O ensaio CBR (California Bearing Ratio), ou ensaio do Índice de Suporte Califórnia (ISC), mede a resistência de um solo compactado à penetração de um pistão padronizado e a expressa em porcentagem da resistência de uma brita padrão. O pistão, de 49,6 mm de diâmetro (19,32 cm²), penetra a 1,27 mm/min num corpo de prova que ficou 4 dias imerso em água, e a pressão lida em 2,54 mm e em 5,08 mm é dividida pela pressão-padrão da brita nessas penetrações: ISC (%) = pressão corrigida / pressão-padrão × 100, com 6,9 MPa a 2,54 mm e 10,35 MPa a 5,08 mm. Um ISC de 15 % significa que o solo resiste a 15 % do que resiste a brita de referência.
No Brasil o ensaio segue a ABNT NBR 9895:2025 e a DNIT 172/2016-ME, e o resultado é a base para aceitar materiais de subleito, reforço, sub-base e base e para dimensionar pavimentos flexíveis pelo método do DNER. A seguir estão o que o ensaio mede, as normas, o passo a passo das três fases, o cálculo com a correção da curva, um exemplo resolvido, os valores exigidos por camada, o uso no dimensionamento e os erros que mais distorcem o resultado.
O que é o ensaio CBR e para que serve
O ensaio CBR é um ensaio de laboratório de solos, empírico, que compara o comportamento de um solo com o de um material de referência. A sigla vem do inglês California Bearing Ratio; ISC é o nome em português. Os dois termos designam o mesmo ensaio e o mesmo número.
O que é um ensaio de CBR?
É um ensaio de penetração. Um pistão cilíndrico é empurrado com velocidade constante para dentro de um corpo de prova de solo compactado num molde, e a prensa registra a força a cada penetração. A força dividida pela área do pistão dá a pressão; no fundo, é um ensaio de compressão localizado, com controle de deslocamento. A pressão que o mesmo pistão precisa para penetrar uma pedra britada de referência, chamada pressão-padrão, corresponde por definição a ISC de 100 %. O ISC do solo é a razão entre as duas pressões, em porcentagem.
Por ser uma comparação com a brita, o ISC não é uma propriedade física do solo como o módulo de elasticidade. Ele depende da umidade de moldagem, da massa específica alcançada e da energia de compactação, e por isso a norma fixa todas essas condições. Mudou a condição, mudou o número.
Para que serve o ensaio de CBR?
O ensaio CBR serve para medir a capacidade de suporte do solo em comparação a uma brita padrão, e esse valor é fundamental na pavimentação, principalmente em estradas e rodovias. Na prática, ele tem dois usos. O primeiro é a aceitação de materiais: as especificações do DNIT fixam um ISC mínimo e uma expansão máxima para cada camada do pavimento. O segundo é o dimensionamento: no método do DNER, a espessura do pavimento sobre o subleito sai do ISC do subleito e do tráfego. Fora das rodovias, o mesmo índice entra no projeto de pavimentos de aeroportos, de pátios e pisos industriais apoiados no solo, de vias urbanas e de loteamentos, e no controle de jazidas e de aterros.
Que materiais o ensaio CBR avalia?
O ensaio CBR avalia solos e materiais granulares compactados: argilas e siltes de subleito, areias, pedregulhos, misturas de solo e brita e os materiais de reforço, sub-base e base. A fração retida na peneira de 19 mm é desprezada ou substituída antes da moldagem, conforme a quantidade, como mostra a preparação da amostra. Materiais estabilizados com cimento ou cal têm especificações próprias e, no dimensionamento mecanístico, são caracterizados por módulo de resiliência e fadiga, não só pelo ISC.
Compactação e CBR: qual a diferença?
São duas medições feitas sobre os mesmos corpos de prova. A compactação dos corpos de prova do CBR é feita no molde do próprio ensaio, com as energias da NBR 7182:2025 (ver o guia da compactação do solo e do ensaio Proctor), e dá a curva de umidade por massa específica aparente seca, com a umidade ótima e a massa específica seca máxima. Os mesmos corpos de prova seguem para a imersão de 96 horas, que mede a expansão, e depois para a penetração, que dá o ISC. As curvas de compactação, de ISC e de expansão são traçadas na mesma folha, com a mesma escala de umidade. A DNIT 172/2016-ME lê o ISC do solo na umidade ótima; a NBR 9895:2025 manda lê-lo na curva conforme o critério do projeto.
Origem do ensaio
O método foi criado no fim da década de 1920 por O. J. Porter, na California Division of Highways, para avaliar materiais de rodovias. Em 1942 o Corps of Engineers do exército dos Estados Unidos o adaptou para pistas de aeroportos militares, e foi essa versão que se difundiu. No Brasil, o método de dimensionamento de pavimentos flexíveis do antigo DNER, de Murillo Lopes de Souza, usa o CBR do subleito e das camadas, o que explica a presença do ensaio em praticamente todo laboratório de solos rodoviário. O ensaio é parte do dia a dia da engenharia civil de infraestrutura.
Principais normas para realização do Ensaio CBR / Índice de Suporte Califórnia
No Brasil há duas normas de método para o ensaio CBR, uma da ABNT e uma do DNIT, que coincidem nos pontos centrais: molde, pistão, imersão de 96 horas, velocidade de 1,27 mm/min, pressões-padrão e a regra de adotar o maior dos dois ISC. A preparação da amostra e a compactação têm normas próprias. As edições abaixo foram conferidas em 01/10/2026 no catálogo da ABNT (Target), no portal do DNIT (gov.br) e na loja da ASTM, e o texto da NBR 9895:2025 foi conferido em 05/10/2026.
| Norma | Título | O que define no ensaio |
|---|---|---|
| ABNT NBR 9895:2025 | Solo: Índice de suporte Califórnia (ISC): Método de ensaio | Método do ISC e da expansão em laboratório, com amostras deformadas e não reutilizadas de material que passa na peneira de 19 mm, no mínimo cinco corpos de prova |
| DNIT 172/2016-ME | Solos: Determinação do Índice de Suporte Califórnia utilizando amostras não trabalhadas | Aparelhagem, golpes por camada, imersão, penetração, Tabela 3 de pressões-padrão e correção da curva; cancela a DNER-ME 049/94 |
| DNER-ME 162/94 | Solos: ensaio de compactação utilizando amostras trabalhadas | Compactação com amostra reutilizada |
| DNIT 164/2013-ME | Solos: compactação utilizando amostras não trabalhadas | Compactação exigida nas especificações de camada |
| ABNT NBR 6457:2024 | Solos: Preparação de amostras para ensaios de compactação, caracterização e determinação do teor de umidade | Secagem, destorroamento e teor de umidade da amostra |
| ABNT NBR 7182:2025 | Solos: Ensaio de compactação | Relação entre umidade e massa específica seca (Proctor) |
| DNIT 459/2025-ME | Solos: Análise granulométrica | Granulometria do solo exigida nas especificações de camada; cancela as DNER-ME 051/94 e 080/94 |
| DNIT 254/2023-ME | Solos: Compactação em equipamento miniatura: Mini-CBR e expansão | Versão miniatura do ensaio, em corpo de prova de 50 mm, para solos tropicais; cancela a DNER-ME 254/97 |
| ASTM D1883-21 | California Bearing Ratio (CBR) of Laboratory-Compacted Soils | Referência internacional; mesmas penetrações, com as pressões-padrão de 1.000 e 1.500 psi |
Um ponto que confunde: a NBR 6457 não é o ensaio de compactação. Ela trata da preparação das amostras (secagem prévia, destorroamento, quarteamento e determinação do teor de umidade). As energias de compactação Proctor normal, intermediária e modificada pertencem à NBR 7182. A NBR 9895 teve edições em 1987, 2016 (com versão corrigida em 2017, confirmada em 2020) e 2025 (3ª edição, de julho de 2025, que cancela e substitui a de 2016); quem ainda cita a edição de 2016 em laudo novo deve atualizar a referência. A DNIT 172/2016-ME continua vigente (conferida na coletânea do DNIT em 01/10/2026). Fora do Brasil, além da ASTM D1883, existe a AASHTO T 193, o método da AASHTO para o mesmo ensaio.
A granulometria, que as especificações pedem junto com o ISC, também mudou de norma no DNIT. Para solos, vale a DNIT 459/2025-ME, aprovada em julho de 2025 e corrigida pela Errata 1 em abril de 2026, que cancelou a DNER-ME 051/94 e a DNER-ME 080/94; a equivalente da ABNT é a NBR 7181:2025. Para agregados, vale a DNIT 412/2025-ME, que substituiu a DNER-ME 083/98. As especificações de sub-base e base de 2010 ainda citam as normas antigas, e o laudo novo deve citar as atuais.
Mini-CBR
O Mini-CBR é a versão miniatura do ensaio, padronizada pela DNIT 254/2023-ME. Ele usa corpos de prova de 50 mm de diâmetro, compactados em equipamento miniatura pela DNIT 228/2023-ME, e serve para avaliar de forma expedita a capacidade de suporte de solos finos tropicais, dentro da metodologia MCT. A prensa é semelhante à do CBR, com conjunto dinamométrico de 4.905 N (500 kgf). O Mini-CBR não substitui o ISC da DNIT 172/2016-ME nas especificações de camada.
Como realizar o ensaio CBR / Índice de Suporte Califórnia?
O ensaio é dividido em 3 fases principais, nesta ordem: compactação dos corpos de prova, expansão durante a imersão e resistência à penetração. Antes delas vêm o equipamento e a preparação da amostra, que definem se o resultado é comparável com a pressão-padrão. O procedimento descrito aqui segue a DNIT 172/2016-ME, que é o texto público do método. A NBR 9895:2025 tem a mesma sequência, com diferenças de detalhe que são apontadas em cada etapa: 14 penetrações de leitura em vez de 9, sobrecarga de 4.540 ± 20 g, base rígida acima de 100 kg, uma regra própria para a fração acima de 19 mm e o ISC final lido conforme o critério do projeto.
Equipamento do ensaio
O molde do CBR é maior que o do Proctor convencional, porque o corpo de prova precisa ter diâmetro suficiente para que o pistão penetre longe das paredes. O disco espaçador é colocado no fundo durante a compactação e depois retirado, deixando acima do solo o espaço onde entram o prato perfurado e a sobrecarga. A tabela resume as dimensões da DNIT 172/2016-ME:
| Item | Valor | Função |
|---|---|---|
| Molde cilíndrico | Ø interno 152,4 mm, altura 177,8 mm, com cilindro complementar | Confina o corpo de prova |
| Disco espaçador | Ø 150 mm (150,8 mm na NBR 9895), altura 63,5 mm | Fundo falso na compactação |
| Soquete | 4,536 kg, Ø 50,8 mm, queda de 457,2 mm | Aplica a energia de compactação |
| Sobrecarga | discos anelares de 2,27 kg, total acima de 4,536 kg (4,54 kg ± 20 g pela NBR 9895) | Simula o peso das camadas de cima |
| Extensômetro de expansão | graduado em 0,01 mm, curso mínimo de 10 mm | Lê a expansão no tripé |
| Pistão de penetração | Ø 49,6 mm (área de 1.932 mm²) | Penetra o corpo de prova |
| Conjunto dinamométrico | 50 kN, sensível a 25 N, ou célula de carga | Mede a força |
| Extensômetro de penetração | graduado em 0,01 mm, curso maior que 12,70 mm | Mede a penetração do pistão |
A DNIT 172/2016-ME e a NBR 9895:2025 admitem substituir o anel dinamométrico por um sistema de célula de carga com unidade de leitura, que dá a carga direto, sem o gráfico de aferição do anel. As duas pressões-padrão, multiplicadas pela área do pistão, equivalem a cerca de 13,3 kN a 2,54 mm e 20,0 kN a 5,08 mm: é a força que uma brita de ISC 100 % exige, e cabe com folga no conjunto de 50 kN da norma.
Preparação da amostra
Pela DNIT 172/2016-ME, a amostra é seca ao ar, destorroada, homogeneizada e reduzida por quarteamento até 6.000 g, para solos siltosos ou argilosos, ou 7.000 g, para solos arenosos ou pedregulhosos, por corpo de prova; a NBR 9895:2025 recomenda 50 kg de amostra no total, preparada pela NBR 6457. Ela passa na peneira de 19 mm, e o material retido é substituído por igual massa de material que passa na de 19 mm e fica retido na de 4,8 mm, tirado de outra porção da mesma amostra. Pela NBR 9895:2025, a substituição só vale quando o retido na 19 mm passa de 10 %; abaixo disso ele é desprezado, e acima de 30 % o método não se aplica. A operação se repete para cada corpo de prova, no mínimo cinco. A amostra é não trabalhada: cada corpo de prova usa solo que nunca foi compactado antes, porque o reaproveitamento quebra grãos e altera o resultado.
Compactação do corpo de prova
Os corpos de prova, no mínimo 5, são compactados no molde, sobre o disco espaçador, em 5 camadas iguais, até cerca de 12,5 cm de solo. O molde fica apoiado numa base rígida de pelo menos 90 kg pela DNIT 172/2016-ME (acima de 100 kg, de preferência de concreto, pela NBR 9895:2025), para que a energia dos golpes não se perca. Cada um recebe uma umidade maior que o anterior, para que o conjunto desenhe a curva de compactação. A NBR 9895:2025 pede começar cerca de 5 pontos percentuais abaixo da umidade ótima presumível, escarificar levemente cada camada antes de lançar a seguinte e deixar no máximo 10 mm de excesso acima do molde.
A água de cada corpo de prova sai da umidade atual da amostra. A conta abaixo é a do manual didático da UNILA (2022), e as normas não a escrevem: a massa seca é Ps = Ph / (1 + h/100), com Ph a massa úmida e h a umidade atual em %; a massa na umidade desejada w é Ps × (1 + w/100); e a diferença entre as duas, em gramas, é o volume de água a acrescentar, em mililitros. Para 6.000 g de solo com 8 % de umidade e meta de 14 %, Ps = 6.000 / 1,08 = 5.556 g, a massa na meta é 5.556 × 1,14 = 6.333 g, e entram 333 mL de água.
O número de golpes por camada define a energia e acompanha a camada a que o material se destina:
| Energia | Golpes por camada | Camadas | Uso na DNIT 172/2016-ME |
|---|---|---|---|
| Normal | 12 | 5 | Subleito |
| Intermediária | 26 | 5 | Sub-base |
| Modificada | 55 | 5 | Base |
O esquema abaixo mostra o molde em corte durante a compactação, com as cotas da DNIT 172/2016-ME. Observe o disco espaçador de 63,5 mm ocupando o fundo, o cilindro complementar de 60,8 mm recebendo o excesso da 5ª camada, a linha tracejada onde o solo é rasado no topo do molde e o conjunto apoiado numa base rígida de pelo menos 90 kg, como a DNIT 172/2016-ME pede.

Proctor normal é o nome corrente da energia normal de compactação, herdado do ensaio de compactação publicado por R. R. Proctor em 1933; as energias intermediária e modificada aplicam mais golpes com o mesmo soquete. No molde grande do CBR, as três usam o soquete de 4,536 kg com queda de 457,2 mm, em 5 camadas, e diferem só no número de golpes da tabela acima. No cilindro pequeno da NBR 7182:2025 os golpes e o soquete são outros, por isso a energia deve ser citada junto com o molde.
A energia escolhida tem de corresponder à compactação prevista em campo; o projeto pode propor outra energia, com aprovação do IPR/DNIT. Depois de compactar, o cilindro complementar é retirado, o solo é rasado no topo do molde e o conjunto é pesado com aproximação de 5 g. Uma amostra de cerca de 100 g do excesso vai à estufa a 105 °C a 110 °C para dar a umidade de moldagem. Esses dois detalhes são da DNIT 172/2016-ME; pela NBR 9895:2025, a pesagem tem resolução de 1 g e a umidade é tirada de uma porção que ficou na bandeja, logo após a compactação da 2ª camada. Com a massa e a umidade calcula-se a massa específica aparente seca, e os pontos dos cinco corpos de prova formam a curva de compactação: o pico dá a massa específica seca máxima e a umidade ótima. O gráfico abaixo mostra uma curva típica, com pico de 1,55 g/cm³ em 22 % de umidade:

Expansão
Terminada a compactação, o disco espaçador é retirado e o molde é invertido e fixado na base perfurada, de modo que o espaço de 63,5 mm deixado pelo disco fica sobre o solo. Ali entram o prato perfurado com haste e a sobrecarga anelar, com massa acima de 4,536 kg pela DNIT 172/2016-ME; a NBR 9895:2025 fixa dois discos anelares com massa total de 4.540 ± 20 g. Um extensômetro preso a um tripé, apoiado na borda do molde, encosta na haste. O conjunto fica imerso em água por 96 horas (4 dias; no mínimo 96 horas, pela NBR 9895), com leitura a cada 24 horas. O esquema abaixo mostra o molde em corte nessa fase, com as cotas que entram no cálculo:

A expansão é a variação de altura do corpo de prova em porcentagem da altura inicial, que é a altura do molde menos a do disco espaçador: 177,8 − 63,5 = 114,3 mm. A imersão coloca o solo na pior condição de umidade que ele deve encontrar em serviço, e a sobrecarga representa o peso do pavimento acima. Solos com argilominerais expansivos incham bastante nessa fase, e uma expansão alta reprova o material mesmo que o ISC seja bom. Ao fim dos 4 dias, o molde sai da água e escorre por 15 minutos. Plotada contra a umidade de moldagem, a expansão costuma cair à medida que a umidade sobe, como mostra o gráfico:

Resistência à penetração
Após a drenagem, o corpo de prova vai à prensa com as mesmas sobrecargas da expansão. O pistão é assentado no solo com uma carga de cerca de 45 N, os dois extensômetros (o de carga e o de penetração) são zerados e a prensa avança a 1,27 mm/min. As leituras de carga são feitas nas penetrações da Tabela 3 da DNIT 172/2016-ME: 0,63; 1,27; 1,90; 2,54; 3,81; 5,08; 7,62; 10,16 e 12,70 mm. Na velocidade da norma, a penetração de 12,70 mm é alcançada em 10 minutos. A NBR 9895:2025 acrescenta cinco leituras, a 3,17; 4,44; 6,35; 8,89 e 11,43 mm (2,5; 3,5; 5; 7 e 9 min), num total de 14. Com cada força dividida pela área do pistão, obtém-se a curva pressão × penetração de cada corpo de prova, que é a matéria-prima do cálculo da seção seguinte.
Na prensa manual descrita pela DNIT 172/2016-ME, o pistão de 49,6 mm passa pelo furo de 54 mm da sobrecarga anelar, o anel dinamométrico suspenso da travessa mede a força e o extensômetro de penetração, preso ao pistão, apoia o pino na borda do molde. O esquema abaixo mostra essa montagem e, embaixo, as nove penetrações de leitura com os tempos que correspondem a 1,27 mm/min; as de 2,54 e 5,08 mm, em laranja, são as que entram no ISC.

Na prensa automática, a célula de carga e o transdutor de deslocamento registram os pares força e penetração continuamente, e o software monta a curva em tempo real. Na prensa manual, o operador gira a manivela tentando manter 1,27 mm/min e anota as leituras do anel nos tempos da tabela, o que torna a velocidade e a leitura dependentes de quem opera. A simulação a seguir percorre as três fases, compactação, expansão e penetração, e mostra o ISC lido a 2,54 e a 5,08 mm para diferentes solos e energias.
Simulação interativa
Experimente o ensaio no navegador e acompanhe os resultados sendo calculados.
Como calcular o CBR: fórmula, pressões-padrão e correção da curva
Para calcular o CBR, divida a força lida no pistão pela área dele, 19,32 cm² (1.932 mm², diâmetro de 49,6 mm), e divida essa pressão pela pressão-padrão da brita: 6,9 MPa a 2,54 mm e 10,35 MPa a 5,08 mm. Multiplique por 100. Pela DNIT 172/2016-ME e pela NBR 9895:2025, adota-se o maior dos dois valores.
O cálculo transforma a curva pressão × penetração de cada corpo de prova em dois números, o ISC a 2,54 mm e o ISC a 5,08 mm, e escolhe um deles. Antes disso, a curva pode precisar de correção. Depois, o ISC de cada corpo de prova é plotado contra a umidade, e o ISC do solo é lido nessa curva: na umidade ótima, pela DNIT 172/2016-ME, e conforme o critério do projeto, pela NBR 9895:2025.
Fórmula do ISC
A pressão no pistão é a força dividida pela área: p = F / A, com A = π × 49,6² / 4 = 1.932 mm². Com F em newtons, p sai em MPa. O índice é:
ISC (%) = pressão calculada ou corrigida / pressão-padrão × 100
A pressão é calculada a 2,54 mm e a 5,08 mm, cada uma dividida pela sua pressão-padrão. A DNIT 172/2016-ME e a NBR 9895:2025 (nota de 5.5.3.3) mandam adotar o maior dos dois valores. A massa específica aparente seca de cada corpo de prova sai de ρh = Mh / V e ρs = ρh / (1 + w/100), com V = volume do solo compactado no molde e w = umidade de moldagem em %. A expansão é (leitura final − leitura inicial) / altura inicial × 100.
Pressões-padrão da brita
As pressões-padrão são as que uma pedra britada de referência, com ISC de 100 %, oferece ao pistão em cada penetração. A DNIT 172/2016-ME as tabela em kgf/cm²; a conversão exata usa 1 kgf/cm² = 0,0980665 MPa. A tabela mostra os valores usados no cálculo:
| Penetração | kgf/cm² (DNIT 172) | MPa | Força equivalente no pistão |
|---|---|---|---|
| 2,54 mm (0,1 pol) | 70,31 | 6,9 | cerca de 13,3 kN |
| 5,08 mm (0,2 pol) | 105,46 | 10,35 | cerca de 20,0 kN |
| 7,62 mm (0,3 pol) | 131,58 | 12,9 | cerca de 24,9 kN |
| 10,16 mm (0,4 pol) | 161,71 | 15,9 | cerca de 30,6 kN |
| 12,70 mm (0,5 pol) | 182,80 | 17,9 | cerca de 34,6 kN |
Só as duas primeiras linhas entram no ISC. A DNIT 172/2016-ME tabela as demais sem uso no cálculo; a NBR 9895:2025 traz só as duas, já em MPa (6,90 e 10,35). A conferência é direta: 70,31 × 0,0980665 = 6,895 MPa e 105,46 × 0,0980665 = 10,342 MPa, que a prática arredonda para 6,9 e 10,35 MPa; o arredondamento muda o ISC em menos de 0,1 %. A nota da DNIT 172/2016-ME que aproxima 1 kgf/cm² por 0,1 MPa só desloca o ISC, em cerca de 2 %, se for usada numa das pressões e não na outra. A ASTM D1883 expressa as mesmas pressões como 1.000 e 1.500 psi e arredonda a segunda para 10,3 MPa; a simulação interativa, acima, usa esse arredondamento, o que muda o ISC a 5,08 mm em menos de 0,5 %.
Ficha de leituras da penetração
A ficha abaixo segue os tempos e as penetrações da Tabela 3 da NBR 9895:2025, com 14 leituras; as 9 marcadas com "sim" são as da DNIT 172/2016-ME. Ela está preenchida com o corpo de prova do exemplo resolvido mais adiante (1,30 kN a 2,54 mm e 2,05 kN a 5,08 mm). As demais forças são valores didáticos da mesma curva, sem inflexão inicial, e a pressão é a força dividida por 1.932 mm².
| Tempo (min) | Penetração (mm) | Leitura na DNIT 172 | Força (N) | Pressão (MPa) | Pressão-padrão (MPa) | ISC (%) |
|---|---|---|---|---|---|---|
| 0,5 | 0,63 | sim | 400 | 0,207 | ||
| 1,0 | 1,27 | sim | 750 | 0,388 | ||
| 1,5 | 1,90 | sim | 1.050 | 0,543 | ||
| 2,0 | 2,54 | sim | 1.300 | 0,673 | 6,9 | 9,8 |
| 2,5 | 3,17 | não | 1.520 | 0,787 | ||
| 3,0 | 3,81 | sim | 1.720 | 0,890 | ||
| 3,5 | 4,44 | não | 1.890 | 0,978 | ||
| 4,0 | 5,08 | sim | 2.050 | 1,061 | 10,35 | 10,3 |
| 5,0 | 6,35 | não | 2.320 | 1,201 | ||
| 6,0 | 7,62 | sim | 2.550 | 1,320 | ||
| 7,0 | 8,89 | não | 2.740 | 1,418 | ||
| 8,0 | 10,16 | sim | 2.900 | 1,501 | ||
| 9,0 | 11,43 | não | 3.040 | 1,573 | ||
| 10,0 | 12,70 | sim | 3.160 | 1,635 |
Na prensa manual, a coluna de força é a leitura do anel convertida pela curva de aferição; com célula de carga, ela já sai em newtons. As leituras intermediárias não entram no ISC, mas desenham a curva e mostram se há ponto de inflexão a corrigir.
Correção da curva pelo ponto de inflexão
Uma curva pressão × penetração ideal começa reta ou côncava para baixo. Quando o topo do corpo de prova é irregular, causa que a DNIT 172/2016-ME aponta, ou o pistão não assentou bem, o início da curva fica côncavo para cima: o pistão afunda sem resistência real nos primeiros décimos de milímetro, e as pressões lidas em 2,54 e 5,08 mm ficam menores do que o solo de fato oferece. A correção da DNIT 172/2016-ME e da NBR 9895 desloca a origem da curva:
- localizar o ponto de inflexão, onde a curva muda de côncava para convexa;
- traçar a tangente à curva nesse ponto até cortar o eixo das penetrações;
- medir a distância c entre esse ponto e a origem;
- somar c às penetrações de 2,54 e 5,08 mm e ler as pressões corrigidas nas novas abscissas.
O gráfico abaixo aplica o procedimento a uma curva didática com c = 0,50 mm: as pressões, que seriam lidas em 2,54 e 5,08 mm, passam a ser lidas em 3,04 e 5,58 mm, e o ISC adotado sobe de 18,4 % para 20,3 %:

Sem correção, as pressões lidas seriam 1,15 MPa (ISC 16,7 %) e 1,91 MPa (ISC 18,4 %), e o laudo daria 18,4 %. Com correção, 1,40 / 6,9 = 20,3 % e 1,95 / 10,35 = 18,8 %, e o resultado é 20,3 %. A correção só se aplica quando há inflexão; curva que já começa convexa não é corrigida.
Qual valor adotar: 2,54 ou 5,08 mm
Normalmente o ISC a 2,54 mm é o maior, e é o resultado. Quando o de 5,08 mm sai maior, a DNIT 172/2016-ME e a NBR 9895:2025 adotam simplesmente o maior, sem repetir o ensaio. A ASTM D1883 segue outra lógica: reporta o valor de 2,54 mm e, se o de 5,08 mm for maior, manda repetir o ensaio; confirmado na repetição, vale o de 5,08 mm. A tabela compara as três normas nos pontos que mudam o número final:
| Item | DNIT 172/2016-ME | ABNT NBR 9895:2025 | ASTM D1883-21 |
|---|---|---|---|
| Pistão | Ø 49,6 mm (19,32 cm²) | Ø 49,6 mm (19,32 cm²) | área de 3 pol², cerca de 19,35 cm² |
| Pressões-padrão | 70,31 e 105,46 kgf/cm² | 6,90 e 10,35 MPa | 1.000 e 1.500 psi |
| Penetrações de leitura | 9, de 0,63 a 12,70 mm | 14, de 0,63 a 12,70 mm | não comparado aqui |
| Valor adotado | o maior entre 2,54 e 5,08 mm | o maior entre 2,54 e 5,08 mm | o de 2,54 mm; se o de 5,08 mm for maior, repete-se o ensaio e, confirmado, vale o de 5,08 mm |
| ISC do solo na curva | ordenada na umidade ótima | conforme o critério do projeto | não comparado aqui |
O laudo deve declarar a norma seguida, porque o mesmo par de leituras pode dar resultados diferentes. A NBR 9895:2025 pede, além disso, que o resultado indique o processo de preparação da amostra e a energia de compactação.
ISC final do solo
Cada um dos cinco ou mais corpos de prova dá um ISC, na sua umidade de moldagem. Pela DNIT 172/2016-ME, esses valores são plotados na mesma folha da curva de compactação, contra as mesmas umidades, e o ISC do solo é a ordenada dessa curva na umidade ótima. A NBR 9895:2025 também pede a mesma folha, com o ISC e a expansão de cada umidade, mas diz que o ISC do ensaio é obtido da curva conforme o critério do projeto; a umidade ótima é o critério mais comum, não uma regra da NBR. O gráfico abaixo mostra o ISC × umidade do mesmo solo da curva de compactação: o máximo, de 10 %, coincide com a umidade ótima de 22 %, e é o valor que vai para o laudo quando o critério é a umidade ótima:

O ISC cai dos dois lados: abaixo da ótima, o solo seco absorve água na imersão e perde resistência; acima dela, há água demais nos vazios e a massa específica é menor. Por isso o controle de umidade na obra é tão importante quanto o ensaio.
Como estimar o CBR pelo DCP
O penetrômetro dinâmico de cone (DCP), padronizado pela ASTM D6951/D6951M-18(2023), mede em campo quantos milímetros a ponteira afunda a cada golpe, o índice DCP. A correlação do US Army Corps of Engineers (Webster e colaboradores, 1992), reproduzida na norma, estima o CBR por CBR = 292 / DCP1,12, com DCP em mm/golpe: 10 mm/golpe dá cerca de 22 %, e 25 mm/golpe, cerca de 8 %. A própria norma avisa que essa equação não vale para argilas CL com CBR abaixo de 10 nem para argilas CH, que têm equações próprias. O resultado é um CBR de campo estimado, na umidade do dia, e não substitui o ISC de laboratório depois de 96 horas de imersão.
Exemplo resolvido: do corpo de prova ao ISC
O exemplo usa o corpo de prova moldado na umidade ótima do solo dos gráficos acima (w = 22 %), compactado na energia normal, com célula de carga na prensa. Todas as contas podem ser refeitas à mão.
1. Massa específica seca. O solo úmido compactado no molde tem 3.943 g, num volume de 2.085 cm³. Então ρh = 3.943 / 2.085 = 1,891 g/cm³ e ρs = 1,891 / 1,22 = 1,550 g/cm³. É o pico da curva de compactação, como esperado na umidade ótima.
2. Expansão. O extensômetro marcava 1,20 mm no início da imersão e 1,54 mm após 96 horas. Expansão = (1,54 − 1,20) / 114,3 × 100 = 0,34 / 114,3 × 100 = 0,30 %.
3. Pressões e ISC. A célula de carga leu 1,30 kN a 2,54 mm e 2,05 kN a 5,08 mm, numa curva sem inflexão inicial (sem correção).
- A 2,54 mm: p = 1.300 / 1.932 = 0,673 MPa; ISC = 0,673 / 6,9 × 100 = 9,8 %.
- A 5,08 mm: p = 2.050 / 1.932 = 1,061 MPa; ISC = 1,061 / 10,35 × 100 = 10,3 %.
4. Resultado. Pela DNIT 172/2016-ME e pela NBR 9895 adota-se o maior, ISC = 10,3 %, que o laudo arredonda para 10 %, com expansão de 0,3 %. Pela ASTM D1883, como o valor a 5,08 mm é maior, o ensaio seria repetido antes de adotar 10,3 %.
5. Leitura do resultado. Com ISC de 10 % e expansão de 0,3 %, o solo atende ao subleito (ISC ≥ 2 % e expansão ≤ 2 %) e pode servir de reforço sobre um subleito mais fraco, mas não serve de sub-base, que exige ISC ≥ 20 %. A força máxima medida, 2,05 kN, é cerca de 4 % da capacidade de uma célula de 50 kN, e as forças de um material de base, com ISC de 80 %, chegam perto de 16 kN a 5,08 mm: a mesma célula cobre os dois casos.
Como interpretar o resultado do ensaio CBR
O ISC não tem valor bom ou ruim em absoluto: ele é comparado com a exigência da camada onde o material vai entrar, e sempre junto com a expansão. As exigências vêm do Manual de Pavimentação do DNIT (IPR-719, 3ª edição, 2006) e das especificações de serviço de sub-base e base. O esquema abaixo resume o que cada camada pede:

Qual o CBR ideal?
Não existe um CBR ideal único: o valor exigido depende da camada. A base granular pede ISC de pelo menos 80 % (ou 60 % com N até 5 × 106) e expansão até 0,5 %; a sub-base, ISC de 20 % e expansão até 1 %; o subleito, ISC de 2 % e expansão até 2 %. Os limites vêm da DNIT 141/2022-ES, da DNIT 139/2010-ES e do IPR-719, e são detalhados abaixo.
Qual o CBR mínimo do subleito?
O IPR-719 pede que o subleito tenha ISC ≥ 2 % e expansão ≤ 2 %. Com ISC abaixo de 2 %, o manual recomenda substituir o solo numa espessura de pelo menos 1 m por material com ISC acima de 2 %. Entre esses limites, o subleito é aceito, e o seu ISC é o dado que comanda a espessura total do pavimento: quanto menor o ISC, mais espesso o pavimento.
Qual o CBR ideal para base?
Para base estabilizada granulometricamente, a DNIT 141/2022-ES exige ISC ≥ 80 % quando o número N de repetições do eixo-padrão passa de 5 × 106, e ISC ≥ 60 % quando N ≤ 5 × 106, com expansão máxima de 0,5 %, limite de liquidez ≤ 25 % e índice de plasticidade ≤ 6 % (o Manual admite LL e IP acima disso quando o equivalente de areia é maior que 30). A sub-base estabilizada granulometricamente, pela DNIT 139/2010-ES, pede ISC ≥ 20 %, índice de grupo igual a zero e expansão ≤ 1 %. O reforço do subleito precisa de ISC maior que o do subleito e expansão ≤ 1 %. Na DNIT 141/2022-ES, o ISC mínimo da base vale quando o projeto foi dimensionado pelo método empírico; no dimensionamento mecanístico, a base é controlada por módulo de resiliência e deformação permanente, e a expansão de 0,5 % continua exigida.
O que a expansão diz sobre o solo?
A expansão mede quanto o solo incha ao ganhar água sob a sobrecarga. Valor alto indica argilominerais expansivos ou estrutura pouco estável, e esse solo tende a levantar e a perder suporte no pavimento na época de chuva. Por isso a especificação é dupla: um material com ISC de 25 % e expansão de 1,5 % não serve de sub-base. Para solos lateríticos, a DNIT 139/2010-ES admite índice de grupo diferente de zero e expansão acima de 1 % na sub-base, desde que o ensaio de expansibilidade dê menos de 10 %.
Quais valores de CBR são típicos para cada tipo de solo?
Há faixas publicadas por classe do Sistema Unificado (USCS) que ajudam a julgar se um resultado é plausível. As da tabela vêm do Pavement Interactive, que cita o guia de pavimentos do WSDOT, e são norte-americanas: servem só para orientação e não substituem o ensaio. Solos tropicais lateríticos costumam fugir delas, com ISC alto para a fração fina que têm.
| Classe USCS | Descrição | CBR típico |
|---|---|---|
| GW | Pedregulho bem graduado | 40 a 80 % |
| GP, GM | Pedregulho mal graduado ou siltoso | 20 a 60 % |
| GC, SW | Pedregulho argiloso; areia bem graduada | 20 a 40 % |
| SP, SM | Areia mal graduada ou siltosa | 10 a 40 % |
| SC | Areia argilosa | 5 a 20 % |
| ML, CL, CH | Siltes e argilas | até 15 % |
| MH | Silte de alta compressibilidade | até 10 % |
| OL, OH | Solos orgânicos | até 5 % |
Um ISC alto garante um bom pavimento?
Não sozinho. O ISC vale para a umidade e a massa específica do ensaio, e a camada só terá esse suporte se for executada com a mesma energia e perto da umidade ótima. Além disso, dois solos com o mesmo ISC podem ter rigidez muito diferente sob carga repetida, que é o que o tráfego aplica. É por isso que o dimensionamento mecanístico usa outro parâmetro, como mostra a seção seguinte.
O CBR de laboratório vale para o campo?
Não diretamente. O ISC de laboratório é medido depois de 96 horas de imersão, com o solo perto da saturação, que é a condição mais desfavorável prevista em serviço. Em campo, o solo está na umidade do momento, e por isso os dois valores não se comparam um a um. O método de CBR in situ da ASTM, a D4429, foi retirado em 2018 sem substituta; em campo, o caminho corrente é estimar o CBR pelo DCP, como mostrado na seção de cálculo, sabendo que o número obtido é de campo e não substitui o ISC de projeto.
O CBR no dimensionamento de pavimentos: método do DNER e MeDiNa
No método de dimensionamento de pavimentos flexíveis do DNER, adotado no IPR-719, a espessura total de pavimento necessária para proteger uma camada sai de um ábaco em função do número N (repetições do eixo simples padrão de 8,2 t durante o período de projeto) e do ISC da camada. O manual traz a equação do ábaco:
H = 77,67 × N0,0482 × CBR−0,598 (H em cm, em termos de material granular)
Hm é a espessura sobre o subleito (ISC = m), Hn sobre o reforço e H20 sobre a sub-base, que é sempre tratada como ISC 20, mesmo quando o valor medido é maior. As espessuras reais saem das inequações R·KR + B·KB ≥ H20, R·KR + B·KB + h20·KS ≥ Hn e R·KR + B·KB + h20·KS + hn·KRef ≥ Hm; sem reforço, a segunda já se compara direto com Hm, como no exemplo abaixo. Os coeficientes de equivalência estrutural K valem 2,00 para revestimento de concreto betuminoso e 1,00 para camadas granulares.
Exemplo. O subleito é o solo do exemplo resolvido, ISC = 10 %, e o tráfego é N = 2 × 106.
- N0,0482 = 106,301 × 0,0482 = 100,3037 = 2,012.
- Hm = 77,67 × 2,012 × 10−0,598 = 77,67 × 2,012 × 0,2523 = 39,4 cm.
- H20 = 77,67 × 2,012 × 20−0,598 = 77,67 × 2,012 × 0,1667 = 26,1 cm.
- Revestimento: para 106 < N ≤ 5 × 106, o IPR-719 pede revestimento betuminoso de 5,0 cm, então R·KR = 5 × 2 = 10 cm.
- Base: B ≥ 26,1 − 10 = 16,1 cm; adota-se B = 17 cm.
- Sub-base: h20 ≥ 39,4 − 10 − 17 = 12,4 cm; como a espessura construtiva mínima de camada granular é 15 cm, adota-se h20 = 15 cm.
A estrutura fica com 5 cm de revestimento, 17 cm de base e 15 cm de sub-base. Se o subleito tivesse ISC de 5 %, Hm subiria para 77,67 × 2,012 × 5−0,598 = 59,7 cm, e a sub-base passaria para cerca de 33 cm. Dobrar o ISC do subleito poupa cerca de 18 cm de material granular, o que mostra por que o ensaio precisa ser bem feito.
O DNIT oficializou o MeDiNa (Método de Dimensionamento Nacional), de abordagem mecanístico-empírica, regido pela instrução de serviço IS-247. Nele, os materiais entram com o módulo de resiliência (DNIT 134/2018-ME), obtido no ensaio triaxial de carga repetida, e com a deformação permanente (DNIT 179/2018-IE). O CBR não saiu da rotina: as especificações de camada continuam pedindo expansão pela DNIT 172/2016-ME, e o ISC continua sendo a referência quando o projeto é empírico e na seleção de jazidas. O que o MeDiNa não aceita é estimar o módulo de resiliência a partir do CBR, porque a correlação entre os dois é fraca.
Erros comuns no ensaio CBR
A maior parte das divergências entre laboratórios vem de detalhes de execução, não do cálculo. Os erros abaixo são os que mais alteram o resultado:
- Encurtar a imersão ou esquecer a sobrecarga. Sem os 4 dias imerso e sem a sobrecarga de cerca de 4,54 kg, o corpo de prova não chega à condição de umidade de projeto, e o ISC sai alto demais.
- Velocidade fora de 1,27 mm/min. Na prensa manual, girar a manivela mais rápido ou mais devagar muda a resistência medida e invalida a comparação com a pressão-padrão.
- Não corrigir a curva com inflexão. O ISC fica subestimado, como no exemplo do gráfico, em que o resultado cairia de 20,3 % para 18,4 %.
- Misturar a regra da NBR com a da ASTM. Adotar o maior valor e citar a ASTM D1883 no laudo, ou o contrário, gera resultado incoerente com a norma declarada.
- Inverter a fórmula. A pressão do solo vai no numerador e a pressão-padrão no denominador. A razão invertida, que circula em páginas da internet, dá valores acima de 100 % justamente para os solos mais fracos.
- Usar a área errada do pistão. O pistão da DNIT 172/2016-ME e da NBR 9895:2025 tem 49,6 mm, ou 19,32 cm². Usar 50 mm (19,64 cm²) reduz a pressão calculada em cerca de 1,6 %.
- Misturar unidades na conversão. Se a pressão do solo é calculada em MPa a partir da força em newtons, a pressão-padrão tem de estar em MPa exatos (6,9 e 10,35); convertê-la pela nota da DNIT 172/2016-ME (1 kgf/cm² = 0,1 MPa) desloca o ISC em cerca de 2 %. Com as duas pressões em kgf/cm², o problema não existe.
- Reutilizar amostra. O método é de amostra não trabalhada; solo já compactado tem grãos quebrados e dá outro resultado.
- Ensaiar numa energia e executar em outra. O ISC de 26 golpes não vale para uma camada compactada com energia normal.
- Esquecer a substituição da fração acima de 19 mm. Pedras grandes no molde fazem o pistão bater em grão, e a leitura dispara. Pela NBR 9895:2025, material com mais de 30 % retido na peneira de 19 mm está fora do campo do método.
- Usar tabela de CBR típico no lugar do ensaio. Faixas por classe de solo servem para conferir plausibilidade, não para projeto.
- Citar normas desatualizadas ou atribuir à NBR 6457 o ensaio de compactação, que é da NBR 7182.
Prensa ensaio CBR Manual e Elétrica Automática
A Biopdi fabrica a prensa CBR/Marshall em duas versões, manual e elétrica automática, e as duas fazem o ensaio CBR e o ensaio Marshall; a automática faz também o ensaio de adensamento, com as células de 2" e 3". As figuras abaixo mostram cada versão com os seus componentes: na manual, o anel dinamométrico com o extensômetro que lê a carga, o extensômetro de penetração, o dispositivo CBR e o acionamento manual; na automática, a célula de carga, o LVDT, a tela touchscreen, o dispositivo CBR e o painel eletrônico.

Prensa CBR Manual

Prensa CBR Automática
A versão manual usa anel dinamométrico de 500 a 5.000 kgf e relógio comparador, e pode ser atualizada para célula de carga e tela touchscreen. A versão elétrica automática é eletromecânica, com fuso de esferas recirculantes e controle por microprocessador, e é a que o painel abaixo detalha, item por item, frente ao que o ensaio exige:
A prensa CBR/Marshall no ensaio CBR
A prensa elétrica automática tem capacidade de 50 kN (5.000 kgf), a mesma do conjunto dinamométrico pedido pela DNIT 172/2016-ME. Cada parte tem uma função no ensaio:

- Controle de velocidade de 0,001 a 50 mm/min, o que inclui os 1,27 mm/min do CBR e os 50 mm/min do Marshall
- Célula de carga intercambiável, de 5 a 5.000 kgf
- LVDT de 50 mm, resolução de 0,01 mm, mede a penetração; o encoder lê o deslocamento do atuador com 0,001 mm
- Tela touchscreen leitura da força nas 14 penetrações da NBR 9895, gráfico e gravação em cartão SD
- Curso de 100 mm e distância de 300 mm entre colunas
- Segurança botão de emergência, fim de curso superior e inferior e parada automática por força ou deslocamento
Dispositivos para o ensaio CBR
Os dispositivos abaixo são montados na mesma prensa:
Dispositivo CBRconjunto do ensaio CBR
Célula de cargade 5 a 5.000 kgf
LVDTdeslocamento linear, 0,01 mmNa prática, a prensa automática resolve três dos erros comuns: mantém a velocidade de 1,27 mm/min sem depender do operador, registra a curva inteira em vez de nove ou catorze leituras, o que facilita a correção pelo ponto de inflexão, e entrega o gráfico e o relatório sem transcrição manual. A resolução de 0,01 mm do LVDT é a mesma graduação que a DNIT 172/2016-ME pede para o extensômetro de penetração. Para o módulo de resiliência e a deformação permanente do MeDiNa, o equipamento é a prensa triaxial dinâmica; os demais equipamentos estão em ensaios para solos.
Vídeos sobre a prensa CBR / Marshall: elétrica automática
Os vídeos abaixo apresentam a prensa CBR/Marshall elétrica automática e as suas características principais: a montagem do dispositivo, a tela touchscreen e a execução do ensaio.
Conclusão
O ensaio CBR entrega um número simples, uma porcentagem, mas esse número carrega o resultado de três etapas encadeadas: compactação na energia correta, quatro dias de imersão para medir a expansão e, só então, a penetração. Pular ou abreviar qualquer uma delas produz um valor que não representa o comportamento do solo em serviço, e é sobre esse valor que se aceitam as camadas e se dimensiona o pavimento. No cálculo, os pontos que mais pesam são a correção da curva com inflexão e a regra de adotar o maior dos ISC a 2,54 e 5,08 mm.
Os outros ensaios de solos têm artigos próprios: o ensaio de adensamento, o ensaio de cisalhamento direto e o ensaio triaxial. Caso precise de mais informações sobre o ensaio ou sobre o equipamento mais indicado para o seu laboratório, fale com um de nossos especialistas.
Outros ensaios e referências técnicas
Ensaio Marshall: estabilidade, fluência, Vv, VAM e RBV pela DNIT 447/2024-ME
O ensaio Marshall mede a estabilidade e a fluência de misturas asfálticas a 60 °C pela DNIT 447/2024-ME. Veja o passo a passo, Vv, VAM, RBV e exemplo resolvido.
Compactação do solo e ensaio Proctor pela NBR 7182:2025
Compactação do solo na obra e ensaio Proctor pela NBR 7182:2025: energias, curva com exemplo resolvido, umidade ótima e grau de compactação no aterro.
Ensaio de cisalhamento direto: norma ASTM D3080, passo a passo e como calcular c' e φ'
O ensaio de cisalhamento direto mede a resistência ao corte do solo e dá a coesão c' e o ângulo de atrito φ'. ASTM D3080-23, passo a passo e exemplo resolvido.
Granulometria do solo: ensaio e curva pela NBR 7181
Granulometria do solo pela NBR 7181:2025: peneiras, sedimentação com densímetro, curva granulométrica, D10, Cu e Cc, frações da NBR 6502 e exemplo resolvido.
Perguntas frequentes
O que é o ensaio CBR ou Índice de Suporte Califórnia?
É o ensaio que mede a pressão para um pistão de 49,6 mm penetrar um solo compactado e embebido por 4 dias, em porcentagem da pressão que penetra uma brita padrão: 6,9 MPa a 2,54 mm e 10,35 MPa a 5,08 mm. CBR, de California Bearing Ratio, e ISC, de Índice de Suporte Califórnia, designam o mesmo ensaio e o mesmo número.
O que significa um valor de CBR de 15%?
Significa que a resistência à penetração do solo ensaiado equivale a 15 % da resistência da brita padronizada usada como referência. Quanto maior a porcentagem, maior a capacidade de suporte do solo e menor a espessura de pavimento necessária sobre ele.
O que é o CBR na engenharia?
Na engenharia, o CBR (ou ISC) é o índice de capacidade de suporte do solo usado em pavimentação para aceitar materiais de subleito, reforço, sub-base e base, que têm ISC mínimo e expansão máxima nas especificações do DNIT, e para dimensionar pavimentos flexíveis pelo método do DNER, em que o ISC do subleito e o tráfego definem a espessura total.
Qual é a norma para o ensaio de CBR?
No Brasil, a ABNT NBR 9895:2025 e a DNIT 172/2016-ME, que substituiu a DNER-ME 049/94. A preparação da amostra segue a ABNT NBR 6457:2024, a compactação a ABNT NBR 7182:2025, a DNIT 164/2013-ME ou a DNER-ME 162/94, e a referência internacional é a ASTM D1883-21.
Como fazer o ensaio CBR?
O ensaio CBR é feito em três etapas, nesta ordem: compactação dos corpos de prova, no mínimo cinco, em umidades crescentes; imersão em água por 96 horas para medir a expansão; e penetração na prensa a 1,27 mm/min. Cada etapa gera seu próprio gráfico: massa específica seca por umidade, expansão por umidade e pressão por penetração, que dá o ISC.
Como calcular o CBR?
Divide-se a força pela área do pistão (19,32 cm², ou 1.932 mm²) para obter a pressão a 2,54 e a 5,08 mm, corrigida quando a curva tem inflexão, e aplica-se ISC (%) = pressão / pressão-padrão × 100, com 6,9 MPa e 10,35 MPa. Pela NBR 9895:2025 e pela DNIT 172/2016-ME adota-se o maior dos dois valores.
E se o CBR a 5,08 mm der maior que a 2,54 mm?
Pela DNIT 172/2016-ME e pela NBR 9895:2025, adota-se o maior, sem repetir o ensaio. A regra de repetir é da ASTM D1883: ela reporta o valor de 2,54 mm e, se o de 5,08 mm for maior, manda repetir o ensaio; confirmado, vale o de 5,08 mm. Por isso o laudo deve declarar a norma seguida.
Qual o CBR ideal?
Não há um CBR ideal único: depende da camada. Para base estabilizada granulometricamente, a DNIT 141/2022-ES exige ISC ≥ 80 % quando N > 5 × 10⁶ e ISC ≥ 60 % quando N ≤ 5 × 10⁶, com expansão ≤ 0,5 %. A sub-base pede ISC ≥ 20 % e expansão ≤ 1 % (DNIT 139/2010-ES), e o subleito, ISC ≥ 2 % e expansão ≤ 2 % (IPR-719).
Qual a diferença entre o ensaio de compactação e o CBR?
São duas medições sobre os mesmos corpos de prova. A compactação, no molde do CBR e com as energias da NBR 7182:2025, dá a curva de umidade por massa específica seca, com a umidade ótima. O CBR leva esses corpos de prova à imersão de 96 horas e à penetração. A DNIT 172/2016-ME lê o ISC do solo na umidade ótima; a NBR 9895:2025, conforme o critério do projeto.
Dá para calcular o CBR com o DCP?
Dá para estimar. Pela correlação reproduzida na ASTM D6951/D6951M, CBR = 292 / DCP elevado a 1,12, com o índice DCP em mm/golpe (10 mm/golpe dá cerca de 22 %), exceto para argilas CL com CBR abaixo de 10 e argilas CH. É um CBR de campo, na umidade do dia, e não substitui o ISC de laboratório depois de 96 horas de imersão.
O que é Proctor normal?
Proctor normal é a energia normal de compactação. No molde do CBR, corresponde a 12 golpes por camada do soquete de 4,536 kg caindo de 457,2 mm, em 5 camadas; a intermediária usa 26 golpes e a modificada (Proctor modificado), 55. A DNIT 172/2016-ME associa as três energias ao subleito, à sub-base e à base.
Qual a diferença entre a prensa CBR manual e a automática?
A manual exige que o operador mantenha a velocidade de avanço e faça as leituras de carga e deslocamento. A prensa automática controla a velocidade eletronicamente e registra os pontos por software, o que elimina a variação entre operadores e gera o gráfico e o relatório sem transcrição manual.