NBR 7480: requisitos do aço CA-25, CA-50, CA-60 e CA-70, tabela e ensaios do vergalhão

A ABNT NBR 7480:2024 fixa os requisitos das barras e fios de aço para concreto armado: categorias CA-25, CA-50, CA-60 e CA-70, escoamento mínimo, relação fst/fy, alongamento, dobramento, massa linear e amostragem. Os métodos de ensaio vêm da ABNT NBR ISO 6892-1 (tração) e da ABNT NBR 17005 (dobramento).

Ensaios MecânicosPor Mardoqueu M. Costa
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A ABNT NBR 7480 é a norma brasileira que fixa os requisitos do aço para armaduras de concreto armado, e a edição em vigor é a ABNT NBR 7480:2024, quarta edição, de 27/03/2024. Ela define as barras CA-25, CA-50 e CA-70 e os fios CA-60 e exige de cada categoria um escoamento característico mínimo, uma relação mínima entre resistência e escoamento, alongamento, dobramento a 180° sem fissura, massa linear dentro da tolerância, conformação superficial, identificação e amostragem por lote. É uma norma de requisitos: diz quanto o aço precisa atingir, e os métodos de ensaio vêm de outras normas, como a ABNT NBR ISO 6892-1 (tração) e a ABNT NBR 17005 (dobramento).

Em resumo:

  • Edição vigente: ABNT NBR 7480:2024, 4ª edição, de 27/03/2024, 17 páginas, comitê ABNT/CB-028 (Siderurgia).
  • CA-50: fyk ≥ 500 MPa, fst/fy ≥ 1,10, alongamento ≥ 8 % em 10φ (ou 5 % na força máxima), dobramento sobre pino de 3φ (φ < 20 mm) ou 6φ (φ ≥ 20 mm).
  • Novidade em relação a 2007: a categoria CA-70, de 700 MPa, que a edição de 2007 não tinha.
  • Ensaio: massa linear, tração e dobramento, numa máquina universal com garras de cunha e dispositivo de dobramento.

Qual é a edição vigente da NBR 7480

O histórico da norma no catálogo da ABNT, distribuído pela Target, conferido em 30/09/2026, tem três marcos recentes: a nova edição de junho de 2022, uma errata de maio de 2023 e a Emenda 1, de março de 2024, que gerou a versão consolidada hoje vendida como "NBR 7480 de 03/2024", com situação vigente. O prefácio da edição de 2024, conferido no texto integral, diz que ela equivale ao conjunto da NBR 7480:2022 (versão corrigida de 31/05/2023) com a Emenda 1, de 27/03/2024, e que cancela e substitui a de 2022. Por isso ainda se vê a citação "2022 com a Emenda 1:2024": o conteúdo é o mesmo, mas a forma correta hoje é ABNT NBR 7480:2024.

O problema prático é a edição anterior, de 2007. Cópias integrais dela circulam em PDF e ainda aparecem entre os primeiros resultados de busca, e quem especifica ou aceita aço por esse texto aplica critérios que mudaram. As diferenças que mais afetam o laboratório são três:

  • Relação fst/fy do CA-50: passou de 1,08 para 1,10. Uma barra com relação 1,09 passava em 2007 e hoje é reprovada.
  • CA-70: a categoria de alta resistência não existia em 2007.
  • Método de dobramento: a edição de 2007 remetia à ABNT NBR 6153, cancelada; hoje o método é a ABNT NBR 17005:2021, específica para barras e fios de concreto armado.

A norma é vendida pela ABNT e por distribuidores autorizados. Os PDFs gratuitos que circulam são cópias não autorizadas e, na maioria, trazem a edição de 2007. Este guia explica os requisitos com palavras próprias e cita só os números essenciais, com a fonte onde foram conferidos; para aceitar ou recusar um lote, a referência é a norma comprada.

O que a NBR 7480 exige e o que ela não cobre

O título completo da norma é Aço destinado às armaduras para estruturas de concreto armado: Requisitos. Ela vale para a encomenda, a fabricação e o fornecimento de barras e fios, com ou sem revestimento superficial. Dentro desse escopo, fixa as categorias, as propriedades mecânicas, a geometria da superfície, a massa linear e suas tolerâncias, a identificação do produto e as regras de formação de lote e amostragem.

Três fronteiras evitam confusão. A NBR 7480 não é norma de ensaio: ela diz o valor mínimo de escoamento, mas o procedimento de tração está na ABNT NBR ISO 6892-1. Não é norma de projeto: o dimensionamento de estruturas de concreto armado é da ABNT NBR 6118, que usa o aço especificado pela NBR 7480. E não cobre aço de protensão: fios e cordoalhas de concreto protendido seguem a ABNT NBR 7482 e a ABNT NBR 7483. Telas soldadas têm norma própria, a ABNT NBR 7481.

Os métodos que a NBR 7480 chama estão na lista de normas complementares da ficha do catálogo:

  • ABNT NBR ISO 6892-1: ensaio de tração de materiais metálicos à temperatura ambiente.
  • ABNT NBR 17005: ensaio de dobramento de barras e fios para concreto armado.
  • ABNT NBR 7477: determinação do coeficiente de conformação superficial, que mede o efeito das nervuras na aderência.
  • ABNT NBR 7478: ensaio de fadiga de barras, quando exigido.
  • ISO 15630-1: métodos de ensaio internacionais para barras, fios e vergalhões, com as particularidades de corpo de prova inteiro e nervurado.

Além da norma técnica, há a obrigação legal: barras e fios de aço para concreto armado têm certificação compulsória pelo Inmetro, pela Portaria nº 139/2021, alterada pela Portaria nº 501/2024, que incluiu o CA-70. Os ensaios mecânicos da NBR 7480 são, portanto, rotina de siderúrgica no controle da produção certificada e de laboratório de controle tecnológico na obra.

Categorias do aço: CA-25, CA-50, CA-60 e CA-70

"CA" significa concreto armado, e o número é o escoamento característico na unidade antiga, kgf/mm². O CA-50 tem fyk de 50 kgf/mm², cerca de 500 MPa; não quer dizer 50 MPa. A norma separa dois produtos pela forma de fabricação. Barras têm diâmetro nominal de pelo menos 6,3 mm e saem só da laminação a quente, sem deformação mecânica depois dela; a Tabela B.1 da norma vai de 6,3 a 40 mm. O CA-25 é liso, e o CA-50 e o CA-70 são nervurados. Fios têm diâmetro nominal de até 10 mm e são obtidos do fio-máquina por trefilação ou laminação a frio; a Tabela B.2 vai de 3,4 a 10 mm. O fio é o CA-60, nervurado, usado sobretudo em estribos, telas e peças pré-moldadas. Entre 6,3 e 10 mm existem os dois produtos, e o que diz se a peça é barra ou fio é o processo, que a categoria identifica. Endireitar o aço fornecido em rolo é permitido e não muda essa classificação.

O processo explica a curva de cada um. A barra laminada a quente tem patamar de escoamento definido, seguido de encruamento até a força máxima. O fio trefilado já foi encruado a frio na fabricação: não tem patamar, escoa de forma contínua e alonga menos. Por isso o fy do CA-60 é lido pelo limite convencional de 0,2 %, e não num patamar. A tabela resume as quatro categorias:

CategoriaProduto e processoSuperfíciefyk mínimo
CA-25barra laminada a quentelisa250 MPa
CA-50barra laminada a quentenervurada500 MPa
CA-60fio trefilado ou laminado a frionervurada600 MPa
CA-70barra laminada a quente, alta resistêncianervurada700 MPa

O CA-70 é a categoria que a edição de 2007 não tinha. No catálogo da Gerdau, conferido em 30/09/2026, ele sai em 12,5 a 32 mm, com escoamento de 700 MPa, resistência de 770 MPa (relação 1,10) e alongamento de 8 % em 10φ. A vantagem de projeto é reduzir a taxa de armadura em peças muito carregadas, como pilares; a consequência para o laboratório é que, pelos mínimos, a mesma bitola escoa e rompe com força cerca de 40 % maior que a do CA-50 (770 contra 550 MPa).

Requisitos mecânicos: a tabela da NBR 7480

Quatro grandezas saem do ensaio de tração, e cada uma responde a uma pergunta diferente sobre a armadura.

  • Resistência de escoamento, fy: a força no limite de escoamento dividida pela área da seção. A norma manda adotar como área a de uma barra cilíndrica com a mesma massa por metro que a barra ensaiada, ou seja, a área que sai da pesagem. O mínimo é dado como valor característico, fyk. No lote identificado, cada exemplar da amostra precisa atingir o valor da tabela; a estimativa estatística do fyk só entra no lote sem identificação da corrida.
  • Resistência à tração, fst: a força máxima dividida pela mesma área, que corresponde ao limite de resistência à tração.
  • Relação fst/fy: mede a reserva de encruamento. Uma barra que escoa e quase não ganha resistência depois rompe logo em seguida; com relação mínima de 1,10, a armadura deforma e fissura o concreto de forma visível antes de romper.
  • Alongamento: A é o alongamento após a ruptura, medido numa base de 10 diâmetros (10φ); Agt é o alongamento total na força máxima, elástico mais plástico, medido no ponto de Fmáx. Os dois descrevem a ductilidade do aço, e para o CA-50 e o CA-70 a norma aceita um ou outro critério.

A tabela reúne os mínimos das quatro categorias. Todas as linhas foram conferidas na Tabela B.3 da ABNT NBR 7480:2024, no texto integral da norma:

Categoriafyk mínimofst mínimoAlongamento mínimo
CA-25250 MPa1,20 fyA = 18 % em 10φ
CA-50500 MPa1,10 fy (1,08 em 2007)A = 8 % em 10φ ou Agt = 5 %
CA-60600 MPa1,05 fy, com fst ≥ 660 MPaA = 5 % em 10φ
CA-70700 MPa1,10 fy (770 MPa)A = 8 % em 10φ ou Agt = 5 %

Massa linear, comprimento, superfície e defeitos

A massa por metro é o primeiro requisito verificado e o mais simples. A massa linear nominal vem da área nominal e da massa específica do aço, 7.850 kg/m³: m' = (π·φ²/4) × 7.850. Para 12,5 mm, a área é 122,7 mm² e a massa, 0,963 kg/m. Na amostra, pesa-se um pedaço de comprimento conhecido, calcula-se a massa por metro e compara-se o desvio em relação à nominal com a tolerância da bitola.

A massa existe como requisito porque mostra se a barra tem o aço que a bitola promete: quem projeta conta com a seção nominal, e a pesagem confere essa seção ao longo de todo o comprimento, nervuras incluídas. Os valores das barras, conferidos na Tabela B.1 da ABNT NBR 7480:2024, são:

Bitola φ (mm)Área nominal (mm²)Massa nominal (kg/m)Tolerância de massa
6,331,20,245±6 %
8,050,30,395±6 %
10,078,50,617±6 %
12,5122,70,963±6 %
16,0201,11,578±5 %
20,0314,22,466±5 %
22,0380,12,984±4 %
25,0490,93,853±4 %
32,0804,26,313±4 %
40,01.256,69,865±4 %

Os fios CA-60 da Tabela B.2, de 3,4 a 10 mm, têm todos a tolerância de massa de ±6 %. O comprimento também tem tolerância: barras e fios retos são fornecidos em 12 m, com ±0,7 %, ou seja, ±84 mm; outros comprimentos são combinados na encomenda, com ±1 %.

A superfície é o outro requisito geométrico. O CA-25 é liso, sem nervura de nenhum tipo. O CA-50, o CA-70 e o fio CA-60 são nervurados: nervuras transversais oblíquas, que fazem o apoio mecânico no concreto, e pelo menos duas nervuras longitudinais contínuas e diametralmente opostas, que impedem a barra de girar dentro dele. Para as barras CA-50 e CA-70, o item 4.2.1 da norma fixa quatro medidas das nervuras transversais:

  • Ângulo β: entre o eixo da nervura e o eixo da barra, de 45° a 75°.
  • Altura média h: pelo menos 4 % do diâmetro nas barras de 10 mm ou mais, e 2 % nas menores. Numa barra de 16 mm, h ≥ 0,64 mm.
  • Espaçamento médio e: de 50 % a 80 % do diâmetro, medido ao longo de uma mesma linha da superfície. Na barra de 16 mm, de 8,0 a 12,8 mm.
  • Projeção: a soma das nervuras transversais projetadas na seção cobre pelo menos 85 % do perímetro nominal: na barra de 16 mm, 42,8 dos 50,3 mm. Se a transversal encosta na longitudinal, o requisito é considerado atendido.

A medição segue o item 6.6. O espaçamento médio é o comprimento ocupado por 10 espaços seguidos, de crista a crista, dividido por 10. A altura média sai de 10 nervuras não sucessivas de cada lado da barra, cada uma medida em três pontos: no meio e a um quarto e três quartos do seu comprimento. O esquema abaixo mostra na vista lateral o ângulo, o espaçamento e esses três pontos, e na seção a projeção das nervuras no perímetro:

Esquema de uma barra nervurada em vista lateral e em seção: nervuras transversais oblíquas com ângulo β de 45° a 75° em relação ao eixo, espaçamento e de 50 % a 80 % do diâmetro, duas nervuras longitudinais opostas com folga junto às transversais, altura h de pelo menos 4 % do diâmetro (2 % abaixo de 10 mm) medida a um quarto, metade e três quartos da nervura, e projeção das transversais de pelo menos 85 % do perímetro
Esquema da barra nervurada com os limites de geometria da NBR 7480: ângulo, espaçamento, altura e projeção das nervuras transversais

O efeito das nervuras na aderência é quantificado pelo coeficiente de conformação superficial, η, determinado pela ABNT NBR 7477. Os mínimos estão na Tabela B.3: η ≥ 1,0 nas bitolas abaixo de 10 mm e η ≥ 1,5 nas de 10 mm ou mais, para o CA-50, o CA-60 e o CA-70. O CA-25, liso, tem η = 1 em todas as bitolas, e os fios CA-60 da série fina (3,4 a 4,2 mm) também adotam η = 1, sem ensaio. A NBR 6118 usa esse coeficiente no cálculo da ancoragem. A aderência em si é medida em outros ensaios, descritos em ensaio de aderência e ensaio de arrancamento.

Por fim, o aço não pode ter defeitos que prejudiquem o uso: esfoliação, corrosão, manchas de óleo, redução de seção ou fissuras transversais. A oxidação superficial é tolerada se não comprometer a geometria; o critério prático da norma é que, esfregada com pano grosso ou escova, ela saia sem deixar sinal de corrosão. Na dúvida, o caminho é ensaiar as propriedades mecânicas.

Identificação, lotes e certificado de qualidade

As barras nervuradas e os fios nervurados trazem marcas de laminação em relevo, legíveis, com o nome ou a marca do produtor, a categoria e o diâmetro nominal, de modo que um pedaço cortado na obra ainda diz de onde veio. A norma lista o que a marca precisa informar, mas não define desenho nem código. O CA-25, liso, é identificado por etiqueta com as mesmas informações. Cada nota fiscal vem acompanhada de certificado de qualidade com o produto, a bitola, a massa total, a norma, a categoria e os resultados da corrida ou do lote: escoamento, resistência, relação fst/fy, alongamento e dobramento.

A aceitação é feita por lote, e quem decide o recebimento é o comprador; a inspeção da norma não trata do controle de produção da siderúrgica. Um lote reúne barras ou fios de mesma procedência, categoria, diâmetro, revestimento e geometria, com no máximo 30 t, e de cada lote sai uma amostra aleatória de exemplares com pelo menos 1,5 m. A regra se divide em dois casos:

  • Lote identificado, rastreável até a produção: amostra de 3 exemplares, e cada um precisa atender à Tabela B.3; se algum falhar, a contraprova única usa 6 novos exemplares.
  • Lote não identificado, sem a corrida conhecida: a massa máxima do lote cai para o valor da Tabela B.4, por exemplo 10 t no CA-50 de 12,5 mm e 20 t no de 25 mm. A amostra tem 6 exemplares, cada um precisa atender, e o conjunto ainda passa por um estimador estatístico do fyk; a contraprova usa 12 novos exemplares.

Antes da tração e do dobramento, o lote também precisa atender aos requisitos de defeitos, massa e marcação. O fluxograma abaixo mostra os dois caminhos, com a amostra e a contraprova de cada um; a fórmula do estimador e os parâmetros m e ψ que aparecem no ramo da direita são explicados em "Como interpretar a norma":

Fluxograma da aceitação de um lote de até 30 t pela NBR 7480: lote identificado avaliado com 3 exemplares e contraprova de 6; lote não identificado, limitado pela Tabela B.4, avaliado com 6 exemplares e o estimador fyk,est com m = 3 e ψ = 0,92, e contraprova de 12 com m = 6 e ψ = 0,99; saídas lote aprovado e lote reprovado
Esquema da aceitação do lote: identificado com 3 exemplares e contraprova de 6, não identificado com 6 exemplares, estimador do fyk e contraprova de 12

A contraprova é única: se ela atende integralmente, o lote é aprovado; se falha, o lote é reprovado. O texto da norma dá margem a duas leituras sobre massa e marcação, porque um item reprova o lote direto por esses requisitos e outro concede contraprova a qualquer requisito de aprovação. A leitura prudente é fazer a contraprova e reprovar o lote se ela também falhar. O exemplo 4, adiante, aplica os dois critérios a um lote de 6 exemplares.

Soldabilidade, aderência e fadiga: requisitos fora do recebimento

Três requisitos da NBR 7480 não entram na inspeção de rotina de cada lote. A soldabilidade só vale quando o comprador a pede, e aí segue o Anexo C, normativo. Ele limita a composição química na análise de panela a C ≤ 0,35 %, Mn ≤ 1,50 %, P e S ≤ 0,050 % e Si ≤ 0,50 %, e o carbono equivalente a CE ≤ 0,55 %, com CE = C + Mn/6 + (Cr + V + Mo)/5 + (Cu + Ni)/15. Na análise feita no próprio produto, a norma admite pequenas tolerâncias sobre esses limites, de +0,04 no CE, e a identificação da barra soldável fica a critério do produtor. Ou seja, "CA-50 soldável" não é garantia padrão: é requisito de encomenda.

A aderência é ensaio de caracterização, não de recebimento. O fabricante determina o η por série e categoria a cada três anos, alternando os diâmetros ensaiados, e apresenta os resultados ao comprador. Para o CA-50 e o CA-70, o resultado vale para geometrias semelhantes, com tolerância de 10 % nas medidas lineares e nos ângulos. A fadiga, pela ABNT NBR 7478, também não é ensaio de recebimento e só é feita quando o comprador a solicita.

Como verificar uma amostra: massa, tração e dobramento

Na prática, aplicar a NBR 7480 a uma amostra é percorrer três etapas em ordem, cada uma com seu critério e sua norma de método. A ordem não é arbitrária: a massa é conferida antes, porque é o ensaio mais barato e porque uma barra fora da tolerância de massa é reprovada mesmo que passe na tração. O fluxograma abaixo mostra as três etapas para o CA-50, com o critério de cada uma e a norma que descreve o procedimento.

Fluxograma da verificação de uma amostra de vergalhão CA-50 pela NBR 7480 em três etapas: massa linear com tolerância de ±6, ±5 ou ±4 % conforme a bitola; tração com fy de pelo menos 500 MPa, fst/fy de pelo menos 1,10 e alongamento de 8 % em 10φ ou Agt de 5 %; dobramento a 180° sobre pino de 3φ ou 6φ sem fissura
Verificação de uma amostra de CA-50: massa linear, tração e dobramento, com o critério e a norma de método de cada etapa

Tração do vergalhão

O procedimento geral, com velocidade de ensaio, leitura da curva e cálculo das propriedades, está no artigo sobre o ensaio de tração, e a leitura do patamar e do encruamento, no diagrama tensão-deformação. O que muda no vergalhão são os pontos em que a NBR 7480 e a ISO 15630-1 se afastam do corpo de prova usinado:

  1. Corpo de prova inteiro. A barra é ensaiada como sai da produção: a NBR 7480 proíbe o corpo de prova usinado. Cortar sem aquecer e não soldar no trecho útil são cuidados de preparação, para não alterar o aço que se quer medir.
  2. Área pela massa. As tensões são calculadas com a área de um cilindro de mesma massa por metro que a barra: A = m' / 7.850, com m' em kg/m e A em m². Medir diâmetro sobre as nervuras não faz parte do cálculo.
  3. Base de medida de 10φ. O alongamento após ruptura é medido entre marcas afastadas de 10 diâmetros: 125 mm numa barra de 12,5 mm, 160 mm numa de 16 mm. O Agt é lido com extensômetro no ponto de força máxima ou por marcas, como prevê a ISO 15630-1.
  4. Garras de cunha. As garras precisam segurar a nervura sem escorregar e sem provocar ruptura no mordente. Uma barra que rompe dentro da garra ou junto dela não dá um alongamento representativo.
  5. Temperatura. O ensaio é feito à temperatura ambiente, de 10 °C a 35 °C, faixa da ABNT NBR ISO 6892-1.
  6. Resultado. Calculam-se fy, fst, a relação fst/fy e o alongamento, e compara-se cada um com a linha da categoria.

No CA-50 laminado a quente, o fy é lido no patamar de escoamento, pelo limite superior. No CA-60, sem patamar, usa-se a tensão a 0,2 % de deformação permanente. A norma admite ainda, como alternativa, a tensão sob carga a 0,5 % de deformação. A diferença entre esses três critérios, e qual prevalece, está na seção "Como interpretar a norma".

Dobramento do vergalhão

O dobramento verifica se a barra aguenta ser dobrada como será na obra, em estribos e ganchos, sem trincar. O corpo de prova é dobrado a 180° em volta de um pino cujo diâmetro é um múltiplo da bitola, e o critério é não haver ruptura nem fissura na face tracionada, a externa da dobra.

O método é o da ABNT NBR 17005:2021. Ela aceita máquina de tração ou compressão, mesa dobradeira ou outro equipamento que reproduza o princípio, em dois arranjos: dois suportes e um cutelo, ou um pino com apoio fixo e apoio móvel que enrola a barra. O corpo de prova é a barra como fornecida, sem usinar; o ensaio não pode ser interrompido até as extremidades ficarem paralelas; e a face externa é examinada a olho nu ou com a visão corrigida. A NBR 17005 ainda remete à tabela de pinos da edição de 2007 da NBR 7480, e o que vale hoje é a Tabela B.3 da edição de 2024. A distância entre suportes, os tipos de dobramento e o dobramento de soldas estão no artigo sobre o ensaio de dobramento.

Para o CA-50, o pino é de 3φ nas barras com menos de 20 mm e de 6φ nas de 20 mm ou mais, pela Tabela B.3 da edição de 2024. O CA-70 segue a mesma regra, 3φ abaixo de 20 mm e 6φ a partir de 20 mm. O CA-25, mais dúctil, usa pinos menores (2φ e 4φ), e o fio CA-60, 5φ. Na foto, barras nervuradas retas e três corpos de prova já dobrados a 180° em volta de um pino: a face externa da dobra sem fissuras é o que o ensaio de dobramento verifica.

Barras de aço nervuradas retas ao lado de três corpos de prova dobrados a 180 graus em volta de um pino, sem fissuras na dobra
Vergalhões nervurados e corpos de prova do ensaio de dobramento, sem fissuras na face externa da dobra

O pino de ensaio não é o pino de obra. A NBR 6118 manda dobrar as barras no canteiro sobre pinos maiores que os do ensaio, então o ensaio de liberação é mais severo que a dobra real, e é essa margem que o requisito garante.

Como interpretar a norma

A NBR 7480 é curta e escrita em forma de requisito, sem justificar as escolhas. Os pontos abaixo são os que mais geram leitura errada no laboratório e na obra, com a razão física ou estatística de cada um.

Por que a área vem da massa, e não do paquímetro?

O item 6.5.3 manda calcular as tensões com a área de um cilindro de mesma massa por metro que a barra, A = m' / 7.850. A barra nervurada não tem um diâmetro único, e o paquímetro lê um valor que depende de onde apoia; a massa integra a seção inteira e dá uma área única e reproduzível. Numa barra de 12,5 mm que pese 0,960 kg/m, a pesagem dá 122,3 mm²; um paquímetro que lesse 13,5 mm sobre as nervuras daria 143,1 mm², 17 % a mais. Com uma força de escoamento de 64,2 kN, o fy cairia de 525 para 449 MPa e reprovaria um aço bom. A tensão calculada já é a do aço real, e quem pega a barra fina demais é o requisito de massa. A ISO 15630-1 usa a área nominal quando a norma do produto não diz outra coisa; aqui a NBR 7480 diz.

Se o escoamento é característico, por que cada barra é julgada sozinha?

O fyk é o valor característico: aquele abaixo do qual fica só uma pequena fração da produção. Com 3 exemplares não há como estimar essa fração, e no lote identificado a norma troca a estatística por uma exigência mais severa: cada exemplar atinge o valor da Tabela B.3, e a rastreabilidade da corrida cobre o resto. No lote não identificado, cada um dos 6 exemplares atende e o conjunto ainda passa pelo estimador fyk,est = 2·(fy1 + … + fy(m−1)) / (m − 1) − fym, com os resultados em ordem crescente, m = 3 para 6 exemplares e m = 6 para 12. Com m = 3, a fórmula vira fy1 + fy2 − fy3: a média dos dois menores resultados menos a distância entre o terceiro e essa média. Quanto mais espalhado o fundo da amostra, mais o estimador cai, até o piso ψ·fy1, com ψ = 0,92 para 6 exemplares e 0,99 para 12. Por isso uma amostra toda acima de 500 MPa ainda pode reprovar, como no exemplo 4.

Qual escoamento vale: limite superior, 0,2 % ou 0,5 %?

A barra laminada a quente mostra um pico de força antes do patamar, o limite superior, seguido de uma queda e de um trecho quase plano, o limite inferior. A nota da Tabela B.3 manda tomar o superior. O fio CA-60, encruado a frio, não tem patamar, e o escoamento é convencional: a tensão que deixaria 0,2 % de deformação permanente, obtida por uma paralela ao trecho elástico. A alternativa de 0,5 % sob carga lê a tensão quando a deformação total, elástica mais plástica, chega a 0,5 %, sem traçar a paralela. A 600 MPa a parte elástica é de cerca de 0,3 % (600 / 200.000), então os dois critérios ficam próximos, mas não são iguais; se divergirem, prevalece o de 0,2 %, e o relatório diz qual foi usado.

O alongamento é A em 10φ ou Agt?

A é o alongamento depois da ruptura, entre marcas afastadas de 10φ. Ele inclui a estricção, concentrada perto da fratura, e por isso depende da base: fixar 10φ torna o valor comparável entre bitolas. O Agt é o alongamento total na força máxima, antes da estricção, e mede a deformação uniforme que a barra entrega sem perder força, que é a ductilidade que interessa à peça. Para o CA-50 e o CA-70 a Tabela B.3 aceita um ou outro; o CA-25 e o CA-60 só têm requisito de A.

O que significa o número do "CA-50"?

É o escoamento característico em kgf/mm², a unidade antiga. A nota da Tabela B.3 admite, para efeitos práticos, 1 MPa ≈ 0,1 kgf/mm². A conversão exata é 1 kgf/mm² = 9,81 MPa, então 50 kgf/mm² são 490 MPa, e o requisito em MPa é 500, um pouco acima. O erro de leitura mais comum é tratar o número como resistência à tração: os 500 MPa do CA-50 e os 600 MPa do CA-60 são escoamento, e quem os chama de "resistência mínima" compara a força máxima do ensaio com o valor errado e esquece a relação fst/fy.

Por que o pino de dobramento cresce com a bitola?

Na dobra, a face externa estica ε = φ / (D + φ), com a linha neutra no meio da barra. Com o pino proporcional à bitola, a deformação não depende do tamanho: 3φ impõe 25 % a qualquer barra. Passar de 3φ para 6φ a partir de 20 mm, portanto, reduz a deformação de 25 % para cerca de 14 %. A norma não explica a escolha; o efeito é que a barra grossa, com nervuras mais altas cuja base concentra deformação, é ensaiada numa dobra menos severa. Entre categorias vale a ductilidade: o CA-25, com alongamento mínimo de 18 %, dobra em 2φ; o CA-50 e o CA-70, com 8 %, em 3φ; o fio CA-60, com 5 %, em 5φ. A matriz abaixo reúne os pinos da Tabela B.3 com a deformação de cada um e desenha em escala dois pinos do CA-50, de 37,5 mm e de 150 mm:

Matriz dos pinos de dobramento da NBR 7480 por categoria e bitola: CA-25 2φ e 4φ, CA-50 3φ e 6φ, CA-60 5φ, CA-70 3φ e 6φ, com a deformação teórica na face externa de 33, 20, 25, 14 e 17 %, e o desenho em escala de uma barra de 12,5 mm dobrada sobre pino de 37,5 mm e de uma de 25 mm sobre pino de 150 mm
Esquema dos pinos de dobramento por categoria e bitola, com a deformação na face externa e dois pinos do CA-50 em escala

O que o η diz sobre a aderência?

O η é um número sem unidade que expressa quanto a superfície da barra contribui para a aderência, e a barra lisa é a referência, com η = 1. Na barra lisa, a força passa para o concreto por adesão e atrito; na nervurada, as nervuras transversais se apoiam no concreto e fazem a transferência mecânica, e é essa contribuição que o η quantifica. O mínimo sobe para 1,5 a partir de 10 mm, a mesma bitola em que a altura mínima da nervura dobra, de 2 % para 4 % do diâmetro: a geometria do item 4.2.1 garante na produção o η que o ensaio da NBR 7477 confirma. Por isso o η não é medido em cada lote; a geometria pode ser conferida na amostra, e o ensaio fica com o fabricante.

Exemplos resolvidos

Os quatro exemplos aplicam os requisitos do CA-50. Os três primeiros seguem, barra a barra, a ordem do fluxograma de verificação: um caso aprovado em todas as etapas e dois reprovados, um pela massa e outro pela relação fst/fy. O quarto julga um lote sem identificação pelo estimador do fyk.

Exemplo 1: barra CA-50 de 12,5 mm aprovada

Um pedaço de 0,500 m pesa 0,480 kg. No ensaio de tração, a força de escoamento é 64,2 kN e a força máxima, 75,0 kN. A base de medida é L0 = 10φ = 125 mm e, depois da ruptura, a distância entre as marcas é Lu = 140,5 mm.

  • Massa: m' = 0,480 / 0,500 = 0,960 kg/m. Desvio = (0,960 − 0,963) / 0,963 = −0,3 %, dentro de ±6 %.
  • Área pela massa: A = 0,960 / 7.850 = 122,3 mm², um pouco abaixo da nominal de 122,7 mm², porque a barra pesou 0,3 % a menos.
  • Escoamento: fy = 64.200 / 122,3 = 525 MPa, acima de 500 MPa.
  • Resistência: fst = 75.000 / 122,3 = 613 MPa; relação 613 / 525 = 1,17, acima de 1,10.
  • Alongamento: A = (140,5 − 125) / 125 × 100 = 12,4 %, acima de 8 %.
  • Dobramento: φ < 20 mm, então pino de 3φ = 37,5 mm, dobra a 180° sem fissura.

A barra atende a todos os requisitos. A aceitação do lote, porém, segue a regra de amostragem da norma: num lote identificado, os três exemplares precisam atender, e uma barra aprovada não prova sozinha que o lote atende.

Exemplo 2: barra de 16 mm reprovada pela massa

Um pedaço de 1,000 m de barra CA-50 de 16 mm pesa 1,490 kg.

  • m' = 1,490 kg/m, contra a nominal de 1,578 kg/m.
  • Desvio = (1,490 − 1,578) / 1,578 × 100 = −5,6 %, fora da tolerância de ±5 % da bitola de 16 mm.

O exemplar é reprovado antes da tração, e o lote vai para a contraprova. A massa é requisito próprio de conformidade porque quem calcula a armadura conta com a seção nominal: 5,6 % a menos de aço é 5,6 % a menos de força na estrutura, mesmo que o material seja bom. A tração não pegaria esse defeito. Como a tensão é calculada com a área que sai da própria massa, esta barra, se o aço for bom, dá fy acima de 500 MPa; quem mostra a falta de seção é a pesagem.

Exemplo 3: relação fst/fy abaixo do mínimo

Uma barra CA-50 de 10 mm dá fy = 560 MPa e fst = 600 MPa.

  • Relação: 600 / 560 = 1,07, abaixo de 1,10: reprovada, apesar de resistente.
  • Com fst = 610 MPa, a relação seria 610 / 560 = 1,089: passaria no 1,08 da edição de 2007 e continua reprovada na edição vigente.

O exemplo mostra por que a edição importa: o mesmo relatório de ensaio leva a decisões opostas conforme o texto usado.

Exemplo 4: lote não identificado com 6 exemplares

Um lote de CA-50 de 12,5 mm chega sem identificação da corrida. Pela Tabela B.4, ele pode ter no máximo 10 t. Os 6 exemplares passam na massa, no dobramento, na relação fst/fy e no alongamento, e os escoamentos, em ordem crescente, são 508, 512, 540, 546, 551 e 566 MPa.

  • Resultado individual: todos acima de 500 MPa. Cada exemplar atende.
  • Estimador, com m = 3: fyk,est = fy1 + fy2 − fy3 = 508 + 512 − 540 = 480 MPa.
  • Piso: ψ·fy1 = 0,92 × 508 = 467 MPa. O estimador, 480 MPa, está acima do piso e vale.
  • Decisão: 480 < 500 MPa. O lote não atende e vai para a contraprova com 12 novos exemplares, julgada com m = 6 e ψ = 0,99.

Se os três menores resultados fossem 520, 524 e 530 MPa, o estimador daria 520 + 524 − 530 = 514 MPa, e o lote seria aprovado. A diferença é a dispersão no fundo da amostra: dois resultados colados no mínimo e um terceiro bem acima sugerem que a produção tem uma parcela abaixo de 500 MPa que a amostra não pegou. Num lote identificado, a amostra seria de 3 exemplares, e bastaria que cada um passasse dos 500 MPa.

Força de ruptura por bitola e capacidade da máquina

A máquina se escolhe pela maior força que o ensaio vai exigir, que é a força máxima da maior bitola ensaiada: Fmáx = fst × área nominal. A norma dá só o mínimo, 550 MPa no CA-50 (1,10 × 500); barras reais rompem acima disso, e 600 MPa é uma referência prudente para dimensionar. O gráfico abaixo compara, para cada bitola do CA-50, a força máxima mínima e a força a 600 MPa com as capacidades de máquina de 200, 300, 600 e 1.000 kN.

Gráfico de barras da força para romper um vergalhão CA-50 por bitola, com a força máxima mínima a 550 MPa e a força a 600 MPa: 10 mm 43 e 47 kN, 12,5 mm 67 e 74 kN, 16 mm 111 e 121 kN, 20 mm 173 e 188 kN, 25 mm 270 e 295 kN, 32 mm 442 e 483 kN, 40 mm 691 e 754 kN, com linhas de capacidade de máquina em 200, 300, 600 e 1.000 kN
Força esperada por bitola do CA-50 contra as capacidades de máquina de 200, 300, 600 e 1.000 kN

A tabela traz os mesmos números e o modelo indicado, com a regra editorial de trabalhar até cerca de 80 % da capacidade nominal para ter folga sobre barras mais resistentes que a referência:

BitolaFy mínima (500 MPa)Fmáx a 600 MPaMáquina indicada
10 mm39,3 kN47,1 kN100 a 200 kN
12,5 mm61,4 kN73,6 kN100 a 200 kN
16 mm100,5 kN120,6 kN200 kN
20 mm157,1 kN188,5 kN300 kN
25 mm245,4 kN294,5 kN600 kN
32 mm402,1 kN482,5 kN600 kN (80 %) ou 1.000 kN
40 mm628,3 kN754,0 kN1.000 kN

Exemplo 5: escolha da máquina para 16, 25 e 32 mm

Um laboratório vai ensaiar CA-50 de 16, 25 e 32 mm e, eventualmente, CA-70 de 32 mm. Qual capacidade atende?

  • 16 mm: área 201,1 mm². A 600 MPa, Fmáx = 600 × 201,1 = 120.660 N, cerca de 121 kN, ou 60 % de uma máquina de 200 kN. Mesmo a 700 MPa (140,7 kN) fica em 70 %.
  • 25 mm: área 490,9 mm². A 600 MPa dá 295 kN, 98 % de uma máquina de 300 kN: sem folga. A indicada é a de 600 kN.
  • 32 mm: área 804,2 mm². A 600 MPa dá 483 kN, 80 % de 600 kN; a 700 MPa, 563 kN, 94 %. Para rotina com barras mais resistentes, 1.000 kN.
  • CA-70 de 32 mm: só o mínimo já é 770 × 804,2 = 619 kN, acima de 600 kN. Obrigatoriamente 1.000 kN.

Resposta: um laboratório que cobre até 32 mm, incluindo CA-70, precisa da máquina de 1.000 kN; se o CA-70 grosso estiver fora do escopo, a de 600 kN atende até 32 mm no limite dos 80 %. A garra e o dispositivo de dobramento acompanham a capacidade escolhida.

Erros comuns na aplicação da NBR 7480

Os erros mais frequentes não estão na máquina, e sim na leitura da norma e na preparação da amostra:

  • Usar a edição de 2007. Relação fst/fy de 1,08 no CA-50, ausência do CA-70 e método de dobramento cancelado.
  • Tratar o número da categoria como resistência à tração. Os 500 MPa do CA-50 e os 600 MPa do CA-60 são escoamento característico.
  • Medir o diâmetro com paquímetro sobre as nervuras. A seção real se confere pela massa linear, e é dela que sai a área usada para calcular a tensão.
  • Pular a pesagem. Uma barra fora da tolerância de massa é reprovada mesmo que passe na tração, como no exemplo 2.
  • Errar o pino. Usar 3φ numa barra de 25 mm, em que o pino é 6φ, dobra além do exigido e pode reprovar uma barra boa; o contrário aprova uma barra ruim. Também não se usa o pino de obra da NBR 6118 no ensaio de liberação.
  • Aquecer, soldar ou endireitar a quente o corpo de prova. O calor muda a microestrutura e o resultado deixa de representar o lote.
  • Aceitar ruptura na garra. O alongamento medido nesse caso não é representativo, e o ensaio precisa ser avaliado ou repetido.
  • Aprovar o lote por uma barra. A amostra é de 3 exemplares no lote identificado e de 6 no não identificado, e todos precisam passar; no não identificado, ainda vale o estimador do fyk.
  • Exigir aderência ou fadiga no recebimento. O η é caracterização trienal do fabricante, e a fadiga só entra quando o comprador a pede.
  • Aplicar a NBR 7480 a aço de protensão. Fios e cordoalhas seguem a NBR 7482 e a NBR 7483.
  • Subdimensionar a máquina. Dimensionar pela força mínima da norma, e não por uma referência de ruptura com folga, deixa a máquina sem margem para barras mais resistentes.

Máquina para os ensaios da NBR 7480

Os ensaios da NBR 7480 são feitos na máquina universal de ensaios: a tração com garras de cunha, que prendem a barra nervurada inteira, e o dobramento com o dispositivo de dobramento montado no lugar das garras, na mesma máquina. A célula de carga registra a força, o extensômetro mede o alongamento e o software calcula fy, fst e a relação entre eles. O painel abaixo mostra a máquina, o papel de cada parte nos ensaios do vergalhão e os dispositivos usados.

A máquina universal nos ensaios do vergalhão

A linha M2 tem modelos de coluna simples, de 200 N a 10 kN, e de coluna dupla, de 5 kN a 1.000 kN. Nos vergalhões, cada parte da máquina tem uma função:

Máquinas universais de ensaios M2 da Biopdi de coluna simples (MBIOI-10-M2, 10 kN) e coluna dupla (MBIOII-50-M2, 50 kN)
  1. Travessa móvel traciona a barra até a ruptura
  2. Célula de carga mede Fy e Fmáx, classe 1
  3. Garras de cunha prendem a barra nervurada inteira
  4. Extensômetro mede o alongamento e o Agt
  5. Dispositivo de dobramento dobra a barra sobre o pino
  6. Software BioLab calcula fy, fst e fst/fy

Dispositivos para os ensaios do vergalhão

Os dispositivos abaixo são montados na mesma máquina, conforme o ensaio:

Garra cunha Biopdi para ensaio de tração
Garra cunha5, 20 e 200 kN
Garra cunha pneumática Biopdi
Garra cunha pneumática50 e 200 kN
Dispositivo de dobramento Biopdi para ensaio de barras de aço
Dispositivo de dobramentodobramento a 180° sobre pino (NBR 17005)Entra no lugar das garras, na mesma máquina universal.

Para vergalhões até 16 mm, o modelo indicado é a máquina universal de coluna dupla de 100 a 200 kN (MBIOII-200-M2), cuja faixa de aplicação inclui vergalhões e que aceita as garras de cunha de 200 kN. Para bitolas maiores, os modelos autoportantes de 300 kN, 600 kN e 1.000 kN seguem a tabela de capacidade acima; as garras e os pinos de dobramento dessas faixas são definidos com a configuração da máquina. O software BioLab registra a curva força × deslocamento, calcula as propriedades e gera o relatório. Para configurar a máquina para as bitolas do seu laboratório, peça um orçamento.

Normas citadas

A tabela reúne as normas citadas neste guia, com a edição e a situação conferidas em 30/09/2026 no catálogo da ABNT (Target) e na lista de normas ISO usada pelo site:

NormaAssuntoEdição
ABNT NBR 7480aço para armaduras de concreto armado: requisitos2024 (vigente; equivale à 2022 corrigida com a Emenda 1)
ABNT NBR ISO 6892-1tração de materiais metálicos à temperatura ambiente2024, com errata de 07/2026
ISO 6892-1base internacional do método de tração2019
ABNT NBR 17005dobramento de barras e fios para concreto armado2021
ISO 15630-1métodos de ensaio de barras e fios para concreto armado2019
ABNT NBR 7477coeficiente de conformação superficial1982, confirmada em 2022
ABNT NBR 7478fadiga de barras para concreto armado2021
ABNT NBR 6118projeto de estruturas de concreto2023
ABNT NBR 7482 e NBR 7483fios e cordoalhas para concreto protendido2020 e 2021
ABNT NBR ISO 7500-1verificação da célula de carga da máquina2023

Outros ensaios e referências técnicas

Referências técnicas relacionadas

ASTM E8 x ISO 6892-1: ensaio de tração em metais, diferenças e requisitos (NBR ISO 6892-1 e A370)

A ASTM E8/E8M-25 e a ISO 6892-1:2019, adotada no Brasil como ABNT NBR ISO 6892-1:2024, regem o mesmo ensaio de tração de metais em temperatura ambiente. Elas diferem no comprimento de referência do corpo de prova (4D no E8, 5D no E8M e 5,65√S0 na ISO), no controle e na tolerância de velocidade, nos símbolos, no arredondamento e nas normas de máquina e extensômetro. Por isso o alongamento de uma não se compara direto com o da outra.

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Perguntas frequentes

O que é a NBR 7480?

É a norma da ABNT que fixa os requisitos do aço para armaduras de concreto armado: categorias CA-25, CA-50, CA-60 e CA-70, escoamento mínimo, relação entre resistência e escoamento, alongamento, dobramento, massa linear, conformação superficial, identificação e amostragem. A edição vigente é a ABNT NBR 7480:2024, que equivale à de 2022 corrigida com a Emenda 1.

Qual a última atualização da NBR 7480?

A ABNT NBR 7480:2024, quarta edição, de 27/03/2024. Ela consolida a edição de junho de 2022, a errata de maio de 2023 e a Emenda 1, de março de 2024. Laudos e especificações devem citar "ABNT NBR 7480:2024".

Quais os tipos de aço da NBR 7480?

Barras CA-25 (lisas), CA-50 e CA-70 (nervuradas), laminadas a quente, e fios CA-60, trefilados ou laminados a frio. O número indica o escoamento característico em kgf/mm²: 50 kgf/mm² equivalem a cerca de 500 MPa.

Qual a diferença entre CA-50 e CA-60?

O CA-50 é barra laminada a quente, com fyk de 500 MPa, patamar de escoamento e alongamento mínimo de 8 %. O CA-60 é fio encruado a frio, com fyk de 600 MPa, sem patamar e menos dúctil (alongamento mínimo de 5 %), usado sobretudo em estribos e telas.

O que é o aço CA-70?

É a barra nervurada de alta resistência, com fyk de 700 MPa, ausente da edição de 2007 e com certificação compulsória pela Portaria Inmetro nº 501/2024. Pela Tabela B.3 da norma, a relação fst/fy mínima é 1,10 (770 MPa para o fyk de 700), com alongamento de 8 % em 10φ ou Agt de 5 %, e o pino de dobramento é o mesmo do CA-50.

Qual a relação fst/fy mínima do CA-50?

1,10 na edição vigente; era 1,08 na edição de 2007. A relação garante reserva de encruamento, para que a armadura deforme e avise antes de romper.

Qual o pino de dobramento do CA-50?

3φ nas barras com menos de 20 mm e 6φ nas de 20 mm ou mais, com dobra a 180° sem ruptura nem fissura na face tracionada. O método é o da ABNT NBR 17005:2021.

Quanto pesa um metro de vergalhão de 12,5 mm e de 16 mm?

0,963 kg/m e 1,578 kg/m, com tolerâncias de ±6 % e ±5 %, pela Tabela B.1 da ABNT NBR 7480:2024. A massa nominal é a área nominal vezes 7.850 kg/m³.

Qual norma usar no ensaio de tração do vergalhão?

A NBR 7480 dá os limites, e o procedimento segue a ABNT NBR ISO 6892-1, com as particularidades de barra inteira e nervurada da ISO 15630-1. As tensões são calculadas com a área de um cilindro de mesma massa por metro que a barra, e a seção real é controlada pela massa linear.

Qual máquina é necessária para ensaiar vergalhão?

Depende da maior bitola. A 600 MPa, uma barra de 16 mm rompe perto de 121 kN, uma de 25 mm perto de 295 kN e uma de 32 mm perto de 483 kN. Uma máquina de 200 kN atende até 16 mm; 25 e 32 mm pedem 600 kN, e 40 mm ou CA-70 de 32 mm pedem 1.000 kN.

Onde baixar a NBR 7480 em PDF?

A norma é vendida pela ABNT e por distribuidores autorizados. Os PDFs gratuitos que circulam são cópias não autorizadas e, em geral, da edição de 2007, que tem critérios diferentes dos atuais.

A NBR 7480 vale para telas soldadas e aço de protensão?

Não. Telas soldadas seguem a ABNT NBR 7481; fios e cordoalhas de concreto protendido seguem a ABNT NBR 7482 e a ABNT NBR 7483. A NBR 7480 cobre as barras e os fios de concreto armado.