Resistência mecânica: o que é, tipos, fórmula e valores

Resistência mecânica é a maior tensão que um material suporta antes de escoar ou romper, em MPa. Veja tipos, fórmulas, ensaios, normas e valores por material.

Propriedades MecânicasPor Mardoqueu M. Costa
32 min de leitura

Resistência mecânica é a maior tensão que um material suporta antes de escoar ou romper, calculada como força dividida pela área da seção (σ = F/A). Ela é expressa em MPa, que é o mesmo que N/mm², e muda com o tipo de carga: tração, compressão, flexão, cisalhamento ou torção, cada uma medida em ensaio normalizado.

Um exemplo dá a ordem de grandeza: um corpo de prova de aço de 10 mm de diâmetro que rompe na tração com força máxima de 33,0 kN tem resistência de 33.000 N ÷ 78,54 mm² = 420 MPa. Este artigo trata da resistência como propriedade do material: o que ela é, a fórmula e a unidade, os tipos, como se mede, os valores de aço, alumínio, concreto, madeira e plástico, o que a aumenta e como ler um valor sem erro. A lista completa das propriedades está no artigo sobre as propriedades mecânicas dos materiais, e o cálculo de peças, na disciplina de resistência dos materiais.

Na foto, corpos de prova de cinco materiais sobre a bancada, com a máquina universal de ensaios ao fundo: uma barra cilíndrica de aço, uma tira de alumínio, um corpo de prova de plástico em forma de gravata, um cilindro de concreto e um bloco de madeira. Cada um tem uma resistência diferente e é ensaiado de um jeito diferente, que é o assunto das próximas seções.

Corpos de prova de aço, alumínio, plástico, concreto e madeira antes do ensaio, sobre a bancada, com a máquina universal de ensaios ao fundo
Corpos de prova de aço, alumínio, plástico, concreto e madeira: cada material tem a sua resistência e o seu ensaio

O que é resistência mecânica

Resistência mecânica é uma tensão, e não uma força. Tensão é a força dividida pela área da seção que a recebe, e é isso que torna o número uma propriedade do material e não da peça. Dizer que uma barra "aguenta 3.365 kgf" descreve aquela barra; dizer que o aço dela resiste a 420 MPa descreve o aço. Uma barra do mesmo aço com o dobro do diâmetro tem quatro vezes a área e aguenta quatro vezes a força, mas a resistência continua 420 MPa. É por isso que materiais de tamanhos diferentes só se comparam pela tensão.

A mesma ideia explica por que a resistência sempre vem acompanhada do tipo de carga. Um material pode resistir muito à compressão e pouco à tração, como o concreto, ou ter resistências parecidas nos dois sentidos, como o aço. Por isso não existe "a" resistência de um material sem dizer de qual esforço se fala, e o tipo mais citado, quando nada é dito, é a resistência à tração.

Dois números: escoamento e ruptura

Nos materiais que se deformam plasticamente, como os metais, a resistência tem dois números, ambos lidos na curva tensão-deformação do ensaio de tração. O primeiro é o limite de escoamento, a tensão em que começa a deformação permanente: ReH e ReL nos aços com patamar de escoamento e Rp0,2, a tensão que deixa 0,2 % de deformação permanente, nos demais. O segundo é o limite de resistência, Rm, a tensão na força máxima do ensaio. Os símbolos são os da ABNT NBR ISO 6892-1:2024.

Os dois respondem a perguntas diferentes. O escoamento diz até onde a peça trabalha sem ficar torta para sempre, e é a base do projeto de peças metálicas. O Rm diz quanto o material suporta antes de começar a romper, e é o número que separa um material de outro em certificados e especificações. O limite de resistência à tração tem artigo próprio, com a tabela dos aços e a carga de ruptura.

Os gráficos abaixo mostram onde ficam esses números. À esquerda, um aço dúctil com os valores do exercício 1 deste artigo: o detalhe do início da curva marca o Rp0,2 de 259,7 MPa, na interseção com a reta paralela ao trecho elástico deslocada de 0,2 %; o ponto mais alto é o Rm de 420,2 MPa; a ruptura vem depois, com tensão menor, porque a seção afinou na estricção. À direita, um material frágil, em curva ilustrativa: ele não escoa, rompe no próprio pico, e o limite de resistência e a tensão de ruptura praticamente coincidem.

Dois gráficos tensão-deformação: à esquerda, aço dúctil com limite de escoamento Rp0,2 de 259,7 MPa no detalhe do início da curva, limite de resistência Rm de 420,2 MPa no ponto mais alto e ruptura em 340 MPa depois da estricção; à direita, material frágil que rompe no próprio pico, perto de 180 MPa, com 0,4 % de deformação
Os dois números da resistência num aço dúctil (escoamento e limite de resistência) e o material frágil, que rompe no pico

A tensão da curva é de engenharia: a força é sempre dividida pela área inicial do corpo de prova. Depois do Rm, a área real do pescoço diminui muito, e a tensão verdadeira continua subindo até a fratura; a queda da curva é um efeito da conta. A leitura completa dos pontos da curva está no artigo sobre o diagrama tensão-deformação, e o afinamento do pescoço, no artigo sobre a estricção.

O que não é resistência mecânica

Três usos da palavra "resistência" aparecem perto deste tema e não são a propriedade de que este artigo trata:

  • Atrito: a força que se opõe ao deslizamento entre duas superfícies às vezes é chamada de "resistência" em textos de física. Ela depende do par de superfícies, não de um material sozinho, e se mede pelo coeficiente de atrito, adimensional.
  • Resistência química e à corrosão: descrevem quanto o material se degrada no ambiente. Afetam a resistência mecânica ao longo do tempo, mas são outra propriedade.
  • Resistência na fisioterapia e na educação física: é a capacidade de um músculo sustentar esforço repetido. Não tem relação com tensão em MPa.

Propriedade e disciplina

Resistência mecânica e resistência dos materiais não são a mesma coisa. A primeira é a propriedade, um número de cada material medido em ensaio. A segunda é a disciplina de engenharia que calcula as tensões e deformações dentro de peças carregadas (barras, vigas, eixos e colunas) e compara essas tensões com a resistência do material, com coeficientes de segurança. Esforços internos, flexão de vigas, torção de eixos, flambagem e tensão admissível são assuntos da disciplina, tratados no artigo sobre resistência dos materiais. Aqui, as fórmulas aparecem só para calcular o resultado de um ensaio.

Fórmula e unidade da resistência mecânica

A fórmula da resistência mecânica é σ = F / A: a força, em newtons, dividida pela área da seção que a recebe, em milímetros quadrados. Com essas unidades o resultado sai direto em N/mm², que é o mesmo que megapascal (MPa). No ensaio de tração, a força usada é a força máxima e a área é a inicial, e a fórmula ganha os símbolos da norma: Rm = Fm / S0. Os outros esforços têm fórmulas próprias, mostradas na seção sobre os tipos.

A unidade do Sistema Internacional é o pascal (Pa), que vale 1 N/m². Como o pascal é muito pequeno para materiais estruturais, usa-se o megapascal, 1 MPa = 106 Pa = 1 N/mm², e para módulos de elasticidade o gigapascal, 1 GPa = 1.000 MPa. Duas unidades antigas continuam comuns: o kgf/cm², em obra, catálogos de concreto e manômetros, e o psi (libra-força por polegada quadrada), em normas e fichas americanas. A tabela reúne as conversões, calculadas com as definições exatas 1 kgf = 9,80665 N e 1 psi = 6.894,757 Pa (cálculo da Biopdi):

UnidadeEquivale a 1 MPa1 unidade em MPa
N/mm²11
kgf/cm²10,1970,0981
kgf/mm²0,101979,807
psi145,040,006895
ksi (1.000 psi)0,145046,895

Na prática, 1 MPa vale cerca de 10 kgf/cm², e um concreto de 25 MPa equivale a cerca de 255 kgf/cm². A ABNT NBR 7480:2024 registra uma aproximação parecida para o aço: 1 MPa ≈ 0,1 kgf/mm², de onde vem o nome CA-50 (cerca de 50 kgf/mm² de escoamento). O exercício 4 faz as contas.

Tipos de resistência mecânica

Os tipos de resistência mecânica correspondem aos modos de carregar a peça: tração, compressão, flexão, cisalhamento e torção. Cada um tem um ensaio, um corpo de prova e uma fórmula própria para converter a força medida em tensão. O esquema abaixo mostra os cinco esforços, o corpo de prova típico de cada um e a fórmula do resultado.

Esquema dos cinco esforços com a fórmula do resultado do ensaio: tração Rm = Fm/S0, compressão de cilindro fc = 4F/(πD²), flexão em 3 pontos σf = 3FL/(2bd²), cisalhamento duplo de pino τ = F/(2A) e torção de eixo maciço τmáx = 16T/(πd³)
Tração, compressão, flexão, cisalhamento e torção: o esforço, o corpo de prova e a fórmula de cada resistência

A tabela resume a mesma informação com a norma de referência de cada ensaio, para consulta rápida:

TipoFórmula do resultadoEnsaioNorma de referência
TraçãoRm = Fm / S0ensaio de traçãoABNT NBR ISO 6892-1:2024 e ASTM E8/E8M-25 (metais); ASTM D638-22 (plásticos)
Compressãofc = 4F / (πD²), cilindroensaio de compressãoABNT NBR 5739:2018 (concreto)
Flexão em 3 pontosσf = 3FL / (2bd²)ensaio de flexãoASTM D790-25 (plásticos); ABNT NBR 12142:2010 (prismas de concreto)
Cisalhamentoτ = F / A (simples) ou F / (2A) (duplo)ensaio de cisalhamentoconforme o produto (parafusos, juntas, núcleos sanduíche)
Torçãoτmáx = 16T / (πd³), eixo maciçoensaio de torçãoconforme o produto (fios, parafusos, eixos)

Resistência à tração

A resistência à tração é a tensão máxima que o material suporta quando a força tende a alongá-lo. É a mais usada para metais, fios, chapas e plásticos, porque o mesmo ensaio entrega também o escoamento, o alongamento e o módulo de elasticidade. O resultado principal é o Rm = Fm / S0, com S0 medida antes do ensaio. O procedimento está no artigo sobre o ensaio de tração, e o guia da norma de metais, no artigo sobre a ASTM E8 e a ISO 6892-1.

Resistência à compressão

A resistência à compressão é a tensão máxima sob uma força que tende a encurtar o corpo de prova. É a propriedade-chave do concreto, das argamassas, dos blocos e da madeira na direção das fibras. No concreto, o cilindro é carregado continuamente até romper e a resistência é fc = 4F / (πD²), com D o diâmetro médio; a ABNT NBR 5739:2018 fixa a taxa de carregamento em 0,45 ± 0,15 MPa/s e pede o resultado com três algarismos significativos. Em metais dúcteis, a compressão não tem um Rm claro, porque o corpo de prova se achata sem romper. O ensaio de compressão e o guia da NBR 5739 trazem os detalhes.

Resistência à flexão

A resistência à flexão é a tensão máxima na face tracionada de uma barra apoiada em dois pontos e carregada no meio (3 pontos) ou em dois pontos (4 pontos). A flexão combina tração numa face e compressão na outra, e por isso é o ensaio usado para materiais difíceis de prender numa garra de tração: plásticos, cerâmicas e prismas de concreto. Em 3 pontos, σf = 3FL / (2bd²), com L o vão, b a largura e d a espessura. A ASTM D790-25 usa essa fórmula em plásticos, com vão de 16 vezes a espessura; o concreto usa a ABNT NBR 12142:2010, com prismas em 4 pontos. O ensaio de flexão e o guia da ASTM D790 detalham o método.

Resistência ao cisalhamento

A resistência ao cisalhamento é a tensão que o material suporta quando duas partes tendem a deslizar uma sobre a outra num mesmo plano, como num pino, num rebite ou numa junta colada. A tensão média é τ = F / A no corte simples, com um plano de corte, e τ = F / (2A) no corte duplo, em que a mesma força se divide entre dois planos. Em metais, a resistência ao cisalhamento fica abaixo da de tração: no alumínio 6061-T6, os valores típicos da Aluminum Association são 207 MPa ao cisalhamento e 310 MPa à tração, uma relação de cerca de 0,67 (cálculo da Biopdi). O ensaio de cisalhamento mostra os dispositivos.

Resistência à torção

A resistência à torção é a tensão de cisalhamento máxima que o material suporta quando a peça é torcida por um momento T. Num eixo maciço de diâmetro d, a tensão é máxima na superfície e vale τmáx = 16T / (πd³) enquanto o material está no regime elástico. É a resistência que importa em eixos de transmissão, parafusos no aperto, molas e fios. A dedução da fórmula e o dimensionamento de eixos ficam com a disciplina de resistência dos materiais; o ensaio está no artigo sobre o ensaio de torção.

Impacto, fadiga e fluência: resistências de outra natureza

Três propriedades também são chamadas de "resistência", mas não se medem como uma tensão sob carga crescente:

  • Resistência ao impacto: é a energia absorvida para romper um corpo de prova entalhado com um golpe, medida em joules (J) no ensaio Charpy ou Izod (ASTM E23-25, ISO 148-1). Não é uma tensão e não se converte em MPa. É uma medida de tenacidade, tratada no ensaio de impacto.
  • Resistência à fadiga: é a amplitude de tensão que o material suporta por um número definido de ciclos de carga, lida na curva S-N. Fica bem abaixo do Rm, porque trincas crescem sob carga repetida mesmo com tensões baixas. Ver o ensaio de fadiga.
  • Resistência à fluência: é a tensão que o material suporta sob carga constante, por longo tempo e em geral em temperatura alta, sem passar de uma deformação ou romper num prazo definido. Ver o ensaio de fluência.

Quais são os 3 tipos de resistência?

Na engenharia, os três esforços básicos são tração, compressão e cisalhamento: toda tensão num ponto de uma peça se decompõe em tensões normais (tração ou compressão) e tensões de cisalhamento. A flexão e a torção não são esforços novos, e sim combinações: a flexão gera tração numa face e compressão na outra, e a torção gera cisalhamento. Por isso a resposta curta à pergunta é tração, compressão e cisalhamento, com flexão e torção como casos derivados, e impacto e fadiga como resistências a outros tipos de carga.

Como se mede a resistência mecânica

A resistência mecânica se mede num ensaio destrutivo normalizado: um corpo de prova de forma e dimensões definidas pela norma recebe carga crescente numa máquina de ensaio até escoar ou romper, enquanto a força e a deformação são registradas. O resultado é a força convertida em tensão pela área do corpo de prova. Um teste de resistência mecânica, portanto, tem quatro partes:

  1. Corpo de prova normalizado: cilindro ou chapa usinados para tração de metais, gravata para plásticos, cilindro moldado para concreto, barra para flexão. A área é medida antes do ensaio, porque um erro de 1 % no diâmetro vira cerca de 2 % na tensão. O artigo sobre o corpo de prova mostra as formas.
  2. Máquina que aplica a carga: uma máquina universal de ensaios, que traciona, comprime ou flexiona trocando as garras e os dispositivos, ou uma prensa de compressão para concreto e blocos. A velocidade é a da norma.
  3. Célula de carga: mede a força. A ABNT NBR ISO 6892-1:2024 e a ABNT NBR 5739:2018 pedem máquina classe 1 ou melhor pela ABNT NBR ISO 7500-1 (a NBR 5739 admite classe 2 em laboratório de obra e em central de concreto). O artigo sobre a célula de carga explica a medição.
  4. Extensômetro, quando necessário: mede a deformação no trecho útil. É indispensável para o Rp0,2 e o módulo de elasticidade, mas não para o Rm, que depende só da força máxima e da área. Por isso pode ser retirado antes da ruptura. Ver o artigo sobre o extensômetro.

O software converte a curva força × deslocamento em tensão × deformação e extrai os números. O mesmo material dá valores diferentes se o ensaio mudar: um corpo de prova de outra geometria, outra velocidade, outra temperatura ou, no concreto, outro preparo das bases muda o resultado. É por isso que um valor de resistência só vale acompanhado da norma do ensaio. A verificação da máquina, o certificado e a classe estão no artigo sobre a calibração da máquina universal pela NBR ISO 7500-1.

Valores de resistência mecânica por material

A resistência mecânica varia de poucos megapascals, na tração do concreto, a centenas, nos metais, e cada valor só faz sentido com o tipo de carga e o tipo de valor. A tabela reúne valores de referência, cada um com a sua fonte. Mínimo de norma é o que o produto tem de atingir; valor característico é uma estimativa estatística de lote usada em projeto; valor típico é a média publicada por fabricantes e associações, útil como ordem de grandeza.

Material e propriedadeValor (MPa)Tipo de valorFonte
Aço ASTM A36, escoamento (chapas, perfis e barras até 203 mm)≥ 250mínimoASTM A36/A36M-19
Aço ASTM A36, Rm400 a 550faixa especificadaASTM A36/A36M-19
Vergalhão CA-50, escoamento fyk≥ 500característicoABNT NBR 7480:2024
Vergalhão CA-50, resistência à tração fst≥ 1,10·fy (550 com fy = 500)mínimoABNT NBR 7480:2024
Alumínio 6061-T6, Rp0,2 / Rm276 / 310típicoAluminum Association
Alumínio 6061-T6, cisalhamento207típicoAluminum Association
Concreto C30, compressão fck30característico (28 dias)ABNT NBR 8953:2015
Concreto C30, tração média fct,m2,9estimativa de projetoABNT NBR 6118:2023 (cálculo da Biopdi)
Madeira nativa D20 a D60, compressão paralela fc0,k20 a 60característico (12 % de umidade)ABNT NBR 7190-1:2022
Polipropileno homopolímero, tração no escoamento33 a 34típico (ASTM D638)folhas de dados Braskem H 401 e H 614

O gráfico abaixo põe os valores numa escala linear única, em laranja para tração e em azul para compressão, com a faixa do Rm do A36 hachurada. Ele mostra a distância entre as famílias: a tração média do concreto C30 é cerca de um centésimo da resistência à tração do aço, e um plástico de engenharia comum fica na mesma ordem do concreto à compressão.

Gráfico de barras horizontais da resistência mecânica de referência: concreto C30 com 2,9 MPa à tração e 30 MPa à compressão, polipropileno homopolímero com 33 a 34 MPa no escoamento, madeira nativa D40 com 40 MPa à compressão paralela, alumínio 6061-T6 com 276 MPa de escoamento e 310 MPa de Rm, aço A36 com escoamento mínimo de 250 MPa e Rm de 400 a 550 MPa, e vergalhão CA-50 com fyk de 500 MPa e fst de pelo menos 550 MPa
Resistência mecânica de referência do concreto, do polipropileno, da madeira, do alumínio e do aço, separada em tração e compressão

Dois cuidados na leitura. Valores de tipos diferentes não se comparam um a um: o 276 MPa do alumínio é típico, enquanto o 250 MPa do A36 é mínimo, e o aço real costuma escoar acima disso. E o valor de um material muda com a condição: o mesmo aço recozido, laminado ou temperado tem resistências muito diferentes. A tabela completa de aços por condição está no artigo sobre o limite de resistência à tração.

Metal, concreto, madeira e plástico: o que muda

A forma de especificar e de medir a resistência mecânica muda com a família do material, porque cada uma falha de um jeito. As quatro famílias mais comuns na engenharia seguem lógicas diferentes.

Metais: escoamento e Rm, na tração

Nos metais, a resistência se especifica pela tração, com um escoamento mínimo e um Rm mínimo ou numa faixa, como no A36. O projeto usa o escoamento, porque a peça deve trabalhar sem deformação permanente, e o Rm entra na verificação da ruptura e no controle de qualidade. O vergalhão tem uma regra própria: a ABNT NBR 7480:2024 exige do CA-50 fyk ≥ 500 MPa e resistência à tração de pelo menos 1,10 vez o escoamento medido. Essa relação garante reserva de encruamento depois do escoamento, para a armadura avisar antes de romper.

Concreto: compressão aos 28 dias

No concreto, a resistência que define o material é a compressão. A classe, como C30, indica o fck, a resistência característica à compressão em MPa aos 28 dias; as classes são as da ABNT NBR 8953:2015. O ensaio é a compressão de cilindros moldados e curados (ABNT NBR 5738) e rompidos pela ABNT NBR 5739:2018. À tração, o concreto resiste pouco: a ABNT NBR 6118:2023 estima a tração média por fct,m = 0,3·fck2/3 para classes até C50, o que dá 2,9 MPa para o C30, cerca de 10 % da compressão (cálculo da Biopdi). É por isso que o concreto leva armadura de aço nas regiões tracionadas. A tração direta quase nunca é ensaiada: mede-se a tração por compressão diametral (ABNT NBR 7222:2011) ou na flexão (ABNT NBR 12142:2010), e a NBR 6118 converte, com fct igual a 0,9 da diametral ou 0,7 da de flexão.

Madeira: depende da direção das fibras

A madeira é anisotrópica: resiste muito mais na direção das fibras do que perpendicular a elas, e o valor muda com a umidade. Na ABNT NBR 7190-1:2022, as madeiras nativas são agrupadas em classes D20 a D60, em que o número é a resistência característica à compressão paralela às fibras, em MPa, obtida em corpos de prova isentos de defeitos e referida a 12 % de umidade. A mesma edição criou classes para peças estruturais de florestas plantadas (de D18 a D70 nas folhosas) definidas pela resistência à flexão; nelas, o número não é a compressão. Uma "D40" de floresta plantada não tem 40 MPa à compressão paralela, e a classe precisa vir com a tabela de origem.

Plásticos: temperatura, velocidade e tempo

Nos plásticos, a resistência é bem menor que a dos metais e muito mais sensível às condições de ensaio. Um polipropileno homopolímero fica em 33 a 34 MPa de tração no escoamento nas folhas de dados da Braskem, medidos pela ASTM D638 à temperatura ambiente. Esquentar, ensaiar mais devagar ou manter a carga por muito tempo reduz o valor, e sob carga constante o plástico se deforma com o tempo (fluência). Por isso as normas de plásticos fixam velocidade e condicionamento, e a ficha precisa dizer qual tensão foi reportada: no escoamento, máxima ou na ruptura.

Resistência, rigidez, dureza e tenacidade

Resistência, rigidez, dureza e tenacidade são quatro propriedades diferentes, e a maior parte das confusões sobre resistência mecânica vem de tratá-las como uma só. Cada uma responde a uma pergunta e tem unidade e ensaio próprios, como resume a tabela:

PropriedadePergunta que respondeUnidadeEnsaio
Resistência mecânicaquanta tensão suporta antes de escoar ou romper?MPatração, compressão, flexão
Rigidez (módulo de elasticidade E)quanto deforma sob uma tensão, no regime elástico?GPatração com extensômetro
Durezaquanto resiste à penetração localizada na superfície?HB, HV, HRCdureza
Tenacidadequanta energia absorve até romper?J (impacto) ou J/m³impacto, área sob a curva

Exemplos do dia a dia mostram que uma propriedade não prevê a outra. O vidro é duro e rígido, mas pouco tenaz: risca o aço e quebra com um golpe. A borracha é muito elástica e pouco rígida: deforma muito e volta à forma. O aço estrutural é resistente, rígido e tenaz ao mesmo tempo, o que explica o seu uso em estruturas. E trocar um aço comum por um aço de alta resistência deixa a peça mais forte, mas não mais rígida, porque o módulo de elasticidade dos aços fica perto de 200 GPa em todas as classes. A comparação gráfica entre rigidez e resistência está no artigo sobre as propriedades mecânicas dos materiais, e cada propriedade tem artigo próprio: módulo de elasticidade, dureza e tenacidade.

Dureza e resistência à tração têm uma relação empírica em aços, e a dureza serve para estimar o Rm numa triagem, sem destruir a peça. A relação vale só para algumas famílias de material e tem erro grande, e não substitui o ensaio de tração num laudo; os fatores e os limites estão no artigo sobre dureza.

Como aumentar a resistência mecânica (e o que a reduz)

A resistência mecânica de um material sobe com tudo o que dificulta a deformação plástica e o início de trincas, e cai com o que os facilita. Os caminhos mudam com a família do material.

Nos metais

Nos metais, a resistência depende da facilidade com que as discordâncias, os defeitos de linha da rede cristalina, se movem. Os mecanismos que as bloqueiam aumentam a resistência:

  • Elementos de liga: átomos dissolvidos distorcem a rede; nos aços-carbono, mais carbono dá Rm maior.
  • Refino de grão: contornos de grão são barreiras; grão menor, resistência maior.
  • Trabalho a frio: laminação a frio e trefilação aumentam o escoamento pelo encruamento, com perda de ductilidade.
  • Têmpera e revenimento: a têmpera forma martensita, muito resistente e frágil, e o revenimento devolve parte da tenacidade.
  • Endurecimento por precipitação: partículas finas bloqueiam as discordâncias; é o tratamento T6 do alumínio 6061.

O recozimento faz o oposto: em geral reduz a resistência e a dureza e aumenta a ductilidade, para facilitar a conformação ou a usinagem. Afirmar que recozer aumenta a resistência é um erro comum. O panorama está em tratamento térmico dos metais.

No concreto

No concreto, a resistência à compressão sobe com a redução da relação água/cimento, com o adensamento que elimina vazios e com a cura úmida, que mantém a hidratação do cimento. Água a mais na mistura, adensamento ruim e cura curta deixam poros, e poros são pontos fracos.

O que reduz a resistência

Em qualquer material, alguns fatores reduzem a resistência em serviço ou no ensaio:

  • Poros, inclusões e trincas: concentram tensão e iniciam a fratura, sobretudo em materiais frágeis.
  • Entalhes e mudanças bruscas de seção: furos, roscas e cantos vivos elevam a tensão local acima da média.
  • Temperatura alta: o escoamento e o Rm dos metais caem com o aquecimento, e os plásticos perdem resistência bem antes.
  • Carga repetida: a fadiga rompe peças com tensões bem abaixo do Rm.
  • Corrosão e umidade: reduzem a seção útil dos metais e a resistência da madeira.

Como interpretar um valor de resistência mecânica

Um número de resistência só é útil quando se sabe exatamente o que ele representa. As perguntas abaixo são as que mais evitam erro na leitura de certificados, fichas técnicas e laudos.

O valor é mínimo, característico ou típico?

Mínimo de norma é o que o produto tem de atingir para ser aceito, como os 250 MPa de escoamento do A36. Valor característico é uma estimativa estatística com 5 % de chance de um resultado ficar abaixo dele, como o fck do concreto e o fyk do vergalhão. Valor típico é uma média de fabricante, como os 310 MPa do alumínio 6061-T6. Projetar com um valor típico como se fosse mínimo é inseguro; comparar um mínimo com um típico exagera a diferença entre dois materiais.

Qual das tensões foi reportada?

Num metal, "resistência" pode ser o escoamento ou o Rm, e a diferença entre os dois chega a 40 % ou mais. Num plástico, pode ser a tensão no escoamento, a máxima ou a de ruptura. Num concreto, pode ser a compressão, a tração por compressão diametral ou a tração na flexão. O símbolo (Rp0,2, Rm, fck, fct,sp) diz qual é; sem o símbolo, pergunte.

Em que condição o material foi ensaiado?

O valor vale para a condição do material (laminado, recozido, temperado, envelhecido) e do ensaio (temperatura, velocidade, idade do concreto, umidade da madeira). Um Rm de aço sem a condição de fornecimento, ou um fc de concreto sem a idade, não serve para comparação.

O resultado do corpo de prova vale para a peça?

O ensaio mede o material num corpo de prova padronizado, sem defeitos de fabricação, na direção e na posição de onde foi retirado. A peça real tem furos, soldas, entalhes, outra espessura e outra direção de laminação. A resistência do material é o ponto de partida; a capacidade da peça sai do cálculo com coeficientes de segurança, que é o trabalho da resistência dos materiais.

Erros comuns sobre resistência mecânica

Os erros abaixo aparecem com frequência em textos sobre o tema e em respostas de prova:

  1. Chamar força de resistência: "aguenta 500 kg" é a carga de uma peça, não a resistência do material. Resistência é força por área.
  2. Usar o Rm como tensão de projeto de peça metálica: o projeto de peças dúcteis usa o escoamento, com coeficiente de segurança.
  3. Dar resistência ao impacto em MPa: a energia de impacto é medida em joules e não se converte em tensão.
  4. Confundir rigidez com resistência: um aço mais resistente não é mais rígido; o módulo quase não muda.
  5. Dizer que o recozimento aumenta a resistência: em geral reduz, e aumenta a ductilidade.
  6. Esquecer que o concreto é fraco à tração: a tração média é cerca de 10 % da compressão.
  7. Comparar classes de madeira de tabelas diferentes: na NBR 7190-1:2022, a classe D das nativas é pela compressão e a das peças de florestas plantadas, pela flexão.
  8. Copiar a relação 1,08 do CA-50: a ABNT NBR 7480:2024 exige fst ≥ 1,10·fy.

Exercícios resolvidos

Os quatro exercícios usam números de ensaio e seguem a ordem do artigo: tração de aço, compressão de concreto, flexão de plástico e conversão de unidades. As contas são cálculos da Biopdi, refeitos em 07/10/2026.

Exercício 1: escoamento e Rm de um aço

Um corpo de prova cilíndrico de aço, com diâmetro de 10,0 mm, foi ensaiado à tração com extensômetro. A força no limite convencional de 0,2 % foi 20,4 kN e a força máxima, 33,0 kN.

  1. Área inicial: S0 = π × 10,0² / 4 = 78,54 mm².
  2. Escoamento: Rp0,2 = 20.400 / 78,54 = 259,7 MPa.
  3. Limite de resistência: Rm = 33.000 / 78,54 = 420,2 MPa.
  4. Comparação com o ASTM A36: escoamento ≥ 250 MPa e Rm de 400 a 550 MPa. Os dois valores atendem.

No relatório, a ABNT NBR ISO 6892-1:2024 recomenda arredondar resistências ao MPa inteiro, salvo norma de produto: 260 MPa e 420 MPa. São esses os números da curva do primeiro gráfico do artigo.

Exercício 2: compressão de um cilindro de concreto

Um cilindro de concreto de 10 × 20 cm (D = 100 mm) rompeu com força máxima de 196 kN. Qual é a resistência à compressão e qual taxa de força corresponde a 0,45 MPa/s?

  1. Área: A = π × 100² / 4 = 7.853,98 mm².
  2. Resistência: fc = 196.000 / 7.853,98 = 24,96 MPa, que com três algarismos significativos, como pede a ABNT NBR 5739:2018, fica 25,0 MPa.
  3. Taxa: 0,45 N/mm² por segundo × 7.853,98 mm² = 3.534 N/s, cerca de 3,53 kN/s.
  4. Em kgf/cm²: 25,0 × 10,197 = cerca de 255 kgf/cm².

A força de 196 kN mostra por que a capacidade da máquina precisa de folga: uma prensa de 200 kN trabalharia a 98 % da capacidade, e o rompimento precisa ficar dentro da faixa em que a máquina foi verificada.

Exercício 3: resistência à flexão de um plástico

Uma barra de plástico de 12,7 mm de largura e 3,2 mm de espessura foi ensaiada em flexão de 3 pontos com vão de 51,2 mm (16 vezes a espessura) e rompeu com 90 N.

  1. Numerador: 3 × F × L = 3 × 90 × 51,2 = 13.824 N·mm.
  2. Denominador: 2 × b × d² = 2 × 12,7 × 3,2² = 260,1 mm³.
  3. Resistência à flexão: σf = 13.824 / 260,1 = 53,1 MPa.

A força de ruptura é de apenas 90 N. Ensaios assim pedem uma célula de carga de baixa capacidade, para a força ficar dentro da faixa em que a medição tem a exatidão da classe.

Exercício 4: conversão de unidades

Um projeto pede concreto de 25 MPa, e uma ficha americana dá um material de 5.000 psi. Converta.

  1. 25 MPa × 10,197 = 254,9 kgf/cm².
  2. 25 MPa × 145,04 = 3.626 psi.
  3. 5.000 psi × 0,006895 = 34,5 MPa.
  4. No sentido inverso, um concreto antigo de 250 kgf/cm² tem 250 × 0,0981 = 24,5 MPa.

Normas da resistência mecânica

As definições e os métodos vêm das normas de ensaio; os valores mínimos e as classes vêm das normas de produto e de projeto. A tabela reúne as normas citadas neste artigo, com a edição vigente conferida em 07/10/2026 no catálogo ABNT (Target) e na loja ASTM:

NormaO que trataEdição
ABNT NBR ISO 6892-1tração de metais em temperatura ambiente: ReH, Rp0,2, Rm2024 (versão corrigida de 07/2026)
ISO 6892-1tração de metais em temperatura ambiente2019
ASTM E8/E8Mtração de metaisE8/E8M-25
ASTM D638tração de plásticosD638-22
ASTM D790flexão de plásticosD790-25
ASTM E23impacto Charpy e Izod em metaisE23-25
ABNT NBR 5739compressão de corpos de prova cilíndricos de concreto2018 (confirmada em 12/2023)
ABNT NBR 12142tração na flexão de prismas de concreto2010
ABNT NBR 7222tração por compressão diametral de concreto e argamassa2011
ABNT NBR ISO 7500-1verificação do sistema de medição de força da máquina2023
ABNT NBR 7480aço para armaduras de concreto (CA-50: fyk ≥ 500 MPa, fst ≥ 1,10·fy)2024
ASTM A36/A36Maço-carbono estruturalA36/A36M-19
ABNT NBR 8953classes de resistência do concreto2015 (confirmada em 01/2025)
ABNT NBR 6118projeto de estruturas de concreto (fct,m)2023
ABNT NBR 7190-1projeto de estruturas de madeira (classes de resistência)2022

Máquina para medir a resistência mecânica

Para medir a resistência mecânica de metais, plásticos, compósitos e madeira, a máquina universal de ensaios aplica a carga com velocidade controlada e troca garras e dispositivos conforme o esforço: tração, compressão, flexão e cisalhamento na mesma estrutura. A máquina universal Biopdi da linha M2 é eletromecânica, tem modelos de coluna simples, de 200 N a 10 kN, e de coluna dupla, de 5 kN a 1.000 kN, mede a força com células de carga classe 1 pela ABNT NBR ISO 7500-1:2023 e usa o software BioLab, que converte força em tensão com a área informada e monta o relatório. O painel abaixo mostra a máquina, o papel de cada parte na medição e os dispositivos dos quatro esforços.

A máquina universal na medição da resistência

A linha M2 tem modelos de coluna simples, de 200 N a 10 kN, e de coluna dupla, de 5 kN a 1.000 kN. Cada parte da máquina tem uma função na medição da resistência mecânica:

Máquinas universais de ensaios M2 da Biopdi de coluna simples (MBIOI-10-M2, 10 kN) e coluna dupla (MBIOII-50-M2, 50 kN)
  1. Travessa móvel traciona, comprime ou flexiona o corpo de prova na velocidade da norma
  2. Célula de carga mede a força, classe 1: é dela que sai a força máxima
  3. Garras e dispositivos definem o esforço: tração, compressão, flexão ou cisalhamento
  4. Extensômetro opcional para o Rm, necessário para Rp0,2 e módulo
  5. Software BioLab divide a força pela área e calcula a resistência
  6. Painel e emergência posiciona e para o ensaio

Dispositivos para os ensaios de resistência

Os dispositivos abaixo são montados na mesma máquina, conforme o esforço e a norma:

Garra cunha Biopdi para ensaio de traçãoGarra cunhatração; 5, 20 e 200 kN
Pratos de compressão BiopdiPratos de compressãocompressão; 1, 50 e 300 kN
Dispositivo de flexão BiopdiDispositivo de flexãoflexão; 10, 50 e 300 kN
Dispositivo de cisalhamento Biopdi conforme ASTM C273Dispositivo de cisalhamentoASTM C273/C273M-20

A capacidade segue a força esperada, que é a resistência vezes a área. Barras de plástico em flexão, como a do exercício 3, e corpos de prova de polímeros ficam na máquina de 2 a 10 kN (MBIOI-10-M2); corpos de prova de aço usinados, como o do exercício 1, que rompe com 33 kN, na máquina de 5 a 50 kN (MBIOII-50-M2); vergalhões, na máquina de 100 a 200 kN (MBIOII-200-M2). Para a compressão de concreto, como no exercício 2, a prensa elétrica Biopdi vai de 5 kN a 1.000 kN, e o BioLab converte a taxa de 0,45 MPa/s em kN/s pelo diâmetro medido. Para torção, a máquina de ensaio de torque tem uma versão básica, usada com a máquina universal, e uma completa, independente. O software BioLab e as demais capacidades estão na página da máquina universal de ensaios.

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Perguntas frequentes

O que é resistência mecânica?

É a maior tensão que um material suporta antes de escoar ou romper, calculada como força dividida pela área da seção e expressa em MPa. Depende do tipo de carga: tração, compressão, flexão, cisalhamento ou torção.

O que significa resistência mecânica?

Significa quanta tensão, e não quanta força, um material aguenta. Como a força é dividida pela área, o número descreve o material e permite comparar peças de tamanhos diferentes: o mesmo aço com o dobro do diâmetro aguenta quatro vezes a força, com a mesma resistência.

Qual é a fórmula da resistência mecânica?

A fórmula base é σ = F / A, força em newtons dividida pela área em mm², com resultado em MPa. Na tração, Rm = Fm / S0; na compressão de cilindro, fc = 4F / (πD²); na flexão em 3 pontos, σf = 3FL / (2bd²).

Qual é a unidade da resistência mecânica?

No Sistema Internacional é o pascal, e na prática o megapascal (MPa), igual a N/mm². 1 MPa vale 10,197 kgf/cm² e 145,04 psi.

O que é um teste de resistência mecânica?

É um ensaio normalizado em que uma máquina aplica carga crescente a um corpo de prova até escoar ou romper, medindo a força com uma célula de carga. Exemplos: tração de metais pela ABNT NBR ISO 6892-1:2024, compressão de concreto pela ABNT NBR 5739:2018 e flexão de plásticos pela ASTM D790-25.

Quais são os 3 tipos de resistência?

Na engenharia, tração, compressão e cisalhamento, os três esforços básicos. Flexão e torção combinam esses esforços, e impacto e fadiga são resistências a cargas súbitas e repetidas.

O que a resistência dos materiais estuda?

É a disciplina que calcula as tensões e deformações em peças carregadas, como barras, vigas, eixos e colunas, e as compara com a resistência do material para dimensionar a peça com segurança. A resistência mecânica é o dado de entrada desse cálculo.

Qual a diferença entre resistência mecânica e dureza?

A resistência mecânica é a tensão que o material inteiro suporta antes de escoar ou romper, em MPa. A dureza é a resistência à penetração localizada na superfície, em escalas como HB, HV e HRC. Em aços as duas se correlacionam, mas a dureza só estima a resistência.

Qual a diferença entre resistência e tenacidade?

Resistência é a tensão máxima; tenacidade é a energia que o material absorve até romper. Um material pode ser resistente e pouco tenaz, como um aço temperado sem revenimento ou uma cerâmica, que rompem sem deformar.

Qual a resistência mecânica do aço e do concreto?

O aço estrutural ASTM A36 tem escoamento mínimo de 250 MPa e Rm de 400 a 550 MPa, e o vergalhão CA-50 tem fyk de pelo menos 500 MPa (ABNT NBR 7480:2024). O concreto é especificado pela compressão aos 28 dias, como 30 MPa no C30, e resiste à tração só cerca de 10 % disso.