Engenharia de Materiais é a engenharia que relaciona o processamento, a estrutura, as propriedades e o desempenho de metais, polímeros, cerâmicas, compósitos e biomateriais para selecionar, desenvolver, fabricar e ensaiar o material certo para cada aplicação. No Brasil, a profissão é regulada pelo Confea (Resolução nº 241/1976), exige registro no Crea e o curso tem no mínimo 3.600 horas e 5 anos de integralização.
O engenheiro de materiais trabalha onde a matéria-prima vira produto: siderurgia, plásticos, cerâmica, automotiva, embalagens, dispositivos médicos, laboratórios de ensaio e pesquisa. No Caged dos 12 meses encerrados em julho de 2026, a média salarial da ocupação foi de R$ 11.836,71 por mês (Salario.com.br, atualizado em 03/09/2026).
Na foto, um engenheiro de materiais examina com lupa a superfície de fratura de uma barra de aço rompida, ao lado de amostras metalográficas polidas e do microscópio. A cena resume a profissão: a forma da fratura conta como o material se comportou, a microestrutura explica por quê, e a escolha do material e do processo decide se a peça vai resistir ao uso.

O que é engenharia de materiais
A disciplina se organiza em torno de uma cadeia de causa e efeito. O modo como o material é processado (fundido, laminado, injetado, sinterizado, tratado termicamente) define a sua estrutura, do arranjo dos átomos à microestrutura de grãos e fases. A estrutura determina as propriedades (mecânicas, térmicas, elétricas, ópticas), e as propriedades definem o desempenho da peça em serviço. Os quatro elementos formam o chamado tetraedro dos materiais, consagrado pelo relatório Materials Science and Engineering for the 1990s, do National Research Council dos Estados Unidos (1989), e usado como fio condutor por Callister e Rethwisch em Ciência e Engenharia de Materiais: uma introdução.
O nome junta duas atividades. A ciência dos materiais investiga as relações entre estrutura e propriedade; a engenharia de materiais usa essas relações para projetar ou especificar a estrutura que entrega um conjunto de propriedades desejado, a um custo e com um processo viáveis. No centro do tetraedro está a caracterização, que é o conjunto de ensaios e análises que mede cada vértice: sem ela, a relação entre processo e desempenho fica na suposição.
Um exemplo percorre os quatro vértices. Laminar um aço a frio (processamento) multiplica as discordâncias da rede cristalina (estrutura), eleva o limite de escoamento e reduz a ductilidade (propriedades), e a chapa fica mais resistente, mas pode trincar numa dobra severa (desempenho). Esse é o encruamento, quantificado por ensaios de tração antes e depois da laminação. O esquema abaixo mostra o tetraedro com esse exemplo em cada vértice.

O que faz o engenheiro de materiais
A Classificação Brasileira de Ocupações descreve o engenheiro de materiais (CBO 2146-05) como o profissional que projeta estruturas, propriedades e processos de materiais e que, para isso, seleciona materiais e processos, planeja e supervisiona testes e experimentos, caracteriza produtos, desenvolve aplicações e gerencia a qualidade. A CBO reconhece três especializações pelo nome: engenheiro de materiais de cerâmica, de metais e de polímeros. Na prática, o trabalho se divide em frentes que costumam aparecer juntas:
- Seleção de materiais: escolher, entre as opções que atendem ao esforço, à temperatura e ao ambiente, a de menor custo total, incluindo processo e descarte.
- Desenvolvimento de material e de produto: formular uma liga, um composto polimérico ou uma massa cerâmica, ou adaptar um material existente a um uso novo.
- Processamento: definir e ajustar fundição, conformação, injeção, extrusão, sinterização e tratamento térmico, que são as etapas que fixam a estrutura.
- Caracterização e ensaios: medir propriedades mecânicas, analisar a microestrutura e emitir laudo.
- Análise de falha: descobrir por que uma peça rompeu, pela fratura, pela metalografia e pelos ensaios do material.
- Qualidade e certificação: especificar, inspecionar e aprovar matéria-prima e produto, função que se cruza com a engenharia da qualidade.
- Pesquisa e docência: em universidades, institutos e centros de P&D de empresas.
Um celular resume essas frentes: a placa de circuito junta laminado de fibra de vidro e resina, trilhas metálicas e soldas que não podem trincar com o calor; a tela é vidro tratado contra riscos; a carcaça é polímero ou liga leve. Cada escolha passou por alguém que conhecia a relação entre processo, estrutura e propriedade.
A seleção de material raramente acontece isolada do projeto. Na foto, dois engenheiros discutem o modelo 3D de uma peça: a geometria, as cargas e o material são decididos juntos, e é nessa conversa que o engenheiro de materiais responde se a peça resiste, quanto custa fabricá-la e como vai envelhecer.

Diferença para a engenharia metalúrgica e a mecânica
A engenharia metalúrgica trata dos metais, da extração do minério ao produto siderúrgico, e tem ocupação própria na CBO (2146-10, engenheiro metalurgista). A engenharia de materiais cobre também polímeros, cerâmicas e compósitos. Já a engenharia mecânica projeta o componente e o sistema partindo de propriedades conhecidas; a de materiais explica de onde vêm essas propriedades e como alterá-las. As três se encontram na seleção de material e na análise de falha.
Atribuições no Confea e registro no Crea
O exercício da profissão depende do registro no Crea do estado onde o engenheiro vai atuar. As atividades que ele pode assinar vêm de três atos do Confea, conferidos na base de normativos do conselho em 30/09/2026:
- Resolução nº 218, de 29/06/1973: lista as 18 atividades profissionais das engenharias, de supervisão, estudo, projeto e perícia a ensino, pesquisa, ensaio, padronização, controle de qualidade, execução e operação.
- Resolução nº 241, de 31/07/1976: atribui ao engenheiro de materiais as atividades 01 a 18 da Resolução 218 referentes aos procedimentos tecnológicos na fabricação de materiais para a indústria e às suas transformações. A página do Confea não registra revogação nem alteração.
- Resolução nº 1.073, de 19/04/2016 (DOU de 22/04/2016, com retificação em 03/05/2016): regulamenta como o Crea atribui título, atividades e campos de atuação a partir do currículo cursado, e permite estender atribuições por formação complementar. Ela é o procedimento geral; a 241 continua sendo a resolução específica da modalidade.
Como ensaio e controle de qualidade estão entre as atividades da Resolução 218, laudos de ensaio e pareceres de análise de falha são documentos que o engenheiro de materiais assina com anotação de responsabilidade técnica. A tabela abaixo resume a base legal citada neste artigo:
| Ato | O que define | Data |
|---|---|---|
| Lei nº 4.950-A | salário mínimo profissional de engenheiros | 22/04/1966 |
| Resolução Confea nº 218 | as 18 atividades profissionais | 29/06/1973 |
| Resolução Confea nº 241 | atribuições do engenheiro de materiais | 31/07/1976 |
| Resolução CNE/CES nº 2 | carga horária mínima (3.600 h) e integralização (5 anos) | 18/06/2007 |
| Resolução Confea nº 1.073 | atribuição de título e atividades pelo Crea | 19/04/2016 |
| CBO 2146-05 | descrição oficial da ocupação | CBO 2002 (MTE) |
Áreas de atuação e classes de materiais
O engenheiro de materiais costuma se especializar por classe de material, porque cada classe tem estrutura, processos e ensaios próprios. A UFSCar, por exemplo, oferece ênfases em cerâmicas, metais e polímeros. As classes principais são as mesmas do Callister (metais, cerâmicas, polímeros e compósitos), às quais se somam os biomateriais e os materiais para eletrônica e energia; o artigo sobre tipos de materiais detalha cada uma. A tabela abaixo liga cada classe a aplicações e ao ensaio que mais aparece no controle:
| Classe | Exemplos | Aplicações | Ensaio típico |
|---|---|---|---|
| Metais e ligas | aços, ferros fundidos, alumínio, cobre, titânio | estruturas, veículos, máquinas, implantes | tração, dureza, impacto, metalografia |
| Polímeros | polietileno, polipropileno, PVC, poliamida, elastômeros | embalagens, peças injetadas, solados, filmes | tração de plásticos, flexão, análise térmica |
| Cerâmicas e vidros | alumina, porcelanato, refratários, vidro | revestimentos, isolantes, fornos, telas | flexão, compressão, dureza |
| Compósitos | fibra de vidro e de carbono em resina, concreto | aeronáutica, pás eólicas, construção | tração, flexão, cisalhamento interlaminar |
| Biomateriais | titânio, cerâmicas bioativas, polímeros biodegradáveis | próteses, implantes, suturas | tração, compressão, fadiga |
Os polímeros biodegradáveis são uma das frentes de pesquisa mais ativas da área. A indústria de transformação é a que mais emprega: siderurgia e metalurgia, petroquímica, plásticos, cerâmica, automotiva, aeroespacial, embalagens e dispositivos médicos. Fora da fábrica, há vagas em laboratórios de ensaio e certificação, institutos de pesquisa, universidades, consultoria e perícia, e no suporte técnico de fornecedores de materiais e equipamentos.
História da engenharia de materiais no Brasil
Até os anos 1960, materiais na indústria brasileira eram assunto da engenharia metalúrgica, porque os metais dominavam. Em 1970, a recém-fundada Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) criou o primeiro curso de graduação em Engenharia de Materiais da América Latina, para formar engenheiros de todas as classes de materiais. O principal mentor foi o físico e químico Sergio Mascarenhas de Oliveira, então professor da USP, e o Departamento de Engenharia de Materiais (DEMa) foi fundado em 1972.
Seis anos depois da criação do curso, a Resolução Confea nº 241/1976 fixou as atribuições do novo profissional. No texto dos 40 anos do DEMa, a Sociedade Brasileira de Pesquisa em Materiais (SBPMat) registrava que a UFSCar já havia formado mais de 1.700 engenheiros de materiais e que o país tinha mais de 40 cursos de graduação na área; os números são dessa data e cresceram desde então.
Curso de Engenharia de Materiais: duração, grade e formação
A Resolução CNE/CES nº 2, de 18/06/2007, fixa em 3.600 horas a carga horária mínima dos bacharelados em engenharia e em 5 anos o limite mínimo de integralização para cursos de 3.600 a 4.000 horas. Na prática, o curso tem 10 semestres, como o da Escola de Engenharia de Lorena da USP (EEL-USP), que é integral e oferece 40 vagas por ano: 28 pela Fuvest, 6 pelo Enem-USP e 6 pelo Provão Paulista. O ingresso nas federais é, em geral, pelo Sisu, e a nota de corte muda a cada edição.
Os dois primeiros anos são de ciclo básico, comum às engenharias, e costumam ser a parte mais pesada da formação. A foto abaixo lembra essa fase de sala de aula, com turmas grandes de cálculo, física e química; é depois dela que o curso passa aos laboratórios de materiais.

Grade curricular típica
Cada instituição tem o seu projeto pedagógico, mas a sequência se repete. No ciclo básico, do 1º ao 4º semestre, entram cálculo, álgebra e geometria analítica, física teórica e experimental, química geral, inorgânica, orgânica e analítica, programação, desenho técnico, estatística e as primeiras disciplinas de ciência dos materiais. No ciclo profissional vêm termodinâmica e diagramas de fases, materiais metálicos, cerâmicos e poliméricos, compósitos, fenômenos de transporte, propriedades mecânicas dos materiais, ensaios e caracterização, tratamentos térmicos, processamento, corrosão e degradação, seleção de materiais, estágio e trabalho de conclusão de curso. As optativas dos últimos semestres direcionam o aluno para a sua ênfase.
Grade da UFSCar e da USP Lorena, semestre a semestre
As tabelas abaixo comparam, semestre a semestre, as disciplinas obrigatórias da UFSCar (em vermelho) e da USP em Lorena (em amarelo), do 1º ao 10º semestre. Elas mostram as duas escolhas de desenho do curso: a UFSCar concentra os três grandes grupos de materiais (metálicos, cerâmicos e poliméricos) já no 5º semestre e reserva o 9º para optativas, enquanto a EEL-USP distribui laboratórios integrados de engenharia de materiais ao longo do curso e deixa o 9º e o 10º semestres para o projeto final e o estágio.

1º semestre

2º semestre

3º semestre

4º semestre

5º semestre

6º semestre

7º semestre

8º semestre

9º e 10º semestres
As grades são ilustrativas e mudam com o tempo. A coluna da UFSCar confere com a matriz curricular 2005/1 que a coordenação do curso publica no seu site. A EEL-USP publica no sistema JupiterWeb uma grade nova, com início em 01/01/2027, que reorganiza o ciclo básico (Física Newtoniana, Cálculo Diferencial e Integral, Computação Científica em Python), junta Ensaios Mecânicos e Propriedades Mecânicas em Comportamento Mecânico dos Materiais, no 6º semestre, e acrescenta Fadiga e Mecânica da Fratura, Degradação e Proteção de Materiais e Análise de Falhas de Materiais e Componentes. Antes de escolher, confira o projeto pedagógico vigente de cada instituição.
Pós-graduação, EAD e leituras de referência
Egressos de outras engenharias, da física e da química podem se especializar em materiais por especialização ou por mestrado e doutorado. Há cursos a distância na área, sobretudo de pós-graduação; para a graduação EAD, confira no e-MEC a autorização e o reconhecimento e se há aulas práticas de laboratório. Como leitura, a EdUFSCar publica Engenharia de Materiais para Todos, introdutório, e a referência técnica do curso inteiro é o livro de Callister e Rethwisch.
O laboratório de ensaios na formação
É no laboratório que o tetraedro deixa de ser diagrama: o aluno processa uma amostra, observa a estrutura ao microscópio e mede a propriedade num ensaio normalizado. Os principais ensaios mecânicos e a metalografia são o núcleo desse laboratório e as mesmas ferramentas que o engenheiro usa na indústria para qualificar lote, desenvolver material e investigar falha.
Ensaios mecânicos na máquina universal
A máquina universal de ensaios aplica força com velocidade controlada, mede a força com uma célula de carga e o deslocamento pela travessa ou, com mais precisão, por um extensômetro preso ao corpo de prova. Trocando garras e dispositivos, a mesma máquina faz tração, compressão, flexão e dobramento. O ensaio de tração é o mais importante da formação: dele saem o módulo de elasticidade, o limite de escoamento, o limite de resistência e o alongamento, lidos no diagrama tensão-deformação. O funcionamento da máquina está no artigo sobre a máquina universal de ensaio.
Um exercício típico da primeira aula mostra as contas. Um corpo de prova de aço com 10,0 mm de diâmetro tem área S0 = π × 10,0² / 4 = 78,54 mm². Se ele rompe com força máxima de 31,4 kN, o limite de resistência é 31.400 N / 78,54 mm² = 399,8 MPa, cerca de 400 MPa. Se as marcas de referência estavam a 50,0 mm e ficaram a 61,0 mm depois da ruptura, o alongamento é (61,0 − 50,0) / 50,0 × 100 = 22 %. No trecho elástico, com 7,85 kN e deformação de 0,000500 medida pelo extensômetro, a tensão é 7.850 / 78,54 = 99,95 MPa e o módulo, 99,95 / 0,000500 = 199.900 MPa, ou 200 GPa, o valor que a ABNT NBR 8800 adota para o aço.
Um laboratório de ensino costuma ter as duas configurações de máquina universal. Os modelos de coluna simples, à esquerda, atendem polímeros, elastômeros, filmes e têxteis; na linha M2 da Biopdi, o modelo de coluna simples de bancada vai de 2 a 10 kN. Os de coluna dupla, à direita, atendem metais, chapas, juntas soldadas e compósitos; o primeiro modelo de coluna dupla vai de 5 a 50 kN. A imagem abaixo mostra a linha M2 completa, da menor à maior capacidade.

Os vídeos abaixo mostram dois ensaios de tração em polímeros feitos em máquinas Biopdi: o primeiro numa máquina universal de 100 kN, o segundo num fitilho de plástico reciclado. Nos dois, a travessa afasta as garras com velocidade constante, o corpo de prova alonga e afina, e o software registra a força a cada instante até a ruptura. Para um fitilho, a força de ruptura é o dado de projeto; para o engenheiro de materiais que desenvolve o composto reciclado, é a prova de que a formulação atende à especificação.
O software BioLab converte a curva força × deslocamento em tensão × deformação e calcula as propriedades. As demais capacidades, até 1.000 kN, estão na página da máquina universal de ensaios.
Dureza, impacto e fadiga
Três ensaios completam o laboratório mecânico, cada um em equipamento próprio. O ensaio de dureza (Brinell, Rockwell, Vickers e microdureza) é o controle mais rápido de tratamento térmico. O ensaio de impacto Charpy mede a energia absorvida numa fratura rápida e revela a transição dúctil-frágil dos aços. O ensaio de fadiga mede a vida sob carga cíclica, que é a causa da maior parte das falhas em serviço; para ciclos de carga, a Biopdi tem a cicladora mecânica Biocycle, e a máquina universal pode receber módulo dinâmico, sob consulta.
Metalografia
A metalografia é o vértice "estrutura" do tetraedro visto ao microscópio. A preparação segue uma sequência fixa: a amostra é cortada com disco abrasivo e refrigeração, para não aquecer e alterar a estrutura; é embutida em resina para facilitar o manuseio; é lixada em granulometrias sucessivas e polida até ficar espelhada; recebe um ataque químico que revela contornos de grão e fases; e é observada ao microscópio óptico de luz refletida. A preparação é descrita pela ASTM E3 e a medição do tamanho de grão, pela ASTM E112.
Para essa sequência, a Biopdi fabrica a cortadeira metalográfica, em versões de 600 rpm (corte em baixa velocidade) e de 1.200 rpm (alta velocidade), a politriz metalográfica para desbaste e polimento, também em 600 e 1.200 rpm, e o microscópio metalográfico trinocular, com ocular de 10X, objetivas de 20X, 40X e 100X (esta de imersão em óleo), iluminação Köhler e saída para câmera. Com a dureza e o ensaio de tração, a metalografia é o que confirma se um tratamento térmico deu o resultado esperado.
Normas do laboratório de ensaios
Os ensaios da formação seguem normas que o engenheiro vai encontrar em qualquer especificação de compra ou laudo. A tabela reúne as principais, com a edição vigente conferida em 30/09/2026:
| Norma | Assunto | Edição |
|---|---|---|
| ISO 6892-1 | tração de metais em temperatura ambiente | 2019 (ABNT NBR ISO 6892-1:2024) |
| ASTM E8/E8M | tração de metais | E8/E8M-25 |
| ASTM D638 | tração de plásticos | D638-22 |
| ASTM E3 | preparação de amostras metalográficas | E3-26 |
| ASTM E112 | tamanho médio de grão | E112-25e1 |
| ASTM E4 | calibração e verificação de força de máquinas de ensaio | E4-24 |
| ISO 7500-1 | verificação do sistema de força de máquinas de ensaio | 2018 (ABNT NBR ISO 7500-1:2023) |
Onde estudar Engenharia de Materiais
Não existe ranking oficial de cursos de engenharia de materiais, e este artigo não ordena instituições por qualidade. O que existe é a situação regulatória de cada curso, que se confere no e-MEC, o cadastro oficial do Ministério da Educação:
- Acesse emec.mec.gov.br e escolha a consulta avançada por curso.
- Digite "Engenharia de Materiais" e filtre por UF, município ou modalidade (presencial ou a distância).
- Abra o curso e confira a situação (em atividade), o ato de autorização e de reconhecimento e os indicadores de avaliação, como o conceito de curso (CC) e o conceito preliminar (CPC).
- No site da instituição, leia o projeto pedagógico e a matriz curricular vigentes, e verifique os laboratórios disponíveis.
A tabela abaixo lista exemplos de instituições públicas que oferecem o curso, em ordem alfabética da sigla. A lista não é completa nem é classificação; o e-MEC é a fonte para a lista inteira, que inclui também instituições privadas, como o Mackenzie e o Centro Universitário Fundação Santo André.
| Instituição | Cidade (UF) |
|---|---|
| CEFET-MG | Belo Horizonte (MG) |
| EEL-USP (Escola de Engenharia de Lorena) | Lorena (SP) |
| UFABC | Santo André (SP) |
| UFCA (Universidade Federal do Cariri) | Juazeiro do Norte (CE) |
| UFMG | Belo Horizonte (MG) |
| UFPB (Universidade Federal da Paraíba) | João Pessoa (PB) |
| UFPel | Pelotas (RS) |
| UFRGS | Porto Alegre (RS) |
| UFRJ | Rio de Janeiro (RJ) |
| UFSC | Blumenau (SC) |
| UFSCar | São Carlos (SP) |
| Unesp | Guaratinguetá (SP) |
| Unifei | Itajubá (MG) |
| Unifesp | São José dos Campos (SP) |
| UTFPR | Londrina (PR) |
Salário e mercado de trabalho
O dado público mais atual sobre salário vem do Novo Caged, o registro de admissões e desligamentos com carteira assinada do Ministério do Trabalho. O portal Salario.com.br compila esse dado por ocupação; para o engenheiro de materiais (CBO 2146-05), a tabela mostra a compilação atualizada em 03/09/2026, com dados de agosto de 2025 a julho de 2026:
| Indicador | Valor |
|---|---|
| Salário médio | R$ 11.836,71 por mês, jornada média de 43 h semanais |
| Mediana | R$ 11.352,00 |
| Menor e maior salário da amostra | R$ 3.744,46 e R$ 19.159,82 |
| Amostra | 257 profissionais |
| Admissões e desligamentos | 124 e 133, saldo de −9 postos |
| Indicador de contratação | 0,93 (menos admissões que desligamentos) |
Três cuidados na leitura. A amostra é de admissões e desligamentos, não de todos os empregados, e mistura recém-formados com experientes: a média não é salário de entrada. O período é móvel, e portais com outro recorte do mesmo Caged publicam médias diferentes. E o saldo negativo indica mercado estável ou em leve retração, sem escassez de profissionais; o diferencial vem da especialização e do domínio de laboratório.
Piso salarial: o que diz a Lei 4.950-A/66
A Lei nº 4.950-A, de 1966, fixa o salário mínimo profissional dos engenheiros diplomados em cursos de 4 anos ou mais. O art. 5º estabelece 6 vezes o maior salário mínimo vigente no país para a jornada de 6 horas diárias. Para jornada maior, o art. 6º manda calcular pelo mesmo valor-hora, com acréscimo de 25 % nas horas que excedem as 6 diárias. Numa jornada de 8 horas, isso dá 6 + 2 × 1,25 = 8,5 salários mínimos, que é o cálculo do manual do Confea. Os sindicatos aplicam às duas horas excedentes o adicional de 50 % da Constituição (art. 7º, XVI) e chegam a 6 + 2 × 1,5 = 9 salários mínimos.
Com o salário mínimo de 2026, de R$ 1.621, as contas ficam assim: 6 × 1.621 = R$ 9.726 para 6 horas; 8,5 × 1.621 = R$ 13.778,50 para 8 horas pelo texto da lei; e 9 × 1.621 = R$ 14.589 para 8 horas pela leitura sindical, que é o valor divulgado pelo Sindicato dos Engenheiros no Estado de São Paulo (SEESP) em 05/01/2026 (o SEESP publicou R$ 9.729 para 6 horas, R$ 3 acima da conta).
Há uma ressalva que muda o valor devido. No julgamento conjunto das ADPFs 53, 149 e 171, concluído em 2022, o Supremo Tribunal Federal manteve a lei, mas proibiu a correção automática pelo salário mínimo e congelou a base de cálculo no salário mínimo vigente na publicação da ata, em 03/03/2022, que era de R$ 1.212. A partir daí, o piso de 6 horas ficou em 6 × 1.212 = R$ 7.272, valor aplicado pela Justiça do Trabalho (TST, 1ª Turma, 2024), e reajustes dependem de negociação coletiva. O piso também não se aplica a servidores públicos estatutários. Na prática, a referência é a convenção coletiva da categoria no seu estado.
Outros ensaios e referências técnicas
Tipos de materiais: metais, cerâmicas, polímeros e compósitos (propriedades, como escolher e como ensaiar)
Os materiais de engenharia se dividem em quatro classes: metais, cerâmicas, polímeros e compósitos. As três primeiras diferem pelo tipo de ligação química, o que explica rigidez, ductilidade e temperatura de uso; os compósitos combinam duas ou mais classes. Veja exemplos, propriedades típicas com fonte, o diagrama de Ashby, como escolher e como ensaiar cada classe.
Polímeros biodegradáveis: o que são, tipos (PLA, PHA, PBAT, PBS, PCL, amido), normas e propriedades mecânicas
Polímeros biodegradáveis são plásticos que microrganismos convertem em CO₂, água e biomassa, e não apenas fragmentam. A biodegradação depende do ambiente: o PLA só chega a 90 % em seis meses em compostagem industrial. Veja a diferença entre biodegradável, compostável, de base biológica e oxidegradável, os tipos, as normas, as propriedades mecânicas e como ensaiar.
Recozimento do aço: o que é, tipos, temperaturas e efeitos nas propriedades
Recozimento é o tratamento térmico que aquece o metal, mantém a temperatura e resfria devagar, em geral dentro do forno, para reduzir a dureza e as tensões internas e recuperar a ductilidade e a usinabilidade. No aço, o recozimento pleno austenitiza cerca de 30 a 50 °C acima de Ac3, e os tipos subcríticos ficam abaixo de Ac1 (alívio de tensões de 550 a 650 °C, esferoidização de 700 a 720 °C). Veja os tipos, as temperaturas, a microestrutura, os efeitos com números e como conferir o resultado.
Tratamento térmico dos metais: o que é, tipos, diagrama ferro-carbono e curvas TTT
Tratamento térmico é o aquecimento e o resfriamento controlados de um metal sólido para mudar a microestrutura e, com ela, a dureza, a resistência e a tenacidade, sem mudar a forma da peça. Veja as três etapas, o diagrama ferro-carbono (eutetoide a 727 °C e 0,77 % C), as curvas TTT e CCT, as microestruturas, as famílias de tratamento, o 6061-T6, como escolher o processo e como conferir o resultado.
Perguntas frequentes
O que faz um engenheiro de materiais?
Seleciona, desenvolve e processa metais, polímeros, cerâmicas e compósitos, planeja e supervisiona ensaios, caracteriza produtos, analisa falhas e controla a qualidade de matérias-primas e produtos. É a descrição da CBO 2146-05, e a Resolução Confea nº 241/1976 inclui ensaio, padronização e controle de qualidade entre as suas atividades.
Qual o salário de um engenheiro de materiais?
No Caged de agosto de 2025 a julho de 2026, a média foi de R$ 11.836,71 e a mediana de R$ 11.352 por mês, com jornada média de 43 horas semanais e amostra de 257 profissionais (Salario.com.br, atualizado em 03/09/2026). A média mistura profissionais de todos os níveis e não é o salário de entrada.
Qual o piso salarial do engenheiro de materiais?
A Lei 4.950-A/66 fixa 6 salários mínimos para 6 horas diárias, com as horas excedentes acrescidas de 25 % (8,5 salários mínimos para 8 horas). Em 2022, o STF congelou a base de cálculo no salário mínimo de março de 2022 (R$ 1.212), o que dá R$ 7.272 para 6 horas. Os reajustes passaram a depender da convenção coletiva de cada estado.
Quanto tempo dura a faculdade de Engenharia de Materiais?
No mínimo 5 anos e 3.600 horas, pela Resolução CNE/CES nº 2/2007. Em geral são 10 semestres, como na EEL-USP, com estágio supervisionado e trabalho de conclusão de curso.
Quais são as 5 engenharias mais difíceis?
Não existe ranking oficial de dificuldade entre engenharias. Todas têm dois anos pesados de cálculo, física e química; a de materiais acrescenta química do estado sólido, termodinâmica de materiais e muitas horas de laboratório, o que exige gosto por química e por experimento.
Qual foi o primeiro curso de Engenharia de Materiais do Brasil?
O da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), criado em 1970, que foi também o primeiro da América Latina. O idealizador foi o professor Sergio Mascarenhas de Oliveira, e o Departamento de Engenharia de Materiais foi fundado em 1972.
Precisa de registro no Crea?
Sim. O exercício da profissão exige registro no Crea do estado, que atribui título e atividades com base no currículo cursado, conforme a Resolução Confea nº 1.073/2016. As atividades do engenheiro de materiais são as da Resolução 241/1976.
Qual a diferença entre engenharia de materiais e engenharia metalúrgica?
A metalúrgica trata dos metais, da extração ao produto siderúrgico. A de materiais cobre também polímeros, cerâmicas e compósitos. São ocupações distintas na CBO: 2146-10 (engenheiro metalurgista) e 2146-05 (engenheiro de materiais).
Existe Engenharia de Materiais EAD?
Há cursos a distância na área, principalmente de pós-graduação. Para a graduação, confira no e-MEC se o curso está autorizado e reconhecido e se o projeto pedagógico prevê as aulas práticas de laboratório, que são parte central da formação.
Quais laboratórios o curso tem?
Ensaios mecânicos em máquina universal (tração, compressão, flexão e dobramento), dureza, impacto, fadiga, metalografia (corte, embutimento, lixamento, polimento, ataque e microscopia), análise térmica e técnicas de caracterização microestrutural e química.
Onde o engenheiro de materiais trabalha?
Na indústria de transformação (siderurgia, metalurgia, petroquímica, plásticos, cerâmica, automotiva, aeroespacial, embalagens e dispositivos médicos), em laboratórios de ensaio e certificação, institutos de pesquisa, universidades, consultoria e perícia.