Módulo de resiliência (MR): o que é, como calcular e ensaio de carga repetida pelas DNIT 134 e 135/2018

Módulo de resiliência (MR) é a razão entre a tensão desvio repetida e a deformação recuperável de solos, britas e asfalto: MR = σd/εr, em MPa (DNIT 134 e 135).

Ensaios de SoloPor Mardoqueu M. Costa
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Módulo de resiliência (MR), ou módulo resiliente (resilient modulus), é a razão entre a tensão desvio aplicada repetidamente num solo, numa brita ou numa mistura asfáltica e a deformação que o material recupera a cada ciclo: MR = σd / εr, em MPa, medido com pulsos de carga de 0,1 s a cada segundo (1 Hz). Ele mede a rigidez elástica do material sob o tráfego e é a principal entrada de rigidez do dimensionamento mecanístico-empírico de pavimentos (MeDiNa, no Brasil). Solos e britas são ensaiados no triaxial de carga repetida pela DNIT 134/2018-ME; misturas asfálticas, na compressão diametral pela DNIT 135/2018-ME. Em ordem de grandeza, um solo fino de subleito fica entre 25 e 200 MPa e um concreto asfáltico, entre 2.000 e 12.000 MPa.

O nome engana, porque a ciência dos materiais usa a mesma expressão para outra grandeza. Nos metais, módulo de resiliência é a energia elástica que o material acumula por unidade de volume até escoar, Ur = σe² / (2E), em J/m³, assunto do artigo sobre resiliência dos materiais. Em pavimentação, módulo de resiliência é uma rigidez, uma tensão dividida por uma deformação, e é desse segundo sentido que este artigo trata.

Em resumo:

  • Fórmula: MR = σd / εr, com σd = P / A e εr = δr / H0.
  • Carregamento: pulsos de 0,1 s seguidos de 0,9 s de repouso, ou seja, 1 Hz, nas duas normas de MR.
  • Solos e britas: 3 pares de condicionamento com 500 ciclos cada e 18 pares de tensão para o cálculo (DNIT 134/2018-ME).
  • Misturas asfálticas: compressão diametral a 25 ± 0,5 °C, com carga entre 5 % e 25 % da resistência à tração (DNIT 135/2018-ME).
  • Deformação permanente: ensaio separado, com pelo menos 150.000 ciclos por corpo de prova (DNIT 179/2018-IE).

Os dois sentidos de "módulo de resiliência"

O módulo de resiliência dos metais e o da pavimentação têm em comum só a ideia de recuperação elástica. A dos metais é uma área sob a curva tensão-deformação do ensaio de tração, levado até o escoamento; a da pavimentação é uma inclinação, medida com deformações muito pequenas e sob carga cíclica, sem chegar perto da ruptura. Por isso as unidades não se convertem uma na outra: J/m³ tem a mesma dimensão do pascal, mas um valor de 0,31 MJ/m³ para um aço e um MR de 150 MPa para um solo não descrevem a mesma coisa. A tabela resume a diferença:

ItemMetais (Ur)Pavimentação (MR)
O que medeenergia elástica armazenada até o escoamentorigidez sob carga repetida
FórmulaUr = σe² / (2E)MR = σd / εr
Unidade usualMJ/m³ ou kJ/m³MPa
De onde saiensaio de tração (E e escoamento)triaxial de carga repetida ou compressão diametral
Usoseleção de material para molasdimensionamento de pavimentos

A confusão aparece até em glossários bem posicionados nas buscas, que descrevem o MR de pavimentos como "energia absorvida". Se o texto fala em J/m³, molas ou limite de escoamento, é o sentido dos metais; se fala em tensão desvio, tensão confinante, DNIT ou subleito, é o sentido deste artigo.

Por que o pavimento é ensaiado com carga repetida

O pavimento é ensaiado com carga repetida porque é assim que o tráfego o solicita: cada passagem de roda aplica em um ponto do pavimento uma carga que sobe e desce em frações de segundo. As camadas se deformam e, quando a roda passa, recuperam quase toda a deformação. A parcela recuperada é a resiliente, de natureza elástica (veja deformação elástica); a pequena parcela que não volta é a permanente, que se soma a cada passagem e aparece na superfície como afundamento de trilha de roda. A DNIT 134/2018-ME define o comportamento resiliente justamente assim: a resposta elástica do material a uma carga aplicada em pulsos de curta duração.

As duas parcelas causam defeitos diferentes. A resiliente governa a deflexão do pavimento e a deformação de tração no fundo do revestimento asfáltico, que, repetida milhões de vezes, leva à fadiga e às trincas. A permanente governa os afundamentos. Um método de dimensionamento racional precisa, portanto, da rigidez de cada camada medida nas condições do tráfego: carga curta, repetida, com deformações pequenas e sob o confinamento que a camada tem no pavimento. É o que o módulo de resiliência fornece.

O ensaio CBR (California Bearing Ratio, ou Índice de Suporte Califórnia, ISC), base do método empírico de 1981 do antigo DNER, faz outra coisa: penetra um pistão no solo a velocidade constante, com deslocamentos de milímetros, e mede uma resistência à penetração. Dois solos com o mesmo CBR podem ter rigidez muito diferente sob carga repetida. O ensaio está detalhado no artigo sobre o ensaio CBR; aqui basta a conclusão do roteiro de ensaios do MeDiNa (DNIT, 2026), que não recomenda correlações entre MR e CBR por causa da baixa consistência entre os dois parâmetros.

O ensaio triaxial de carga repetida foi desenvolvido por Seed e colaboradores, nos Estados Unidos, a partir da década de 1950. O nome "módulo de resiliência" foi adotado para distinguir a grandeza do módulo de Young obtido em carregamento estático, e no Brasil o ensaio é feito desde 1977 na COPPE/UFRJ, segundo Bernucci e colaboradores (Pavimentação Asfáltica: formação básica para engenheiros, cap. 7).

Fórmula do módulo de resiliência e como calcular

O cálculo do módulo de resiliência usa duas tensões do ensaio triaxial, a confinante e a desvio, e uma deformação, a resiliente. No ensaio triaxial, o corpo de prova cilíndrico fica dentro de uma câmara com ar sob pressão. Essa pressão age em todas as faces e é a tensão confinante, σ3, que representa o confinamento lateral da camada no pavimento. Sobre ela, um pistão aplica pulsos verticais. A tensão vertical total é σ1, e a diferença σ1 − σ3 é a tensão desvio (ou tensão desviadora), σd: é a parte da tensão vertical que excede o confinamento, a que de fato tende a distorcer o material. A DNIT 134/2018-ME define o MR como a relação entre a tensão desvio aplicada repetidamente e a deformação vertical recuperável correspondente:

MR = σd / εr

A tensão desvio é a carga cíclica dividida pela área da seção do corpo de prova, σd = P / A. A deformação resiliente (ou deformação específica resiliente) é o deslocamento recuperado no ciclo, δr, dividido pela altura de referência do medidor, H0: εr = δr / H0. O deslocamento resiliente é medido por dois transdutores de deslocamento do tipo LVDT presos ao corpo de prova, entre o ponto de tensão máxima e o fim do descarregamento. A altura de referência é a base do medidor de deslocamento (a altura total, se o medidor vai do topo à base, ou o trecho do terço médio) descontado o deslocamento permanente já acumulado. A tabela reúne as grandezas:

GrandezaExpressãoUnidade
Módulo de resiliênciaMR = σd / εrMPa
Tensão desvioσd = σ1 − σ3 = P / AMPa (N/mm²)
Deformação resilienteεr = δr / H0adimensional
Deformação permanenteεp = δp / H0adimensional ou %

O esquema abaixo mostra o que o ensaio registra. Em cima, os pulsos de tensão desvio, cada um com 0,1 s de duração e 0,9 s de repouso. Embaixo, o deslocamento vertical: a cada pulso o corpo de prova encurta e, no repouso, recupera a parcela resiliente, δr, que é a que entra no MR; o pouco que não volta se acumula de ciclo a ciclo e foi desenhado em escala exagerada para aparecer.

Esquema em dois gráficos: acima, pulsos de tensão desvio de 0,105 MPa com 0,1 s de duração a cada 1 s; abaixo, o deslocamento vertical do corpo de prova, com a parcela resiliente de 0,144 mm recuperada a cada ciclo e a parcela permanente que se acumula
Esquema do ensaio triaxial de carga repetida: pulsos de 0,1 s a cada segundo e, abaixo, o deslocamento resiliente que entra no MR e o permanente que se acumula

Para um material elástico linear, o MR coincide com o módulo de elasticidade, e é essa a observação que o roteiro do MeDiNa faz. Solos e britas, porém, não são lineares: o MR de um mesmo material muda com a tensão confinante e com a tensão desvio, e por isso o ensaio aplica vários pares de tensão em vez de um só. A relação entre tensão e deformação em geral está no artigo sobre o diagrama tensão-deformação.

Exercício 1: MR de um par de tensões

Dados ilustrativos. Corpo de prova de solo com 100 mm de diâmetro e 200 mm de altura, LVDTs do topo à base (H = 200 mm). Par σ3 = 0,035 MPa e σd = 0,105 MPa. Até esse par, o deslocamento permanente acumulado é de 0,40 mm. Na média dos ciclos lidos, os deslocamentos resilientes são 0,140 mm no LVDT 1 e 0,148 mm no LVDT 2.

  1. Área: A = π × 50² = 7.853,98 mm². A carga cíclica que o pistão aplica é P = 0,105 × 7.853,98 = 824,7 N.
  2. Deslocamento resiliente: média dos dois LVDTs, δr = (0,140 + 0,148) / 2 = 0,144 mm.
  3. Altura de referência: H0 = 200 − 0,40 = 199,60 mm.
  4. Deformação resiliente: εr = 0,144 / 199,60 = 7,214 × 10⁻⁴.
  5. MR = 0,105 / 7,214 × 10⁻⁴ = 145,5 MPa, cerca de 146 MPa.

O valor fica dentro da faixa de solos finos de subleito do roteiro do MeDiNa (25 a 200 MPa). Sem o desconto de 0,40 mm, H0 = 200 mm e o MR sairia 145,8 MPa: a diferença é pequena aqui, mas cresce quando o corpo de prova acumula vários milímetros de deformação permanente.

Ensaio triaxial de carga repetida em solos (DNIT 134/2018-ME)

O ensaio triaxial de carga repetida, também chamado ensaio triaxial dinâmico, determina o MR de solos e britas aplicando pulsos curtos de tensão desvio a um corpo de prova cilíndrico confinado, sem levá-lo à ruptura. O ensaio triaxial em geral, com os tipos estáticos (UU, CU e CD) usados para resistência ao cisalhamento, está no artigo sobre o ensaio triaxial; a versão de carga repetida usa a mesma ideia de corpo de prova encamisado e confinado numa câmara, mas troca o carregamento lento até a ruptura pelos pulsos. A DNIT 134/2018-ME (aprovada em 25/07/2018, versão corrigida com a Errata 1 em 20/04/2023) é a norma brasileira do ensaio; ela substituiu a DNIT 134/2010-ME e é pública no portal do DNIT.

Na foto, um corpo de prova de solo compactado dentro da célula triaxial, envolto em membrana: a pressão na célula aplica a tensão confinante, o pistão no topo aplica os pulsos de carga e os dois LVDTs medem quanto o corpo de prova encurta e recupera a cada pulso.

Corpo de prova cilíndrico de solo compactado envolto em membrana de látex dentro de uma célula triaxial de acrílico, com dois transdutores de deslocamento presos ao corpo de prova e o pistão de carga no topo
Corpo de prova de solo na célula triaxial de carga repetida, com os LVDTs que medem a deformação resiliente

Materiais e corpo de prova

A norma vale para solos, britas graduadas, materiais estabilizados granulometricamente e solos melhorados com pequenas adições químicas ou fibras, desde que não estabilizados quimicamente. Solo-cimento, brita graduada tratada com cimento e outros materiais cimentados têm norma própria, a DNIT 181/2018-ME. Os pontos que definem o corpo de prova são:

  • Dimensões: cilindro de 100 × 200 mm para solo sem pedregulho ou material que passa integralmente na peneira de 25,4 mm; cilindro de 150 × 300 mm quando há material retido em 25,4 mm e tudo passa em 38,1 mm. Nos dois casos a altura é o dobro do diâmetro, e a partícula máxima não passa de 1/4 do diâmetro.
  • Moldagem: compactação em molde tripartido de aço, em 10 camadas, com soquete tipo Proctor leve (2.500 g, queda de 305 mm) ou pesado (4.536 g, queda de 457 mm), no número de golpes que dá a energia especificada.
  • Umidade: o solo homogeneizado descansa pelo menos 12 h em câmara úmida antes de compactar (dispensado para brita). A umidade medida no corpo de prova depois do ensaio pode diferir da ótima em até ± 1 % no material granular e ± 0,5 % no fino. A umidade ótima e a densidade de referência podem ser determinadas no próprio molde tripartido, pela DNIT 443/2023-ME (que substituiu a DNIT 411/2019-ME); a curva obtida no cilindro Proctor tradicional, de outras dimensões, pode indicar uma umidade ótima diferente.

Equipamento exigido

A norma descreve uma prensa pneumática, com cilindro de ar comprimido e pistão de carga, e admite prensa hidráulica que aplique cargas repetidas. O pulso é formado por uma válvula de três vias comandada por temporizador eletrônico, e duas válvulas reguladoras de pressão ajustam a tensão desvio e a tensão confinante. As demais exigências são:

  • Câmara triaxial de policarbonato ou material que deixe ver o corpo de prova, com base e tampa metálicas e furo de drenagem na base.
  • Célula de carga dentro da câmara, em contato direto com o cabeçote, com acurácia de ± 0,5 % do valor medido. Dentro da câmara, a leitura não inclui o atrito do pistão na vedação da tampa.
  • Dois LVDTs (transdutores indutivos de deslocamento, da mesma família descrita no artigo sobre extensômetro) em posições diametralmente opostas, presos ao cabeçote e apoiados em hastes guia ou fixados no terço médio. O conjunto LVDT e aquisição tem de ler com precisão de 0,001 mm, em faixa de até ± 5 mm, e o cálculo usa a média dos dois.
  • Membrana de borracha ou látex com diâmetro em repouso de pelo menos 95 % do diâmetro do corpo de prova e espessura de no máximo 0,8 % dele, além de sistema de vácuo para conferir se ela está furada.

O ensaio descrito é drenado: a válvula da base fica aberta à atmosfera durante todo o carregamento.

Condicionamento e os 18 pares de tensão

Todo o ensaio roda a 1 Hz, com pulso de 0,1 s e repouso de 0,9 s (60 ciclos por minuto), e a tensão confinante fica constante, sem ciclar. Ele tem duas fases:

  1. Condicionamento: 500 repetições de cada um de três pares (σ3; σd): 0,070 e 0,070 MPa; 0,070 e 0,210 MPa; 0,105 e 0,315 MPa. Serve para eliminar as deformações permanentes das primeiras aplicações de carga, que não representam o material em serviço. Para solos de subleito, a norma admite condicionar só com o primeiro par.
  2. Determinação do MR: 18 pares de tensão, seis níveis de tensão confinante (0,020, 0,035, 0,050, 0,070, 0,105 e 0,140 MPa) e, para cada um, tensões desvio que levam a razão σ1/σ3 a 2, 3 e 4. O par mais severo tem σ3 = 0,140 MPa e σd = 0,420 MPa. Para subleito, a critério do projetista, bastam os 12 pares dos quatro primeiros níveis de confinamento.

Em cada par aplicam-se pelo menos 10 ciclos e registram-se pelo menos 5 repetições cujas leituras não difiram entre si mais de 5 %; o MR do par é a média dessas 5. Se, em qualquer fase, a deformação permanente acumulada chegar a 5 % da altura do corpo de prova (10 mm no cilindro de 200 mm, 15 mm no de 300 mm), o ensaio é interrompido e o resultado, desconsiderado. No fim, o corpo de prova vai para a estufa a cerca de 110 °C por 48 h, ou até massa constante, para conferir a umidade. Quando a amostra é única da jazida ou do furo de sondagem, a norma recomenda ensaiar três corpos de prova iguais.

O resultado não é um número: são 18 valores de MR, um por par, que a norma manda expressar por uma relação matemática com as tensões, obtida por regressão. É o assunto da seção seguinte.

Modelos de comportamento: por que o MR depende das tensões

Um modelo de comportamento resiliente é a expressão que dá o MR de um material em função das tensões a que ele está submetido, ajustada por regressão aos valores medidos no ensaio. Um material granular, como uma brita graduada, ganha rigidez quando é confinado: os grãos ficam mais apertados uns contra os outros e o contato entre eles endurece. Um solo fino argiloso tende a perder rigidez quando a tensão desvio aumenta, porque a distorção cresce mais que a tensão. Os modelos de comportamento capturam esses dois efeitos com expressões de potência ajustadas aos 18 pares. O roteiro do MeDiNa (DNIT, 2026) usa o modelo geral:

MR = k1 · σ3k2 · σdk3 · θk4

em que θ = σ1 + 2σ3 é o primeiro invariante de tensões (a soma das três tensões principais), com as tensões em MPa. Zerando expoentes, saem os casos particulares:

  • MR constante (k2 = k3 = k4 = 0): comportamento elástico linear, o mais simples.
  • Dependente de σ3 (k3 = k4 = 0): típico de materiais granulares.
  • Dependente de σd (k2 = k4 = 0): típico de solos finos coesivos.
  • Dependente de θ (k2 = k3 = 0): o modelo "k-θ", clássico para britas.
  • Modelo composto (k4 = 0): MR = k1·σ3k2·σdk3, que cobre os dois efeitos e é o mais usado no Brasil.

O sinal dos expoentes tem leitura física: k2 positivo quer dizer que o material enrijece com o confinamento; k3 negativo, que amolece com a tensão desvio. Nos Estados Unidos, o guia mecanístico-empírico da AASHTO usa o modelo universal do projeto NCHRP 1-37A, MR = k1·pa·(θ/pa)k2·(τoct/pa + 1)k3, que normaliza as tensões pela pressão atmosférica pa e usa a tensão octaédrica de cisalhamento τoct. Os parâmetros de um modelo não valem no outro. A literatura tem ainda outras formas, como a de Witczak e Uzan (1988), com o primeiro invariante e a tensão octaédrica, e a de Witczak e Rada (1981); programas de laboratório costumam ajustar várias delas aos mesmos 18 pares para comparar o R².

O ajuste é feito por regressão. Tomando logaritmos, o modelo composto vira linear: ln MR = ln k1 + k2·ln σ3 + k3·ln σd, e uma regressão linear múltipla nos 18 pares dá os três parâmetros e o coeficiente de determinação R². Também se usa regressão não linear direta. O relatório deve trazer o modelo, os parâmetros, as unidades das tensões e o R².

Exercício 2: ajuste do modelo composto com três pares

Dados ilustrativos de um mesmo solo: P1 (σ3 = 0,035; σd = 0,070 MPa) com MR = 150 MPa; P2 (0,070; 0,070) com 205 MPa; P3 (0,070; 0,210) com 180 MPa. Ajuste MR = k1·σ3k2·σdk3 e estime o MR em σ3 = 0,050 e σd = 0,150 MPa.

  1. De P1 para P2 só muda σ3, que dobra: 205 / 150 = 2k2, logo k2 = ln 1,3667 / ln 2 = 0,451.
  2. De P2 para P3 só muda σd, que triplica: 180 / 205 = 3k3, logo k3 = ln 0,8780 / ln 3 = −0,118.
  3. Com P2: k1 = 205 / (0,0700,451 × 0,070−0,118) = 205 / (0,3016 × 1,3700) ≈ 496 MPa.
  4. Conferência em P1: 496 × 0,0350,451 × 0,070−0,118 = 496 × 0,2207 × 1,3700 = 150,0 MPa.
  5. Previsão: 496 × 0,0500,451 × 0,150−0,118 = 496 × 0,2592 × 1,2518 ≈ 161 MPa.

Com três pontos e três incógnitas, o ajuste passa exatamente pelos pontos e não diz nada sobre a qualidade do modelo. No ensaio real, os 18 pares dão 15 graus de liberdade e o R² passa a ter significado.

O gráfico abaixo desenha o modelo ajustado em escala log-log, onde cada tensão confinante vira uma reta. As retas sobem de σ3 = 0,020 para 0,140 MPa, que é o efeito de k2 positivo, e descem para a direita, que é o efeito de k3 negativo. O círculo vazado é a previsão do item 5, entre as retas de 0,035 e 0,070 MPa.

Gráfico log-log do módulo de resiliência contra a tensão desvio para quatro tensões confinantes, com o modelo MR = 496·σ3^0,451·σd^-0,118, os pares medidos de 150, 205 e 180 MPa e a previsão de 161 MPa
Modelo composto do exercício 2: o MR sobe com a tensão confinante e cai com a tensão desvio

Misturas asfálticas: compressão diametral (DNIT 135/2018-ME)

O módulo de resiliência de misturas asfálticas é medido por compressão diametral sob carga repetida, porque no revestimento a solicitação que importa para a fadiga é a tração na face inferior da camada, que se flexiona sob a roda. A compressão diametral reproduz essa tração em laboratório: um corpo de prova cilíndrico, deitado, recebe carga ao longo de duas geratrizes opostas, e o plano diametral vertical fica sob tração horizontal praticamente uniforme na região central. É o mesmo princípio do ensaio de resistência à tração por compressão diametral (DNIT 136/2018-ME), só que com pulsos pequenos que não rompem o corpo de prova. A DNIT 135/2018-ME (aprovada em 26/04/2018, em substituição à DNIT 135/2010-ME) define o MR da mistura como a relação entre a tensão horizontal gerada pela carga cíclica e a deformação horizontal recuperável correspondente.

Procedimento

Os corpos de prova são moldados no compactador Marshall (veja o ensaio Marshall) ou no giratório, ou extraídos da pista. O roteiro da norma é este:

  1. Corpo de prova: diâmetro de 101,6 ± 3,8 mm e altura entre 35 e 70 mm, medida com paquímetro (média de 4 leituras). Armazenado de 24 h a 30 dias, a no máximo 30 °C.
  2. Resistência à tração: determinar a RT pela DNIT 136 em pelo menos 3 corpos de prova iguais. A carga cíclica do ensaio de MR fica entre 5 % e 25 % dessa RT média.
  3. Temperatura: pelo menos 4 h na câmara à temperatura de ensaio, geralmente 25 ± 0,5 °C. A câmara precisa manter de 10 a 50 °C com precisão de 0,5 °C.
  4. Montagem: corpo de prova centrado entre frisos de aço côncavos de 12,70 mm de largura, com carga de contato fixa de 25 a 75 N.
  5. Carregamento: pulso de forma (1 − cos θ)/2, com 0,1 s de carga e 0,9 s de repouso. Primeiro, 50 ciclos de condicionamento; depois, sem interromper, 15 ciclos, mais 15 com a carga 5 % maior e mais 15 com outros 5 %, registrando carga e deslocamentos a pelo menos 200 pontos por segundo.
  6. Critério: calcula-se o MR nos 5 últimos ciclos de cada conjunto de 15; as médias dos três conjuntos não podem diferir mais de 5 % da média global.

O deslocamento é medido por LVDT com resolução mínima de 0,0004 mm, externo (numa alça presa ao corpo de prova) ou interno (colado nas faces, com base de 1/2 ou 1/4 do diâmetro). Medindo também o deslocamento vertical, calcula-se o coeficiente de Poisson; com só o sensor horizontal, adota-se 0,25 ou 0,30 a 25 °C, e a nota da norma registra que o banco de dados brasileiro usa 0,30. A célula de carga precisa de sensibilidade mínima de 0,5 % da carga máxima do ensaio, e o resultado da mistura é a média de pelo menos 3 corpos de prova.

MR, módulo instantâneo e módulo total

A curva deslocamento horizontal × tempo de cada ciclo não volta a zero de uma vez: tem um trecho de descarregamento quase linear, uma curva de transição e uma recuperação lenta, de natureza viscosa, durante o repouso. A norma divide a curva nesses três segmentos, ajusta uma regressão a cada um e define três módulos com o mesmo numerador e deslocamentos diferentes:

  • Módulo de resiliência (MR): usa o deslocamento no ponto em que a reta do descarregamento cruza a tangente à recuperação viscosa (tomada a 0,595 s do ciclo). É o valor de projeto, mantido pela prática brasileira desde a primeira norma do DNER, de 1986.
  • Módulo instantâneo (MI): usa o deslocamento instantâneo, lido no segmento de transição nesse mesmo instante.
  • Módulo total (MT): usa o deslocamento total do ciclo, do início do pulso ao máximo, e por isso sai menor.

Para o corpo de prova de 101,6 mm com LVDT externo, a equação 13 da norma dá o MR em MPa:

MR = P · (0,2692 + 0,9976·ν) / (ΔH · t)

com P a carga cíclica em N, ΔH o deslocamento horizontal resiliente em mm, t a altura do corpo de prova em mm e ν o coeficiente de Poisson. O esquema abaixo reúne a montagem e o cálculo: a carga vertical P entra pelos frisos, gera tração horizontal ao longo do diâmetro vertical e o LVDT mede a variação do diâmetro horizontal, ΔH. Ao lado estão a equação e os números do exercício seguinte.

Esquema de corpo de prova cilíndrico de mistura asfáltica deitado entre dois frisos de 12,7 mm, com a carga P vertical, setas de tração horizontal ao longo do diâmetro e um LVDT horizontal, ao lado da equação MR = P·(0,2692 + 0,9976·ν)/(ΔH·t) e do cálculo do exercício 3
Esquema da compressão diametral: a carga vertical gera tração horizontal no diâmetro, medida pelo LVDT, e o MR sai da equação 13 da DNIT 135

Exercício 3: MR de uma mistura asfáltica

Dados ilustrativos. Corpos de prova Marshall com D = 101,6 mm e t = 63,5 mm. Na DNIT 136, três corpos de prova iguais romperam com carga média F = 8.000 N. No ensaio de MR, adota-se carga cíclica de 10 % da ruptura, ν = 0,30 (sem sensor vertical) e o LVDT externo registra ΔH = 0,00205 mm.

  1. RT = 2F / (π·D·t) = 16.000 / (π × 101,6 × 63,5) = 16.000 / 20.269 = 0,789 MPa.
  2. P = 0,10 × 8.000 = 800 N. A tração que ele gera no centro é 2 × 800 / 20.269 = 0,079 MPa, que é 10 % da RT, dentro da faixa de 5 % a 25 %.
  3. MR = 800 × (0,2692 + 0,9976 × 0,30) / (0,00205 × 63,5) = 800 × 0,5685 / 0,1302 = 3.494 MPa, cerca de 3.490 MPa.

O deslocamento medido é de cerca de 2 µm. A resolução mínima exigida, 0,0004 mm, é um quinto desse sinal, e por isso a fixação do sensor, o alinhamento dos frisos e a média de vários ciclos pesam tanto no resultado. O valor fica dentro da faixa de concretos asfálticos do roteiro do MeDiNa (2.000 a 12.000 MPa).

Deformação permanente (DNIT 179/2018-IE)

A deformação permanente é a parcela da deformação que não volta a cada ciclo e que, somada ao longo de milhões de passagens, vira afundamento de trilha de roda. Ela é medida em outro ensaio, no mesmo equipamento triaxial de carga repetida, pela DNIT 179/2018-IE (instrução de ensaio aprovada em 15/05/2018, com a Errata 1 de 20/04/2023). Em vez de muitos pares de tensão com poucos ciclos, aplica-se um único par por corpo de prova durante muitos ciclos, registrando a deformação permanente acumulada, objeto do artigo sobre deformação plástica. Os pontos principais da norma são:

  • Frequência: 2 Hz recomendados (pulso de 0,1 s e repouso de 0,4 s), admitindo de 1 a 5 Hz com o pulso sempre de 0,1 s e só o repouso ajustado, desde que todos os ensaios de uma mesma amostra usem a mesma frequência.
  • Procedimento inicial: 50 ciclos com σ3 = σd = 30 kPa, para assentar pistão e cabeçote. A deformação dessa fase não conta, e a altura de referência é corrigida.
  • Ensaio: pelo menos 150.000 ciclos por corpo de prova, com leituras intermediárias (1, 2, 3... 100, 200... 1.000, 2.000... ciclos) para descrever a curva.
  • Pares de tensão: σ3 de 40, 80 e 120 kPa, cada um com razão σ1/σ3 de 2, 3 e 4, ou seja, σd igual a 1, 2 e 3 vezes σ3, até 360 kPa. São 9 corpos de prova, um por par, com mínimo de 6 se as tensões forem bem espaçadas.

Os resultados alimentam o modelo de Guimarães (2009), εp(%) = ψ1·(σ3/ρ0)ψ2·(σd/ρ0)ψ3·Nψ4, em que ρ0 é a pressão atmosférica de referência e N o número de ciclos, ajustado por regressão não linear múltipla. A norma também classifica a resposta: o material pode se acomodar (o chamado shakedown, com a deformação estabilizando com os ciclos), continuar acumulando deformação sem estabilizar ou entrar em colapso com poucos ciclos. A soma das deformações permanentes de cada camada, multiplicadas pelas espessuras, dá o afundamento de trilha de roda previsto.

Exercício 4: tempo de máquina

Quanto tempo de equipamento consome a caracterização de um material pelas duas normas de solos?

  1. Deformação permanente a 2 Hz: 150.000 / 2 = 75.000 s, ou 20,8 h por corpo de prova. Com 9 corpos de prova, 187,5 h, cerca de 7,8 dias de operação contínua.
  2. Se a amostra inteira for ensaiada a 5 Hz, o máximo admitido: 150.000 / 5 = 30.000 s, 8,3 h por corpo de prova e 75 h para os 9. A 1 Hz, seriam 41,7 h por corpo de prova.
  3. Módulo de resiliência a 1 Hz: 3 × 500 ciclos de condicionamento mais pelo menos 18 × 10 ciclos = 1.680 ciclos, ou cerca de 28 min de carregamento por corpo de prova.

Para quem planeja o laboratório, a deformação permanente é o gargalo: o MR de um material se resolve num turno, a deformação permanente ocupa a prensa por mais de uma semana.

Valores típicos e uso no dimensionamento (MeDiNa)

O MeDiNa (Método de Dimensionamento Nacional) é o programa mecanístico-empírico do DNIT. Ele calcula tensões e deformações nas camadas pela teoria da elasticidade de múltiplas camadas (rotina AEMC) e compara as respostas com modelos de dano por fadiga e por deformação permanente. Nasceu de um termo de cooperação entre o IPR e a COPPE/UFRJ (2015 a 2018); a versão 2.0, recalibrada com a UnB, foi lançada pelo DNIT em 24/10/2025, e o roteiro de ensaios do DNIT e da UnB (2026) registra que o método foi implantado em 2025. Os parâmetros de cada camada vêm destas normas:

CamadaParâmetros de rigidezOutros parâmetros
Granulares e subleitoν e k1 a k4 (DNIT 134), ou MR constanteψ1 a ψ4 (DNIT 179)
Estabilizadas quimicamenteν e MR (DNIT 134 e DNIT 181)RT (DNIT 136) e fadiga (DNIT 434)
Misturas asfálticasν e MR (DNIT 135)RT (DNIT 136) e fadiga (DNIT 183)

Quando a camada é descrita por um modelo não linear, o programa parte de um MR inicial, calcula as tensões, recalcula o MR com o modelo e repete até convergir; o MR adotado é o do centro da camada. O MR também pode ser obtido em campo: as bacias de deflexão medidas em campo com viga Benkelman ou com deflectômetro de impacto (FWD) entram no programa de retroanálise (BackMeDiNa), e o roteiro considera bom o ajuste com erro RMS abaixo de 5 %, razoável de 5 % a 10 % e insatisfatório a partir de 10 %.

Para anteprojeto, ou para conferir se um resultado de laboratório é plausível, o roteiro do MeDiNa traz faixas de módulo por material (tabela 12, adaptada de PMSP 2004, DER-SP 2006 e Bernucci et al. 2022). Elas não substituem o ensaio do material da obra:

MaterialFaixa de módulo (MPa)
Concretos asfálticos2.000 a 12.000
Brita graduada tratada com cimento5.000 a 15.000
Materiais granulares100 a 500
Solos finos em base e sub-base150 a 300
Solos finos em subleito e reforço do subleito25 a 200

O mesmo roteiro lista valores típicos de coeficiente de Poisson (adaptados de Huang, 2004): 0,30 para concreto asfáltico, 0,35 para materiais granulares, 0,40 para solos de granulação fina, 0,15 para granulares tratados com cimento. Como o pavimento é pouco sensível a variações de ν, valores típicos costumam ser adotados.

Como interpretar o módulo de resiliência

Interpretar um módulo de resiliência exige saber em que tensões, umidade, densidade e temperatura ele foi medido, porque o mesmo material dá valores diferentes em cada condição. As dúvidas abaixo são as que mais aparecem na leitura de relatórios e na passagem do laboratório para o projeto.

O MR é o módulo de elasticidade do solo?

Só no caso particular de material elástico linear. O módulo de elasticidade de um aço é praticamente uma constante do material; o MR de um solo depende do estado de tensões, da umidade e da densidade em que foi moldado. Por isso o MR sempre vem acompanhado das tensões ou do modelo, e um "MR do solo" sem essas informações não pode ser usado em projeto.

Por que o mesmo solo tem vários valores de MR?

Porque cada par de tensão dá um valor, e no pavimento cada profundidade tem um confinamento e uma tensão desvio diferentes. Os 18 valores do ensaio são pontos de uma superfície, que o modelo descreve; o valor que entra no cálculo é o que o programa encontra para o estado de tensões no centro da camada.

Um MR maior é sempre melhor?

Não necessariamente. No subleito e nas camadas granulares, rigidez maior reduz as deflexões. No revestimento, uma mistura mais rígida absorve uma parcela maior da tensão da roda e pode trabalhar com tração maior; se a resistência à fadiga dessa mistura não acompanha, a vida útil cai. Por isso o MeDiNa avalia o MR junto com a curva de fadiga da mistura e com a rigidez das camadas de baixo, e não isoladamente.

O MR de laboratório vale para o campo?

Vale para as condições em que foi medido. A DNIT 134 molda o corpo de prova na umidade ótima e na densidade máxima da energia especificada; um subleito que trabalha mais úmido que a ótima terá MR menor. A norma admite ensaiar em outras condições de umidade e densidade, desde que o relatório informe. A retroanálise de bacias de deflexão é o caminho para conferir a rigidez da camada como construída.

Por que o MR da mistura asfáltica muda com a temperatura?

Porque o ligante asfáltico é viscoelástico: amolece com o calor e enrijece com o frio, e a parcela de recuperação lenta da curva de deslocamento é a manifestação disso dentro de cada ciclo. Por isso a DNIT 135 fixa a temperatura, geralmente 25 ± 0,5 °C, e exige 4 h de condicionamento térmico. MR medido em outra temperatura não é comparável com o banco de dados a 25 °C. Quando o projeto precisa da rigidez em várias temperaturas e frequências, o ensaio indicado é outro: o módulo dinâmico, pela DNIT 416/2019-ME, que mede o módulo e o ângulo de fase da mistura numa série de temperaturas e frequências e os reúne numa curva mestra.

Dá para usar o CBR no lugar do MR?

Para dimensionamento mecanístico, não. Existem correlações empíricas do tipo MR ≈ 10·CBR (em MPa, atribuída a Heukelom e Klomp, 1962), mas elas foram obtidas para outros solos e outras condições de ensaio, e o roteiro do MeDiNa não as recomenda pela baixa consistência entre os dois parâmetros. Em solos tropicais, como os lateríticos, a dispersão entre MR e CBR é grande, e a mesma razão não serve para solos diferentes; por isso o Roteiro de Ensaios do MeDiNa recomenda medir o MR em vez de estimá-lo pelo CBR. O CBR serve como triagem; o MR tem de ser ensaiado.

Erros comuns no ensaio e no uso do MR

Os erros que mais distorcem o módulo de resiliência são de procedimento (altura de referência, condicionamento, posição dos sensores) e de transcrição (unidade e modelo), e explicam a maior parte das diferenças entre laboratórios e dos resultados implausíveis:

  • Confundir os dois "módulos de resiliência" e citar J/m³ ou σ²/2E num relatório de pavimentação.
  • Não descontar o deslocamento permanente de H0: a deformação resiliente é dividida por uma altura maior que a real, sai menor, e o MR sai maior que o verdadeiro; o erro cresce com a deformação acumulada.
  • Pular ou encurtar o condicionamento: as deformações permanentes iniciais contaminam os primeiros pares.
  • Usar um LVDT só ou ignorar a diferença entre os dois: a norma manda usar a média, que compensa a inclinação do cabeçote.
  • Célula de carga fora da câmara sem correção: a leitura inclui o atrito do pistão na vedação.
  • Aplicar a DNIT 134 a material estabilizado quimicamente: solo-cimento, BGTC e similares seguem a DNIT 181/2018-ME.
  • Carga fora de 5 % a 25 % da RT, ou temperatura fora de 25 ± 0,5 °C, no ensaio de misturas.
  • Não informar se o ν foi medido ou adotado, nem o comprimento de medida do sensor (1, 1/2 ou 1/4 do diâmetro), como a DNIT 135 exige no relatório.
  • Trocar a unidade das tensões no modelo: k1 muda de valor se as tensões estiverem em kPa em vez de MPa. O relatório tem de dizer a unidade.
  • Confundir kPa e MPa no resultado: 146 MPa são 146.000 kPa; softwares que exibem o MR em kPa exigem atenção na transcrição.
  • Usar o melhor R² como único critério: um modelo com expoentes de sinal contrário ao esperado fisicamente pode ajustar bem os pontos e errar fora deles.

Equipamento para o ensaio de módulo de resiliência

Os ensaios das DNIT 134, 135 e 179 pedem uma prensa capaz de aplicar pulsos curtos e repetidos, uma célula triaxial com confinamento controlado e medição de deslocamento de alta resolução. A Biopdi fabrica a prensa triaxial dinâmica, com acionamento pneumático, frequência de 1 a 5 Hz e software com rotinas pré-programadas para módulo de resiliência (DNIT 134/2018-ME e 135/2018-ME) e deformação permanente (DNIT 179/2018-IE). O painel abaixo mostra a prensa, o papel de cada parte no ensaio e os acessórios usados.

A prensa triaxial dinâmica no ensaio de módulo de resiliência

A prensa triaxial dinâmica da Biopdi é de dupla coluna, com pistão de 15 kN, alimentação pneumática de 10 bar e frequência de 1 a 5 Hz. Cada parte tem uma função no ensaio:

Prensa triaxial dinâmica Biopdi de dupla coluna, com a célula triaxial de acrílico no centro e o caixa de comando no topo
  1. Atuador pneumático aplica os pulsos de tensão desvio, de 1 a 5 Hz
  2. Célula triaxial dinâmica acrílico e alumínio, envolve o corpo de prova encamisado
  3. Pressurização mantém a tensão confinante constante
  4. Célula de carga submersível 15 kN, dentro da câmara
  5. Dois sensores de deslocamento submersíveis, medem o deslocamento resiliente
  6. Software rotinas DNIT 134, 135 e 179, com o MR por par de tensões

Acessórios para o módulo de resiliência

Os acessórios abaixo são montados na mesma prensa, conforme o material e a norma:

Célula triaxial dinâmica Biopdi com corpo de prova de solo e dois sensores de deslocamentoCélula triaxial dinâmicasolos e britas, DNIT 134 e 179
Dispositivo Biopdi de compressão diametral com corpo de prova de mistura asfáltica e sensores horizontaisCompressão diametralmisturas asfálticas, DNIT 135
Transdutor de deslocamento linear LVDT BiopdiLVDTsubmersível e não submersível

A prensa é oferecida em duas versões: a triaxial dinâmica simples, com pressurização pneumática ajustada manualmente por manômetro e válvulas, e a triaxial dinâmica automática, com pressurização automática. Há também o modelo que reúne os ensaios estático e dinâmico, apresentado na página da prensa de ensaio triaxial. No software, a aba de módulo de resiliência mostra, para cada par, o deslocamento resiliente e o MR, este em kPa; a aba de deformação permanente traça a deformação ao longo do tempo e dos ciclos. A moldagem dos corpos de prova de mistura asfáltica é feita à parte, como no ensaio Marshall, para o qual a Biopdi tem a prensa CBR/Marshall.

Exercício 5: a capacidade do pistão basta?

Qual a maior carga que os ensaios de solos pedem ao pistão, nos dois tamanhos de corpo de prova?

  1. O par mais severo da DNIT 134 tem σd = 0,420 MPa. No cilindro de 100 mm, P = 0,420 × 7.854 = 3.299 N; no de 150 mm, A = π × 75² = 17.671 mm² e P = 0,420 × 17.671 = 7.422 N.
  2. O par mais severo da DNIT 179 tem σd = 360 kPa: no cilindro de 150 mm, P = 0,360 × 17.671 = 6.362 N.
  3. A maior tensão confinante dos dois ensaios é 0,140 MPa (1,4 bar), muito abaixo da alimentação pneumática de 10 bar.

Com pistão de 15 kN, a maior carga dos ensaios de solos usa cerca de metade da capacidade, mesmo no corpo de prova de 150 × 300 mm. Para configurar o equipamento para os seus materiais, peça um orçamento.

Normas citadas

As normas DNIT abaixo constam como vigentes na coletânea de normas do DNIT (edição vigente conferida em 01/10/2026); as que regem o MR, a RT, a fadiga e a deformação permanente foram conferidas também no texto integral. As referências estrangeiras aparecem na bibliografia das normas brasileiras:

NormaO que trataEdição
DNIT 134-MEmódulo de resiliência de solos e britas, triaxial de carga repetida2018, Errata 1 de 2023
DNIT 135-MEmódulo de resiliência de misturas asfálticas, compressão diametral2018
DNIT 179-IEdeformação permanente de solos e britas2018, Errata 1 de 2023
DNIT 136-MEresistência à tração por compressão diametral de misturas asfálticas2018
DNIT 181-MEmódulo de resiliência de material estabilizado quimicamente2018
DNIT 183-MEfadiga de misturas asfálticas por compressão diametral2018
DNIT 416-MEmódulo dinâmico de misturas asfálticas2019
DNIT 443-MEcompactação de solos em moldes tripartidos2023
AASHTO T 307módulo de resiliência de solos e agregados (referência americana)citada na DNIT 134
ASTM D7369módulo de resiliência de misturas asfálticas por tração indiretaD7369-20
ABNT NBR 16018rigidez de misturas asfálticas por compressão diametral sob carga repetidacitada na DNIT 135

Outros ensaios e referências técnicas

Perguntas frequentes

O que é módulo de resiliência?

É a razão entre a tensão desvio aplicada repetidamente num solo, brita ou mistura asfáltica e a deformação que o material recupera depois de cada pulso: MR = σd/εr, em MPa. Representa a rigidez elástica do material sob o tráfego e é a entrada de rigidez do dimensionamento mecanístico de pavimentos.

Como calcular o módulo de resiliência?

Divida a tensão desvio (σd = P/A) pela deformação resiliente (εr = δr/H0, com H0 descontado do deslocamento permanente acumulado). Exemplo: σd = 0,105 MPa e εr = 7,21 × 10⁻⁴ dão MR ≈ 146 MPa. Em mistura asfáltica, MR = P·(0,2692 + 0,9976·ν)/(ΔH·t), pela DNIT 135/2018-ME.

Qual a diferença entre o módulo de resiliência de pavimentos e o de metais?

São grandezas diferentes com o mesmo nome. Nos metais, o módulo de resiliência é a energia elástica por volume até o escoamento, Ur = σe²/(2E), em J/m³. Em pavimentação, MR = σd/εr é uma rigidez sob carga repetida, em MPa.

Qual norma rege o ensaio de módulo de resiliência?

Solos, britas e materiais não estabilizados quimicamente seguem a DNIT 134/2018-ME (triaxial de carga repetida). Misturas asfálticas seguem a DNIT 135/2018-ME (compressão diametral). Materiais estabilizados quimicamente seguem a DNIT 181/2018-ME.

Qual a frequência do ensaio de módulo de resiliência?

1 Hz: pulso de carga de 0,1 s seguido de 0,9 s de repouso, nas DNIT 134 e 135. O ensaio de deformação permanente (DNIT 179/2018-IE) recomenda 2 Hz, com 0,1 s de carga e 0,4 s de repouso, e admite de 1 a 5 Hz.

Quantos pares de tensão tem o ensaio em solos?

Três pares de condicionamento, com 500 ciclos cada, e depois 18 pares para o cálculo: seis tensões confinantes de 0,020 a 0,140 MPa, cada uma com razão σ1/σ3 de 2, 3 e 4. Para subleito, o projetista pode adotar 12 pares.

Qual a diferença entre módulo de resiliência e módulo de elasticidade?

O módulo de elasticidade é obtido num ensaio estático de tração ou compressão, como a inclinação do trecho linear da curva tensão-deformação. O MR usa carga repetida e só a parcela recuperável da deformação, e em solos varia com as tensões. Para um material elástico linear, os dois coincidem.

Quais são os valores típicos de módulo de resiliência?

Pelo roteiro de ensaios do MeDiNa (DNIT, 2026): concretos asfálticos de 2.000 a 12.000 MPa, brita graduada tratada com cimento de 5.000 a 15.000 MPa, materiais granulares de 100 a 500 MPa e solos finos de subleito de 25 a 200 MPa.

Qual a temperatura do ensaio em misturas asfálticas?

Geralmente 25 ± 0,5 °C, com o corpo de prova pelo menos 4 h na câmara de temperatura antes do ensaio, conforme a DNIT 135/2018-ME. A câmara precisa manter de 10 a 50 °C com precisão de 0,5 °C.

Posso usar o CBR para estimar o módulo de resiliência?

Só como triagem. Correlações do tipo MR ≈ 10·CBR foram obtidas para outros solos e o roteiro do MeDiNa não as recomenda, pela baixa consistência entre os parâmetros. Para dimensionamento mecanístico, o MR tem de ser ensaiado.

Qual o objetivo do ensaio CBR e em que ele difere do módulo de resiliência?

O ensaio CBR (Índice de Suporte Califórnia, ISC) mede a resistência de um solo compactado à penetração de um pistão a velocidade constante, comparada com a de uma brita padrão, e serve ao dimensionamento empírico. O MR mede a rigidez sob carga repetida, com deformações pequenas e recuperáveis, e serve ao dimensionamento mecanístico-empírico (MeDiNa).

Qual a norma de módulo de resiliência para solo-cimento?

A DNIT 181/2018-ME, que trata do módulo de resiliência de materiais estabilizados quimicamente, como solo-cimento e brita graduada tratada com cimento. A DNIT 134/2018-ME exclui esses materiais. A execução da base de solo-cimento tem especificação própria, a DNIT 143-ES.

Como o módulo de resiliência é usado no MeDiNa?

Cada camada recebe um MR constante ou um modelo k1·σ3^k2·σd^k3·θ^k4 e um coeficiente de Poisson. O programa calcula tensões e deformações por análise elástica de múltiplas camadas e itera o MR até convergir no centro da camada.

Quanto tempo dura o ensaio de deformação permanente?

Pelo menos 150.000 ciclos por corpo de prova: a 2 Hz, 20,8 h cada. Com os 9 corpos de prova recomendados pela DNIT 179/2018-IE, são cerca de 187,5 h, perto de 8 dias de equipamento.