ASTM A370: ensaios mecânicos de produtos de aço (tração, dobramento, dureza e Charpy), anexos e relação com a E8

ASTM A370-26: métodos de ensaio mecânico de produtos de aço (tração, dobramento, dureza e Charpy), anexos por produto, critério do Charpy e diferença para a E8.

Ensaios MecânicosPor Mardoqueu M. Costa
40 min de leitura

A ASTM A370, Standard Test Methods and Definitions for Mechanical Testing of Steel Products, é a norma da ASTM International que define como fazer os ensaios mecânicos de produtos de aço, aço inoxidável e ligas relacionadas: tração, dobramento, dureza (Brinell, Rockwell e portátil) e impacto Charpy. A edição vigente é a A370-26, ativa desde 21/05/2026. A regra que organiza tudo cabe numa frase: a especificação do produto diz o que ensaiar e qual valor atender; a A370 diz como ensaiar. Por isso ela aparece no certificado de usina de chapas, barras, tubos, fixadores, fios e vergalhões fabricados sob especificação ASTM, e quase nunca sozinha.

Em resumo:

  • Quatro ensaios: tração (seções 7 a 14), dobramento (15), dureza (16 a 19) e impacto (20 a 30), mais dez anexos com regras de produtos específicos.
  • Não dá valor de aceitação: o escoamento mínimo, a energia mínima ou o ângulo de dobramento vêm da especificação do produto, que também prevalece se contradisser a A370.
  • Não é a E8: a ASTM E8/E8M é só tração, para qualquer metal; a A370 é só aço, com quatro ensaios e regras de produto.
  • Charpy: com média mínima especificada, ensaiam-se 3 corpos de prova; no máximo um pode ficar abaixo da média mínima e nenhum abaixo de 2/3 dela.

A norma é paga e vendida pela ASTM. Este guia a explica com palavras próprias, para quem ensaia, inspeciona ou compra aço sob especificação americana, com os requisitos essenciais e a fonte de cada um.

O que a ASTM A370 cobre e qual a edição vigente

A A370 pertence ao comitê A01 da ASTM (aço, aço inoxidável e ligas relacionadas), subcomitê A01.13. Pela ficha da loja oficial, com a edição vigente conferida em 01/10/2026, a ASTM A370-26 está ativa, tem 51 páginas e substituiu a A370-24a, que passou a histórica. A norma existe desde a década de 1950 e é revisada quase todo ano, por isso circulam muitas edições: A370-17, -19, -20, -22, -23, -24 e -24a, todas superadas.

O escopo é deliberadamente amplo. A norma reúne procedimentos e definições para os ensaios mecânicos de aços, inoxidáveis e ligas relacionadas, e diz no próprio escopo que os ensaios servem para determinar as propriedades exigidas nas especificações de produto. Ela não é uma norma de material: não existe "aço A370". É uma norma de método, que as especificações de material citam, e por isso aparece no controle de qualidade de usinas, distribuidores e laboratórios que atendem construção civil (perfis, chapas, vergalhões), óleo e gás (tubos), indústria automotiva e de máquinas (barras e fixadores). Para os critérios de competência do laboratório que executa os ensaios, a própria A370 remete à ISO/IEC 17025, adotada no Brasil como ABNT NBR ISO/IEC 17025. A tabela abaixo mostra como os ensaios estão distribuídos no texto da edição 2026 e qual norma de método detalha cada um.

EnsaioSeções da A370-26Norma de método citada
Tração7 a 14ASTM E8/E8M
Dobramento15ASTM E290 (e E190 para solda)
Dureza: Brinell, Rockwell e portátil16 a 19ASTM E10, ASTM E18 e normas de equipamento portátil
Impacto (Charpy)20 a 30ASTM E23

Unidades. A A370 é uma norma em polegada-libra: os valores em SI que aparecem entre parênteses são conversões informativas. Mesmo assim, ela permite ensaiar num sistema e relatar no outro. Quando uma especificação métrica cita a A370, o escoamento e a resistência podem ser determinados em ksi e convertidos para MPa, e o alongamento medido em 2 in ou 8 in pode ser relatado como alongamento em 50 mm ou 200 mm. A condição é que o corpo de prova respeite as tolerâncias do sistema em que foi dimensionado, e não as tolerâncias convertidas. Para quem precisa do ensaio inteiro em SI, a própria A370 indica a ASTM A1058, a versão métrica dos mesmos métodos (edição vigente A1058-19).

ASME SA-370. O Código ASME de Caldeiras e Vasos de Pressão adota as especificações ASTM na sua Seção II com o prefixo "SA". A SA-370 é a A370 adotada pelo Código, e é ela que aparece nos documentos de materiais para equipamentos sob pressão. O conteúdo técnico acompanha a edição ASTM que o Código adotou, que nem sempre é a mais recente.

A A370 é uma das normas de ensaio destrutivo mais citadas na indústria do aço. O panorama dos ensaios está no artigo sobre ensaios mecânicos, e a diferença entre ensaio destrutivo e não destrutivo, em ensaios destrutivos e não destrutivos.

Quem manda: a especificação do produto e a A370

A ASTM A370 é uma norma de método e nunca decide sozinha a aceitação de um aço: a especificação do produto define o que ensaiar e qual valor atender, e prevalece quando as duas divergem. A especificação do produto é a norma que define o material e os valores que ele precisa atingir: a ASTM A36/A36M para aço carbono estrutural, a A615/A615M para vergalhão, a A106 para tubo sem costura, e assim por diante. Muitas dessas especificações não repetem as regras comuns a uma forma de produto e remetem a uma especificação de requisitos gerais: para chapas, perfis e barras laminados estruturais, é a ASTM A6/A6M (edição vigente A6/A6M-26a). Só então entra a A370, como método.

A divisão de papéis está escrita na própria A370-26. A seção de uso diz que a condição do material no ensaio, a frequência de amostragem, a localização e a orientação do corpo de prova e os requisitos do relatório estão na especificação do material ou na de requisitos gerais da forma de produto. O escopo vai além: quando uma especificação de produto tiver requisito de ensaio diferente dos procedimentos gerais da A370, prevalece a especificação do produto. O esquema abaixo mostra essa cadeia, do pedido de compra até as normas de método, com a regra de conflito no rodapé.

Esquema da hierarquia de documentos: o pedido de compra cita a especificação do produto (A36/A36M), que remete aos requisitos gerais (A6/A6M); as duas apontam para a ASTM A370, que remete às normas de método E8/E8M, E290, E10 e E18 e E23; em conflito, vale a especificação do produto
A especificação do produto diz o que ensaiar e qual valor atender; a A370 diz como ensaiar

Na prática, quem recebe um pedido "chapa ASTM A36" lê três documentos. A A36 dá os limites de tração: escoamento mínimo de 250 MPa e resistência à tração de 400 a 550 MPa, os mesmos valores usados em todo o site. A A6/A6M diz quantos ensaios fazer por corrida, de onde tirar o corpo de prova e em que direção. A A370 diz como preparar, ensaiar e calcular. Requisitos opcionais, como o Charpy, entram como requisitos suplementares quando o comprador os pede; a ASTM A673/A673M (edição vigente A673/A673M-25) define a frequência de amostragem do Charpy em aço estrutural quando esse ensaio é exigido.

A A370 também serve fora da conformidade de produto novo. A norma lista o ensaio de recebimento pelo comprador e a avaliação de componentes depois de um período em serviço, e avisa que um resultado fora do especificado pode ter causas que não são defeito de fabricação: degradação em serviço (temperatura, corrosão), dano mecânico, anisotropia, envelhecimento natural de algumas ligas, limitações de amostragem e incerteza de calibração. Quem investiga uma falha com base num único ensaio precisa descartar essas causas antes de culpar a usina.

Corpo de prova: retirada, orientação e preparação

Um produto de aço não tem as mesmas propriedades em todas as direções nem em todos os pontos, e por isso a A370 trata com cuidado de onde sai o corpo de prova. Na foto, três produtos de aço (chapa, barra e tubo) e, à frente, corpos de prova de tração e de impacto como os que se retiram deles: a ASTM A370 diz de onde e em que direção cada corpo de prova sai de cada produto.

Produtos de aço sobre a bancada, uma chapa grossa, uma barra redonda e um tubo, com corpos de prova de tração usinados e uma barra com entalhe em V à frente, e uma máquina universal ao fundo
Chapa, barra e tubo de aço com os corpos de prova retirados deles

Longitudinal, transversal, radial e tangencial

Na laminação, os grãos e as inclusões não metálicas (sulfetos de manganês, por exemplo) se alongam na direção em que o material passou pelos cilindros. Um corpo de prova longitudinal tem o eixo paralelo a essa direção: quando ele rompe, a trinca precisa atravessar as inclusões alongadas. Um corpo de prova transversal tem o eixo perpendicular: a trinca corre ao longo delas, com menos resistência. A consequência é que, no mesmo aço, o alongamento, a estricção e a energia de impacto costumam ser menores na direção transversal, enquanto o escoamento e a resistência mudam pouco.

O esquema abaixo mostra as duas orientações numa chapa vista de cima, com as inclusões desenhadas na direção de laminação.

Esquema de uma chapa laminada vista de cima, com a direção de laminação, inclusões alongadas nessa direção, um corpo de prova longitudinal e um transversal, e o efeito típico de cada orientação no alongamento e na energia de impacto
Corpo de prova longitudinal e transversal numa chapa laminada (esquema fora de escala)

A orientação geral da A370 é ensaiar os produtos laminados na direção longitudinal e usar a transversal, a radial ou a tangencial quando o tamanho do produto permite e o serviço justifica. Em forjados, o corpo de prova costuma sair a meio raio, de um prolongamento forjado junto com a peça, e em rotores e discos entram os ensaios radiais e tangenciais. Quem decide a orientação de cada caso, porém, é a especificação do produto ou a de requisitos gerais, e o laudo precisa registrá-la: um alongamento sem orientação declarada não pode ser comparado com o mínimo.

Preparação: oxicorte, envelhecimento e medição

O corte de amostra por guilhotina, serra ou oxicorte deforma ou aquece a borda. A A370 manda remover por usinagem a zona deformada ou afetada pelo calor antes do ensaio, porque ela tem propriedades diferentes do resto do produto: a borda cisalhada fica encruada e a borda oxicortada pode ter endurecido. Corpo de prova mal usinado é descartado e substituído, e um ensaio que falha por causa mecânica (escorregamento na garra, defeito de preparação) pode ser repetido com um novo corpo de prova.

Alguns aços mudam de propriedade com o tempo depois da deformação, pelo envelhecimento por deformação. A norma permite envelhecer o corpo de prova antes do ensaio, em temperatura ambiente ou com um aquecimento curto, desde que isso não apague o efeito do processamento que o produto recebeu. Também lembra que operações posteriores à fabricação, como dobrar, soldar ou aquecer, alteram as propriedades: um corpo de prova tirado de uma peça já soldada não representa a chapa como fornecida. As dimensões se medem antes do ensaio, com instrumento de resolução compatível, porque a área entra em todas as tensões.

Tração pela A370: o que ela acrescenta ao E8

O ensaio de tração é o centro da A370 e o ponto em que ela mais se aproxima da ASTM E8/E8M. Na tração, a A370 trabalha com os mesmos princípios do E8: máquina verificada, corpo de prova de seção conhecida, força crescente até a ruptura. Os detalhes comuns às duas normas (os tipos de corpo de prova chapa, placa e redondo, a base de 4D ou 5D, as faixas de velocidade, as classes de extensômetro e a comparação com a ISO 6892-1) estão no guia ASTM E8 x ISO 6892-1 e não se repetem aqui. Esta seção trata do que é próprio da A370.

Três limites de escopo evitam confusão. A tração da A370 é em temperatura ambiente; em temperatura elevada, o método é a ASTM E21 (ou a ISO 6892-2). As propriedades que ela determina são as que as especificações de aço exigem: escoamento, resistência à tração, alongamento e redução de área. O módulo de elasticidade, que alguns guias de fabricante listam entre os resultados, não é requisito usual de especificação de aço, e quando precisa ser medido com rigor o método é a ASTM E111.

O corpo de prova vem do produto

A A370 usa os tipos de corpo de prova usinado do E8, mas acrescenta a lógica do produto. Barras, tubos e fios são ensaiados em seção plena sempre que a máquina comporta: a barra inteira, o tubo inteiro ou um segmento dele, o fio como saiu da trefila. Barra e vergalhão de seção plena são ensaiados, salvo indicação diferente, numa base de 8 in (200 mm); o fio redondo, numa base de 10 in (250 mm), pelo anexo A4. Quando a seção é grande demais, os anexos dizem como reduzir: tira cortada da parede do tubo, redondo usinado tirado de um ponto definido da barra. Quando o corpo de prova é usinado, as geometrias da A370 coincidem quase todas com as do E8; as diferenças aparecem nas conversões métricas de alguns redondos e do corpo de prova pequeno, por isso o desenho do corpo de prova deve citar a norma pela qual foi dimensionado.

Como os corpos de prova de aço têm formas diferentes, o alongamento de um não se compara direto com o de outro. Nos redondos, a A370 mantém a relação de 4 para 1 entre a base e o diâmetro, para que redondos de tamanhos diferentes deem alongamentos comparáveis. Para passar do redondo ao corpo de prova plano, a norma tem um anexo próprio, o A6, que converte o alongamento de um no equivalente do outro. É uma ferramenta que o E8 não tem.

Escoamento: o método vem da especificação

A A370 descreve vários métodos para o escoamento, e quem escolhe é a especificação do produto. Em aço com patamar de escoamento, como o carbono laminado a quente, admite-se o método da queda do ponteiro (a parada momentânea ou a queda da força no início do escoamento) e o método do diagrama registrado, que lê o pico antes do patamar. Em aço sem patamar, usa-se o offset, em geral de 0,2 %, ou a extensão total sob carga, em geral de 0,5 %, que muitas especificações de tubos e barras pedem por ser simples de aplicar na produção. O conceito e a leitura de cada método estão no artigo sobre limite de escoamento.

Alongamento e estricção

O alongamento após a ruptura é medido juntando as duas metades e comparando a distância entre as marcas com a base original, e o resultado sempre vem com a base declarada: "24 % em 50 mm" ou "20 % em 200 mm". A A370 tem uma regra de validade que vale conhecer. Se a fratura ocorre fora da metade central da base, ou sobre uma marca de referência, o alongamento medido pode não representar o material, porque parte do pescoço ficou fora das marcas. Se mesmo assim o valor atingiu o mínimo especificado, o resultado vale; se ficou abaixo, o ensaio é descartado e repetido. A norma ainda distingue o alongamento após a ruptura, medido nas metades, do alongamento na fratura, lido pelo extensômetro no instante da ruptura: os dois não são intercambiáveis, e o laudo diz qual foi usado.

A redução de área, ou estricção, é a diferença entre a área original e a menor área na fratura, dividida pela área original. Em redondo, ela sai dos diâmetros: Z = 1 − (du/d0)², em porcentagem. É a propriedade que mais sente a qualidade inclusionária do aço e a orientação do corpo de prova, e algumas especificações a exigem justamente na direção da espessura de chapas.

Ensaio de dobramento pela A370

O ensaio de dobramento (bend test, que algumas traduções chamam de ensaio de flexão) é o ensaio de ductilidade mais simples: o corpo de prova é dobrado até um ângulo especificado sobre um pino ou um raio interno especificado, e o resultado é passa ou não passa, julgado pela face externa da dobra, a que fica tracionada. A A370 define o ensaio em uma seção curta e deixa a execução para a ASTM E290 (edição vigente E290-22) e, em juntas soldadas, para a ASTM E190 (E190-21). O ângulo, o diâmetro do pino em função da espessura e a direção do corpo de prova vêm da especificação do produto.

A E290-22 tem quatro modos de execução, que diferem pelo contato com a região dobrada: dobramento guiado entre dois apoios, semiguiado em contato com um mandril, livre (sem força transversal na dobra) e dobrar-e-achatar, em que as pernas encostam uma na outra. Depois de dobrado, examina-se a face convexa a olho nu. A ruptura reprova; sem ruptura, o critério é o número e o tamanho de trincas que a especificação do produto admitir. Trincas a menos de uma espessura da borda não contam como falha, porque a borda tem o estado de tensão e a preparação diferentes do resto.

Em tubos, o anexo A2 acrescenta ensaios de ductilidade próprios da forma: achatamento entre placas, flangeamento, alargamento por cone e esmagamento de anel. Todos verificam a mesma coisa, a capacidade de deformar sem trincar, na geometria que o tubo vai encontrar na fabricação. Na família ISO, o dobramento de tubo em seção plena tem norma própria, a ISO 8491, separada da ISO 7438.

Ensaio de dureza pela A370 e conversão de escalas

A dureza é a resistência à penetração localizada, medida na superfície, e é o ensaio mais rápido para conferir tratamento térmico ou estimar a resistência de um lote. A A370 trata da dureza Brinell, Rockwell e portátil, e remete a execução à ASTM E10 (Brinell, E10-23) e à ASTM E18 (Rockwell, E18-25). O método em si, com penetradores, cargas e cuidados de superfície, está no artigo sobre ensaio de dureza.

A A370 não tem seção de dureza Vickers: o Vickers aparece nela só nas tabelas de conversão. Quando uma especificação de aço pede HV, o método é o da ASTM E92 (ou ASTM E384, na microdureza), e a ISO equivalente é a ISO 6507-1. A dureza portátil, por sua vez, serve para peças grandes ou instaladas, que não cabem no durômetro de bancada nem podem ser cortadas.

O que a A370 tem de próprio são as tabelas de conversão para aço: relações aproximadas entre as escalas Brinell, Vickers e Rockwell, e entre dureza e resistência à tração, para aço carbono e de baixa liga, com tabela à parte para o aço inoxidável austenítico. Os valores convertidos são aproximados, porque cada escala mede uma combinação diferente de deformação elástica e plástica. Por isso a norma manda registrar o valor convertido acompanhado do valor medido e da escala de medição entre parênteses, no formato do exemplo da própria A370: 353 HB (38 HRC). Quem lê sabe na hora que a medida foi Rockwell C e que o Brinell é estimado.

Para metais em geral, a conversão é feita pela ASTM E140 (edição vigente E140-12b(2019)e1), que relaciona Brinell, Vickers, Rockwell, Rockwell superficial, Knoop, escleroscópio e Leeb. A própria E140 recomenda converter, de preferência, os limites de especificação e evitar converter dados de ensaio sempre que possível. Em barras, pode ser preciso retirar a camada superficial descarbonetada antes de medir, porque ela é mais macia que o núcleo. A dureza estima a resistência à tração, mas não informa escoamento, alongamento nem tenacidade: esses números só saem da tração e do impacto.

Impacto Charpy: corpo de prova, temperatura e critério dos três corpos de prova

O ensaio de impacto Charpy mede a energia que um corpo de prova entalhado absorve ao ser rompido por um pêndulo, numa temperatura definida. É o ensaio que mostra a transição dúctil-frágil dos aços de estrutura cúbica de corpo centrado, como os aços carbono e de baixa liga: acima de uma faixa de temperatura, o aço rompe de forma dúctil, por coalescência de microvazios, e absorve muita energia; abaixo dela, rompe por clivagem, com pouca energia. A A370 trata do assunto nas seções 20 a 30 e explica o significado do ensaio no anexo A5. A execução, a máquina e a verificação do pêndulo seguem a ASTM E23 (edição vigente E23-25). A E23 também descreve o ensaio Izod, mas a A370 só o menciona de passagem: em produto de aço, o ensaio de impacto exigido é o Charpy com entalhe em V (CVN, de Charpy V-notch). Ele não é obrigatório em todo aço; entra quando a especificação do produto ou o pedido de compra o exige, em geral como requisito suplementar.

Corpo de prova e temperatura

O corpo de prova padrão é o Charpy V de tamanho pleno: barra de 10 × 10 × 55 mm com entalhe em V de 2 mm de profundidade no meio do comprimento. Quando o produto é fino demais (em material plano, abaixo de cerca de 11 mm, ou 7/16 in), ou quando a energia esperada passaria de 80 % da capacidade da máquina, usa-se um corpo de prova subdimensionado, com a mesma altura e o mesmo entalhe e espessura reduzida. A regra é preparar o maior corpo de prova que o produto permite. Em tubos ensaiados na direção transversal, a curvatura limita o tamanho, e a norma admite corpos de prova subdimensionados ou com a curvatura da parede.

A temperatura de ensaio vem da especificação e é a do corpo de prova no instante do impacto. O corpo de prova é mantido num meio de temperatura controlada (líquido ou gás) e levado ao apoio rapidamente, com pinças que o centralizam, porque um corpo de prova frio esquenta em segundos na temperatura ambiente. Corpo de prova que não se separa em duas partes é relatado como não rompido. Além da energia, a especificação pode pedir duas medidas da superfície rompida:

  • Expansão lateral: o quanto o lado oposto ao entalhe se alargou na ruptura, em milímetros. É uma medida direta da deformação plástica e, por isso, da ductilidade na fratura.
  • Porcentagem de fratura por cisalhamento: a fração da superfície com aspecto fibroso, dúctil, contra a fração brilhante, de clivagem.

O critério de aceitação por média mínima

Quando a especificação pede uma energia média mínima numa temperatura, ensaiam-se 3 corpos de prova retirados do mesmo local, e o resultado é a média deles. A aceitação tem três condições, todas obrigatórias:

  1. a média dos três atinge a média mínima especificada;
  2. no máximo um corpo de prova fica abaixo da média mínima;
  3. nenhum corpo de prova fica abaixo de 2/3 da média mínima.

Se uma das condições falha, faz-se um único reteste com mais 3 corpos de prova do mesmo local, e cada um deles precisa atingir a média mínima especificada. A lógica do critério é estatística: o Charpy tem dispersão alta, sobretudo na região de transição, e a média sozinha esconderia um corpo de prova frágil. O piso de 2/3 é o que pega esse caso.

Quando a especificação pede a temperatura de transição, e não uma energia a uma temperatura, faz-se uma série maior, tipicamente de 8 a 12 corpos de prova em temperaturas diferentes, e a temperatura que atende ao critério é obtida por interpolação na curva, sem extrapolar além dos pontos ensaiados.

Corpo de prova subdimensionado

Um corpo de prova mais fino absorve menos energia, e o requisito precisa ser ajustado. A A370 tem uma tabela de critérios de aceitação para corpos de prova subdimensionados, que reduz a energia exigida conforme a espessura; o Código ASME tem, como alternativa, uma redução da temperatura de ensaio. Essa correspondência tem limites conhecidos: estudos do NIST (Lucon, McCowan e Santoyo, Technical Note 1858, 2015) mostraram que a equivalência entre corpos de prova pleno e reduzido só funciona bem quando os dois rompem no mesmo regime de fratura, e que ela pode ficar pouco conservadora em aços mais tenazes. Na região de transição, um corpo de prova fino pode romper de forma dúctil numa temperatura em que o pleno já rompe frágil.

O Charpy mede uma forma de tenacidade sob entalhe e alta velocidade; ele compara materiais e controla lotes, mas não fornece a tenacidade à fratura usada em cálculo de integridade.

Os dez anexos por produto

A parte geral da A370 vale para qualquer produto de aço; os anexos tratam do que é peculiar a cada forma. A edição 2026 tem dez anexos, conferidos no escopo publicado na loja da ASTM. A tabela resume o que cada um traz na prática:

AnexoAssuntoO que traz na prática
A1Produtos em barraTração, dobramento e dureza de barras laminadas a quente e acabadas a frio, em seção plena quando possível
A2Produtos tubularesTubo inteiro com tampões metálicos nas pontas, tira longitudinal fora da solda ou anel; achatamento, achatamento reverso, flangeamento, alargamento e esmagamento de anel; dureza com carga menor em parede fina
A3FixadoresParafusos e porcas: carga de prova, tração axial com ruptura no corpo e não na cabeça, ensaio de cunha sob a cabeça, corpo de prova usinado quando o parafuso é grande demais, dureza
A4Fio redondoGarras de cunha ou de enrolamento, ensaio em seção plena com base de 10 in (250 mm), diâmetro medido na região da fratura e ensaio de enrolamento para ductilidade
A5Significado do ensaio de impacto com entalheA transição dúctil-frágil e o que a energia, a expansão lateral e o aspecto da fratura indicam
A6Conversão de alongamentoEquivalência entre o alongamento de corpo de prova redondo e o de corpo de prova plano
A7Cordoalha de múltiplos fiosEnsaio de tração de cordoalhas, como as de protensão
A8Arredondamento de dadosComo arredondar cada resultado antes de comparar com o limite
A9VergalhõesMétodos de ensaio de barras de aço para concreto armado
A10Simulação de ciclo térmicoUso e controle de ciclos térmicos simulados em corpos de prova

Dois anexos merecem comentário. O A3 é a referência de quem ensaia fixadores: o ensaio de cunha, com uma arruela inclinada sob a cabeça do parafuso, verifica se a cabeça e a transição para o corpo aguentam carga com flexão, um modo de falha que a tração axial pura não revela. O A9 é o equivalente americano do que, no Brasil, a NBR 7480 define para o vergalhão; os requisitos das duas não se misturam, e um vergalhão CA-50 se julga pela norma brasileira. O A8 importa perto do limite: um resultado que passa ou reprova conforme o arredondamento precisa seguir a regra do anexo ou a da especificação, declarada no relatório.

Cordoalha e vergalhão pedem um cuidado de edição. Os títulos dos anexos A7 e A9 continuam no escopo da A370-26, mas a cordoalha de protensão tem hoje norma de método própria, a ASTM A1061/A1061M (edição vigente A1061/A1061M-26), e guias de fabricantes de máquinas registram que o conteúdo desses anexos foi transferido para a A1061/A1061M e para a especificação de vergalhão ASTM A615/A615M (edição vigente A615/A615M-26) em revisões recentes. Quem ensaia cordoalha ou vergalhão sob ASTM confere, na edição em uso, para onde o anexo remete. Os fixadores do A3 também têm norma de método dedicada, a ASTM F606/F606M, que acrescenta, por exemplo, o ensaio de cisalhamento de parafusos.

Como interpretar a norma

A A370 é longa, escrita em forma de requisito e cheia de remissões. Os pontos abaixo são os que mais geram leitura errada no laboratório e no recebimento de material.

Se a especificação do produto contradiz a A370, qual vale?

A especificação do produto. O escopo da A370-26 diz isso de forma expressa: quando os requisitos de ensaio de um produto forem peculiares ou diferentes dos procedimentos gerais, controlam os requisitos da especificação do produto. O motivo é que a especificação conhece o produto e o uso; a A370 conhece o método. Um exemplo comum é a orientação: a A370 prefere a longitudinal, e a especificação de chapa pode exigir a transversal.

A A370 diz qual é o valor mínimo de escoamento ou de energia?

Não. A A370 não tem nenhum limite de aceitação de material. O escoamento de 250 MPa da A36, os 27 J de uma especificação de chapa para baixa temperatura ou o pino de dobramento de um vergalhão vêm das especificações. O que a A370 define são as regras de julgamento que valem para qualquer limite: como medir, como arredondar, quando invalidar um alongamento, como combinar os três corpos de prova do Charpy.

Posso ensaiar em ksi e relatar em MPa?

Pode. A A370-26 permite determinar escoamento e resistência num sistema e converter para o outro, e relatar o alongamento de 2 in como 50 mm e o de 8 in como 200 mm, e vice-versa. O cuidado é com o corpo de prova: ele segue as tolerâncias do sistema em que foi dimensionado. Se o contrato exige o ensaio inteiro em SI, a norma indicada é a A1058.

Por que a orientação do corpo de prova muda o resultado?

Por causa da anisotropia criada pela laminação, explicada na seção de corpo de prova. Escoamento e resistência mudam pouco com a direção; alongamento, estricção e energia de impacto mudam muito, porque dependem de como a trinca encontra as inclusões alongadas. Por isso dois laudos da mesma chapa, um longitudinal e outro transversal, podem dar alongamentos diferentes sem que nenhum esteja errado.

Que edição citar no laudo?

A que o contrato ou a especificação do produto fixar. Quando o documento cita a A370 sem ano, a prática é usar a edição vigente na data do ensaio, hoje a A370-26, e declarar a edição no relatório. Citar "A370" sem ano num laudo deixa aberto qual conjunto de regras foi seguido, porque a norma muda quase todo ano.

A A370 vale para alumínio, cobre ou titânio?

Não. Ela é de produtos de aço, aço inoxidável e ligas relacionadas. Para tração de outros metais, a referência é a ASTM E8/E8M, ou a ISO 6892-1, conforme a especificação.

Um resultado abaixo do mínimo numa peça usada reprova o material original?

Não necessariamente. A própria A370-26 lista causas válidas de desvio que não são defeito do produto original, como degradação em serviço, dano mecânico, envelhecimento natural e incerteza de medição, e pede que essas causas sejam consideradas na interpretação. Numa análise de falha, o ensaio é uma evidência, não um veredito sobre a usina.

Exemplos resolvidos

Os exemplos usam valores hipotéticos de medição e os limites reais das especificações citadas.

Exemplo 1: plano de ensaios de uma chapa A36 de 12,5 mm

Um laboratório recebe chapas ASTM A36 de 12,5 mm de espessura e 2.400 mm de largura. O pedido cita a A36/A36M, que remete à A6/A6M e à A370. Suponha que os requisitos gerais indiquem o corpo de prova retangular tipo placa, com 40 mm de largura útil, espessura plena e base de 200 mm.

  1. Quem define o quê. A A36 dá os limites: escoamento mínimo de 250 MPa, resistência de 400 a 550 MPa e alongamento mínimo de 20 % em 200 mm (23 % em 50 mm). Para chapa com mais de 600 mm de largura, a nota da tabela da A36 reduz o alongamento exigido em 2 pontos percentuais: 18 % em 200 mm. A A6/A6M dá a quantidade de ensaios e a orientação; a A370, o método.
  2. Área medida. Largura de 40,10 mm e espessura de 12,62 mm: S0 = 40,10 × 12,62 = 506,06 mm².
  3. Forças esperadas. Escoamento mínimo: 250 × 506,06 = 126,5 kN. Força máxima entre 400 × 506,06 = 202,4 kN e 550 × 506,06 = 278,3 kN.
  4. Resultado. Escoamento lido no pico antes do patamar: 156,4 kN, ou 156.400 / 506,06 = 309,05, arredondado a 309 MPa (atende). Força máxima: 236,8 kN, ou 236.800 / 506,06 = 467,93, arredondado a 468 MPa (atende). Distância final entre as marcas: 241,0 mm, alongamento (241,0 − 200) / 200 × 100 = 20,5 % em 200 mm (atende os 18 %).
  5. Relatório. Registra a orientação do corpo de prova, a base ("20,5 % em 200 mm"), o método de escoamento usado e a edição da A370.

Capacidade da máquina. O limite superior da A36 dá 278 kN de força máxima nesse corpo de prova. Uma máquina de 200 kN não serve, nem com o resultado típico de 237 kN. A faixa adequada é a de 300 kN (MBIOII-300-M2), que trabalharia a 79 % da capacidade no resultado medido e a 93 % no pior caso da especificação. Para chapa de 19 mm no mesmo tipo de corpo de prova (40 × 19 = 760 mm²), o pior caso passa para 550 × 760 = 418 kN, e a máquina precisa ser a de 600 kN. Se a especificação admitisse o corpo de prova tipo chapa, de 12,5 mm de largura, a área cairia para 12,5 × 12,62 = 157,75 mm² e a força máxima, para no máximo 550 × 157,75 = 86,8 kN, dentro da faixa de 100 a 200 kN. O tipo de corpo de prova, que vem da especificação, decide a máquina.

Exemplo 2: aceitação de Charpy pela regra dos três corpos de prova

Uma especificação pede energia média mínima de 27 J a −20 °C, em corpos de prova Charpy V de tamanho pleno. O piso individual é 2/3 × 27 = 18 J. Quatro lotes deram os conjuntos abaixo:

  • Conjunto A, 30, 25 e 28 J: média (30 + 25 + 28) / 3 = 27,7 J, que atinge 27 J; só um valor abaixo de 27 J; nenhum abaixo de 18 J. Aceito.
  • Conjunto B, 35, 17 e 32 J: média 84 / 3 = 28,0 J, mas 17 J fica abaixo do piso de 18 J. Reteste. Se os 3 corpos de prova do reteste derem 28, 30 e 27 J, todos atingem 27 J e o lote é aceito.
  • Conjunto C, 26, 25 e 33 J: média 84 / 3 = 28,0 J, mas dois valores abaixo de 27 J. Reteste.
  • Conjunto D, 24, 26 e 29 J: média 79 / 3 = 26,3 J, abaixo de 27 J. Reteste.

O gráfico abaixo mostra os quatro conjuntos contra a média mínima e o piso. Os conjuntos B e C mostram por que olhar só a média engana: os dois têm média de 28 J, acima do mínimo, e mesmo assim não passam de primeira.

Gráfico de barras com quatro conjuntos de três corpos de prova Charpy contra a média mínima de 27 J e o piso individual de 18 J: conjunto A (30, 25 e 28 J) aceito; B (35, 17 e 32 J) vai a reteste por um valor abaixo de 18 J; C (26, 25 e 33 J) vai a reteste por dois valores abaixo de 27 J; D (24, 26 e 29 J) vai a reteste pela média de 26,3 J
Exemplo do critério dos três corpos de prova: só o conjunto A é aceito de primeira

Exemplo 3: alongamento com fratura fora da metade central

Na chapa do exemplo 1, um segundo corpo de prova rompe a 35 mm de uma das marcas. A metade central da base de 200 mm vai de 50 a 150 mm, então a fratura ficou fora dela. O alongamento medido é de 17,0 %, abaixo dos 18 % exigidos: pela A370, o ensaio é descartado e repetido com novo corpo de prova, porque parte da deformação do pescoço ficou fora das marcas e o valor subestima o material. Se o mesmo corpo de prova tivesse dado 19,5 %, o resultado valeria sem novo ensaio, porque já atingiu o mínimo mesmo com a fratura desfavorável.

Exemplo 4: redução de área e registro de dureza convertida

Um redondo de d0 = 12,50 mm rompe com diâmetro mínimo du = 7,50 mm. A redução de área é Z = 1 − (7,50 / 12,50)² = 1 − 0,600² = 1 − 0,36 = 0,64, ou 64 %. Na mesma peça, a especificação pede dureza Brinell e o laboratório só tem Rockwell: mediu 38 HRC. Pela tabela de conversão para aço da A370, o valor relatado é 353 HB (38 HRC), com a escala medida entre parênteses.

A370, ISO e ABNT: equivalências por ensaio

Não existe uma norma ISO ou ABNT única que corresponda à A370. A A370 agrupa quatro ensaios que, na família ISO, estão em normas separadas, e o Brasil adota essas normas ISO como NBR ISO. A tabela relaciona as normas de cada ensaio, com as edições conferidas em 30/09/2026:

EnsaioASTM (via A370)ISOABNT
TraçãoE8/E8M-25ISO 6892-1:2019NBR ISO 6892-1:2024
DobramentoE290-22ISO 7438:2020NBR ISO 7438:2022
BrinellE10-23ISO 6506-1:2014NBR ISO 6506-1:2019
RockwellE18-25ISO 6508-1:2023NBR ISO 6508-1:2025
Impacto CharpyE23-25ISO 148-1:2016NBR ISO 148-1

"Equivalente" aqui quer dizer que as normas tratam do mesmo ensaio, não que deem o mesmo número. Na tração, a diferença de base entre a A370 (4D no redondo) e a ISO (5,65√S0, cerca de 5D) muda o alongamento do mesmo material, como mostra o guia E8 x ISO 6892-1. No Charpy, a ISO 148-1 admite dois raios de cutelo (2 mm e 8 mm), e a energia medida pode diferir entre eles. No dobramento, cada família define o pino a seu modo. A ISO 148-1:2016 está em revisão, com uma nova edição em preparação no comitê ISO/TC 164. Um laudo feito por uma família não comprova conformidade com especificação que exija a outra.

Erros comuns na aplicação da A370

Os erros mais frequentes não estão na máquina, e sim na leitura dos documentos e na preparação da amostra:

  • Procurar o limite de aceitação na A370. Os valores mínimos estão na especificação do produto.
  • Ignorar a especificação de requisitos gerais. Quantidade, local e orientação do corpo de prova de chapa A36 estão na A6/A6M, não na A36.
  • Não registrar a orientação. Alongamento e energia de impacto sem orientação declarada não podem ser comparados com o mínimo.
  • Comparar alongamentos de bases diferentes (50 mm contra 200 mm, ou A370 contra ISO) sem conversão, ou sem usar o anexo A6 entre redondo e plano.
  • Deixar a borda oxicortada ou cisalhada no corpo de prova, em vez de remover a zona afetada por usinagem.
  • Aceitar um alongamento baixo com fratura fora da metade central. Nesse caso o ensaio é repetido.
  • Julgar o Charpy só pela média. O critério também exige no máximo um valor abaixo da média mínima e nenhum abaixo de 2/3 dela.
  • Usar corpo de prova Charpy subdimensionado sem ajustar o requisito, ou aplicar a correspondência de tamanhos na região de transição como se fosse exata.
  • Relatar dureza convertida sem a escala medida. O formato correto é "353 HB (38 HRC)".
  • Citar a A370 para dureza Vickers. Ela não tem seção de Vickers; o método é a ASTM E92 ou a E384.
  • Tratar o Charpy como obrigatório em todo aço. Ele só entra quando a especificação ou o pedido o exige.
  • Citar a A370 sem edição, ou tratar a A370-24a como vigente.
  • Usar a A370 para metal não ferroso. Alumínio, cobre e titânio vão para o E8/E8M.
  • Trabalhar com PDF de terceiros. Além da questão de direito autoral, os arquivos que circulam costumam ser de edições antigas, com seções e anexos diferentes.

Equipamento para os ensaios da A370

Dos quatro ensaios da A370, dois são feitos na máquina universal de ensaios: a tração, com garras adequadas a cada produto, e o dobramento, com o dispositivo de dobramento montado no lugar das garras. A célula de carga mede a força, o extensômetro mede a deformação para o escoamento e o software calcula escoamento, resistência, alongamento e redução de área. A dureza e o impacto pedem equipamentos dedicados, o durômetro e o pêndulo Charpy, que a Biopdi não fabrica. Na linha M2 da Biopdi, a página do produto informa célula de carga classe 1 pela ABNT NBR ISO 7500-1:2023. O painel abaixo mostra a máquina, o papel de cada parte nos ensaios de produtos de aço e os dispositivos usados.

A máquina universal nos ensaios de produtos de aço

A linha M2 tem modelos de coluna simples, de 200 N a 10 kN, e de coluna dupla, de 5 kN a 1.000 kN. Na tração e no dobramento pela A370, cada parte tem uma função:

Máquinas universais de ensaios M2 da Biopdi de coluna simples (MBIOI-10-M2, 10 kN) e coluna dupla (MBIOII-50-M2, 50 kN)
  1. Travessa móvel traciona ou dobra o corpo de prova
  2. Célula de carga mede escoamento e força máxima, classe 1
  3. Garras de cunha, para roscados ou de rolos, conforme o produto
  4. Extensômetro mede a deformação para o escoamento
  5. Dispositivo de dobramento dobra sobre o pino especificado
  6. Software BioLab calcula as propriedades e gera o relatório

Dispositivos para os ensaios de produtos de aço

Os dispositivos abaixo são montados na mesma máquina, conforme o produto e o ensaio:

Garra cunha Biopdi para ensaio de tração
Garra cunha5, 20 e 200 kN
Garra Biopdi para corpos de prova roscados e parafusos
Garra para roscadoscorpos de prova roscados, parafusos e porcas
Garra de rolos Biopdi para ensaio de tração de fios
Garra de rolosfios
Dispositivo de dobramento Biopdi para ensaio de barras e chapas de aço
Dispositivo de dobramentodobramento sobre pinoEntra no lugar das garras, na mesma máquina universal.

Para chapas finas, fixadores pequenos e fios, a faixa indicada é a da máquina de 5 a 50 kN; para barras, perfis e corpos de prova tipo chapa de aço estrutural, a de 100 a 200 kN; para corpos de prova tipo placa e seções plenas maiores, os modelos autoportantes de 300 kN, 600 kN e 1.000 kN, como mostrou o exemplo 1. As garras e os pinos de dobramento dessas faixas são definidos com a configuração da máquina. O método de cada ensaio é configurado no software BioLab, que registra a curva e gera o relatório. Para configurar a máquina para os produtos do seu laboratório, peça um orçamento.

Normas citadas

A tabela lista as normas deste guia com a edição vigente, conferida na loja da ASTM e no catálogo da ISO em 30/09/2026 (A370, A1061/A1061M e A615/A615M reconferidas em 01/10/2026); as edições ABNT seguem o levantamento de normas do site:

NormaAssuntoEdição
ASTM A370ensaios mecânicos de produtos de açoA370-26
ASTM A1058os mesmos ensaios em unidades SIA1058-19
ASTM A36/A36Maço carbono estruturalA36/A36M-19
ASTM A6/A6Mrequisitos gerais de laminados estruturaisA6/A6M-26a
ASTM A615/A615Mvergalhão de aço carbono para concretoA615/A615M-26
ASTM A1061/A1061Mensaio de cordoalha de protensãoA1061/A1061M-26
ASTM A673/A673Mamostragem para Charpy de aço estruturalA673/A673M-25
ASTM E8/E8Mtração de materiais metálicosE8/E8M-25
ASTM E290 e ASTM E190dobramento; dobramento guiado de soldaE290-22 e E190-21
ASTM E10 e ASTM E18dureza Brinell e RockwellE10-23 e E18-25
ASTM E140tabelas de conversão de durezaE140-12b(2019)e1
ASTM E23impacto em barra entalhadaE23-25
ISO 6892-1 e ABNT NBR ISO 6892-1tração de metais2019 e 2024
ISO 7438 e ABNT NBR ISO 7438dobramento de metais2020 e 2022
ISO 148-1 e ABNT NBR ISO 148-1impacto Charpy2016 (em revisão); NBR conforme o catálogo ABNT
ABNT NBR 7480aço para armaduras de concreto armado2024
ABNT NBR ISO 7500-1verificação da força da máquina2023

Outros ensaios e referências técnicas

Referências técnicas relacionadas

Perguntas frequentes

O que é a ASTM A370?

É a norma da ASTM com os métodos e as definições para os ensaios mecânicos de produtos de aço, aço inoxidável e ligas relacionadas: tração, dobramento, dureza Brinell, Rockwell e portátil, e impacto Charpy, com dez anexos para produtos específicos. Ela diz como ensaiar; a especificação do produto diz o que ensaiar e qual valor atender.

Qual é a versão atual da ASTM A370?

É a A370-26, ativa desde 21/05/2026, com 51 páginas, edição vigente conferida na loja da ASTM em 01/10/2026. A A370-24a, que muitos certificados ainda citam, passou a histórica. A estrutura de seções e os dez anexos se mantiveram.

Qual a diferença entre a ASTM A370 e a ASTM E8?

A E8/E8M trata só de tração e vale para qualquer material metálico. A A370 vale só para produtos de aço e cobre quatro ensaios: tração, dobramento, dureza e impacto. Na tração, segue os mesmos princípios do E8 e acrescenta as regras de produto, como seção plena, orientação e o anexo de conversão de alongamento.

Qual é a norma ASTM para ensaio de tração?

Para metais em geral, é a ASTM E8/E8M (edição vigente E8/E8M-25). Para produtos de aço, a especificação costuma citar a ASTM A370, que segue os princípios do E8 e acrescenta as regras de produto. Plásticos usam a ASTM D638, e o equivalente internacional para metais é a ISO 6892-1.

Qual a norma ABNT para o ensaio de tração?

Para materiais metálicos em temperatura ambiente, é a ABNT NBR ISO 6892-1:2024, adoção brasileira da ISO 6892-1:2019. Para vergalhão, a NBR 7480 define os requisitos e remete a esse método.

Como é realizado o ensaio de tração pela A370?

O corpo de prova é retirado do produto na posição e na orientação que a especificação manda, medido, fixado nas garras de uma máquina universal e tracionado com força crescente até romper. A máquina registra força e deformação para calcular escoamento, resistência à tração, alongamento e redução de área, que são comparados com os limites da especificação.

O que é a norma ASTM A36?

É a especificação da ASTM para aço carbono estrutural em perfis, chapas e barras, usado em pontes, edifícios e estruturas em geral. Exige escoamento mínimo de 250 MPa e resistência à tração de 400 a 550 MPa. O método de ensaio vem da A370, e a quantidade, o local e a orientação dos corpos de prova, da A6/A6M.

Qual é a tensão de ruptura do aço ASTM A36?

A resistência à tração exigida do aço A36 é de 400 a 550 MPa (58 a 80 ksi), pela A36/A36M-19, em perfis, chapas e barras. O escoamento mínimo é de 250 MPa (36 ksi); só em chapas com mais de 200 mm de espessura a especificação o reduz para 220 MPa.

O que é a norma ASTM?

Norma ASTM é um documento técnico publicado pela ASTM International, organização americana fundada em 1898 que desenvolve normas por consenso entre fabricantes, usuários, laboratórios e governo. São mais de 12 mil normas de especificação, método de ensaio, prática e terminologia, usadas no mundo todo em contratos e certificados de materiais.

O que é ASTM D e o que significam as letras A, D e E nas normas ASTM?

ASTM D é a série de normas da ASTM para materiais diversos, como plásticos, borrachas e compósitos; a D638, por exemplo, é a tração de plásticos. A letra indica a área: A para metais ferrosos, como a A36 e a A370; B para metais não ferrosos; C para cerâmicos, concreto e materiais de construção; D para materiais diversos; e E para métodos e práticas gerais de ensaio, como a E8 e a E23.

Quem define quantos corpos de prova ensaiar e em que direção?

A especificação do produto ou a especificação de requisitos gerais da forma de produto, como a A6/A6M para chapas e perfis. A A370-26 diz expressamente que frequência de amostragem, localização e orientação do corpo de prova estão nesses documentos, não nela.

Como é o critério de aceitação do Charpy na A370?

Com média mínima especificada, ensaiam-se 3 corpos de prova do mesmo local. A média deve atingir o mínimo, no máximo um corpo de prova pode ficar abaixo da média mínima e nenhum pode ficar abaixo de 2/3 dela. Se uma condição falhar, faz-se um reteste de 3 corpos de prova, e cada um precisa atingir a média mínima.

O que é a ASME SA-370?

É a A370 adotada pelo Código ASME de Caldeiras e Vasos de Pressão, na Seção II, para os materiais de equipamentos sob pressão. O conteúdo técnico é o da edição ASTM que o Código adotou, que pode não ser a mais recente.

A A370 tem tabela de conversão de dureza?

Tem, para aço carbono e de baixa liga e, à parte, para aço inoxidável austenítico. Os valores são aproximados, e a norma manda relatar o convertido com o medido entre parênteses, como em 353 HB (38 HRC). Para outros metais, a conversão é pela ASTM E140.

Existe a ASTM A370 em português ou em PDF gratuito?

A ASTM vende a norma em inglês em store.astm.org. Os PDFs gratuitos que circulam são cópias não autorizadas e quase sempre de edições antigas, com seções diferentes da A370-26. Um guia como este explica o conteúdo, mas o laudo deve se basear na norma original na edição exigida.

Qual é a norma brasileira equivalente à A370?

Não há uma única. Cada ensaio tem a sua NBR ISO: NBR ISO 6892-1 para tração, NBR ISO 7438 para dobramento, NBR ISO 6506-1 e NBR ISO 6508-1 para dureza e NBR ISO 148-1 para Charpy. Para vergalhão, a referência brasileira é a NBR 7480. Elas tratam dos mesmos ensaios, mas não dão necessariamente o mesmo número.

Que máquina é necessária para os ensaios da A370?

A tração e o dobramento são feitos numa máquina universal de ensaios, com capacidade escolhida pela força máxima do maior corpo de prova: uma chapa A36 de 12,5 mm em corpo de prova tipo placa chega a 278 kN e pede 300 kN. A dureza pede durômetro e o Charpy, pêndulo de impacto, equipamentos dedicados que a Biopdi não fabrica.