Granulometria do solo: ensaio e curva pela NBR 7181

Granulometria do solo pela NBR 7181:2025: peneiras, sedimentação com densímetro, curva granulométrica, D10, Cu e Cc, frações da NBR 6502 e exemplo resolvido.

Ensaios de SoloPor Mardoqueu M. Costa
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Granulometria do solo é a distribuição, em massa, dos tamanhos de grão de um solo. A ABNT NBR 7181:2025 mede essa distribuição por peneiramento, para os grãos maiores que 0,075 mm, e por sedimentação com densímetro, para os finos. O resultado é a curva granulométrica, que dá as frações do solo, os diâmetros D10, D30 e D60 e os coeficientes Cu e Cc. É o primeiro ensaio de caracterização de qualquer solo que vai virar aterro, camada de pavimento ou apoio de fundação, e o ponto de partida da classificação e da escolha dos ensaios seguintes.

O termo granulometria também se usa para agregado de concreto e na agronomia, onde o ensaio, as faixas e o resultado mudam; este guia trata do solo para engenharia, e as diferenças estão resumidas na seção solo, agregado e textura agronômica. A seguir estão o conceito, as frações pela NBR 6502:2022, a norma com a edição vigente conferida em 07/10/2026, a aparelhagem, o passo a passo, a lei de Stokes, os cálculos, a leitura da curva, os coeficientes de graduação, um exemplo resolvido e os erros que mais distorcem o resultado.

Na foto, os dois métodos lado a lado: a série de peneiras empilhada, com a tampa em cima, as peneiras com as frações de areia e pedregulho já separadas, duas provetas de sedimentação com o densímetro flutuando na suspensão de solo e a balança que pesa cada fração.

Série de peneiras empilhadas com tampa, peneiras com frações retidas de areia e pedregulho, duas provetas de sedimentação com o densímetro flutuando na suspensão de solo e uma balança na bancada
Os dois métodos da NBR 7181:2025 na bancada: a série de peneiras para os grãos grossos e as provetas com densímetro para os finos

O que é granulometria do solo e para que serve

Granulometria do solo, ou análise granulométrica, é a determinação das porcentagens, em massa seca, dos grãos de cada faixa de tamanho que compõem um solo. O tamanho dos grãos vai de matacões a partículas de argila menores que 0,002 mm, e nenhum método sozinho mede essa faixa inteira: por isso o ensaio combina dois.

Granulometria em uma frase, e o diâmetro equivalente

Granulometria é a resposta à pergunta "quanto deste solo, em massa, é menor que cada diâmetro?". O "diâmetro" tem dois significados conforme o método. Nos grãos grossos, é a abertura da malha da peneira que o grão atravessa: um grão que passa na peneira de 0,42 mm e fica retido na de 0,25 mm tem diâmetro entre esses dois valores. Nos finos, que não se peneiram de forma confiável, o diâmetro é calculado pela velocidade com que o grão cai na água, pela lei de Stokes, e recebe o nome de diâmetro equivalente: é o diâmetro da esfera do mesmo material que cairia com a mesma velocidade. Para uma partícula de argila, que tem forma de placa, o diâmetro equivalente não é uma medida da partícula real, mas é a convenção que permite comparar solos.

Para que serve a granulometria

A curva granulométrica entra em quase todas as decisões sobre um solo de obra:

  • Classificação: o Sistema Unificado (USCS, pela ASTM D2487) e o sistema rodoviário TRB/HRB usam a granulometria, junto com os limites de liquidez e de plasticidade, para dar ao solo um grupo e um nome;
  • Preparação de outros ensaios: a quantidade retida nas peneiras de 4,8 mm e 19,1 mm decide, pela NBR 6457:2024, o cilindro do ensaio Proctor e o que fazer com os grãos graúdos;
  • Drenagem e permeabilidade: o D10, chamado de diâmetro efetivo, é a base de correlações empíricas de permeabilidade de areias, como a de Hazen, e os diâmetros característicos entram no dimensionamento de filtros e drenos;
  • Pavimentação: as especificações de sub-base e base aceitam ou rejeitam materiais por faixas granulométricas, e a mesma ideia de faixa aparece nas misturas asfálticas do ensaio Marshall;
  • Previsão de comportamento: solos bem graduados compactam melhor e atingem massas específicas mais altas; areias uniformes drenam bem, mas compactam mal; solos com muito silte são sensíveis à água e à erosão.

Há um limite claro para o que a curva diz. Em solos finos, com mais da metade da massa passando na peneira de 0,075 mm, o comportamento depende mais do tipo de argilomineral e da água do que do tamanho: dois solos com a mesma curva podem ter plasticidade muito diferente. Nesses solos, quem decide a classificação são os limites de Atterberg, e a granulometria passa a ser um dado complementar.

Frações do solo pela NBR 6502:2022

As frações granulométricas do solo são as faixas de tamanho que recebem nome próprio: pedregulho, areia, silte e argila. No Brasil, os limites dessas frações vêm da ABNT NBR 6502:2022, a norma de terminologia de solos e rochas. A NBR 7181:2025 não define frações nem classifica o solo: ela só mede a distribuição e manda apresentá-la na curva. A tabela resume as quatro frações principais:

FraçãoDiâmetro dos grãosComo se mede na NBR 7181:2025
Pedregulhode 2,0 mm a 60 mmPeneiramento grosso (50 a 2,0 mm)
Areiade 0,06 mm a 2,0 mmPeneiramento fino (1,2 a 0,075 mm)
Siltede 0,002 mm a 0,06 mmSedimentação com densímetro
Argilamenor que 0,002 mmSedimentação com densímetro

Um detalhe da tabela engana muita gente: o silte vai de 0,002 mm a 0,06 mm, e não até 0,6 mm. A troca de 0,06 por 0,6 aparece em páginas que alimentam respostas de buscadores e de IA, e muda tudo: 0,6 mm é areia média para grossa, um grão visível a olho nu. Outra sutileza é que a peneira mais fina da série, de 0,075 mm, não coincide com o limite areia/silte, de 0,06 mm. A faixa entre os dois valores só é resolvida pela sedimentação; num ensaio só por peneiramento, tudo o que passa na 0,075 mm é contado junto como "finos".

Na natureza, quase nenhum solo é feito de uma fração só. O nome segue a fração predominante, com a secundária como adjetivo: uma "areia argilosa" é predominantemente areia, com argila suficiente para mudar o comportamento, e uma "argila arenosa" é o contrário. A ordem das palavras é técnica, não estilo.

Escalas granulométricas: ABNT, USCS e Embrapa

Escala granulométrica é o conjunto de limites que um sistema usa para separar as frações, e cada área técnica adotou a sua. O limite entre areia e finos, em particular, muda de sistema para sistema, e porcentagens de areia ou de silte calculadas em escalas diferentes não podem ser comparadas diretamente:

FraçãoABNT NBR 6502:2022USCS (ASTM D2487)Textura agronômica (Embrapa, 2017)
Argila< 0,002 mmFinos, < 0,075 mm; silte e argila separados pela plasticidade, não pelo tamanho< 0,002 mm
Silte0,002 a 0,06 mmFinos, < 0,075 mm0,002 mm até a peneira de 0,053 mm
Areia0,06 a 2,0 mm0,075 a 4,75 mm0,053 a 2,0 mm (grossa e fina separadas na 0,212 mm)
Pedregulho2,0 a 60 mm4,75 a 75 mmAcima de 2,0 mm, fora da terra fina analisada

A diferença mais prática é a do pedregulho. Para a ABNT, um grão de 3 mm é pedregulho; para a USCS, que separa pedregulho e areia na peneira nº 4, de 4,75 mm, ele ainda é areia. Por isso o laudo deve dizer qual escala usou, e a classificação USCS deve ser feita com os limites da própria USCS, como no exemplo resolvido mais abaixo.

A norma: ABNT NBR 7181:2025

A ABNT NBR 7181:2025, Solo: Análise granulométrica, é a norma brasileira que prescreve a análise granulométrica de solos por peneiramento ou pela combinação de sedimentação e peneiramento. As edições e a situação das normas abaixo foram conferidas em 07/10/2026: a NBR 7181 e a NBR 6457 no texto integral, as demais ABNT na ficha do catálogo, a DNIT no PDF da coletânea do órgão (gov.br) e as ASTM na loja da ASTM.

NormaObjetoSituação conferida em 07/10/2026
ABNT NBR 7181:2025Solo: análise granulométrica (peneiramento e sedimentação)Vigente; 3ª edição, de 15/01/2025, na versão corrigida 2, de 13/07/2026
ABNT NBR 6457:2024Preparação de amostras para compactação e caracterização; teor de umidadeVigente; 3ª edição, de 09/01/2024
ABNT NBR 6502:2022Solos e rochas: terminologia (limites das frações)Vigente; edição de 2022, que substituiu a de 1995
ABNT NBR 17212:2025Massa específica dos sólidos da fração que passa na peneira de 2,0 mmVigente, com errata de 10/2025 (ficha do catálogo)
DNIT 459/2025-MESolos: análise granulométrica (método rodoviário)Vigente, com a Errata 1 incorporada; cancela as DNER-ME 051/94 e 080/94
ASTM D6913/D6913M-17(2025)Distribuição granulométrica de solos por peneiramentoAtiva (reaprovada em 2025)
ASTM D7928-21e1Distribuição dos finos por sedimentação com densímetroAtiva
ASTM D2487-17(2025)Classificação de solos para engenharia (USCS)Ativa (reaprovada em 2025)

Edição, erratas e o que mudou

A NBR 7181:2025 é a 3ª edição da norma, publicada em 15/01/2025 pela Comissão de Estudo Especial de Solos (ABNT/CEE-221). Ela cancela e substitui a NBR 7181:2016 na Versão Corrigida 2, de 2018, declarada tecnicamente revisada. Depois da publicação, recebeu duas erratas, a Errata 1, de 18/12/2025, e a Errata 2, de 13/07/2026, ambas incorporadas na versão corrigida 2, de 13/07/2026, que é a que vale hoje. Laudo novo que cite a edição de 1984 ou a de 2016 está com a referência desatualizada.

O texto da 2025 não lista as mudanças em relação à 2016. Duas coisas são verificáveis no próprio texto: a massa específica dos sólidos, necessária para a sedimentação, agora é determinada pela NBR 17212, na fração que passa na peneira de 2,0 mm; e o Anexo A, normativo, exige duas curvas de calibração próprias para cada densímetro. Afirmações de que a nova edição "passou a exigir calibração das balanças" não têm apoio no texto: a calibração das balanças aparece como recomendação, numa nota, e não como requisito.

O escopo é o mesmo de sempre: o ensaio pode ser feito só por peneiramento, quando os finos não precisam ser separados em silte e argila, ou pela combinação de sedimentação e peneiramento, quando a curva precisa cobrir também a fração fina. As referências normativas são a NBR 6457, para a preparação da amostra e a umidade, a NBR 17212, para a massa específica dos sólidos, e as NBR NM ISO 3310-1 e 3310-2, que especificam as peneiras de tela metálica e de chapa perfurada.

A norma rodoviária: DNIT 459/2025-ME

Nas obras do DNIT, a análise granulométrica de solos segue a DNIT 459/2025-ME, que cancelou e substituiu a DNER-ME 051/94 e a DNER-ME 080/94. O método é o mesmo em essência, com algumas diferenças de detalhe. Na série fina, a DNIT usa a peneira de 0,30 mm onde a NBR usa a de 0,25 mm. O densímetro é identificado pelo modelo 151H, de bulbo simétrico, calibrado a 20 °C e graduado de 0,995 a 1,050, o mesmo intervalo de escala da NBR. A norma do DNIT também registra que o diâmetro pode ser obtido pelo método gráfico de Casagrande, possibilidade que a NBR 7181:2025 menciona em nota. O ensaio CBR e as especificações de camada exigem a granulometria por essa norma, como mostra o artigo do ensaio CBR.

As normas da ASTM

Nos Estados Unidos, a granulometria de solos foi dividida em duas normas: a ASTM D6913/D6913M-17(2025), para o peneiramento, e a ASTM D7928-21e1, para a sedimentação dos finos com densímetro. A classificação do solo a partir da curva e dos limites de Atterberg é feita pela ASTM D2487-17(2025), o Sistema Unificado. Um cuidado de numeração: a ASTM D7181 é uma norma de ensaio triaxial, sem relação com a NBR 7181.

Aparelhagem do ensaio de granulometria

A aparelhagem da análise granulométrica pela NBR 7181:2025 tem duas partes: a do peneiramento, com peneiras, agitador, estufa e balanças, e a da sedimentação, com aparelho de dispersão, proveta, densímetro e termômetro. Os itens abaixo estão descritos com palavras próprias:

  • Peneiras: 13 aberturas, de 50; 38; 25; 19; 9,5; 4,8; 2,0; 1,2; 0,6; 0,42; 0,25; 0,15 e 0,075 mm, conforme as NBR NM ISO 3310-1 e 3310-2, e uma escova de cerdas metálicas para soltar os grãos presos na malha;
  • Agitador mecânico de peneiras: que fixe até seis peneiras, contando a tampa e o fundo;
  • Estufa: capaz de manter 105 °C a 110 °C e também 60 °C a 65 °C;
  • Balanças: de 200 g com resolução de 0,01 g, de 1,5 kg com 0,1 g, de 5 kg com 0,5 g e de 10 kg com 1 g;
  • Aparelho de dispersão: com hélice substituível girando a no mínimo 9.000 rotações por minuto, dentro de um copo com chicanas fixas, que quebram o vórtice e obrigam a suspensão a se misturar;
  • Proveta de sedimentação: de vidro, com cerca de 450 mm de altura e 65 mm de diâmetro, e traço de 1.000 cm³ a 20 °C;
  • Densímetro de bulbo simétrico: calibrado a 20 °C, com escala de 0,995 a 1,050;
  • Termômetro: de 0 °C a 50 °C, graduado em 0,1 °C, e relógio com indicação de segundos;
  • Banho de temperatura: que mantenha a suspensão a temperatura aproximadamente constante, dispensável quando o próprio ambiente tem temperatura estável;
  • Acessórios: almofariz e mão de gral, béquer de pelo menos 250 cm³, proveta de 250 cm³, bagueta de vidro, pisseta, cápsulas para umidade e recipientes que conservem a umidade da amostra.

A balança da pesagem inicial depende do maior grão da amostra: acima de 25 mm, a de 10 kg com 1 g; de 5 mm a 25 mm, a de 5 kg com 0,5 g; abaixo de 5 mm, a de 1,5 kg com 0,1 g. Na pilha de peneiras, as aberturas ficam em ordem decrescente de cima para baixo, com a tampa no topo e o fundo embaixo, para que cada grão pare na primeira malha que não consegue atravessar.

Como fazer o ensaio de granulometria, passo a passo

A análise granulométrica pela NBR 7181:2025 separa a amostra na peneira de 2,0 mm e trata as duas partes por caminhos diferentes: o retido vai para o peneiramento grosso, e o passante vai para o peneiramento fino ou para a sedimentação. O fluxograma abaixo mostra o caminho completo, da amostra preparada à curva:

Fluxograma da análise granulométrica pela NBR 7181:2025: amostra preparada pela NBR 6457:2024, separação na peneira de 2,0 mm, ramo grosso com lavagem, secagem e peneiras de 50 a 4,8 mm, ramo fino só por peneiramento ou por sedimentação com defloculante, dispersão de 15 minutos e leituras de 30 segundos a 24 horas, peneiramento fino de 1,2 a 0,075 mm e cálculos
O caminho da amostra na NBR 7181:2025: o ramo grosso nas peneiras de 50 a 4,8 mm e o ramo fino por peneiramento ou por sedimentação

Preparação da amostra pela NBR 6457:2024

A amostra é preparada pela NBR 6457:2024, que para a granulometria manda usar sempre o processo com secagem prévia: o solo é seco ao ar, os torrões são desmanchados sem quebrar grãos, e a amostra é reduzida por repartidor ou quarteamento. A quantidade mínima depende do maior grão, avaliado visualmente: 1 kg se ele for menor que 5 mm, 4 kg se estiver entre 5 mm e 25 mm, e 8 kg se passar de 25 mm. Para a sedimentação, a mesma norma prevê cerca de 500 g do material que passa na peneira de 2,0 mm para determinar a massa específica dos sólidos. A preparação completa e a determinação de umidade estão no artigo sobre a NBR 6457.

Separação na peneira de 2,0 mm

A amostra seca ao ar é pesada na balança escolhida pelo maior grão, e essa massa é a Mt. Em seguida, passa na peneira de 2,0 mm, com os torrões desmanchados no almofariz para que só fiquem retidos os grãos realmente maiores que a malha. O material retido é lavado, para tirar os finos grudados nele, e seco em estufa a 105 °C a 110 °C até constância de massa. Pular a lavagem faz a argila aderida aos pedregulhos ser contada como pedregulho.

Peneiramento grosso e peneiramento fino

O retido na 2,0 mm, lavado e seco, é pesado (Mg) e passado no agitador pelas peneiras de 50, 38, 25, 19, 9,5 e 4,8 mm, anotando-se as massas retidas acumuladas em cada uma. Esse é o peneiramento grosso.

Do material que passou na 2,0 mm, quando o ensaio é só por peneiramento, tomam-se cerca de 120 g, pesados com 0,01 g, e mais cerca de 100 g para três determinações da umidade higroscópica. Os 120 g são lavados na peneira de 0,075 mm com água potável a baixa pressão; o retido é seco a 105 °C a 110 °C e passado pelas peneiras de 1,2; 0,6; 0,42; 0,25; 0,15 e 0,075 mm, com as massas retidas acumuladas anotadas. Esse é o peneiramento fino. Em solos muito uniformes, a norma admite peneiras intermediárias, nos dois peneiramentos, para que a curva tenha pontos suficientes na faixa estreita em que o solo se concentra.

Sedimentação com densímetro

Quando a curva precisa separar silte e argila, a parte que passa na 2,0 mm vai para a sedimentação antes do peneiramento fino. A sequência da NBR 7181:2025 é:

  1. Massa: cerca de 120 g para solos arenosos ou 70 g para solos siltosos e argilosos, pesados com 0,01 g, e mais cerca de 100 g para três umidades higroscópicas.
  2. Defloculante: o solo vai para um béquer com 125 cm³ de solução de hexametafosfato de sódio a 45,7 g por litro, tamponada com carbonato de sódio até pH 8 a 9. O tampão evita que o hexametafosfato se reverta a ortofosfato e perca o efeito, e a norma manda respeitar a validade dos sais. Se esse defloculante não dispersar o solo, é preciso investigar outro tipo ou outra dosagem.
  3. Repouso: o béquer é agitado até o material ficar todo imerso e repousa por no mínimo 12 horas.
  4. Dispersão: a mistura vai para o copo de dispersão, completado com água destilada até cerca de 5 cm abaixo da borda, e é dispersa por 15 minutos. Solos cujos grãos se quebram nesse processo pedem um tempo menor, que a norma deixa ao laboratório.
  5. Proveta: a suspensão é transferida para a proveta, completada até 1.000 cm³ e levada ao banho ou ao ambiente de temperatura constante. No equilíbrio térmico, a boca é tampada com a mão e a proveta é girada, de boca para cima e para baixo, durante 1 minuto.
  6. Leituras: no instante em que a proveta volta à bancada, marca-se o início. O densímetro é mergulhado e lido em 30 s, 1 min e 2 min, permanecendo na suspensão, e depois retirado. As leituras seguintes são em 4, 8, 15 e 30 minutos e em 1, 2, 4, 8 e 24 horas, com o densímetro colocado 15 a 20 segundos antes de cada uma: são 12 leituras ao todo. A norma recomenda repetir as três primeiras, agitando a proveta de novo.
  7. Como ler: a leitura é feita no topo do menisco, depois que o densímetro estabiliza, com interpolação de 0,000 5. Entre leituras, o densímetro fica numa proveta de água limpa à mesma temperatura. A temperatura da suspensão é medida, com 0,1 °C, depois de cada leitura, exceto as duas primeiras.
  8. Fim: depois da leitura de 24 horas, toda a suspensão é lavada na peneira de 0,075 mm, e o retido segue para o peneiramento fino, como no ensaio só por peneiramento.

A leitura no topo do menisco tem uma razão prática: a suspensão de solo é opaca, e a base do menisco não se vê. A correção desse efeito, e a da temperatura e do defloculante dissolvido, já está embutida na calibração do densímetro.

Calibração de cada densímetro

O Anexo A da NBR 7181:2025 é normativo e exige duas curvas para cada densímetro do laboratório. A primeira relaciona a leitura no meio dispersor com a temperatura: diluem-se 125 cm³ da solução defloculante em 875 cm³ de água destilada e lê-se o densímetro, no topo do menisco, em temperaturas de 10 °C a 35 °C. Essa curva dá a leitura Lmd que entra no cálculo. A segunda relaciona a leitura com a altura de queda: a altura a é a distância de cada traço da haste até o centro de volume do bulbo, válida para as leituras dos primeiros 2 minutos, com o densímetro dentro da suspensão; para as leituras seguintes, em que o densímetro é colocado e retirado, usa-se a altura corrigida a', que desconta a subida do nível causada pelo volume do bulbo, a' = a − Va/(2A), com Va o volume do bulbo e A a área interna da proveta. Usar a curva de um densímetro em outro é erro sistemático, mesmo que sejam do mesmo modelo.

Lei de Stokes: por que a sedimentação dura 24 horas

A lei de Stokes diz que uma esfera pequena que cai num líquido viscoso atinge uma velocidade constante proporcional ao quadrado do seu diâmetro: v = (ρs − ρw) · g · d² / (18 · η), com ρs a massa específica dos grãos, ρw a da água, g a aceleração da gravidade e η a viscosidade da água. A sedimentação usa essa lei ao contrário: em cada leitura, o tempo decorrido e a altura de queda dizem qual é o maior diâmetro que ainda está em suspensão na altura do densímetro, e a leitura diz quanto solo ainda está lá.

A forma da NBR 7181:2025

A NBR 7181:2025 escreve a lei já resolvida para o diâmetro, em unidades de laboratório: d = √[1.800 · μ / (ρs − ρmd) · z / t], com d em mm, μ a viscosidade do meio dispersor em g·s/cm², z a altura de queda em cm (a ou a', da calibração do densímetro), t o tempo em segundos e ρmd a massa específica do meio dispersor, que a norma manda adotar igual a 1,000 g/cm³. O fator 1.800 converte as unidades. A viscosidade sai de uma tabela da norma, em função da temperatura medida; a 20 °C, ela vale 10,29 × 10⁻⁶ g·s/cm², e valores intermediários são interpolados linearmente. É por isso que a temperatura precisa ser medida a cada leitura: a viscosidade da água cai cerca de 2 % por grau, e a velocidade de queda sobe na mesma proporção.

Quanto tempo cada grão leva para cair

O gráfico abaixo mostra o tempo que uma partícula leva para cair 10 cm em água a 20 °C, para diâmetros que marcam limites de fração. É um cálculo da Biopdi, com ρs = 2,65 g/cm³ e η = 1,002 × 10⁻³ Pa·s, e não um valor da norma; as marcas no alto são as 12 leituras da NBR 7181:2025:

Gráfico de barras em escala logarítmica com o tempo para uma partícula cair 10 cm em água a 20 graus: 20 segundos para 0,075 mm, 31 segundos para 0,06 mm, 4,6 minutos para 0,02 mm, 51,6 minutos para 0,006 mm e 7,7 horas para 0,002 mm, com as doze leituras do densímetro marcadas de 30 segundos a 24 horas
Pela lei de Stokes, o grão de 0,06 mm cai 10 cm em cerca de 31 s e o de 0,002 mm leva cerca de 7,7 h: daí as leituras até 24 h

A conta do grão de 0,002 mm, passo a passo: v = (2.650 − 1.000) × 9,81 × (2 × 10⁻⁶)² / (18 × 1,002 × 10⁻³) = 3,59 × 10⁻⁶ m/s, ou cerca de 13 mm por hora; para cair 0,10 m, são 0,10 / 3,59 × 10⁻⁶ = 27.900 s, cerca de 7,7 horas. O grão de 0,06 mm é 30 vezes maior e cai 900 vezes mais depressa: os mesmos 10 cm em 31 s. A primeira leitura, aos 30 s, fica perto do limite entre areia e silte; as leituras de 8 e de 24 horas entram fundo na fração argila. Os tempos de leitura crescem em progressão aproximadamente geométrica, quase sempre dobrando, porque o diâmetro cai com a raiz quadrada do tempo: dobrar o tempo reduz o diâmetro lido em cerca de 30 %, o que espalha os pontos de forma regular no eixo logarítmico da curva.

Hipóteses e limites

A lei de Stokes vale para uma esfera rígida, isolada, caindo em regime laminar num líquido em repouso. Na proveta, três dessas hipóteses são aproximações: os grãos de argila são placas, e não esferas; a suspensão tem muitos grãos, que interagem; e a dispersão precisa ser completa, senão grumos de argila caem como se fossem grãos de silte. Por isso o diâmetro da sedimentação é um diâmetro equivalente, e por isso o defloculante e a dispersão mecânica pesam tanto no resultado: uma argila mal dispersa aparece na curva como silte, e o solo parece mais grosso do que é.

Cálculos da NBR 7181:2025

O cálculo da análise granulométrica converte as massas retidas e as leituras do densímetro em porcentagens que passam, sempre em relação à massa seca total da amostra. São cinco expressões, apresentadas aqui com a notação da norma e com palavras próprias:

  • Massa seca total: Ms(t) = (Mt − Mg) / (1 + w) + Mg, em g. A parte que passa na 2,0 mm é descontada da sua umidade higroscópica w, em decimal; o retido na 2,0 mm já foi seco em estufa e entra direto.
  • Porcentagem que passa nas peneiras grossas (50 a 2,0 mm): Qg = (Ms(t) − Mr) / Ms(t) × 100, com Mr a massa retida acumulada na peneira.
  • Porcentagem que passa na 2,0 mm: N = (Ms(t) − Mr(2,0)) / Ms(t) × 100. É o fator que leva as porcentagens da parte fina para a amostra toda.
  • Porcentagem que passa nas peneiras finas (1,2 a 0,075 mm): Qf = [(Mu − Mr · (1 + w)) / Mu] × N, com Mu a massa úmida tomada para o peneiramento fino ou para a sedimentação. A massa retida, pesada seca, é multiplicada por (1 + w) para ficar na mesma base úmida de Mu.
  • Porcentagem em suspensão na sedimentação: P = [ (1 / Ms) · ρs / (ρs − ρmd) · (L − Lmd) · 1.000 ] × N, válida para a proveta de 1.000 cm³, com Ms a massa seca levada à sedimentação, L a leitura na suspensão e Lmd a leitura no meio dispersor à mesma temperatura. Cada P vem acompanhado do diâmetro d da lei de Stokes calculado para o mesmo instante.

A massa específica dos sólidos ρs, que entra na porcentagem em suspensão e no diâmetro, vem de um ensaio próprio, pela NBR 17212, feito no material que passa na peneira de 2,0 mm. A granulometria com sedimentação, portanto, depende de dois ensaios.

Curva granulométrica: como traçar e ler

A curva granulométrica é o gráfico da porcentagem que passa, em escala aritmética no eixo vertical, contra o diâmetro dos grãos, em escala logarítmica no eixo horizontal, como manda a NBR 7181:2025. A norma admite também a porcentagem retida no eixo vertical; o importante é que o laudo diga qual das duas usou. A escala logarítmica é obrigatória por uma razão simples: os diâmetros vão de cerca de 50 mm a menos de 0,001 mm, quase cinco ordens de grandeza, e numa escala linear toda a argila e todo o silte ficariam espremidos junto ao zero.

Interpolação logarítmica de D10, D30 e D60

Os diâmetros característicos D10, D30 e D60 são os diâmetros abaixo dos quais passam 10 %, 30 % e 60 % da massa do solo. Raramente uma peneira cai exatamente nessas porcentagens, e o valor é interpolado entre as duas peneiras vizinhas. Como o eixo é logarítmico, a interpolação também deve ser:

Dx = D1 · (D2 / D1)(x − P1) / (P2 − P1)

com D1 e D2 as aberturas das peneiras vizinhas e P1 e P2 as porcentagens que passam nelas. A interpolação linear entre as aberturas dá um diâmetro um pouco maior que o lido na curva, e o erro cresce quanto mais distantes estão as duas peneiras. Ler o valor "no olho" sobre um gráfico impresso é aceitável para conferir, mas não para o laudo.

Três formas de curva

A forma da curva conta, antes de qualquer conta, como o solo é graduado. Uma curva longa e suave, que atravessa várias frações, é de um solo bem graduado, com grãos de todos os tamanhos. Uma curva quase vertical é de um solo uniforme, com quase todos os grãos do mesmo tamanho, como uma areia de praia. Uma curva com um patamar horizontal é de um solo descontínuo, em que falta uma faixa de tamanhos. O gráfico mostra as três formas com curvas ilustrativas, e não com resultados de ensaio:

Três curvas granulométricas ilustrativas em escala logarítmica: bem graduada com Cu de 11,3 e Cc de 1,25, uniforme com Cu de 1,67 e Cc de 1,07, quase vertical, e descontínua com Cu de 20 e Cc de 0,11, com patamar entre 0,2 e 1,2 mm
Bem graduada, uniforme e descontínua: a descontínua tem o maior Cu, mas o Cc fora de 1 a 3 a reprova

A leitura das frações também sai da curva: a porcentagem de cada fração é a diferença entre as porcentagens que passam nos seus dois limites. Se a curva de um solo passa 68 % em 0,06 mm e 42 % em 0,002 mm, ele tem 42 % de argila e 68 − 42 = 26 % de silte.

D10, Cu e Cc: solo bem graduado ou mal graduado

O coeficiente de não uniformidade, Cu, e o coeficiente de curvatura, Cc, são os dois números que transformam a forma da curva em critério de classificação. O Cu, também chamado de coeficiente de uniformidade, é Cu = D60 / D10 e mede a extensão da curva: quanto maior, mais variados os tamanhos. O Cc é Cc = D30² / (D10 · D60) e mede a forma da curva entre D10 e D60: valores entre 1 e 3 indicam uma curva sem falta de tamanhos intermediários.

O critério mais usado para dizer se um solo grosso é bem graduado é o da USCS, na ASTM D2487-17(2025), que vale para pedregulhos e areias com menos de 5 % de finos:

Solo grossoBem graduadoMal graduado
Pedregulho com menos de 5 % de finosCu ≥ 4 e 1 ≤ Cc ≤ 3 (GW)Qualquer critério não atendido (GP)
Areia com menos de 5 % de finosCu ≥ 6 e 1 ≤ Cc ≤ 3 (SW)Qualquer critério não atendido (SP)
De 5 % a 12 % de finosSímbolo duplo, como SW-SM ou GW-GCSímbolo duplo, como SP-SM ou SP-SC
Mais de 12 % de finosGM, GC, SM ou SC, conforme a plasticidade dos finos (limites de Atterberg)

Na USCS, "finos" é o que passa na peneira de 0,075 mm, e o solo é pedregulho ou areia conforme a maior parte da fração grossa fique retida ou passe na peneira de 4,75 mm. No símbolo duplo, a segunda parte (M ou C) depende de os finos se comportarem como silte ou como argila, o que se decide pelos limites de Atterberg, e não pela curva.

A armadilha: Cu alto não basta

Um solo descontínuo pode ter Cu muito alto, porque o D60 cai na faixa grossa e o D10 na fina, e ainda assim ser mal graduado. Na curva ilustrativa descontínua, o Cu é 20, mais de três vezes o mínimo para areia, mas o Cc é 0,11: o D30 está colado no D10, porque falta a faixa intermediária. Sem os grãos intermediários, os grãos finos não preenchem os vazios dos grossos, e o solo compacta mal e pode perder os finos por erosão interna. Por isso o laudo que traz só o Cu está incompleto, e o critério sempre exige os dois coeficientes.

Exemplo resolvido passo a passo

O exemplo a seguir percorre uma análise granulométrica só por peneiramento de uma areia com pouco pedregulho, das massas à classificação. Em seguida, uma leitura de sedimentação de outro solo mostra o cálculo da parte fina. Todos os números foram calculados pela Biopdi, com as expressões da NBR 7181:2025.

Passo 1: massa seca total e porcentagem que passa na 2,0 mm

O maior grão da amostra fica entre 4,8 mm e 9,5 mm, então a NBR 6457:2024 pede no mínimo 4 kg, e a pesagem inicial é feita na balança de 5 kg com 0,5 g. A amostra seca ao ar tem Mt = 4.000,0 g. O retido na 2,0 mm, lavado e seco, tem Mg = 313,0 g, e a umidade higroscópica do passante, média de três determinações, é w = 2,5 %.

  • Massa seca total: Ms(t) = (4.000,0 − 313,0) / 1,025 + 313,0 = 3.597,1 + 313,0 = 3.910,1 g.
  • Passante na 2,0 mm: N = (3.910,1 − 313,0) / 3.910,1 × 100 = 92,0 %.
  • Peneiramento grosso: nada ficou retido na 9,5 mm, e o retido acumulado na 4,8 mm foi de 78,0 g, então Qg = (3.910,1 − 78,0) / 3.910,1 × 100 = 98,0 % na 4,8 mm.

Passo 2: peneiramento fino

Do passante na 2,0 mm, tomou-se Mu = 120,00 g úmidos, lavados na 0,075 mm, secos e peneirados. Em cada peneira, a massa retida acumulada é multiplicada por 1,025 e entra em Qf. Na peneira de 1,2 mm, por exemplo, o retido acumulado foi de 11,45 g, e Qf = [(120,00 − 11,45 × 1,025) / 120,00] × 92,0 = (108,26 / 120,00) × 92,0 = 83,0 %. As demais seguem a mesma conta:

Peneira (mm)Retido acumulado (g)Retido × 1,025 (g)Passa (%)
9,50,0(peneiramento grosso)100,0
4,878,0(peneiramento grosso)98,0
2,0313,0(peneiramento grosso)92,0
1,211,4511,7483,0
0,628,0028,7070,0
0,4243,2744,3558,0
0,2561,0862,6144,0
0,1585,2687,3925,0
0,075106,89109,568,0

Passo 3: D10, D30 e D60

Com a interpolação logarítmica entre as peneiras vizinhas:

  • D10, entre 0,075 mm (8,0 %) e 0,15 mm (25,0 %): D10 = 0,075 × 22/17 = 0,075 × 1,085 = 0,081 mm.
  • D30, entre 0,15 mm (25,0 %) e 0,25 mm (44,0 %): D30 = 0,15 × 1,6675/19 = 0,15 × 1,144 = 0,172 mm.
  • D60, entre 0,42 mm (58,0 %) e 0,6 mm (70,0 %): D60 = 0,42 × 1,4292/12 = 0,42 × 1,061 = 0,446 mm.

Os coeficientes, com os diâmetros sem arredondar (0,0814, 0,1716 e 0,4457 mm), ficam Cu = 0,4457 / 0,0814 = 5,5 e Cc = 0,1716² / (0,0814 × 0,4457) = 0,02945 / 0,03628 = 0,81. O gráfico mostra a curva do exemplo sobre as faixas da NBR 6502:2022, com os três diâmetros marcados:

Curva granulométrica do exemplo resolvido em escala logarítmica, com as faixas de argila, silte, areia e pedregulho da NBR 6502:2022, os pontos das peneiras de 9,5 a 0,075 mm e as leituras D10 de 0,081 mm, D30 de 0,172 mm e D60 de 0,446 mm, com Cu de 5,5 e Cc de 0,81
Curva do exemplo: D10 = 0,081 mm, D30 = 0,172 mm e D60 = 0,446 mm, com Cu = 5,5 e Cc = 0,81

Passo 4: frações e classificação

Pela escala da NBR 6502:2022, o solo tem 100 − 92,0 = 8,0 % de pedregulho (acima de 2,0 mm) e 92,0 − 8,0 = 84,0 % de grãos entre 0,075 e 2,0 mm, quase todos areia. Os 8,0 % que passam na 0,075 mm são finos: como o ensaio foi só por peneiramento, eles não se separam em silte e argila, e incluem a pequena faixa de areia muito fina entre 0,06 e 0,075 mm.

Para a USCS, os limites são outros. Passam 98,0 % na peneira de 4,75 mm (a de 4,8 mm da série brasileira), então só 2,0 % da massa é pedregulho, e a fração grossa é quase toda areia: o solo é uma areia. Os finos são 8,0 %, entre 5 % e 12 %, o que exige símbolo duplo. O Cu de 5,5 não chega a 6, e o Cc de 0,81 fica abaixo de 1: a areia é mal graduada (SP), mesmo com uma curva que, a olho, parece razoavelmente estendida. A classificação final é SP-SM, se os finos se comportarem como silte, ou SP-SC, se se comportarem como argila, o que se decide pelos limites de Atterberg dos finos.

Passo 5: uma leitura de sedimentação

Para outro solo, mais fino, a sedimentação foi feita com Mu = 70,00 g úmidos, com umidade higroscópica de 2,0 %, o que dá Ms = 70,00 / 1,020 = 68,63 g secos. O passante na 2,0 mm desse solo é N = 96,0 %, e a massa específica dos sólidos, pela NBR 17212, é ρs = 2,70 g/cm³. Na leitura de 1 hora, a 20 °C, o densímetro marcou L = 1,0250, e a curva de calibração deu Lmd = 1,0050 para o meio dispersor nessa temperatura.

  • Porcentagem em suspensão: P = [(1 / 68,63) × 2,70 / (2,70 − 1,000) × (1,0250 − 1,0050) × 1.000] × 96,0 = (0,014571 × 1,588 × 20,0) × 96,0 = 44,4 %.
  • Diâmetro: com μ = 10,29 × 10⁻⁶ g·s/cm² (20 °C), t = 3.600 s e a altura de queda z = 17,5 cm, valor adotado neste exemplo e que, no ensaio real, sai da curva a' do densímetro usado: d = √[1.800 × 10,29 × 10⁻⁶ / 1,70 × 17,5 / 3.600] = √(5,30 × 10⁻⁵) = 0,0073 mm.

A leitura diz que 44,4 % da massa total desse solo é menor que 0,0073 mm, um diâmetro dentro da fração silte. As outras onze leituras dão os outros pontos da parte fina da curva, que se junta à parte peneirada no diâmetro de 0,075 mm.

Solo, agregado e textura agronômica: três granulometrias

A palavra granulometria nomeia três ensaios diferentes, feitos com normas, métodos e objetivos próprios. Na engenharia de solos, é a curva contínua da NBR 7181:2025; no concreto, é a composição granulométrica dos agregados; na agronomia, é a análise textural que alimenta o manejo da lavoura. O quadro resume as diferenças:

AspectoSolo para engenhariaAgregado para concretoTextura agronômica
ReferênciaABNT NBR 7181:2025ABNT NBR 17054Manual de Métodos de Análise de Solo, Embrapa (2017), cap. 10
MétodoPeneiramento e sedimentação com densímetroSó peneiramentoDispersão química e mecânica; densímetro ou pipeta
ResultadoCurva contínua, D10, Cu e CcCurva, módulo de finura e dimensão máxima característicaTeores de areia, silte e argila em g/kg e classe textural
Limite areia/silte0,06 mm (NBR 6502:2022)Não separa silte e argilaPeneira de 0,053 mm

O módulo de finura, que aparece com frequência nas buscas sobre curva granulométrica, é um índice de agregado: a soma das porcentagens retidas acumuladas nas peneiras da série normal, dividida por 100. Não se calcula para solo. Na agronomia, o método da Embrapa trabalha com a terra fina seca ao ar (a fração que passa em 2,0 mm), dispersa a amostra com hidróxido de sódio ou outro dispersante e agitação mecânica, separa a areia na peneira de 0,053 mm, divide areia grossa e fina na de 0,212 mm e mede silte e argila por pipeta ou por densímetro de escala em g/L. Quem procura a análise textural para a lavoura encontra o procedimento completo no capítulo de análise granulométrica do Manual da Embrapa. Daqui em diante, o assunto volta a ser o solo de engenharia.

Erros comuns na análise granulométrica

A maior parte das curvas granulométricas erradas vem de dispersão incompleta, de quebra de grãos ou de referência trocada, e não da conta. Os erros abaixo são os mais frequentes em laudos e páginas técnicas:

  • Citar a NBR 7181 de 1984 ou de 2016 como vigente. A edição em vigor é a de 2025, na versão corrigida 2, de 13/07/2026.
  • Escrever silte até 0,6 mm. O silte vai até 0,06 mm; 0,6 mm é areia.
  • Misturar escalas. A ABNT põe o limite areia/silte em 0,06 mm, a USCS separa os finos na 0,075 mm e a Embrapa separa a areia na 0,053 mm. Porcentagens de escalas diferentes não se comparam.
  • Usar defloculante vencido ou sem tampão. A solução de hexametafosfato perde o efeito com o tempo e fora do pH 8 a 9; a argila flocula, cai como silte, e a curva subestima a argila.
  • Quebrar grãos no almofariz. O destorroamento deve desfazer torrões, não moer grãos; grãos quebrados criam finos que o solo não tinha.
  • Não lavar o retido na 2,0 mm. Os finos grudados nos pedregulhos vão para a fração errada.
  • Ler o densímetro na base do menisco ou antes de ele estabilizar. A leitura é no topo do menisco, com interpolação de 0,000 5.
  • Não medir a temperatura. A viscosidade e a leitura no meio dispersor mudam com ela, e o erro em P e em d é sistemático.
  • Usar a calibração de outro densímetro. As duas curvas do Anexo A são de cada densímetro.
  • Interpolar D10, D30 e D60 linearmente. O eixo é logarítmico, e a interpolação também deve ser.
  • Apresentar Cu sem Cc. Uma curva descontínua tem Cu alto e é mal graduada.
  • Classificar solo fino só pela curva. Com mais da metade passando na 0,075 mm, quem manda são os limites de Atterberg.
  • Ensaiar com massa abaixo do mínimo. Poucos grãos grossos numa amostra pequena distorcem a porcentagem de pedregulho; a NBR 6457:2024 fixa 1, 4 ou 8 kg conforme o maior grão.

Depois da granulometria: os próximos ensaios do solo

A granulometria diz de que o solo é feito; os ensaios mecânicos dizem como ele se comporta sob carga. Por isso ela abre a sequência de caracterização, e quase todo ensaio de solo de obra vem depois dela.

O passo imediato, em solos com finos, são os limites de Atterberg, que completam a classificação. Para aterros e camadas de pavimento, vem a compactação Proctor, cujo cilindro é escolhido pelo retido nas peneiras de 4,8 mm e 19,1 mm, e, na sequência, o ensaio CBR, que mede a capacidade de suporte do solo compactado. A resistência ao cisalhamento de aterros, taludes e fundações é medida no ensaio de cisalhamento direto e no ensaio triaxial, e o recalque de solos finos saturados, no ensaio de adensamento. A granulometria também orienta essas escolhas: uma areia limpa vai para o cisalhamento direto ou para o triaxial drenado, enquanto uma argila mole pede adensamento e triaxial não drenado.

A prensa CBR da Biopdi

A Biopdi fabrica a prensa CBR/Marshall, que recebe o corpo de prova compactado e faz a penetração do ensaio CBR, o ensaio que mais depende da granulometria nas especificações de pavimento. É uma prensa de 5.000 kgf (50 kN), em dois modelos, manual e elétrico automático; na versão elétrica automática, o controle de velocidade vai de 0,001 a 50 mm/min, o que inclui os 1,27 mm/min da penetração do CBR. A Biopdi não fabrica as peneiras, o agitador, o dispersor, o densímetro nem a balança da análise granulométrica: a ligação entre os ensaios é o solo caracterizado. O painel abaixo mostra a prensa e o que cada parte faz no ensaio:

A prensa CBR/Marshall depois da caracterização do solo

Com a granulometria e a compactação feitas, o corpo de prova moldado no cilindro grande segue para a prensa de 50 kN (5.000 kgf). Cada parte tem uma função na penetração do CBR:

Prensas CBR/Marshall da Biopdi nas versões manual, com anel dinamométrico, e elétrica automática, com célula de carga, LVDT e tela touchscreen
  1. Dois modelos manual e elétrico automático, ambos com os dispositivos CBR e Marshall
  2. Controle de velocidade de 0,001 a 50 mm/min na versão automática, o que inclui os 1,27 mm/min do CBR
  3. Célula de carga intercambiável, de 5 a 5.000 kgf
  4. LVDT de 50 mm, resolução de 0,01 mm, para a penetração
  5. Curso de 100 mm com retorno automático ao fim do ensaio

Os outros equipamentos da linha, como as prensas de adensamento, de cisalhamento direto e triaxial, estão em equipamentos para ensaios de solos.

Conclusão

A granulometria do solo é a distribuição dos tamanhos de grão, medida pela NBR 7181:2025 em duas partes: peneiras para os grãos maiores que 0,075 mm e sedimentação com densímetro, regida pela lei de Stokes, para os finos. A curva em escala logarítmica dá as frações da NBR 6502:2022, os diâmetros D10, D30 e D60 e os coeficientes Cu e Cc, que dizem se um solo grosso é bem ou mal graduado; nos solos finos, a palavra final é dos limites de Atterberg. Defloculante dentro da validade, dispersão completa, leitura no topo do menisco, temperatura medida e densímetro calibrado são o que separa uma curva confiável de uma curva que faz a argila parecer silte.

Os ensaios que vêm depois da caracterização têm artigos próprios: a compactação Proctor, o ensaio CBR, o ensaio triaxial e o ensaio de adensamento. Para escolher o equipamento dos ensaios mecânicos de solo do seu laboratório, fale com um de nossos especialistas.

Outros ensaios e referências técnicas

Perguntas frequentes

O que é granulometria do solo?

É a distribuição, em massa, dos tamanhos de grão de um solo, expressa na curva granulométrica. No Brasil, é determinada pela ABNT NBR 7181:2025, por peneiramento para os grãos maiores que 0,075 mm e por sedimentação com densímetro para o silte e a argila.

Quais são os tipos de análise granulométrica?

São dois métodos que se combinam: o peneiramento, para pedregulho e areia, e a sedimentação, para silte e argila. A NBR 7181:2025 prevê o ensaio só por peneiramento ou pela combinação de sedimentação e peneiramento; na agronomia, a sedimentação pode ser feita por densímetro ou por pipeta.

Como a ABNT classifica a granulometria do solo?

Pela ABNT NBR 6502:2022, que define as frações: argila abaixo de 0,002 mm, silte de 0,002 a 0,06 mm, areia de 0,06 a 2,0 mm e pedregulho de 2,0 a 60 mm. O ensaio que mede essas frações é a ABNT NBR 7181:2025, que não classifica o solo, só fornece a curva.

Quais são os 4 tipos de solo pela granulometria?

Pedregulho, areia, silte e argila, as quatro frações principais da NBR 6502:2022. Quase todo solo é uma mistura delas, e o nome segue a fração predominante, com a secundária como adjetivo, como em "areia argilosa".

Quais as peneiras usadas no ensaio de granulometria?

A NBR 7181:2025 usa 13 peneiras: 50; 38; 25; 19; 9,5 e 4,8 mm no peneiramento grosso, a de 2,0 mm que separa as duas partes, e 1,2; 0,6; 0,42; 0,25; 0,15 e 0,075 mm no peneiramento fino. A DNIT 459/2025-ME usa a de 0,30 mm no lugar da de 0,25 mm.

Para que serve a curva granulométrica?

Serve para ler as frações do solo e os diâmetros D10, D30 e D60, calcular os coeficientes Cu e Cc e classificar o solo como bem ou mal graduado. Também orienta a escolha do cilindro na compactação, a avaliação de drenagem e filtros e a aceitação de materiais de base e sub-base.

Como calcular o coeficiente de não uniformidade e o de curvatura?

Cu = D60 / D10 e Cc = D30² / (D10 · D60), com os diâmetros lidos na curva por interpolação logarítmica. Pela ASTM D2487-17(2025), uma areia com menos de 5 % de finos é bem graduada com Cu ≥ 6 e 1 ≤ Cc ≤ 3, e um pedregulho, com Cu ≥ 4 e 1 ≤ Cc ≤ 3.

Qual é a granulometria da areia?

Pela NBR 6502:2022, areia é a fração de 0,06 mm a 2,0 mm. Na USCS, a areia vai de 0,075 mm a 4,75 mm, e na textura agronômica da Embrapa ela é separada na peneira de 0,053 mm; para agregado de concreto, a classificação segue outra norma.

Qual a diferença entre granulometria de solo e de agregado?

A de agregado para concreto, pela NBR 17054, é só por peneiramento e fornece o módulo de finura e a dimensão máxima característica. A de solo, pela NBR 7181:2025, inclui a sedimentação para os finos e gera a curva até a fração argila; módulo de finura não se calcula para solo.

Por que o ensaio de sedimentação demora 24 horas?

Porque os grãos finos caem muito devagar: pela lei de Stokes, um grão de 0,002 mm leva cerca de 7,7 horas para cair 10 cm em água a 20 °C, pelo cálculo da Biopdi. As leituras da NBR 7181:2025 vão de 30 segundos, que pegam o limite areia/silte, a 24 horas, que alcançam a argila.

Qual norma substituiu a NBR 7181:2016?

A ABNT NBR 7181:2025, 3ª edição, de 15/01/2025, que cancelou a NBR 7181:2016 Versão Corrigida 2:2018. Ela recebeu as Erratas 1 e 2, incorporadas na versão corrigida 2, de 13/07/2026.

O que deve ter um relatório de análise granulométrica?

O relatório traz a norma e a edição seguidas, as massas e porcentagens que passam em cada peneira, as leituras do densímetro com tempo, temperatura, diâmetro e porcentagem, a massa específica dos sólidos usada e a curva granulométrica com o diâmetro em escala logarítmica. Quando se pede classificação, inclui também as frações, D10, D30, D60, Cu, Cc e a escala adotada.