A ABNT NBR 7480 é a norma brasileira que fixa os requisitos do aço para armaduras de concreto armado, e a edição em vigor é a ABNT NBR 7480:2024, quarta edição, de 27/03/2024. Ela define as barras CA-25, CA-50 e CA-70 e os fios CA-60 e exige de cada categoria um escoamento característico mínimo, uma relação mínima entre resistência e escoamento, alongamento, dobramento a 180° sem fissura, massa linear dentro da tolerância, conformação superficial, identificação e amostragem por lote. É uma norma de requisitos: diz quanto o aço precisa atingir, e os métodos de ensaio vêm de outras normas, como a ABNT NBR ISO 6892-1 (tração) e a ABNT NBR 17005 (dobramento).
Em resumo:
- Edição vigente: ABNT NBR 7480:2024, 4ª edição, de 27/03/2024, 17 páginas, comitê ABNT/CB-028 (Siderurgia).
- CA-50: fyk ≥ 500 MPa, fst/fy ≥ 1,10, alongamento ≥ 8 % em 10φ (ou 5 % na força máxima), dobramento sobre pino de 3φ (φ < 20 mm) ou 6φ (φ ≥ 20 mm).
- Novidade em relação a 2007: a categoria CA-70, de 700 MPa, que a edição de 2007 não tinha.
- Ensaio: massa linear, tração e dobramento, numa máquina universal com garras de cunha e dispositivo de dobramento.
Qual é a edição vigente da NBR 7480
O histórico da norma no catálogo da ABNT, distribuído pela Target, conferido em 30/09/2026, tem três marcos recentes: a nova edição de junho de 2022, uma errata de maio de 2023 e a Emenda 1, de março de 2024, que gerou a versão consolidada hoje vendida como "NBR 7480 de 03/2024", com situação vigente. O prefácio da edição de 2024, conferido no texto integral, diz que ela equivale ao conjunto da NBR 7480:2022 (versão corrigida de 31/05/2023) com a Emenda 1, de 27/03/2024, e que cancela e substitui a de 2022. Por isso ainda se vê a citação "2022 com a Emenda 1:2024": o conteúdo é o mesmo, mas a forma correta hoje é ABNT NBR 7480:2024.
O problema prático é a edição anterior, de 2007. Cópias integrais dela circulam em PDF e ainda aparecem entre os primeiros resultados de busca, e quem especifica ou aceita aço por esse texto aplica critérios que mudaram. As diferenças que mais afetam o laboratório são três:
- Relação fst/fy do CA-50: passou de 1,08 para 1,10. Uma barra com relação 1,09 passava em 2007 e hoje é reprovada.
- CA-70: a categoria de alta resistência não existia em 2007.
- Método de dobramento: a edição de 2007 remetia à ABNT NBR 6153, cancelada; hoje o método é a ABNT NBR 17005:2021, específica para barras e fios de concreto armado.
A norma é vendida pela ABNT e por distribuidores autorizados. Os PDFs gratuitos que circulam são cópias não autorizadas e, na maioria, trazem a edição de 2007. Este guia explica os requisitos com palavras próprias e cita só os números essenciais, com a fonte onde foram conferidos; para aceitar ou recusar um lote, a referência é a norma comprada.
O que a NBR 7480 exige e o que ela não cobre
O título completo da norma é Aço destinado às armaduras para estruturas de concreto armado: Requisitos. Ela vale para a encomenda, a fabricação e o fornecimento de barras e fios, com ou sem revestimento superficial. Dentro desse escopo, fixa as categorias, as propriedades mecânicas, a geometria da superfície, a massa linear e suas tolerâncias, a identificação do produto e as regras de formação de lote e amostragem.
Três fronteiras evitam confusão. A NBR 7480 não é norma de ensaio: ela diz o valor mínimo de escoamento, mas o procedimento de tração está na ABNT NBR ISO 6892-1. Não é norma de projeto: o dimensionamento de estruturas de concreto armado é da ABNT NBR 6118, que usa o aço especificado pela NBR 7480. E não cobre aço de protensão: fios e cordoalhas de concreto protendido seguem a ABNT NBR 7482 e a ABNT NBR 7483. Telas soldadas têm norma própria, a ABNT NBR 7481.
Os métodos que a NBR 7480 chama estão na lista de normas complementares da ficha do catálogo:
- ABNT NBR ISO 6892-1: ensaio de tração de materiais metálicos à temperatura ambiente.
- ABNT NBR 17005: ensaio de dobramento de barras e fios para concreto armado.
- ABNT NBR 7477: determinação do coeficiente de conformação superficial, que mede o efeito das nervuras na aderência.
- ABNT NBR 7478: ensaio de fadiga de barras, quando exigido.
- ISO 15630-1: métodos de ensaio internacionais para barras, fios e vergalhões, com as particularidades de corpo de prova inteiro e nervurado.
Além da norma técnica, há a obrigação legal: barras e fios de aço para concreto armado têm certificação compulsória pelo Inmetro, pela Portaria nº 139/2021, alterada pela Portaria nº 501/2024, que incluiu o CA-70. Os ensaios mecânicos da NBR 7480 são, portanto, rotina de siderúrgica no controle da produção certificada e de laboratório de controle tecnológico na obra.
Categorias do aço: CA-25, CA-50, CA-60 e CA-70
"CA" significa concreto armado, e o número é o escoamento característico na unidade antiga, kgf/mm². O CA-50 tem fyk de 50 kgf/mm², cerca de 500 MPa; não quer dizer 50 MPa. A norma separa dois produtos pela forma de fabricação. Barras têm diâmetro nominal de pelo menos 6,3 mm e saem só da laminação a quente, sem deformação mecânica depois dela; a Tabela B.1 da norma vai de 6,3 a 40 mm. O CA-25 é liso, e o CA-50 e o CA-70 são nervurados. Fios têm diâmetro nominal de até 10 mm e são obtidos do fio-máquina por trefilação ou laminação a frio; a Tabela B.2 vai de 3,4 a 10 mm. O fio é o CA-60, nervurado, usado sobretudo em estribos, telas e peças pré-moldadas. Entre 6,3 e 10 mm existem os dois produtos, e o que diz se a peça é barra ou fio é o processo, que a categoria identifica. Endireitar o aço fornecido em rolo é permitido e não muda essa classificação.
O processo explica a curva de cada um. A barra laminada a quente tem patamar de escoamento definido, seguido de encruamento até a força máxima. O fio trefilado já foi encruado a frio na fabricação: não tem patamar, escoa de forma contínua e alonga menos. Por isso o fy do CA-60 é lido pelo limite convencional de 0,2 %, e não num patamar. A tabela resume as quatro categorias:
| Categoria | Produto e processo | Superfície | fyk mínimo |
|---|---|---|---|
| CA-25 | barra laminada a quente | lisa | 250 MPa |
| CA-50 | barra laminada a quente | nervurada | 500 MPa |
| CA-60 | fio trefilado ou laminado a frio | nervurada | 600 MPa |
| CA-70 | barra laminada a quente, alta resistência | nervurada | 700 MPa |
O CA-70 é a categoria que a edição de 2007 não tinha. No catálogo da Gerdau, conferido em 30/09/2026, ele sai em 12,5 a 32 mm, com escoamento de 700 MPa, resistência de 770 MPa (relação 1,10) e alongamento de 8 % em 10φ. A vantagem de projeto é reduzir a taxa de armadura em peças muito carregadas, como pilares; a consequência para o laboratório é que, pelos mínimos, a mesma bitola escoa e rompe com força cerca de 40 % maior que a do CA-50 (770 contra 550 MPa).
Requisitos mecânicos: a tabela da NBR 7480
Quatro grandezas saem do ensaio de tração, e cada uma responde a uma pergunta diferente sobre a armadura.
- Resistência de escoamento, fy: a força no limite de escoamento dividida pela área da seção. A norma manda adotar como área a de uma barra cilíndrica com a mesma massa por metro que a barra ensaiada, ou seja, a área que sai da pesagem. O mínimo é dado como valor característico, fyk. No lote identificado, cada exemplar da amostra precisa atingir o valor da tabela; a estimativa estatística do fyk só entra no lote sem identificação da corrida.
- Resistência à tração, fst: a força máxima dividida pela mesma área, que corresponde ao limite de resistência à tração.
- Relação fst/fy: mede a reserva de encruamento. Uma barra que escoa e quase não ganha resistência depois rompe logo em seguida; com relação mínima de 1,10, a armadura deforma e fissura o concreto de forma visível antes de romper.
- Alongamento: A é o alongamento após a ruptura, medido numa base de 10 diâmetros (10φ); Agt é o alongamento total na força máxima, elástico mais plástico, medido no ponto de Fmáx. Os dois descrevem a ductilidade do aço, e para o CA-50 e o CA-70 a norma aceita um ou outro critério.
A tabela reúne os mínimos das quatro categorias. Todas as linhas foram conferidas na Tabela B.3 da ABNT NBR 7480:2024, no texto integral da norma:
| Categoria | fyk mínimo | fst mínimo | Alongamento mínimo |
|---|---|---|---|
| CA-25 | 250 MPa | 1,20 fy | A = 18 % em 10φ |
| CA-50 | 500 MPa | 1,10 fy (1,08 em 2007) | A = 8 % em 10φ ou Agt = 5 % |
| CA-60 | 600 MPa | 1,05 fy, com fst ≥ 660 MPa | A = 5 % em 10φ |
| CA-70 | 700 MPa | 1,10 fy (770 MPa) | A = 8 % em 10φ ou Agt = 5 % |
Massa linear, comprimento, superfície e defeitos
A massa por metro é o primeiro requisito verificado e o mais simples. A massa linear nominal vem da área nominal e da massa específica do aço, 7.850 kg/m³: m' = (π·φ²/4) × 7.850. Para 12,5 mm, a área é 122,7 mm² e a massa, 0,963 kg/m. Na amostra, pesa-se um pedaço de comprimento conhecido, calcula-se a massa por metro e compara-se o desvio em relação à nominal com a tolerância da bitola.
A massa existe como requisito porque mostra se a barra tem o aço que a bitola promete: quem projeta conta com a seção nominal, e a pesagem confere essa seção ao longo de todo o comprimento, nervuras incluídas. Os valores das barras, conferidos na Tabela B.1 da ABNT NBR 7480:2024, são:
| Bitola φ (mm) | Área nominal (mm²) | Massa nominal (kg/m) | Tolerância de massa |
|---|---|---|---|
| 6,3 | 31,2 | 0,245 | ±6 % |
| 8,0 | 50,3 | 0,395 | ±6 % |
| 10,0 | 78,5 | 0,617 | ±6 % |
| 12,5 | 122,7 | 0,963 | ±6 % |
| 16,0 | 201,1 | 1,578 | ±5 % |
| 20,0 | 314,2 | 2,466 | ±5 % |
| 22,0 | 380,1 | 2,984 | ±4 % |
| 25,0 | 490,9 | 3,853 | ±4 % |
| 32,0 | 804,2 | 6,313 | ±4 % |
| 40,0 | 1.256,6 | 9,865 | ±4 % |
Os fios CA-60 da Tabela B.2, de 3,4 a 10 mm, têm todos a tolerância de massa de ±6 %. O comprimento também tem tolerância: barras e fios retos são fornecidos em 12 m, com ±0,7 %, ou seja, ±84 mm; outros comprimentos são combinados na encomenda, com ±1 %.
A superfície é o outro requisito geométrico. O CA-25 é liso, sem nervura de nenhum tipo. O CA-50, o CA-70 e o fio CA-60 são nervurados: nervuras transversais oblíquas, que fazem o apoio mecânico no concreto, e pelo menos duas nervuras longitudinais contínuas e diametralmente opostas, que impedem a barra de girar dentro dele. Para as barras CA-50 e CA-70, o item 4.2.1 da norma fixa quatro medidas das nervuras transversais:
- Ângulo β: entre o eixo da nervura e o eixo da barra, de 45° a 75°.
- Altura média h: pelo menos 4 % do diâmetro nas barras de 10 mm ou mais, e 2 % nas menores. Numa barra de 16 mm, h ≥ 0,64 mm.
- Espaçamento médio e: de 50 % a 80 % do diâmetro, medido ao longo de uma mesma linha da superfície. Na barra de 16 mm, de 8,0 a 12,8 mm.
- Projeção: a soma das nervuras transversais projetadas na seção cobre pelo menos 85 % do perímetro nominal: na barra de 16 mm, 42,8 dos 50,3 mm. Se a transversal encosta na longitudinal, o requisito é considerado atendido.
A medição segue o item 6.6. O espaçamento médio é o comprimento ocupado por 10 espaços seguidos, de crista a crista, dividido por 10. A altura média sai de 10 nervuras não sucessivas de cada lado da barra, cada uma medida em três pontos: no meio e a um quarto e três quartos do seu comprimento. O esquema abaixo mostra na vista lateral o ângulo, o espaçamento e esses três pontos, e na seção a projeção das nervuras no perímetro:

O efeito das nervuras na aderência é quantificado pelo coeficiente de conformação superficial, η, determinado pela ABNT NBR 7477. Os mínimos estão na Tabela B.3: η ≥ 1,0 nas bitolas abaixo de 10 mm e η ≥ 1,5 nas de 10 mm ou mais, para o CA-50, o CA-60 e o CA-70. O CA-25, liso, tem η = 1 em todas as bitolas, e os fios CA-60 da série fina (3,4 a 4,2 mm) também adotam η = 1, sem ensaio. A NBR 6118 usa esse coeficiente no cálculo da ancoragem. A aderência em si é medida em outros ensaios, descritos em ensaio de aderência e ensaio de arrancamento.
Por fim, o aço não pode ter defeitos que prejudiquem o uso: esfoliação, corrosão, manchas de óleo, redução de seção ou fissuras transversais. A oxidação superficial é tolerada se não comprometer a geometria; o critério prático da norma é que, esfregada com pano grosso ou escova, ela saia sem deixar sinal de corrosão. Na dúvida, o caminho é ensaiar as propriedades mecânicas.
Identificação, lotes e certificado de qualidade
As barras nervuradas e os fios nervurados trazem marcas de laminação em relevo, legíveis, com o nome ou a marca do produtor, a categoria e o diâmetro nominal, de modo que um pedaço cortado na obra ainda diz de onde veio. A norma lista o que a marca precisa informar, mas não define desenho nem código. O CA-25, liso, é identificado por etiqueta com as mesmas informações. Cada nota fiscal vem acompanhada de certificado de qualidade com o produto, a bitola, a massa total, a norma, a categoria e os resultados da corrida ou do lote: escoamento, resistência, relação fst/fy, alongamento e dobramento.
A aceitação é feita por lote, e quem decide o recebimento é o comprador; a inspeção da norma não trata do controle de produção da siderúrgica. Um lote reúne barras ou fios de mesma procedência, categoria, diâmetro, revestimento e geometria, com no máximo 30 t, e de cada lote sai uma amostra aleatória de exemplares com pelo menos 1,5 m. A regra se divide em dois casos:
- Lote identificado, rastreável até a produção: amostra de 3 exemplares, e cada um precisa atender à Tabela B.3; se algum falhar, a contraprova única usa 6 novos exemplares.
- Lote não identificado, sem a corrida conhecida: a massa máxima do lote cai para o valor da Tabela B.4, por exemplo 10 t no CA-50 de 12,5 mm e 20 t no de 25 mm. A amostra tem 6 exemplares, cada um precisa atender, e o conjunto ainda passa por um estimador estatístico do fyk; a contraprova usa 12 novos exemplares.
Antes da tração e do dobramento, o lote também precisa atender aos requisitos de defeitos, massa e marcação. O fluxograma abaixo mostra os dois caminhos, com a amostra e a contraprova de cada um; a fórmula do estimador e os parâmetros m e ψ que aparecem no ramo da direita são explicados em "Como interpretar a norma":

A contraprova é única: se ela atende integralmente, o lote é aprovado; se falha, o lote é reprovado. O texto da norma dá margem a duas leituras sobre massa e marcação, porque um item reprova o lote direto por esses requisitos e outro concede contraprova a qualquer requisito de aprovação. A leitura prudente é fazer a contraprova e reprovar o lote se ela também falhar. O exemplo 4, adiante, aplica os dois critérios a um lote de 6 exemplares.
Soldabilidade, aderência e fadiga: requisitos fora do recebimento
Três requisitos da NBR 7480 não entram na inspeção de rotina de cada lote. A soldabilidade só vale quando o comprador a pede, e aí segue o Anexo C, normativo. Ele limita a composição química na análise de panela a C ≤ 0,35 %, Mn ≤ 1,50 %, P e S ≤ 0,050 % e Si ≤ 0,50 %, e o carbono equivalente a CE ≤ 0,55 %, com CE = C + Mn/6 + (Cr + V + Mo)/5 + (Cu + Ni)/15. Na análise feita no próprio produto, a norma admite pequenas tolerâncias sobre esses limites, de +0,04 no CE, e a identificação da barra soldável fica a critério do produtor. Ou seja, "CA-50 soldável" não é garantia padrão: é requisito de encomenda.
A aderência é ensaio de caracterização, não de recebimento. O fabricante determina o η por série e categoria a cada três anos, alternando os diâmetros ensaiados, e apresenta os resultados ao comprador. Para o CA-50 e o CA-70, o resultado vale para geometrias semelhantes, com tolerância de 10 % nas medidas lineares e nos ângulos. A fadiga, pela ABNT NBR 7478, também não é ensaio de recebimento e só é feita quando o comprador a solicita.
Como verificar uma amostra: massa, tração e dobramento
Na prática, aplicar a NBR 7480 a uma amostra é percorrer três etapas em ordem, cada uma com seu critério e sua norma de método. A ordem não é arbitrária: a massa é conferida antes, porque é o ensaio mais barato e porque uma barra fora da tolerância de massa é reprovada mesmo que passe na tração. O fluxograma abaixo mostra as três etapas para o CA-50, com o critério de cada uma e a norma que descreve o procedimento.

Tração do vergalhão
O procedimento geral, com velocidade de ensaio, leitura da curva e cálculo das propriedades, está no artigo sobre o ensaio de tração, e a leitura do patamar e do encruamento, no diagrama tensão-deformação. O que muda no vergalhão são os pontos em que a NBR 7480 e a ISO 15630-1 se afastam do corpo de prova usinado:
- Corpo de prova inteiro. A barra é ensaiada como sai da produção: a NBR 7480 proíbe o corpo de prova usinado. Cortar sem aquecer e não soldar no trecho útil são cuidados de preparação, para não alterar o aço que se quer medir.
- Área pela massa. As tensões são calculadas com a área de um cilindro de mesma massa por metro que a barra: A = m' / 7.850, com m' em kg/m e A em m². Medir diâmetro sobre as nervuras não faz parte do cálculo.
- Base de medida de 10φ. O alongamento após ruptura é medido entre marcas afastadas de 10 diâmetros: 125 mm numa barra de 12,5 mm, 160 mm numa de 16 mm. O Agt é lido com extensômetro no ponto de força máxima ou por marcas, como prevê a ISO 15630-1.
- Garras de cunha. As garras precisam segurar a nervura sem escorregar e sem provocar ruptura no mordente. Uma barra que rompe dentro da garra ou junto dela não dá um alongamento representativo.
- Temperatura. O ensaio é feito à temperatura ambiente, de 10 °C a 35 °C, faixa da ABNT NBR ISO 6892-1.
- Resultado. Calculam-se fy, fst, a relação fst/fy e o alongamento, e compara-se cada um com a linha da categoria.
No CA-50 laminado a quente, o fy é lido no patamar de escoamento, pelo limite superior. No CA-60, sem patamar, usa-se a tensão a 0,2 % de deformação permanente. A norma admite ainda, como alternativa, a tensão sob carga a 0,5 % de deformação. A diferença entre esses três critérios, e qual prevalece, está na seção "Como interpretar a norma".
Dobramento do vergalhão
O dobramento verifica se a barra aguenta ser dobrada como será na obra, em estribos e ganchos, sem trincar. O corpo de prova é dobrado a 180° em volta de um pino cujo diâmetro é um múltiplo da bitola, e o critério é não haver ruptura nem fissura na face tracionada, a externa da dobra.
O método é o da ABNT NBR 17005:2021. Ela aceita máquina de tração ou compressão, mesa dobradeira ou outro equipamento que reproduza o princípio, em dois arranjos: dois suportes e um cutelo, ou um pino com apoio fixo e apoio móvel que enrola a barra. O corpo de prova é a barra como fornecida, sem usinar; o ensaio não pode ser interrompido até as extremidades ficarem paralelas; e a face externa é examinada a olho nu ou com a visão corrigida. A NBR 17005 ainda remete à tabela de pinos da edição de 2007 da NBR 7480, e o que vale hoje é a Tabela B.3 da edição de 2024. A distância entre suportes, os tipos de dobramento e o dobramento de soldas estão no artigo sobre o ensaio de dobramento.
Para o CA-50, o pino é de 3φ nas barras com menos de 20 mm e de 6φ nas de 20 mm ou mais, pela Tabela B.3 da edição de 2024. O CA-70 segue a mesma regra, 3φ abaixo de 20 mm e 6φ a partir de 20 mm. O CA-25, mais dúctil, usa pinos menores (2φ e 4φ), e o fio CA-60, 5φ. Na foto, barras nervuradas retas e três corpos de prova já dobrados a 180° em volta de um pino: a face externa da dobra sem fissuras é o que o ensaio de dobramento verifica.

O pino de ensaio não é o pino de obra. A NBR 6118 manda dobrar as barras no canteiro sobre pinos maiores que os do ensaio, então o ensaio de liberação é mais severo que a dobra real, e é essa margem que o requisito garante.
Como interpretar a norma
A NBR 7480 é curta e escrita em forma de requisito, sem justificar as escolhas. Os pontos abaixo são os que mais geram leitura errada no laboratório e na obra, com a razão física ou estatística de cada um.
Por que a área vem da massa, e não do paquímetro?
O item 6.5.3 manda calcular as tensões com a área de um cilindro de mesma massa por metro que a barra, A = m' / 7.850. A barra nervurada não tem um diâmetro único, e o paquímetro lê um valor que depende de onde apoia; a massa integra a seção inteira e dá uma área única e reproduzível. Numa barra de 12,5 mm que pese 0,960 kg/m, a pesagem dá 122,3 mm²; um paquímetro que lesse 13,5 mm sobre as nervuras daria 143,1 mm², 17 % a mais. Com uma força de escoamento de 64,2 kN, o fy cairia de 525 para 449 MPa e reprovaria um aço bom. A tensão calculada já é a do aço real, e quem pega a barra fina demais é o requisito de massa. A ISO 15630-1 usa a área nominal quando a norma do produto não diz outra coisa; aqui a NBR 7480 diz.
Se o escoamento é característico, por que cada barra é julgada sozinha?
O fyk é o valor característico: aquele abaixo do qual fica só uma pequena fração da produção. Com 3 exemplares não há como estimar essa fração, e no lote identificado a norma troca a estatística por uma exigência mais severa: cada exemplar atinge o valor da Tabela B.3, e a rastreabilidade da corrida cobre o resto. No lote não identificado, cada um dos 6 exemplares atende e o conjunto ainda passa pelo estimador fyk,est = 2·(fy1 + … + fy(m−1)) / (m − 1) − fym, com os resultados em ordem crescente, m = 3 para 6 exemplares e m = 6 para 12. Com m = 3, a fórmula vira fy1 + fy2 − fy3: a média dos dois menores resultados menos a distância entre o terceiro e essa média. Quanto mais espalhado o fundo da amostra, mais o estimador cai, até o piso ψ·fy1, com ψ = 0,92 para 6 exemplares e 0,99 para 12. Por isso uma amostra toda acima de 500 MPa ainda pode reprovar, como no exemplo 4.
Qual escoamento vale: limite superior, 0,2 % ou 0,5 %?
A barra laminada a quente mostra um pico de força antes do patamar, o limite superior, seguido de uma queda e de um trecho quase plano, o limite inferior. A nota da Tabela B.3 manda tomar o superior. O fio CA-60, encruado a frio, não tem patamar, e o escoamento é convencional: a tensão que deixaria 0,2 % de deformação permanente, obtida por uma paralela ao trecho elástico. A alternativa de 0,5 % sob carga lê a tensão quando a deformação total, elástica mais plástica, chega a 0,5 %, sem traçar a paralela. A 600 MPa a parte elástica é de cerca de 0,3 % (600 / 200.000), então os dois critérios ficam próximos, mas não são iguais; se divergirem, prevalece o de 0,2 %, e o relatório diz qual foi usado.
O alongamento é A em 10φ ou Agt?
A é o alongamento depois da ruptura, entre marcas afastadas de 10φ. Ele inclui a estricção, concentrada perto da fratura, e por isso depende da base: fixar 10φ torna o valor comparável entre bitolas. O Agt é o alongamento total na força máxima, antes da estricção, e mede a deformação uniforme que a barra entrega sem perder força, que é a ductilidade que interessa à peça. Para o CA-50 e o CA-70 a Tabela B.3 aceita um ou outro; o CA-25 e o CA-60 só têm requisito de A.
O que significa o número do "CA-50"?
É o escoamento característico em kgf/mm², a unidade antiga. A nota da Tabela B.3 admite, para efeitos práticos, 1 MPa ≈ 0,1 kgf/mm². A conversão exata é 1 kgf/mm² = 9,81 MPa, então 50 kgf/mm² são 490 MPa, e o requisito em MPa é 500, um pouco acima. O erro de leitura mais comum é tratar o número como resistência à tração: os 500 MPa do CA-50 e os 600 MPa do CA-60 são escoamento, e quem os chama de "resistência mínima" compara a força máxima do ensaio com o valor errado e esquece a relação fst/fy.
Por que o pino de dobramento cresce com a bitola?
Na dobra, a face externa estica ε = φ / (D + φ), com a linha neutra no meio da barra. Com o pino proporcional à bitola, a deformação não depende do tamanho: 3φ impõe 25 % a qualquer barra. Passar de 3φ para 6φ a partir de 20 mm, portanto, reduz a deformação de 25 % para cerca de 14 %. A norma não explica a escolha; o efeito é que a barra grossa, com nervuras mais altas cuja base concentra deformação, é ensaiada numa dobra menos severa. Entre categorias vale a ductilidade: o CA-25, com alongamento mínimo de 18 %, dobra em 2φ; o CA-50 e o CA-70, com 8 %, em 3φ; o fio CA-60, com 5 %, em 5φ. A matriz abaixo reúne os pinos da Tabela B.3 com a deformação de cada um e desenha em escala dois pinos do CA-50, de 37,5 mm e de 150 mm:

O que o η diz sobre a aderência?
O η é um número sem unidade que expressa quanto a superfície da barra contribui para a aderência, e a barra lisa é a referência, com η = 1. Na barra lisa, a força passa para o concreto por adesão e atrito; na nervurada, as nervuras transversais se apoiam no concreto e fazem a transferência mecânica, e é essa contribuição que o η quantifica. O mínimo sobe para 1,5 a partir de 10 mm, a mesma bitola em que a altura mínima da nervura dobra, de 2 % para 4 % do diâmetro: a geometria do item 4.2.1 garante na produção o η que o ensaio da NBR 7477 confirma. Por isso o η não é medido em cada lote; a geometria pode ser conferida na amostra, e o ensaio fica com o fabricante.
Exemplos resolvidos
Os quatro exemplos aplicam os requisitos do CA-50. Os três primeiros seguem, barra a barra, a ordem do fluxograma de verificação: um caso aprovado em todas as etapas e dois reprovados, um pela massa e outro pela relação fst/fy. O quarto julga um lote sem identificação pelo estimador do fyk.
Exemplo 1: barra CA-50 de 12,5 mm aprovada
Um pedaço de 0,500 m pesa 0,480 kg. No ensaio de tração, a força de escoamento é 64,2 kN e a força máxima, 75,0 kN. A base de medida é L0 = 10φ = 125 mm e, depois da ruptura, a distância entre as marcas é Lu = 140,5 mm.
- Massa: m' = 0,480 / 0,500 = 0,960 kg/m. Desvio = (0,960 − 0,963) / 0,963 = −0,3 %, dentro de ±6 %.
- Área pela massa: A = 0,960 / 7.850 = 122,3 mm², um pouco abaixo da nominal de 122,7 mm², porque a barra pesou 0,3 % a menos.
- Escoamento: fy = 64.200 / 122,3 = 525 MPa, acima de 500 MPa.
- Resistência: fst = 75.000 / 122,3 = 613 MPa; relação 613 / 525 = 1,17, acima de 1,10.
- Alongamento: A = (140,5 − 125) / 125 × 100 = 12,4 %, acima de 8 %.
- Dobramento: φ < 20 mm, então pino de 3φ = 37,5 mm, dobra a 180° sem fissura.
A barra atende a todos os requisitos. A aceitação do lote, porém, segue a regra de amostragem da norma: num lote identificado, os três exemplares precisam atender, e uma barra aprovada não prova sozinha que o lote atende.
Exemplo 2: barra de 16 mm reprovada pela massa
Um pedaço de 1,000 m de barra CA-50 de 16 mm pesa 1,490 kg.
- m' = 1,490 kg/m, contra a nominal de 1,578 kg/m.
- Desvio = (1,490 − 1,578) / 1,578 × 100 = −5,6 %, fora da tolerância de ±5 % da bitola de 16 mm.
O exemplar é reprovado antes da tração, e o lote vai para a contraprova. A massa é requisito próprio de conformidade porque quem calcula a armadura conta com a seção nominal: 5,6 % a menos de aço é 5,6 % a menos de força na estrutura, mesmo que o material seja bom. A tração não pegaria esse defeito. Como a tensão é calculada com a área que sai da própria massa, esta barra, se o aço for bom, dá fy acima de 500 MPa; quem mostra a falta de seção é a pesagem.
Exemplo 3: relação fst/fy abaixo do mínimo
Uma barra CA-50 de 10 mm dá fy = 560 MPa e fst = 600 MPa.
- Relação: 600 / 560 = 1,07, abaixo de 1,10: reprovada, apesar de resistente.
- Com fst = 610 MPa, a relação seria 610 / 560 = 1,089: passaria no 1,08 da edição de 2007 e continua reprovada na edição vigente.
O exemplo mostra por que a edição importa: o mesmo relatório de ensaio leva a decisões opostas conforme o texto usado.
Exemplo 4: lote não identificado com 6 exemplares
Um lote de CA-50 de 12,5 mm chega sem identificação da corrida. Pela Tabela B.4, ele pode ter no máximo 10 t. Os 6 exemplares passam na massa, no dobramento, na relação fst/fy e no alongamento, e os escoamentos, em ordem crescente, são 508, 512, 540, 546, 551 e 566 MPa.
- Resultado individual: todos acima de 500 MPa. Cada exemplar atende.
- Estimador, com m = 3: fyk,est = fy1 + fy2 − fy3 = 508 + 512 − 540 = 480 MPa.
- Piso: ψ·fy1 = 0,92 × 508 = 467 MPa. O estimador, 480 MPa, está acima do piso e vale.
- Decisão: 480 < 500 MPa. O lote não atende e vai para a contraprova com 12 novos exemplares, julgada com m = 6 e ψ = 0,99.
Se os três menores resultados fossem 520, 524 e 530 MPa, o estimador daria 520 + 524 − 530 = 514 MPa, e o lote seria aprovado. A diferença é a dispersão no fundo da amostra: dois resultados colados no mínimo e um terceiro bem acima sugerem que a produção tem uma parcela abaixo de 500 MPa que a amostra não pegou. Num lote identificado, a amostra seria de 3 exemplares, e bastaria que cada um passasse dos 500 MPa.
Força de ruptura por bitola e capacidade da máquina
A máquina se escolhe pela maior força que o ensaio vai exigir, que é a força máxima da maior bitola ensaiada: Fmáx = fst × área nominal. A norma dá só o mínimo, 550 MPa no CA-50 (1,10 × 500); barras reais rompem acima disso, e 600 MPa é uma referência prudente para dimensionar. O gráfico abaixo compara, para cada bitola do CA-50, a força máxima mínima e a força a 600 MPa com as capacidades de máquina de 200, 300, 600 e 1.000 kN.

A tabela traz os mesmos números e o modelo indicado, com a regra editorial de trabalhar até cerca de 80 % da capacidade nominal para ter folga sobre barras mais resistentes que a referência:
| Bitola | Fy mínima (500 MPa) | Fmáx a 600 MPa | Máquina indicada |
|---|---|---|---|
| 10 mm | 39,3 kN | 47,1 kN | 100 a 200 kN |
| 12,5 mm | 61,4 kN | 73,6 kN | 100 a 200 kN |
| 16 mm | 100,5 kN | 120,6 kN | 200 kN |
| 20 mm | 157,1 kN | 188,5 kN | 300 kN |
| 25 mm | 245,4 kN | 294,5 kN | 600 kN |
| 32 mm | 402,1 kN | 482,5 kN | 600 kN (80 %) ou 1.000 kN |
| 40 mm | 628,3 kN | 754,0 kN | 1.000 kN |
Exemplo 5: escolha da máquina para 16, 25 e 32 mm
Um laboratório vai ensaiar CA-50 de 16, 25 e 32 mm e, eventualmente, CA-70 de 32 mm. Qual capacidade atende?
- 16 mm: área 201,1 mm². A 600 MPa, Fmáx = 600 × 201,1 = 120.660 N, cerca de 121 kN, ou 60 % de uma máquina de 200 kN. Mesmo a 700 MPa (140,7 kN) fica em 70 %.
- 25 mm: área 490,9 mm². A 600 MPa dá 295 kN, 98 % de uma máquina de 300 kN: sem folga. A indicada é a de 600 kN.
- 32 mm: área 804,2 mm². A 600 MPa dá 483 kN, 80 % de 600 kN; a 700 MPa, 563 kN, 94 %. Para rotina com barras mais resistentes, 1.000 kN.
- CA-70 de 32 mm: só o mínimo já é 770 × 804,2 = 619 kN, acima de 600 kN. Obrigatoriamente 1.000 kN.
Resposta: um laboratório que cobre até 32 mm, incluindo CA-70, precisa da máquina de 1.000 kN; se o CA-70 grosso estiver fora do escopo, a de 600 kN atende até 32 mm no limite dos 80 %. A garra e o dispositivo de dobramento acompanham a capacidade escolhida.
Erros comuns na aplicação da NBR 7480
Os erros mais frequentes não estão na máquina, e sim na leitura da norma e na preparação da amostra:
- Usar a edição de 2007. Relação fst/fy de 1,08 no CA-50, ausência do CA-70 e método de dobramento cancelado.
- Tratar o número da categoria como resistência à tração. Os 500 MPa do CA-50 e os 600 MPa do CA-60 são escoamento característico.
- Medir o diâmetro com paquímetro sobre as nervuras. A seção real se confere pela massa linear, e é dela que sai a área usada para calcular a tensão.
- Pular a pesagem. Uma barra fora da tolerância de massa é reprovada mesmo que passe na tração, como no exemplo 2.
- Errar o pino. Usar 3φ numa barra de 25 mm, em que o pino é 6φ, dobra além do exigido e pode reprovar uma barra boa; o contrário aprova uma barra ruim. Também não se usa o pino de obra da NBR 6118 no ensaio de liberação.
- Aquecer, soldar ou endireitar a quente o corpo de prova. O calor muda a microestrutura e o resultado deixa de representar o lote.
- Aceitar ruptura na garra. O alongamento medido nesse caso não é representativo, e o ensaio precisa ser avaliado ou repetido.
- Aprovar o lote por uma barra. A amostra é de 3 exemplares no lote identificado e de 6 no não identificado, e todos precisam passar; no não identificado, ainda vale o estimador do fyk.
- Exigir aderência ou fadiga no recebimento. O η é caracterização trienal do fabricante, e a fadiga só entra quando o comprador a pede.
- Aplicar a NBR 7480 a aço de protensão. Fios e cordoalhas seguem a NBR 7482 e a NBR 7483.
- Subdimensionar a máquina. Dimensionar pela força mínima da norma, e não por uma referência de ruptura com folga, deixa a máquina sem margem para barras mais resistentes.
Máquina para os ensaios da NBR 7480
Os ensaios da NBR 7480 são feitos na máquina universal de ensaios: a tração com garras de cunha, que prendem a barra nervurada inteira, e o dobramento com o dispositivo de dobramento montado no lugar das garras, na mesma máquina. A célula de carga registra a força, o extensômetro mede o alongamento e o software calcula fy, fst e a relação entre eles. O painel abaixo mostra a máquina, o papel de cada parte nos ensaios do vergalhão e os dispositivos usados.
A máquina universal nos ensaios do vergalhão
A linha M2 tem modelos de coluna simples, de 200 N a 10 kN, e de coluna dupla, de 5 kN a 1.000 kN. Nos vergalhões, cada parte da máquina tem uma função:

- Travessa móvel traciona a barra até a ruptura
- Célula de carga mede Fy e Fmáx, classe 1
- Garras de cunha prendem a barra nervurada inteira
- Extensômetro mede o alongamento e o Agt
- Dispositivo de dobramento dobra a barra sobre o pino
- Software BioLab calcula fy, fst e fst/fy
Dispositivos para os ensaios do vergalhão
Os dispositivos abaixo são montados na mesma máquina, conforme o ensaio:



Para vergalhões até 16 mm, o modelo indicado é a máquina universal de coluna dupla de 100 a 200 kN (MBIOII-200-M2), cuja faixa de aplicação inclui vergalhões e que aceita as garras de cunha de 200 kN. Para bitolas maiores, os modelos autoportantes de 300 kN, 600 kN e 1.000 kN seguem a tabela de capacidade acima; as garras e os pinos de dobramento dessas faixas são definidos com a configuração da máquina. O software BioLab registra a curva força × deslocamento, calcula as propriedades e gera o relatório. Para configurar a máquina para as bitolas do seu laboratório, peça um orçamento.
Normas citadas
A tabela reúne as normas citadas neste guia, com a edição e a situação conferidas em 30/09/2026 no catálogo da ABNT (Target) e na lista de normas ISO usada pelo site:
| Norma | Assunto | Edição |
|---|---|---|
| ABNT NBR 7480 | aço para armaduras de concreto armado: requisitos | 2024 (vigente; equivale à 2022 corrigida com a Emenda 1) |
| ABNT NBR ISO 6892-1 | tração de materiais metálicos à temperatura ambiente | 2024, com errata de 07/2026 |
| ISO 6892-1 | base internacional do método de tração | 2019 |
| ABNT NBR 17005 | dobramento de barras e fios para concreto armado | 2021 |
| ISO 15630-1 | métodos de ensaio de barras e fios para concreto armado | 2019 |
| ABNT NBR 7477 | coeficiente de conformação superficial | 1982, confirmada em 2022 |
| ABNT NBR 7478 | fadiga de barras para concreto armado | 2021 |
| ABNT NBR 6118 | projeto de estruturas de concreto | 2023 |
| ABNT NBR 7482 e NBR 7483 | fios e cordoalhas para concreto protendido | 2020 e 2021 |
| ABNT NBR ISO 7500-1 | verificação da célula de carga da máquina | 2023 |
Outros ensaios e referências técnicas
Ensaios realizados na máquina universal Biopdi
Referências técnicas relacionadas
ASTM E8 x ISO 6892-1: ensaio de tração em metais, diferenças e requisitos (NBR ISO 6892-1 e A370)
A ASTM E8/E8M-25 e a ISO 6892-1:2019, adotada no Brasil como ABNT NBR ISO 6892-1:2024, regem o mesmo ensaio de tração de metais em temperatura ambiente. Elas diferem no comprimento de referência do corpo de prova (4D no E8, 5D no E8M e 5,65√S0 na ISO), no controle e na tolerância de velocidade, nos símbolos, no arredondamento e nas normas de máquina e extensômetro. Por isso o alongamento de uma não se compara direto com o da outra.
Diagrama tensão-deformação: como ler o gráfico, pontos, fórmulas e curva verdadeira
O diagrama tensão-deformação é o gráfico da tensão (σ = F/S0) contra a deformação (ε = ΔL/L0) medido no ensaio de tração. Veja como ler cada ponto, as fórmulas, a curva verdadeira, o aço CA-50, o concreto da NBR 6118 e exercícios resolvidos.
NBR 5739: ensaio de compressão de concreto, cálculo do fc e as normas NBR 7222, NBR 12142 e NBR 6136-2
A ABNT NBR 5739:2018, confirmada em 2023, é a norma do ensaio de compressão de corpos de prova cilíndricos de concreto: carga contínua a 0,45 ± 0,15 MPa/s até a ruptura e fc = 4F/(πD²), em MPa, com três algarismos significativos. Veja o que ela exige da máquina e do corpo de prova, a correção h/d, os tipos de ruptura A a G e as normas irmãs: NBR 7222 (compressão diametral), NBR 12142 (tração na flexão) e NBR 12118, cancelada em 02/2026 e substituída pela NBR 6136-2:2026.
Perguntas frequentes
O que é a NBR 7480?
É a norma da ABNT que fixa os requisitos do aço para armaduras de concreto armado: categorias CA-25, CA-50, CA-60 e CA-70, escoamento mínimo, relação entre resistência e escoamento, alongamento, dobramento, massa linear, conformação superficial, identificação e amostragem. A edição vigente é a ABNT NBR 7480:2024, que equivale à de 2022 corrigida com a Emenda 1.
Qual a última atualização da NBR 7480?
A ABNT NBR 7480:2024, quarta edição, de 27/03/2024. Ela consolida a edição de junho de 2022, a errata de maio de 2023 e a Emenda 1, de março de 2024. Laudos e especificações devem citar "ABNT NBR 7480:2024".
Quais os tipos de aço da NBR 7480?
Barras CA-25 (lisas), CA-50 e CA-70 (nervuradas), laminadas a quente, e fios CA-60, trefilados ou laminados a frio. O número indica o escoamento característico em kgf/mm²: 50 kgf/mm² equivalem a cerca de 500 MPa.
Qual a diferença entre CA-50 e CA-60?
O CA-50 é barra laminada a quente, com fyk de 500 MPa, patamar de escoamento e alongamento mínimo de 8 %. O CA-60 é fio encruado a frio, com fyk de 600 MPa, sem patamar e menos dúctil (alongamento mínimo de 5 %), usado sobretudo em estribos e telas.
O que é o aço CA-70?
É a barra nervurada de alta resistência, com fyk de 700 MPa, ausente da edição de 2007 e com certificação compulsória pela Portaria Inmetro nº 501/2024. Pela Tabela B.3 da norma, a relação fst/fy mínima é 1,10 (770 MPa para o fyk de 700), com alongamento de 8 % em 10φ ou Agt de 5 %, e o pino de dobramento é o mesmo do CA-50.
Qual a relação fst/fy mínima do CA-50?
1,10 na edição vigente; era 1,08 na edição de 2007. A relação garante reserva de encruamento, para que a armadura deforme e avise antes de romper.
Qual o pino de dobramento do CA-50?
3φ nas barras com menos de 20 mm e 6φ nas de 20 mm ou mais, com dobra a 180° sem ruptura nem fissura na face tracionada. O método é o da ABNT NBR 17005:2021.
Quanto pesa um metro de vergalhão de 12,5 mm e de 16 mm?
0,963 kg/m e 1,578 kg/m, com tolerâncias de ±6 % e ±5 %, pela Tabela B.1 da ABNT NBR 7480:2024. A massa nominal é a área nominal vezes 7.850 kg/m³.
Qual norma usar no ensaio de tração do vergalhão?
A NBR 7480 dá os limites, e o procedimento segue a ABNT NBR ISO 6892-1, com as particularidades de barra inteira e nervurada da ISO 15630-1. As tensões são calculadas com a área de um cilindro de mesma massa por metro que a barra, e a seção real é controlada pela massa linear.
Qual máquina é necessária para ensaiar vergalhão?
Depende da maior bitola. A 600 MPa, uma barra de 16 mm rompe perto de 121 kN, uma de 25 mm perto de 295 kN e uma de 32 mm perto de 483 kN. Uma máquina de 200 kN atende até 16 mm; 25 e 32 mm pedem 600 kN, e 40 mm ou CA-70 de 32 mm pedem 1.000 kN.
Onde baixar a NBR 7480 em PDF?
A norma é vendida pela ABNT e por distribuidores autorizados. Os PDFs gratuitos que circulam são cópias não autorizadas e, em geral, da edição de 2007, que tem critérios diferentes dos atuais.
A NBR 7480 vale para telas soldadas e aço de protensão?
Não. Telas soldadas seguem a ABNT NBR 7481; fios e cordoalhas de concreto protendido seguem a ABNT NBR 7482 e a ABNT NBR 7483. A NBR 7480 cobre as barras e os fios de concreto armado.