | metais e materiais estruturais | G estático pela inclinação torque × ângulo |
| Vibração por impulso | ASTM E1876-22 | metais, cerâmicas, refratários | E, G e ν dinâmicos |
| Viga com entalhe em V | ASTM D5379 | compósitos de fibra | G12 de corda num plano |
| Trilho com entalhe em V | ASTM D7078 | compósitos de fibra | G12 de corda, área útil maior |
| Tração de laminado ±45° | ASTM D3518/D3518M | compósitos de fibra | G12 com corpo de prova reto |
| Quádruplo cisalhamento | ISO 1827 | borracha | G do composto e aderência ao metal |
| Núcleo entre placas | ASTM C273/C273M | núcleos de sanduíche | G e resistência do núcleo |
| DMA | série ISO 6721 | polímeros e elastômeros | G' e G'' por temperatura e frequência |
| Bender elements | ASTM D8295-19 | solos | G0 = ρ·Vs² |
| Coluna ressonante | ASTM D4015-21 | solos | G e amortecimento × distorção |
Onde o módulo de cisalhamento entra no projeto
G aparece sempre que a peça trabalha por torção ou por distorção e a deformação, e não só a resistência, precisa ser controlada:
- Eixos e árvores de transmissão: o ângulo de torção θ = T·L/(G·J) limita o projeto por rigidez, porque giro excessivo desalinha engrenagens e excita vibração torcional. A ASTM E143 cita os eixos rotativos como aplicação típica de G.
- Molas helicoidais: o fio de uma mola de compressão trabalha em torção, e a rigidez da mola é k = G·d⁴/(8·D³·n), com d o diâmetro do fio, D o diâmetro médio e n o número de espiras ativas. O E nem aparece na conta (exercício 5).
- Perfis de aço: a flambagem lateral com torção de vigas depende da rigidez à torção do perfil, que é G vezes a constante de torção da seção. É ali que os 77.000 MPa da NBR 8800 entram no cálculo de estruturas metálicas.
- Concreto: em vigas altas, pilares-parede e núcleos de edifícios, a deformação por força cortante deixa de ser desprezível diante da de flexão, e entra o Gc da NBR 6118.
- Coxins e apoios de elastômero: aqui o G baixo é desejado. Um apoio de borracha deixa a estrutura deslocar na horizontal com pouca força e isola vibração; o projeto do apoio parte do G do composto.
- Geotecnia: a resposta de um terreno a sismo ou à vibração de uma máquina depende do G0 e da curva de degradação de G com a distorção.
Como interpretar o módulo de cisalhamento
As dúvidas abaixo são as que aparecem quando um valor de G sai de um ensaio, de uma ficha ou de uma norma e precisa ser usado num cálculo.
O ensaio deu 79 GPa e a norma diz 77 GPa. O material está fora?
Não. Os 77 GPa da NBR 8800 são um valor de projeto, coerente com E = 200 GPa e ν = 0,3; o valor medido num aço real costuma ficar entre 77 e 83 GPa, conforme a liga e a textura. Uma diferença de 2,6 % está dentro da variação do material e da incerteza da medição: só o diâmetro, medido com 0,01 mm de erro numa barra de 6 mm, já move G em 0,7 %. O G medido serve para conferir o material ou para cálculo que exija precisão; o projeto pela norma continua com 77 GPa.
Posso calcular G a partir do E do ensaio de tração?
Num metal comum, sim, como estimativa: com o E medido e o ν medido no mesmo ensaio, ou o ν de referência do material, a fórmula isotrópica erra alguns por cento. Em compósitos, madeira, chapas com textura forte e peças impressas em 3D, não: o material não é isotrópico e G precisa de ensaio próprio. Em polímeros, a estimativa vale só para a temperatura e a velocidade em que o E foi medido.
A inclinação da curva torque × ângulo é o G?
Não diretamente. A inclinação, em N·m/rad, é a rigidez torcional G·J/L do corpo de prova. Para chegar a G, multiplica-se pelo comprimento útil e divide-se pelo momento polar de inércia. Um relatório que traz a inclinação sem J e L não informa o módulo do material, e dois corpos de prova de diâmetros diferentes do mesmo aço dão inclinações diferentes e o mesmo G.
O G de uma ficha de compósito ou de madeira vale para qualquer direção?
Não. Em material anisotrópico existem vários módulos de cisalhamento, um para cada plano: G12, G13 e G23 num laminado, ou GLR, GLT e GRT na madeira. Um valor sem o plano não serve para projeto. O ensaio com entalhe em V mede um plano por corpo de prova.
Por que o G dinâmico difere do G medido por torção?
Porque os dois métodos solicitam o material de formas diferentes. A vibração usa deformações muito pequenas e rápidas, sem tempo para a parcela viscosa ou para microdeslizamentos; o ensaio estático leva segundos ou minutos. Em metais as duas leituras costumam ficar próximas; em polímeros, concreto e solos, o valor dinâmico tende a ser maior. A norma de projeto ou a especificação dizem qual usar.
Temperatura e tratamento térmico mudam G?
Tratamento térmico quase não muda: G depende das ligações entre os átomos, e o que o tratamento altera é a resistência, não a rigidez. A temperatura muda: nos metais G cai devagar com o aquecimento, na mesma proporção do E, e nos polímeros cai muito perto da transição vítrea. Um G de tabela vale para a temperatura ambiente.
Exercícios resolvidos
Os exercícios seguem a ordem do artigo: a coerência entre E, G e ν, a medição por torção, o erro dos graus e três aplicações de projeto. As relações entre E, G e ν do aço e do alumínio com valores de norma já estão resolvidas nos artigos sobre coeficiente de Poisson e módulo de elasticidade, e não se repetem aqui.
Exercício 1: ν a partir de E e G medidos
Um ensaio de vibração por impulso numa barra de aço dá E = 206 GPa e G = 80,0 GPa. Calcule ν e verifique o que acontece se E e G vierem de fontes diferentes.
- ν = E/(2G) − 1 = 206/(2 × 80,0) − 1 = 206/160 − 1 = 1,2875 − 1 = 0,29, valor normal para aço.
- Sensibilidade: se G fosse 79,0 GPa, ν = 206/158 − 1 = 0,304. Um erro de 1,25 % em G mudou ν em 0,016, cerca de 6 %. O ν calculado por esse caminho é muito sensível à qualidade das duas medições.
- Mistura de fontes: E = 210 GPa (NBR 6118) com G = 77 GPa (NBR 8800) dá ν = 210/154 − 1 = 0,36, fora da faixa dos aços. O número é o sinal de que os dois módulos não pertencem ao mesmo conjunto.
Exercício 2: G pela inclinação no ensaio de torção
Um corpo de prova de aço maciço com d = 6,00 mm é ensaiado em torção, com o ângulo medido entre duas seções separadas por L = 100 mm. No trecho linear, o registro mostra T1 = 1,00 N·m com θ1 = 0,62° e T2 = 4,00 N·m com θ2 = 2,33°. Calcule G e compare com o cálculo feito só com o último ponto.
- Momento polar de inércia: J = π × 6,00⁴ / 32 = π × 1.296 / 32 = 127,23 mm⁴.
- Variações: ΔT = 4,00 − 1,00 = 3,00 N·m = 3.000 N·mm; Δθ = 2,33 − 0,62 = 1,71° = 1,71 × π/180 = 0,029845 rad.
- Módulo: G = ΔT·L / (J·Δθ) = 3.000 × 100 / (127,23 × 0,029845) = 300.000 / 3,7973 = 79.000 MPa = 79,0 GPa.
- Só com o último ponto: θ2 = 2,33° = 0,040666 rad, e G = 4.000 × 100 / (127,23 × 0,040666) = 400.000 / 5,1741 = 77.300 MPa = 77,3 GPa, 2,2 % abaixo. A reta não passa pela origem: os 0,05° de acomodação do início entram inteiros no ponto isolado e somem na diferença.
- Conferência do regime elástico: τmáx = 16·T/(π·d³) = 16 × 4.000 / (π × 216) = 64.000 / 678,58 = 94,3 MPa, abaixo do escoamento em cisalhamento de um aço comum (cerca de 144 MPa para escoamento de 250 MPa em tração). A distorção na superfície é γ = τ/G = 94,3 / 79.000 = 1,19 × 10⁻³ rad.
Quanto à incerteza: uma resolução angular de 0,018° representa 1,1 % de Δθ = 1,71°, e uma de 0,005 N·m representa 0,17 % de ΔT = 3,00 N·m. Um trecho mais longo, mais pontos no ajuste e o diâmetro medido em várias posições reduzem a incerteza. Com 4 N·m, o ensaio cabe numa máquina de torção de 5 N·m.
Exercício 3: o erro dos graus
No exercício 2, o técnico usou Δθ = 1,71 direto na fórmula, sem converter para radianos. Que G ele obteve?
- G = 300.000 / (127,23 × 1,71) = 300.000 / 217,57 = 1.379 MPa = 1,38 GPa.
- Razão: 79,0 / 1,38 = 57,3 = 180/π. O aço "virou" um polímero rígido.
Um G de aço abaixo de 70 GPa ou acima de 90 GPa pede revisão das unidades antes de qualquer conclusão sobre o material.
Exercício 4: ângulo de torção de um eixo
Um eixo maciço de aço com d = 40 mm e L = 1,2 m transmite T = 500 N·m. Calcule o ângulo de torção com G = 77 GPa e com G = 83 GPa, e a tensão máxima.
- J = π × 40⁴ / 32 = π × 2.560.000 / 32 = 251.327 mm⁴.
- Rigidez torcional com G = 77 GPa: G·J/L = 77.000 × 251.327 / 1.200 = 1,613 × 10⁷ N·mm/rad = 16,1 kN·m/rad.
- θ = T·L / (G·J) = 500.000 × 1.200 / (77.000 × 251.327) = 6,0 × 10⁸ / 1,935 × 10¹⁰ = 0,0310 rad = 1,78°.
- Com G = 83 GPa: θ = 6,0 × 10⁸ / 2,086 × 10¹⁰ = 0,0288 rad = 1,65°, 7,2 % menos.
- τmáx = 16 × 500.000 / (π × 40³) = 8.000.000 / 201.062 = 39,8 MPa, igual nos dois casos.
A tensão não depende de G; o ângulo depende. Num projeto limitado pela rigidez, a escolha entre o valor de norma e o valor medido muda o resultado na mesma proporção.
Exercício 5: rigidez de uma mola helicoidal
Uma mola de compressão tem fio de aço com d = 2,0 mm, diâmetro médio D = 20 mm e n = 10 espiras ativas. O fabricante do arame informa G = 79 GPa. Calcule a rigidez e o efeito de usar 77 GPa.
- k = G·d⁴ / (8·D³·n) = 79.000 × 2,0⁴ / (8 × 20³ × 10) = 79.000 × 16 / 640.000 = 1.264.000 / 640.000 = 1,98 N/mm.
- Com 77 GPa: 77.000 × 16 / 640.000 = 1,93 N/mm, 2,5 % a menos.
Como k é proporcional a G, a tolerância de rigidez de uma mola de precisão consome boa parte da margem só pela escolha do valor de G. Por isso fabricantes de mola trabalham com o G do arame que compram, e não com um valor genérico.
Exercício 6: G de um concreto C30 pela NBR 6118
Estime o módulo de elasticidade transversal de um concreto C30 com brita de granito e a distorção sob uma tensão de cisalhamento de serviço de 1,0 MPa.
- Pelo artigo sobre o módulo de elasticidade do concreto: Eci = 5.600 × √30 = 30.672 MPa; αi = 0,8 + 0,2 × 30/80 = 0,875; Ecs = 0,875 × 30.672 = 26.838 MPa.
- Gc = Ecs / 2,4 = 26.838 / 2,4 = 11.183 MPa ≈ 11,2 GPa.
- Conferência: Ecs / [2 × (1 + 0,2)] dá o mesmo valor, porque 2,4 = 2 × 1,2.
- Distorção: γ = τ/Gc = 1,0 / 11.183 = 8,9 × 10⁻⁵ rad.
O concreto tem cerca de um sétimo do G do aço (77 / 11,2 = 6,9). O valor só vale enquanto as tensões ficarem dentro dos limites do item 8.2.9 da norma.
Erros comuns
Os erros abaixo aparecem em relatórios de ensaio, memoriais de cálculo e exercícios:
- Usar graus em γ ou em θ: o G sai 57,3 vezes menor.
- Chamar de G a inclinação torque × ângulo: ela é G·J/L, a rigidez da peça.
- Confundir módulo com resistência ao cisalhamento: um é rigidez, em GPa; o outro é tensão de ruptura ou escoamento, em MPa. O dispositivo de cisalhamento de parafusos mede a segunda.
- Misturar fontes: E de uma norma com G de outra gera um ν impossível.
- Aplicar G = E/[2(1 + ν)] a compósito ou madeira.
- Calcular G com um ponto isolado em vez da inclinação de vários pontos.
- Medir fora do trecho linear ou em material com fluência durante o ensaio, condição que a ASTM E143 exclui.
- Medir o ângulo pelo giro da garra sem corrigir a rigidez do sistema.
- Tratar o G de um polímero como constante, sem temperatura nem tempo de carga.
- Usar o G0 de um solo para deformações grandes, em que G já caiu.
Equipamento para medir o módulo de cisalhamento
Para medir G por torção, a Biopdi fabrica a máquina de ensaio de torque, com capacidades de 1, 5 e 10 N·m (outras sob consulta), velocidade ajustável de 0,01 a 200 rpm, precisão angular de 0,018° e precisão de torque de 0,005 N·m. Ela aceita amostras de até 200 mm de comprimento e diâmetros de 1 a 8 mm e de 5 a 20 mm, a faixa do corpo de prova de 6 mm do exercício 2. As fotos abaixo mostram as duas versões: à esquerda, a Completa, que funciona de forma independente, com console de display e teclado e software de aquisição; à direita, a Básica, com o motor e os dois mandris sobre uma base com trilho, usada em conjunto com a máquina universal Biopdi.

Versão Completa: funcionamento independente

Versão Básica: usada junto com a máquina universal
A máquina universal de ensaios entra na medição de G por dois caminhos. Primeiro, ela mede os insumos da fórmula isotrópica: o módulo de Young e o coeficiente de Poisson, no ensaio de tração com extensômetro. Segundo, ela recebe os dispositivos de cisalhamento; o de parafusos e pinos mede a resistência ao cisalhamento do fixador, e não o módulo G, porque não registra a distorção do material. A máquina universal Biopdi também pode receber um módulo de torção associado à tração, para ensaios combinados, com configuração definida sob consulta. O painel abaixo mostra a máquina, o papel de cada parte e os dispositivos ligados ao tema.
A máquina universal na medição de E, ν e cisalhamento
A linha M2 tem modelos de coluna simples, de 200 N a 10 kN, e de coluna dupla, de 5 kN a 1.000 kN. Cada parte da máquina tem uma função na caracterização elástica e ao cisalhamento:

- Travessa móvel traciona no trecho elástico para medir E e ν
- Célula de carga mede a força, classe 1
- Garras alinham o corpo de prova ao eixo da força
- Extensômetro mede a deformação no corpo de prova, não pela travessa
- Dispositivo de cisalhamento mede a resistência de parafusos e pinos
- Software BioLab calcula E e monta o relatório
Dispositivos ligados ao módulo de cisalhamento
Os dispositivos abaixo são montados na mesma máquina, conforme o ensaio:



Pela faixa de até 10 N·m, a máquina de torque atende fios, arames, parafusos pequenos e corpos de prova de metal e polímero de pequeno diâmetro. Um eixo de 40 mm como o do exercício 4 já trabalha com centenas de N·m: para torques maiores, consulte outras capacidades ou os projetos especiais. As demais propriedades medidas na máquina universal estão em propriedades mecânicas dos materiais, e um orçamento pode ser pedido para os corpos de prova do seu laboratório.
Normas do módulo de cisalhamento
As normas de ensaio dizem como medir G em cada classe de material; as de projeto dizem que valor adotar quando ele não é medido. A tabela reúne as citadas neste artigo, com a edição conferida em 01/10/2026:
| Norma | O que trata | Edição |
|---|---|---|
| ASTM E143 | módulo de cisalhamento por torção, à temperatura ambiente | E143-20 |
| ASTM E1876 | E, G e ν dinâmicos por excitação por impulso | E1876-22 |
| ASTM D5379/D5379M | cisalhamento de compósitos, viga com entalhe em V | D5379/D5379M-19(2026) |
| ASTM D7078/D7078M | cisalhamento de compósitos, trilho com entalhe em V | D7078/D7078M-20(2025) |
| ASTM D3518/D3518M | cisalhamento no plano de compósitos por tração de laminado ±45° | D3518/D3518M-18(2025) |
| ASTM C273/C273M | módulo e resistência ao cisalhamento de núcleos de sanduíche | C273/C273M-20 |
| ISO 1827 | módulo de cisalhamento da borracha e aderência a placas rígidas, quádruplo cisalhamento | ISO 1827:2022 |
| ASTM D8295 | velocidade da onda de cisalhamento e G0 de solos por bender elements | D8295-19 |
| ASTM D4015 | módulo e amortecimento de solos em coluna ressonante | D4015-21 |
| Série ISO 6721 | propriedades dinâmico-mecânicas de plásticos (DMA) | não indicada |
| ABNT NBR 8800 | estruturas de aço e mistas: E = 200.000 MPa, G = 77.000 MPa, ν = 0,3 | 2024 (versão corrigida 2025); valores conferidos na de 2008 |
| ABNT NBR 6118 | estruturas de concreto: ν = 0,2 e Gc = Ecs/2,4 (item 8.2.9) | 2023, com a Emenda 1:2026 |
Outros ensaios e referências técnicas
Ensaios realizados na máquina universal Biopdi
Referências técnicas relacionadas
Coeficiente de Poisson: o que é, fórmula, valores do aço, concreto e solo e como medir
O coeficiente de Poisson (ν) é a razão, com sinal negativo, entre a deformação transversal e a longitudinal de um material sob carga uniaxial no regime elástico. Veja a fórmula, a relação com E, G e K, a faixa de −1 a 0,5, os valores do aço (0,3 pela NBR 8800), do concreto (0,2 pela NBR 6118), da borracha e dos solos, como medir pela ASTM E132 e exercícios resolvidos.
Módulo de elasticidade (módulo de Young): o que é, fórmula, unidade, tabela de materiais e como medir
O módulo de elasticidade, ou módulo de Young (E), é a razão entre tensão e deformação no trecho linear elástico, E = σ/ε, e mede a rigidez do material. Veja a fórmula, a unidade e as conversões, a tabela de E de mais de 20 materiais, a relação com G, K e Poisson, os módulos tangente, secante e de corda e como medir com extensômetro.
ASTM A370: ensaios mecânicos de produtos de aço (tração, dobramento, dureza e Charpy), anexos e relação com a E8
ASTM A370-26: métodos de ensaio mecânico de produtos de aço (tração, dobramento, dureza e Charpy), anexos por produto, critério do Charpy e diferença para a E8.
Perguntas frequentes
Qual é a fórmula do módulo de cisalhamento?
G = τ/γ: a tensão de cisalhamento, em MPa, dividida pela distorção em radianos, no regime elástico. Em material isotrópico também vale G = E/[2(1 + ν)]. Para o aço, com E = 200 GPa e ν = 0,3, G = 76,9 GPa, que a NBR 8800 arredonda para 77 GPa.
O que é o módulo de elasticidade transversal?
É o mesmo módulo de cisalhamento G, com o nome usado nas normas brasileiras de projeto. Ele mede a rigidez do material contra a distorção, assim como o módulo de Young mede a rigidez contra o alongamento.
O que é cisalhamento? Dê um exemplo.
Cisalhamento é a solicitação de forças paralelas a uma seção, que tendem a fazer uma parte do material deslizar sobre a outra. Exemplos: a tesoura cortando papel, o pino de uma articulação, o parafuso de uma ligação que trabalha "de lado" e um eixo torcido, em que cada seção gira em relação à vizinha. Os tipos de ensaio estão no artigo sobre ensaio de cisalhamento.
Qual é o módulo de elasticidade transversal do aço?
Para projeto, 77.000 MPa (77 GPa) pela NBR 8800, com E = 200.000 MPa e ν = 0,3. Valores medidos ficam entre cerca de 77 e 83 GPa, conforme a liga: o A36 tem 79,3 GPa na ficha MatWeb/ASM e o Callister lista 83 GPa. Tabelas que dão 80 a 85 GPa partem de E entre 207 e 210 GPa.
Qual é o módulo de cisalhamento do alumínio?
Cerca de 25 GPa, valor medido do Callister, com E = 69 GPa e ν = 0,33. Pela fórmula isotrópica, 69/2,66 = 25,9 GPa.
Qual é a relação entre E, G e o coeficiente de Poisson?
G = E/[2(1 + ν)], ou ν = E/(2G) − 1, válida só para material isotrópico e elástico linear. Como ν fica entre 0 e 0,5 nos materiais comuns, G fica entre E/3 e E/2.
Como calcular a tensão de cisalhamento?
Divide-se a força paralela à seção pela área que resiste a ela: τ = F/A, em MPa. Num eixo em torção, a tensão no raio r é τ = T·r/J. O cálculo de pinos em corte simples e duplo está no artigo sobre ensaio de cisalhamento.
Qual é a unidade da tensão de cisalhamento?
A tensão de cisalhamento se mede em pascal (Pa), ou N/m², e na prática em MPa, que é o mesmo que N/mm². O módulo G tem a mesma unidade, porque a distorção γ é adimensional, e por isso se escreve em GPa nos metais.
Qual é a tensão de cisalhamento do aço 1020 e do 1045?
Como estimativa, o escoamento em cisalhamento é cerca de 0,577 vez o escoamento em tração (critério de von Mises), e a resistência ao cisalhamento, cerca de 0,6 vez a resistência à tração. Para o SAE 1020 laminado a quente (escoamento de 205 MPa, Rm de 380 MPa), isso dá cerca de 118 MPa e 228 MPa; para o SAE 1045 laminado (310 e 565 MPa), cerca de 179 MPa e 339 MPa. São estimativas, não valores de norma; o valor real se mede no ensaio de cisalhamento. O módulo G dos dois aços é o mesmo, cerca de 77 a 80 GPa.
Qual é a fórmula para calcular o módulo de elasticidade?
E = σ/ε, a inclinação do trecho linear da curva tensão-deformação no ensaio de tração. Conhecendo G e ν, também E = 2G(1 + ν): um aço com G = 77 GPa e ν = 0,3 tem E = 200 GPa.
Qual é o valor do módulo de elasticidade do aço?
Para projeto de estruturas de aço, 200.000 MPa (200 GPa) pela NBR 8800; para armaduras de concreto, 210 GPa pela NBR 6118. Cada um tem o seu G coerente: 77 GPa e cerca de 81 GPa, com ν = 0,3. Os valores por tipo de aço estão no artigo sobre o módulo de elasticidade do aço.
Qual é o símbolo do módulo de elasticidade?
E para o módulo de Young, ou longitudinal; G para o módulo de elasticidade transversal, ou de cisalhamento; e K para o módulo volumétrico. ν é o coeficiente de Poisson, que não é um módulo, mas uma razão entre deformações.
Como se mede o módulo de cisalhamento?
O método clássico é o ensaio de torção pela ASTM E143-20: G = (ΔT/Δθ)·L/J, com a inclinação do trecho linear da curva torque × ângulo. Outros métodos são a vibração por impulso (ASTM E1876-22), o entalhe em V para compósitos (ASTM D5379 e D7078) e, em solos, bender elements e coluna ressonante.
Qual é o módulo de cisalhamento do concreto?
Pela NBR 6118, Gc = Ecs/2,4, com ν = 0,2, para tensões de serviço. Um C30 com granito tem Ecs de 26,8 GPa e Gc de cerca de 11,2 GPa.
Qual é o módulo de elasticidade do concreto de 30 MPa?
Para um C30 com brita de granito, a NBR 6118 dá módulo tangente inicial Eci = 5.600 × √30 ≈ 30,7 GPa e módulo secante Ecs ≈ 26,8 GPa. O módulo transversal correspondente é Gc = 26,8/2,4 ≈ 11,2 GPa. Com outro agregado, os valores mudam; o cálculo completo está no artigo sobre o módulo de elasticidade do concreto.
O que significa ter um módulo de cisalhamento baixo?
Que o material distorce muito com pouca tensão. É o caso da borracha, com G da ordem de megapascals, usada em coxins e apoios justamente para deixar a estrutura se deslocar e isolar vibração. Módulo baixo não indica material fraco, só flexível.
Módulo de cisalhamento e resistência ao cisalhamento são a mesma coisa?
Não. O módulo é a rigidez, a inclinação da curva τ × γ, em GPa. A resistência é a tensão máxima antes de escoar ou romper, em MPa, medida por exemplo no cisalhamento de parafusos e pinos.
Por que a distorção precisa estar em radianos?
Porque a fórmula vem da geometria de ângulos pequenos, em que o ângulo em radianos é igual a Δx/h. Em graus, o G calculado sai 57,3 vezes menor: um aço de 79 GPa vira 1,38 GPa.